{"id":7287,"date":"2024-10-16T07:55:11","date_gmt":"2024-10-16T07:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7287"},"modified":"2024-10-14T11:51:06","modified_gmt":"2024-10-14T11:51:06","slug":"quase-todo-o-brasil-cabe-em-uma-foto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7287","title":{"rendered":"Quase todo o Brasil cabe em uma foto"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"berta-ribeiro-lancou-um-olhar-inovador-para-as-populacoes-indigenas-brasileiras-dedicou-se-incansavelmente-a-ciencia-e-a-divulgacao-cientifica-e-continua-a-inspirar-muitas-pessoas\"><span style=\"color: #808080;\">Berta Ribeiro lan\u00e7ou um olhar inovador para as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas brasileiras, dedicou-se incansavelmente \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e continua a inspirar muitas pessoas.<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Esse ano comemoramos o centen\u00e1rio de Berta Ribeiro, um nome muito menos conhecido na intelectualidade brasileira do que Darcy Ribeiro, com quem foi casada por 25 anos. Sua contribui\u00e7\u00e3o para o campo da antropologia brasileira, no entanto, \u00e9 fundamental at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Natural da Rom\u00eania e de fam\u00edlia judia, Berta migra para o Brasil em 1932, com apenas 8 anos, fugindo da persegui\u00e7\u00e3o antissemita e anticomunista. Aqui, a fam\u00edlia continua a sofrer forte repress\u00e3o devido ao seu envolvimento com o Partido Comunista, tens\u00e3o que culmina na extradi\u00e7\u00e3o de seus familiares em 1936. Sem nenhum parente no Brasil, passa a ser tutelada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) que a abriga em casas de fam\u00edlias da comunidade judaica brasileira.<\/p>\n<p>Berta entra na carreira acad\u00eamica por interm\u00e9dio de Darcy Ribeiro, a quem conhece em eventos do Partido Comunista em 1946. O campo da antropologia\/etnologia lhe \u00e9 apresentado em 1947, quando acompanha Darcy em sua pesquisa de campo sobre os ind\u00edgenas Kadiw\u00e9u, que residiam no pantanal mato-grossense.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que os dois foram casados (1948-1974), Berta Ribeiro colaborou com as pesquisas de Darcy Ribeiro sobre diversos aspectos da\u00a0 cultura ind\u00edgena. Juntos visitaram as tribos dos Kadiw\u00e9u, Guarani Kaiow\u00e1, Terena e Ofai\u00e9-Xavantes, do sul do Mato Grosso. Tamb\u00e9m estiveram entre os Ka\u2019apor no Maranh\u00e3o e em tribos do Alto e M\u00e9dio Rio Xingu, como os Yawalapiti, os Kaiabi, os Juruna, os Arawet\u00e9 e os Asurini. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, Berta\u00a0Ribeiro consegue dedicar-se integralmente \u00e0 sua pr\u00f3pria carreira, desenvolvendo metodologias pr\u00f3prias de trabalho e concentrando-se nos assuntos que mais a interessavam. Nesse per\u00edodo de sua carreira, a pesquisadora visita diversas vezes as tribos Tukano e Desana na regi\u00e3o do Alto Rio Negro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-grande-importancia-do-trabalho-da-berta-ribeiro-para-a-antropologia-contemporanea-e-o-fato-de-ela-realmente-ter-escutado-os-povos-indigenas-com-quem-ela-trabalhou-e-dado-o-devido-valor-as\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA grande import\u00e2ncia do trabalho da Berta Ribeiro para a antropologia contempor\u00e2nea \u00e9 o fato de ela realmente ter escutado os povos ind\u00edgenas com quem ela trabalhou e dado o devido valor \u00e0s\u00a0 suas cosmologias. Ela colocou isso de maneira muito \u00e9tica e muito bonita em suas etnografias.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto antrop\u00f3logos como Darcy Ribeiro buscavam tratados totalizantes, perseguindo leis gerais sobre o papel do ind\u00edgena na sociedade, Berta Ribeiro optou por uma abordagem mais etnogr\u00e1fica, vivendo per\u00edodos com os ind\u00edgenas, registrando e classificando as suas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e t\u00e9cnicas. Essa diferen\u00e7a de olhares talvez possa estar relacionado com a trajet\u00f3ria de vida de Berta, que em muitos momentos sofreu com a incompreens\u00e3o cultural: foi perseguida por ser judia em seu pa\u00eds de origem, precisou viver como refugiada em um pa\u00eds estrangeiro e era uma mulher buscando uma carreira profissional em uma \u00e1rea dominada por homens. Andr\u00e9 Demarchi, antrop\u00f3logo e professor da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uft.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Tocantins (UFT)<\/strong><\/a><\/span> comenta a conex\u00e3o entre a vida e a obra de Berta Ribeiro: \u201cessa trajet\u00f3ria influenciou n\u00e3o s\u00f3 o olhar dela para os povos ind\u00edgenas, mas a pr\u00f3pria escolha pela antropologia, que \u00e9 uma ci\u00eancia que volta seu olhar para o outro, de uma posi\u00e7\u00e3o descentralizada. Essas caracter\u00edsticas a fizeram uma pessoa diferente, que olha e se coloca no mundo de maneira diferente\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-cultura-material-indigena\"><strong>A cultura material ind\u00edgena<\/strong><\/h4>\n<p>Berta Ribeiro dedicou-se muito ao estudo da cultura material ind\u00edgena. Alguns dos seus estudos sobre o assunto s\u00e3o \u201c<em>Bases para uma classifica\u00e7\u00e3o dos adornos plum\u00e1rios dos \u00edndios do Brasil\u201d <\/em>(1957) e \u201c<em>Arte plum\u00e1ria dos \u00edndios Ka\u2019apor\u201d<\/em> (1957), que publicou em parceria com Darcy Ribeiro. J\u00e1 em sua tese de doutorado<em> \u201cA Civiliza\u00e7\u00e3o da Palha: a arte do tran\u00e7ado dos \u00edndios do Brasil\u201d<\/em> (1980), defendida pela <a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/span><\/strong><\/a>, dedica-se \u00e0 arte da cestaria dos ind\u00edgenas do Alto Xingu e do Rio Negro.<\/p>\n<p>A pesquisadora registrava os artefatos que encontrava, observando as diferen\u00e7as de confec\u00e7\u00e3o e de significado atribu\u00eddo a eles entre as diferentes etnias que visitou. Ela estava interessada em como esses artefatos contribu\u00edram para adapta\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas ao territ\u00f3rio, em sua forma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria e na organiza\u00e7\u00e3o social dessas tribos, partindo do espec\u00edfico para o geral. \u201cA grande import\u00e2ncia do trabalho da Berta Ribeiro para a antropologia contempor\u00e2nea \u00e9 o fato de ela realmente ter escutado os povos ind\u00edgenas com quem ela trabalhou e dado o devido valor \u00e0s\u00a0 suas cosmologias. Ela colocou isso de maneira muito \u00e9tica e muito bonita em suas etnografias. Voc\u00ea percebe essa delicadeza com o conhecimento ancestral ind\u00edgena e como eles s\u00e3o importantes para compreender os conflitos que aqueles povos est\u00e3o vivendo. Quando Berta vai estudar os grafismos feitos na cestaria do povo Kaiabi, percebe que aquele elemento registrado na cestaria remete a um ser mitol\u00f3gico que tem toda uma rela\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o social do povo Kaiabi. \u00c9 por a\u00ed que coloco a ideia de que Berta Ribeiro \u00e9 uma antrop\u00f3loga do futuro: ela anteviu no trabalho algumas quest\u00f5es que s\u00f3 foram desenvolvidas d\u00e9cadas depois na antropologia brasileira\u201d, explica Andr\u00e9 Demarchi.<\/p>\n<p>Berta Ribeiro coletava esses artefatos ind\u00edgenas e formava cole\u00e7\u00f5es que passaram a constituir os acervos do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu Nacional<\/strong><\/a><\/span> e do Museus dos Povos Ind\u00edgenas, antigo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/antigo.museudoindio.gov.br\/o-museu\/apresentacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu do \u00cdndio<\/strong><\/a><\/span>, institui\u00e7\u00f5es as quais trabalhou. Essas cole\u00e7\u00f5es visavam n\u00e3o somente a preserva\u00e7\u00e3o da cultura material ind\u00edgena, como a sua divulga\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico geral. Ela acreditava que os museus, assim como outros canais de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, eram importantes aliados na luta pela democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento. \u201cBerta Ribeiro foi uma militante da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica quando essa atividade ainda n\u00e3o tinha esse reconhecimento. A aproxima\u00e7\u00e3o do p\u00fablico amplo com a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento se faz de diversas formas: v\u00eddeos, textos, interven\u00e7\u00f5es, exposi\u00e7\u00f5es. E se utilizou de todos esses recursos\u201d, afirma Maria Elizabeth Br\u00eaa Monteiro, diretora t\u00e9cnica da Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"berta-ribeiro-foi-uma-militante-da-divulgacao-cientifica-quando-essa-atividade-ainda-nao-tinha-esse-reconhecimento\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cBerta Ribeiro foi uma militante da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica quando essa atividade ainda n\u00e3o tinha esse reconhecimento.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maria Elizabeth Monteiro elenca alguns dos formatos em que Berta Ribeiro trabalhou para disseminar os saberes ind\u00edgenas: \u201cDurante anos, Berta Ribeiro foi uma ass\u00eddua colaboradora de revistas de grande circula\u00e7\u00e3o como a revista <em>Ci\u00eancia Hoje<\/em> e a <em>Ci\u00eancia Hoje das Crian\u00e7as<\/em>, ou a <em>National Geographic<\/em>. Sua produ\u00e7\u00e3o audiovisual tamb\u00e9m \u00e9 importante e cito o filme de anima\u00e7\u00e3o <em>Gain Pa\u00f1an \u2013 a origem da pupunheira<\/em> realizado a partir dos desenhos de Feliciano Lana. H\u00e1 tamb\u00e9m os v\u00eddeos etnogr\u00e1ficos de suas pesquisas no Parque do Xingu junto aos Asurini e aos Arawet\u00e9. As exposi\u00e7\u00f5es concebidas por Berta sempre procuravam transmitir informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas resultantes de uma atividade de pesquisa e tamb\u00e9m uma interlocu\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico visitante utilizando uma linguagem acess\u00edvel. Mesmo sua produ\u00e7\u00e3o de natureza mais acad\u00eamica tinha por objetivo a democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento ao colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o ferramentas para pesquisas diversas. Um exemplo \u00e9 o Dicion\u00e1rio do Artesanato Ind\u00edgena, publicado em 1988, que contribuiu para sanar a falta de padroniza\u00e7\u00e3o terminol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-indigenas-como-ecologos\"><strong>Os ind\u00edgenas como ec\u00f3logos<\/strong><\/h4>\n<p>Berta Ribeiro se interessava tamb\u00e9m pelos conhecimentos dos ind\u00edgenas sobre o meio ambiente (plantas medicinais, fibras naturais, produ\u00e7\u00e3o de alimentos, etc.) e atuava em colabora\u00e7\u00e3o com membros das tribos que visitava para divulgar esses saberes. Em 1991 ela publicou o artigo \u201c<em>Ao Vencedor, as Batatas\u201d<\/em>, demonstrando que muitos conhecimentos que temos hoje sobre plantas e cultivos vegetais \u00e9 proveniente dos saberes dos ind\u00edgenas. A antrop\u00f3loga Tatiana de Lourdes Massaro esclarece que esse interesse de Berta Ribeiro n\u00e3o era uma preocupa\u00e7\u00e3o comum dos pesquisadores de sua \u00e9poca, tornando-se pauta apenas muito tempo depois: \u201cA ca\u00e7a, por exemplo, que envolve diretamente os animais (e n\u00e3o as plantas) e, por sua vez, \u00e9 bastante ligada \u00e0 esfera masculina, se constitu\u00eda como uma tem\u00e1tica fundamental e central na etnologia, e foi bastante estudada por antrop\u00f3logos homens, ao menos dos anos de 1980 em diante. Nessa mesma d\u00e9cada, Berta Ribeiro defendeu sua tese, mostrando a centralidade do \u2018vegetal\u2019 para os povos ind\u00edgenas. Os ind\u00edgenas, como Berta Ribeiro mostrou, privilegiam o vegetal em detrimento do animal em diversos \u00e2mbitos, como os alimentos, as canoas, a constru\u00e7\u00e3o das casas, a cestaria, os artefatos, formando o que essa antrop\u00f3loga caracterizar\u00e1 como \u2018civiliza\u00e7\u00e3o vegetal\u2019 ou \u2018civiliza\u00e7\u00e3o da palha\u2019. Hoje, a chamada \u2018virada vegetal\u2019 vem propondo entender e pensar sobre os vegetais\u201d.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga dizia que os ind\u00edgenas eram ec\u00f3logos naturais e seus conhecimentos precisavam ser melhor compreendidos e divulgados. Para isso, trabalhava em parceria com os ind\u00edgenas, em uma pr\u00e1tica que depois foi chamada de \u201cantropologia compartilhada\u201d. Andr\u00e9 Demarchi ressalta o pioneirismo de Berta Ribeiro nessa \u00e1rea: \u201cEla tem essa ideia de produzir <em>com<\/em> os ind\u00edgenas, criar alian\u00e7as. Isso \u00e9 a antropologia compartilhada: quando a gente se desfaz dessa ideia antiga e eticamente question\u00e1vel de que os povos ind\u00edgenas seriam meros objetos. Berta Ribeiro sempre foi contra essa ideia, ela sempre tratou os povos como aliados, como parceiros na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. Se voc\u00ea for pensar nesses novos projetos que est\u00e3o acontecendo nas Universidade brasileiras em que mestres e mestras das comunidades ind\u00edgenas ministram disciplinas nas universidades&#8230; esses projetos t\u00eam uma d\u00edvida com a proposta de antropologia compartilhada iniciada por Berta Ribeiro\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"berta-ribeiro-sempre-tratou-os-povos-como-aliados-como-parceiros-na-producao-do-conhecimento\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cBerta Ribeiro sempre tratou os povos como aliados, como parceiros na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela ainda foi respons\u00e1vel por viabilizar o primeiro livro de autoria ind\u00edgena do Brasil. O livro \u201c<em>Antes o mundo n\u00e3o existia: a mitologia heroica dos \u00edndios Desana\u201d\u00a0 <\/em>(1980) apresenta os mitos dessa tribo. A pesquisadora datilografou, revisou e produziu os mitos que foram ilustrados e narrados pelos ind\u00edgenas Desana Umusin P\u00e2r\u00f5muru (Feliciano Arantes Lana) e seu filho T\u00f5l\u00e3m\u0169 K\u00ear\u00edri (Luiz Gomes Lana). Os direitos autorais da obra foram inteiramente cedidos aos dois ind\u00edgenas. Maria Elizabeth Br\u00eaa Monteiro lembra ainda que a colabora\u00e7\u00e3o de Berta Ribeiro com os ind\u00edgenas resultou na publica\u00e7\u00e3o de outros trabalhos: \u201cEla reconhece e divide a autoria de trabalhos acad\u00eamicos, somente poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 escuta e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento tradicional dos povos com os quais trabalhou. O grande exemplo desse pioneirismo foi o livro \u2018<em>Antes o mundo n\u00e3o existia\u2019<\/em>. Os Desana, povo da regi\u00e3o do rio Negro, no Amazonas, desempenharam um papel de destaque na trajet\u00f3ria de Berta Ribeiro e uma parceria muito produtiva. Com eles, Berta Ribeiro tamb\u00e9m escreveu \u2018<em>Chuvas e Constela\u00e7\u00f5es: calend\u00e1rio econ\u00f4mico dos ind\u00edgenas Desana<\/em> e <em>Etno-ictiologia Desana\u2019<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-vestido-a-servico-da-divulgacao-cientifica\"><strong>Um vestido a servi\u00e7o da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong><\/h4>\n<p>Quando falamos em Berta Ribeiro, a primeira imagem que nos vem \u00e0 mente \u00e9 a foto da pesquisadora entre os ind\u00edgenas Kadiw\u00e9u, em 1948, durante o trabalho de campo que marcou a sua entrada na antropologia. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-berta-ribeiro-entre-os-indigenas-kadiweu-em-1948-foto-fundacao-darcy-ribeiro-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7289\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-300x210.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-1024x716.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-768x537.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-800x560.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1-1160x811.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura1.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Berta Ribeiro <\/strong><strong>entre os ind\u00edgenas Kadiw\u00e9u, em 1948.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A foto \u00e9 emblem\u00e1tica. N\u00e3o s\u00f3 pelas pessoas que est\u00e3o ali registradas, mas devido \u00e0 maneira que est\u00e3o dispostas e como o dispositivo as registrou. Berta est\u00e1 em um posicionamento de destaque, em primeiro plano e centralizada. Os ind\u00edgenas\u00a0 Kadiw\u00e9u est\u00e3o atr\u00e1s da pesquisadora, nos cantos da imagem. Berta, no entanto, est\u00e1 desfocada. O foco da imagem est\u00e1 nos ind\u00edgenas, de modo que podemos ver suas express\u00f5es e tra\u00e7os com nitidez. O vestido que Berta Ribeiro utiliza \u00e9 todo estampado, produzindo um contraste em rela\u00e7\u00e3o aos torsos nus dos ind\u00edgenas. Todos esses elementos contribuem para que esse vestido viva t\u00e3o intensamente no imagin\u00e1rio comum quando se fala de Berta.<\/p>\n<p>Berta foi homenageada com uma releitura desse vestido por duas vezes nesses \u00faltimos anos. A primeira ocorreu em 2019, com 15 pe\u00e7as confeccionadas por uma estilista e a segunda, neste ano, pelas m\u00e3os de estudantes do ensino p\u00fablico.<\/p>\n<p>A primeira homenagem ocorreu dentro da programa\u00e7\u00e3o do evento <em>\u201cSelvagem: ciclo de estudos sobre a vida\u201d<\/em>, sediado no Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro e mediado pelo pensador e escritor ind\u00edgena Ailton Krenak. A estilista Flavia Aranha, cuja linha de roupas tem a proposta de utilizar-se de fibras naturais e pigmentos extra\u00eddos de biomas brasileiros, confeccionou vestidos para toda a equipe organizadora do evento e a convidada fil\u00f3sofa, professora e artes\u00e3 Cristine Taku\u00e1. As pe\u00e7as foram feitas com algod\u00e3o, urucum, pau-brasil e ac\u00e1cia-negra. Tatiana Massaro acredita que a moda sustent\u00e1vel proposta pela estilista se relaciona de maneira direta com a pesquisa e a luta de Berta: \u201cA moda sustent\u00e1vel vem sendo bastante baseada em conhecimentos tradicionais, em plantas prioritariamente org\u00e2nicas e na busca para que seu ciclo de vida comece e termine na terra, nutrindo o solo. Tramas como essas guardam elementos comuns, como a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com as plantas, o fazer manual, os conhecimentos envolvidos, os enlaces que podem resultar em cestarias e tecidos. O vestido que homenageia Berta Ribeiro permite, de certa forma, tornar tang\u00edvel um leque de rela\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Os alunos que homenagearam Berta esse ano s\u00e3o estudantes do ensino infantil (5<sup>o<\/sup> e 6<sup>o<\/sup> anos) do Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo, localizado no Alto da Boa Vista (RJ). A ideia da homenagem surgiu quando a professora Patr\u00edcia Braga assistiu ao document\u00e1rio \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AQnRPRKZXog\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Para Berta, com amor<\/em><\/strong><\/a><\/span>\u201d, realizado pela pesquisadora Bianca Fran\u00e7a como um desdobramento de sua tese de doutorado sobre a vida e a obra da antrop\u00f3loga.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia Braga exibiu o document\u00e1rio para as crian\u00e7as de maneira adaptada a suas capacidades (pausando para explicar, acelerando, voltando) e em seguida prop\u00f4s uma s\u00e9rie de atividades sobre o conte\u00fado, entre elas, uma instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica e um recital de dan\u00e7a. A instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica, intitulada <em>\u201cQuase todo o Brasil cabe em uma foto\u201d<\/em>, promoveu uma releitura da ic\u00f4nica foto de Berta Ribeiro entre os ind\u00edgenas Kadiw\u00e9u. Na nova vers\u00e3o, foi reservado um espa\u00e7o ao lado da pesquisadora, onde os alunos podiam se ver refletidos. Um dos objetivos da atividade era introduzir as crian\u00e7as ao pensamento cient\u00edfico: \u201cAs crian\u00e7as teorizam e criam hip\u00f3teses o tempo inteiro, \u00e9 muito importante fomentar a ci\u00eancia. Temos mesmo que levantar essa bandeira, trazer o letramento cient\u00edfico para a rede p\u00fablica. Elas precisam saber que existe a profiss\u00e3o de cientista porque precisamos de muitos cientistas para o pa\u00eds avan\u00e7ar. Viva as mulheres na ci\u00eancia. Viva a ci\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o infantil\u201d, afirma Patr\u00edcia Braga.\u00a0(Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-alunos-do-espaco-de-desenvolvimento-infantil-jose-araujo-localizado-no-alto-da-boa-vista-rj-e-suas-criacoes-apos-assistirem-o-documentario-para-berta-com-amorfoto-e\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7290\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-300x138.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-300x138.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-1024x471.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-768x353.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-1536x706.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-18x8.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-800x368.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2-1160x533.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Alunos do <\/strong><strong>Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo, localizado no Alto da Boa Vista (RJ), e suas cria\u00e7\u00f5es ap\u00f3s assistirem o Document\u00e1rio <em>\u201cPara Berta, com amor\u201d<br \/>\n<\/em><\/strong>(Foto: Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 no recital de dan\u00e7a, cuja trilha sonora foi pot-pourri de m\u00fasicas ind\u00edgenas brasileiras, as crian\u00e7as puderam expressar a partir da linguagem corporal a luta da pesquisadora pela causa ind\u00edgena. Patr\u00edcia Braga acredita que as linguagens art\u00edsticas s\u00e3o uma excelente maneira de aproximar os alunos dos conte\u00fados trabalhados em sala de aula: \u201cNa educa\u00e7\u00e3o infantil a leitura de mundo acontece n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da escrita. Acontece por meio dos sentidos, da ressignifica\u00e7\u00e3o do corpo, atrav\u00e9s das experi\u00eancias, das brincadeiras e das linguagens art\u00edsticas, como m\u00fasica, dan\u00e7a, literatura, cinema, porque a arte nos atravessa, a arte nos valida ao olhar do outro\u201d. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-producao-de-arte-dos-alunos-do-espaco-de-desenvolvimento-infantil-jose-araujo-a-partir-do-documentario-para-berta-com-amorfoto-espaco-de-desenvolvimento-infantil-jose-a\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7291\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-768x576.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-800x600.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3-1160x870.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Produ\u00e7\u00e3o de arte dos alunos do <\/strong><strong>Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo a partir do document\u00e1rio <em>\u201cPara Berta, com amor\u201d<br \/>\n<\/em><\/strong>(Foto: Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da mesma maneira que Berta buscou validar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ao olhar do outro por meio da sua arte e cultura, a arte tamb\u00e9m surge como um importante aliado no processo de divulga\u00e7\u00e3o de suas ideias e lutas para uma nova gera\u00e7\u00e3o. (Figura 4)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-recital-de-danca-dos-alunos-do-espaco-de-desenvolvimento-infantil-jose-araujo-em-homenagem-a-berta-ribeirofoto-espaco-de-desenvolvimento-infantil-jose-araujo-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7292\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-800x450.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4-1160x653.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/CC-3S24-reportagem-Quase-todo-o-Brasil-cabe-em-uma-foto-figura4.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Recital de dan\u00e7a dos alunos do <\/strong><strong>Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo em homenagem \u00e0 Berta Ribeiro<br \/>\n<\/strong>(Foto: Espa\u00e7o de Desenvolvimento Infantil Jos\u00e9 Ara\u00fajo. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-berta-ribeiro-inovou-pesquisas-sobre-os-saberes-a-arte-a-materialidade-as-tecnicas-e-a-tecnologia-dos-povos-indigenas-brasileiros-foto-fundacao-darcy-ribeiro-reproduca\"><strong>Capa. Berta Ribeiro inovou pesquisas <\/strong><strong>sobre os saberes, a\u00a0arte, a\u00a0materialidade, as t\u00e9cnicas e\u00a0a\u00a0tecnologia dos povos ind\u00edgenas brasileiros.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Funda\u00e7\u00e3o Darcy Ribeiro. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Berta Ribeiro lan\u00e7ou um olhar inovador para as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas brasileiras, dedicou-se&hellip;\n","protected":false},"author":67,"featured_media":7310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7287"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7287"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7287\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7301,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7287\/revisions\/7301"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}