{"id":7776,"date":"2025-01-09T07:30:50","date_gmt":"2025-01-09T07:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7776"},"modified":"2025-01-08T19:10:16","modified_gmt":"2025-01-08T19:10:16","slug":"degelo-no-artico-pode-liberar-microbios-antigos-e-mortais-alertam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7776","title":{"rendered":"Degelo no \u00c1rtico pode liberar micr\u00f3bios antigos e mortais, alertam cientistas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"perspectivas-de-aumento-de-transporte-e-mineracao-reforcam-alerta-sobre-contaminacao-de-seres-humanos\"><span style=\"color: #808080;\">Perspectivas de aumento de transporte e minera\u00e7\u00e3o refor\u00e7am alerta sobre contamina\u00e7\u00e3o de seres humanos<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2016, um surto de antraz na remota Pen\u00ednsula de Yamal, na Sib\u00e9ria, deixou um rastro preocupante. Uma bact\u00e9ria adormecida h\u00e1 d\u00e9cadas no pergelissolo \u2014 a camada permanentemente congelada do solo \u2014 ressurgiu devido a temperaturas excepcionalmente altas, matando mais de 2,5 mil renas e infectando humanos. Um menino de 12 anos morreu, e dezenas de pessoas adoeceram, evidenciando os riscos crescentes de micr\u00f3bios antigos libertados pelo aquecimento global.<\/p>\n<p>Especialistas acreditam que este epis\u00f3dio \u00e9 apenas um pren\u00fancio do que pode vir. \u00c0 medida que o \u00c1rtico aquece quatro vezes mais r\u00e1pido que o restante do planeta, cientistas alertam sobre a poss\u00edvel libera\u00e7\u00e3o de v\u00edrus e bact\u00e9rias h\u00e1 s\u00e9culos presos no gelo. Segundo a cientista-chefe do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Andrea Hinwood, \u201ch\u00e1 raz\u00f5es para se preocupar\u201d, embora a extens\u00e3o desse perigo ainda seja incerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"bilhoes-de-microbios-em-risco-de-ressurgir\"><strong>Bilh\u00f5es de micr\u00f3bios em risco de ressurgir<\/strong><\/h4>\n<p>Um <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/352004313_Climate_change_melting_cryosphere_and_frozen_pathogens_Should_we_worry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a><\/strong><\/span> recente publicado na<span style=\"color: #800000;\"> <strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/link.springer.com\/journal\/42398\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Environmental Sustainability<\/a><\/em><\/strong><\/span> estima que quatro sextilh\u00f5es de micr\u00f3bios \u2014 um n\u00famero com 21 zeros \u2014 s\u00e3o liberados anualmente devido ao degelo do pergelissolo. Os corpos de animais do \u00c1rtico mortos h\u00e1 s\u00e9culos, como os de renas em cemit\u00e9rios antigos, podem abrigar pat\u00f3genos adormecidos, prontos para ressurgir em condi\u00e7\u00f5es ideais.<\/p>\n<p>O caso de 2016, atribu\u00eddo a um cemit\u00e9rio de renas infectadas por antraz h\u00e1 mais de 70 anos, ressalta os riscos. Hinwood destaca que, embora a transmiss\u00e3o de pat\u00f3genos entre humanos e animais n\u00e3o seja um fen\u00f4meno novo, o \u00c1rtico representa um cen\u00e1rio in\u00e9dito para esse tipo de amea\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"impactos-alem-da-saude-publica\"><strong>Impactos al\u00e9m da sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/h4>\n<p>Os perigos do degelo do pergelissolo n\u00e3o se limitam \u00e0 sa\u00fade. A camada cont\u00e9m cerca de 1,5 mil gigatoneladas de carbono \u2014 o dobro da quantidade j\u00e1 presente na atmosfera. Com o derretimento, esse carbono \u00e9 liberado na forma de di\u00f3xido de carbono e metano, gases que intensificam o aquecimento global, criando um ciclo potencialmente catastr\u00f3fico.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o \u00c1rtico est\u00e1 se tornando mais acess\u00edvel para atividades como transporte mar\u00edtimo e minera\u00e7\u00e3o, colocando mais pessoas pr\u00f3ximas aos micr\u00f3bios do pergelissolo. \u201cEstamos vendo uma mudan\u00e7a completa no uso da terra no \u00c1rtico, e isso pode ser perigoso\u201d, alerta Hinwood.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"monitoramento-e-acoes-globais\"><strong>Monitoramento e a\u00e7\u00f5es globais<\/strong><\/h4>\n<p>Para mitigar os riscos, o Pnuma defende a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e o monitoramento cont\u00ednuo do recuo do pergelissolo. Al\u00e9m disso, cientistas sugerem mapear os tipos de micr\u00f3bios presos no gelo para antecipar poss\u00edveis surtos.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o destacadas no relat\u00f3rio <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unep.org\/resources\/global-foresight-report\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Navigating New Horizons<\/a><\/em><\/strong><\/span>, elaborado pelo Pnuma em parceria com o Conselho Internacional de Ci\u00eancia. O documento explora desafios emergentes para a sa\u00fade planet\u00e1ria e o bem-estar humano, incluindo a amea\u00e7a dos micr\u00f3bios congelados.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a necessidade de agir torna-se urgente. Como conclui Hinwood, \u201co melhor que podemos fazer \u00e9 usar as ferramentas e a ci\u00eancia dispon\u00edveis para gerar informa\u00e7\u00f5es e enfrentar os desafios que est\u00e3o por vir\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es de <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/news.un.org\/\">ONU News<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-foto-de-freepik-com-reproducao\">Capa. Foto de Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Perspectivas de aumento de transporte e minera\u00e7\u00e3o refor\u00e7am alerta sobre contamina\u00e7\u00e3o de&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":7777,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7776"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7776"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7776\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7779,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7776\/revisions\/7779"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}