{"id":7838,"date":"2025-02-06T07:30:58","date_gmt":"2025-02-06T07:30:58","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7838"},"modified":"2025-02-04T19:23:41","modified_gmt":"2025-02-04T19:23:41","slug":"fake-news-na-historia-como-a-desinformacao-moldou-a-sociedade-e-seus-impactos-ao-longo-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7838","title":{"rendered":"Fake news na hist\u00f3ria: Como a desinforma\u00e7\u00e3o moldou a sociedade e seus impactos ao longo do tempo"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"de-campanhas-antivacinacao-a-manipulacoes-politicas-entenda-como-as-mentiras-se-espalharam-e-alteraram-realidades-historicas\"><span style=\"color: #808080;\">De campanhas antivacina\u00e7\u00e3o a manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, entenda como as mentiras se espalharam e alteraram realidades hist\u00f3ricas.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno recente. Desde os tempos antigos, mentiras, meias-verdades e informa\u00e7\u00f5es distorcidas t\u00eam sido usadas para manipular a opini\u00e3o p\u00fablica, seja para promover uma agenda pol\u00edtica, atacar um grupo espec\u00edfico ou at\u00e9 mesmo para gerar p\u00e2nico. O impacto dessas &#8220;fake news&#8221; n\u00e3o se limita a efeitos passageiros, mas muitas vezes altera o curso de eventos hist\u00f3ricos, gera trag\u00e9dias e contribui para a marginaliza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es. Para explorar mais o assunto, trazemos algumas das fake news mais c\u00e9lebres da hist\u00f3ria e os danos que causaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-farsa-da-vacina-e-o-inicio-da-campanha-antivacinacao-1998\"><strong>A farsa da vacina e o in\u00edcio da campanha antivacina\u00e7\u00e3o (1998)<\/strong><\/h4>\n<p>A hist\u00f3ria da antivacina\u00e7\u00e3o moderna teve um grande impulso em 1998, quando o gastroenterologista brit\u00e2nico Andrew Wakefield publicou um artigo na revista <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lancet<\/a><\/em><\/strong><\/span> sugerindo que a vacina tr\u00edplice (contra sarampo, caxumba e rub\u00e9ola) estava relacionada ao autismo. Essa alega\u00e7\u00e3o infundada foi rapidamente aceita por muitos, embora tivesse sido feita com dados manipulados e interesses escusos. Andrew Wakefield havia sido pago por um grupo que procurava processar a ind\u00fastria farmac\u00eautica. O <strong><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140673697110960\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">artigo foi desmentido e retirado<\/span><\/a><\/strong>, e Andrew Wakefield perdeu sua licen\u00e7a m\u00e9dica. Contudo, o dano j\u00e1 estava feito: o movimento antivacina\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a, colocando em risco a sa\u00fade p\u00fablica ao gerar medo em pais e respons\u00e1veis e retardar a imuniza\u00e7\u00e3o de milhares de crian\u00e7as. O que come\u00e7ou como uma mentira m\u00e9dica, com o apoio de um \u201cespecialista\u201d respeitado, se transformou em uma epidemia de desinforma\u00e7\u00e3o que persiste at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-historia-esta-repleta-de-exemplos-de-como-a-desinformacao-pode-ter-efeitos-dramaticos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA hist\u00f3ria est\u00e1 repleta de exemplos de como a desinforma\u00e7\u00e3o pode ter efeitos dram\u00e1ticos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"as-bruxas-de-salem-e-a-manipulacao-da-fe-1692-1693\"><strong>As bruxas de Sal\u00e9m e a manipula\u00e7\u00e3o da f\u00e9 (1692-1693)<\/strong><\/h4>\n<p>Em 1692, na cidade de Sal\u00e9m, Massachusetts, uma onda de histeria religiosa levou \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de 20 pessoas acusadas de bruxaria. A origem dessa trag\u00e9dia foi a circula\u00e7\u00e3o do livro \u201c<em>Malleus Maleficarum\u201d<\/em>, publicado em 1487, que promovia a ideia de que mulheres eram naturalmente inclinadas \u00e0 bruxaria. Em um per\u00edodo de grande repress\u00e3o religiosa e medo do desconhecido, as acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria se espalharam rapidamente, levando a torturas, execu\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o de vidas. Embora n\u00e3o tenha sido uma fake news da forma como entendemos hoje, a ideia de que certas pessoas possu\u00edam poderes sobrenaturais foi impulsionada por mentiras que exploravam as inseguran\u00e7as de uma sociedade profundamente religiosa. O epis\u00f3dio revela como boatos, fundamentados em medos infundados, podem destruir a confian\u00e7a social e gerar cat\u00e1strofes coletivas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-guerra-dos-mundos-o-panico-da-radio-1938\"><strong>A Guerra dos Mundos: O p\u00e2nico da r\u00e1dio (1938)<\/strong><\/h4>\n<p>Em 30 de outubro de 1938, a r\u00e1dio norte-americana CBS, sob a dire\u00e7\u00e3o do ator Orson Welles, transmitiu uma adapta\u00e7\u00e3o radiof\u00f4nica de \u201c<em>A Guerra dos Mundos\u201d<\/em>, de H.G. Wells. O programa foi estruturado como um notici\u00e1rio urgente, informando que a Terra estava sendo invadida por marcianos. Muitos ouvintes, que sintonizaram a transmiss\u00e3o j\u00e1 em andamento, n\u00e3o perceberam que se tratava de uma fic\u00e7\u00e3o, e o p\u00e2nico se espalhou rapidamente. Aproximadamente um milh\u00e3o de ouvintes acreditaram que a invas\u00e3o era real, e a histeria tomou conta das cidades, com pessoas correndo para as ruas em busca de ref\u00fagio. Este epis\u00f3dio \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico de como a informa\u00e7\u00e3o pode ser manipulada para criar um impacto emocional profundo e provocar uma resposta irracional da sociedade. Embora tenha sido um caso de fic\u00e7\u00e3o, o efeito real da falsa informa\u00e7\u00e3o foi devastador.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-programa-de-radio-simulando-uma-invasao-extraterrestre-desencadeou-panico-na-costa-leste-dos-estados-unidos-fonte-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7840\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-300x177.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-300x177.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-1024x604.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-768x453.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-1536x906.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-800x472.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1-1160x684.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 1. Programa de r\u00e1dio simulando uma invas\u00e3o extraterrestre desencadeou p\u00e2nico na costa leste dos Estados Unidos.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-boimate-a-mentira-cientifica-de-1983\"><strong>O \u201cBoimate\u201d: A mentira cient\u00edfica de 1983<\/strong><\/h4>\n<p>Em 1983, a revista <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja<\/a><\/strong> <\/span>publicou uma hist\u00f3ria sobre um \u201cboimate\u201d, uma fus\u00e3o de c\u00e9lulas de tomate e bovinas que, segundo a reportagem, criaria um tomate com uma polpa extremamente nutritiva. No entanto, essa hist\u00f3ria era baseada em uma brincadeira de 1\u00ba de abril publicada pela revista brit\u00e2nica <strong><em><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">New Scientist<\/span><\/a><\/em><\/strong>. Sem verificar a veracidade da informa\u00e7\u00e3o, a revista brasileira veiculou a hist\u00f3ria como uma descoberta cient\u00edfica, o que levou a uma confus\u00e3o generalizada e \u00e0 repercuss\u00e3o de uma mentira absurda. Quando a farsa foi desmascarada, a <em>Veja<\/em> pediu desculpas, mas os danos \u00e0 credibilidade da ci\u00eancia, mesmo que de forma tempor\u00e1ria, haviam sido causados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"se-no-passado-essas-mentiras-circulavam-por-meio-de-jornais-e-radio-hoje-as-fake-news-se-propagam-ainda-mais-rapidamente-pelas-redes-sociais-e-outros-canais-digitais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSe, no passado, essas mentiras circulavam por meio de jornais e r\u00e1dio, hoje as fake news se propagam ainda mais rapidamente pelas redes sociais e outros canais digitais.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"fake-news-a-servico-do-estado-manipulacao-governamental-seculos-xix-xxi\"><strong>Fake news a servi\u00e7o do estado: Manipula\u00e7\u00e3o governamental (S\u00e9culos XIX-XXI)<\/strong><\/h4>\n<p>Os Estados Unidos, ao longo de sua hist\u00f3ria, tamb\u00e9m se beneficiaram da desinforma\u00e7\u00e3o em um contexto de manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar. O exemplo mais marcante talvez seja o caso da explos\u00e3o do encoura\u00e7ado <em>Maine<\/em> em 1898, que o governo dos EUA usou como pretexto para declarar guerra \u00e0 Espanha e anexar territ\u00f3rios como Cuba e Porto Rico. Embora uma investiga\u00e7\u00e3o posterior tenha revelado que a explos\u00e3o foi acidental, a mentira serviu a um prop\u00f3sito estrat\u00e9gico e geopol\u00edtico. Outros exemplos incluem a manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que justificaram a Guerra do Vietn\u00e3 e a invas\u00e3o do Iraque em 2003, quando falsas alega\u00e7\u00f5es sobre armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa foram usadas como justificativas para a\u00e7\u00f5es militares, resultando em milh\u00f5es de mortes e consequ\u00eancias devastadoras para os pa\u00edses envolvidos. Essas fake news, lan\u00e7adas por governos poderosos, tiveram implica\u00e7\u00f5es globais e continuam a ecoar na mem\u00f3ria coletiva de diferentes na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-encouracado-mainefonte-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7841\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/fake-2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 2. Encoura\u00e7ado Maine<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"conclusao\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A hist\u00f3ria est\u00e1 repleta de exemplos de como a desinforma\u00e7\u00e3o pode ter efeitos dram\u00e1ticos, moldando sociedades, pol\u00edticas e at\u00e9 mesmo alterando o curso de guerras. Se, no passado, essas mentiras circulavam por meio de livros, jornais e r\u00e1dio, hoje as fake news se propagam ainda mais rapidamente pelas redes sociais e outros canais digitais, alcan\u00e7ando milh\u00f5es de pessoas em quest\u00e3o de minutos. O desafio, portanto, n\u00e3o est\u00e1 apenas em desmentir informa\u00e7\u00f5es falsas, mas em entender como elas surgem, se espalham e como podemos promover uma cultura de verifica\u00e7\u00e3o e responsabilidade na dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-foto-por-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa. Foto por Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De campanhas antivacina\u00e7\u00e3o a manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, entenda como as mentiras se espalharam&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":7839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7838"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7838"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7843,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7838\/revisions\/7843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}