{"id":7906,"date":"2025-05-11T08:00:12","date_gmt":"2025-05-11T08:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7906"},"modified":"2025-10-15T13:11:08","modified_gmt":"2025-10-15T13:11:08","slug":"os-softwares-e-a-ciencia-aberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7906","title":{"rendered":"Os softwares e a ci\u00eancia aberta"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"desafios-e-inovacoes-no-brasil-para-democratizar-o-conhecimento\"><span style=\"color: #808080;\">Desafios e inova\u00e7\u00f5es no Brasil para democratizar o conhecimento<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O futuro da ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 apenas na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas em como ele \u00e9 compartilhado \u2014 e o software (aberto ou n\u00e3o), al\u00e9m de fazer parte do conhecimento produzido, permite a produ\u00e7\u00e3o de mais conhecimento, sendo um dos eixos-chave da ci\u00eancia aberta (com publica\u00e7\u00f5es, dados e hardware). Em um mundo cada vez mais interconectado, onde a ci\u00eancia desempenha papel crucial na solu\u00e7\u00e3o de desafios globais, o software desponta como uma ferramenta essencial para democratizar a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. A filosofia do software aberto permite acesso, reuso, adapta\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o, abrindo caminhos para uma ci\u00eancia mais inclusiva, transparente e alinhada \u00e0s necessidades da sociedade.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia aberta tem ganhado for\u00e7a como um movimento que busca ampliar a transpar\u00eancia e a acessibilidade na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Nesse cen\u00e1rio, o software se destaca por eliminar barreiras impostas por licen\u00e7as propriet\u00e1rias e oferecer maior controle, seguran\u00e7a e flexibilidade. \u201cN\u00e3o existe evolu\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia sem compartilhamento de conhecimento, que \u00e9 um dos principais fundamentos do software livre\u201d, afirma Ana Cristina Fricke Matte, professora da Faculdade de Letras da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufmg.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/strong><\/a><\/span> e membro da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/asl.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o de Software Livre (ASL.org)<\/strong><\/a><\/span> e do grupo de <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cienciaaberta.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Ci\u00eancia Aberta do Brasil<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o software \u00e9 a base de boa parte do ecossistema tecnol\u00f3gico moderno. Estima-se que servi\u00e7os livres e de c\u00f3digo aberto s\u00e3o parte de cerca de 80% a 90% de qualquer software moderno (inclusive os softwares fechados e propriet\u00e1rios), como bibliotecas, frameworks e plataformas, de acordo com estimativas da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.linuxfoundation.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Linux Foundation<\/strong><\/a><\/span>. Essa transpar\u00eancia aumenta a confiabilidade e oferece oportunidades para personaliza\u00e7\u00f5es que atendam \u00e0s necessidades de diferentes \u00e1reas do conhecimento, promovendo inova\u00e7\u00e3o colaborativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nao-existe-evolucao-na-ciencia-sem-compartilhamento-de-conhecimento-que-e-um-dos-principais-fundamentos-do-software-livre\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cN\u00e3o existe evolu\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia sem compartilhamento de conhecimento, que \u00e9 um dos principais fundamentos do software livre.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de seu potencial transformador, o desenvolvimento e a ado\u00e7\u00e3o de software livre ou de c\u00f3digo aberto na ci\u00eancia brasileira enfrentam entraves. A falta de infraestrutura tecnol\u00f3gica, capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o obst\u00e1culos significativos. Fabio Kon, professor do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span> e ex-diretor internacional da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.opensource.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Open Source Initiative<\/strong><\/a><\/span>, e Nelson Lago, pesquisador do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span>, destacam que superar essas barreiras \u00e9 crucial para minimizar desigualdades. \u201cO acesso \u00e0s t\u00e9cnicas computacionais e cient\u00edficas \u00e9 essencial para evitar uma separa\u00e7\u00e3o entre os &#8216;letrados&#8217; e &#8216;n\u00e3o-letrados&#8217; em ci\u00eancia e tecnologia\u201d, explicam. Para eles, a ado\u00e7\u00e3o de ferramentas livres tamb\u00e9m ajuda a desmistificar \u00e1reas como a intelig\u00eancia artificial. Tecnologias como Llama e PyTorch tornam conceitos complexos mais acess\u00edveis, favorecendo o di\u00e1logo entre cientistas, m\u00eddia e a popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de estimular o engajamento em projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"producao-de-conhecimento\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o de conhecimento <\/strong><\/h4>\n<p>A ci\u00eancia moderna seria inimagin\u00e1vel sem o uso de software. Seja para analisar dados, simular experimentos, ou criar ferramentas colaborativas, os programas de computador s\u00e3o cruciais em praticamente todas as \u00e1reas do conhecimento, de matem\u00e1tica e f\u00edsica a ci\u00eancias humanas e sociais. O software n\u00e3o \u00e9 apenas uma ferramenta; ele pode ser o pr\u00f3prio objeto de estudo. Diversos projetos de pesquisa no mundo est\u00e3o focados em desenvolver e melhorar c\u00f3digos, consolidando o software como um produto cient\u00edfico essencial. Entretanto, a import\u00e2ncia do software na pesquisa ainda \u00e9 subvalorizada, e seu papel como produto cient\u00edfico merece maior reconhecimento.<\/p>\n<p>O movimento por software livre e de c\u00f3digo aberto est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 ci\u00eancia aberta. Essa abordagem promove a reprodutibilidade e a transpar\u00eancia, pilares fundamentais da ci\u00eancia. Como destaca a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.researchsoft.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Research Software Alliance (ReSA)<\/strong><\/a><\/span><strong>,<\/strong> \u201co software desenvolvido durante a pesquisa deve ser reconhecido e valorizado como elemento vital para o avan\u00e7o cient\u00edfico\u201d. A ReSA, uma organiza\u00e7\u00e3o multinacional, coordena esfor\u00e7os para melhorar a produtividade, qualidade e sustentabilidade do software cient\u00edfico, facilitando colabora\u00e7\u00f5es globais e otimizando recursos.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de software aberto n\u00e3o apenas democratiza o acesso \u00e0 tecnologia, mas tamb\u00e9m reduz custos e viabiliza pesquisas em regi\u00f5es com menos recursos. Al\u00e9m disso, compartilhar c\u00f3digos permite que outros pesquisadores reproduzam e validem os resultados, fortalecendo a confian\u00e7a e acelerando o progresso cient\u00edfico. Para que os resultados de uma pesquisa sejam confi\u00e1veis, eles precisam ser reprodut\u00edveis. Isso significa que outros cientistas devem ser capazes de chegar aos mesmos resultados utilizando os mesmos dados, m\u00e9todos e condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O compartilhamento de software tamb\u00e9m facilita a reutiliza\u00e7\u00e3o. Quando o c\u00f3digo \u00e9 documentado e publicado de forma aberta, ele pode ser compreendido, modificado e ampliado por outros pesquisadores, evitando a duplica\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os. Essa pr\u00e1tica fortalece a replicabilidade, que se refere \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de resultados consistentes ao investigar a mesma quest\u00e3o cient\u00edfica com dados ou m\u00e9todos independentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-software-livre-nos-coloca-na-linha-de-frente-da-ciencia-mesmo-com-menos-recursos-financeiros-do-que-paises-estrangeiros\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO software livre nos coloca na linha de frente da ci\u00eancia, mesmo com menos recursos financeiros do que pa\u00edses estrangeiros.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora o software aberto traga benef\u00edcios evidentes, como maior transpar\u00eancia e colabora\u00e7\u00e3o, ainda existem desafios culturais e t\u00e9cnicos. \u00c9 necess\u00e1rio criar ferramentas acess\u00edveis e promover uma mudan\u00e7a de mentalidade, em que a abertura seja a norma e os resultados de outros possam ser facilmente verificados. Licen\u00e7as de c\u00f3digo aberto, como as permissivas (MIT e Apache) ou as que exigem a manuten\u00e7\u00e3o da abertura em deriva\u00e7\u00f5es (GPL), permitem flexibilidade aos desenvolvedores, preservando direitos autorais e possibilitando futura comercializa\u00e7\u00e3o. \u201cDesenvolver software \u00e9 ci\u00eancia\u201d, refor\u00e7a a ReSA. \u201cExige conhecimento t\u00e9cnico profundo e colabora\u00e7\u00e3o ativa.\u201d<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) tamb\u00e9m reconhece o papel do software aberto em contextos mais amplos. Para a ONU, \u201co termo c\u00f3digo aberto vai al\u00e9m do software, incluindo dados, padr\u00f5es e modelos de IA licenciados abertamente, promovendo sistemas acess\u00edveis com grande potencial para avan\u00e7ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"iniciativas-no-brasil\"><strong>Iniciativas no Brasil<\/strong><\/h4>\n<p>As pol\u00edticas p\u00fablicas e iniciativas voltadas para o uso de software livre ou de c\u00f3digo aberto no Brasil t\u00eam sido fundamentais para promover a soberania tecnol\u00f3gica, democratizar o acesso \u00e0s tecnologias digitais e reduzir desigualdades regionais. Programas do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/strong><\/a><\/span> e da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Capes<\/strong><\/a><\/span> incentivam o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es abertas em projetos acad\u00eamicos e de pesquisa. Nesse cen\u00e1rio, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ccsl.ime.usp.br\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Centro de Compet\u00eancia em Software Livre (CCSL)<\/strong><\/a><\/span>, do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da USP, destaca-se como um importante n\u00facleo de inova\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de possuir uma s\u00e9rie de parcerias internacionais em software livre,\u00a0o CCSL desenvolve projetos como o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/interscity.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>InterSCity<\/strong><\/a><\/span>\u00a0que divulga os resultados de sua pesquisa cient\u00edfica n\u00e3o apenas via artigos cient\u00edficos, mas tamb\u00e9m por meio de produtos de software livre inovadores. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-politicas-de-software-livre-promovem-soberania-tecnologica-e-reduzem-desigualdades-o-ccsl-da-usp-e-referencia-em-inovacao-foto-ccsl-usp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7908\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-768x576.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-800x600.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1-1160x870.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1.<\/strong> <strong>Pol\u00edticas de software livre promovem soberania tecnol\u00f3gica e reduzem desigualdades; o CCSL da USP \u00e9 refer\u00eancia em inova\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/strong>(Foto: CCSL-USP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No setor p\u00fablico, solu\u00e7\u00f5es como o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ieducar.se.df.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>I-Educar<\/strong><\/a><\/span>, para gest\u00e3o escolar, e o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/softwarepublico.gov.br\/social\/cacic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CACIC<\/strong><\/a><\/span>, que diagnostica o parque computacional federal, demonstram como o software livre ou de c\u00f3digo aberto pode aumentar a efici\u00eancia administrativa e reduzir custos. Na \u00e1rea da sa\u00fade, ferramentas do\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/interscity.org\/health\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>InterSCity Health<\/strong><\/a><\/span>\u00a0como o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/healthdashboard.interscity.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>HealthDashboard<\/strong><\/a><\/span>\u00a0e o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/regionalizacao.iepsdata.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Dashboard de Regionaliza\u00e7\u00e3o do SUS<\/strong><\/a><\/span>\u00a0oferecem aos gestores p\u00fablicos a capacidade de analisar milh\u00f5es de dados de sa\u00fade com uma grande agilidade por meio de ferramentas de visualiza\u00e7\u00e3o interativas.<\/p>\n<p>Entre os principais softwares brasileiros de c\u00f3digo aberto destaca-se a linguagem <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.lua.org\/portugues.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lua<\/strong><\/a><\/span>, desenvolvida na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.puc-rio.br\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>PUC-Rio<\/strong><\/a><\/span> e reconhecida como uma das 100 mais utilizadas globalmente. Criada em 1993, Lua \u00e9 amplamente aplicada em simula\u00e7\u00f5es, computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e desenvolvimento de jogos, al\u00e9m de integrar produtos como Adobe Photoshop Lightroom e o middleware Ginga. Roberto Ierusalimschy, professor do Departamento de Inform\u00e1tica da PUC-Rio e co-criador da linguagem, ressalta sua relev\u00e2ncia para pesquisa e mercado: \u201cV\u00e1rias t\u00e9cnicas de programa\u00e7\u00e3o surgem dentro das linguagens e vice-versa. Estudar linguagens de programa\u00e7\u00e3o de forma organizada e consciente \u00e9 essencial tanto para programadores experientes quanto para quem est\u00e1 entrando no mercado.\u201d<\/p>\n<p>Outro destaque brasileiro \u00e9 o conjunto de m\u00f3dulos <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.obt.inpe.br\/OBT\/assuntos\/projetos\/terralib-terraview\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>TerraLib<\/strong><\/a><\/span>, criado pelo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)<\/strong><\/a><\/span>, utilizado no processamento de dados geogr\u00e1ficos e no monitoramento ambiental. A biblioteca TerraLib, que estende sistemas de banco de dados para lidar com informa\u00e7\u00f5es espa\u00e7o-temporais, deu origem a ferramentas como o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.obt.inpe.br\/OBT\/assuntos\/projetos\/terralib-terraview\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>TerraView<\/strong><\/a><\/span>, para an\u00e1lise de dados espaciais, e o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.terraamazon.dpi.inpe.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>TerraAmazon<\/strong><\/a>,<\/span> usado no monitoramento do desmatamento na Amaz\u00f4nia. Antonio Miguel Vieira Monteiro, chefe da Divis\u00e3o de Processamento de Imagens do Inpe, explica: \u201cEsses softwares possibilitam o uso gratuito de dados espaciais em diversos setores, de seguran\u00e7a p\u00fablica a gest\u00e3o urbana, promovendo avan\u00e7os com o estado da arte em tecnologia e an\u00e1lise.\u201d<\/p>\n<p>Ferramentas de c\u00f3digo aberto amplamente utilizadas na ci\u00eancia brasileira, como R, Python, LaTeX e LibreOffice, tamb\u00e9m desempenham papel crucial ao eliminar barreiras financeiras e promover a autonomia tecnol\u00f3gica. \u201cEssas ferramentas oferecem qualidade e versatilidade para atividades como an\u00e1lise de dados e produ\u00e7\u00e3o de artigos, eliminando barreiras como custos ou depend\u00eancia de equipamentos espec\u00edficos\u201d, destaca Fabio Kon. Ele aponta que o uso dessas tecnologias permite que pesquisadores brasileiros acessem ferramentas de ponta mesmo em centros de pesquisa com recursos limitados. Em \u00e1reas como computa\u00e7\u00e3o de alto desempenho e computa\u00e7\u00e3o em nuvem, o uso de softwares livres \u2014 Linux, Docker, linguagens de programa\u00e7\u00e3o e bibliotecas cient\u00edficas \u2014 j\u00e1 \u00e9 considerado padr\u00e3o. Al\u00e9m disso, h\u00e1 v\u00e1rios softwares espec\u00edficos que incorporam avan\u00e7os cient\u00edficos e atendem a necessidades particulares de diversas \u00e1reas do conhecimento \u2014 como, por exemplo, na gen\u00f4mica.<\/p>\n<p>No entanto, desafios permanecem. A resist\u00eancia cultural \u00e0s mudan\u00e7as trazidas pela ci\u00eancia aberta e a falta de investimentos direcionados limitam o avan\u00e7o do software livre ou de c\u00f3digo aberto nacional. Fabio Kon e Nelson Lago ressaltam que superar essas barreiras \u00e9 fundamental para evitar a depend\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es comerciais que dificultam a autonomia cient\u00edfica. Ana Cristina Matte acrescenta que, embora o c\u00f3digo aberto represente um avan\u00e7o significativo, ele ainda deixa em segundo plano quest\u00f5es sociais importantes. \u201cAo dar acesso ao c\u00f3digo, o cientista pode compreender como os dados s\u00e3o trabalhados. No entanto, ao ignorar aspectos como uso, c\u00f3pia e desenvolvimento de softwares derivados, o modelo se torna mais relevante para a ind\u00fastria, o que \u00e9 \u00f3timo, mas insuficiente para uma ci\u00eancia realmente inclusiva e transformadora\u201d, pondera.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-so-evolui-com-o-compartilhamento-de-conhecimentos-diversos-e-a-educacao-por-definicao-e-o-espaco-onde-isso-pode-florescer\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA ci\u00eancia s\u00f3 evolui com o compartilhamento de conhecimentos diversos, e a educa\u00e7\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 o espa\u00e7o onde isso pode florescer.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Especialistas defendem estrat\u00e9gias para ampliar o uso do software livre ou aberto, como pol\u00edticas fiscais para empresas que utilizem ou desenvolvam c\u00f3digo aberto, capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e a inclus\u00e3o do tema no curr\u00edculo escolar. Apesar do potencial do software livre ou aberto como princ\u00edpio para garantir soberania, livre concorr\u00eancia e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais, esse potencial permanece subaproveitado. Solu\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias dominam muitos setores, gerando custos elevados e restringindo a autonomia tecnol\u00f3gica. Para superar esses desafios, especialistas apontam caminhos estrat\u00e9gicos. \u201cOs \u00f3rg\u00e3os de fomento \u00e0 pesquisa ainda s\u00e3o t\u00edmidos ao exigir que os projetos financiados disponibilizem o software produzido como livre\u201d, destaca Fabio Kon. Pol\u00edticas fiscais para empresas que desenvolvam ou utilizem c\u00f3digo aberto, al\u00e9m de capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para servidores p\u00fablicos e inclus\u00e3o do tema no curr\u00edculo escolar, podem ser uma solu\u00e7\u00e3o, sugere Ana Cristina Matte. \u201cA computa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser pensada como disciplina extra; dependemos dela para tudo. \u00c9 fundamental que fa\u00e7a parte do Ensino B\u00e1sico, assim como a l\u00f3gica e a matem\u00e1tica\u201d, defende a pesquisadora.<\/p>\n<p>Campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre os benef\u00edcios do software livre ou de c\u00f3digo aberto podem acelerar sua aceita\u00e7\u00e3o no setor p\u00fablico e privado. Confer\u00eancias, eventos e hackathons, al\u00e9m de programas de mentoria, ajudam a demonstrar casos de sucesso e a fomentar redes colaborativas de desenvolvedores. Al\u00e9m disso, o Brasil j\u00e1 conta com uma base s\u00f3lida de desenvolvedores que contribuem para comunidades globais, como a do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/moodle.com\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Moodle<\/strong><\/a><\/span>, e criam solu\u00e7\u00f5es competitivas internacionalmente. Contudo, h\u00e1 resist\u00eancia cultural ao software livre ou aberto, em parte devido \u00e0 propaganda de grandes corpora\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de qualidade e agilidade na pesquisa. O software livre nos coloca na linha de frente da ci\u00eancia, mesmo com menos recursos financeiros do que pa\u00edses estrangeiros\u201d, refor\u00e7a Ana Cristina Matte, que defende que a promo\u00e7\u00e3o deste software deve ser encarada como uma pol\u00edtica estrat\u00e9gica para o desenvolvimento sustent\u00e1vel do Brasil, que fortalece a autonomia do pa\u00eds, gera oportunidades econ\u00f4micas e sociais e posiciona o Brasil como l\u00edder global em solu\u00e7\u00f5es colaborativas e acess\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"acesso-a-educacao\"><strong>Acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O software de c\u00f3digo aberto representa um poderoso instrumento para transformar a educa\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es perif\u00e9ricas e rurais do Brasil, al\u00e9m de integrar comunidades historicamente marginalizadas, como ind\u00edgenas e quilombolas, ao universo cient\u00edfico. Sua gratuidade e flexibilidade eliminam barreiras financeiras, permitindo que escolas e projetos comunit\u00e1rios adotem ferramentas tecnol\u00f3gicas mesmo em contextos de recursos limitados. Assim, o software livre ou de c\u00f3digo aberto democratiza o acesso ao conhecimento e fortalece iniciativas que promovem inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>Para jovens em regi\u00f5es remotas, projetos que ensinam programa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de sistemas com base em softwares livres ou abertos abrem portas para o mercado de tecnologia, um dos setores mais din\u00e2micos globalmente. No ensino fundamental e m\u00e9dio, essas ferramentas contribuem para reduzir desigualdades educacionais, desde que acompanhadas de infraestrutura adequada, profissionais capacitados e pol\u00edticas de incentivo \u00e0 perman\u00eancia escolar. \u201cO software livre reduz custos para escolas e alunos, j\u00e1 que programas essenciais, como Linux, LibreOffice e alguns navegadores, podem ser instalados e atualizados facilmente, mesmo em computadores obsoletos. Isso facilita a reutiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos e amplia o acesso a ferramentas tecnol\u00f3gicas\u201d, destaca Nelson Lago.<\/p>\n<p>No ensino superior, o impacto do uso do software livre \u00e9 ainda mais abrangente. Ele possibilita o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, o acesso a cursos especializados e o desenvolvimento de pesquisas colaborativas. Al\u00e9m disso, fomenta a ci\u00eancia aberta, essencial para que jovens pesquisadores possam reproduzir, analisar e criticar estudos de qualquer lugar do mundo. \u201cO acesso a dados abertos e ao software necess\u00e1rio para process\u00e1-los permite recontextualizar pesquisas para as especificidades de comunidades diversas, ampliando a aplicabilidade de estudos e fortalecendo a inclus\u00e3o cient\u00edfica\u201d, explica F\u00e1bio Kon.<\/p>\n<p>Para comunidades ind\u00edgenas e quilombolas, o software de c\u00f3digo aberto viabiliza solu\u00e7\u00f5es que respeitam suas especificidades culturais e lingu\u00edsticas. Ferramentas como plataformas de aprendizado podem ser adaptadas para incluir idiomas tradicionais e conte\u00fados que preservem suas hist\u00f3rias e conhecimentos. Essa abordagem n\u00e3o apenas promove a inclus\u00e3o digital, mas valoriza o patrim\u00f4nio cultural. \u201cAs comunidades mais isoladas enfrentam barreiras de acesso \u00e0 tecnologia educacional, al\u00e9m de um contexto de desvaloriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, como ocorre na Educa\u00e7\u00e3o do Campo\u201d, pontua Ana Cristina Matte. Segundo a pesquisadora, este software oferece solu\u00e7\u00f5es leves, compat\u00edveis com celulares b\u00e1sicos e funcionais mesmo em redes de internet deficit\u00e1rias. \u201cAl\u00e9m disso, comunidades brasileiras de software livre j\u00e1 desenvolveram tecnologias para melhorar o acesso \u00e0 internet via redes locais integradas, assim como ferramentas para a produ\u00e7\u00e3o de equipamentos a partir de tecnologias abertas\u201d, afirma. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-software-de-codigo-aberto-transforma-a-educacao-e-integra-comunidades-marginalizadas-ao-universo-cientifico-foto-marcelo-camargo-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7907\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-reportagem-software-livre-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. <\/strong><strong>Software de c\u00f3digo aberto transforma a educa\u00e7\u00e3o e integra comunidades marginalizadas ao universo cient\u00edfico.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O uso de software livre ou de c\u00f3digo aberto tamb\u00e9m fomenta uma ci\u00eancia mais inclusiva ao incentivar a participa\u00e7\u00e3o ativa de comunidades locais em projetos cient\u00edficos. Ferramentas colaborativas permitem que moradores monitorem seus territ\u00f3rios, coletem dados sobre biodiversidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e contribuam diretamente para pesquisas. Essa abordagem promove o di\u00e1logo entre o conhecimento local e a ci\u00eancia formal. \u201cPrecisamos pensar a ci\u00eancia de forma cidad\u00e3, incluindo a vis\u00e3o de mundo de comunidades exclu\u00eddas, como quilombolas e ind\u00edgenas, assim como de outros grupos marginalizados. A ci\u00eancia s\u00f3 evolui com o compartilhamento de conhecimentos diversos, e a educa\u00e7\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 o espa\u00e7o onde isso pode florescer\u201d, enfatiza Ana Cristina Matte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-software-desenvolvido-em-pesquisas-e-vital-para-o-avanco-cientifico-e-deve-ser-valorizado-foto-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa.<\/strong><strong> Software desenvolvido em pesquisas \u00e9 vital para o avan\u00e7o cient\u00edfico e deve ser valorizado.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desafios e inova\u00e7\u00f5es no Brasil para democratizar o conhecimento &nbsp; O futuro&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":7909,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7906"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7906"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7906\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9129,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7906\/revisions\/9129"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}