{"id":7432,"date":"2024-11-13T08:00:20","date_gmt":"2024-11-13T08:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7432"},"modified":"2024-11-11T19:04:12","modified_gmt":"2024-11-11T19:04:12","slug":"cem-anos-de-johanna-dobereiner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7432","title":{"rendered":"Cem anos de Johanna D\u00f6bereiner"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-pioneira-da-ciencia-que-cultivou-esperanca-em-solo-brasileiro\"><span style=\"color: #808080;\">A pioneira da ci\u00eancia que cultivou esperan\u00e7a em solo brasileiro<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ano de 2024 foi escolhido para uma grande e merecida homenagem a uma das maiores cientistas brasileiras, cuja carreira foi reconhecida nacional e internacionalmente, inclusive com a indica\u00e7\u00e3o para receber o pr\u00eamio Nobel em Qu\u00edmica. Em seu tempo, por\u00e9m, pouco se falava sobre a import\u00e2ncia da populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia; al\u00e9m disso, muitos jovens pesquisadores n\u00e3o conhecem sua carreira. Consequentemente, resgatar a hist\u00f3ria de momentos marcantes de sua vida e de sua carreira brilhante nesta edi\u00e7\u00e3o especial da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong><\/a><\/span> da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a><\/span>, institui\u00e7\u00e3o que ela tanto admirava, representa um tributo \u00e0 ci\u00eancia e, espera-se, uma inspira\u00e7\u00e3o para novas gera\u00e7\u00f5es. A edi\u00e7\u00e3o conta com depoimentos, lembran\u00e7as e resgate de resultados cient\u00edficos e participa\u00e7\u00f5es decisivas na agricultura.<\/p>\n<p>Em 28 de novembro de 1924, em Aussig, nos Sudetos, na ent\u00e3o Tchecoslov\u00e1quia, nascia Johanna, filha primog\u00eanita de Paul e Margarethe Kubelka. Algumas fotos da juventude a mostram feliz nessa regi\u00e3o caracterizada por uma cadeia de montanhas entre a Tch\u00e9quia, a Pol\u00f4nia e a Alemanha. Na \u00e9poca com maioria da popula\u00e7\u00e3o de origem alem\u00e3, os Sudetos sempre foram objeto de conflitos \u00e9tnicos. Johanna foi agraciada com uma fam\u00edlia com vis\u00e3o muito al\u00e9m de seu tempo. No di\u00e1rio de sua m\u00e3e, uma declara\u00e7\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o devemos falar para nossa filha que seu destino estar\u00e1 alcan\u00e7ado quando encontrar um marido. Devemos dizer que sua vit\u00f3ria foi atingida quando se orgulhar do que realizou\u201d. \u00c9 f\u00e1cil tamb\u00e9m imaginar que conversas sobre ci\u00eancia faziam parte do cotidiano familiar, pois seu pai era livre-docente de qu\u00edmica na Universidade de Praga, cidade onde Johanna fez a escola secund\u00e1ria e viveu at\u00e9 o final da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desde-seu-primeiro-dia-de-trabalho-foi-visionaria-em-entender-que-era-necessario-redescobrir-a-ciencia-agronomica-para-aplica-la-aos-tropicos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cDesde seu primeiro dia de trabalho, foi vision\u00e1ria em entender que era necess\u00e1rio redescobrir a ci\u00eancia agron\u00f4mica para aplic\u00e1-la aos tr\u00f3picos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na juventude passou pela experi\u00eancia que sempre relatou como a pior de sua vida, a mais dif\u00edcil: a guerra. Na segunda guerra, a regi\u00e3o caiu sob o dom\u00ednio da Alemanha e seu pai foi preso, porque auxiliava os judeus a fugirem da persegui\u00e7\u00e3o nazista. Finda a guerra, a regi\u00e3o foi recuperada pela ent\u00e3o Tchecoslov\u00e1quia e as popula\u00e7\u00f5es germ\u00e2nicas foram expulsas ou exterminadas em massa, incluindo sua m\u00e3e, presa em 1945 e que faleceu em um campo de concentra\u00e7\u00e3o. Johanna sempre referia \u00e0 morte da m\u00e3e com profunda tristeza. Viver e sobreviver aos horrores da guerra certamente a moldou para ser forte e enfrentar as mais duras situa\u00e7\u00f5es. Seu pai conseguiu fugir para a Alemanha, para onde Johanna foi expulsa e viveu como trabalhadora rural at\u00e9 que seu pai a encontrasse. Ele ent\u00e3o a ajudou a encontrar outro emprego em uma fazenda perto de Munique, despertando sua voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Em 1946 ingressou no curso de Agronomia da Universidade de Munique, onde se graduou em 1950. Em uma \u00e9poca de baix\u00edssimo conhecimento sobre microrganismos na agricultura e a import\u00e2ncia da fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do nitrog\u00eanio, sua monografia de conclus\u00e3o de curso foi \u201cBact\u00e9rias de fixa\u00e7\u00e3o assimbi\u00f3tica de nitrog\u00eanio e a possibilidade de seu aproveitamento para a agricultura\u201d, o primeiro passo tra\u00e7ando seu futuro.<\/p>\n<p>Em 1946, o pai de Johanna veio para o Brasil, onde trabalhou no Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral e foi um dos primeiros bolsistas do rec\u00e9m criado <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq)<\/strong><\/a><\/span>. Insistiu para a filha vir tamb\u00e9m para o Brasil. Assim, o ano de 1950 foi marcante, pois, al\u00e9m de graduar-se, casou-se com o colega Jurgen D\u00f6bereiner e vieram para o Brasil. Aos que tiveram o privil\u00e9gio de conhecer Johanna, n\u00e3o h\u00e1 como esquecer como era determinada em tudo que almejava. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a sua insist\u00eancia solicitando emprego para \u00c1lvaro Barcellos Fagundes, diretor do Servi\u00e7o Nacional de Pesquisas Agron\u00f4micas do Minist\u00e9rio da Agricultura (SNPA), institui\u00e7\u00e3o antecessora da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa)<\/strong><\/a><\/span>. \u00c1lvaro Fagundes estava autorizado a contratar um especialista estrangeiro para dar in\u00edcio \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es em microbiologia do solo. A candidata \u00e0 vaga era estrangeira, mas o diploma de agronomia havia sido obtido no caos do p\u00f3s-guerra, sem aulas pr\u00e1ticas em laborat\u00f3rios e a monografia era apenas uma revis\u00e3o te\u00f3rica. Segundo relato da pr\u00f3pria Johanna, \u00c1lvaro Fagundes recomendou que estudasse e voltasse em 15 dias, a situa\u00e7\u00e3o se repetiu pela segunda vez e, na terceira, ela desabafou: \u201cQuero trabalhar, mesmo sem ganhar nada\u201d. O apelo comoveu o diretor e presenteou o pa\u00eds com o in\u00edcio de uma carreira brilhante. Johanna sempre foi de uma sinceridade e honestidade desconcertantes. Mesmo j\u00e1 tendo acumulado v\u00e1rios pr\u00eamios, comentou em uma entrevista: \u201cEu n\u00e3o sabia nada, nunca tinha trabalhado em laborat\u00f3rio, e ele, com uma paci\u00eancia incr\u00edvel, me ajudou. Mas foi preciso mais de um ano para eu aprender o b\u00ea-\u00e1-b\u00e1 em microbiologia\u201d. J\u00e1 em 1951 assinou com \u00c1lvaro Fagundes seu primeiro trabalho cient\u00edfico, \u201cInflu\u00eancia da cobertura do solo sobre a flora microbiana\u201d, apresentado em reuni\u00e3o da Sociedade Brasileira de Ci\u00eancia do Solo, no Recife.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"abriu-as-portas-para-muitas-mulheres-que-deram-continuidade-a-suas-pesquisas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAbriu as portas para muitas mulheres, que deram continuidade a suas pesquisas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde seu primeiro dia de trabalho, foi vision\u00e1ria em entender que era necess\u00e1rio redescobrir a ci\u00eancia agron\u00f4mica para aplic\u00e1-la aos tr\u00f3picos. Em 1953 apresentou o trabalho \u201c<em>Azotobacter<\/em> em solos \u00e1cidos\u201d e n\u00e3o parou mais. Estava fascinada pela imensid\u00e3o de possibilidades cient\u00edficas, visto que todo o conhecimento da \u00e9poca era baseado em regi\u00f5es temperadas. Nesse trabalho, concluiu que o comportamento da bact\u00e9ria \u201cnos nossos solos\u201d diferia do relatado na Europa e na Am\u00e9rica do Norte. Emblem\u00e1tica, a frase j\u00e1 definia onde seria seu lar e onde estaria seu cora\u00e7\u00e3o para sempre: \u201cnossos\u201d solos. Em 1956, se naturalizou brasileira e tinha profundo amor e respeito ao Brasil, considerado sua verdadeira p\u00e1tria. As abordagens de solos \u00e1cidos, com toxidez de alum\u00ednio, temperaturas elevadas, abertura dos Cerrados e diversidade na Amaz\u00f4nia sempre foram muito fortes em suas pesquisas. A fria cadeia de montanhas da Europa foi substitu\u00edda pela umidade e temperaturas escaldantes de Serop\u00e9dica, no Rio de Janeiro, na casa 19 da rua Colina, a apenas dez minutos de caminhada do laborat\u00f3rio, onde viveu desde mar\u00e7o de 1952 at\u00e9 o final de sua vida. Foi tamb\u00e9m onde criou os tr\u00eas filhos, Maria Luisa (Marlis), Christian e Lorenz e onde recebia, com v\u00e1rios preparativos, os netos. Seus filhos trazem um depoimento comovente neste suplemento. Comentava como era bom trabalhar ao lado de casa, almo\u00e7ar com a fam\u00edlia e jamais relatou que os filhos tivessem representado qualquer obst\u00e1culo \u00e0 sua carreira. Provavelmente gra\u00e7as a essa harmonia entre ser mulher, m\u00e3e e cientista, n\u00e3o via nenhuma limita\u00e7\u00e3o e nunca teve nenhum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o na escolha de alunas ou ao contratar gr\u00e1vidas, m\u00e3es. Uma mulher que agia assim h\u00e1 meio s\u00e9culo, sendo que, ainda hoje, vivenciamos hist\u00f3rias descabidas de preconceito contra mulheres, de d\u00favidas sobre a capacidade cient\u00edfica frente \u00e0 maternidade. Gra\u00e7as a essa atitude, abriu as portas para muitas mulheres que deram continuidade a suas pesquisas.<\/p>\n<p>Uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es da agora conhecida como \u201cDra. Johanna\u201d envolveu, no momento certo, uma combina\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica de conhecimento cient\u00edfico, personalidade forte e capacidade de convencimento. Foi no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, com a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o para estudar a \u201cnova cultura\u201d da soja. Segundo seu depoimento, \u201cOs geneticistas da comiss\u00e3o, todos com forma\u00e7\u00e3o norte-americana, achavam que trabalhar com bact\u00e9rias era brincadeira de cientista, que n\u00e3o tinha aplica\u00e7\u00e3o alguma. O melhoramento gen\u00e9tico da soja nos Estados Unidos havia sido feito com aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada. Eles selecionaram a soja que respondia melhor \u00e0 aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada. Mas eu reagi. Nas reuni\u00f5es tivemos uma discuss\u00e3o muito forte tentando convenc\u00ea-los a fazer o melhoramento da soja sem adubo nitrogenado\u201d. Quem conheceu Johanna usa facilmente o imagin\u00e1rio para reconstruir a cena, ela furiosa, determinada, saindo vencedora dos embates. Hoje somos o maior produtor e exportador mundial de soja, n\u00e3o restando d\u00favidas de que isso s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do nitrog\u00eanio, pois jamais ter\u00edamos condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de usar fertilizantes nitrogenados, cotados em d\u00f3lar e majoritariamente importados. As estimativas de economia pela substitui\u00e7\u00e3o dos fertilizantes nitrogenados por bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio na soja foram, na \u00faltima safra de 2023\/24, da ordem U$ 25 bilh\u00f5es. \u00c9 a maior marca deixada pela Johanna na agricultura brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"teve-uma-capacidade-incrivel-de-formar-recursos-humanos-hoje-espalhados-por-todos-os-cantos-do-brasil-e-em-outros-laboratorios-do-mundo-o-que-permitiu-a-perpetuacao-de-suas-linhas-de\" style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cTeve uma capacidade incr\u00edvel de formar recursos humanos, hoje espalhados por todos os cantos do Brasil e em outros laborat\u00f3rios do mundo, o que permitiu a perpetua\u00e7\u00e3o de suas linhas de pesquisa.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em termos cient\u00edficos globais, por\u00e9m, sua maior proje\u00e7\u00e3o se deu pelos estudos com bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio em intera\u00e7\u00f5es associativas ou endof\u00edticas com gram\u00edneas. Em 1955, relatou a descoberta de bact\u00e9rias da esp\u00e9cie <em>Beijerinckia<\/em>, capazes de fixar nitrog\u00eanio assimbioticamente em solos \u00e1cidos. Em 1958, em parceria com outros pesquisadores, publicou na Revista Brasileira de Biologia um trabalho pioneiro sobre a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do nitrog\u00eanio em cana-de-a\u00e7\u00facar, associada a uma nova esp\u00e9cie de bact\u00e9ria, <em>Beijerinckia fluminensis<\/em>, mas os resultados apresentados foram recebidos com ceticismo. Ser desafiada era o combust\u00edvel que Johanna mais gostava para continuar suas pesquisas. Nos anos 1970, realizou seu trabalho mais importante, relatando a associa\u00e7\u00e3o entre bact\u00e9rias do g\u00eanero <em>Spirillum<\/em> (posteriormente <em>Azospirillum<\/em>) e gram\u00edneas. Gostava de contar que a ideia veio pelo costume que tinha de deitar na rede por alguns minutos ap\u00f3s o almo\u00e7o, ao observar o gramado que nunca havia recebido fertilizante nitrogenado e sempre ficava verde quando chegava a \u00e9poca das chuvas. A robustez dos dados agora n\u00e3o deixava d\u00favidas e o mundo finalmente a reverenciou. Mas sempre estava preocupada com o Brasil, sendo obstinada, desde a implementa\u00e7\u00e3o do Programa Nacional do \u00c1lcool (Pr\u00f3-\u00c1lcool), at\u00e9 o final da vida, em maximizar a contribui\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio com a cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>O brilhantismo de Johanna em diferentes situa\u00e7\u00f5es ser\u00e1 comentado neste suplemento. Mas n\u00e3o \u00e9 demasiado mencionar alguns pontos de sua personalidade, vindo de pessoas que conviveram com ela. Tinha um grande poder de observa\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio e no campo e uma mente privilegiada e incans\u00e1vel em formular hip\u00f3teses cient\u00edficas a partir dessas observa\u00e7\u00f5es. Era generosa no compartilhamento de suas ideias e, quando algu\u00e9m comentava sobre \u201croubar ideias\u201d, respondia sem titubear \u201cPodem levar as ideias que quiserem, tenho tantas, n\u00e3o vai fazer falta\u201d. Era um prod\u00edgio na reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, em poucas horas reformulava e \u201cdava outra vida\u201d a um trabalho cient\u00edfico que poderia ter levado semanas ou meses para ser escrito. Como poucos, lutava para conseguir concretizar suas pesquisas; com a pasta na m\u00e3o, batia em todas as portas na busca por recursos financeiros, sempre apresentando resultados cient\u00edficos para justificar a concess\u00e3o. Essa luta incans\u00e1vel foi respons\u00e1vel pelo crescimento de um laborat\u00f3rio, que passou a ser uma unidade e, depois, um centro de pesquisa. Seu legado foi t\u00e3o importante que, na lista dos cientistas mais relevantes do mundo na \u00e1rea de Agronomia, mesmo ap\u00f3s um quarto de s\u00e9culo de sua morte, ela continua como uma das mais citadas. Teve uma capacidade incr\u00edvel de formar recursos humanos, hoje espalhados por todos os cantos do Brasil e em outros laborat\u00f3rios do mundo, o que permitiu a perpetua\u00e7\u00e3o de suas linhas de pesquisa. Muito importante, se hoje se fala em agricultura sustent\u00e1vel, regenerativa, ela j\u00e1 trabalhava nesse conceito desde a d\u00e9cada de 1950. Uma cientista \u00e0 frente do seu tempo.<\/p>\n<p>Dra. Johanna foi nos deixando aos poucos, uma mente prodigiosa na qual as mem\u00f3rias iam se apagando. Partiu em 5 de outubro de 2000, pouco antes de completar 76 anos. Reverenciamos neste suplemento suas memor\u00e1veis contribui\u00e7\u00f5es \u00e0s ci\u00eancias agr\u00edcolas no Brasil e no mundo e os ensinamentos que deixou sobre a import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, para o reconhecimento das mulheres na ci\u00eancia e para o fortalecimento da atua\u00e7\u00e3o em sociedades e academias cient\u00edficas.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong><em>Observa\u00e7\u00e3o: <\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Conte\u00fado retirado de v\u00e1rias fontes (CD-ROM \u201cJohanna D\u00f6bereiner: 50 anos dedicados \u00e0 Pesquisa em Microbiologia do Solo\u201d, Embrapa Agrobiologia; <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.brasilagricola.com\/2012\/03\/pesquisa-que-revolucionou-agricultura.html\"><em>https:\/\/www.brasilagricola.com\/2012\/03\/pesquisa-que-revolucionou-agricultura.html<\/em><\/a><\/span><em>; <span style=\"color: #800000;\">https:\/\/memoria.cnpq.br\/pioneiras-view\/-\/journal_content\/56_INSTANCE_a6MO\/10157\/902973?p_p_state=pop_up&amp;_56_INSTANCE_a6MO_view%E2%80%A6<\/span>; livro de K.H. Michahelles, \u201dJohanna D\u00f6bereiner: uma vida dedicada \u00e0 ci\u00eancia\u201d) e de lembran\u00e7as pessoais. <\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-johanna-dobereiner-revolucionou-agricultura-brasileira-e-deixou-legado-fundamental-para-ciencia-brasileirafoto-embrapa-reproducao\"><strong>Capa. Johanna D\u00f6bereiner revolucionou agricultura brasileira e deixou legado fundamental para ci\u00eancia brasileira<br \/>\n<\/strong>(Foto: Embrapa. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A pioneira da ci\u00eancia que cultivou esperan\u00e7a em solo brasileiro &nbsp; O&hellip;\n","protected":false},"author":254,"featured_media":7433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52,21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/254"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7432"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7480,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7432\/revisions\/7480"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}