{"id":7207,"date":"2024-10-10T07:30:24","date_gmt":"2024-10-10T07:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7207"},"modified":"2024-10-09T11:22:31","modified_gmt":"2024-10-09T11:22:31","slug":"a-origem-das-sociedades-cientificas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7207","title":{"rendered":"A origem das sociedades cient\u00edficas no Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"entidades-foram-fundamentais-para-a-institucionalizacao-da-ciencia-e-para-o-desenvolvimento-cientifico-no-pais\"><span style=\"color: #808080;\">Entidades foram fundamentais para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e para o desenvolvimento cient\u00edfico no pa\u00eds<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em muitos pa\u00edses em desenvolvimento, a ci\u00eancia \u00e0s vezes n\u00e3o recebe a devida aten\u00e7\u00e3o. No entanto, as sociedades cient\u00edficas est\u00e3o se tornando pe\u00e7as-chave nesse cen\u00e1rio. Elas n\u00e3o s\u00f3 defendem os interesses dos cientistas e promovem pesquisas, mas tamb\u00e9m abra\u00e7am causas importantes, como a inclus\u00e3o cultural e de g\u00eanero, a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, a democracia e a justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, as sociedades cient\u00edficas t\u00eam sido fundamentais. Elas n\u00e3o s\u00f3 ajudam a desenvolver as pr\u00f3prias ci\u00eancias e as profiss\u00f5es que delas dependem, como tamb\u00e9m preservam sua hist\u00f3ria, divulgam conhecimento e criam condi\u00e7\u00f5es para o crescimento cient\u00edfico e profissional. Al\u00e9m disso, promovem uma cultura de apoio ao progresso baseado em ci\u00eancia e tecnologia por iniciativas p\u00fablicas e outras a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"pelo-mundo\"><strong>Pelo mundo<\/strong><\/h4>\n<p>As sociedades cient\u00edficas t\u00eam suas ra\u00edzes no Renascimento, quando novos incentivos \u00e0 pesquisa levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de grupos que reuniam os grandes pensadores da \u00e9poca. Esses grupos tinham como objetivo melhorar a compreens\u00e3o humana em \u00e1reas como astronomia, bot\u00e2nica, filosofia e hist\u00f3ria, promovendo discuss\u00f5es e trocas de ideias e descobertas. Esses pioneiros deram origem a institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas renomadas, como a <em>L\u2019Accademia Nazionale dei Lincei<\/em> (It\u00e1lia, 1603), a <em>German Academy of Sciences Leopoldina<\/em> (Alemanha, 1652), a <em>The Royal Society<\/em> (Inglaterra, 1660), a <em>Acad\u00e9mie des Sciences<\/em> (Fran\u00e7a, 1666) e a <em>The American Philosophical Society<\/em> (Estados Unidos, 1743).<\/p>\n<p>Essas associa\u00e7\u00f5es inspiraram a forma\u00e7\u00e3o de outras sociedades cient\u00edficas pelo mundo. No s\u00e9culo XVIII, muitas capitais europeias e at\u00e9 mesmo prov\u00edncias menores come\u00e7aram a criar suas pr\u00f3prias sociedades cient\u00edficas. Esses grupos ofereciam um espa\u00e7o para compartilhar e disseminar conhecimento, especialmente atrav\u00e9s de seus peri\u00f3dicos, que se tornavam cada vez mais populares e fundamentais para o avan\u00e7o da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"no-brasil\"><strong>No Brasil<\/strong><\/h4>\n<p>No Brasil, uma das primeiras iniciativas de organiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica aconteceu no s\u00e9culo XVIII com a cria\u00e7\u00e3o da Academia Cient\u00edfica do Rio de Janeiro pelo marqu\u00eas do Lavradio em 1772. Seu objetivo era disseminar certos aspectos da ci\u00eancia entre a elite local. A academia tinha apenas nove membros e durou apenas sete anos. Logo ap\u00f3s, surgiu a Sociedade Liter\u00e1ria do Rio de Janeiro, que tamb\u00e9m teve uma exist\u00eancia breve, sendo fechada por motivos pol\u00edticos e seus membros presos sob acusa\u00e7\u00e3o de conspirar a favor da independ\u00eancia da col\u00f4nia.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX, surgiram poucas tentativas de organizar os poucos cientistas existentes, mas algumas entidades ligadas a setores profissionais foram fundadas, como a Academia Nacional de Medicina em 1829 e o Clube de Engenharia em 1880. Voltada para a ind\u00fastria, foi criada a Sociedade Auxiliadora da Ind\u00fastria Nacional em 1831, e sete anos depois, surgiu o Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro (IHGB), focado na preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-geogr\u00e1fica, cultural e de ci\u00eancias sociais.<\/p>\n<p>Durante todo o s\u00e9culo XIX, as atividades cient\u00edficas brasileiras estavam centralizadas no Rio de Janeiro. Segundo Maria Am\u00e9lia Mascarenhas Dantes em seu artigo \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000100014\"><strong><em>As Ci\u00eancias na Hist\u00f3ria Brasileira<\/em><\/strong><\/a><\/span>\u201d, isso acontecia porque a capital era o centro onde estavam concentrados os profissionais, brasileiros e estrangeiros, que come\u00e7aram a se organizar em associa\u00e7\u00f5es. Com a chegada da Rep\u00fablica, iniciou-se uma diversifica\u00e7\u00e3o regional no desenvolvimento cient\u00edfico e t\u00e9cnico, que se expandiu ao longo do s\u00e9culo XX. Assim, no final do s\u00e9culo XIX, escolas de engenharia, faculdades de medicina, museus de hist\u00f3ria natural e institutos na \u00e1rea da sa\u00fade come\u00e7aram a surgir em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"diversificacao-e-desafios\"><strong>Diversifica\u00e7\u00e3o e desafios<\/strong><\/h4>\n<p>No s\u00e9culo XX, as sociedades cient\u00edficas se multiplicaram, especialmente na segunda metade do s\u00e9culo, quando a ci\u00eancia come\u00e7ou a florescer no Brasil. As universidades se espalharam pelo pa\u00eds e a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se consolidar. Em 1916, uma importante iniciativa foi a cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Ci\u00eancia, que mais tarde se tornou a <a href=\"https:\/\/www.googleadservices.com\/pagead\/aclk?sa=L&amp;ai=DChcSEwitpZ-xz4f5AhVmbm8EHUa6AqYYABAAGgJqZg&amp;ae=2&amp;ohost=www.google.com&amp;cid=CAESauD2B2KqeBg3Oedu8P6FRf0cD3vxPb9yZXZoi4a7GQUOBu900ZOxs0zDQ_1gv4nDvFf--497B02sJItUmSglcsGlmTk_XCok9TkjVZDxNcMUTNk2HiH0tfEYuq4GwkHBVRihsuPIWeqSzXo&amp;sig=AOD64_0zDYoG-khUTNtWAf9-oor14cFOJg&amp;q&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwiQnpGxz4f5AhU3rZUCHcgkDZEQ0Qx6BAgDEAE\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Academia Brasileira de Ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/a> (ABC). Esta sociedade teve um papel crucial no desenvolvimento cient\u00edfico do pa\u00eds. Na d\u00e9cada de 1930, surgiram as primeiras faculdades de filosofia, ci\u00eancias e letras em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, permitindo a forma\u00e7\u00e3o de professores e pesquisadores em diversas \u00e1reas. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-escola-politecnica-do-rio-de-janeiro-serviu-de-palco-para-a-criacao-da-academia-brasileira-de-ciencias-abcfonte-academia-brasileira-de-ciencias-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7208\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-300x195.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-1024x667.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-768x500.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-800x521.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1-1160x755.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-1.jpg 1410w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A Escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro serviu de palco para a cria\u00e7\u00e3o da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo com v\u00e1rias iniciativas, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil ainda era pequena no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Existiam poucas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e muitas universidades ainda n\u00e3o tinham a tradi\u00e7\u00e3o de realizar pesquisas. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, ficou claro que incentivar a ci\u00eancia era essencial para o desenvolvimento social e econ\u00f4mico. Nesse contexto, um grupo de cientistas fundou, em 8 de julho de 1948, a <a href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/a> (SBPC).\u00a0A SBPC foi pioneira, inspirando a cria\u00e7\u00e3o de muitas outras sociedades cient\u00edficas e assumindo a fun\u00e7\u00e3o de unir essas entidades para promover a ci\u00eancia nacional. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-criacao-da-sociedade-brasileira-para-o-progresso-da-ciencia-sbpc-em-1948folha-da-noite-sao-paulo-do-dia-9-de-junho-de-1948-fmors-acervo-sbpc\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7209\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-300x221.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-300x221.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-1024x753.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-768x565.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-1536x1129.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-800x588.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2-1160x853.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/origem-2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), em 1948<br \/>\n<\/strong>(Folha da Noite, S\u00e3o Paulo, do dia 9 de junho de 1948. FMORS\/Acervo SBPC)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, o Brasil conta com in\u00fameras sociedades cient\u00edficas em quase todas as \u00e1reas do conhecimento, muitas delas com estruturas regionais. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mencionar todas as mais de duzentas sociedades existentes, mas todas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento cient\u00edfico. Al\u00e9m disso, elas tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais em quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais. Iniciativas recentes mostram seu envolvimento em temas como a defesa dos direitos humanos, da cidadania, da educa\u00e7\u00e3o e da democracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-sociedades-cientificas-foram-fundamentais-para-a-institucionalizacao-da-cienciafonte-acervo-sbpc-reproducao\"><strong>Capa. Sociedades cient\u00edficas foram fundamentais para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Acervo SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entidades foram fundamentais para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e para o desenvolvimento&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":7210,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7207"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7207"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7212,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7207\/revisions\/7212"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}