{"id":7832,"date":"2025-02-05T07:30:30","date_gmt":"2025-02-05T07:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7832"},"modified":"2025-02-05T10:30:25","modified_gmt":"2025-02-05T10:30:25","slug":"bertha-lutz-ciencia-e-feminismo-na-vanguarda-do-brasil-e-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7832","title":{"rendered":"Bertha Lutz: Ci\u00eancia e feminismo na vanguarda do Brasil e do mundo"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"uma-pioneira-que-transformou-os-direitos-das-mulheres-e-a-ciencia-brasileira-unindo-luta-politica-e-avancos-academicos\"><span style=\"color: #808080;\">Uma pioneira que transformou os direitos das mulheres e a ci\u00eancia brasileira, unindo luta pol\u00edtica e avan\u00e7os acad\u00eamicos.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bertha Maria J\u00falia Lutz foi uma mulher \u00e0 frente de seu tempo. Nascida em S\u00e3o Paulo, em 2 de agosto de 1894, sua trajet\u00f3ria combinou uma brilhante carreira cient\u00edfica com uma luta incans\u00e1vel pelos direitos das mulheres. Filha do renomado cientista Adolfo Lutz, pioneiro da Medicina Tropical no Brasil, e da enfermeira inglesa Amy Fowler, Bertha herdou uma paix\u00e3o pela ci\u00eancia e um senso de justi\u00e7a que marcariam sua vida p\u00fablica e privada.<\/p>\n<p>Educada na Europa, Bertha Lutz graduou-se em Ci\u00eancias Naturais pela prestigiada Universidade de Paris, a Sorbonne. L\u00e1, al\u00e9m de se aprofundar nos estudos de bot\u00e2nica, zoologia e biologia, ela entrou em contato com o movimento sufragista ingl\u00eas, que defendia o direito das mulheres ao voto. Ao retornar ao Brasil, em 1918, ingressou no <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Museu Naciona<\/a><\/strong>l<\/span> como bi\u00f3loga, tornando-se apenas a segunda mulher a ocupar um cargo p\u00fablico no pa\u00eds. No Museu, Bertha Lutz n\u00e3o apenas contribuiu significativamente para a bot\u00e2nica, mas tamb\u00e9m aproveitou sua posi\u00e7\u00e3o para impulsionar mudan\u00e7as sociais.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-bertha-lutzfonte-divisao-de-gravuras-e-fotografias-da-biblioteca-do-congresso-dos-estados-unidos-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7835\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-244x300.jpg\" alt=\"\" width=\"406\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-244x300.jpg 244w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-832x1024.jpg 832w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-768x945.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-1248x1536.jpg 1248w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-1664x2048.jpg 1664w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-10x12.jpg 10w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-800x985.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1-1160x1428.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 406px) 100vw, 406px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Bertha Lutz<br \/>\n<\/strong>(Fonte: \u00a0<a href=\"https:\/\/www.loc.gov\/rr\/print\/\">Divis\u00e3o de Gravuras e Fotografias<\/a>\u00a0da\u00a0<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/Library_of_Congress\">Biblioteca do Congresso<\/a>\u00a0dos Estados Unidos. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-voz-pela-igualdade\"><strong>Uma voz pela igualdade<\/strong><\/h4>\n<p>Convencida de que a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era essencial para a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres, Bertha Lutz fundou, em 1919, a Liga para a Emancipa\u00e7\u00e3o Intelectual da Mulher. Essa organiza\u00e7\u00e3o, mais tarde, deu origem \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), que desempenhou um papel crucial na conquista do voto feminino no Brasil, em 1932. Sob sua lideran\u00e7a, a FBPF organizou o primeiro congresso feminista do pa\u00eds, promovendo debates sobre trabalho, educa\u00e7\u00e3o e cidadania.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"convencida-de-que-a-participacao-politica-era-essencial-para-a-emancipacao-das-mulheres\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cConvencida de que a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era essencial para a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1922, Bertha Lutz representou as brasileiras na Assembleia-Geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos, e foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Sua atua\u00e7\u00e3o internacional colocou o Brasil no mapa do movimento feminista global e fortaleceu a luta por igualdade no cen\u00e1rio nacional.<\/p>\n<p>Embora o direito ao voto feminino tenha sido conquistado em 1932, Bertha Lutz n\u00e3o parou por a\u00ed. Como deputada federal, cargo que assumiu em 1936, ela defendeu propostas revolucion\u00e1rias para a \u00e9poca: igualdade salarial entre homens e mulheres, licen\u00e7a-maternidade remunerada de tr\u00eas meses e a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho feminina, ent\u00e3o exaustiva. Tamb\u00e9m prop\u00f4s pol\u00edticas para combater doen\u00e7as como a mal\u00e1ria e a lepra, destacando sua preocupa\u00e7\u00e3o com sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-federacao-brasileira-pelo-progresso-femininofonte-arquivo-nacional-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7834\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-768x431.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2-1160x652.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/bertha-2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><strong style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">Figura 2. Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Arquivo Nacional. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"ciencia-e-educacao-como-ferramentas-de-transformacao\"><strong>Ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o como ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Al\u00e9m da pol\u00edtica, Bertha Lutz foi uma defensora incans\u00e1vel da educa\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia como pilares do progresso. Durante sua atua\u00e7\u00e3o como inspetora de ensino secund\u00e1rio e no Museu Nacional, fomentou o acesso das mulheres \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade e trabalhou para que meninas fossem admitidas no externato do Col\u00e9gio Pedro II.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"foi-uma-defensora-incansavel-da-educacao-e-da-ciencia-como-pilares-do-progresso\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cFoi uma defensora incans\u00e1vel da educa\u00e7\u00e3o e da ci\u00eancia como pilares do progresso.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seus artigos e publica\u00e7\u00f5es sobre bot\u00e2nica e o papel educativo dos museus refletem sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. Mesmo ap\u00f3s sua aposentadoria, em 1964, Bertha Lutz continuou ativa, representando o Brasil em congressos internacionais at\u00e9 1975, quando participou da Confer\u00eancia Mundial da Mulher, no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Bertha Lutz faleceu em 16 de setembro de 1976, deixando um legado inestim\u00e1vel. Sua vida demonstra como a ci\u00eancia pode caminhar lado a lado com o ativismo social. Provou que ser mulher, cientista e l\u00edder pol\u00edtica n\u00e3o eram pap\u00e9is incompat\u00edveis, mas complementares. Hoje, sua mem\u00f3ria inspira novas gera\u00e7\u00f5es de mulheres a ocuparem espa\u00e7os na ci\u00eancia e na pol\u00edtica, contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-bertha-lutz-discursa-no-45o-aniversario-da-federacao-brasileira-pelo-progresso-feminino-em-1967fonte-federacao-brasileira-pelo-progresso-feminino-reproducao\"><strong>Capa. Bertha Lutz discursa no 45\u00ba anivers\u00e1rio da\u00a0Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino em 1967<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma pioneira que transformou os direitos das mulheres e a ci\u00eancia brasileira,&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":7833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7832"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7832"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7866,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7832\/revisions\/7866"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}