{"id":8269,"date":"2025-06-12T07:30:42","date_gmt":"2025-06-12T07:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8269"},"modified":"2025-11-25T11:39:10","modified_gmt":"2025-11-25T11:39:10","slug":"e-urgente-o-investimento-em-ciencia-educacao-e-cultura-e-portanto-em-bibliotecas-e-editoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8269","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 urgente o investimento em ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e cultura e, portanto, em bibliotecas e editoras\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-leticia-strehl-diretora-da-editora-da-ufrgs\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Leticia Strehl, diretora da Editora da UFRGS<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Desde os corredores silenciosos de uma escola at\u00e9 a dire\u00e7\u00e3o de uma das editoras universit\u00e1rias mais respeitadas do pa\u00eds, a trajet\u00f3ria de <\/em><em>Leticia Strehl<\/em><em> \u00e9 uma verdadeira ode ao poder das bibliotecas como espa\u00e7os vivos de constru\u00e7\u00e3o coletiva do saber. Com mais de duas d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 Biblioteconomia e ao servi\u00e7o p\u00fablico, ela tem sido uma voz incans\u00e1vel na defesa da colabora\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es como chave para enfrentar os desafios que limitam o pleno acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o no Brasil. \u201cMant\u00e9m-se at\u00e9 hoje a reivindica\u00e7\u00e3o urgente por qualifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de biblioteca, considerando sua import\u00e2ncia central para os estudantes\u201d, defende. Entre 2016 e 2024, esteve \u00e0 frente da <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/bibliotecacentral\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>, coordenando tecnicamente um complexo sistema com 31 bibliotecas. Agora, como diretora da <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/editora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Editora da UFRGS<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>, sua miss\u00e3o se volta para um novo e urgente horizonte: tornar a ci\u00eancia mais aberta, acess\u00edvel e compreens\u00edvel para a sociedade. \u201cO papel das bibliotecas e das editoras universit\u00e1rias em um contexto de cortes or\u00e7ament\u00e1rios precisa ser marcado por um ativismo incans\u00e1vel sobre a import\u00e2ncia do conhecimento na perspectiva social da promo\u00e7\u00e3o da cidadania, mas tamb\u00e9m na perspectiva econ\u00f4mica de desenvolvimento do pa\u00eds\u201d, enfatiza a pesquisadora. Nesta entrevista, ela compartilha ideias, aprendizados e convic\u00e7\u00f5es forjadas ao longo de uma jornada guiada pela generosidade do conhecimento e pela cren\u00e7a inabal\u00e1vel no papel estrat\u00e9gico das bibliotecas para o futuro da ci\u00eancia brasileira.<\/em><\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Com uma trajet\u00f3ria de 27 anos no Sistema de Bibliotecas da UFRGS e agora como diretora da editora da universidade, como voc\u00ea v\u00ea a evolu\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil? Quais foram as maiores mudan\u00e7as que presenciou nesse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leticia Strehl<\/strong> \u2013 Tive o privil\u00e9gio de presenciar o auge da transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica quando iniciei minha trajet\u00f3ria como bibliotec\u00e1ria da universidade no final dos anos 1990, ou seja, um pouco antes da populariza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 internet e da ampla indexa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados digitais pelo Google. Entrei na UFRGS como bibliotec\u00e1ria no Instituto de F\u00edsica \u2014 um dos maiores centros de pesquisa da \u00e1rea no pa\u00eds, conhecido tamb\u00e9m por sua rica cole\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos \u2014; l\u00e1, os pesquisadores acompanhavam com aten\u00e7\u00e3o a chegada dos novos fasc\u00edculos impressos, v\u00edamos isso cotidianamente. Como mant\u00ednhamos centenas de assinaturas, havia uma renova\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de nosso acervo. A m\u00e1quina de c\u00f3pias funcionava ininterruptamente, reproduzindo artigos. O barulho era insuport\u00e1vel no come\u00e7o, mas se tornou impercept\u00edvel para mim com o tempo.<\/p>\n<p>Com o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.periodicos.capes.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Portal de Peri\u00f3dicos CAPES<\/strong><\/a><\/span>, tudo mudou. Os fasc\u00edculos impressos pararam de chegar, e nosso trabalho em rela\u00e7\u00e3o a esse tipo de documento transformou-se no aux\u00edlio aos pesquisadores para o acesso aos peri\u00f3dicos eletr\u00f4nicos. A inconformidade com a aus\u00eancia dos impressos foi sentida por uma parcela importante da comunidade, mas n\u00e3o por muito tempo. Logo os pesquisadores passaram a gostar dos incrementos trazidos pela tecnologia para revisar a literatura cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, o foco dos servi\u00e7os de aquisi\u00e7\u00e3o e acesso passou a recair principalmente sobre os livros impressos. Al\u00e9m disso, concomitantemente, um novo servi\u00e7o de acesso surgiu na biblioteca: com a emerg\u00eancia do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?artigos=o-papel-das-bibliotecas-no-mundo-da-ciencia-aberta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Movimento de Acesso Aberto \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/span>, a cataloga\u00e7\u00e3o que faz\u00edamos da produ\u00e7\u00e3o intelectual de nossos pesquisadores passou a ser disponibilizada tamb\u00e9m em reposit\u00f3rio institucional. A biblioteca tornou-se uma produtora de portais eletr\u00f4nicos, n\u00e3o apenas uma usu\u00e1ria deles. O <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Lume<\/strong><\/a><\/span>, reposit\u00f3rio institucional da UFRGS, \u00e9 identificado em rankings internacionais como o terceiro maior reposit\u00f3rio desse tipo no mundo, por exemplo.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o da biblioteca, a frequ\u00eancia dos pesquisadores diminuiu muito, mas esta sempre foi apenas uma parcela da nossa comunidade usu\u00e1ria. Por essa raz\u00e3o, mant\u00e9m-se at\u00e9 hoje a reivindica\u00e7\u00e3o urgente por qualifica\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de biblioteca, considerando sua import\u00e2ncia central para os estudantes. O conforto proporcionado por suas salas e equipamentos para estudo \u00e9 parte importante da qualidade (ou precariedade) de sua viv\u00eancia universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O marco mais recente, vivido com grande impacto no funcionamento das bibliotecas, foi a pandemia de COVID-19. Segundo estat\u00edsticas da UFRGS, a prefer\u00eancia pelo acesso eletr\u00f4nico se estende agora tamb\u00e9m ao livro. Algo que aconteceu, primeiro, pela necessidade imposta pelo cumprimento das medidas de isolamento social; depois, aparentemente, pela incorpora\u00e7\u00e3o como h\u00e1bito de leitura.<\/p>\n<p>Entretanto, neste caso, h\u00e1 uma s\u00e9rie de entraves para o efetivo acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, sendo o mais importante relacionado com a aus\u00eancia de uma pol\u00edtica p\u00fablica nacional para contrata\u00e7\u00e3o de plataformas de livros eletr\u00f4nicos (mesmo com o excelente exemplo para peri\u00f3dicos do Portal CAPES). Para livros eletr\u00f4nicos, principalmente os publicados em l\u00edngua portuguesa, os investimentos dependem da valoriza\u00e7\u00e3o que cada institui\u00e7\u00e3o atribui \u00e0s suas bibliotecas, uma percep\u00e7\u00e3o cujo peso e significado variam bastante entre institui\u00e7\u00f5es no Brasil.<\/p>\n<p>A UFRGS investe em livros eletr\u00f4nicos de forma bastante pioneira. Nessas condi\u00e7\u00f5es, proporcionadas por uma boa infraestrutura de acesso, foi que percebemos a mudan\u00e7a de cultura em rela\u00e7\u00e3o aos livros tamb\u00e9m no p\u00f3s-pandemia. Atualmente, o empr\u00e9stimo de livros impressos diminuiu drasticamente, e o acesso \u00e0s plataformas mant\u00e9m-se no mesmo patamar alto verificado no in\u00edcio das medidas de isolamento social.<\/p>\n<p>Na minha percep\u00e7\u00e3o, esses elementos marcam as quest\u00f5es de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o nestes \u00faltimos 30 anos. Mas a populariza\u00e7\u00e3o recente da intelig\u00eancia artificial acaba de inaugurar um novo cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria. Diante da dificuldade de objetivamente distinguir entre seus impactos reais no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e as especula\u00e7\u00f5es sobre o assunto, encerro minhas observa\u00e7\u00f5es sem mencionar a IA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-importante-destacar-ainda-que-as-bibliotecas-e-as-editoras-universitarias-tem-o-compromisso-social-de-sensibilizar-os-pesquisadores-para-a-importancia-da-ampliacao-do-dialogo-cientifico\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u00c9 importante destacar ainda que as bibliotecas e as editoras universit\u00e1rias t\u00eam o compromisso social de sensibilizar os pesquisadores para a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo cient\u00edfico.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C<\/strong> \u2013 <strong>Sua forma\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias dialoga diretamente com seu trabalho em biblioteconomia. De que maneira a gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o pode contribuir para a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e para a forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LS<\/strong> \u2013 Al\u00e9m da mudan\u00e7a no acesso ocorrida pela virtualiza\u00e7\u00e3o dos acervos, minha forma\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias me torna sens\u00edvel \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es que ultrapassam os aspectos t\u00e9cnicos do desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o de infraestruturas de informa\u00e7\u00e3o. Leva tamb\u00e9m \u00e0 reflex\u00e3o sobre os impactos da tecnologia na cultura da informa\u00e7\u00e3o e na cidadania.<\/p>\n<p>Quando a tecnologia se desenvolveu, ampliando sobremaneira o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, muitos te\u00f3ricos importantes previam que adentrar\u00edamos na Era do Conhecimento. As previs\u00f5es se confirmaram em parte: \u00e9 ineg\u00e1vel que a tecnologia trouxe significativos avan\u00e7os do conhecimento nas mais diversas \u00e1reas da ci\u00eancia. Contudo, esses avan\u00e7os n\u00e3o se traduziram, na mesma medida, em uma amplia\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia. As raz\u00f5es para isso s\u00e3o m\u00faltiplas, mas algumas me preocupam especialmente: a ultraespecializa\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, o descompasso entre o avan\u00e7o do conhecimento e a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas com impacto real na vida das pessoas, e a aus\u00eancia de regula\u00e7\u00e3o das plataformas digitais \u2014 que se consolidaram como uma lucrativa ind\u00fastria da desinforma\u00e7\u00e3o, com efeitos devastadores para a democracia e a sa\u00fade p\u00fablica, entre outros. Com isso, a tecnologia fez florescer a Era do Conhecimento, mas tamb\u00e9m da Ignor\u00e2ncia. E \u00e9 nesse cen\u00e1rio que a gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o se apresenta como campo estrat\u00e9gico: h\u00e1 a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas mais eficientes de recupera\u00e7\u00e3o, descoberta e acesso a informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, mas tamb\u00e9m de realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es educacionais, culturais e cient\u00edficas que promovam o uso da informa\u00e7\u00e3o de forma cr\u00edtica, \u00e9tica e socialmente relevante. Nestes dois n\u00edveis (infraestrutura e cultura), o objetivo \u00e9 o avan\u00e7o cient\u00edfico em profunda associa\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento da cidadania e da percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Na UFRGS, desenvolvemos um importante projeto de extens\u00e3o para realizar atividades educativas de pesquisa e uso da informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, chamado <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/super8\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Super 8<\/strong><\/a><\/span>. O Super 8 \u00e9 um dos maiores projetos de extens\u00e3o da universidade, que tem contribu\u00eddo para a percep\u00e7\u00e3o da comunidade e do p\u00fablico em geral sobre a import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Al\u00e9m disso, ele tem ampliado a atua\u00e7\u00e3o das bibliotecas da UFRGS para al\u00e9m de seu espa\u00e7o. Isso ocorre \u00e0 medida que os bibliotec\u00e1rios, comprometidos com essa miss\u00e3o, levam atividades educativas \u00e0s salas de aula, audit\u00f3rios, laborat\u00f3rios e salas virtuais para promover compet\u00eancias e ferramentas que auxiliam no desenvolvimento do conhecimento no ambiente desafiador da supercircula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em um n\u00edvel amplo, \u00e9 importante destacar ainda que as bibliotecas e as editoras universit\u00e1rias t\u00eam o compromisso social de sensibilizar os pesquisadores para a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo cient\u00edfico, superando os valores definidos por indicadores de produtividade e impacto que se restringem \u00e0s publica\u00e7\u00f5es. O di\u00e1logo ultraespecializado que tem se consolidado nesses par\u00e2metros de avalia\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia tem suas contribui\u00e7\u00f5es para o florescimento da Era do Conhecimento, mas tamb\u00e9m da Ignor\u00e2ncia. A Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias tem me ajudado a pensar a indissociabilidade entre ci\u00eancia e impacto social (n\u00e3o apenas cient\u00edfico).<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Voc\u00ea acaba de assumir a dire\u00e7\u00e3o da Editora da UFRGS. Quais s\u00e3o seus principais objetivos para a editora universit\u00e1ria? Como voc\u00ea pretende ampliar o alcance das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e aproxim\u00e1-las do p\u00fablico geral?<\/strong><br \/>\n<strong>LS<\/strong> \u2013 \u00c9 um grande desafio estabelecer linhas editoriais que congreguem excel\u00eancia cient\u00edfica e capacidade de comunica\u00e7\u00e3o ampla \u2014 um desafio que persiste no modelo tradicional de divulga\u00e7\u00e3o dos resultados de pesquisa, mas que hoje pode ser enfrentado com os recursos trazidos pelo desenvolvimento do paradigma da ci\u00eancia aberta.<\/p>\n<p>Neste contexto, abrem-se outras frentes de atua\u00e7\u00e3o: a publica\u00e7\u00e3o e curadoria de dados de pesquisa em reposit\u00f3rios; o uso de <em>preprints<\/em> para disseminar e debater manuscritos antes da vers\u00e3o final com revis\u00e3o por pares; e a incorpora\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas m\u00eddias informacionais para a apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados (v\u00eddeos, \u00e1udios, infogr\u00e1ficos).<\/p>\n<p>Um dos desafios que estamos nos organizando para empreender \u00e9 o projeto de repensar a publica\u00e7\u00e3o do livro exatamente \u00e0 luz desses recursos. Desenvolver uma proposi\u00e7\u00e3o editorial que identifique em que medida os reposit\u00f3rios podem ser complementares \u00e0s publica\u00e7\u00f5es, permitindo que os textos e an\u00e1lises sejam escritos para facilitar a compreens\u00e3o tamb\u00e9m por p\u00fablicos n\u00e3o especializados.<\/p>\n<p>Neste momento, estamos reconstituindo nosso Conselho Editorial na Editora da UFRGS em torno de um projeto que visa o aprofundamento do di\u00e1logo transdisciplinar, a conex\u00e3o de saberes e a ci\u00eancia acess\u00edvel baseada em evid\u00eancias. \u00c9 uma meta ousada, dif\u00edcil, mas vamos tentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-um-setor-tao-negligenciado-pelas-politicas-publicas-muitas-vezes-as-liderancas-se-impoem-como-desafio-maximo-a-representacao-de-sua-classe-e-nao-a-transformacao-das-condicoes-de-atuacao-c\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm um setor t\u00e3o negligenciado pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, muitas vezes as lideran\u00e7as se imp\u00f5em como desafio m\u00e1ximo a representa\u00e7\u00e3o de sua classe e n\u00e3o a transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o com impacto social.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Em um contexto de cortes or\u00e7ament\u00e1rios e desafios para a ci\u00eancia brasileira, qual \u00e9 o papel das bibliotecas e editoras universit\u00e1rias na manuten\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LS<\/strong> \u2013 O papel das bibliotecas e das editoras universit\u00e1rias, em um contexto de cortes or\u00e7ament\u00e1rios, precisa ser marcado por um ativismo incans\u00e1vel sobre a import\u00e2ncia do conhecimento na perspectiva social da promo\u00e7\u00e3o da cidadania, mas tamb\u00e9m na perspectiva econ\u00f4mica de desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse ativismo n\u00e3o \u00e9 apenas discursivo; depende da proposi\u00e7\u00e3o de projetos e da realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para efetivo impacto. Esses setores t\u00eam sido afetados sobremaneira pelos cortes or\u00e7ament\u00e1rios, exigindo de seus respons\u00e1veis uma gest\u00e3o resiliente e criativa. Esses momentos se configuram como oportunidade de profunda aprendizagem, mas, sobretudo, como uma amea\u00e7a absurda, considerando a import\u00e2ncia dessas institui\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento cient\u00edfico, econ\u00f4mico, educacional e cultural do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entretanto, neste nosso estado c\u00edclico de avan\u00e7os e retrocessos pol\u00edticos, a import\u00e2ncia social dos setores n\u00e3o \u00e9 exatamente um fator determinante para investimentos por parte de uma parcela n\u00e3o desprez\u00edvel de nossos governantes. O paradoxo \u00e9 que \u00e9 exatamente essa aus\u00eancia de recursos adequados que refor\u00e7a uma percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que bibliotecas e editoras est\u00e3o perdendo suas fun\u00e7\u00f5es com a prolifera\u00e7\u00e3o de plataformas de informa\u00e7\u00f5es digitais. E, na realidade, est\u00e3o perdendo mesmo \u2014 mas isso ocorre exatamente por estarem mal equipadas.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente o investimento em ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e cultura e, portanto, em bibliotecas e editoras. Contrariando o senso comum de que a tecnologia tudo resolve, \u00e9 importante afirmar fortemente que as institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o e acesso a informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o indispens\u00e1veis para combater os efeitos danosos da ind\u00fastria da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais que os gestores tenham m\u00faltiplas compet\u00eancias para mitigar os efeitos dos cortes or\u00e7ament\u00e1rios, eles n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1gicos. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio reafirmar o dever do Estado na produ\u00e7\u00e3o e no acesso \u00e0s cole\u00e7\u00f5es bibliogr\u00e1ficas, o que implica investimento em sistemas robustos e servi\u00e7os especializados para que as informa\u00e7\u00f5es significativas e confi\u00e1veis alcancem visibilidade digital e tenham uso efetivo.<\/p>\n<p>O que \u00e9 inadmiss\u00edvel \u00e9 atribuir as dificuldades que vivenciamos a um defeito at\u00e1vico da popula\u00e7\u00e3o brasileira, que, como resultado de uma esp\u00e9cie de maldi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o gosta de ler, n\u00e3o gosta de estudar. O conhecimento das estruturas das bibliotecas p\u00fablicas dos pa\u00edses desenvolvidos nos deixa estarrecidos \u2014 suas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam efetivamente acesso ao livro. N\u00e3o \u00e9 o caso do Brasil. As bibliotecas de escolas, bairros e at\u00e9 munic\u00edpios, quando existem, costumam ter acesso prec\u00e1rio \u00e0 internet e uma cole\u00e7\u00e3o pouco atualizada e atrativa. Quem l\u00ea um livro que n\u00e3o lhe interessa?<\/p>\n<p>Existe muito espa\u00e7o para repensar a gest\u00e3o de bibliotecas com os recursos que temos; nossa resili\u00eancia e criatividade s\u00e3o fonte de desenvolvimento de algumas habilidades importantes, mas n\u00e3o estamos encontrando espa\u00e7o para sua implementa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de recursos, parece faltar vontade pol\u00edtica e capacidade de articula\u00e7\u00e3o para a reivindica\u00e7\u00e3o. Aqui, me refiro mais \u00e0s bibliotecas do que \u00e0s editoras, por conhecimento mais profundo de causa.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o investimento em bibliotecas e editoras universit\u00e1rias \u00e9 fundamental para que a tecnologia tenha impacto nas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia com os benef\u00edcios associados \u00e0 Era do Conhecimento, ao inv\u00e9s dos preju\u00edzos da Era da Ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>C&amp;C<\/strong> \u2013 <strong>Como mulher em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a em um ambiente acad\u00eamico, voc\u00ea j\u00e1 enfrentou desafios espec\u00edficos relacionados a g\u00eanero? Que conselho daria para outras mulheres que desejam assumir cargos de gest\u00e3o na \u00e1rea da ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LS<\/strong> \u2013 A Biblioteconomia \u00e9 uma \u00e1rea de dom\u00ednio feminino; seria de se supor que eu n\u00e3o enfrente desafios por preconceitos de g\u00eanero. Infelizmente, \u00e9 uma pressuposi\u00e7\u00e3o equivocada. Os discursos progressistas, \u00e0s vezes, s\u00e3o acompanhados de pr\u00e1ticas conservadoras, o que, pela minha experi\u00eancia, \u00e9 o caso do ramo em que atuo.<\/p>\n<p>Em um setor t\u00e3o negligenciado pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, muitas vezes as lideran\u00e7as se imp\u00f5em como desafio m\u00e1ximo \u00e0 representa\u00e7\u00e3o de sua classe, e n\u00e3o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o com impacto social. Apesar de importantes, os discursos e as lideran\u00e7as representativas de classe n\u00e3o s\u00e3o suficientes para empreender projetos de inova\u00e7\u00e3o que contribuam para a equidade no acesso ao conhecimento em uma conjuntura de investimentos absolutamente desfavor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esses projetos envolvem a gest\u00e3o para a mudan\u00e7a e, portanto, uma disposi\u00e7\u00e3o para mobilizar recursos em um contexto de incertezas (tudo pode dar errado) e para travar debates com alto risco de diverg\u00eancia. Duas condutas que n\u00e3o s\u00e3o esperadas das mulheres, cuja exist\u00eancia \u00e9 frequentemente associada ao cuidado \u2014 e n\u00e3o \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O meu conselho para outras mulheres \u00e9 que naturalizem as diverg\u00eancias e abracem os projetos transcendentes que, por tanto tempo, foram de dom\u00ednio masculino. Sugiro que assumam o risco de errar e vejam no contradit\u00f3rio uma oportunidade de aprendizagem permanente. Mas, principalmente, que busquem colabora\u00e7\u00f5es com pessoas tamb\u00e9m comprometidas com a a\u00e7\u00e3o transformadora. Essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia necess\u00e1ria para seu trabalho e fortalecimento: as press\u00f5es e os preconceitos enfrentados podem ser violentos.<\/p>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o recente do discurso em detrimento da pr\u00e1tica, que me parece inserida em um conjunto de mudan\u00e7as culturais promovidas por essa nova forma de estarmos no mundo \u2014 pelas redes sociais \u2014 refor\u00e7a esse jogo de apar\u00eancias. Mais do que representantes, precisamos de lideran\u00e7as que empreendam mudan\u00e7as, o que \u00e9 sempre mais desafiador para uma mulher. \u00c9 dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel \u2014 sobretudo quando constru\u00edmos redes de apoio consistentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"bibliotecas-e-editoras-universitarias-tem-um-desafio-historico-comum-agravado-por-condicoes-contemporaneas-o-desafio-e-a-promocao-da-leitura\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cBibliotecas e editoras universit\u00e1rias t\u00eam um desafio hist\u00f3rico comum, agravado por condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. O desafio \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da leitura.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C<\/strong> \u2013 <strong>Olhando para o futuro, quais s\u00e3o as prioridades e inova\u00e7\u00f5es que voc\u00ea considera essenciais para bibliotecas e editoras universit\u00e1rias no cen\u00e1rio brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>LS<\/strong> \u2013 Bibliotecas e editoras universit\u00e1rias t\u00eam um desafio hist\u00f3rico comum, agravado por condi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. O desafio \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da leitura. Os agravantes s\u00e3o: a populariza\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1udios e v\u00eddeos como h\u00e1bito exclusivo de informa\u00e7\u00e3o e a substitui\u00e7\u00e3o do pensamento pelos sistemas de intelig\u00eancia artificial \u2014 condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que permitem a realiza\u00e7\u00e3o de certas tarefas que antes dependiam, em grande medida, do exerc\u00edcio dos neur\u00f4nios da leitura.<\/p>\n<p>Esses recursos tecnol\u00f3gicos, quando compreendidos no contexto pol\u00edtico brasileiro, t\u00eam implica\u00e7\u00f5es alarmantes: nosso sistema educacional caracteriza-se por sua baixa qualidade. N\u00e3o raro, os processos de aprendizagem s\u00e3o reduzidos \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de uma resposta certa para uma pergunta de m\u00faltipla escolha \u2014 um m\u00e9todo rudimentar de avalia\u00e7\u00e3o, que dificilmente contribui para nortear processos significativos de descoberta do conhecimento. Assim, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que, entre os clientes fi\u00e9is da ind\u00fastria da desinforma\u00e7\u00e3o, encontrem-se pessoas altamente escolarizadas.<\/p>\n<p>Da mesma forma como as caracter\u00edsticas do sistema educacional impactam os processos de aprendizagem, os par\u00e2metros que estruturam o sistema cient\u00edfico tamb\u00e9m s\u00e3o reveladores dos modos de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Nesse caso, percebe-se que o modelo produtivista, que consolidou o sistema cient\u00edfico nas \u00faltimas d\u00e9cadas, exige uma velocidade de publica\u00e7\u00e3o que, com frequ\u00eancia, resulta na produ\u00e7\u00e3o de respostas para perguntas nem sempre relevantes.<\/p>\n<p>No caso das bibliotecas, a prioridade continua sendo incontorn\u00e1vel: criar e desenvolver bibliotecas com acervos significativos em escolas e bairros \u2014 um desafio que nunca superamos. A inova\u00e7\u00e3o, por sua vez, est\u00e1 na utiliza\u00e7\u00e3o de plataformas de servi\u00e7os de biblioteca modernas, que permitam a constru\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura de uso comum por uma vasta rede de institui\u00e7\u00f5es. Nos pa\u00edses desenvolvidos, essa tecnologia j\u00e1 est\u00e1 sendo utilizada com essa finalidade, possibilitando uma gest\u00e3o de dados colaborativa e enriquecida. Sistemas em c\u00f3digo aberto, sem cobran\u00e7a de licen\u00e7as, permitem o uso em larga escala com sustentabilidade econ\u00f4mica. Seus padr\u00f5es de registro bibliogr\u00e1fico possibilitam a conex\u00e3o com m\u00faltiplos servi\u00e7os de dados, superando os limites institucionais.<\/p>\n<p>Esses chamados <em>dados linkados<\/em> tornam poss\u00edvel a integra\u00e7\u00e3o dos registros bibliogr\u00e1ficos em buscas realizadas em outras plataformas da internet e uma apresenta\u00e7\u00e3o visualmente mais atrativa nos pr\u00f3prios cat\u00e1logos, com recursos de recomenda\u00e7\u00e3o. Os dados da biblioteca passam a ser vis\u00edveis al\u00e9m de seus pr\u00f3prios sistemas e se aproximam da experi\u00eancia de descoberta de informa\u00e7\u00e3o oferecida por plataformas como o Google.<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o desse modelo em um pa\u00eds em desenvolvimento como o Brasil poderia cumprir ainda uma fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor. A inclus\u00e3o, nesse sistema, de todas as escolas, munic\u00edpios e bairros que se autodeclaram em censos como possuidores de bibliotecas permitiria mapear sua exist\u00eancia real. Ter\u00edamos, finalmente, uma ferramenta de diagn\u00f3stico que permitiria identificar lacunas e orientar investimentos para san\u00e1-las. Bibliotecas com livros interessantes e acess\u00edveis t\u00eam alto potencial para ampliar a parcela leitora de nossa popula\u00e7\u00e3o. Com o exerc\u00edcio dos neur\u00f4nios da leitura, os \u00e1udios, v\u00eddeos e sistemas de intelig\u00eancia artificial poder\u00e3o consolidar os processos de conhecimento \u2014 e n\u00e3o superficializ\u00e1-los.<\/p>\n<p>No caso das editoras, h\u00e1 tamb\u00e9m um espa\u00e7o promissor de inova\u00e7\u00e3o, sobretudo no uso de reposit\u00f3rios digitais e conte\u00fados multim\u00eddia com vistas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da integridade das evid\u00eancias cient\u00edficas e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o com p\u00fablicos mais amplos. No entanto, pessoalmente, acho que a prioridade requer uma iniciativa de outra natureza, que n\u00e3o apenas tecnol\u00f3gica: provocar a comunidade cient\u00edfica brasileira por meio do estabelecimento de linhas editoriais voltadas a problemas relevantes, que exijam respostas complexas \u2014 mas comunicadas de forma acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Esse caminho envolve, em alguma medida, um retorno \u00e0s abordagens que antecederam a ultraespecializa\u00e7\u00e3o dos campos cient\u00edficos \u2014 um fen\u00f4meno que, embora tenha resultado em avan\u00e7os importantes, talvez precise agora de uma provoca\u00e7\u00e3o que permita recompor sentidos e conectar diferentes \u00e1reas do conhecimento. O objetivo \u00e9 promover tamb\u00e9m uma compreens\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia. Tal iniciativa pode contribuir para sensibilizar pesquisadores sobre a import\u00e2ncia do impacto social \u2014 e n\u00e3o apenas do impacto acad\u00eamico \u2014, promovendo um debate mais amplo sobre os indicadores de avalia\u00e7\u00e3o em ci\u00eancia e tecnologia utilizados pelas ag\u00eancias de fomento.<\/p>\n<p>Essas prioridades e inova\u00e7\u00f5es s\u00e3o, a meu ver, essenciais para que bibliotecas e editoras universit\u00e1rias cumpram seu papel como agentes de cidadania em uma era que ainda precisa merecer o nome de <em>Era do Conhecimento<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Leticia Strehl, diretora da Editora da UFRGS &nbsp; Desde&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":8270,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8269"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8269"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8271,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8269\/revisions\/8271"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}