{"id":8050,"date":"2025-03-10T08:00:59","date_gmt":"2025-03-10T08:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8050"},"modified":"2025-10-15T13:12:04","modified_gmt":"2025-10-15T13:12:04","slug":"preservacao-e-acesso-a-dados-historicos-e-ineditos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8050","title":{"rendered":"Preserva\u00e7\u00e3o e acesso a dados hist\u00f3ricos e in\u00e9ditos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"novos-horizontes-para-pesquisas-retrospectivas\"><span style=\"color: #808080;\">Novos horizontes para pesquisas retrospectivas <\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de 4 de agosto de 1944, pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, um telefonema an\u00f4nimo para uma unidade nazista de ca\u00e7a aos judeus resultou na pris\u00e3o de oito pessoas escondidas em um edif\u00edcio comercial na Holanda. Entre as v\u00edtimas, estava Anne Frank, uma garota de quinze anos que teve seus relatos sobre a guerra publicados pelo pai ap\u00f3s falecer em um campo de concentra\u00e7\u00e3o. Mais de 80 anos e duas investiga\u00e7\u00f5es oficiais depois, o mist\u00e9rio sobre a identidade do delator an\u00f4nimo ainda persiste. No entanto, avan\u00e7os modernos na preserva\u00e7\u00e3o e no acesso a dados hist\u00f3ricos, como a digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos e o uso de intelig\u00eancia artificial (IA), permitiram revisitar o caso recentemente, revelando detalhes in\u00e9ditos e oferecendo novas perspectivas para uma das quest\u00f5es mais intrigantes da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em meados de 2016, o cineasta belga Thijs Bayens transformou seu interesse pelo caso Anne Frank em um ambicioso projeto de investiga\u00e7\u00e3o. Ele reuniu uma equipe com mais de vinte detetives, historiadores, pesquisadores e outros especialistas em torno da busca pelo delator, trabalho posteriormente denominado \u201cCaso Arquivado\u201d. Ao longo de cinco anos, os profissionais analisaram milhares de documentos hist\u00f3ricos, incluindo registros policiais, listas de deporta\u00e7\u00e3o, cartas, arquivos e outros vest\u00edgios espalhados por v\u00e1rios continentes. O estudo detalhado de tal quantidade de materiais poderia ter sido invi\u00e1vel em d\u00e9cadas passadas, mas com o apoio de ferramentas tecnol\u00f3gicas, se tornou poss\u00edvel. \u201cAl\u00e9m de documentos e livros escaneados, a parte de reconhecimento por voz [&#8230;] converteu grava\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo e \u00e1udio em texto, os tornou pass\u00edveis de buscas e os traduziu para o ingl\u00eas\u201d relata Rosemary Sullivan no livro \u201c<em>Quem Traiu Anne Frank? A investiga\u00e7\u00e3o que revela o segredo jamais contado<\/em>\u201d, onde detalha a pesquisa.<\/p>\n<p>Com as informa\u00e7\u00f5es digitalizadas, ordenadas e dispon\u00edveis para acesso remoto, a equipe come\u00e7ou a notar conex\u00f5es in\u00e9ditas entre pessoas, lugares, datas e endere\u00e7os. \u201cUma vez digitalizadas, voc\u00ea pode transformar as informa\u00e7\u00f5es em dados; ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel cruzar informa\u00e7\u00f5es e, eventualmente, submeter \u00e0s tecnologias de reconhecimento de texto e de IA\u201d, destaca Thiago Nicodemo, pesquisador e diretor do Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo. O potencial da nova estrat\u00e9gia foi rapidamente notado. \u201cSe, por exemplo, um endere\u00e7o interessante surgia em algum documento que eu estava examinando, eu podia cruz\u00e1-lo muito rapidamente com o banco de dados. A an\u00e1lise do endere\u00e7o pelo programa de IA me fornecia todos os documentos e outras fontes relevantes onde o endere\u00e7o era mencionado\u201d, explica Pieter van Twisk, s\u00f3cio de Thijs Bayens nas investiga\u00e7\u00f5es, para Rosemary Sullivan. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-arquivo-publico-do-estado-de-sao-paulofoto-apesp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8053\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-300x206.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-300x206.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-1024x704.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-768x528.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-1536x1055.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-800x550.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2-1160x797.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo<br \/>\n<\/strong>(Foto: APESP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"digitalizacao-de-documentos-para-preservacao-e-acesso\"><strong>Digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos para preserva\u00e7\u00e3o e acesso <\/strong><\/h4>\n<p>As experi\u00eancias descritas por Rosemary Sullivan sobre o \u201cCaso Arquivado\u201d trazem \u00e0 tona alguns dos aspectos da forma moderna de lidar com registros hist\u00f3ricos. Documentos que, antes, compunham pilhas de pap\u00e9is em caixas e prateleiras, podem, agora, ocupar apenas alguns gigabytes em um espa\u00e7o virtual. Thiago Nicodemo ressalta que essa transforma\u00e7\u00e3o traz vantagens significativas, especialmente na supera\u00e7\u00e3o de barreiras temporais, espaciais e econ\u00f4micas para o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es. \u201cOs dados ficam acess\u00edveis para muito mais gente e pessoas que n\u00e3o necessariamente s\u00e3o especialistas podem acessar documentos hist\u00f3ricos que s\u00f3 especialistas conseguiriam ver nos acervos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-pesquisa-que-fazemos-hoje-e-que-faremos-no-futuro-tem-um-perfil-muito-diferente-do-que-foi-feito-no-passado\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA pesquisa que fazemos hoje e que faremos no futuro tem um perfil muito diferente do que foi feito no passado\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pesquisador destaca ainda que o armazenamento de dados hist\u00f3ricos em formato digital tamb\u00e9m implica em mudan\u00e7as no perfil das pesquisas conduzidas. \u201cVoc\u00ea pode responder perguntas que s\u00e3o in\u00e9ditas, sob pontos de vista que n\u00e3o conseguia enxergar antes, porque, agora, consegue olhar uma perspectiva em largu\u00edssima escala\u201d, observa. O aspecto descrito por Thiago Nicodemo foi um ponto crucial para a trajet\u00f3ria do \u201cCaso Arquivado\u201d, uma vez que possibilitou observar as informa\u00e7\u00f5es sob olhares diferentes dos empregados nas investiga\u00e7\u00f5es anteriores, conduzidas em 1947 e 1963. \u201cA pesquisa que fazemos hoje e que faremos no futuro tem um perfil muito diferente do que foi feito no passado\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>Junto aos benef\u00edcios, no entanto, as novas formas de armazenamento e organiza\u00e7\u00e3o trazem consigo novos desafios. Rodrigo Esteves de Lima-Lopes, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/unicamp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Unicamp<\/strong><\/a><\/span> e pesquisador na \u00e1rea de linguagem e tecnologias, aponta uma dessas dificuldades. \u201cDados que n\u00e3o estejam consolidados e com seus metadados claramente organizados podem n\u00e3o ser encontrados ou mesmo utiliz\u00e1veis por aqueles que deles precisam\u201d, pontua. Thiago Nicodemo concorda e acrescenta que a infraestrutura de armazenamento tamb\u00e9m deve ser considerada. \u201cExiste um risco alt\u00edssimo da perda desses registros digitais a longo prazo se n\u00e3o houver manuten\u00e7\u00e3o dessas estruturas. Al\u00e9m disso, \u00e0s vezes, voc\u00ea cria documentos em linguagens e formatos que n\u00e3o consegue mais abrir depois de cinco ou 10 anos\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-preciso-entender-o-objetivo-antes-de-digitalizar\"><strong>\u00c9 preciso entender o objetivo antes de digitalizar <\/strong><\/h4>\n<p>Considerando os pr\u00f3s e contras do processo, Thiago Nicodemo explica que a digitaliza\u00e7\u00e3o de dados pode ter dois objetivos principais. Em projetos de cruzamento e reuni\u00e3o de dados, como o liderado por Thijs Bayens, onde as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispersas por diversos pa\u00edses, em l\u00ednguas e formatos variados, a digitaliza\u00e7\u00e3o facilita a disponibiliza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. \u201cPor exemplo, voc\u00ea vai em v\u00e1rios arquivos do mundo e digitaliza tudo que tem a ver com escravid\u00e3o. Da\u00ed, o usu\u00e1rio vai ter acesso a uma experi\u00eancia muito diferente do que se ele estivesse pesquisando na estrutura do arquivo normal, porque pode se tornar especialista em um n\u00edvel mais amplo, n\u00e3o apenas na regi\u00e3o que tem acesso, por exemplo\u201d, comenta, destacando que o uso consciente das novas tecnologias pode beneficiar uma grande diversidade de temas.<\/p>\n<p>Em outros casos, o armazenamento virtual pode ser uma alternativa para preservar acervos muito antigos ou em degrada\u00e7\u00e3o, evitando que as informa\u00e7\u00f5es se percam com o tempo. \u201cNessas situa\u00e7\u00f5es, a digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma fundamental de fazer com que aqueles dados se eternizem\u201d, explica o pesquisador. \u201cMas, \u00e0s vezes, vale mais a pena investir para cuidar dos pap\u00e9is que est\u00e3o ruindo do que investir uma grande quantia de dinheiro em um projeto de digitaliza\u00e7\u00e3o e se perder pelo caminho\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"apenas-uma-fracao-do-que-existiu-e-armazenada\"><strong>Apenas uma fra\u00e7\u00e3o do que existiu \u00e9 armazenada <\/strong><\/h4>\n<p>No fim das investiga\u00e7\u00f5es do \u201cCaso Arquivado\u201d, a equipe detinha mais de 66 gigabytes de informa\u00e7\u00f5es na forma de 7.500 documentos. O volume de informa\u00e7\u00f5es, equivalente a 33 filmes modernos de duas horas em qualidade padr\u00e3o, \u00e9, no entanto, apenas uma parte de todos os relat\u00f3rios, di\u00e1rios, recibos, imagens e outros relatos gerados antes, durante e ap\u00f3s a pris\u00e3o do grupo de Anne Frank ap\u00f3s a liga\u00e7\u00e3o an\u00f4nima. Ainda assim, permitiu extrair e correlacionar informa\u00e7\u00f5es riqu\u00edssimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"se-um-documento-sobrevive-ate-hoje-alguem-lutou-para-guardar-aquilo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSe um documento sobrevive at\u00e9 hoje, algu\u00e9m lutou para guardar aquilo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vincent Pankoke, ex-agente do Departamento Federal de Investiga\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos (FBI) e l\u00edder da equipe \u201cCaso Arquivado\u201d, encontrou cerca de 956 formul\u00e1rios que identificavam a entrega de recompensas para policiais do Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a Alem\u00e3o (SD) que encontraram e apreenderam judeus. Os registros, contudo, eram datados do in\u00edcio de 1942 a meados de 1943 e deixavam de fora poss\u00edveis pagamentos realizados al\u00e9m desse per\u00edodo. A perda desses dados pode ter acontecido por diversas raz\u00f5es. Em seu livro, Rosemary Sullivan explica que um bombardeio brit\u00e2nico em 1944 destruiu um pr\u00e9dio que guardava recibos administrativos. Al\u00e9m disso, quando a derrota ficou iminente para os nazistas, a tentativa de eliminar as provas sobre o Holocausto resultou na queima de milhares de documentos, exterminando para sempre detalhes que completariam esse quebra-cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>A incompletude de registros (digitais ou n\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 algo exclusivo da Segunda Guerra Mundial. Quaisquer arquivos que tenham sido preservados at\u00e9 os dias atuais representam apenas uma pequena porcentagem do que j\u00e1 existiu e simbolizam a exist\u00eancia de um mecanismo que determina, de forma intencional ou n\u00e3o, a hist\u00f3ria que ser\u00e1 contada no futuro. \u201cPor exemplo, logo depois que terminou a escravid\u00e3o, ainda na d\u00e9cada de 1890, Rui Barbosa ordenou a incinera\u00e7\u00e3o de todos os documentos que tivessem a ver com a escravid\u00e3o. \u00c9 quase a regra\u201d, observa Thiago Nicodemo. \u201cSe um documento sobrevive at\u00e9 hoje, algu\u00e9m lutou para guardar aquilo. Em qualquer m\u00eddia, tanto no papel quanto no digital\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Assim como em um projeto de coleta manual de informa\u00e7\u00f5es, processos digitais tamb\u00e9m podem resultar em um enviesamento de dados e an\u00e1lises devem levar esse fator em conta. Rodrigo Lima-Lopes menciona, como exemplo, o caso das m\u00eddias sociais, que recebem, armazenam e circulam milh\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es a cada instante. \u201cFatos contempor\u00e2neos nos mostram que as empresas privadas que gerenciam as m\u00eddias sociais tomam posturas que podem excluir a voz de determinados grupos sociais e pol\u00edticos, criando uma representa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o espelha, efetivamente, a sociedade\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"como-escolher-o-que-sera-preservado\"><strong>Como escolher o que ser\u00e1 preservado? <\/strong><\/h4>\n<p>Embora muito se fale, em Ci\u00eancia Aberta, na necessidade de armazenar de forma aberta produtos da pesquisa, para compartilhamento, n\u00e3o basta pensar em armazenar. \u00c9 preciso tamb\u00e9m considerar a preserva\u00e7\u00e3o (e, inclusive, o decaimento digital e obsolesc\u00eancia dos dispositivos de armazenamento).<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o de registros pode ser influenciada por decis\u00f5es pol\u00edticas, como a escolha por destruir certos itens, e por fatores acidentais, como falhas no processo de apagamento ou de backup. Apesar das tentativas, muitos documentos entre 1939 e 1945 persistiram, incluindo as milhares de p\u00e1ginas investigadas pelo \u201cCaso Arquivado\u201d. Eventos como o bombardeio brit\u00e2nico de 1944 e cat\u00e1strofes naturais tamb\u00e9m impactam o que \u00e9 mantido. \u201cA \u00faltima bola da vez foi o inc\u00eandio em Los Angeles, mas tamb\u00e9m tivemos a pandemia, as enchentes no Rio Grande do Sul&#8230;\u201d, exemplifica Thiago Nicodemo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"uma-informacao-tem-que-ser-guardada-porque-contem-um-direito-e-testemunha-de-alguem-que-sofreu-uma-violencia-ou-deve-alguma-coisa\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cUma informa\u00e7\u00e3o tem que ser guardada porque cont\u00e9m um direito, \u00e9 testemunha de algu\u00e9m que sofreu uma viol\u00eancia ou deve alguma coisa.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A disponibilidade de recursos para a preserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um fator decisivo. \u201cNormalmente, [arquivos digitais] s\u00e3o guardados em servidores de institui\u00e7\u00f5es e essas institui\u00e7\u00f5es vivem instabilidades pol\u00edticas no Brasil, no plano da cultura, por exemplo. H\u00e1 muita inconsist\u00eancia nos investimentos\u201d, diz Thiago Nicodemo. Uma alternativa atual tem sido enviar os dados para sistemas de nuvem, servi\u00e7os online que permitem armazenar arquivos na internet, sem a necessidade de dispositivos f\u00edsicos. No entanto, o pesquisador defende que essa pode n\u00e3o ser a melhor alternativa a longo prazo. \u201cSe voc\u00ea fez um contrato de nuvem ou uma base de dados em um aplicativo e deixa de pagar depois de um tempo, voc\u00ea n\u00e3o consegue mais acessar o que produziu\u201d, explica.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios projetos de manuten\u00e7\u00e3o de acervos e digitaliza\u00e7\u00e3o desempenham papel ativo na decis\u00e3o do que ser\u00e1 mantido. O diretor do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.arquivoestado.sp.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Arquivo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo (APESP)<\/strong><\/a><\/span> relata que, devido aos custos de manuten\u00e7\u00e3o, acervos costumam digitalizar documentos com altas taxas de acesso em detrimento daqueles que s\u00e3o pouco procurados. Gilberto Lacerda dos Santos, que coordena o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.museuvirtual.unb.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu Virtual de Ci\u00eancia e Tecnologia da Universidade de Bras\u00edlia<\/strong><\/a><\/span>, acrescenta que tais institui\u00e7\u00f5es ainda precisam considerar duas dimens\u00f5es \u00e9ticas: \u201cuma \u00e9 ligada \u00e0 natureza, \u00e0 qualidade e \u00e0 veracidade do conte\u00fado e a outra, aos direitos autorais\u201d, diz. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-museus-reunem-arte-ciencia-e-tecnologia-em-acervos-em-ambiente-virtualfoto-marcelo-camargo-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8052\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/CC-1E25-reportagem-Preservac\u0327a\u0303o-e-acesso-a-dados-histo\u0301ricos-e-ine\u0301ditos-figur2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Museus re\u00fanem arte, ci\u00eancia e tecnologia em acervos em ambiente virtual<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Projetos particulares, como o \u201cCaso Arquivado\u201d, tamb\u00e9m podem atuar na digitaliza\u00e7\u00e3o de documentos sobre um \u00fanico tema ou uma \u00e1rea de estudos de interesse em larga escala, mas isso pode trazer riscos para os acervos f\u00edsicos respons\u00e1veis pelas vers\u00f5es originais dos registros. \u201cO mais atraente \u00e9 quando alguma institui\u00e7\u00e3o internacional oferece a digitaliza\u00e7\u00e3o desses documentos para fazer grandes projetos transversais. Isso at\u00e9 pode ser uma solu\u00e7\u00e3o, mas, enquanto voc\u00ea colabora para aumentar a relev\u00e2ncia dos dados, as institui\u00e7\u00f5es de origem que est\u00e3o guardando os documentos se tornam menos relevantes\u201d, explica Thiago Nicodemo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"no-brasil-preservacao-e-acesso-a-dados-sobre-a-ditadura\"><strong>No Brasil: preserva\u00e7\u00e3o e acesso a dados sobre a ditadura <\/strong><\/h4>\n<p>Assim como os documentos digitalizados pela equipe de Thijs Bayens contribuem para recontar a hist\u00f3ria da Europa, os esfor\u00e7os para preservar e ampliar o acesso a registros da ditadura militar brasileira, per\u00edodo marcado por centenas de mortos e desaparecidos, s\u00e3o indispens\u00e1veis para compreender a hist\u00f3ria do pa\u00eds e evitar que momentos como esse se repitam. \u201c\u00c9 apenas com a preserva\u00e7\u00e3o de dados sobre esse tema, sobre como a popula\u00e7\u00e3o considerou e apoiou a democracia ao final da ditadura militar e no in\u00edcio da democratiza\u00e7\u00e3o, [&#8230;] que ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar o sucesso da nossa constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, argumenta Rachel Meneguello, cientista pol\u00edtica e pr\u00f3-reitora de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>A pesquisadora enfatiza que os avan\u00e7os recentes na preserva\u00e7\u00e3o e no acesso a registros t\u00eam facilitado investiga\u00e7\u00f5es em sua \u00e1rea e gerado resultados inovadores. \u201cH\u00e1 muitos acervos volumosos de dados documentais, dados oficiais agregados, dados de natureza individual, que at\u00e9 anos atr\u00e1s requeriam um esfor\u00e7o grande em processos de coleta e organiza\u00e7\u00e3o para viabilizar an\u00e1lises criativas\u201d, relembra. \u201cN\u00e3o h\u00e1 compara\u00e7\u00e3o [de como os processos aconteciam nas d\u00e9cadas passadas] com o avan\u00e7o que temos hoje. A integra\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais potencializa a coleta, interpreta\u00e7\u00e3o, busca, leitura e an\u00e1lise de dados\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Para Rachel Meneguello, o estudo de documentos hist\u00f3ricos deve dialogar com informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, tanto em pesquisas quanto na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cA partir do conhecimento de dados hist\u00f3ricos sobre uma popula\u00e7\u00e3o, uma oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos ou car\u00eancias espec\u00edficas, se pode tra\u00e7ar tend\u00eancias e padr\u00f5es e revelar necessidades ou lacunas que embasam pol\u00edticas de governo\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-futuro-da-preservacao-e-do-acesso-a-dados-historicos\"><strong>O futuro da preserva\u00e7\u00e3o e do acesso a dados hist\u00f3ricos <\/strong><\/h4>\n<p>Estudos sobre a ditadura brasileira, o \u201cCaso Arquivado\u201d e outros projetos que lidam com a digitaliza\u00e7\u00e3o de dados anteriores \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o das tecnologias digitais enfrentam um cen\u00e1rio diferente do atual. \u201cQuando observamos disputas de mem\u00f3ria como essas, h\u00e1 um tempo entre o fato acontecer, a informa\u00e7\u00e3o circular e aquele evento ser interpretado como hist\u00f3ria\u201d, diz Thiago Nicodemo. \u201c\u00c9 uma grande disputa pol\u00edtica de quem vai predominar, quem vai conseguir sobreviver ao tempo, contar a sua hist\u00f3ria\u201d, complementa. \u201cHoje, esse tempo ficou encurtado a um instante. Essa disputa sobre qual narrativa vai predominar j\u00e1 vem quase embutida na evid\u00eancia que circula. Se Anne Frank vivesse hoje, n\u00e3o ia dar tempo de escrever um di\u00e1rio; ia ser um post\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O pesquisador prev\u00ea que as tecnologias modernas de informa\u00e7\u00e3o facilitar\u00e3o tentativas futuras de estudar e falar sobre o passado, mas tamb\u00e9m trar\u00e3o novos questionamentos. \u201cAs novas m\u00eddias, as redes sociais e a facilidade que a gente tem com os dispositivos que produzem evid\u00eancias, como gravadores e celulares, permitem produzir cada vez mais evid\u00eancias. Da\u00ed, nasce uma pergunta: como cuidar da informa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasce digital?\u201d, indaga, questionando como a velocidade acelerada de registros, o acesso ampliado \u00e0s informa\u00e7\u00f5es e os dados produzidos no mundo virtual impactar\u00e3o as narrativas de mem\u00f3ria. \u201cA gente vai ter mais ou menos mem\u00f3ria?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>Embora as respostas ainda sejam incertas, ele alerta para a necessidade de intensificar o investimento em infraestrutura para lidar com as novas demandas de armazenamento e acesso. \u201cNormalmente, uma informa\u00e7\u00e3o tem que ser guardada porque cont\u00e9m um direito, \u00e9 testemunha de algu\u00e9m que sofreu uma viol\u00eancia ou deve alguma coisa, mas estamos em um mundo que produz informa\u00e7\u00f5es relevantes muito r\u00e1pido e tem baix\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es para guard\u00e1-las\u201d, argumenta. Gilberto Lacerda dos Santos destaca que os reposit\u00f3rios institucionais s\u00e3o alternativas indispens\u00e1veis: \u201cs\u00e3o excelentes suportes para dados, a longo prazo\u201d. Rodrigo Lima-Lopes concorda e ressalta que a padroniza\u00e7\u00e3o do acesso tamb\u00e9m \u00e9 importante. \u201cReposit\u00f3rios organizados por institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, como o <strong>Reposit\u00f3rio de Dados da UNICAMP (REDU)<\/strong> e os dados de pesquisa pol\u00edtica do <strong>Brazilian Political Corpus (BRPoliCorpus)<\/strong>, sob minha coordena\u00e7\u00e3o, s\u00e3o exemplos interessantes\u201d, lista.<\/p>\n<p>Ainda que as conclus\u00f5es do \u201cCaso Arquivado\u201d pressuponham lacunas decorrentes da destrui\u00e7\u00e3o e perda de documentos, o uso de estrat\u00e9gias atuais de preserva\u00e7\u00e3o e acesso a dados hist\u00f3ricos, como a digitaliza\u00e7\u00e3o, oferece novos horizontes para a investiga\u00e7\u00e3o. Ao recorrer ao resgate de informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, pesquisas retrospectivas, como essa, podem n\u00e3o apenas revisitar, mas tamb\u00e9m reanalisar e reinterpretar narrativas hist\u00f3ricas sob olhares in\u00e9ditos e reconstruir partes importantes da hist\u00f3ria com uma precis\u00e3o cada vez maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-a-digitalizacao-e-fundamental-para-preservar-e-manter-dados-historicos-e-ineditos-foto-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa. <\/strong><strong>A digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para preservar e manter dados hist\u00f3ricos e in\u00e9ditos.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Novos horizontes para pesquisas retrospectivas &nbsp; Na manh\u00e3 de 4 de agosto&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":8051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8050"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8050"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9131,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8050\/revisions\/9131"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}