{"id":7450,"date":"2024-11-13T08:00:31","date_gmt":"2024-11-13T08:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7450"},"modified":"2025-10-15T13:13:20","modified_gmt":"2025-10-15T13:13:20","slug":"de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7450","title":{"rendered":"De camponesa tcheca \u00e0 cientista brasileira pioneira da agricultura sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"johanna-dobereiner-com-olhar-sereno-curiosidade-e-habito-de-observar-a-natureza-revolucionou-a-agricultura-brasileira-e-esta-presente-em-diferentes-listas-de-cientistas-mais-importantes-do-brasil\"><span style=\"color: #808080;\">Johanna D\u00f6bereiner, com olhar sereno, curiosidade e h\u00e1bito de observar a natureza, revolucionou a agricultura brasileira e est\u00e1 presente em diferentes listas de cientistas mais importantes do Brasil. <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nascida Johanna Liesbeth Kubelka, em 1924 em Aussig, na ent\u00e3o Primeira Rep\u00fablica da Checoslov\u00e1quia (atual Rep\u00fablica Tcheca), contrariou as conven\u00e7\u00f5es de g\u00eanero da \u00e9poca e, movida pelo amor por plantas e pela terra, ingressou em 1947 na Universidade de Munique, onde cursou Agronomia, \u00e1rea que era pouco receptiva a mulheres. Antes disso, trabalhou como camponesa, inicialmente numa pequena propriedade rural e, depois, numa fazenda maior, de produ\u00e7\u00e3o de variedades melhoradas de trigo.<\/p>\n<p>Sua monografia de conclus\u00e3o do curso de Agronomia, que apresentou em 1950, intitulava-se \u201c<em>Bact\u00e9rias na fixa\u00e7\u00e3o assimbi\u00f3tica de nitrog\u00eanio e a possibilidade de seu aproveitamento na agricultura<\/em>\u201d. Na universidade, conheceu o estudante de Medicina Veterin\u00e1ria J\u00fcrgen D\u00f6bereiner, com quem se casou em 1950, assumindo seu sobrenome. Neste mesmo ano, e com os diplomas em m\u00e3os, Johanna e J\u00fcrgen decidiram imigrar para o Brasil, onde seu pai Paul e seu irm\u00e3o Werner j\u00e1 viviam desde 1946.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-agronoma-tcheca-se-encanta-com-a-flora-brasileira\"><strong>A agr\u00f4noma tcheca se encanta com a flora brasileira<\/strong><\/h4>\n<p>Ao chegar no Rio de Janeiro, Johanna D\u00f6bereiner ficou encantada com o vigor de nossa flora. Foi trabalhar no Departamento de Microbiologia, do antigo Instituto de Ecologia e Experimenta\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do Servi\u00e7o Nacional de Pesquisas Agron\u00f4micas, localizado no munic\u00edpio de Serop\u00e9dica, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida a Carlos Chagas Filho, em 1983, e publicada no livro <em>\u201c<\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/sbpcacervodigital.org.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/237ce65b-b6e2-485b-83f3-b51ef3e3852c\/content\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Cientistas do Brasil &#8211; Depoimentos<\/em><\/strong><\/a><\/span><strong><em>\u201d<\/em><\/strong>, Johanna D\u00f6bereiner conta, de forma bem-humorada, como foi sua entrevista com o agr\u00f4nomo \u00c1lvaro Barcelos Fagundes, na \u00e9poca, diretor do SNPA, do Minist\u00e9rio da Agricultura. Afirmando que naquela \u00e9poca, s\u00f3 se conseguia alguma coisa atrav\u00e9s de uma recomenda\u00e7\u00e3o, relata que \u00c1lvaro Fagundes lhe perguntou se ela era especialista, pois s\u00f3 tinha verba para contratar para este cargo. Ap\u00f3s lhe pedir duas ou tr\u00eas vezes para estudar e voltar dali a uns 15 dias, ela lhe respondeu: \u201cSe o senhor quiser, posso considerar que tenho uma certa especializa\u00e7\u00e3o, pois fiz a minha monografia de conclus\u00e3o de curso num assunto espec\u00edfico. Mas mesmo se o senhor n\u00e3o me contratar, eu queria trabalhar, mesmo sem ganhar nada.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-trabalhos-iniciais-de-johanna-dobereiner-na-embrapa-com-microrganismos-do-solo-ocorreram-em-um-periodo-no-qual-o-manejo-agronomico-do-solo-era-realizado-com-total-ignorancia-de-sua-porca\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOs trabalhos iniciais de Johanna D\u00f6bereiner na Embrapa, com microrganismos do solo, ocorreram em um per\u00edodo no qual o manejo agron\u00f4mico do solo era realizado com total ignor\u00e2ncia de sua por\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, sendo que o papel das bact\u00e9rias e dos fungos era limitado \u00e0 Fitopatologia.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi contratada para assistente de pesquisa de \u00c1lvaro Fagundes e em mar\u00e7o de 1951 passou a trabalhar no Laborat\u00f3rio de Microbiologia de Solos, do ent\u00e3o Instituto de Ecologia e Experimenta\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do SNPA. A entidade posteriormente se transformaria na <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (EMBRAPA)<\/span>,<\/strong><\/a> onde Johanna D\u00f6bereiner trabalharia at\u00e9 o final de sua vida. Em 1951, ela e \u00c1lvaro Fagundes assinaram o trabalho \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/597301\/influencia-da-cobertura-do-solo-sobre-sua-flora-microbiana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Influ\u00eancia da cobertura do solo sobre a flora microbiana<\/em><\/strong><\/a><\/span>\u201d \u2014 o primeiro artigo cient\u00edfico de Johanna D\u00f6bereiner \u2014 que foi apresentado em reuni\u00e3o da Sociedade Brasileira de Ci\u00eancia do Solo, no Recife.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"formar-novos-pesquisadores-e-trabalhar-pela-sustentabilidade-na-agricultura-brasileira\"><strong>Formar novos pesquisadores e trabalhar pela sustentabilidade na agricultura brasileira<\/strong><\/h4>\n<p>Em uma \u00e9poca em que a maioria dos pesquisadores na Agronomia n\u00e3o acreditavam que a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio (FBN) poderia competir com os fertilizantes minerais e muitos produtores rurais gastavam milhares de d\u00f3lares com a fertiliza\u00e7\u00e3o mineral, Johanna D\u00f6bereiner chocou a comunidade cient\u00edfica com a ideia de que, com a introdu\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias fixadoras de nitrog\u00eanio, as plantas poderiam produzir seu pr\u00f3prio adubo. Em muitas ocasi\u00f5es chegou a ser motivo de chacota em eventos cient\u00edficos, por parte de pesquisadores e agr\u00f4nomos, e em salas de aula, por parte de estudantes. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-fixacao-biologica-de-nitrogenio-descoberta-por-dobereiner-e-um-processo-natural-de-associacoes-de-plantas-com-bacterias-diazotroficas-foto-ana-lucia-ferreira-embrapa-reproduca\" style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7452\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-1.jpg 1302w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A Fixa\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Nitrog\u00eanio, descoberta por D\u00f6bereiner, \u00e9 um processo natural de associa\u00e7\u00f5es de plantas com bact\u00e9rias diazotr\u00f3ficas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ana Lucia Ferreira\/Embrapa. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs trabalhos iniciais de Johanna D\u00f6bereiner na Embrapa, com microrganismos do solo, ocorreram em um per\u00edodo no qual o manejo agron\u00f4mico do solo era realizado com total ignor\u00e2ncia de sua por\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, sendo que o papel das bact\u00e9rias e dos fungos era limitado \u00e0 Fitopatologia\u201d, afirma M\u00e1rcia Maria Rosa, professora do Departamento de Recursos Naturais e Prote\u00e7\u00e3o Ambiental da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufscar.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar)<\/strong><\/a><\/span>. E acrescenta: \u201ca agricultura era exercida majoritariamente por homens, com pouco espa\u00e7o de destaque para mulheres\u201d. H\u00e1 mais 20 anos, M\u00e1rcia Rosa desenvolve atividades de ensino e pesquisa com microrganismos de solo e intera\u00e7\u00f5es com plantas, na promo\u00e7\u00e3o de crescimento vegetal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"como-pesquisadora-pioneira-ela-nao-apenas-conduziu-investigacoes-inovadoras-mas-tambem-formou-uma-geracao-de-cientistas-que-continuaram-e-expandiram-suas-pesquisas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cComo pesquisadora pioneira, ela n\u00e3o apenas conduziu investiga\u00e7\u00f5es inovadoras, mas tamb\u00e9m formou uma gera\u00e7\u00e3o de cientistas que continuaram e expandiram suas pesquisas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Baseado no processo de FBN, o programa brasileiro de melhoramento da soja, iniciado em 1964, desenvolveu-se no sentido inverso ao dos Estados Unidos, que era baseado sobretudo no uso intensivo de adubos nitrogenados. Em entrevista \u00e0 Revista Veja, em agosto de 1996, Johanna D\u00f6bereiner afirmou que na d\u00e9cada de 1960, ir contra a aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica era quase um sacril\u00e9gio, visto que os fertilizantes minerais vinham sendo respons\u00e1veis por um aumento exponencial da produtividade das lavouras. Ela estudou a fundo o uso de bact\u00e9rias para impulsionar a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio na soja e a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da t\u00e9cnica permitiu que o Brasil eliminasse o uso de adubos nitrogenados, representando uma economia anual de mais de 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 sem falar na sustentabilidade, j\u00e1 que a tecnologia n\u00e3o gera passivos ambientais, como polui\u00e7\u00e3o de rios e de solos. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-johanna-dobereiner-conquistou-a-comunidade-cientifica-brasileira-com-suas-pesquisas-fonte-faperj-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7453\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-2.jpg 1275w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Johanna D\u00f6bereiner conquistou a comunidade cient\u00edfica brasileira com suas pesquisas.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Faperj. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Ieda de Carvalho Mendes, pesquisadora da Embrapa Cerrados desde 1989, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma conex\u00e3o direta entre as pesquisas com FBN em soja e Johanna D\u00f6bereiner por meio do seu incr\u00edvel legado na capacita\u00e7\u00e3o de pesquisadores. Com pesquisas com \u00eanfase em Microbiologia do Solo, principalmente nos temas fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio, ecologia microbiana e bioindicadores de qualidade do solo, Ieda Mendes acrescenta: \u201c\u00e9 simplesmente formid\u00e1vel o poder da Dra. Johanna de formar v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de cientistas. Como pesquisadora pioneira, ela n\u00e3o apenas conduziu investiga\u00e7\u00f5es inovadoras, mas tamb\u00e9m formou uma gera\u00e7\u00e3o de cientistas que continuaram e expandiram suas pesquisas.\u201d A pesquisadora aponta que, na regi\u00e3o dos Cerrados, seus ex-orientandos, desempenharam pap\u00e9is fundamentais na aplica\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o dos conhecimentos adquiridos sob sua orienta\u00e7\u00e3o. \u201cEsses pesquisadores levaram adiante o legado de Johanna D\u00f6bereiner, realizando estudos que confirmaram a efic\u00e1cia da FBN em soja e a import\u00e2ncia de sua utiliza\u00e7\u00e3o em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Semi\u00e1rido brasileiro as pesquisas de Johanna D\u00f6bereiner foram de grande import\u00e2ncia. Conforme aponta Magna Maria Macedo Nunes Costa, pesquisadora da Embrapa Algod\u00e3o, em Campina Grande (PB), o desenvolvimento das pesquisas de Johanna D\u00f6bereiner com bact\u00e9rias diazotr\u00f3ficas possibilitou a melhoria das propriedades qu\u00edmicas do solo no Semi\u00e1rido. A pesquisadora explica que essas bact\u00e9rias, que vivem sozinhas no solo ou em associa\u00e7\u00e3o com plantas da fam\u00edlia das leguminosas, capturam o N<sub>2<\/sub> da atmosfera, que se encontra em uma forma indispon\u00edvel \u00e0s ra\u00edzes, e o transforma numa forma assimil\u00e1vel pelas plantas. \u201cIsso possibilita a disponibiliza\u00e7\u00e3o do N, fato muito importante para os cultivos do Semi\u00e1rido, uma vez que muitos solos dessa regi\u00e3o s\u00e3o de baixa fertilidade natural\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"johanna-dobereiner-e-uma-grande-referencia-feminina-nas-ciencias-agrarias-diante-da-importancia-que-o-seu-trabalho-teve-para-a-pesquisa-em-microbiologia-agricola-no-pais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cJohanna D\u00f6bereiner \u00e9 uma grande refer\u00eancia feminina nas Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, diante da import\u00e2ncia que o seu trabalho teve para a pesquisa em microbiologia agr\u00edcola no pa\u00eds.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas pesquisadores reconhecem a grande import\u00e2ncia de Johanna D\u00f6bereiner. Franquiele Bonilha, engenheira florestal e extensionista rural na Emater-RS\/Ascar (Associa\u00e7\u00e3o Rio-Grandense de Empreendimentos de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural), aponta que Johanna D\u00f6bereiner \u201cfoi uma vision\u00e1ria em seu tempo. Ela e o professor Jo\u00e3o Ruy Jardim Freire (1923-2015), coordenador da Se\u00e7\u00e3o de Bacteriologia do IPAGRO (antigo Instituto de Pesquisas Agron\u00f4micas, no Rio Grande do Sul) fizeram parte dos precursores da pesquisa em FBN no Brasil, e foram muito mais que pesquisadores: trabalharam ativamente na divulga\u00e7\u00e3o, no desenvolvimento da pesquisa no territ\u00f3rio nacional e na busca por recursos para custear as pesquisas na \u00e1rea\u201d. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-johanna-dobereiner-e-prof-ruy-jardim-freire-no-i-simposio-latino-americano-de-microbiologia-do-solo-foto-arquivo-pessoal-do-professor-enilson-saccol-de-sa-orientado-do-professor-joao-r\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7454\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3-300x226.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3-1024x771.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3-768x578.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3-800x602.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/CC-4S24-reportagem-de-camponesa-tcheca-a-cientista-brasileira-pioneira-da-agricultura-sustenta\u0301vel-figura-3.jpg 1112w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Johanna D\u00f6bereiner e Prof. Ruy Jardim Freire, no I Simp\u00f3sio Latino-americano de Microbiologia do Solo.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Arquivo pessoal do professor Enilson Saccol de S\u00e1, orientado do professor Jo\u00e3o Ruy Jardim Freire e orientador de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Dra. Franquiele Bonilha, que cedeu esta foto)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Doutora em Ci\u00eancia do Solo, na \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o Microbiologia do Solo, com \u00eanfase em intera\u00e7\u00e3o microrganismo-planta, Franquiele Bonilha defendeu sua tese sobre o uso de bact\u00e9rias rizosf\u00e9ricas como promotoras de crescimento vegetal no desenvolvimento inicial de plantas de ac\u00e1cia-negra. Para ela, \u201cJohanna D\u00f6bereiner \u00e9 uma grande refer\u00eancia feminina nas Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, diante da import\u00e2ncia que o seu trabalho teve para a pesquisa em microbiologia agr\u00edcola no pa\u00eds. Ainda h\u00e1 muito preconceito de g\u00eanero no campo. No tempo dela, os desafios eram ainda maiores, e mesmo assim ela se destacou, derrubando qualquer d\u00favida sobre a sua capacidade\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-com-curiosidade-e-persistencia-johanna-dobereiner-deixou-uma-marca-indelevel-na-ciencia-brasileirafoto-embrapa-reproducao\"><strong>Capa. Com curiosidade e persist\u00eancia, Johanna D\u00f6bereiner deixou uma marca indel\u00e9vel na ci\u00eancia brasileira<br \/>\n<\/strong>(Foto: Embrapa. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Johanna D\u00f6bereiner, com olhar sereno, curiosidade e h\u00e1bito de observar a natureza,&hellip;\n","protected":false},"author":9,"featured_media":7451,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7450"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9135,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7450\/revisions\/9135"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}