{"id":7915,"date":"2025-02-11T08:00:42","date_gmt":"2025-02-11T08:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7915"},"modified":"2025-04-14T18:37:58","modified_gmt":"2025-04-14T18:37:58","slug":"ciencia-aberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=7915","title":{"rendered":"Ci\u00eancia Aberta: cria\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"mudancas-culturais-nas-boas-praticas-de-pesquisa-para-o-compartilhamento-do-conhecimento-como-bem-publico\"><span style=\"color: #808080;\">Mudan\u00e7as culturais nas boas pr\u00e1ticas de pesquisa para o compartilhamento do conhecimento como bem p\u00fablico.<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"visao-conceitual\"><strong>Vis\u00e3o conceitual<\/strong><\/h4>\n<p>O termo \u201cCi\u00eancia Aberta\u201d tem muitas defini\u00e7\u00f5es diferentes, dependendo de quem o emprega e com que objetivo. H\u00e1 v\u00e1rios estudos que se preocupam com os princ\u00edpios desse movimento (o que \u00e9?), destacando-se dentre eles as recomenda\u00e7\u00f5es da Unesco,<sup>[1]<\/sup> que levaram mais de 2 anos a serem elaboradas, ap\u00f3s consultas aos pa\u00edses membro, entidades cient\u00edficas e grupos de pesquisadores. J\u00e1 outros se preocupam com quest\u00f5es de implementa\u00e7\u00e3o computacional (como?) e ainda outros com pol\u00edticas e custos. Fato \u00e9 que o foco \u00e9 na cria\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento por meio da colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores (\u00e0s vezes envolvendo n\u00e3o-cientistas), direta ou indiretamente, de forma a que tudo que \u00e9 usado e produzido em qualquer pesquisa possa ser livremente reutilizado em outras pesquisas. \u201cColabora\u00e7\u00e3o em pesquisa, sem fronteiras\u201d seja talvez um dos conceitos b\u00e1sicos associados.<\/p>\n<p>Como destacado no <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Open-Science-Overview-and-General-Recommendations.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>relat\u00f3rio de 2023<\/strong><\/a> <\/span>da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) sobre Ci\u00eancia Aberta,<sup>[2]<\/sup> o termo Ci\u00eancia Aberta \u201c\u00e9 normalmente usado para indicar o conjunto de pol\u00edticas, iniciativas e a\u00e7\u00f5es para disseminar conhecimento, normalmente por meios digitais, de forma que todos os objetos associados \u00e0 pesquisa cient\u00edfica se tornem acess\u00edveis a todos, sejam reutiliz\u00e1veis e permitam a reprodutibilidade\u201d. O principal objetivo da Ci\u00eancia Aberta \u00e9 promover inova\u00e7\u00e3o e o avan\u00e7o do conhecimento por meio de colabora\u00e7\u00e3o, compartilhamento e reutiliza\u00e7\u00e3o de resultados da pesquisa, independente de barreiras geogr\u00e1ficas, temporais, pol\u00edticas, sociais ou culturais. Caracter\u00edsticas adicionais da Ci\u00eancia Aberta incluem transpar\u00eancia das pr\u00e1ticas cient\u00edficas e possibilidade de verifica\u00e7\u00e3o independente, garantindo assim confian\u00e7a na integridade da pesquisa.<\/p>\n<p>A pesquisa conduzida em um ecossistema de Ci\u00eancia Aberta envolve e induz um conjunto de boas pr\u00e1ticas, todas visando compartilhamento dos \u201cartefatos\u201d associados a uma pesquisa \u2014 como publica\u00e7\u00f5es, dados, algoritmos, processos computacionais, software, especifica\u00e7\u00f5es de design de hardware e metodologias usadas para conduzir um determinado projeto de pesquisa. Desta forma, Ci\u00eancia Aberta pressup\u00f5e que toda pesquisa, desde sua concep\u00e7\u00e3o, deve se preocupar com dissemina\u00e7\u00e3o \u2014 da especifica\u00e7\u00e3o dos problemas sendo tratados, da metodologia, dos resultados \u2014 como muito bem discutido no <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.nap.edu\/catalog\/25116\/open-science-by-design-realizing-a-vision-for-21st-century\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/a> <\/span>da <em>National Academy of Sciences<\/em> dos Estados Unidos, denominado \u201c<em>Open Science by Design<\/em>\u201d,<sup>[3]<\/sup> que destaca o fato que Ci\u00eancia Aberta \u00e9 algo que se planeja, e n\u00e3o uma consequ\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o posterior dos objetos para compartilhamento futuro. Esta concep\u00e7\u00e3o de fazer ci\u00eancia est\u00e1 acarretando grandes mudan\u00e7as culturais em todo o mundo, um processo gradativo em andamento.<\/p>\n<p>A <strong>Figura 1<\/strong> ilustra o ecossistema da Ci\u00eancia Aberta do ponto de vista dos pesquisadores. Ela \u00e9 reproduzida de um <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.interacademies.org\/sites\/default\/files\/2020-07\/Open_Science_0.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/a><\/span> <sup>[4]<\/sup> da <em>Interacademy Partnership<\/em> (IAP), um \u00f3rg\u00e3o que congrega cerca de 150 Academias de Ci\u00eancia nacionais ou regionais, produzido em 2020 para subsidiar as Recomenda\u00e7\u00f5es da Unesco sobre Ci\u00eancia Aberta. Concebida por representantes de 10 Academias de Ci\u00eancia de todo o mundo (\u00c1frica do Sul, Brasil, Benin, Col\u00f4mbia, Estados Unidos, Filipinas, Finl\u00e2ndia, It\u00e1lia, Paquist\u00e3o, e a <em>Global Young Academy<\/em>), tem tamb\u00e9m feedback de representantes das Academias da Hungria, Fran\u00e7a e Jap\u00e3o, e representa os principais atores e agentes do ecossistema de Ci\u00eancia Aberta.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-ecossistema-da-ciencia-aberta-do-ponto-de-vista-dos-pesquisadoresfonte-imagem-reproduzida-do-relatorio-4-da-interacademy-partnership-iap\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-7916\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-300x190.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"444\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-300x190.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-1024x649.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-768x487.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-800x507.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1-1160x735.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CC-1E25-editorial-figura1.jpg 1533w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. <\/strong><strong>Ecossistema da Ci\u00eancia Aberta do ponto de vista dos pesquisadores<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Imagem reproduzida do <a href=\"https:\/\/www.interacademies.org\/sites\/default\/files\/2020-07\/Open_Science_0.pdf\"><strong>relat\u00f3rio<\/strong><\/a> <sup>[4]<\/sup> da <em>Interacademy Partnership<\/em> &#8211; IAP)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Centrada na no\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia Aberta para colabora\u00e7\u00e3o global, ilustra como pesquisadores do mundo inteiro colaboram trocando resultados e pr\u00e1ticas cient\u00edficas, que por sua vez produzir\u00e3o novos resultados, modificando e ampliando as pr\u00e1ticas existentes. Cada uma das caixas associadas, de cima \u00e0 direita, na dire\u00e7\u00e3o dos ponteiros de um rel\u00f3gio, cont\u00e9m palavras-chave que destacam: os princ\u00edpios b\u00e1sicos (confian\u00e7a, equidade, inclus\u00e3o, responsabilidade na execu\u00e7\u00e3o de uma pesquisa), os fatores que permitem seu funcionamento (mudan\u00e7a cultural, treinamento, capacita\u00e7\u00e3o, financiamento), agentes facilitadores (legisladores, criadores de pol\u00edticas, ag\u00eancias de fomento, educadores, pessoal t\u00e9cnico e editoras), a infraestrutura computacional necess\u00e1ria (redes de computadores, reposit\u00f3rios, software, hardware), benefici\u00e1rios (ci\u00eancia, tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e a sociedade como um todo) e algumas pr\u00e1ticas importantes (concep\u00e7\u00e3o visando abertura e reuso, ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es, documenta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Um dos princ\u00edpios b\u00e1sicos \u2014 condu\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel da pesquisa \u2014 inclui todas as quest\u00f5es de \u00e9tica em pesquisa, amplamente tratada pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira (por exemplo, a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados brasileira quando a pesquisa envolve seres humanos). Nesse sentido, os comit\u00eas de \u00e9tica s\u00e3o essenciais para garantir as boas pr\u00e1ticas de Ci\u00eancia Aberta. Ao mesmo tempo, muito precisa ser feito para adaptar as pr\u00e1ticas de alguns desses comit\u00eas ao \u201cnovo mundo de pesquisa baseada em infraestrutura computacional\u201d. Abertura n\u00e3o significa que tudo \u00e9 aberto, mas o fechamento total pode ser nocivo ao avan\u00e7o do conhecimento.<\/p>\n<p>A figura se destaca da maioria das ilustra\u00e7\u00f5es que apresentam a Ci\u00eancia Aberta por identificar v\u00e1rios conjuntos de fatores importantes que se complementam e interagem no ecossistema correspondente. Ela mostra que a infraestrutura computacional \u00e9 apenas um dos muitos fatores necess\u00e1rios para se atingir a Ci\u00eancia Aberta Embora sem a infraestrutura n\u00e3o se possa implementar a Ci\u00eancia Aberta, tal infraestrutura precisa ser constru\u00edda a partir dos princ\u00edpios norteadores, dependendo de pessoas e pr\u00e1ticas, e sempre visando os benefici\u00e1rios. Nota-se tamb\u00e9m que algumas das propriedades importantes associadas, como transpar\u00eancia ou reprodutibilidade, n\u00e3o s\u00e3o mencionadas na figura (embora sejam destacadas no relat\u00f3rio). Na verdade, tais propriedades podem ser consideradas consequ\u00eancia das boas pr\u00e1ticas de praticar ci\u00eancia com abertura. Outras vis\u00f5es, como as da Unesco,<sup>[5]<\/sup> se concentram nos artefatos associados.<\/p>\n<p>Todos esses conceitos e defini\u00e7\u00f5es definem \u201co que\u201d \u2014 Ci\u00eancia Aberta se baseia em colabora\u00e7\u00e3o sem fronteiras, por meio de troca de informa\u00e7\u00f5es. No entanto, faltam mais detalhes para permitir o entendimento \u2014 \u201co que deve ser compartilhado\u201d, \u201conde\u201d, \u201ccomo\u201d, \u201cquando\u201d, mostrando claramente a separa\u00e7\u00e3o entre princ\u00edpios e as boas pr\u00e1ticas que os implementam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"implementacao-no-mundo-digital-repositorios-interligados-e-atores\"><strong>Implementa\u00e7\u00e3o no mundo digital \u2013 reposit\u00f3rios interligados e atores<\/strong><\/h4>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 parte integral da vida de um pesquisador \u2014 h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos pesquisadores trocam ideias por correspond\u00eancia, raz\u00e3o pela qual alguns afirmam que a Ci\u00eancia Aberta surgiu h\u00e1 s\u00e9culos. Hoje, ela est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 sua viabiliza\u00e7\u00e3o por meios digitais, de forma que, frequentemente, quando se fala em Ci\u00eancia Aberta, as pessoas pensam imediatamente na sua implementa\u00e7\u00e3o digital, baseada na interliga\u00e7\u00e3o, via redes de computadores, de <em>reposit\u00f3rios<\/em>. Estes \u00faltimos armazenam e disponibilizam, dentre outros, publica\u00e7\u00f5es (acesso aberto), software, dados, especifica\u00e7\u00f5es de hardware, algoritmos, metodologias, sempre os associando a alguma pesquisa. Publica\u00e7\u00f5es, dados e software s\u00e3o normalmente considerados os tr\u00eas principais pilares do ecossistema de Ci\u00eancia Aberta, sendo inclusive tratados como resultados de pesquisa igualmente importantes. O seu reaproveitamento pode avan\u00e7ar o conhecimento e, no caso de dados ou software, diminuir os custos de novas coletas ou recodifica\u00e7\u00e3o. Muitos dizem, inclusive, que o software \u00e9 um tecido que permite conectar pesquisas, interpretando e visualizando os dados e permitindo tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ciencia-aberta-e-algo-que-se-planeja-e-nao-uma-consequencia-de-documentacao-posterior-dos-objetos-para-compartilhamento-futuro\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cCi\u00eancia Aberta \u00e9 algo que se planeja, e n\u00e3o uma consequ\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o posterior dos objetos para compartilhamento futuro.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reposit\u00f3rios podem ser vistos como uma infraestrutura complexa que envolve hardware, software e pessoal especializado em cri\u00e1-los e mant\u00ea-los, cuidando da integridade, curadoria e preserva\u00e7\u00e3o dos artefatos de pesquisa que cont\u00eam. A cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de reposit\u00f3rios exige equipes multidisciplinares, incluindo profissionais de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e, normalmente, pessoal com forma\u00e7\u00e3o em arquivologia ou ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o, que tenham tido treinamento nas pr\u00e1ticas de Ci\u00eancia Aberta. Como mostram todos os exemplos bem sucedidos no mundo para essa infraestrutura, a gest\u00e3o desses reposit\u00f3rios exige um grupo composto por esses dois tipos de profissionais e tamb\u00e9m, necessariamente, pesquisadores experientes em v\u00e1rios dom\u00ednios do conhecimento \u2014 tipicamente representando grandes \u00e1reas do conhecimento. Via de regra, a viabilidade dessas estruturas depende de normatiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em uma institui\u00e7\u00e3o, tornando-se parte da sua \u201cpol\u00edtica de estado\u201d, para garantir sua perman\u00eancia \u2014 por exemplo, em universidades do mundo inteiro, e tamb\u00e9m no Brasil, reposit\u00f3rios para a Ci\u00eancia Aberta est\u00e3o atrelados a alguma inst\u00e2ncia da reitoria, em geral pr\u00f3-reitoras de pesquisa ou equivalentes.<\/p>\n<p>A cataloga\u00e7\u00e3o dos arquivos exige participa\u00e7\u00e3o intensa dos pesquisadores envolvidos, pois cada tipo de pesquisa tem descri\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e metadados espec\u00edficos, sem os quais n\u00e3o se pode encontrar os arquivos desejados. Exemplos s\u00e3o as grandes diferen\u00e7as encontradas entre padr\u00f5es de metadados em ci\u00eancias sociais, astronomia, computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, biol\u00f3gicas, engenharias ou sa\u00fade, todos bem diferentes entre si. Normalmente, no mundo inteiro, a curadoria dos arquivos \u00e9 realizada pelos pesquisadores \u2014 s\u00e3o eles os autores e respons\u00e1veis pela veracidade dos artigos, ou dos conjuntos de dados, ou do software. Nenhuma pessoa, sozinha, qualquer que seja sua forma\u00e7\u00e3o, consegue dar conta dos m\u00faltiplos pap\u00e9is, conhecimento e habilidades necess\u00e1rias para apoiar o funcionamento do ecossistema de Ci\u00eancia Aberta.<\/p>\n<p>Internamente, o conte\u00fado de um reposit\u00f3rio \u00e9 dividido em um cat\u00e1logo e pelos arquivos propriamente ditos. O cat\u00e1logo descreve (e aponta para) os arquivos (publica\u00e7\u00f5es, dados, hardware, software) produzidos pelos cientistas, de forma que qualquer um ache os arquivos que deseja, a partir de consultas ao cat\u00e1logo. Esta separa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para se entender a implementa\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia Aberta, tamb\u00e9m descrita como \u201ct\u00e3o aberta quanto poss\u00edvel, t\u00e3o fechada quanto necess\u00e1ria\u201d. Os cat\u00e1logos s\u00e3o abertos, mas os arquivos para os quais apontam podem seguir v\u00e1rias pol\u00edticas de privacidade e restri\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado.<\/p>\n<p>Ci\u00eancia Aberta n\u00e3o significa que tudo \u00e9 dispon\u00edvel e aberto \u2014 h\u00e1 quest\u00f5es \u00e9ticas e legais (e at\u00e9 mesmo de seguran\u00e7a nacional) que impedem a abertura total de tudo. No entanto, o simples fato de j\u00e1 haver uma cataloga\u00e7\u00e3o ajuda a organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e permite que, quando desejado, pessoas interessadas em conte\u00fado fechado contatem os respons\u00e1veis (autores) para mais informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se o texto at\u00e9 aqui se concentrou em pesquisadores, \u00e9 importante destacar uma das vertentes da Ci\u00eancia Aberta, denominada Ci\u00eancia Cidad\u00e3, em que n\u00e3o-cientistas devidamente treinados participam da co-cria\u00e7\u00e3o do conhecimento. In\u00fameros projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3 s\u00e3o inclusive iniciados por n\u00e3o-cientistas, sendo posteriormente continuados com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores. O envolvimento, por exemplo, de povos ind\u00edgenas nesse processo \u00e9 uma das formas da ci\u00eancia cidad\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"abertura-nao-significa-que-tudo-e-aberto-mas-o-fechamento-total-pode-ser-nocivo-ao-avanco-do-conhecimento\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAbertura n\u00e3o significa que tudo \u00e9 aberto, mas o fechamento total pode ser nocivo ao avan\u00e7o do conhecimento.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de ser aplic\u00e1vel a todos os tipos de pesquisa praticada em qualquer ambiente, p\u00fablico ou privado, as recomenda\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas da Ci\u00eancia Aberta se referem, em geral, \u00e0 pesquisa financiada com verbas p\u00fablicas. O princ\u00edpio fundamental \u00e9 que os <em>resultados de pesquisas financiadas por dinheiro p\u00fablico s\u00e3o um bem p\u00fablico<\/em>. Em tais casos, esses resultados devem ser disponibilizados publicamente a todos os setores \u2014 a comunidade cient\u00edfica, empresas, governo e, principalmente, a sociedade como um todo \u2014 o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, respeitando quest\u00f5es legais e \u00e9ticas, como privacidade, seguran\u00e7a ou propriedade intelectual. Isto n\u00e3o impede, no entanto, a ampla participa\u00e7\u00e3o de entidades privadas no movimento de Ci\u00eancia Aberta, como j\u00e1 vem ocorrendo fora do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mudanca-de-cultura-e-politica-nacional\"><strong>Mudan\u00e7a de cultura e pol\u00edtica nacional<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 importante retomar os princ\u00edpios b\u00e1sicos da Ci\u00eancia Aberta j\u00e1 aqui citados (confian\u00e7a, equidade, inclus\u00e3o, responsabilidade e \u00e9tica na execu\u00e7\u00e3o de uma pesquisa),\u00a0e mostrar como esses princ\u00edpios se\u00a0\u00a0 afinam aos princ\u00edpios de uma sociedade democr\u00e1tica que levam tamb\u00e9m \u00e0 equidade, transpar\u00eancia, colabora\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a social e inclus\u00e3o. Numa democracia, n\u00e3o \u00e9 suficiente produzir representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com base no sufr\u00e1gio, precisa-se governar democraticamente. Torna-se imperativo, ent\u00e3o, enfrentar, eficientemente, os desafios apresentados pela sociedade democr\u00e1tica nos mais variados setores, como \u00e9 o caso aqui analisado da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento possibilitada pela ci\u00eancia aberta.<\/p>\n<p>Acresce-se que o processo de democratiza\u00e7\u00e3o das sociedades faz com que, cada vez mais, a imprensa, as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs) e a sociedade civil organizada procurem exercer influ\u00eancia para que a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica tenha uma maior responsabilidade social e para isso, ela precisa ser mais transparente. Nesse sentido, se poderia supor que as demandas sociais aumentem em v\u00e1rios setores, inclusive no que concerne \u00e0 Ci\u00eancia e \u00e0 Tecnologia e, mais especificamente, no que se refere \u00e0 ci\u00eancia aberta. Essa ideia est\u00e1 presente em alguns estudos na \u00e1rea de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade, uma delas citada a seguir: \u201cSe, no s\u00e9culo passado, a ci\u00eancia falou para a sociedade, neste s\u00e9culo, a sociedade passa a falar para a ci\u00eancia\u201d.<sup>[6]<\/sup><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia Aberta, com as exce\u00e7\u00f5es nos casos que envolvem seguran\u00e7a, quest\u00f5es \u00e9ticas ou legais, a abertura dos \u201cartefatos\u201d associados (artigos, software, dados, especifica\u00e7\u00f5es) pode possibilitar o avan\u00e7o da ci\u00eancia e da inova\u00e7\u00e3o enquanto outros cientistas podem ir adiante nos resultados alcan\u00e7ados ou at\u00e9 os contestar. Essa possibilidade aumenta a confian\u00e7a e a legitimidade da ci\u00eancia refor\u00e7ando que, numa sociedade democr\u00e1tica, a legitimidade tamb\u00e9m \u00e9 um aspecto importante, al\u00e9m do fato, de tornar a ci\u00eancia mais valorizada e consequentemente, com possibilidades de maiores financiamentos e maior aproveitamento do conhecimento.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es aqui levantadas referentes ao contexto democr\u00e1tico e \u00e0s caracter\u00edsticas da Cci\u00eancia Aberta levam \u00e0 necessidade,\u00a0\u00a0 no Brasil, de se elaborar uma pol\u00edtica de ci\u00eancia aberta\u00a0\u00a0 que contemple \u00a0os fatores que permitem seu funcionamento (mudan\u00e7a cultural, treinamento, capacita\u00e7\u00e3o, financiamento), e outros discutidos na Figura 1 &#8211; agentes facilitadores, a infraestrutura computacional necess\u00e1ria e algumas pr\u00e1ticas importantes (concep\u00e7\u00e3o visando abertura e reuso, ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es, documenta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Ainda que a Ci\u00eancia Aberta seja um movimento mundial que prop\u00f5e uma mudan\u00e7a cultural na forma como a ci\u00eancia \u00e9 produzida, compartilhada e comunicada, a mudan\u00e7a cultural tamb\u00e9m se constitui o maior desafio (sem secundarizar os outros fatores que permitem o seu funcionamento j\u00e1 citados), exigindo mais tempo e enfrentando muitas dificuldades, pois a cultura influencia a ci\u00eancia atrav\u00e9s de narrativas, mitos, e a maneira como diferentes sociedades encaram a pesquisa e a inova\u00e7\u00e3o. E a cultura que domina continua arraigada na publica\u00e7\u00e3o dos resultados das pesquisas e n\u00e3o dos dados ou de outros resultados, como software, ainda que Robert Merton j\u00e1 em 1942, descreveu \u201cquatro conjuntos de imperativos institucionais que determinam o ethos da ci\u00eancia moderna: comunismo, universalismo, comunica\u00e7\u00e3o, desinteresse e ceticismo organizado\u201d.<sup>[7]<\/sup><\/p>\n<p>Finalmente, uma \u00faltima observa\u00e7\u00e3o sobre a mudan\u00e7a cultural. Faz parte da pr\u00e1tica cient\u00edfica o rigor na pesquisa e a documenta\u00e7\u00e3o do que foi feito, para permitir verifica\u00e7\u00e3o e reprodutibilidade. \u00c9 tamb\u00e9m consenso que a colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 realidade. Sob tal perspectiva, o que mudou com o aparecimento da ci\u00eancia aberta? A democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento ensejada pela abertura tamb\u00e9m significa repensar o que significa reuso. A no\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o por meio de reuso de resultados abertos agora inclui gente com quem talvez nunca conhe\u00e7amos, e que vai reusar nosso trabalho disponibilizado abertamente. Com isso, a documenta\u00e7\u00e3o precisa tamb\u00e9m se preocupar com reuso por pesquisadores de outras \u00e1reas (exigindo mais detalhes) ou para outros fins n\u00e3o imaginados. Por exemplo, dados obtidos de estudos sobre Covid podem ser reusados (e o foram) para desenvolver novos sistemas que facilitem a visualiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o necessariamente associados a quest\u00f5es de sa\u00fade. Ou um algoritmo criado para analisar textos pode ser (e o foi) usado para processar cadeias de DNA, nas origens da bioinform\u00e1tica. Editores de jornais franceses jamais imaginariam que um jornal serviria de material para obras de arte, como as colagens de Picasso ou Braque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-resultados-de-pesquisas-financiadas-por-dinheiro-publico-sao-um-bem-publico\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOs resultados de pesquisas financiadas por dinheiro p\u00fablico s\u00e3o um bem p\u00fablico.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Combinada a este \u201creuso para fins n\u00e3o imaginados\u201d, a abertura em si cria inseguran\u00e7a entre pesquisadores \u2014 por exemplo, se os dados abertos forem usados para fins ilegais. No entanto, m\u00e1 ci\u00eancia,<sup>[8]<\/sup> m\u00e1-f\u00e9 e desonestidade n\u00e3o s\u00e3o evitadas por resultados fechados; ao contr\u00e1rio, a abertura facilita o reconhecimento de pl\u00e1gio. Al\u00e9m disso, como j\u00e1 mencionado, existem v\u00e1rias grada\u00e7\u00f5es de abertura (t\u00e3o aberto quanto poss\u00edvel, t\u00e3o fechado quanto necess\u00e1rio). E o entendimento de tudo isso faz parte da mudan\u00e7a cultural.<\/p>\n<p>Este n\u00famero especial da Ci\u00eancia e Cultura aborda algumas das in\u00fameras facetas da Ci\u00eancia Aberta no Brasil e no mundo, com artigos, entrevistas, v\u00eddeo e podcast, com contribui\u00e7\u00f5es de pesquisadores de v\u00e1rias \u00e1reas, v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil e exterior, ilustrando a riqueza e a complexidade deste novo mundo. Quest\u00f5es cient\u00edficas, culturais, tecnol\u00f3gicas, econ\u00f4micas, em que o foco \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento &#8211; e em que, sempre, pessoas s\u00e3o o ponto chave. Para conhecer ainda mais, sugerimos as organiza\u00e7\u00f5es multinacionais Research Data Alliance,<sup>[9]<\/sup> World Data System <sup>[10]<\/sup> e Research Software Alliance <sup>[11]<\/sup> \u2013 respectivamente tratando de dados abertos, reposit\u00f3rios institucionais e software de pesquisa aberto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-a-ciencia-aberta-pressupoe-que-toda-pesquisa-desde-sua-concepcao-deve-se-preocupar-com-a-ampla-disseminacao-incluindo-a-descricao-dos-problemas-em-discussao-a-metodologia-e-os-resulta\"><strong>Capa. <\/strong><strong>A Ci\u00eancia Aberta pressup\u00f5e que toda pesquisa, desde sua concep\u00e7\u00e3o, deve se preocupar com a ampla dissemina\u00e7\u00e3o &#8211; incluindo a descri\u00e7\u00e3o dos problemas em discuss\u00e3o, a metodologia e os resultados.<br \/>\n<\/strong>(Fonte. Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>NOTAS<\/strong><\/span><\/h5>\n<h5 id=\"1-unesco-2021-unesco-recommendation-on-open-science-document-sc-pcb-spp-2021-os-uros-https-unesdoc-unesco-org-ark-48223-pf0000379949-localeen-acesso-em-janeiro-de-2025\"><span style=\"color: #808080;\">[1] UNESCO. 2021. UNESCO Recommendation on Open Science. Document SC-PCB-SPP\/2021\/OS\/UROS. &lt;https:\/\/unesdoc.unesco.org\/ark:\/48223\/pf0000379949.locale=en&gt;, acesso em janeiro de 2025.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"2-medeiros-c-b-laender-a-h-f-packer-a-val-a-l-brito-cruz-c-h-chavez-c-v-f-g-marques-e-c-l-kon-f-cendes-i-l-barcinski-m-a-sluys-m-v-almeida-u-b\"><span style=\"color: #808080;\">[2] Medeiros, C. B.; Laender, A. H. F. Packer, A. ; Val, A. L. ; Brito Cruz, C. H. ; Chavez, C. v F. G. ; Marques, E. C. L. ; Kon, F. ; Cendes, I. L. ; Barcinski, M. A. ; Sluys, M. V. ; Almeida, U. B. . Open Science &#8211; Overview and General Recommendations. 1. ed. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciencias, 2023. v. 1. 77p. https:\/\/www.abc.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Open-Science-Overview-and-General-Recommendations.pdf, acessado em fevereiro de 2025<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"3-national-academies-of-sciences-engineering-and-medicine-2018-open-science-by-design-washington-dc-the-national-academies-press-https-www-nap-edu-catalog-25116-open-science-by-design\"><span style=\"color: #808080;\">[3] NATIONAL ACADEMIES OF SCIENCES, ENGINEERING, AND MEDICINE. 2018. Open Science by Design. Washington, DC: The National Academies Press. &lt;https:\/\/www.nap.edu\/catalog\/25116\/open-science-by-design-realizing-a-vision-for-21st-century&gt;, acesso em dezembro de 2024<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"4-medeiros-c-b-darboux-b-sanchez-j-a-tenkanen-h-meneghetti-m-l-shinwari-z-k-montoya-j-c-smith-i-mccray-a-t-vermeir-k-iap-report-into-the-unesco-open-scien\"><span style=\"color: #808080;\">[4] Medeiros, C.B.; Darboux, B. ; Sanchez, J. A. ; Tenkanen, H. ; Meneghetti, M. L. ; Shinwari, Z. K. ; Montoya, J. C. ; Smith, I. ; MCcray, A. T. ; Vermeir, K. . IAP Report into the UNESCO Open Science Recommendation. Trieste: Interacademy Partnership, 2020. https:\/\/www.interacademies.org\/sites\/default\/files\/2020-07\/Open_Science_0.pdf, acesso em fevereiro de 2025.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"5-unesco-open-science-disponivel-em-https-en-unesco-org-science-sustainable-future-open-science\"><span style=\"color: #808080;\">[5] UNESCO.\u00a0Open Science. Dispon\u00edvel em:\u00a0https:\/\/en.unesco.org\/science-sustainable-future\/open-science<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"6-nowotny-helga-scott-peter-gibbons-michael-re-thinking-science-knowledge-and-the-public-in-an-age-of-uncertanty-london-blackwell-publishing-2001-278-p\"><span style=\"color: #808080;\">[6] NOWOTNY, Helga.; SCOTT, Peter.; GIBBONS, Michael. Re-thinking Science: Knowledge and the Public in an Age of Uncertanty.London: Blackwell Publishing, 2001, 278 p<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"7-merton-robert-k-1973-the-sociology-of-science-theoretical-and-empirical-investigations-chicago-university-of-chicago-press-isbn-978-0-226-52091-9-oclc-755754\"><span style=\"color: #808080;\">[7] Merton, Robert K (1973). The Sociology of Science: Theoretical and Empirical Investigations. Chicago: University of Chicago Press. ISBN 978-0-226-52091-9. OCLC 755754<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"8-ritchie-stuart-science-fictions-how-fraud-bias-negligence-and-hype-undermine-the-search-for-truth-metropolitan-books-2020-341-paginas\"><span style=\"color: #808080;\">[8] Ritchie, Stuart. \u201cScience Fictions: How Fraud, Bias, Negligence, and Hype Undermine the Search for Truth. Metropolitan Books, 2020, 341 p\u00e1ginas<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"9-research-software-alliance-rda-https-www-rd-alliance-org-acesso-em-fevereiro-de-2025\"><span style=\"color: #808080;\">[9] Research Software Alliance \u2013 RDA \u2013 &lt; <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.rd-alliance.org\/\">https:\/\/www.rd-alliance.org\/<\/a>&gt; acesso em fevereiro de 2025<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"10-world-data-system-wds-https-worlddatasystem-org-acesso-em-fevereiro-de-2025\"><span style=\"color: #808080;\">[10] World Data System \u2013 WDS -&lt; <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/worlddatasystem.org\/\">https:\/\/worlddatasystem.org\/<\/a> &gt; acesso em fevereiro de 2025<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"11-research-software-alliance-resa-https-www-researchsoft-org-acesso-em-fevereiro-de-2025\"><span style=\"color: #808080;\">[11] Research Software Alliance \u2013 ReSA -&lt; <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.researchsoft.org\/\">https:\/\/www.researchsoft.org\/<\/a> &gt; , acesso em fevereiro de 2025<\/span><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mudan\u00e7as culturais nas boas pr\u00e1ticas de pesquisa para o compartilhamento do conhecimento&hellip;\n","protected":false},"author":270,"featured_media":7917,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52,21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/270"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7915"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8200,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7915\/revisions\/8200"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}