{"id":8317,"date":"2025-06-17T08:00:03","date_gmt":"2025-06-17T08:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8317"},"modified":"2025-06-16T18:50:52","modified_gmt":"2025-06-16T18:50:52","slug":"misticismo-quantico-e-posicoes-relacionadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8317","title":{"rendered":"Misticismo qu\u00e2ntico e posi\u00e7\u00f5es relacionadas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"enfoques-instrumental-filosofico-e-especulativo-uma-analise-critica-das-interpretacoes\"><span style=\"color: #808080;\">Enfoques instrumental, filos\u00f3fico e especulativo: uma an\u00e1lise cr\u00edtica das interpreta\u00e7\u00f5es<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A F\u00edsica Qu\u00e2ntica se consolidou em 1926 como a teoria que descreve \u00e1tomos, mol\u00e9culas, suas intera\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e suas intera\u00e7\u00f5es com diferentes formas de radia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m conhecida como Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica ou Teoria Qu\u00e2ntica, este novo paradigma passou a ter um imenso sucesso, gerando extens\u00f5es e aplica\u00e7\u00f5es nos mais diversos campos da F\u00edsica.<sup>[1]<\/sup><\/p>\n<p>No presente texto, considerarei tr\u00eas enfoques dados \u00e0 Teoria Qu\u00e2ntica. O primeiro \u00e9 o <em>enfoque cient\u00edfico instrumental<\/em>, que designa como os f\u00edsicos e outros cientistas utilizam o formalismo e realizam experimentos, consolidando o aspecto objetivo da teoria. O segundo \u00e9 o <em>enfoque filos\u00f3fico<\/em>, que explora quest\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o da teoria, ou seja, quest\u00f5es que geralmente v\u00e3o al\u00e9m daquilo que se pode testar experimentalmente. O terceiro \u00e9 o <em>enfoque m\u00edstico-qu\u00e2ntico<\/em>, que usa teses filos\u00f3ficas a respeito da Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica e \u00e0s vezes experimentos controvertidos, para defender uma liga\u00e7\u00e3o \u00edntima entre a mente humana ou a alma humana e os princ\u00edpios da F\u00edsica Qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p>O misticismo qu\u00e2ntico \u00e9 um tema pol\u00eamico entre cientistas porque suas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam fundamento experimental reconhecido pela comunidade cient\u00edfica, mas mesmo assim s\u00e3o bastante divulgadas pela m\u00eddia, sendo usadas por muitos para obter lucro em cima da ignor\u00e2ncia dos consumidores ou dos seguidores. O combate feito por cientistas que se autodenominam \u201cc\u00e9ticos cient\u00edficos\u201d (c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s teses m\u00edsticas e parapsicol\u00f3gicas) \u00e9 um movimento bastante importante,<sup>[2]<\/sup> mas que muitas vezes adota simplifica\u00e7\u00f5es e uma atitude agressiva que acaba dificultando a obten\u00e7\u00e3o das metas almejadas.<\/p>\n<p>Em texto publicado em 2010, explorei diversos aspectos do fen\u00f4meno cultural do misticismo qu\u00e2ntico.<sup>[3]<\/sup> Argumentei que o misticismo qu\u00e2ntico faz parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que chamei de \u201cnaturalismo animista\u201d, que no passado tinha uma posi\u00e7\u00e3o mais central na ci\u00eancia, mas que hoje em dia est\u00e1 relegada \u00e0 periferia da ci\u00eancia estabelecida (onde ocorre a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica), sendo que hoje a maioria dos cientistas pode ser classificada como materialista ou positivista. Apresentei tamb\u00e9m uma lista de 19 teses que podem ser adotadas por vis\u00f5es m\u00edstico-qu\u00e2nticas. Explorei a quest\u00e3o \u00e9tica de como a ci\u00eancia estabelecida, de cunho n\u00e3o-m\u00edstico, deve dialogar com o misticismo qu\u00e2ntico, apresentando cinco atitudes poss\u00edveis. Formulei tamb\u00e9m o dilema que todo m\u00edstico deve resolver: ou adotar uma atitude conciliadora, ou uma atitude desafiadora com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia estabelecida.<\/p>\n<p>Analisei tamb\u00e9m um t\u00edpico argumento m\u00edstico-qu\u00e2ntico, conhecido como \u201clei da atra\u00e7\u00e3o\u201d, que aparece no livro \u201c<em>O segredo\u201d<\/em>.<sup>[4]<\/sup> Esta tese pode ser reconstru\u00edda da seguinte maneira:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Ao entrar em contato com outras pessoas ou ambientes, nossa mente pode entrar em um \u201cemaranhamento qu\u00e2ntico\u201d com essas outras mentes ou at\u00e9 com objetos. Mesmo ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, o estado emaranhado permanece. Podemos ent\u00e3o efetuar uma medi\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e com isso provocar um colapso n\u00e3o-local da onda qu\u00e2ntica emaranhada. O resultado disso \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do estado da outra pessoa ou do ambiente. Dado que na f\u00edsica qu\u00e2ntica o observador pode escolher se o fen\u00f4meno observado ser\u00e1 onda ou part\u00edcula, podemos tamb\u00e9m escolher se o colapso qu\u00e2ntico ser\u00e1 associado a uma energia-chi positiva ou negativa. Para isso, \u00e9 preciso treinar as t\u00e9cnicas de pensamento positivo, divulgadas em diversos livros de autoajuda qu\u00e2ntica. Uma vez que esse segredo \u00e9 aprendido, pode-se utilizar o pensamento para alterar diretamente a realidade, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, e assim transformar o mundo de uma maneira positiva para n\u00f3s.<sup>[5]<\/sup><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise feita do argumento faz uma separa\u00e7\u00e3o de cinco teses. Dessas, uma \u00e9 aceit\u00e1vel e outra \u00e9 uma tese interpretativa que n\u00e3o se consegue falsear: o colapso qu\u00e2ntico \u00e9 causado pela tomada de consci\u00eancia do observador. Apesar de esta tese ser pouco aceita entre cientistas, \u00e9 preciso ter toler\u00e2ncia filos\u00f3fica em rela\u00e7\u00e3o a ela. Uma terceira tese \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, n\u00e3o muito bem aceita, de que o c\u00e9rebro humano (ou a consci\u00eancia humana) \u00e9 essencialmente qu\u00e2ntica. At\u00e9 aqui, essas tr\u00eas teses mencionadas podem ser aceitas como parte de um argumento; o problema est\u00e1 com as outras duas afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-misticismo-quantico-e-um-tema-polemico-entre-cientistas-porque-suas-afirmacoes-nao-tem-fundamento-experimental-reconhecido-pela-comunidade-cientifica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO misticismo qu\u00e2ntico \u00e9 um tema pol\u00eamico entre cientistas porque suas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam fundamento experimental reconhecido pela comunidade cient\u00edfica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse tipo de exerc\u00edcio de an\u00e1lise \u00e9 uma maneira de combater os abusos do misticismo qu\u00e2ntico, \u201cdesafiador\u201d da ci\u00eancia, e em sala de aula \u00e9 uma boa oportunidade para ensinar elementos de F\u00edsica Qu\u00e2ntica para os alunos. Sobre outros problemas do debate com o misticismo qu\u00e2ntico, remeto o leitor aos dois artigos mencionados.<\/p>\n<p>Quando o termo \u201cqu\u00e2ntico\u201d \u00e9 invocado em diferentes contextos culturais, busca-se fundamentar uma pr\u00e1tica cultural, sugerindo que ela se baseia em uma ci\u00eancia bem estabelecida. Isso \u00e9 geralmente rejeitado por f\u00edsicos e f\u00edsicas, e muitas vezes os usu\u00e1rios do termo nem entendem muito bem a F\u00edsica Qu\u00e2ntica. O que eles querem ent\u00e3o dizer ao usar o termo \u201cqu\u00e2ntico\u201d? Parece-me que h\u00e1 duas ideias associadas a este termo no imagin\u00e1rio popular, por exemplo, ao se falar numa \u201cempresa qu\u00e2ntica\u201d ou em \u201ctantra qu\u00e2ntico\u201d. 1) <em>Holismo<\/em>: o todo n\u00e3o se reduz \u00e0s partes separadas. 2) <em>Pensamento m\u00e1gico<\/em>: o pensamento positivo pode transformar diretamente a realidade.<\/p>\n<p>Estamos usando o termo \u201cmisticismo qu\u00e2ntico\u201d para designar as propostas de estender a Mec\u00e2nica Qu\u00e2ntica para al\u00e9m dos dom\u00ednios da F\u00edsica, fazendo conex\u00f5es com a mente humana ou com sua espiritualidade. Por\u00e9m, muitos que adotam essa proposta consideram o termo \u201cmisticismo\u201d pejorativo. Haveria um termo mais apropriado?<\/p>\n<p>Comecemos com a defini\u00e7\u00e3o de \u201cmisticismo\u201d. O \u201c<em>Dicion\u00e1rio de Filosofia\u201d<\/em> de Abbagnano <sup>[6]<\/sup> define misticismo como toda doutrina que postula uma comunica\u00e7\u00e3o direta entre o homem e Deus. Por exemplo, no s\u00e9culo XII, Bernardo de Claraval defendeu o caminho \u201cm\u00edstico\u201d contra a filosofia e, em geral, contra o uso da raz\u00e3o. O chamado \u201cmisticismo\u201d passou a designar um modo de conhecimento n\u00e3o racional, que podemos chamar de intui\u00e7\u00e3o, e que no Cristianismo culmina na \u201ccontempla\u00e7\u00e3o\u201d do divino. No s\u00e9culo XIV alem\u00e3o, Meister Eckhart e outros m\u00edsticos voltaram a criticar o uso da raz\u00e3o no campo da religi\u00e3o. A frase de Eckhart, \u201cDeus e eu, somos um\u201d, exprimia a experi\u00eancia m\u00edstica da dissolu\u00e7\u00e3o do eu (a dissolu\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o sujeito-objeto). Autores como Ninian Smart, em seu \u201c<em>World philosophies\u201d,<\/em><sup>[7]<\/sup> apontam semelhan\u00e7as entre esta cosmovis\u00e3o e a do hindu\u00edsmo do Advaita Vedanta. Claramente, a defini\u00e7\u00e3o de misticismo se aplica bem para as correntes orientais do Hindu\u00edsmo, Budismo e Tao\u00edsmo, al\u00e9m da Cabala judaica, do Sufismo isl\u00e2mico, etc.<\/p>\n<p>O termo \u201cmisticismo qu\u00e2ntico\u201d parece ressurgido a partir das compara\u00e7\u00f5es entre a F\u00edsica de Part\u00edculas e o misticismo oriental, exploradas por Fritjof Capra no seu \u201c<em>O Tao da F\u00edsica\u201d<\/em> (1975),<sup>[8]<\/sup> mas as compara\u00e7\u00f5es com o misticismo oriental j\u00e1 tinham sido sugeridas antes por alguns pioneiros da F\u00edsica Qu\u00e2ntica.<sup>[9]<\/sup> O termo passou a ser adotado por cr\u00edticos do movimento, sugerindo que haja aqui uma \u201cmistifica\u00e7\u00e3o\u201d, que pode ser definida como uma interpreta\u00e7\u00e3o obscura, tendenciosa ou falsa. Talvez seja por essa conota\u00e7\u00e3o negativa que o termo \u201cmisticismo\u201d n\u00e3o \u00e9 apreciado por parte dos defensores de uma espiritualidade qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-sala-de-aula-e-uma-boa-oportunidade-para-ensinar-elementos-de-fisica-quantica-para-os-alunos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA sala de aula \u00e9 uma boa oportunidade para ensinar elementos de F\u00edsica Qu\u00e2ntica para os alunos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para sermos rigorosos, ent\u00e3o, parece que o termo \u201cmisticismo qu\u00e2ntico\u201d deve se referir somente \u00e0s vis\u00f5es que aceitam que haja um conhecimento intuitivo, n\u00e3o-racional e n\u00e3o-cient\u00edfico a respeito de dimens\u00f5es espirituais ou transcendentais da realidade, e que defendem que esse conhecimento primordial tem conex\u00f5es com a F\u00edsica Qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Uma vis\u00e3o distinta defenderia uma abordagem mais racional \u00e0 quest\u00e3o das liga\u00e7\u00f5es entre espiritualidade e F\u00edsica Qu\u00e2ntica. De fato, h\u00e1 muitos pesquisadores que procuram adotar uma postura que se poderia chamar \u201ccient\u00edfica\u201d, especulando sobre a natureza da espiritualidade e lan\u00e7ando hip\u00f3teses sobre as poss\u00edveis conex\u00f5es com a F\u00edsica Qu\u00e2ntica.<sup>[10]<\/sup> Naturalmente, n\u00e3o se trata de teorias bem confirmadas, mas somente de ideias na busca por uma compreens\u00e3o da consci\u00eancia humana, ideias essas articuladas racionalmente, e onde as intui\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o consideradas uma forma de conhecimento pr\u00e9-cient\u00edfico seguro, mas somente como hip\u00f3teses de trabalho. Neste caso, o termo \u201cmisticismo qu\u00e2ntico\u201d n\u00e3o se aplicaria corretamente. Como caracterizar ent\u00e3o semelhantes abordagens?<\/p>\n<p>O termo que parece mais interessante e amplo \u00e9 \u201cespiritualismo\u201d, que tem uma acep\u00e7\u00e3o geral que se refere \u00e0 cren\u00e7a na exist\u00eancia de seres imateriais, como Deus e almas imortais. Trata-se da ant\u00edtese do materialismo, que considera que a alma ou consci\u00eancia s\u00e3o frutos da mat\u00e9ria organizada em animais, e que desaparecem na morte do corpo. H\u00e1 diversas acep\u00e7\u00f5es mais restritas de \u201cespiritualismo\u201d, todas contidas na acep\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-o-termo-quantico-e-invocado-em-diferentes-contextos-culturais-busca-se-fundamentar-uma-pratica-cultural-sugerindo-que-ela-se-baseia-em-uma-ciencia-bem-estabelecida\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando o termo \u2018qu\u00e2ntico\u2019 \u00e9 invocado em diferentes contextos culturais, busca-se fundamentar uma pr\u00e1tica cultural sugerindo que ela se baseia em uma ci\u00eancia bem estabelecida.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, definimos uma classe de vis\u00f5es de mundo que chamaremos \u201cespiritualidade qu\u00e2ntica\u201d, ou \u201cespiritualismo qu\u00e2ntico\u201d, e que englobaria tanto o misticismo qu\u00e2ntico quanto um \u201cnaturalismo espiritualista qu\u00e2ntico\u201d, sendo que este \u00e9 mais pr\u00f3ximo da ci\u00eancia e da filosofia anal\u00edtica. Por outro lado, h\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o que nega o espiritualismo, mas defende uma conex\u00e3o entre mente e F\u00edsica Qu\u00e2ntica: como denominar esta posi\u00e7\u00e3o materialista? Usarei o termo \u201cneuro\u00adquantologia\u201d, que \u00e9 o t\u00edtulo de um peri\u00f3dico internacional sediado na Turquia, para designar as vis\u00f5es que consideram que a F\u00edsica Qu\u00e2ntica \u00e9 essencial para explicar ou descrever a alma ou a consci\u00eancia. Assim, a terceira posi\u00e7\u00e3o mencionada acima seria uma \u201cneuroquantologia materialista\u201d.<\/p>\n<p>A <strong>Figura 1<\/strong> representa esta classifica\u00e7\u00e3o.<sup>[11]<\/sup> O c\u00edrculo externo engloba todas as concep\u00e7\u00f5es que se preocupam com o esp\u00edrito, a alma, a mente ou a consci\u00eancia humana. O c\u00edrculo interno inclui as posi\u00e7\u00f5es que chamamos neuroquantologia, e fora deste c\u00edrculo interno, no anel entre os dois c\u00edrculos, h\u00e1 materialistas e espiritualistas que negam que a F\u00edsica Qu\u00e2ntica desempenhe um papel essencial na consci\u00eancia (negam a neuroquantologia). No c\u00edrculo neuroquantol\u00f3gico h\u00e1 as tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es descritas acima, divididas pelos eixos horizontal e vertical. O eixo vertical divide as concep\u00e7\u00f5es materialista (\u00e0 esquerda) e espiritualista (\u00e0 direita). O eixo horizontal divide as vis\u00f5es m\u00edsticas (abaixo) e a que chamaremos naturalista (acima). Assim, definimos o misticismo qu\u00e2ntico (uma forma de espiritualismo), o naturalismo espiritualista qu\u00e2ntico e a neuroquantologia materialista. Aparentemente, n\u00e3o h\u00e1 materialistas m\u00edsticos qu\u00e2nticos, e mesmo uma posi\u00e7\u00e3o materialista m\u00edstica geral parece dif\u00edcil de articular. Est\u00e1 claro que uma mesma pessoa pode ter diferentes vis\u00f5es em diferentes ocasi\u00f5es, ou defender uma mistura entre essas posi\u00e7\u00f5es. A finalidade do diagrama \u00e9 ajudar-nos a definir os conceitos filos\u00f3ficos, e n\u00e3o classificar as opini\u00f5es das pessoas de maneira r\u00edgida.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-representacao-imagetica-de-diferentes-posicoes-filosoficas-na-discussao-sobre-a-relacao-entre-a-fisica-quantica-e-a-mente-ou-espiritualidade-fonte-producao-do-autor\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8319\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-opinia\u0303o-Misticismo-qua\u0302ntico-e-posic\u0327o\u0303es-relacionadas-figura1-300x176.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-opinia\u0303o-Misticismo-qua\u0302ntico-e-posic\u0327o\u0303es-relacionadas-figura1-300x176.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-opinia\u0303o-Misticismo-qua\u0302ntico-e-posic\u0327o\u0303es-relacionadas-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/CC-2E25-opinia\u0303o-Misticismo-qua\u0302ntico-e-posic\u0327o\u0303es-relacionadas-figura1.jpg 706w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Representa\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica de diferentes posi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas na discuss\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a F\u00edsica Qu\u00e2ntica e a mente ou espiritualidade.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Produ\u00e7\u00e3o do autor)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que chamei acima de \u201cnaturalismo animista\u201d identifica-se com o que agora estou denominando naturalismo espiritualista. \u201cAnimismo\u201d \u00e9 a cren\u00e7a, comum a povos rudimentares, de que as coisas naturais s\u00e3o todas animadas, ou seja, que elas todas t\u00eam alma. Na antropologia, segundo Abbagnano, houve uma discuss\u00e3o de se o ser humano de um povo rudimentar se interessava em <em>explicar <\/em>os acontecimentos pela a\u00e7\u00e3o de for\u00e7as animadas (o animismo), ou se ele se voltava para a ca\u00e7a, a pesca e suas festividades, usando a \u201cmagia\u201d (sem querer explicar nada). A magia \u00e9 uma <em>atividade pr\u00e1tica<\/em>, que procura dominar as for\u00e7as naturais com os mesmos procedimentos com que se sujeitam os seres animados.<\/p>\n<p>Um \u00faltimo termo a ser considerado \u00e9 \u201cocultismo\u201d, usado por Patrick Grim no t\u00edtulo de sua excelente colet\u00e2nea, \u201c<em>Philosophy of science and the occult\u201d.<\/em><sup>[12]<\/sup> Trata-se da cren\u00e7a em fen\u00f4menos que se julgam produzidos por for\u00e7as ocultas, estando associado \u00e0 magia, astrologia, parapsicologia, etc. Grim considera que este termo \u00e9 mais neutro do que \u201cpseudoci\u00eancia\u201d, que \u00e9 pejorativo, e mais amplo do que \u201cparanormalidade\u201d, que tende a se restringir \u00e0 parapsicologia.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 id=\"referencias\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/span><\/h6>\n<h6 id=\"1-kragh-h-quantum-generations-a-history-of-physics-in-the-twentieth-century-princeton-princeton-university-press-1999\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Kragh, H. <em>Quantum generations: a history of physics in the twentieth century<\/em>. Princeton: Princeton University Press. 1999.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"2-shermer-m-por-que-as-pessoas-acreditam-em-coisas-estranhas-trad-l-r-gil-sao-paulo-jsn-2011\"><span style=\"color: #808080;\">[2] SHERMER, M. <em>Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas<\/em>. Trad. L.R. Gil. S\u00e3o Paulo: JSN. 2011.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"3-pessoa-jr-o-o-fenomeno-cultural-do-misticismo-quantico-in-freire-jr-o-pessoa-jr-o-bromberg-j-l-orgs-teoria-quantica-estudos-historicos-e-implicacoes-culturais-campina-gra\"><span style=\"color: #808080;\">[3] Pessoa Jr., O. O fen\u00f4meno cultural do misticismo qu\u00e2ntico. In: Freire Jr., O.; Pessoa Jr., O. &amp; Bromberg, J.L. (orgs.). <em>Teoria Qu\u00e2ntica: estudos hist\u00f3ricos e implica\u00e7\u00f5es culturais<\/em>. Campina Grande: Eduepb; S\u00e3o Paulo: Livraria da F\u00edsica, p. 279-300. 2010.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"4-byrne-r-o-segredo-rio-de-janeiro-ediouro-2007\"><span style=\"color: #808080;\">[4] BYRNE, R. <em>O segredo<\/em>. Rio de Janeiro: Ediouro. 2007.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"5-pessoa-jr-o-analise-de-um-tipico-argumento-mistico-quantico-in-silva-c-c-prestes-m-e-b-orgs-aprendendo-ciencia-e-sobre-sua-natureza-abordagens-historicas-e-filosoficas-sao-car\"><span style=\"color: #808080;\">[5] Pessoa Jr., O. An\u00e1lise de um t\u00edpico argumento m\u00edstico-qu\u00e2ntico. In: Silva, C.C. &amp; Prestes, M.E.B. (orgs.).<em> Aprendendo ci\u00eancia e sobre sua natureza: abordagens hist\u00f3ricas e filos\u00f3ficas<\/em>. S\u00e3o Carlos: Tipographia Editora Expressa, p. 171-84. 2013. Ver p. 173.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"6-abbagnano-n-dicionario-de-filosofia-5a-ed-revista-e-ampliada-trad-alfredo-bosi-ivone-c-benedetti-sao-paulo-martins-fontes-2007\"><span style=\"color: #808080;\">[6] Abbagnano, N. <em>Dicion\u00e1rio de filosofia<\/em>. 5\u00aa ed. revista e ampliada. Trad. Alfredo Bosi &amp; Ivone C. Benedetti. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes. 2007.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"7-smart-n-world-philosophies-london-routledge-1999\"><span style=\"color: #808080;\">[7] SMART, N. <em>World philosophies<\/em>. London: Routledge. 1999.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"8-capra-f-o-tao-da-fisica-trad-j-f-dias-sao-paulo-cultrix-1983-original-em-ingles-1975\"><span style=\"color: #808080;\">[8] CAPRA, F. <em>O tao da f\u00edsica<\/em>. Trad. J.F. Dias. S\u00e3o Paulo: Cultrix. 1983. Original em ingl\u00eas: 1975.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"9-wilber-k-niehaus-a-orgs-quantum-questions-mystical-writings-of-the-worlds-greatest-physicists-boston-shambala-2001\"><span style=\"color: #808080;\">[9] WILBER, K. &amp; NIEHAUS, A. (orgs.). <em>Quantum questions: mystical writings of the world\u2019s greatest physicists<\/em>. Boston: Shambala, 2001.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"10-moreira-almeida-a-santos-f-s-orgs-exploring-frontiers-of-the-mind-brain-relationship-new-york-springer-2012\"><span style=\"color: #808080;\">[10] MOREIRA-ALMEIDA, A. &amp; SANTOS, F.S. (orgs.). <em>Exploring frontiers of the mind-brain relationship<\/em>. New York: Springer. 2012.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"11-o-metodo-de-analise-filosofica-por-figuras-e-explorado-em-lisboa-r-a-m-pessoa-jr-o-visoes-filosoficas-sobre-ciencia-e-natureza-uma-analise-das-concepcoes-de-professores-de-fisica-sa\"><span style=\"color: #808080;\">[11] O m\u00e9todo de an\u00e1lise filos\u00f3fica por figuras \u00e9 explorado em: Lisb\u00f4a, R.A.M. &amp; Pessoa Jr., O. <em>Vis\u00f5es filos\u00f3ficas sobre Ci\u00eancia e Natureza: uma an\u00e1lise das concep\u00e7\u00f5es de professores de f\u00edsica<\/em>. S\u00e3o Paulo: FiloCzar. 2019.<\/span><\/h6>\n<h6 id=\"12-grim-p-org-philosophy-of-science-and-the-occult-2a-ed-albany-suny-press-1990\"><span style=\"color: #808080;\">[12] Grim, P. (org.). <em>Philosophy of science and the occult<\/em>. 2<u><sup>a<\/sup><\/u> ed. Albany: SUNY Press. 1990.<\/span><\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-o-misticismo-quantico-e-polemico-porque-suas-afirmacoes-nao-tem-fundamento-experimental-aceitavel-mas-mesmo-assim-sao-amplamente-divulgadas-pela-midia-visando-luc\"><strong>Capa. <\/strong><strong>O misticismo qu\u00e2ntico \u00e9 pol\u00eamico porque suas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam fundamento experimental\u00a0aceit\u00e1vel, mas\u00a0mesmo\u00a0assim\u00a0s\u00e3o amplamente divulgadas pela m\u00eddia,\u00a0visando\u00a0lucro.<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Freepik.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Enfoques instrumental, filos\u00f3fico e especulativo: uma an\u00e1lise cr\u00edtica das interpreta\u00e7\u00f5es &nbsp; A&hellip;\n","protected":false},"author":285,"featured_media":8318,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8317"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/285"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8317"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8317\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8321,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8317\/revisions\/8321"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8318"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}