{"id":8146,"date":"2025-04-24T07:30:14","date_gmt":"2025-04-24T07:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8146"},"modified":"2025-04-01T13:29:23","modified_gmt":"2025-04-01T13:29:23","slug":"insulina-da-descoberta-revolucionaria-a-producao-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8146","title":{"rendered":"Insulina: Da descoberta revolucion\u00e1ria \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-a-ciencia-transformou-o-tratamento-do-diabetes-e-o-papel-pioneiro-do-brasil-na-producao-de-insulina-recombinante\"><span style=\"color: #808080;\">Como a ci\u00eancia transformou o tratamento do diabetes e o papel pioneiro do Brasil na produ\u00e7\u00e3o de insulina recombinante<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Todos os dias, cerca de 7 milh\u00f5es de brasileiros dependem de insulina para controlar os n\u00edveis de glicemia e evitar complica\u00e7\u00f5es graves do diabetes, uma condi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi considerada uma senten\u00e7a de morte. Essa mudan\u00e7a dram\u00e1tica \u00e9 resultado de avan\u00e7os cient\u00edficos iniciados h\u00e1 mais de um s\u00e9culo e refinados ao longo das d\u00e9cadas. Entre esses avan\u00e7os, destaca-se a insulina recombinante, um marco biotecnol\u00f3gico que n\u00e3o apenas melhorou a qualidade de vida de milh\u00f5es de pessoas, mas tamb\u00e9m colocou o Brasil em uma posi\u00e7\u00e3o relevante no cen\u00e1rio global de inova\u00e7\u00f5es em sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"este-processo-biotecnologico-nao-apenas-eliminou-a-dependencia-de-insulina-animal-mas-tambem-garantiu-maior-seguranca-e-eficiencia-no-tratamento\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEste processo biotecnol\u00f3gico n\u00e3o apenas eliminou a depend\u00eancia de insulina animal, mas tamb\u00e9m garantiu maior seguran\u00e7a e efici\u00eancia no tratamento.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diabetes \u00e9 uma das doen\u00e7as mais antigas documentadas, com registros que datam de 1552 a.C. Apesar de conhecido, seu tratamento permaneceu rudimentar at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. O verdadeiro divisor de \u00e1guas ocorreu em 1921, quando o cirurgi\u00e3o canadense Frederick Banting, junto ao estudante Charles Best, realizou experimentos com extratos pancre\u00e1ticos em c\u00e3es diab\u00e9ticos, observando uma redu\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de glicose no sangue. A pesquisa foi supervisionada por John Macleod e aperfei\u00e7oada pelo bioqu\u00edmico James Collip, que conseguiu purificar a insulina, tornando-a segura para uso humano.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"producao-e-avancos-industriais\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o e avan\u00e7os industriais<\/strong><\/h4>\n<p>Em 1923, a insulina come\u00e7ou a ser fabricada em escala industrial nos Estados Unidos e Europa, utilizando p\u00e2ncreas de animais como mat\u00e9ria-prima. No Brasil, essa revolu\u00e7\u00e3o chegou mais tarde, com a cria\u00e7\u00e3o da Biobr\u00e1s Bioqu\u00edmica do Brasil, em 1971, na cidade de Montes Claros (MG). Fundada pelo bioqu\u00edmico Marcos dos Mares Guia, a empresa se tornou pioneira nacional na produ\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio. Inicialmente, eram necess\u00e1rios 80 kg de p\u00e2ncreas su\u00ednos para produzir apenas 1 mg de insulina, mas parcerias estrat\u00e9gicas com multinacionais, como a Eli Lilly, e colabora\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas aceleraram o desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-insulina-produzida-e-comercializada-em-1920-advinda-de-pancreas-de-animais-abatidos-foto-eli-lilly-co-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8147\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-300x194.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-300x194.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-1024x661.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-768x495.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-1536x991.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-800x516.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1-1160x748.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Insulina produzida e comercializada em 1920, advinda de p\u00e2ncreas de animais abatidos.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Eli Lilly &amp; Co. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, uma nova revolu\u00e7\u00e3o transformou a ind\u00fastria: a insulina humana recombinante, sintetizada por bact\u00e9rias geneticamente modificadas. Este processo biotecnol\u00f3gico n\u00e3o apenas eliminou a depend\u00eancia de insulina animal, mas tamb\u00e9m garantiu maior seguran\u00e7a e efici\u00eancia no tratamento. No Brasil, a Biobr\u00e1s, em parceria com a Universidade de Bras\u00edlia (UnB), desenvolveu sua pr\u00f3pria vers\u00e3o de insulina recombinante. Sob a lideran\u00e7a do bi\u00f3logo molecular Spartaco Astolfi Filho e do microbiologista Josef Thiemann, o projeto culminou na obten\u00e7\u00e3o de uma patente internacional em 2000 e no in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o comercial em larga escala.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-spartaco-astolfi-filhofoto-ufam-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8148\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-300x158.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-1024x541.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-768x406.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-1536x811.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-800x422.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2-1160x613.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/insulina-2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Spartaco Astolfi Filho<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ufam. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-contexto-brasileiro\"><strong>O contexto brasileiro <\/strong><\/h4>\n<p>O desenvolvimento da Biobr\u00e1s foi favorecido pelo contexto pol\u00edtico dos anos 1970, quando o Brasil vivia o chamado &#8220;milagre econ\u00f4mico&#8221; e adotava pol\u00edticas de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Contudo, em 2001, a empresa foi vendida \u00e0 multinacional dinamarquesa Novo Nordisk, marcando o fim de uma era de produ\u00e7\u00e3o 100% nacional. Apesar disso, o legado permaneceu, com a cria\u00e7\u00e3o de novas empresas e a promissora retomada da produ\u00e7\u00e3o interna por organiza\u00e7\u00f5es como a Biomm e a Bahiafarma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-transicao-para-a-insulina-recombinante-nao-apenas-poupou-a-vida-de-milhares-de-animais-mas-tambem-trouxe-melhorias-significativas-para-os-pacientes\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA transi\u00e7\u00e3o para a insulina recombinante n\u00e3o apenas poupou a vida de milhares de animais, mas tamb\u00e9m trouxe melhorias significativas para os pacientes.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a insulina recombinante n\u00e3o apenas poupou a vida de milhares de animais, mas tamb\u00e9m trouxe melhorias significativas para os pacientes. Por ser praticamente id\u00eantica \u00e0 insulina humana natural, reduziu consideravelmente os efeitos colaterais, proporcionando um tratamento mais eficaz e acess\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-futuro-da-producao-nacional\"><strong>O futuro da produ\u00e7\u00e3o nacional<\/strong><\/h4>\n<p>Nos \u00faltimos anos, iniciativas como a valida\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica da Biomm em Nova Lima (MG) e a parceria entre Bahiafarma e o fabricante ucraniano Indar renovaram a esperan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o nacional. Essas a\u00e7\u00f5es visam n\u00e3o apenas reduzir a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m fortalecer a autonomia tecnol\u00f3gica e econ\u00f4mica do Brasil no setor de biotecnologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-agencia-brasil-reproducao\">Capa. Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como a ci\u00eancia transformou o tratamento do diabetes e o papel pioneiro&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":8149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8146"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8146"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8151,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8146\/revisions\/8151"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}