{"id":8299,"date":"2025-05-28T08:00:24","date_gmt":"2025-05-28T08:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8299"},"modified":"2025-10-15T13:09:49","modified_gmt":"2025-10-15T13:09:49","slug":"brasil-na-era-quantica-entre-avancos-cientificos-e-desafios-tecnologicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8299","title":{"rendered":"Brasil na Era Qu\u00e2ntica: entre avan\u00e7os cient\u00edficos e desafios tecnol\u00f3gicos"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-que-e-a-ciencia-quantica-por-que-2025-marca-seu-protagonismo-global-e-como-o-brasil-busca-seu-lugar-nessa-revolucao-tecnologica\"><span style=\"color: #808080;\">O que \u00e9 a ci\u00eancia qu\u00e2ntica, por que 2025 marca seu protagonismo global e como o Brasil busca seu lugar nessa revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2025, o mundo inteiro volta os olhos para a f\u00edsica qu\u00e2ntica. Isso porque a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>ONU<\/strong><\/a><\/span> declarou este o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/quantum2025-org.translate.goog\/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Ano Internacional da Ci\u00eancia e Tecnologia Qu\u00e2ntica<\/em><\/strong><\/a><strong><em>s<\/em><\/strong><\/span> \u2014 um reconhecimento n\u00e3o somente \u00e0 teoria que revolucionou nossa compreens\u00e3o da mat\u00e9ria h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, mas tamb\u00e9m \u00e0s tecnologias que come\u00e7am a moldar nosso futuro de forma concreta.<\/p>\n<p>Mas afinal, o que \u00e9 essa tal de \u201cqu\u00e2ntica\u201d? O termo pode soar m\u00edstico \u2014 e \u00e9 frequentemente usado equivocadamente para vender ideias esot\u00e9ricas ou produtos duvidosos \u2014, mas a ci\u00eancia qu\u00e2ntica \u00e9 baseada em fundamentos rigorosos. Ela estuda o comportamento das part\u00edculas mais elementares da natureza, como el\u00e9trons e f\u00f3tons, em uma escala t\u00e3o microsc\u00f3pica que as leis da f\u00edsica cl\u00e1ssica deixam de se aplicar. Nesse mundo min\u00fasculo, part\u00edculas podem ser encontradas em dois estados ao mesmo tempo (fen\u00f4meno conhecido como <em>superposi\u00e7\u00e3o<\/em>) e at\u00e9 se influenciarem a longas dist\u00e2ncias (<em>emaranhamento<\/em>). Por muito tempo, esses conceitos pareceram sa\u00eddos da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Hoje, come\u00e7am a se materializar em aplica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas reais. S\u00e3o esses fen\u00f4menos qu\u00e2nticos que modelam o mundo macrosc\u00f3pico em que vivemos.<\/p>\n<p>Entre os maiores avan\u00e7os est\u00e1 o computador qu\u00e2ntico. Diferente dos computadores tradicionais, que operam com bits (0 ou 1), ele utiliza <em>qubits<\/em>, capazes de representar m\u00faltiplos estados simultaneamente. Isso permite resolver problemas complexos \u2014 como simula\u00e7\u00f5es moleculares para novos medicamentos, cria\u00e7\u00e3o de materiais inovadores ou planejamento log\u00edstico em larga escala \u2014 com velocidade incompar\u00e1vel. J\u00e1 a <em>criptografia qu\u00e2ntica<\/em> promete uma seguran\u00e7a quase inviol\u00e1vel nas comunica\u00e7\u00f5es digitais. E os <em>sensores qu\u00e2nticos<\/em> t\u00eam potencial para detectar m\u00ednimas varia\u00e7\u00f5es em campos magn\u00e9ticos e gravitacionais, com aplica\u00e7\u00f5es que v\u00e3o de exames m\u00e9dicos ultra-precisos a sistemas de navega\u00e7\u00e3o e monitoramento ambiental.<\/p>\n<p>As tecnologias qu\u00e2nticas come\u00e7aram a impactar o mundo ainda no s\u00e9culo XX, com aplica\u00e7\u00f5es como o laser na medicina, a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, CDs, c\u00e2meras digitais e componentes de computadores. No s\u00e9culo XXI, os avan\u00e7os se ampliaram em \u00e1reas como fot\u00f4nica qu\u00e2ntica (exames de imagem), qu\u00edmica qu\u00e2ntica (diagn\u00f3sticos r\u00e1pidos), novos materiais e a chamada informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. Tamb\u00e9m surgiram sensores qu\u00e2nticos para monitoramento ambiental e estudos em energia limpa, como c\u00e9lulas solares mais eficientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"temos-uma-comunidade-cientifica-consolidada-com-potencial-para-liderar-projetos-de-grande-porte-em-ciencia-e-tecnologia-quantica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cTemos uma comunidade cient\u00edfica consolidada, com potencial para liderar projetos de grande porte em ci\u00eancia e tecnologia qu\u00e2ntica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje j\u00e1 vivemos em um \u201cmundo qu\u00e2ntico\u201d: celulares, lasers e c\u00e9lulas fotovoltaicas s\u00e3o exemplos da primeira gera\u00e7\u00e3o dessas tecnologias. Agora, a segunda gera\u00e7\u00e3o \u2014 que inclui computa\u00e7\u00e3o e sensores qu\u00e2nticos \u2014 come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o, embora ainda enfrente grandes desafios t\u00e9cnicos e na forma\u00e7\u00e3o de profissionais. \u201cEssas tr\u00eas linhas envolvem engenharia, desenvolvimento de software e suporte te\u00f3rico, implicando numa forte colabora\u00e7\u00e3o entre f\u00edsicos, qu\u00edmicos, matem\u00e1ticos e engenheiros, al\u00e9m de uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 ocorre em outros pa\u00edses\u201d, afirma Luiz Davidovich, Professor Em\u00e9rito da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), durante a 5\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia. Segundo ele, o Brasil tenta acompanhar os avan\u00e7os, mas ainda enfrenta o desafio da falta de recursos. Apesar disso, o pa\u00eds tem produzido conhecimento e conta com 20 institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior e o Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF) atuando na \u00e1rea. Em 2024, foi criada a primeira rede qu\u00e2ntica conectando institui\u00e7\u00f5es no Rio de Janeiro, e a Portaria MCTI n.\u00ba 8194 instituiu um grupo de trabalho para propor diretrizes nacionais em tecnologias qu\u00e2nticas. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-celula-fotovoltaicafonte-portalsolar-com-br-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8301\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1-300x217.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1-300x217.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1-1024x740.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1-768x555.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1-800x578.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura1.jpg 1041w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. C\u00e9lula fotovoltaica<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Portalsolar.com.br. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-quantica-no-brasil-avancos-e-obstaculos\"><strong>A qu\u00e2ntica no Brasil: avan\u00e7os e obst\u00e1culos<\/strong><\/h4>\n<p>No Brasil, um dos centros de destaque \u00e9 o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.senaicimatec.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>SENAI CIMATEC<\/strong><\/a><\/span>, em Salvador (BA), que abriga o CIMATEC QUANTUM, novo laborat\u00f3rio que integra as iniciativas do Centro de Compet\u00eancia <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/embrapii.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Embrapii<\/strong><\/a><\/span> em Tecnologias Qu\u00e2nticas (QuIIN) e do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/laqcc.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Latin America Quantum Computing Center (LAQCC)<\/strong><\/a><\/span>, especializado na distribui\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica de chaves com vari\u00e1veis cont\u00ednuas (CV-QKD). O local tamb\u00e9m sedia o <em>Kuatomu <\/em>(que significa Quantum em Iorub\u00e1), primeiro e maior simulador de computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica da Am\u00e9rica Latina, voltado para solu\u00e7\u00f5es para a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil est\u00e1 na 21\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre os maiores produtores de artigos cient\u00edficos na \u00e1rea de tecnologias qu\u00e2nticas. E at\u00e9 agora, o \u00fanico investimento concentrado e massivo nessa \u00e1rea foi o do QuINN no <a href=\"https:\/\/www.senaicimatec.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">SENAI CIMATEC<\/span><\/strong><\/a>, que chega a R$ 60 milh\u00f5es. Apesar do baixo investimento, temos uma posi\u00e7\u00e3o muito boa. Isso mostra que temos uma comunidade cient\u00edfica consolidada, com potencial para liderar projetos de grande porte em ci\u00eancia e tecnologia qu\u00e2ntica\u201d, afirma o pesquisador Gustavo Wiederhecker, professor do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/unicamp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>Parcerias entre o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/lncc\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Laborat\u00f3rio Nacional de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (LNCC)<\/strong><\/a><\/span>, universidades federais e entidades como a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.sbc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o (SBC)<\/strong><\/a><\/span> est\u00e3o se fortalecendo para desenvolver algoritmos inovadores e investigar sistemas de supercondutividade \u2014 aspectos fundamentais para o avan\u00e7o do hardware qu\u00e2ntico. No entanto, essas colabora\u00e7\u00f5es ainda ocorrem de forma dispersa, diferentemente de \u00e1reas como a f\u00edsica de altas energias, que operam em cons\u00f3rcios internacionais organizados, como o CERN.<\/p>\n<p>Durante mais de duas d\u00e9cadas, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/inctiq.if.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>INCT-IQ (Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia de Informa\u00e7\u00e3o Qu\u00e2ntica)<\/strong><\/a><\/span> desempenhou papel essencial na articula\u00e7\u00e3o dessa rede. Mas, segundo Ivan Oliveira, coordenador do Laborat\u00f3rio de Tecnologias Qu\u00e2nticas do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cbpf\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF)<\/strong><\/a><\/span><strong>,<\/strong> o resultado do edital para os INCTs de 2025 desarticulou completamente essa colabora\u00e7\u00e3o. \u201cAs colabora\u00e7\u00f5es nesta \u00e1rea se d\u00e3o hoje entre grupos e pesquisadores individuais. Durante mais de vinte anos, o Instituto Mil\u00eanio de Informa\u00e7\u00e3o Qu\u00e2ntica, atual INCT, funcionou como uma \u2018grande colabora\u00e7\u00e3o\u2019 nacional, reunindo centenas de pesquisadores, estudantes e parceiros internacionais. Essa iniciativa de sucesso foi dramaticamente interrompida\u201d, lamenta. Por\u00e9m, h\u00e1 outros\u00a0INCTs (e propostas novas deles) na \u00e1rea geral da ci\u00eancia qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-fisica-e-uma-ciencia-experimental-e-nos-laboratorios-que-as-grandes-teorias-sao-testadas-confirmadas-ou-descartadas-e-e-desses-laboratorios-que-surgem-tecnologias-como-os-monitores-de-cr\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA f\u00edsica \u00e9 uma ci\u00eancia experimental. \u00c9 nos laborat\u00f3rios que as grandes teorias s\u00e3o testadas, confirmadas ou descartadas. E \u00e9 desses laborat\u00f3rios que surgem tecnologias como os monitores de cristal l\u00edquido ou a internet.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da fragiliza\u00e7\u00e3o institucional, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica continua forte. A pesquisadora Liliana Sanz de la Torre, professora do Instituto de F\u00edsica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU)<\/strong><\/a><\/span>, destaca a import\u00e2ncia de experimentos brasileiros com emaranhamento qu\u00e2ntico e f\u00f3tons g\u00eameos, al\u00e9m das contribui\u00e7\u00f5es em termodin\u00e2mica qu\u00e2ntica desenvolvidas em centros como o CBPF, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufabc.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do ABC (UFABC)<\/strong><\/a><\/span> e universidades no interior do pa\u00eds, como<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufg.br\/?id=1&amp;locale=es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG)<\/strong><\/a><\/span><strong>,<\/strong> entre outras. \u201cTemos l\u00edderes com reconhecimento internacional nessas \u00e1reas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro obst\u00e1culo \u00e9 a falta de acesso a tecnologias estrat\u00e9gicas devido ao chamado <em>Quantum Embargo<\/em> \u2014 restri\u00e7\u00f5es lideradas por EUA e pa\u00edses da OTAN que dificultam a exporta\u00e7\u00e3o de equipamentos sens\u00edveis. Gustavo Wiederhecker relata casos de pesquisadores brasileiros que tiveram pedidos negados, inviabilizando experimentos. \u201cO <em>Quantum Embargo<\/em> s\u00e3o restri\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00e3o aplicadas por pa\u00edses como os Estados Unidos, com apoio europeu, principalmente da OTAN, para tecnologias ligadas diretamente \u00e0 ci\u00eancia qu\u00e2ntica\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"tecnologia-quantica\"><strong>Tecnologia qu\u00e2ntica<\/strong><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Apesar de uma produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de ponta, amplamente reconhecida no cen\u00e1rio internacional, o Brasil ainda engatinha no desenvolvimento de tecnologias qu\u00e2nticas aplicadas. A lacuna entre a excel\u00eancia cient\u00edfica e a capacidade tecnol\u00f3gica do pa\u00eds salta aos olhos em exemplos emblem\u00e1ticos: o Brasil ainda n\u00e3o fabrica lasers com a precis\u00e3o necess\u00e1ria para comunica\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica \u2014 tecnologia dominada por pa\u00edses como os EUA desde os anos 1960. Tamb\u00e9m n\u00e3o produz jun\u00e7\u00f5es Josephson, dispositivos supercondutores essenciais para os chips qu\u00e2nticos utilizados por gigantes como IBM e Google, como explica Ivan Oliveira. \u201cA produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do Brasil na \u00e1rea de Informa\u00e7\u00e3o Qu\u00e2ntica \u2014 que engloba computa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e sensores \u2014 \u00e9 robusta e de muita boa qualidade, com amplo reconhecimento internacional. No entanto, no que diz respeito ao desenvolvimento das chamadas tecnologias qu\u00e2nticas, sejam elas de primeira ou segunda gera\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 essencialmente nula\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para reverter esse quadro, diversas iniciativas p\u00fablicas e privadas t\u00eam buscado estruturar um ecossistema nacional de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o em informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. Um dos destaques \u00e9 o investimento de cerca de R$ 9 milh\u00f5es do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/strong><\/a><\/span> e do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI)<\/strong><\/a><\/span> para criar tr\u00eas redes nacionais de comunica\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. A primeira ser\u00e1 coordenada por Daniel Felinto, na <a href=\"https:\/\/www.ufpe.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal de Pernambuco (UFPE);<\/span><\/strong><\/a> a segunda, por Celso Villas-B\u00f4as, na <a href=\"https:\/\/www.ufscar.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar)<\/span>;<\/strong><\/a> e a terceira \u2014 a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/rederio.br\/sites\/default\/files\/files\/downloads\/RRQ_Sumario_divulgacao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Rede Rio Qu\u00e2ntica<\/strong><\/a> <\/span>\u2014 por Ant\u00f4nio Zelaquett Khoury, que est\u00e1 lan\u00e7ando um feixe de f\u00f3tons sobre a ba\u00eda de Guanabara, no Rio de Janeiro, conectando a CBPF \u00e0 <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uff.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal Fluminense (UFF)<\/strong><\/a><\/span>, e tamb\u00e9m interligando por cabos de fibra \u00f3ptica a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/strong><\/a><\/span>, a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.puc-rio.br\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)<\/strong><\/a><\/span>, o CBPF e o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ime.eb.mil.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Instituto Militar de Engenharia (IME)<\/strong><\/a><\/span>. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-experimentacao-com-o-feixe-de-laser-que-a-rede-rio-quantica-utilizara-para-ligar-a-uff-ao-cbpf-fonte-tatiana-azzi-ncs%e2%80%89-%e2%80%89cbpf-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8302\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-300x220.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-300x220.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-1024x751.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-768x564.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-1536x1127.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-800x587.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2-1160x851.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-reportagem-Cie\u0302ncia-qua\u0302ntica-no-Brasil-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. <\/strong><strong>Experimenta\u00e7\u00e3o com o feixe de laser que a Rede Rio Qu\u00e2ntica utilizar\u00e1 para ligar a UFF ao CBPF.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Tatiana Azzi NCS\u2009\/\u2009CBPF. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No campo da computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, os desafios s\u00e3o ainda maiores. Desde 2022, um projeto conjunto entre o CBPF e a Unicamp, financiado por Petrobras, <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.faperj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)<\/strong><\/a><\/span> e <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp)<\/strong><\/a><\/span>, busca desenvolver o primeiro chip qu\u00e2ntico brasileiro, com aporte inicial de R$ 23 milh\u00f5es e previs\u00e3o de mais R$ 8 milh\u00f5es. Os primeiros prot\u00f3tipos j\u00e1 est\u00e3o em fase de impress\u00e3o, mas a produ\u00e7\u00e3o em escala ainda est\u00e1 distante.<\/p>\n<p>Esse avan\u00e7o tecnol\u00f3gico vem acompanhado de investimentos em forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos. Um levantamento recente evidencia que membros do INCT-IQ j\u00e1 orientaram mais de 590 teses de doutorado e 790 disserta\u00e7\u00f5es de mestrado na \u00e1rea. O esfor\u00e7o come\u00e7ou em 2000, com o primeiro Instituto do Mil\u00eanio, e hoje resulta em uma comunidade cient\u00edfica distribu\u00edda por todo o pa\u00eds \u2014 por\u00e9m, foi interrompido no primeiro edital. \u201c\u00c9 um esfor\u00e7o que a comunidade fez em forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos que vem desde o primeiro Instituto do Mil\u00eanio de Informa\u00e7\u00e3o Qu\u00e2ntica, do ano 2000. Hoje temos pesquisadores da \u00e1rea desde Natal (RN) at\u00e9 Santa Maria (RS), com muita capilaridade\u201d, destaca Liliana Sanz de la Torre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, uma nova frente se abre com o Centro de Compet\u00eancia em Tecnologias Qu\u00e2nticas, criado pela Embrapii com apoio do MCTI. Com or\u00e7amento de R$ 60 milh\u00f5es, o centro busca capacitar profissionais t\u00e9cnicos de diferentes \u00e1reas para atuarem diretamente na ind\u00fastria qu\u00e2ntica nacional.<\/p>\n<p>Outro marco importante \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do primeiro Laborat\u00f3rio de Tecnologias Qu\u00e2nticas do CBPF, no Rio de Janeiro. Equipado com refrigerador de dilui\u00e7\u00e3o e evaporadora \u2014 que permitem fabricar e testar dispositivos supercondutores em temperaturas pr\u00f3ximas ao zero absoluto \u2014 o laborat\u00f3rio foi viabilizado com recursos da Finep e apoio de ag\u00eancias como CNPq, Faperj e Fapesp. Atuar\u00e1 em tr\u00eas frentes principais: computa\u00e7\u00e3o, sensores e comunica\u00e7\u00e3o. Ser\u00e3o produzidos chips com jun\u00e7\u00f5es Josephson, dispositivos como os SQUIDs (magnet\u00f4metros supercondutores), amplificadores param\u00e9tricos, detectores de f\u00f3tons e circuladores. O CBPF j\u00e1 tem tradi\u00e7\u00e3o no processamento de informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica com Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Nuclear (RMN), t\u00e9cnica usada h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas na institui\u00e7\u00e3o. O SENAI CIMATEC tamb\u00e9m se destaca no setor industrial com o Centro de Compet\u00eancia Embrapii em Tecnologias Qu\u00e2nticas, o QuIIN (Quantum Industrial Innovation), focado em sistemas de distribui\u00e7\u00e3o de chaves qu\u00e2nticas com vari\u00e1veis cont\u00ednuas (CV-QKD), somando-se ao esfor\u00e7o nacional para que o pa\u00eds n\u00e3o apenas consuma, mas tamb\u00e9m produza tecnologia de ponta.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"financiamento-e-politicas-publicas-o-desafio-da-articulacao\"><strong>Financiamento e pol\u00edticas p\u00fablicas: o desafio da articula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Enquanto o mundo acelera os investimentos na chamada \u201csegunda revolu\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica\u201d, o Brasil corre para n\u00e3o perder uma nova janela hist\u00f3rica. O financiamento global em tecnologias qu\u00e2nticas j\u00e1 ultrapassou os US$ 40 bilh\u00f5es e pode chegar a US$ 106 bilh\u00f5es at\u00e9 2040, segundo o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.weforum.org\/publications\/quantum-economy-blueprint\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Quantum Economy Blueprint<\/em><\/strong><\/a><\/span>, divulgado pelo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.weforum.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/strong><\/a> <\/span>em janeiro de 2024. A aposta \u00e9 clara: essas tecnologias v\u00e3o transformar \u00e1reas como seguran\u00e7a digital, sensores de alta precis\u00e3o e, sobretudo, a computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como China, Canad\u00e1, Reino Unido e Estados Unidos lideram a corrida. A China concentra quase metade dos investimentos globais e domina a \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. O Canad\u00e1 investiu mais de US$ 1 bilh\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, e o Reino Unido lan\u00e7ou a <em>National Quantum Strategy<\/em>, com 2,5 bilh\u00f5es de libras para os pr\u00f3ximos dez anos. S\u00f3 o or\u00e7amento federal dos Estados Unidos para P&amp;D de tecnologias qu\u00e2nticas foram estimados em mais de US$ 1 bilh\u00e3o em 2024, de acordo com a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.quantum.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>National Quantum Initiative<\/em><\/strong><\/a><\/span>. Um mapeamento detalhado est\u00e1 dispon\u00edvel na plataforma <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.qureca.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Qureca<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>O Brasil, embora ainda distante desses n\u00fameros, come\u00e7ou a reagir. A trajet\u00f3ria nacional teve in\u00edcio nos anos 2000, com a cria\u00e7\u00e3o do Instituto do Mil\u00eanio de Informa\u00e7\u00e3o Qu\u00e2ntica \u2014 iniciativa do MCTI com apoio do Banco Mundial. O programa foi essencial para formar doutores que hoje lideram grupos de pesquisa em todo o pa\u00eds. Em 2009, surgiu o INCT-IQ, reunindo mais de 20 grupos e 100 cientistas de \u00e1reas como f\u00edsica at\u00f4mica, teoria da informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o. \u201cDesde o in\u00edcio dos anos 2000, com a cria\u00e7\u00e3o do primeiro Instituto Mil\u00eanio de Informa\u00e7\u00e3o Qu\u00e2ntica, a \u00e1rea vem se desenvolvendo no Brasil. Novos doutores se formaram dentro deste projeto e hoje s\u00e3o lideran\u00e7as importantes. A maior evolu\u00e7\u00e3o ocorreu nos grupos te\u00f3ricos. Entre os experimentais, grupos de \u00f3tica qu\u00e2ntica e comunica\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica importantes se desenvolveram principalmente no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte e Recife\u201d, analisa Ivan Oliveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-um-momento-em-que-o-brasil-busca-melhorar-a-qualificacao-tecnica-e-superior-dos-seus-profissionais-sonhando-com-um-lugar-entre-os-paises-desenvolvidos-investir-em-fisica-e-ciencia-e-estr\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm um momento em que o Brasil busca melhorar a qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e superior dos seus profissionais, sonhando com um lugar entre os pa\u00edses desenvolvidos, investir em f\u00edsica e ci\u00eancia \u00e9 estrat\u00e9gico.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outubro de 2023, a Embrapii anunciou mais um Centro de Compet\u00eancia em Tecnologias Qu\u00e2nticas, com foco em comunica\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e investimento inicial de R$ 60 milh\u00f5es, como parte da iniciativa <em>Future of Industry<\/em>. O centro integra uma rede de sete unidades especializadas, totalizando R$ 463 milh\u00f5es. J\u00e1 em 2024, a Fapesp lan\u00e7ou o programa <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/qutia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">QuTIa (Quantum Technologies InitiAtive)<\/span><\/strong><\/a>, prevendo R$ 150 milh\u00f5es para pesquisas em computa\u00e7\u00e3o, sensores e comunica\u00e7\u00e3o ao longo de cinco anos. Em 2024, R$ 25 milh\u00f5es foram empenhados na repatria\u00e7\u00e3o de cinco jovens pesquisadores atrav\u00e9s do QuTIa, que est\u00e3o desenvolvendo suas pesquisas em S\u00e3o Paulo. \u201cA Embrapii hoje \u00e9 a maior iniciativa concentrada num \u00fanico tema de tecnologias qu\u00e2nticas da Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o s\u00f3 do Brasil. S\u00e3o R$ 60 milh\u00f5es para serem investidos em 42 meses. \u00c9 um prazo curto, menos de cinco anos. Ent\u00e3o realmente \u00e9 algo grande\u201d, afirma Gustavo Wiederhecker.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"educacao-e-futuro-formar-para-transformar\"><strong>Educa\u00e7\u00e3o e futuro: formar para transformar<\/strong><\/h4>\n<p>Embora esteja por tr\u00e1s de tecnologias que usamos diariamente \u2014 como telas de LCD, lasers e a pr\u00f3pria internet \u2014, a f\u00edsica qu\u00e2ntica ainda \u00e9 praticamente ausente no ensino b\u00e1sico brasileiro. Enquanto outros pa\u00edses j\u00e1 formam engenheiros qu\u00e2nticos e integram o tema aos curr\u00edculos do ensino m\u00e9dio, o Brasil emperra na burocracia e na falta de reconhecimento institucional \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Nos cursos superiores de F\u00edsica e em alguns de Engenharia, a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica j\u00e1 integra a grade obrigat\u00f3ria. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um movimento crescente para incluir conte\u00fados espec\u00edficos sobre tecnologias qu\u00e2nticas. A forma\u00e7\u00e3o de profissionais especializados \u00e9 apontada por especialistas como um dos principais fatores para impulsionar o desenvolvimento das ci\u00eancias e tecnologias qu\u00e2nticas no Brasil. Nesse contexto, surgiu em Salvador (BA) a primeira institui\u00e7\u00e3o dedicada a esse prop\u00f3sito: o QuIIN \u2014 <em>Quantum Industrial Innovation<\/em>, o primeiro centro de compet\u00eancia em tecnologias qu\u00e2nticas do pa\u00eds, criado no Cimatec com investimento estrat\u00e9gico da Embrapii e do MCTI. \u201cA engenharia, especialmente a el\u00e9trica e a de computa\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a perceber que precisa desses conhecimentos para inovar\u201d, avalia Liliana Sanz de la Torre. No entanto, a atualiza\u00e7\u00e3o curricular nos cursos superiores brasileiros ainda \u00e9 um processo lento e burocr\u00e1tico. \u201cA f\u00edsica \u00e9 uma ci\u00eancia experimental. \u00c9 nos laborat\u00f3rios que as grandes teorias s\u00e3o testadas, confirmadas ou descartadas. E \u00e9 desses laborat\u00f3rios que surgem tecnologias como os monitores de cristal l\u00edquido ou a internet\u201d, destaca. Para ela, a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada \u00e9 atualmente um dos maiores gargalos para o crescimento do pa\u00eds: \u201cEm um momento em que o Brasil busca melhorar a qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e superior dos seus profissionais, sonhando com um lugar entre os pa\u00edses desenvolvidos, investir em f\u00edsica e ci\u00eancia \u00e9 estrat\u00e9gico\u201d.<\/p>\n<p>Se o desafio \u00e9 grande no ensino superior, no ensino m\u00e9dio a lacuna \u00e9 ainda mais cr\u00edtica. \u201cNossos jovens terminam o ciclo b\u00e1sico ignorando um s\u00e9culo de revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d, alerta Liliana Sanz de la Torre. Ivan Oliveira refor\u00e7a a urg\u00eancia de capacitar professores e atualizar os curr\u00edculos escolares, destacando que muitos docentes est\u00e3o interessados, mas enfrentam resist\u00eancia por parte de gestores e burocracias institucionais. \u201cNo que diz respeito ao Ensino M\u00e9dio, acredito ser da maior urg\u00eancia preparar os professores e introduzir nos curr\u00edculos mat\u00e9rias ligadas a este tema, inclusive para informar os estudantes das possibilidades de emprego que est\u00e3o surgindo no mundo todo\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o problema grav\u00edssimo da fuga de jovens cientistas.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, algumas iniciativas t\u00eam buscado mudar esse cen\u00e1rio. O <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ictp.it\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Centro Internacional de F\u00edsica Te\u00f3rica (ICTP)<\/strong><\/a><\/span> organizou recentemente uma escola de ver\u00e3o dedicada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professores latino-americanos em mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. J\u00e1 programas de mestrado profissional, como os da UFU e do CBPF, v\u00eam desenvolvendo materiais did\u00e1ticos acess\u00edveis para facilitar a introdu\u00e7\u00e3o desses conceitos nas salas de aula. Um exemplo \u00e9 o livro escrito por Marcel Novaes e Nelson Studart, <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/mnpefblumenauufscbr.paginas.ufsc.br\/files\/2017\/05\/MecQuantBas_Novaes_Studart.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>\u201cMec\u00e2nica Qu\u00e2ntica B\u00e1sica\u201d<\/em><\/strong><\/a><\/span>, pensado para quem est\u00e1 tendo o primeiro contato com o tema. A Sociedade Brasileira de F\u00edsica publica as revistas \u201cRevista Brasileira de Ensino de F\u00edsica\u201d e a \u201cF\u00edsica na Escola\u201d, e a Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica edita a \u201cQu\u00edmica Nova\u201d e a \u201cQu\u00edmica Nova na Escola\u201d que discutem como a f\u00edsica e a qu\u00edmica modernas podem e devem ser introduzidas nas escolas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tamb\u00e9m cumpre um papel essencial nessa aproxima\u00e7\u00e3o. A <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistaquestaodeciencia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>revista <em>Quest\u00e3o de Ci\u00eancia<\/em><\/strong><\/a>\u00a0<\/span>combate mitos e desinforma\u00e7\u00f5es sobre f\u00edsica qu\u00e2ntica. A iniciativa <a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/verifisica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em><span style=\"color: #800000;\">Verif\u00edsica<\/span><\/em><\/strong><\/a>, da <a href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF)<\/span>,<\/strong><\/a> atua na mesma dire\u00e7\u00e3o, enfrentando <em>fake news<\/em> cient\u00edficas. O projeto <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/inctiq.if.ufrj.br\/bate-papo-quantico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Bate-Papo Qu\u00e2ntico<\/em><\/strong><\/a><\/span>, coordenado por Marcelo Terra Cunha na Unicamp, se fortalece como a\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o, com equipe ampliada e linguagem acess\u00edvel. H\u00e1 tamb\u00e9m o livro de divulga\u00e7\u00e3o \u201c<em>A Revolu\u00e7\u00e3o dos q-Bits<\/em>\u201d, de autoria de Ivan S. Oliveira e C\u00e1ssio Vieira Leite. Outro impulso importante veio da recente chamada p\u00fablica do CNPq para celebrar o Ano Internacional da Ci\u00eancia e Tecnologia Qu\u00e2nticas. Com cerca de R$ 2 milh\u00f5es destinados a projetos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a expectativa \u00e9 que os resultados dessas a\u00e7\u00f5es comecem a aparecer j\u00e1 ao longo de 2025.<\/p>\n<p>Ainda assim, o reconhecimento institucional da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica segue t\u00edmido. \u201cDivulgar ci\u00eancia no Brasil n\u00e3o tem o mesmo status que publicar em revistas de alto impacto\u201d, critica Ivan Oliveira. \u201cQuem faz divulga\u00e7\u00e3o, muitas vezes, \u00e9 visto como pesquisador de segunda classe. Isso precisa mudar.\u201d Para os especialistas, o desafio n\u00e3o \u00e9 somente curricular, mas tamb\u00e9m cultural. \u201cSe n\u00e3o soubermos captar a aten\u00e7\u00e3o dos jovens para a ci\u00eancia, que compete com TikTok, Instagram e conte\u00fados apelativos, arriscamos perder talentos\u201d, alerta Gustavo Wiederhecker. Ele lembra que a ci\u00eancia dificilmente oferece altos sal\u00e1rios, e que sua for\u00e7a motriz \u00e9 a curiosidade, a paix\u00e3o por descobrir.<\/p>\n<p>Levar a ci\u00eancia qu\u00e2ntica \u00e0s escolas p\u00fablicas, formar professores, criar laborat\u00f3rios, promover visitas, tornar o tema parte do cotidiano dos jovens \u2014 essas s\u00e3o estrat\u00e9gias fundamentais. Mas, para deixarem de ser iniciativas isoladas e ganharem escala, precisam ser transformadas em pol\u00edtica de Estado. \u00c9 hora de preparar os alunos de 2035 \u2014 que hoje est\u00e3o nos bancos do ensino m\u00e9dio \u2014 para um futuro que j\u00e1 come\u00e7ou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-celulares-lasers-e-celulas-fotoeletricas-sao-exemplos-de-tecnologias-quanticas-da-primeira-geracao-fonte-freepik-com-reproducao\"><strong>Capa. <\/strong><strong>Celulares, lasers e c\u00e9lulas fotoel\u00e9tricas s\u00e3o exemplos de tecnologias qu\u00e2nticas da primeira gera\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que \u00e9 a ci\u00eancia qu\u00e2ntica, por que 2025 marca seu protagonismo&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":8300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8299"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8299"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9127,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8299\/revisions\/9127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}