{"id":7630,"date":"2024-12-11T15:00:06","date_gmt":"2024-12-11T15:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7630"},"modified":"2025-10-15T13:13:02","modified_gmt":"2025-10-15T13:13:02","slug":"elefantes-na-sala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7630","title":{"rendered":"Elefantes na sala"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-as-informacoes-falsas-veiculadas-em-midias-sociais-aplicativos-de-mensagem-e-portais-online-afetam-o-curriculo-e-o-ensino-nas-escolas\"><span style=\"color: #808080;\">Como as informa\u00e7\u00f5es falsas veiculadas em m\u00eddias sociais, aplicativos de mensagem e portais online afetam o curr\u00edculo e o ensino nas escolas.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sete em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos n\u00e3o conseguem distinguir um fato de uma opini\u00e3o, segundo um relat\u00f3rio da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cade\/pt-br\/assuntos\/internacional\/cooperacao-multilateral\/organizacao-para-a-cooperacao-e-desenvolvimento-economico-ocde-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE)<\/strong><\/a> <\/span>de 2021. Se comparado \u00e0 m\u00e9dia de todos os pa\u00edses analisados pela OCDE, que \u00e9 de cinco em cada dez estudantes, os n\u00fameros do Brasil n\u00e3o s\u00e3o nada animadores.<\/p>\n<p>O fluxo informacional a que somos expostos em nosso cotidiano \u00e9 muito maior do que no passado. Segundo Tathiane Milar\u00e9, professora do Departamento de Ci\u00eancias da Natureza, Matem\u00e1tica e Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufscar.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar)<\/strong><\/a><\/span>, essa nova realidade muda significativamente o perfil do aluno atual em rela\u00e7\u00e3o ao de um aluno de 20 anos atr\u00e1s: \u201cA bagagem de informa\u00e7\u00f5es dos estudantes n\u00e3o se restringe mais s\u00f3 ao seu c\u00edrculo social ou \u00e0s suas experi\u00eancias individuais; muitas ideias que os estudantes trazem para a sala de aula s\u00e3o compartilhadas nas redes sociais, difundidas de uma forma muito mais ampla e r\u00e1pida. Os estudantes est\u00e3o o tempo todo recebendo informa\u00e7\u00f5es, e isso vale para todas as idades. Em uma pesquisa que tenho desenvolvido com os anos iniciais, percebemos que as crian\u00e7as, quando falam sobre seu cotidiano, mencionam v\u00eddeos que assistem na internet\u201d, relata a pesquisadora.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as e jovens hoje em dia t\u00eam acesso praticamente irrestrito a todo tipo de conte\u00fado em plataformas de v\u00eddeos como o TikTok, por exemplo, onde divulgadores cient\u00edficos s\u00e9rios e propagadores de not\u00edcias falsas s\u00e3o colocados lado a lado \u2014\u00a0 n\u00e3o raro utilizando-se de linguagens e recursos audiovisuais parecidos. O contato com not\u00edcias falsas pode se dar ou por meio de buscas aut\u00f4nomas dos jovens na internet, ou pelo contato com familiares e pessoas pr\u00f3ximas que as consome cotidianamente e as dissemina. Combater essa informa\u00e7\u00e3o que foi coletada por conta pr\u00f3pria ou transmitida por familiares \u00e9 tarefa ingl\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-bagagem-de-informacoes-dos-estudantes-nao-se-restringe-mais-so-ao-seu-circulo-social-ou-as-suas-experiencias-individuais-muitas-ideias-que-os-estudantes-trazem-para-a-sala-de-aula-sao-comp\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA bagagem de informa\u00e7\u00f5es dos estudantes n\u00e3o se restringe mais s\u00f3 ao seu c\u00edrculo social ou \u00e0s suas experi\u00eancias individuais; muitas ideias que os estudantes trazem para a sala de aula s\u00e3o compartilhadas nas redes sociais, difundidas de uma forma muito mais ampla e r\u00e1pida.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernando Bitencourt Lopes, professor de hist\u00f3ria do ensino fundamental da Escola EMEF\/EJA Padre Jos\u00e9 Narciso Vieira Ehrenberg (Campinas-SP), revela que combater not\u00edcias falsas gera um clima de animosidade em sala de aula, pois o estudante, na maioria dos casos, n\u00e3o se mostra disposto a mudar a opini\u00e3o j\u00e1 formada sobre determinado tema: \u201cQuando n\u00f3s, professores, trazemos temas os quais esses alunos e alunas j\u00e1 t\u00eam um preconceito formado, o processo de ensino\/aprendizagem se torna muito mais complexo, pois a figura do professor, da professora e seu trabalho s\u00e3o desacreditados em sua totalidade\u2026 Como lidar com essa avalanche de desinforma\u00e7\u00e3o e animosidade (pois quem desmascara a inverdade muitas vezes \u00e9 visto como mentiroso ou inimigo), se tornou tarefa incorporada e transversal ao trabalho de todos n\u00f3s professores e professoras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-trabalho-em-equipe\"><strong>Um trabalho em equipe<\/strong><\/h4>\n<p>Fernando Lopes \u00e9 professor de hist\u00f3ria h\u00e1 dez anos. A experi\u00eancia em sala de aula o levou a compreender que o melhor caminho para combater as informa\u00e7\u00f5es falsas \u00e9 fomentar o debate em sala de aula. N\u00e3o basta refutar a informa\u00e7\u00e3o errada do aluno, \u00e9 preciso faz\u00ea-lo pensar sobre ela: \u201cProfessores e professoras que tentam entrar em choque e desmascarar a desinforma\u00e7\u00e3o muitas vezes acabam por refor\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o do aluno, da aluna, em uma disputa em que quanto mais um lado ataca o outro mais endurece. Tento sempre j\u00e1 partir do pressuposto da problematiza\u00e7\u00e3o. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 discutir a ponto deles perceberem, na discuss\u00e3o do tema, as contradi\u00e7\u00f5es da desinforma\u00e7\u00e3o. Isso tende a diminuir o tempo para o trabalho com o conte\u00fado tradicional. Muitas vezes o professor tem que estar preparado para mudar completamente a aula e dar espa\u00e7o a uma quest\u00e3o inesperada que surgiu e precisa ser trabalhada naquele momento\u201d.<\/p>\n<p>Tathiane Milar\u00e9 tamb\u00e9m acredita que o caminho para lidar com as informa\u00e7\u00f5es falsas em sala de aula passa por debater essas informa\u00e7\u00f5es em seus mais diferentes aspectos, em um processo participativo com os alunos: \u201cSe o professor simplesmente rebate a ideia equivocada, mesmo que explique o porqu\u00ea, os efeitos s\u00e3o limitados. J\u00e1 sabemos que abordagens de transmiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o efetivas. \u00c9 necess\u00e1rio estimular a reflex\u00e3o cr\u00edtica dos estudantes, o que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Se um estudante, por exemplo, tem a ideia de que tomar \u00e1gua com sal todos os dias previne doen\u00e7as (como \u00e9 difundido em alguns conte\u00fados digitais), ao inv\u00e9s de simplesmente dizer que isso \u00e9 uma mentira, podemos discutir\/problematizar: mas o que \u00e9 sal? O organismo precisa de sal? Que doen\u00e7as se pretende prevenir? Quais s\u00e3o as causas dessas doen\u00e7as? O que acontece com o organismo quando o sal \u00e9 absorvido? Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre consumo do sal e a hipertens\u00e3o? Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do sal com o soro fisiol\u00f3gico? Quem, onde e por que estimula as pessoas a beberem \u00e1gua com sal? \u00c9 poss\u00edvel levantar muitos questionamentos pass\u00edveis de serem investigados. Os estudantes podem ser instigados com essas quest\u00f5es, o que os levam ao engajamento na busca das respostas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"na-atualidade-as-fake-news-vem-sendo-divulgadas-nao-com-uma-totalidade-de-mentiras-mas-partem-de-pressupostos-legais-legitimos-ou-verdadeiros-que-deturpam-seu-significado-e-sugerem-acoes-o\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cNa atualidade, as fake news v\u00eam sendo divulgadas n\u00e3o com uma totalidade de mentiras, mas partem de pressupostos legais, leg\u00edtimos ou verdadeiros que deturpam seu significado e sugerem a\u00e7\u00f5es ou desafios no sentido da dissemina\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m estimular o letramento digital, ou seja, introduzir o aluno a um conjunto de compet\u00eancias que o permitam decodificar melhor os conte\u00fados que est\u00e3o consumindo nas redes digitais, avaliando se eles s\u00e3o confi\u00e1veis ou n\u00e3o. Fernando Lopes acredita que \u00e9 preciso um esfor\u00e7o cont\u00ednuo nesse sentido, uma vez que a linguagem e as estrat\u00e9gias ret\u00f3ricas das not\u00edcias falsas est\u00e3o em constante evolu\u00e7\u00e3o, tornando-se cada vez mais sofisticadas: \u201cNa atualidade, as <em>fake news<\/em> v\u00eam sendo divulgadas n\u00e3o com uma totalidade de mentiras, mas partem de pressupostos legais, leg\u00edtimos ou verdadeiros e deturpam seu significado e sugerem a\u00e7\u00f5es ou desafios no sentido da dissemina\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o. Tudo isso em espa\u00e7o de um v\u00eddeo de TikTok\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"disputa-pelo-curriculo\"><strong>Disputa pelo curr\u00edculo<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 importante lembrar que as not\u00edcias falsas que circulam nas redes e na sociedade s\u00e3o parte de um problema maior: movimentos pol\u00edticos as utilizam como instrumentos de persuas\u00e3o, tentando influenciar parcela da popula\u00e7\u00e3o a apoiar suas pautas e posicionar-se de determinada forma em rela\u00e7\u00e3o a alguns temas. No Brasil, movimentos e partidos conservadores de extrema-direita t\u00eam sido respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas sobre o conte\u00fado program\u00e1tico das escolas. Uma das mais famosas foi a not\u00edcia falsa sobre um suposto material did\u00e1tico que estaria induzindo os jovens a pr\u00e1ticas homossexuais. Sob a alcunha de \u201ckit gay\u201d, o material foi criticado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em per\u00edodo de campanha eleitoral. Tratava-se, no entanto, de uma informa\u00e7\u00e3o falsa. O material pedag\u00f3gico destinava-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual e combate \u00e0 homofobia e n\u00e3o chegou a ser distribu\u00eddo nas escolas. O objetivo dos disseminadores dessa not\u00edcia falsa era t\u00e3o somente defender pautas de costumes caras ao movimento de extrema-direita, como a intoler\u00e2ncia \u00e0 diversidade sexual.<\/p>\n<p>Mari\u00e2ngela Bairros, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/strong><\/a> <\/span>e coordenadora do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/geppem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Grupo de Estudos e Pol\u00edticas P\u00fablicas para o Ensino M\u00e9dio (GEPPEM)<\/strong><\/a><\/span>, acredita que esse tipo de estrat\u00e9gia pode influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica a tolerar com mais facilidade altera\u00e7\u00f5es no curr\u00edculo escolar que empobrecem a forma\u00e7\u00e3o dos alunos: \u201cUm exemplo importante \u00e9 o da reforma do ensino m\u00e9dio. A lei 13.415 de 2017 foi implementada durante o governo Bolsonaro e inaugurou um grande retrocesso no ensino m\u00e9dio, etapa por onde passam os jovens para concluir a \u00faltima etapa da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. As disciplinas de sociologia, filosofia e artes desapareceram do curr\u00edculo \u2014 pior, passaram a ser perseguidas, empobrecendo a forma\u00e7\u00e3o dos jovens. Filosofia e Sociologia perderam 70% da sua carga hor\u00e1ria, enquanto Hist\u00f3ria e Geografia diminu\u00edram 50%.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"projetos-de-lei-em-camaras-municipais-e-no-congresso-nacional-cotidianamente-expressam-o-desejo-e-materialidade-de-calar-os-professores-de-dizer-o-que-pode-e-nao-pode-ser-dito\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cProjetos de lei em c\u00e2maras municipais e no congresso nacional, cotidianamente expressam o desejo e materialidade de calar os professores, de dizer o que pode e n\u00e3o pode ser dito.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na esteira do retrocesso, vimos florescer recentemente o movimento Escola Sem Partido. Criado em 2003 pelo procurador do Estado de S\u00e3o Paulo, Miguel Nagib, e popularizado em 2014, o movimento alegava que professores utilizavam-se de diversos conte\u00fados do curr\u00edculo escolar para promover pautas de movimentos pol\u00edticos de esquerda, em uma tentativa de \u201cdoutrinar\u201d os estudantes. Ap\u00f3s anos de ades\u00e3o t\u00edmida, o movimento ganhou tra\u00e7\u00e3o devido \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos de extrema-direita \u2014 como o deputado estadual Fl\u00e1vio Bolsonaro \u2014 que apresentaram projetos de lei com o intuito de censurar e perseguir professores. Nenhum projeto dessa natureza foi aprovado, mas as ideias conquistaram a opini\u00e3o de parte da sociedade mais conservadora, que passou a assediar professores para alterar ou omitir determinados quesitos do curr\u00edculo.\u00a0(Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-professores-protestam-contra-a-escola-sem-partidoreproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7633\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-768x461.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-1536x921.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-800x480.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1-1160x696.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Professores protestam contra a Escola Sem Partido<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro vermos reflexos desse movimento no dia a dia dos professores. Em outubro deste ano, uma professora de 51 anos da Escola Rural Boa Uni\u00e3o, na regi\u00e3o metropolitana de Salvador, foi apedrejada por alunos em retalia\u00e7\u00e3o a um conte\u00fado sobre religi\u00f5es de matriz africana. Conte\u00fados sobre a cultura afro-brasileira (especialmente os relacionados a religi\u00f5es de matriz africana, como a umbanda e o candombl\u00e9) s\u00e3o alvos frequentes da Escola Sem Partido, pois o movimento est\u00e1 associado a religi\u00f5es neopentecostais que praticam a intoler\u00e2ncia religiosa em rela\u00e7\u00e3o a religi\u00f5es de matriz africana. Nas redes sociais do movimento h\u00e1 um documento dispon\u00edvel para download que os pais podem imprimir, preencher com seus dados e apresentar \u00e0s escolas em uma tentativa de evitar que seus filhos tenham acesso a esse conte\u00fado. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-documento-disponivel-para-download-para-os-pais-apresentarem-as-escolas-em-uma-tentativa-de-evitar-que-os-filhos-tenham-acesso-a-acesso-a-conteudos-considerados-ofensivos\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7631\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-300x247.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"494\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-300x247.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-1024x843.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-768x632.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-15x12.jpg 15w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-800x659.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2-1160x955.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-1-figura-2.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Documento dispon\u00edvel para download para os pais apresentarem \u00e0s escolas em uma tentativa de evitar que os filhos tenham acesso a acesso a conte\u00fados considerados \u201cofensivos\u201d.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es como essas amea\u00e7am o car\u00e1ter democr\u00e1tico das escolas e a pluralidade de ideias. Apesar da derrota da extrema-direita nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, Mari\u00e2ngela Barros \u00e9 c\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel arrefecimento desse movimento nos pr\u00f3ximos anos: \u201cO projeto Escola Sem Partido ainda vive. Projetos de lei em c\u00e2maras municipais, no congresso nacional, expressam cotidianamente o desejo e materialidade de calar os professores, de dizer o que pode e n\u00e3o pode ser dito. Chegamos ao absurdo de um professor de sociologia, ao falar de Marx ou sobre agrot\u00f3xicos, estar doutrinando. Perdemos a raz\u00e3o. As for\u00e7as de direita e extrema-direita tomam os espa\u00e7os escolares realizando, a\u00ed sim, a famigerada doutrina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, o curr\u00edculo escolar est\u00e1 sempre sob disputa, de modo que \u00e9 preciso uma luta cont\u00ednua n\u00e3o s\u00f3 para avan\u00e7ar, mas para assegurar que conquistas antigas n\u00e3o sejam perdidas: \u201cO curr\u00edculo, cerne da educa\u00e7\u00e3o escolar, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Ele representa as for\u00e7as sociais, pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas em disputa na sociedade, sendo express\u00e3o dos avan\u00e7os e recuos, inclusive mostrando uma face conservadora e\/ou progressista\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-informacoes-falsas-divulgadas-em-redes-sociais-aplicativos-de-mensagens-e-portais-online-afetam-o-curriculo-e-a-educacao-nas-escolas-foto-ebc-arquivo-reproducao\"><strong>Capa. <\/strong><strong>Informa\u00e7\u00f5es falsas divulgadas em redes sociais, aplicativos de mensagens e portais online afetam o curr\u00edculo e a educa\u00e7\u00e3o nas escolas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: EBC\/ Arquivo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como as informa\u00e7\u00f5es falsas veiculadas em m\u00eddias sociais, aplicativos de mensagem e&hellip;\n","protected":false},"author":67,"featured_media":7632,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7630"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7630"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9134,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7630\/revisions\/9134"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7632"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}