{"id":7691,"date":"2024-12-18T07:55:50","date_gmt":"2024-12-18T07:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7691"},"modified":"2025-10-15T13:12:44","modified_gmt":"2025-10-15T13:12:44","slug":"desinformacao-e-deslegitimacao-como-estrategias-de-luta-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7691","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o e deslegitima\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gias de luta pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"no-capitalismo-de-plataforma-e-capitalismo-de-vigilancia-a-producao-de-valor-e-centrada-nas-plataformas-digitais-sediadas-no-norte-global\"><span style=\"color: #808080;\">No \u201ccapitalismo de plataforma\u201d e \u201ccapitalismo de vigil\u00e2ncia&#8221;, a produ\u00e7\u00e3o de valor \u00e9 centrada nas plataformas digitais sediadas no Norte Global<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos em uma era em que plataformas digitais, redes sociais, celulares, jogos online e at\u00e9 palavras e sentimentos, como \u201cfascismo\u201d e \u201c\u00f3dio ao diferente\u201d, est\u00e3o moldando uma nova fase do capitalismo. Ap\u00f3s a predomin\u00e2ncia do capitalismo financeiro entre os anos 1990 e o in\u00edcio do s\u00e9culo 21, um modelo centrado na tecnologia e na produ\u00e7\u00e3o massiva de desinforma\u00e7\u00e3o emerge, transformando a forma como riquezas s\u00e3o acumuladas e a pol\u00edtica \u00e9 disputada. Neste cen\u00e1rio, sentimentos extremos e narrativas fabricadas em escala industrial alimentam um ciclo de polariza\u00e7\u00e3o, enquanto mega-grupos econ\u00f4micos prosperam.<\/p>\n<p>\u201cAo falar de desinforma\u00e7\u00e3o e discurso de \u00f3dio, usamos as categorias \u2018capitalismo de plataforma\u2019 e \u2018capitalismo de vigil\u00e2ncia\u2019\u201d, explica Tathiana Chicarino, cientista pol\u00edtica e coordenadora do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia e Pol\u00edtica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fespsp.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo (FESPSP)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cNesse modelo, a produ\u00e7\u00e3o de valor est\u00e1 centrada em plataformas digitais, principalmente no \u2018Norte global\u2019, como os Estados Unidos. A fonte desse valor s\u00e3o os nossos dados pessoais. Passamos muito tempo nessas plataformas, especialmente nas redes sociais, e deixamos rastros digitais \u2013 nossos gostos, afetos, prefer\u00eancias pol\u00edticas e culturais.\u201d<\/p>\n<p>Essa massa de dados, conhecida como <em>Big Data<\/em>, n\u00e3o apenas reflete valores e comportamentos, mas tamb\u00e9m alimenta um mercado altamente lucrativo. \u201cN\u00e3o precisamos pagar para estar nas redes sociais, mas a monetiza\u00e7\u00e3o ocorre por meio desses dados\u201d, aponta Tathiana Chicarino. No capitalismo de vigil\u00e2ncia, esses dados s\u00e3o utilizados para finalidades que v\u00e3o desde estrat\u00e9gias de marketing at\u00e9 pr\u00e1ticas mais obscuras e n\u00e3o especificadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nao-se-trata-de-um-conteudo-especifico-mas-da-industrializacao-da-desinformacao-que-envolve-estrategias-e-taticas-bem-definidas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cN\u00e3o se trata de um conte\u00fado espec\u00edfico, mas da industrializa\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o, que envolve estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas bem definidas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora tenha similaridades com o capitalismo tradicional, o capitalismo de dados traz peculiaridades marcantes. \u201cEstamos sempre sendo monitorados\u201d, alerta a pesquisadora. \u201cAplicativos de intelig\u00eancia artificial, reconhecimento facial e monitoramento de sa\u00fade capturam nossas percep\u00e7\u00f5es e comportamentos.\u201d A desinforma\u00e7\u00e3o, por sua vez, sempre existiu, mas hoje opera em um ecossistema diferente, sin\u00e9rgico \u00e0s plataformas digitais. \u201cSe olharmos para o nazismo, por exemplo, falamos de uma era em que os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa emergiam \u2013 r\u00e1dio, televis\u00e3o e sistemas centralizados. Era uma configura\u00e7\u00e3o piramidal, com poucos emissores e muitos receptores\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Nesse ecossistema, a desinforma\u00e7\u00e3o e o discurso de \u00f3dio se espalham por meio de fluxos capilarizados. \u201cAtores humanos e n\u00e3o humanos, como rob\u00f4s, al\u00e9m de <em>spin doctors<\/em> \u2013 figuras influentes nas redes \u2013, desempenham pap\u00e9is essenciais na dissemina\u00e7\u00e3o dessas narrativas\u201d, explica a pesquisadora. A combina\u00e7\u00e3o de tecnologia, dados e desinforma\u00e7\u00e3o caracteriza uma nova fase do capitalismo, em que cada rastro digital contribui para um ciclo de vigil\u00e2ncia, controle e polariza\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-crise-de-legitimidade-da-ciencia-e-da-imprensa\"><strong>A crise de legitimidade da ci\u00eancia e da imprensa<\/strong><\/h4>\n<p>A extrema-direita adota a desinforma\u00e7\u00e3o como parte de sua estrat\u00e9gia global, n\u00e3o apenas no Brasil, mas em todo o Ocidente. \u201cEles operam nesse novo sistema de m\u00eddia, onde as autoridades tradicionais que legitimam um discurso \u2014 como universidades, ci\u00eancia e imprensa \u2014 perdem for\u00e7a. Nesse contexto, a extrema-direita encontra uma oportunidade relevante para agir. Enquanto a esquerda e o campo progressista cometem [desinforma\u00e7\u00e3o] ocasionalmente, para a extrema-direita, ela \u00e9 intr\u00ednseca e indissoci\u00e1vel. N\u00e3o se trata de um conte\u00fado espec\u00edfico, mas da industrializa\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o, que envolve estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas bem definidas\u201d, analisa Tathiana Chicarino.<\/p>\n<p>Especialista em fascismos, Demian Mello, professor de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uff.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal Fluminense (UFF)<\/strong><\/a><\/span>, concorda com a vis\u00e3o. Ele aponta a converg\u00eancia entre o discurso de figuras da extrema-direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o entorno pol\u00edtico do ex-presidente Jair Bolsonaro, com estrat\u00e9gias militares. \u201cA pol\u00edtica \u00e9 tratada como guerra, onde se ataca os advers\u00e1rios continuamente, sem recuar, utilizando cortinas de fuma\u00e7a discursivas. O militarismo, nesse caso, \u00e9 uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica da pol\u00edtica\u201d, explica Mello, que \u00e9 autor de livros e artigos sobre a direita extrema no Brasil. Em 2014, ele escreveu um cap\u00edtulo para o relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade sobre o apoio m\u00fatuo entre a ditadura militar de 1964 e empresas.<\/p>\n<p>Um aspecto pouco explorado da extrema-direita global \u00e9 o militarismo como ideologia, observa Jorge Oliveira Rodrigues, pesquisador do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/gedes-unesp.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Instituto Tricontinental de Pesquisa Social e do Grupo de Estudos de Defesa e Seguran\u00e7a Internacional (GEDES)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cN\u00e3o se trata apenas da rela\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as armadas, mas da valoriza\u00e7\u00e3o de certos princ\u00edpios, como hierarquia, disciplina, mando e obedi\u00eancia. Esses elementos, combinados ao masculinismo do soldado-her\u00f3i, parecem ser uma base comum que explica a similaridade nas comunica\u00e7\u00f5es da extrema-direita em diferentes contextos\u201d, analisa. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-entao-presidente-jair-bolsonaro-realiza-desfile-de-carros-blindados-e-armamentos-da-marinha-do-brasil-na-esplanada-dos-ministerios-foto-marcelo-camargo-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7693\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. O ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro realiza desfile de <\/strong><strong>carros blindados e armamentos da Marinha do Brasil, na Esplanada dos Minist\u00e9rios.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, valores humanistas s\u00e3o frequentemente colocados \u00e0 prova para despertar rea\u00e7\u00f5es emocionais. \u201cPor que o ataque aos direitos humanos, por exemplo? Porque assim [a extrema-direita] se contrap\u00f5e \u00e0s autoridades que t\u00eam legitimidade no debate cr\u00edtico. A propaganda total, como no nazismo, impede o dissenso. Ela cria um consenso absoluto em torno de uma autoridade que n\u00e3o se legitima pelo espa\u00e7o p\u00fablico e cr\u00edtico, mas pela imposi\u00e7\u00e3o. Desinforma\u00e7\u00e3o e discurso de \u00f3dio andam juntos\u201d, alerta Tathiana Chicarino. Ela tamb\u00e9m destaca que, enquanto empresas jornal\u00edsticas est\u00e3o sujeitas ao escrut\u00ednio p\u00fablico, as redes sociais oferecem um espa\u00e7o onde esse controle \u00e9 inexistente.<\/p>\n<p>Jorge Oliveira Rodrigues adiciona outra perspectiva ao debate. Ele lembra que as estrat\u00e9gias militares no campo comunicacional da extrema-direita antecedem o bolsonarismo. \u201cO general S\u00e9rgio Augusto Avellar Coutinho e o livro \u201c<em>Orvil\u201d<\/em> \u2014 escrito para negar e reescrever a hist\u00f3ria da ditadura militar \u2014 j\u00e1 apontavam para isso. Ideias como o &#8216;marxismo cultural&#8217; circulavam nas casernas antes de Olavo de Carvalho ganhar notoriedade. Ainda assim, \u00e9 interessante perguntar: por que, em outras realidades da extrema-direita, o militarismo n\u00e3o ocupa o mesmo papel que tem no Brasil sob Bolsonaro, embora as estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o sigam caminhos semelhantes, como a camuflagem e a desinforma\u00e7\u00e3o deliberada?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m compara o cen\u00e1rio brasileiro com o dos Estados Unidos, onde o militarismo se manifesta por meio de mil\u00edcias armadas e do armamentismo, mas de forma menos organizada do que no Brasil, onde as for\u00e7as armadas possuem estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o mais estruturadas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias suficientes para afirmar que os militares informam diretamente a comunica\u00e7\u00e3o da extrema-direita, mas \u00e9 claro que compartilham uma base ideol\u00f3gica comum\u201d, conclui Rodrigues, doutorando em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas. (Figura 2)<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7694\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-300x204.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-300x204.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-1024x696.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-768x522.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-800x544.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A-1160x789.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reportagem-3-figura-2A.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/> <\/strong><\/p>\n<h6 id=\"figura-o-cenario-brasileiro-se-assemelha-ao-norte-americano-onde-o-militarismo-se-manifesta-pelas-milicias-e-pelo-armamentismofoto-acima-tyler-merbler-abaixo-marcelo-camargo-agencia-brasil-re\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7695\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-300x157.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-1024x537.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-768x403.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-800x420.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B-1160x609.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/CC-4E24-reprotagem-3-figura-2B.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura.<\/strong> <strong>O cen\u00e1rio brasileiro se assemelha ao norte-americano, onde o militarismo se manifesta pelas mil\u00edcias e pelo armamentismo<br \/>\n<\/strong>(Foto: Acima: Tyler Merbler. Abaixo: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"algoritmos-opacos\"><strong>Algoritmos opacos <\/strong><\/h4>\n<p>Tathiana Chicarino observa que, no capitalismo de plataforma e no capitalismo de vigil\u00e2ncia, os mecanismos de monetiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o pouco transparentes devido \u00e0 l\u00f3gica algor\u00edtmica que os rege. \u201cQuais conte\u00fados s\u00e3o exibidos para mim? O que vou visualizar, em que ordem e com que frequ\u00eancia? As plataformas operam com algoritmos extremamente opacos. N\u00e3o h\u00e1 curadoria ou modera\u00e7\u00e3o clara. Elas argumentam que s\u00e3o apenas empresas facilitadoras, conectando pessoas que produzem conte\u00fado. Mas, na pr\u00e1tica, funcionam como espa\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o e, por isso, precisam ser regulamentadas como tal. Esses espa\u00e7os influenciam diretamente o debate p\u00fablico, determinando o que ser\u00e1 discutido, como ser\u00e1 abordado e quais temas receber\u00e3o mais \u00eanfase\u201d, explica.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que a combina\u00e7\u00e3o entre monetiza\u00e7\u00e3o e discursos sensacionalistas, que promovem superficialidade e achatamento do debate, captura mais a aten\u00e7\u00e3o das pessoas, fazendo com que passem mais tempo nas redes sociais. Nesse capitalismo de plataforma, a economia da aten\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, considerando o enorme volume de informa\u00e7\u00f5es circulando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desinformacao-e-discurso-de-odio-andam-juntos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cDesinforma\u00e7\u00e3o e discurso de \u00f3dio andam juntos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As plataformas utilizam trilhas algor\u00edtmicas para prender os usu\u00e1rios. \u201cQuando acesso determinado conte\u00fado e passo um tempo consider\u00e1vel consumindo-o, [as plataformas] passam a me recomendar ainda mais conte\u00fados similares, incentivando que eu permane\u00e7a conectado por mais tempo. Essas trilhas se alinham com as etapas da radicaliza\u00e7\u00e3o, que incluem a naturaliza\u00e7\u00e3o, a familiariza\u00e7\u00e3o e, finalmente, a radicaliza\u00e7\u00e3o. Assim, come\u00e7o a me expor cada vez mais a conte\u00fados extremistas, de \u00f3dio e elimina\u00e7\u00e3o do outro. \u00c9 como estar em um ambiente chamado de C\u00e2mara de Eco&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"filtros-bolha-e-videogames\"><strong>Filtros bolha e videogames<\/strong><\/h4>\n<p>Com base em um estudo do Instituto Reuters, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/alafialab.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Al\u00e1fia Lab<\/strong><\/a><\/span>, um laborat\u00f3rio digital voltado para a transforma\u00e7\u00e3o social e sediado na Bahia, destaca que os pesquisadores do Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, definem o termo \u201cc\u00e2mara de eco\u201d como uma analogia aos sons que reverberam em um inv\u00f3lucro oco, como sinos. Essa express\u00e3o descreve um espa\u00e7o midi\u00e1tico fechado e interconectado, com potencial para amplificar mensagens ali compartilhadas enquanto as isola de conte\u00fados contradit\u00f3rios.<\/p>\n<p>O Al\u00e1fia Lab observa ainda que o termo \u201cc\u00e2mara de eco\u201d \u00e9 frequentemente confundido com os \u201cfiltros bolha\u201d, que se referem \u00e0 personaliza\u00e7\u00e3o de resultados em motores de busca, como o Google, e nos feeds das redes sociais. Esses filtros criam universos de informa\u00e7\u00e3o individualizados, baseados nos gostos e prefer\u00eancias de cada usu\u00e1rio. O conceito foi cunhado pelo ativista e empres\u00e1rio Eli Pariser, que chamou a aten\u00e7\u00e3o para a influ\u00eancia dessas ferramentas na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-plataformas-operam-com-algoritmos-extremamente-opacos-nao-ha-curadoria-ou-moderacao-clara\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs plataformas operam com algoritmos extremamente opacos. N\u00e3o h\u00e1 curadoria ou modera\u00e7\u00e3o clara.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 30 anos, extremistas violentos, terroristas e disseminadores de \u00f3dio t\u00eam explorado ativamente os videogames como ferramentas de propaganda, recrutamento e arrecada\u00e7\u00e3o de fundos. Um relat\u00f3rio da Rede de Investiga\u00e7\u00e3o sobre Extremismo e Jogos (EGRN), vinculada ao Departamento de Estudos de Guerra do King&#8217;s College de Londres, analisou o uso de jogos online para espalhar desinforma\u00e7\u00e3o e at\u00e9 recrutar militantes. A pesquisa abrangeu t\u00edtulos que representam todo o espectro ideol\u00f3gico: extrema-direita, jihadismo, extrema-esquerda e outras formas de extremismo e \u00f3dio, incluindo refer\u00eancias a massacres escolares.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a an\u00e1lise incluiu desde jogos aut\u00f4nomos simples, desenvolvidos para o Atari nos anos 1980, at\u00e9 mods sofisticados de alguns dos jogos mais populares da atualidade. Os canais de distribui\u00e7\u00e3o evolu\u00edram de organiza\u00e7\u00f5es extremistas violentas e mercados clandestinos, como os grupos supremacistas brancos, neonazistas e jihadistas, para reposit\u00f3rios descentralizados de jogos extremistas. Esses jogos est\u00e3o hospedados em arquivos da Internet, plataformas de compartilhamento de arquivos no Ethereum, Telegram e at\u00e9 mesmo em plataformas convencionais, como o Steam, com t\u00edtulos codificados de forma sutil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-as-plataformas-digitais-criam-valores-e-estimulam-a-desinformacao-e-a-deslegitimacao-como-estrategias-de-combate-politico-foto-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa. <\/strong><strong>As plataformas digitais criam valores e estimulam a desinforma\u00e7\u00e3o e a deslegitima\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gias de combate pol\u00edtico.<br \/>\n<\/strong>(Foto. Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No \u201ccapitalismo de plataforma\u201d e \u201ccapitalismo de vigil\u00e2ncia&#8221;, a produ\u00e7\u00e3o de valor&hellip;\n","protected":false},"author":264,"featured_media":7692,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7691"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/264"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7691"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9133,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7691\/revisions\/9133"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}