{"id":7017,"date":"2024-09-04T08:00:05","date_gmt":"2024-09-04T08:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7017"},"modified":"2024-08-30T12:04:03","modified_gmt":"2024-08-30T12:04:03","slug":"populacoes-ainda-mais-vulneraveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7017","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00f5es (ainda mais) vulner\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"quais-os-impactos-das-mudancas-climaticas-nas-populacoes-vulneraveis-e-o-que-pode-ser-feito-para-mitigar-esse-problema\"><span style=\"color: #808080;\">Quais os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis e o que pode ser feito para mitigar esse problema<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os desastres relacionados ao clima provocaram mais da metade dos novos deslocamentos relatados em 2022. Quase 60% dos refugiados e das pessoas deslocadas internamente vivem em pa\u00edses que est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Segundo o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/sixth-assessment-report-cycle\/\">\u00faltimo relat\u00f3rio<\/a><\/strong><\/span> do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/\">Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/a><\/strong><\/span>, praticamente metade da popula\u00e7\u00e3o mundial (entre 3,3 e 3,6 bilh\u00f5es de pessoas) est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses mais ricos s\u00e3o os campe\u00f5es em emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, no entanto, quem sofre mais intensamente as consequ\u00eancias do aquecimento global s\u00e3o as regi\u00f5es mais pobres. Ainda segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC, entre 2010 e 2020, a mortalidade humana causada por enchentes, secas e tempestades foi 15 vezes maior em regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis. Esse fen\u00f4meno vem sendo chamado de racismo ambiental. O termo, criado em 1982 por ativistas dos Estados Unidos que protestavam contra um dep\u00f3sito de res\u00edduos t\u00f3xicos em uma regi\u00e3o de maioria populacional negra, ganha cada vez mais relev\u00e2ncia em uma \u00e9poca na qual as consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas da degrada\u00e7\u00e3o ambiental recaem especialmente sobre popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"adaptacoes-serao-necessarias\"><strong>Adapta\u00e7\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias<\/strong><\/h4>\n<p>Devido ao aumento da frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos em todo o mundo, muitos pa\u00edses passaram a elaborar planos nacionais de adapta\u00e7\u00e3o para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Entre as iniciativas preconizadas por esses planos, est\u00e3o as chamadas obras de \u201curbanismo clim\u00e1tico\u201d, que visam aumentar a capacidade adaptativa e a resili\u00eancia das cidades para enfrentar os eventos clim\u00e1ticos extremos, como enchentes, inunda\u00e7\u00f5es e desabamentos. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-populacoes-vulneraveis-sofrem-mais-intensamente-as-consequencias-das-mudancas-climaticasfoto-bruno-peres-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7019\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura1.jpg 1606w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis sofrem mais intensamente as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<br \/>\n<\/strong>(Foto: Bruno Peres\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Osvaldo Gir\u00e3o da Silva, professor do Departamento de Ci\u00eancia Geogr\u00e1ficas da <strong><a href=\"https:\/\/www.ufpe.br\/\"><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal de Pernambuco (UFPE<\/span>)<\/a><\/strong>, cita algumas adapta\u00e7\u00f5es urbanas que podem ser realizadas segundo as caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas de cada regi\u00e3o: \u201cpara combater ilhas de calor \u00e9 preciso preservar e criar \u00e1reas verdes e evitar edifica\u00e7\u00f5es elevadas, que interferem na circula\u00e7\u00e3o dos ventos. Para prevenir inunda\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso minimizar a impermeabiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas, ampliar sistemas eficientes de drenagem para que a \u00e1gua das chuvas possa escoar, buscar evitar ocupa\u00e7\u00f5es em margens de canais ou mesmo nas plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00f5es e tentar conservar a vegeta\u00e7\u00e3o ciliar e rip\u00e1ria (ribeirinha) que minimiza efeitos de enchentes e inunda\u00e7\u00f5es e protege as \u00e1reas contra processo erosivos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"praticamente-metade-da-populacao-mundial-esta-em-uma-situacao-muito-vulneravel-em-relacao-aos-impactos-das-mudancas-climaticas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPraticamente metade da popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As \u00e1reas de encostas, tanto acima dela (montante), quanto abaixo (jusante), s\u00e3o suscet\u00edveis a processos erosivos, que podem ocorrer mesmo sem ocupa\u00e7\u00e3o. Nos casos em que h\u00e1 ocupa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 medidas que podem ser tomadas para minimizar os riscos da popula\u00e7\u00e3o que habita nessa regi\u00e3o: \u201c\u00e9 indicado promover uma a\u00e7\u00e3o de urbaniza\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas de encostas, levando em considera\u00e7\u00e3o quest\u00f5es de pavimenta\u00e7\u00e3o, escoamento da \u00e1gua superficial, descarte apropriado de res\u00edduos s\u00f3lidos e saneamento b\u00e1sico. \u00c9 uma forma de fazer com que essas \u00e1reas permane\u00e7am est\u00e1veis e n\u00e3o propensas a instabilidades que levam a movimenta\u00e7\u00e3o (principalmente se s\u00e3o intensamente ocupadas)\u201d, explica Osvaldo Gir\u00e3o. O pesquisador ressalta tamb\u00e9m que muitas vezes as a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico desconsideram a experi\u00eancia adquirida pela popula\u00e7\u00e3o que habita \u00e1reas de fundo de vale e de encostas. \u201cEsse conhecimento pode ser utilizado pelo poder p\u00fablico para tentar minimizar os efeitos com a colabora\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, que tem um entendimento da regi\u00e3o muitas vezes maior do que o pr\u00f3prio gestor\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Maria Silvia Muylaert de Ara\u00fajo, arquiteta e chefe do Servi\u00e7o de Capta\u00e7\u00e3o de Recursos da Coordena\u00e7\u00e3o de Planejamento da Companhia Estadual de Habita\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro (CEHAB), acredita que a amplia\u00e7\u00e3o de infraestruturas azuis (canais, rio e lagos) e verdes (parques e \u00e1reas naturais) podem ser poderosas medidas de urbanismo clim\u00e1tico: \u201cA infraestrutura azul fornece fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e hidrol\u00f3gicas (evapora\u00e7\u00e3o, transpira\u00e7\u00e3o, drenagem, infiltra\u00e7\u00e3o, reten\u00e7\u00e3o) cr\u00edticas para a gest\u00e3o sustent\u00e1vel da \u00e1gua urbana. Parques p\u00fablicos, florestas urbanas, \u00e1rvores de rua e telhados verdes, bem como lagos, lagoas e riachos est\u00e3o amplamente documentados por fornecer resfriamento local. Grama e \u00e1reas ribeirinhas, bacias hidrogr\u00e1ficas florestadas podem melhorar a prote\u00e7\u00e3o contra enchentes e secas para cidades e assentamentos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"tecnologias-preditivas-e-ancestrais\"><strong>Tecnologias preditivas e ancestrais<\/strong><\/h4>\n<p>Hoje temos tecnologias que permitem prever eventos clim\u00e1ticos futuros, auxiliando no planejamento de curto e longo prazo para conten\u00e7\u00e3o de desastres. Simula\u00e7\u00f5es feitas com modelagem em 4D podem prever chuvas, deslizamentos e inunda\u00e7\u00f5es com alta precis\u00e3o. Osvaldo Gir\u00e3o comenta que tais tecnologias j\u00e1 s\u00e3o uma realidade no Brasil, o grande problema \u00e9 a in\u00e9rcia do poder p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s previs\u00f5es: \u201cHoje temos um leque de tecnologias com a condi\u00e7\u00e3o de prever eventos extremos, principalmente como o que vimos no estado do Rio Grande do Sul. \u00c9 importante lembrar que eventos parecidos j\u00e1 haviam ocorrido em setembro e novembro de 2023. O evento de 2024 foi o terceiro que ocorreu em menos de um ano naquela regi\u00e3o. Estamos a viver \u2018o novo normal\u2019 das emerg\u00eancias clim\u00e1ticas. Esses eventos passaram a ter uma presen\u00e7a maior no cotidiano das popula\u00e7\u00f5es. No evento de maio, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados foram avisados que haveria a possibilidade de altos n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio a\u00e7\u00f5es preventivas do poder p\u00fablico estadual e municipal para tentar minimizar os efeitos desses tipos de eventos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-paises-mais-ricos-sao-os-campeoes-em-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-no-entanto-quem-sofre-mais-intensamente-as-consequencias-do-aquecimento-global-sao-as-regioes-mais-pobres\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOs pa\u00edses mais ricos s\u00e3o os campe\u00f5es em emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, no entanto, quem sofre mais intensamente as consequ\u00eancias do aquecimento global s\u00e3o as regi\u00f5es mais pobres.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como as tecnologias de ponta, os conhecimentos ancestrais dos povos ind\u00edgenas, das popula\u00e7\u00f5es quilombolas e das comunidades tradicionais tamb\u00e9m podem ser \u00fateis para mitigar os efeitos do aquecimento global. Essas popula\u00e7\u00f5es det\u00eam um conhecimento valioso sobre os ecossistemas que habitam. As terras protegidas por ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia t\u00eam as menores taxas de destrui\u00e7\u00e3o do bioma, taxas muito menores do que as \u00e1reas protegidas pelo governo. O \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC reconhece a import\u00e2ncia deste conhecimento e seu valor no enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: \u201cNo mais recente relat\u00f3rio publicado em 2021, o conhecimento local e o conhecimento dos povos ind\u00edgenas foram, pela primeira vez, aceitos e incorporados \u00e0s discuss\u00f5es. O IPCC reconheceu que esses sistemas de conhecimento representam uma gama de pr\u00e1ticas culturais, sabedoria, tradi\u00e7\u00f5es e formas de conhecer o mundo que fornecem informa\u00e7\u00f5es, observa\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es precisas e \u00fateis sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, declarou Maria Silvia Muylaert, autora do cap\u00edtulo 18 do relat\u00f3rio. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-conhecimentos-ancestrais-dos-povos-indigenas-das-populacoes-quilombolas-e-das-comunidades-tradicionais-sao-fundamentais-para-mitigar-os-efeitos-do-aquecimento-global-foto-tatiana-azevich\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7020\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-300x199.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-768x509.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-800x530.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2-1160x768.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/CC-3E24-reportagem-Populac\u0327o\u0303es-ainda-mais-vulnera\u0301veis-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Conhecimentos ancestrais dos povos ind\u00edgenas, das popula\u00e7\u00f5es quilombolas e das comunidades tradicionais s\u00e3o fundamentais para mitigar os efeitos do aquecimento global.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Tatiana Azeviche\/Setur-BA. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses conhecimentos s\u00e3o chamados pela sigla de IKLK (<em>Indigenous Knowledge and Local Knowledge<\/em>). Maria Silvia cita exemplos da colabora\u00e7\u00e3o entre os IKLK e a ci\u00eancia: \u201cO sistema de calend\u00e1rio tradicional (maramataka) usado pelos Maoris em Aotearoa, Nova Zel\u00e2ndia, incorpora conhecimentos ind\u00edgenas ecol\u00f3gicos, ambientais e celestes. Praticantes Maori est\u00e3o colaborando com cientistas acad\u00eamicos na avalia\u00e7\u00e3o e nas propostas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. Publica\u00e7\u00f5es recentes tamb\u00e9m demonstram que comunidade aut\u00f4noma ind\u00edgena na Finl\u00e2ndia (ind\u00edgenas Skolt S\u00e1mi) tem amplo conhecimento sobre os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais e tamb\u00e9m detectaram polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos.\u201d<\/p>\n<p>Os conhecimentos ancestrais podem ser utilizados tanto para mitigar os efeitos do aquecimento global como para aumentar a resili\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a eventos clim\u00e1ticos extremos. O relat\u00f3rio do IPCC elenca as seguintes \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o do IKLK: previs\u00e3o clim\u00e1tica\/ alerta antecipado; redu\u00e7\u00e3o de riscos de inc\u00eandio; aumento no rendimento das colheitas\/ seguran\u00e7a alimentar; melhoria da subsist\u00eancia e do bem-estar; enfrentamento da degrada\u00e7\u00e3o de ecossistemas; monitoramento da pesca e gest\u00e3o de recursos urbanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-desafio-para-a-saude\"><strong>Um desafio para a sa\u00fade<\/strong><\/h4>\n<p>Ondas de calor s\u00e3o cada vez mais frequentes em muitas partes do mundo. Sob condi\u00e7\u00f5es de extremo estresse t\u00e9rmico, a nossa demanda card\u00edaca aumenta, a sudorese se intensifica e ocorre um processo de desidrata\u00e7\u00e3o. Esse quadro \u00e9 ainda pior quando a popula\u00e7\u00e3o afetada vive em alguma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Waleska Caiaffa, professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da <strong><a href=\"Universidade%2520Federal%2520de%2520Minas%2520Gerais%2520(UFMG)\"><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/span><\/a><\/strong> elenca os grupos sociais mais afetados pelo aquecimento global: \u201cos povos ind\u00edgenas, vivendo no ambiente deles ou nos espa\u00e7os urbanos \u2014 ambientes nos quais eles n\u00e3o est\u00e3o adaptados \u2014, as minorias \u00e9tnicas que precisaram migrar e pessoas que vivem em assentamentos informais e domic\u00edlios prec\u00e1rios\u201d. Para a pesquisadora, enfrentar o problema passa por melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho, as condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o e o acesso dessas popula\u00e7\u00f5es \u00e0 infraestrutura de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-conhecimentos-ancestrais-podem-ser-utilizados-tanto-para-mitigar-os-efeitos-do-aquecimento-global-como-para-aumentar-a-resiliencia-de-populacoes-em-relacao-a-eventos-climaticos-extremos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOs conhecimentos ancestrais podem ser utilizados tanto para mitigar os efeitos do aquecimento global como para aumentar a resili\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a eventos clim\u00e1ticos extremos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enchentes e inunda\u00e7\u00f5es podem causar uma ampla variedade de doen\u00e7as, como a leptospirose, a salmonelose, a shigelose, as hepatites, as doen\u00e7as dermatol\u00f3gicas, al\u00e9m de favorecer a dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como dengue, chikungunya e zika. H\u00e1 a possibilidade tamb\u00e9m de contamina\u00e7\u00e3o por metais pesados que s\u00e3o levados pelas \u00e1guas e entram em contato com as pessoas atrav\u00e9s da pele e da ingest\u00e3o. Para Waleska Caiaffa, o sistema de sa\u00fade precisa se preparar para realizar esse tipo de diagn\u00f3stico de maneira r\u00e1pida: \u201co sistema de sa\u00fade precisa ser capaz de conhecer, diagnosticar e ser capaz de encaminhar casos relacionados a esses eventos clim\u00e1ticos\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisadora lembra ainda que as doen\u00e7as mentais tamb\u00e9m podem \u201cse proliferar\u201d nessas condi\u00e7\u00f5es: \u201cas doen\u00e7as mentais est\u00e3o ligadas \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios em pessoas que moram em contextos vulner\u00e1veis. \u2014 repeti\u00e7\u00e3o dos desabamentos, repeti\u00e7\u00e3o das inunda\u00e7\u00f5es. As pessoas ficam extremamente estressadas e com medo de uma nova ocorr\u00eancia\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-os-paises-ricos-produzem-muitos-gases-de-efeito-estufa-mas-as-regioes-pobres-sofrem-mais-com-o-aquecimento-global-foto-marcio-james-wwf-brasil-reproducao\"><strong>Capa.<\/strong> <strong>Os pa\u00edses ricos produzem muitos gases de efeito estufa, mas as regi\u00f5es pobres sofrem mais com o aquecimento global.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcio James\/ WWF Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quais os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis e o que&hellip;\n","protected":false},"author":67,"featured_media":7018,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7017"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7017"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7028,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7017\/revisions\/7028"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}