{"id":7812,"date":"2025-01-24T07:30:20","date_gmt":"2025-01-24T07:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7812"},"modified":"2025-01-23T18:25:13","modified_gmt":"2025-01-23T18:25:13","slug":"quilombo-raiz-e-as-flores-que-contam-a-historia-de-uma-comunidade-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7812","title":{"rendered":"Quilombo Raiz e as flores que contam a hist\u00f3ria de uma comunidade em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"comunidade-do-cerrado-mineiro-preserva-tradicoes-reconhecidas-pela-onu-como-unico-patrimonio-agricola-mundial-do-pais\"><span style=\"color: #808080;\">Comunidade do Cerrado mineiro preserva tradi\u00e7\u00f5es reconhecidas pela ONU como \u00fanico Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial do pa\u00eds<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o da Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais, o Quilombo Raiz cultiva um elo profundo entre natureza, cultura e resist\u00eancia. Andr\u00e9ia Ferreira dos Santos, criada por sua av\u00f3 no quilombo fundado por sua trisav\u00f3, \u00e9 parte da quinta gera\u00e7\u00e3o de apanhadores de flores da comunidade. Desde pequena, ela colhe as \u201csempre-vivas\u201d, plantas que comp\u00f5em buqu\u00eas ornamentais de longa dura\u00e7\u00e3o e sustentam a economia local.<\/p>\n<p>As sempre-vivas, que representam mais de 300 esp\u00e9cies do Cerrado, s\u00e3o secas e transformadas em produtos que h\u00e1 s\u00e9culos sustentam as comunidades tradicionais da regi\u00e3o. Reconhecendo a import\u00e2ncia dessa pr\u00e1tica ancestral, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) concedeu \u00e0s sempre-vivas o t\u00edtulo de primeiro Sistema Importante do Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola Mundial (Sipam) brasileiro.<\/p>\n<h4 id=\"tradicao-e-transformacao-em-tempos-de-desafios\"><strong>Tradi\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o em tempos de desafios<\/strong><\/h4>\n<p>O Quilombo Raiz combina o sistema de cultivo da \u201cro\u00e7a de toco\u201d e a cria\u00e7\u00e3o de animais com a coleta das flores. A cada safra, uma pessoa pode colher at\u00e9 uma tonelada de flores, vendidas por valores que variam de R$ 25 a R$ 70 por quilo. No entanto, essa tradi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser amea\u00e7ada nos anos 2000, com a expans\u00e3o da monocultura de eucalipto, que reduziu os territ\u00f3rios de coleta.<\/p>\n<p>Com a perda de espa\u00e7o e renda, a comunidade adaptou-se, investindo na produ\u00e7\u00e3o de artesanatos de capim-dourado. Desde 2006, pulseiras, lumin\u00e1rias e outros produtos feitos \u00e0 m\u00e3o chegaram a feiras nacionais e internacionais, agregando valor ao trabalho local sem abandonar a tradi\u00e7\u00e3o das sempre-vivas.<\/p>\n<h4 id=\"resiliencia-e-lideranca-feminina\"><strong>Resili\u00eancia e lideran\u00e7a feminina<\/strong><\/h4>\n<p>Andr\u00e9ia destaca que a resist\u00eancia das mulheres foi essencial para a sobreviv\u00eancia da cultura e do territ\u00f3rio. \u201c\u00c9 uma rede de mulheres que mant\u00e9m a comunidade. Elas est\u00e3o nos quintais, na luta, e comp\u00f5em a associa\u00e7\u00e3o que nos representa\u201d, explica.<\/p>\n<p>Desde 2014, Andr\u00e9ia e outros jovens quilombolas integram movimentos sociais em defesa dos direitos das comunidades extrativistas. Essas mobiliza\u00e7\u00f5es garantiram conquistas como o reconhecimento oficial do Quilombo Raiz em 2015 e o t\u00edtulo de Patrim\u00f4nio Agr\u00edcola em 2018, fortalecendo a luta contra amea\u00e7as como a minera\u00e7\u00e3o, que colocava em risco a \u00e1gua e os campos de colheita.<\/p>\n<p>\u201cA comunidade entende que \u00e9 muito mais importante ter \u00e1gua do que dinheiro. N\u00f3s vivemos do que temos e queremos continuar assim\u201d, afirma Andr\u00e9ia. Al\u00e9m disso, o reconhecimento internacional trouxe benef\u00edcios concretos, como a participa\u00e7\u00e3o no Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar e no Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos, iniciativas que conectam a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola familiar \u00e0s compras p\u00fablicas.<\/p>\n<h4 id=\"sipam-tradicao-e-inovacao-para-o-futuro\"><strong>Sipam: tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o para o futuro<\/strong><\/h4>\n<p>O programa Sipam da FAO, que desde 2002 reconhece sistemas agr\u00edcolas tradicionais ao redor do mundo, refor\u00e7a a import\u00e2ncia de unir pr\u00e1ticas ancestrais e inova\u00e7\u00e3o para enfrentar desafios globais, como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e perda de biodiversidade. O Quilombo Raiz \u00e9 um exemplo de como o conhecimento tradicional pode ser preservado enquanto se constr\u00f3i um futuro sustent\u00e1vel e resiliente.<\/p>\n<p>Apesar das conquistas, Andr\u00e9ia ressalta sua preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro: \u201cSe n\u00e3o conseguirmos gerar renda que mantenha os jovens no territ\u00f3rio, ser\u00e1 dif\u00edcil preservar nossa cultura e modo de vida.\u201d Mas, com a for\u00e7a de suas l\u00edderes e o apoio de iniciativas nacionais e internacionais, o Quilombo Raiz segue mobilizado para garantir que as sempre-vivas continuem sendo s\u00edmbolo de resist\u00eancia e esperan\u00e7a para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es de <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/news.un.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ONU News<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-fernanda-monteiro-fao-brasil-reproducao\">Capa. Fernanda Monteiro\/FAO Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Comunidade do Cerrado mineiro preserva tradi\u00e7\u00f5es reconhecidas pela ONU como \u00fanico Patrim\u00f4nio&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":7813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7812"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7812"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7815,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7812\/revisions\/7815"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}