{"id":7540,"date":"2024-11-28T07:30:13","date_gmt":"2024-11-28T07:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7540"},"modified":"2024-11-28T10:45:11","modified_gmt":"2024-11-28T10:45:11","slug":"a-fascinante-historia-dos-baloes-de-ar-quente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7540","title":{"rendered":"A fascinante hist\u00f3ria dos bal\u00f5es de ar quente"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"brasileiro-bartolomeu-de-gusmao-foi-pioneiro-na-invencao-de-um-aerostato-para-conquistar-os-ceus\"><span style=\"color: #808080;\">Brasileiro Bartolomeu de Gusm\u00e3o foi pioneiro na inven\u00e7\u00e3o de um aerostato para conquistar os c\u00e9us<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sonho de voar talvez seja um dos mais antigos do homem. E o bal\u00e3o de ar quente foi uma das primeiras tentativas de tentar conquistar os c\u00e9us. Registros hist\u00f3ricos apontam experi\u00eancias com bal\u00f5es de ar quente na China por volta de 220-280 d.C.<\/p>\n<p>Em 1776, o cientista ingl\u00eas Henry Cavendish descobriu v\u00e1rias propriedades do hidrog\u00eanio, incluindo sua baixa densidade. Um ano depois, Joseph Black sugeriu encher um bal\u00e3o leve com hidrog\u00eanio para demonstrar essa descoberta, mas n\u00e3o h\u00e1 registros se o experimento foi realizado. Na mesma \u00e9poca, o italiano Tiberius Cavallo usava hidrog\u00eanio para encher bolhas de sab\u00e3o, demonstrando seu poder de suspens\u00e3o. Finalmente, em 1783, os irm\u00e3os franceses Joseph Michel e Jacques \u00c9tienne Montgolfier fizeram uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de bal\u00f5es de ar quente, impressionando at\u00e9 a Academia de Paris. Os Montgolfier seguiram com testes, culminando no primeiro voo tripulado por humanos com o marqu\u00eas D&#8217;Arlandes e Pil\u00e2tre de Rozier. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-demonstracao-publica-do-primeiro-voo-do-balao-dos-irmaos-montgolfierfonte-gravura-na-biblioteca-de-artes-decorativas-paris\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7542\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-768x509.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-800x530.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1-1160x768.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica do primeiro voo do bal\u00e3o dos irm\u00e3os Montgolfier<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Gravura na Biblioteca de Artes Decorativas, Paris)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas no meio desta hist\u00f3ria h\u00e1 a presen\u00e7a importante de um brasileiro da vila paulista de Santos: Bartolomeu Louren\u00e7o de Gusm\u00e3o. Ao examinar o comportamento de uma chama, Gusm\u00e3o percebeu que o ar quente podia elevar pequenos objetos. Sem documentos hist\u00f3ricos, \u00e9 dif\u00edcil saber como tudo aconteceu. Sabe-se que, no entanto, que em agosto de 1709 \u2013 ou seja, 74 anos antes da demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos Montgolfier \u2013\u00a0o padre Bartolomeu de Gusm\u00e3o, ent\u00e3o com 24 anos, convocou a Corte portuguesa para conhecer seu mais novo experimento. O an\u00fancio sobre a tal m\u00e1quina de voar inquietou a sociedade lisboeta. O sacerdote rec\u00e9m-chegado do Brasil, onde j\u00e1 era conhecido como inventor, pretendia mostrar \u00e0 fam\u00edlia real, fidalgos e autoridades eclesi\u00e1sticas do que era capaz a sua engenhoca batizada de \u201cPassarola\u201d.<\/p>\n<p>Sua primeira tentativa, no entanto, acabou pegando fogo antes de al\u00e7ar voo. O segundo ensaio ocorreu dois dias depois e teve mais sorte: o globo de menos de meio metro de comprimento subiu pouco mais de quatro metros. Por\u00e9m, alguns criados do pal\u00e1cio, preocupados com a possibilidade do invento incendiar as cortinas, abateram o aer\u00f3stato antes que ele alcan\u00e7asse o teto. A terceira tentativa reconheceu finalmente o m\u00e9rito de Bartolomeu de Gusm\u00e3o: dessa vez realizada no p\u00e1tio do pal\u00e1cio, o bal\u00e3o ganhou os ares.<\/p>\n<p>Ergueu-se lentamente perante o rei de Portugal, Dom Jo\u00e3o V, e a rainha, Dona Maria, indo cair no terreiro da casa real.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"genialidade\"><strong>Genialidade<\/strong><\/h4>\n<p>Al\u00e9m do bal\u00e3o de ar quente, o padre Bartolomeu Gusm\u00e3o possu\u00eda outras inven\u00e7\u00f5es no curr\u00edculo. Ap\u00f3s mudar-se para a Capitania da Bahia para continuar seus estudos no Semin\u00e1rio de Bel\u00e9m, construiu uma bomba elevat\u00f3ria para transportar \u00e1gua do rio Paragua\u00e7u at\u00e9 o col\u00e9gio dos padres, que ficava a 100 metros do n\u00edvel do mar. Esse invento fez de Gusm\u00e3o o primeiro brasileiro a conseguir uma patente. Al\u00e9m do bal\u00e3o e da bomba elevat\u00f3ria de \u00e1gua, Bartolomeu de Gusm\u00e3o inventou uma forma de drenar embarca\u00e7\u00f5es \u2013 a cria\u00e7\u00e3o foi definida na \u00e9poca como um \u201cprocesso para esgotar \u00e1gua sem gente, dos navios alagados\u201d. Anos depois, na Holanda, ele tamb\u00e9m criou um sistema de lentes para assar carne ao sol. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-padre-bartolomeu-de-gusmaofonte-benedito-calixto-1902-wikimedia-commons-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7543\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-2-174x300.jpg\" alt=\"\" width=\"290\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-2-174x300.jpg 174w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-2-594x1024.jpg 594w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-2-7x12.jpg 7w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/balao-2.jpg 693w\" sizes=\"(max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Padre Bartolomeu de Gusm\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Benedito Calixto, 1902\/ Wikimedia Commons. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 74 anos depois da cria\u00e7\u00e3o do padre brasileiro que um bal\u00e3o tripulado alcan\u00e7ou o c\u00e9u com sucesso. Depois de seis anos de pesquisas e experi\u00eancias, os irm\u00e3os Montgolfier conseguiram, em 4 de junho de 1783, na cidade de Annonay, voar dois quil\u00f4metros, a uma altitude m\u00e1xima de 2 mil metros. Abriram, assim, as portas para os voos tripulados e uma nova era na hist\u00f3ria da avia\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, os bal\u00f5es evolu\u00edram n\u00e3o apenas como ve\u00edculos de entretenimento, mas tamb\u00e9m desempenharam pap\u00e9is importantes na ci\u00eancia, na guerra e nos esportes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-apresentacao-para-a-corte-de-d-joao-vfonte-autor-desconhecido-wikimedia-commons-reproducao\"><strong>Capa. Apresenta\u00e7\u00e3o para a corte de D. Jo\u00e3o V<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Autor Desconhecido\/ Wikimedia Commons. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Brasileiro Bartolomeu de Gusm\u00e3o foi pioneiro na inven\u00e7\u00e3o de um aerostato para&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":7541,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7540"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7540"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7546,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7540\/revisions\/7546"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}