{"id":7281,"date":"2024-10-16T08:00:24","date_gmt":"2024-10-16T08:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7281"},"modified":"2024-10-14T11:46:40","modified_gmt":"2024-10-14T11:46:40","slug":"berta-ribeiro-museus-e-a-valorizacao-da-cultura-dos-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7281","title":{"rendered":"Berta Ribeiro, museus e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura dos povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pesquisadora-dedicou-a-vida-a-valorizacao-e-preservacao-das-culturas-indigenas-brasileiras\"><span style=\"color: #808080;\">Pesquisadora dedicou a vida \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o das culturas ind\u00edgenas brasileiras<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi mergulhada entre artesanatos e hist\u00f3rias, em um ambiente repleto de saberes, m\u00faltiplas culturas e costumes diferentes dos seus que Berta Ribeiro encontrou uma de suas maiores conex\u00f5es com o Brasil. Judia e nascida na Rom\u00eania em tempos de antissemitismo, chegou no pa\u00eds ainda crian\u00e7a, em 1932, acompanhada do pai e da irm\u00e3, em uma tentativa de fugir da persegui\u00e7\u00e3o. Quinze anos depois, separada \u00e0 for\u00e7a da fam\u00edlia e sozinha, conheceu e casou-se com o antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro, com quem estabeleceria uma parceria vital\u00edcia. Juntos, desbravaram fronteiras ainda inexploradas do rico patrim\u00f4nio ind\u00edgena, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es, documentos, livros, associa\u00e7\u00f5es, museus e pessoas. Berta Ribeiro dedicou sua vida a amplificar a voz das popula\u00e7\u00f5es que estudou, defendendo a valoriza\u00e7\u00e3o e a preserva\u00e7\u00e3o de suas culturas. Hoje, 27 anos ap\u00f3s seu falecimento, \u00e9 um s\u00edmbolo da luta pelo reconhecimento dos povos origin\u00e1rios e respeito pela natureza, cujas contribui\u00e7\u00f5es perduram e se renovam atrav\u00e9s das d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O primeiro contato de Berta Ribeiro com popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ocorreu durante visitas dirigidas aos Kaingang, no sul do Brasil. Embora a inten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria tenha sido acompanhar os trabalhos do marido, ao mesmo tempo em que coletava dados etnogr\u00e1ficos e contribu\u00eda para as pesquisas de Darcy Ribeiro, Berta Ribeiro come\u00e7ou a desenvolver suas pr\u00f3prias vis\u00f5es e interesses sobre a realidade vivida por esses povos. As viagens continuaram em aldeias no Mato Grosso, no Maranh\u00e3o e no Alto e M\u00e9dio rio Xingu, permitindo que, cada vez mais, encontrasse um jeito pr\u00f3prio de estudar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. \u201cOs interesses de Berta e Darcy eram diferentes\u201d, explica a historiadora Bianca Fran\u00e7a, especialista em Etnologia e Antropologia que tem se dedicado a estudar e divulgar a contribui\u00e7\u00e3o de Berta Ribeiro para a cultura ind\u00edgena. A pesquisadora, que dirigiu e produziu o document\u00e1rio \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/youtu.be\/AQnRPRKZXog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Para Berta, com amor<\/em><\/strong><\/a><\/span>\u201d destaca que, enquanto Darcy buscava formular uma esp\u00e9cie de \u201clei geral\u201d para explicar a forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro, Berta Ribeiro tinha uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a cultura material e a arte visual dos ind\u00edgenas, al\u00e9m de um trabalho muito voltado, inicialmente, para taxonomias, cat\u00e1logos e levantamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-trabalho-de-berta-ribeiro-ja-reconhecia-os-direitos-dos-povos-indigenas-como-proprietarios-intelectuais-de-suas-expressoes-culturais-tradicionais-e-dos-saberes-compartilhados\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO trabalho de Berta Ribeiro j\u00e1 reconhecia os direitos dos povos ind\u00edgenas como propriet\u00e1rios intelectuais de suas express\u00f5es culturais tradicionais e dos saberes compartilhados.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em diferentes \u00e9pocas, as viagens de Berta Ribeiro rumaram aos povos Tukanos e Desanos, na regi\u00e3o do Alto Rio Negro. No final da d\u00e9cada de 1970, a pesquisadora investigava o cotidiano da aldeia Pari-Cachoeira, em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, quando Carlos Tukano, Cacique da Tribo Maracan\u00e3 e presidente do Conselho Estadual dos Direitos Ind\u00edgenas do Estado do Rio de Janeiro no Contexto Urbano vinculado ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, se deparou com seu trabalho pela primeira vez. \u201cEu ainda era muito novo, mas me lembro que ela estava fazendo pesquisas sobre grafismos e a vida dos povos ind\u00edgenas l\u00e1 do Alto Rio Negro\u201d, recorda. Anos depois, Carlos Tukano, que tamb\u00e9m \u00e9 representante dos povos ind\u00edgenas que vivem em contextos urbanos no Conselho Estadual dos Direitos Ind\u00edgenas do Rio de Janeiro (CEDIND), veria de perto alguns dos resultados dessas visitas expostos no Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (antigo Museu do \u00cdndio), criado por Darcy Ribeiro nos anos 1950.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-escritorio-duas-paixoes\"><strong>Um escrit\u00f3rio, duas paix\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p>Longe do campo e dentro de seu escrit\u00f3rio em Copacabana, Berta Ribeiro se preocupava em registrar, de forma sistem\u00e1tica, detalhada e organizada, as observa\u00e7\u00f5es feitas durante as visitas a campo. A m\u00e1quina de escrever foi sua companheira durante a reda\u00e7\u00e3o de dezenas de artigos, cartas, documentos e livros. Entre eles, em 1978, a pesquisadora datilografou, revisou e reescreveu o texto do livro <em>\u201cAntes o Mundo N\u00e3o Existia\u201d<\/em> que fora escrito pelos nativos Desanos Firmiano Lana e Luiz Lana, pai e filho, para retratar a mitologia de seu povo. Carlos Tukano lembra que a contribui\u00e7\u00e3o de Berta Ribeiro foi essencial para que essa obra se materializasse e ganhasse as propor\u00e7\u00f5es que tem hoje, com uma tiragem de cinco mil exemplares na primeira edi\u00e7\u00e3o e duas novas levas lan\u00e7adas em 1995 e em 2019. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-berta-ribeiro-e-sua-fiel-companheira-a-maquina-de-escreverfoto-fundacao-darcy-ribeiro-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7283\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-300x300.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-150x150.jpg 150w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-768x768.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-12x12.jpg 12w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-80x80.jpg 80w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1-800x800.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura1.jpg 1110w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Berta Ribeiro e sua fiel companheira, a m\u00e1quina de escrever<br \/>\n<\/strong>(Foto: Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao abrir m\u00e3o de ter seu nome estampado na capa de <em>\u201cAntes o Mundo N\u00e3o Existia\u201d<\/em>, Berta Ribeiro deixou ainda mais clara a forma com que via e desempenhava o seu trabalho. \u201cO trabalho de Berta Ribeiro j\u00e1 reconhecia os direitos dos povos ind\u00edgenas como propriet\u00e1rios intelectuais de suas express\u00f5es culturais tradicionais e dos saberes compartilhados a partir do estudo de cestarias, da arte plum\u00e1ria e de grafismos que integram essas express\u00f5es e n\u00e3o se separam da biodiversidade mais conservada do planeta, que s\u00e3o os territ\u00f3rios ind\u00edgenas\u201d, aponta Fernanda Kaing\u00e1ng, Diretora do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/museudoindio\/pt-br\/acesso-a-informacao\/institucional\/museu-do-indio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas<\/span><\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>A vontade de disseminar o conhecimento obtido nas visitas a campo e ampliar o alcance das vozes nativas persistiu por toda a vida e, em 1995, deu origem a seu \u00faltimo livro: <em>\u201cOs \u00cdndios das \u00c1guas Pretas\u201d<\/em>. Composta por mais de 260 p\u00e1ginas, a obra retrata a vida social e econ\u00f4mica dos povos Desanos, com cap\u00edtulos sobre os costumes sociais, as pr\u00e1ticas adotadas para a agricultura, as vis\u00f5es de mundo e tecnologias empregadas na rotina dos nativos dessa regi\u00e3o. Como em muitas de suas publica\u00e7\u00f5es, Berta Ribeiro desejava trazer \u00e0 tona o patrim\u00f4nio cultural imaterial ind\u00edgena, al\u00e9m de destacar a riqueza de suas tradi\u00e7\u00f5es para a preserva\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. \u201cO patrim\u00f4nio [ind\u00edgena] n\u00e3o \u00e9 em ouro, n\u00e3o \u00e9 em prata, n\u00e3o \u00e9 em edif\u00edcios, n\u00e3o \u00e9 em templos\u2026 \u00c9 em sabedoria!\u201d, disse, em entrevista em 1988 durante a 40\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"colecoes-sobre-o-patrimonio-indigena\"><strong>Cole\u00e7\u00f5es sobre o patrim\u00f4nio ind\u00edgena<\/strong><\/h4>\n<p>Bianca Fran\u00e7a recorda que um de seus primeiros contatos com Berta Ribeiro foi atrav\u00e9s do <em>\u201cDicion\u00e1rio do Artesanato Ind\u00edgena\u201d<\/em>, escrito por Berta Ribeiro e publicado em 1988. A pesquisadora conheceu a obra em meados de 2014, quando come\u00e7ou a trabalhar no Setor de Etnologia e Etnografia do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu Nacional<\/strong><\/a><\/span>. \u201cEu era estagi\u00e1ria, ainda estava na gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Na \u00e9poca, realizava um trabalho com objetos de cultura material dos ind\u00edgenas Ticuna do Alto Solim\u00f5es, do Amazonas, e, por conta desse levantamento sobre cole\u00e7\u00f5es do Setor de Etnologia, consultava muito o <em>\u2018Dicion\u00e1rio do Artesanato\u2019<\/em>\u201d, explica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do legado escrito para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, foi nesse mesmo Museu que Berta Ribeiro atuou como Naturalista e pesquisadora no Setor de Etnologia a partir de 1953. A contrata\u00e7\u00e3o se deu logo ap\u00f3s sua formatura em Hist\u00f3ria e Geografia na antiga Universidade do Distrito Federal, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e rendeu frutos que contribu\u00edram para o desenvolvimento e a organiza\u00e7\u00e3o do acervo. \u201cPor exemplo, ela fez um dos primeiros modelos de fichas catalogr\u00e1ficas de objetos do Setor e participou do Semin\u00e1rio Internacional sobre Curare e Subst\u00e2ncias Curarizantes, em 1957, o que contribuiu para a exposi\u00e7\u00e3o de curarizantes no Museu\u201d, destaca Bianca Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"berta-ribeiro-era-uma-visionaria-uma-mulher-a-frente-do-seu-tempo-cujo-trabalho-consiste-em-um-legado-valioso-para-a-memoria-a-valorizacao-a-salvaguarda-e-a-promocao-do-patrimonio-cultura\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cBerta Ribeiro era uma vision\u00e1ria, uma mulher \u00e0 frente do seu tempo, cujo trabalho consiste em um legado valioso para a mem\u00f3ria, a valoriza\u00e7\u00e3o, a salvaguarda e a promo\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural dos povos ind\u00edgenas do Brasil.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de ex\u00edlio no exterior e um hiato de 18 anos em sua carreira, Berta Ribeiro retornou ao Setor de Etnologia do Museu Nacional em 1977, em um projeto chamado <em>Corpus Etnogr\u00e1fico do Alto Xingu<\/em>, no qual se preocupava em abordar os aspectos tecnol\u00f3gicos do estudo da cultura material ind\u00edgena e suas poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. \u201cNesse projeto, Berta Ribeiro contribuiu com a cataloga\u00e7\u00e3o dos objetos xinguanos do Setor, a forma\u00e7\u00e3o de novas cole\u00e7\u00f5es, publica\u00e7\u00f5es, dentre outras contribui\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta a pesquisadora Bianca Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 1980, Berta Ribeiro tamb\u00e9m formou cole\u00e7\u00f5es para o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museugoeldi\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi<\/strong><\/a><\/span> e para o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/antigo.museudoindio.gov.br\/o-museu\/apresentacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas<\/strong><\/a><\/span>, onde foi chefe da Museologia. Nesse per\u00edodo, soma uma contribui\u00e7\u00e3o de 26 pe\u00e7as dos ind\u00edgenas Arawet\u00e9 do Par\u00e1 e 44 objetos dos ind\u00edgenas Asurini do Xingu. \u201cHoje, temos um Museu criado para combater o preconceito contra os povos ind\u00edgenas, que foi precursor na forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de antrop\u00f3logos e abriga um acervo etnogr\u00e1fico composto por 21 mil objetos ou express\u00f5es culturais tradicionais de 193 povos ind\u00edgenas dos seis biomas, (&#8230;) que \u00e9 fruto do trabalho e do comprometimento de muitas pessoas e, em especial, de Berta Ribeiro, a partir de sua rela\u00e7\u00e3o de respeito com os povos ind\u00edgenas\u201d, celebra Fernanda Kaing\u00e1ng em refer\u00eancia ao antigo Museu do \u00cdndio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"antropologia-e-ensino\"><strong>Antropologia e ensino<\/strong><\/h4>\n<p>Dentro e fora dos museus, Berta Ribeiro tamb\u00e9m atuou como professora e formadora de pessoas. Ministrou disciplinas como \u201cArte Ind\u00edgena no Brasil\u201d e \u201cCultura Material e Arte \u00c9tnica\u201d, al\u00e9m de ter orientado diversos alunos nos temas de sua especialidade. Junto a Darcy Ribeiro e Eduardo Galv\u00e3o, teve papel importante na constitui\u00e7\u00e3o do Departamento de Antropologia da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unb.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/strong><\/a><\/span>, no Distrito Federal. Atuou na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/strong><\/a><\/span>, na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.ufcg.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade de Campina Grande (UFCG)<\/strong><\/a><\/span>, na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.pucgoias.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s (PUC Goi\u00e1s)<\/strong><\/a><\/span>, na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/flacso.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Faculdade Latino-americana de Ci\u00eancias Sociais (Flacso Brasil)<\/strong><\/a><\/span> e compartilhou sua trajet\u00f3ria por meio de incont\u00e1veis eventos. \u201cSeu trabalho \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00f5es no contexto da Antropologia, da Etnologia e da Museologia Social\u201d, diz Fernanda Kaing\u00e1ng.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de trabalhos de pesquisa, ensino e extens\u00e3o, Berta Ribeiro tamb\u00e9m teve participa\u00e7\u00e3o importante na pr\u00f3pria institucionaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de Antropologia no Brasil. Renato Athias, antrop\u00f3logo e colega de Berta Ribeiro, recorda, no document\u00e1rio <em>\u201c<\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/youtu.be\/AQnRPRKZXog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Para Berta, com Amor<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>\u201d<\/em>, a trajet\u00f3ria da pesquisadora na funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia (ABA). \u201cFoi em 1955 (&#8230;). Ela organizava as minutas, organizava os textos e participava efetivamente das discuss\u00f5es\u201d, comenta, destacando que a \u00e1rea ainda era estudada por poucos pesquisadores no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"influencia-na-politica\"><strong>Influ\u00eancia na pol\u00edtica<\/strong><\/h4>\n<p>Carlos Tukano refor\u00e7a que a atua\u00e7\u00e3o de Berta Ribeiro foi fundamental para direcionar o olhar de pesquisadores e tomadores de decis\u00f5es para as popula\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias. \u201cNingu\u00e9m conhecia as quest\u00f5es ind\u00edgenas na \u00e9poca, s\u00f3 chamavam de &#8216;\u00edndio atrasado\u2019, \u2018sem cultura\u2019, \u2018economicamente pobre\u2019&#8230;\u201d explica. \u201cEnt\u00e3o, a vis\u00e3o que ela trouxe para as metr\u00f3poles, para as grandes cidades, mudou um pouco a vis\u00e3o sobre os povos ind\u00edgenas e come\u00e7aram a chegar pesquisadores e historiadores nas \u00e1reas ind\u00edgenas\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Para Fernanda Kaing\u00e1ng, o trabalho da antrop\u00f3loga influenciou, inclusive, a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas importantes e ainda vigentes. \u201cHoje, o Brasil possui uma vasta legisla\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na base das pol\u00edticas p\u00fablicas de preserva\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da diversidade cultural dos povos ind\u00edgenas do Brasil, como arte, ci\u00eancia e tecnologias profundamente interligadas com os territ\u00f3rios e respeito \u00e0s formas de vida que integram nossas formas de viver e de ver o mundo\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-trabalho-dela-traz-importantes-dialogos-ate-mesmo-com-questoes-contemporaneas-como-o-debate-sobre-o-papel-do-indigena-na-preservacao-do-meio-ambiente-o-papel-dos-museus-como-ferramentas-p\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO trabalho dela traz importantes di\u00e1logos at\u00e9 mesmo com quest\u00f5es contempor\u00e2neas, como o debate sobre o papel do ind\u00edgena na preserva\u00e7\u00e3o do meio-ambiente, o papel dos museus como ferramentas pedag\u00f3gicas e pol\u00edtico-pol\u00eamicas, e a necessidade de n\u00f3s, cientistas, levarmos nossas pesquisas em linguagem compreens\u00edvel \u00e0s massas.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Lei 11.645\/2008, por exemplo, tornou obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e das culturas ind\u00edgenas e afro-brasileiras nas escolas p\u00fablicas. A legisla\u00e7\u00e3o foi implementada em 2008 e traz como base princ\u00edpios j\u00e1 defendidos por Berta Ribeiro no final do s\u00e9culo XX, como a inclus\u00e3o e a diversidade cultural. \u201cBerta Ribeiro era uma vision\u00e1ria, uma mulher \u00e0 frente do seu tempo, cujo trabalho consiste em um legado valioso para a mem\u00f3ria, a valoriza\u00e7\u00e3o, a salvaguarda e a promo\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural dos povos ind\u00edgenas do Brasil\u201d, refor\u00e7a Fernanda Kaing\u00e1ng. Para a Diretora do Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas, as sementes plantadas pelo trabalho de Berta Ribeiro produzem frutos at\u00e9 hoje nos campos da Antropologia, da Museologia Social, da Etnologia e da propriedade intelectual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"legado-que-perdura-e-reflete-no-contexto-atual\"><strong>Legado que perdura e reflete no contexto atual<\/strong><\/h4>\n<p>Ao mesmo tempo em que as cole\u00e7\u00f5es, os livros e documentos produzidos por ela ainda servem como base para estudos antropol\u00f3gicos, diversas homenagens visam manter viva a mem\u00f3ria de Berta Ribeiro. Seu nome batiza a maior reserva t\u00e9cnica do antigo Museu do \u00cdndio, a \u201cReserva T\u00e9cnica Dra. Berta Gleizer Ribeiro\u201d, formada por 7.961 itens, incluindo objetos de rituais, l\u00fadicos, armas, instrumentos musicais e utens\u00edlios, provenientes de 98 povos da Am\u00e9rica Latina. \u201cOs objetos de Berta Ribeiro no Museu Nacional, infelizmente, se perderam no inc\u00eandio de setembro de 2018, mas, no Museu do \u00cdndio, at\u00e9 hoje \u00e9 poss\u00edvel visitar as cole\u00e7\u00f5es formadas por ela, que, inclusive, s\u00e3o emprestadas para exposi\u00e7\u00f5es itinerantes pelo Brasil\u201d, aponta Bianca Fran\u00e7a. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-berta-ribeiro-e-parte-do-acervo-original-do-memorial-dos-povos-indigenas-foto-fundacao-darcy-ribeiro-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7284\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-800x532.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2-1160x772.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-museus-e-a-valorizac\u0327a\u0303o-da-cultura-dos-Povos-Indi\u0301genas-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2.<\/strong><strong> Berta Ribeiro e parte do acervo original do Memorial dos Povos Ind\u00edgenas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Berta Ribeiro completaria 100 anos em outubro de 2024, mas faleceu em novembro de 1997, poucos meses ap\u00f3s Darcy Ribeiro. Quase 30 anos ap\u00f3s ter nos deixado, sua vida ainda ressoa em seu legado f\u00edsico e nas reflex\u00f5es sobre respeito e preserva\u00e7\u00e3o da natureza que iniciou d\u00e9cadas atr\u00e1s. \u201cO trabalho dela traz importantes di\u00e1logos at\u00e9 mesmo com quest\u00f5es contempor\u00e2neas, como o debate sobre o papel do ind\u00edgena na preserva\u00e7\u00e3o do meio-ambiente, o papel dos museus como ferramentas pedag\u00f3gicas e pol\u00edtico-pol\u00eamicas, al\u00e9m de \u00e1reas de lazer, e a necessidade de n\u00f3s, cientistas, levarmos nossas pesquisas em linguagem compreens\u00edvel \u00e0s massas\u201d, exemplifica Bianca Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o livro <em>\u201cAmaz\u00f4nia Urgente\u201d<\/em>, lan\u00e7ado por Berta Ribeiro em 1990, que traz em destaque a imagem de uma \u00e1rvore desmatada e enfatiza a necessidade de uma abordagem sustent\u00e1vel para a conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Ainda assim, embora o desmatamento florestal amaz\u00f4nico tenha reduzido significativamente entre 2023 e 2024, a regi\u00e3o continua a padecer com queimadas e com a explora\u00e7\u00e3o desenfreada de recursos e segue pedindo uma maior aten\u00e7\u00e3o por parte dos tomadores de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMuito h\u00e1 para ser feito em termos de preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e do patrim\u00f4nio dos povos ind\u00edgenas em um Brasil no qual o genoc\u00eddio e o ecoc\u00eddio fazem o pa\u00eds arder nas chamas do \u00f3dio, da desinforma\u00e7\u00e3o e da intoler\u00e2ncia que semeiam monoculturas da morte e consideram a diversidade como um fator de exterm\u00ednio, n\u00e3o de riqueza ambiental e cultural\u201d, alerta Fernanda Kaing\u00e1ng. Carlos Tukano concorda e sinaliza a necessidade de, nas palavras de Bianca Fran\u00e7a, \u201couvir o que os ind\u00edgenas t\u00eam a dizer sobre suas demandas e trabalhar conjuntamente para resolver\u201d. \u201c[Os estudantes ind\u00edgenas que frequentam Universidades] se formam nas grandes cidades, como Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Bras\u00edlia e Manaus, e ficam por l\u00e1. O Governo Federal teria que aplicar uma pol\u00edtica para verificar isso, para ter m\u00e3o de obra nas reservas ind\u00edgenas, melhorar a situa\u00e7\u00e3o das florestas e dos povos ind\u00edgenas dentro das aldeias\u201d, sugere o membro do CEDIND.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-berta-ribeiro-em-expedicao-com-povos-indigenas-dedicando-se-a-pesquisa-e-preservacao-das-tradicoes-culturais-que-estudou-ao-longo-de-sua-vidafoto-fundacao-darcy-ribeiro-reproducao\"><strong>Capa. Berta Ribeiro em expedi\u00e7\u00e3o com povos ind\u00edgenas, dedicando-se \u00e0 pesquisa e preserva\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es culturais que estudou ao longo de sua vida<br \/>\n<\/strong>(Foto: Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pesquisadora dedicou a vida \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o das culturas ind\u00edgenas brasileiras&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":7309,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7281"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7281"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7297,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7281\/revisions\/7297"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7309"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}