{"id":8438,"date":"2025-06-26T07:30:31","date_gmt":"2025-06-26T07:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8438"},"modified":"2025-11-25T11:39:05","modified_gmt":"2025-11-25T11:39:05","slug":"a-gente-so-cuida-daquilo-que-ama-e-so-ama-o-que-conhece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8438","title":{"rendered":"\u201cA gente s\u00f3 cuida daquilo que ama e s\u00f3 ama o que conhece\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-priscila-camelier-professora-da-ufba-e-integrante-do-ictiomulheres\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Priscila Camelier, professora da UFBA e integrante do IctioMulheres<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com um curr\u00edculo marcado por uma s\u00f3lida trajet\u00f3ria na pesquisa em Zoologia e na defesa da biodiversidade, a bi\u00f3loga Priscila Camelier \u00e9 professora da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufba.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Federal da Bahia (UFBA)<\/a><\/strong><\/span>, onde tamb\u00e9m coordena o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Evolu\u00e7\u00e3o (IBIO\/UFBA). Integrante dos grupos <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ictiomulheres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IctioMulheres<\/a><\/span>\u00a0<\/strong>e\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kunhaase\/?hl=pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Rede Kunh\u00e3 As\u00e9<\/strong><\/a><\/span>, ambos voltados ao fortalecimento de mulheres nas ci\u00eancias, ela tem atuado ativamente na valoriza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a feminina na academia. \u201cOs dados n\u00e3o mentem: eles mostram a sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres em cargos de lideran\u00e7a, em palestras, em autoria s\u00eanior de artigos, em comiss\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o, entre tantos outros espa\u00e7os\u201d, pontua. Com mestrado em Diversidade Animal e doutorado em Ci\u00eancias pelo Museu de Zoologia da USP e passagem pela coordena\u00e7\u00e3o do <strong><a href=\"https:\/\/biologia.ufba.br\/museu-de-historia-natural\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Museu de Hist\u00f3ria Natural da Bahia<\/span><\/a><\/strong>, Priscila Camelier soma d\u00e9cadas de experi\u00eancia em ictiologia, sistem\u00e1tica e conserva\u00e7\u00e3o, especialmente da Mata Atl\u00e2ntica. Nesta conversa, ela compartilha reflex\u00f5es sobre as desigualdades de g\u00eanero na ci\u00eancia, a import\u00e2ncia dos museus para divulgar e preservar o conhecimento, e a necessidade de conhecer para poder preservar a fauna e a flora dos diferentes biomas brasileiros. \u201cConservar, no fim das contas, \u00e9 mais do que proteger esp\u00e9cies. \u00c9 preservar hist\u00f3rias, rela\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, diferentes culturas e afetos\u201d, ressalta. Com lucidez e firmeza, Priscila Camelier denuncia a realidade de muitas mulheres cientistas, refor\u00e7a a urg\u00eancia de ambientes acad\u00eamicos mais inclusivos e fala sobre a import\u00e2ncia da resist\u00eancia, do apoio coletivo e do compromisso com a equidade no avan\u00e7o da ci\u00eancia. Para a pesquisadora, \u201ca ci\u00eancia precisa da diversidade de pensamentos, experi\u00eancias e sonhos que cada pessoa carrega\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Confira a entrevista completa!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Voc\u00ea \u00e9 uma das principais especialistas em peixes de \u00e1gua doce do Brasil, com pesquisas em sistem\u00e1tica, filogeografia e biogeografia. O que despertou seu fasc\u00ednio por esses organismos e pela diversidade aqu\u00e1tica da Mata Atl\u00e2ntica e outros biomas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Priscila Camelier &#8211; <\/strong>Olha, parece brincadeira o que vou contar, mas foi exatamente assim. Quando entrei no curso de Biologia, em 2002, meu sonho era estudar tubar\u00f5es, um grupo que sempre me encantou desde a adolesc\u00eancia. No primeiro dia de aula, procurei um professor especialista no grupo para pedir um est\u00e1gio volunt\u00e1rio. Ele me olhou de cima a baixo, perguntou quanto tempo de curso eu tinha e o que eu queria ali. Quando respondi que aquele era meu primeiro dia de aula, ele riu e disse: \u201cVenha a partir de amanh\u00e3, acho que voc\u00ea consegue me ajudar a organizar o laborat\u00f3rio, come\u00e7aremos pelas minhas refer\u00eancias\u201d e me mostrou uma pilha super bagun\u00e7ada de papel e livros. Hoje, entendo com clareza o que aconteceu ali, mas na \u00e9poca achei o m\u00e1ximo e sa\u00ed do laborat\u00f3rio radiante por conseguir um est\u00e1gio com tubar\u00f5es. Ainda no corredor, quase em frente ao laborat\u00f3rio, uma veterana que eu j\u00e1 conhecia me perguntou o que estava fazendo ali, e comentou que aquele professor tinha uma fama p\u00e9ssima de destratar as pessoas, especialmente as mulheres. Respondi que meu sonho era estudar tubar\u00f5es e que estava disposta a aprender com ele apesar de tudo. Ela me pegou pelo bra\u00e7o (literalmente) e disse: \u201cSe voc\u00ea quer estudar peixe, vou te apresentar uma professora maravilhosa. Ela trabalha com peixe de \u00e1gua doce, mas \u00e9 tudo peixe\u201d. E foi a\u00ed que ela me levou at\u00e9 a Rosana Souza-Lima naquele mesmo dia. Quando entrei no laborat\u00f3rio, ela estava examinando um peixe na lupa. Ela levantou a cabe\u00e7a, sorriu e, simplesmente, perguntou: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 viu a boca de um curimba na lupa?\u201d. Nosso primeiro contato foi ela me mostrando a boca e as escamas daquele peixe e me dizendo que ele pertencia ao g\u00eanero <em>Prochilodus<\/em>. Ainda naquele dia, ela me contou que estava na lupa tentando identificar a esp\u00e9cie e que o trabalho de taxonomista era como o de um detetive, e que nosso papel era descobrir a biodiversidade. Ela me fez correr uma chave de identifica\u00e7\u00e3o e foi uma das tardes mais incr\u00edveis da minha gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando comecei a entender melhor os processos bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos relacionados \u00e0 especia\u00e7\u00e3o e \u00e0 hist\u00f3ria biogeogr\u00e1fica dos organismos, percebi o quanto os peixes de \u00e1gua doce s\u00e3o incr\u00edveis como grupo modelo. Esse entendimento s\u00f3 me fez ficar ainda mais fascinada por eles. Hoje, quando mergulho em um rio de \u00e1gua cristalina, meu cora\u00e7\u00e3o parece que vai explodir de emo\u00e7\u00e3o e alegria. Apesar de ter nascido em Salvador e de ser apaixonada pelo mar, nunca senti isso em ambiente marinho. E a Mata Atl\u00e2ntica&#8230; ah! Nossa hist\u00f3ria deve vir de outras vidas. N\u00e3o sei explicar. S\u00f3 sei que \u00e9 o ambiente que mais me encanta no mundo. Acho que, depois da barriga da minha m\u00e3e, talvez seja o lugar onde me sinto mais segura e plena. Vai entender&#8230;. Esse encantamento pela Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o que me move at\u00e9 hoje. Por isso, eu tenho me dedicado tamb\u00e9m a projetos de divulga\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o ambiental envolvendo o bioma, al\u00e9m dos cient\u00edficos, claro. Um exemplo muito especial \u00e9 o livro infantil que estou escrevendo com minha aluna Ellen Monteiro, voltado para crian\u00e7as de 7 a 10 anos. A ideia \u00e9 apresentar a Mata Atl\u00e2ntica de forma l\u00fadica e acess\u00edvel, com destaque para os peixes de \u00e1gua doce, e provocar nas crian\u00e7as a mesma curiosidade e paix\u00e3o que a Mata Atl\u00e2ntica me desperta. Porque, no fim das contas, \u00e9 isso: a gente s\u00f3 cuida daquilo que ama e s\u00f3 ama o que conhece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-museus-de-historia-natural-tem-um-papel-central-na-conservacao-da-biodiversidade-e-na-educacao-cientifica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOs museus de hist\u00f3ria natural t\u00eam um papel central na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como coordenadora do Museu de Hist\u00f3ria Natural da Bahia, qual \u00e9 o papel desses espa\u00e7os na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? E como conciliar a pesquisa acad\u00eamica com a gest\u00e3o de um museu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PC &#8211; <\/strong>Vou responder essa pergunta de tr\u00e1s para frente! Ingressei na UFBA como docente em julho de 2018 e assumi a coordena\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/museudehistorianaturaldabahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Museu de Hist\u00f3ria Natural da Bahia (MHNBA)<\/a><\/strong><\/span> em dezembro do mesmo ano. Fique nesta fun\u00e7\u00e3o at\u00e9 outubro de 2021, quando pedi para sair. Foram anos de muito aprendizado, mas tamb\u00e9m de grandes desafios. Hoje, com a experi\u00eancia que tenho, faria muitas coisas de forma diferente. Sem falsa mod\u00e9stia, tenho certeza de que fui uma excelente coordenadora, apesar de todos os problemas que enfrentamos na \u00e9poca. Mas a coordena\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi nada boa para a minha sa\u00fade mental. E, cada vez mais, eu prezo por ela, por isto, eu conduziria as coisas de forma diferente. Mas, eu sigo amando o MHNBA e desenvolvendo diversos projetos junto ao Museu, al\u00e9m de gerenciar diversas a\u00e7\u00f5es e ser curadora da cole\u00e7\u00e3o de peixes marinhos. Foi no MHNBA que eu me descobri cientista, que decidi que seria sistemata. Claro que lutarei sempre por este espa\u00e7o t\u00e3o importante, inclusive para a minha hist\u00f3ria pessoal!<\/p>\n<p>Conciliar a pesquisa com qualquer cargo de gest\u00e3o \u00e9 sempre um desafio. Por isso, n\u00e3o recomendo que se assuma esse tipo de fun\u00e7\u00e3o t\u00e3o cedo, como eu fiz. Na \u00e9poca, eu ainda n\u00e3o tinha uma equipe estruturada no meu laborat\u00f3rio, por exemplo, para manter a \u201croda girando\u201d. Quando a gente tem esse suporte, tudo fica mais vi\u00e1vel, ainda que nunca seja f\u00e1cil. Hoje, estou \u00e0 frente da coordena\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ppgbioevo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Evolu\u00e7\u00e3o (PPGBioEvo)<\/a><\/strong> <\/span>e o laborat\u00f3rio que coordeno (o Laborat\u00f3rio de Sistem\u00e1tica e Biogeografia Animal) s\u00f3 tem se mantido ativo gra\u00e7as \u00e0 minha equipe, que venho formando e treinando com muito cuidado ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Bom, agora vamos falar do Museu! Os museus de hist\u00f3ria natural t\u00eam um papel central na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Eles preservam acervos que contam a hist\u00f3ria da vida no planeta e fornecem as bases materiais, diretas ou indiretas, para quaisquer pesquisas envolvendo a biodiversidade. As cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas abrigadas por esses museus s\u00e3o fontes eternas de conhecimento cient\u00edfico e muitas vezes guardam os \u00fanicos registros de esp\u00e9cies j\u00e1 extintas ou drasticamente amea\u00e7adas. Al\u00e9m do patrim\u00f4nio material, os museus abrigam aquele outro tipo de patrim\u00f4nio que \u00e9 t\u00e3o importante quanto, que \u00e9 o patrim\u00f4nio imaterial, hist\u00f3rico, cient\u00edfico e humano. Ainda, esses espa\u00e7os s\u00e3o fundamentais para promover o encontro entre ci\u00eancia e sociedade. No caso do MHNBA, por exemplo, nossas a\u00e7\u00f5es educativas sempre buscaram aproximar diferentes p\u00fablicos da biodiversidade brasileira, com destaque para os ambientes da Bahia e do Nordeste. Trabalhamos com exposi\u00e7\u00f5es de longa e curta dura\u00e7\u00e3o, visitas mediadas, produ\u00e7\u00e3o de materiais did\u00e1ticos e, mais recentemente, com conte\u00fados digitais. Tudo isso visando despertar a curiosidade, promover o pensamento cr\u00edtico e estimular o engajamento com a conserva\u00e7\u00e3o. Acredito profundamente que os museus n\u00e3o s\u00e3o somente espa\u00e7os de mem\u00f3ria, s\u00e3o lugares vivos de pesquisa, forma\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social. E, embora nem sempre tenham o reconhecimento e investimento que merecem, sigo acreditando na pot\u00eancia que t\u00eam de formar gera\u00e7\u00f5es mais conscientes e conectadas com a vida em todas as suas formas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Voc\u00ea integra o Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Amea\u00e7ados da Mata Atl\u00e2ntica. Quais s\u00e3o os maiores desafios para proteger esp\u00e9cies como os peixes de riachos amea\u00e7ados por desmatamento e polui\u00e7\u00e3o? E como a ci\u00eancia pode dialogar com pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PC &#8211; <\/strong>Uma das coisas mais interessantes que aprendi participando deste PAN foi que, enquanto cientistas, precisamos urgentemente contribuir para a uma frase cl\u00e1ssica na conserva\u00e7\u00e3o: \u201c<em>n\u00e3o se preserva o que n\u00e3o se conhece\u201d<\/em>. Essa frase pode parecer simples, mas ela resume um dos maiores desafios que enfrentamos na conserva\u00e7\u00e3o da ictiofauna de \u00e1gua doce, especialmente em um bioma t\u00e3o pressionado por diferentes amea\u00e7as como a Mata Atl\u00e2ntica. Muitas esp\u00e9cies de peixes de \u00e1gua doce ainda s\u00e3o desconhecidas pela ci\u00eancia, ou ent\u00e3o s\u00e3o mal delimitadas taxonomicamente. Trabalhar com este grupo exige enfrentar, constantemente, os limites entre esp\u00e9cies, tanto do ponto de vista morfol\u00f3gico quanto gen\u00e9tico. \u00c0s vezes, o que chamamos de uma \u00fanica esp\u00e9cie \u00e9, na verdade, um conjunto de linhagens evolutivas distintas, com hist\u00f3rias pr\u00f3prias e adapta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas ao ambiente. Sem o reconhecimento adequado dessas unidades evolutivas, a conserva\u00e7\u00e3o se torna fr\u00e1gil, pois n\u00e3o conseguimos proteger a real diversidade que existe ali.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia tem um papel fundamental em todo o processo: identificar, descrever, delimitar esp\u00e9cies e entender seus padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o e conectividade. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel estabelecer prioridades e embasar pol\u00edticas p\u00fablicas realmente eficazes. Mas a conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz somente no laborat\u00f3rio ou nas reuni\u00f5es cient\u00edficas e t\u00e9cnicas. Ela exige di\u00e1logo com a sociedade e, nisso, os museus, as escolas, as a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental t\u00eam uma import\u00e2ncia imensa. Um exemplo muito interessante disso \u00e9 a pesquisa que est\u00e1 sendo desenvolvida por minha aluna Rafaela Barbedo no PPGBioEvo, intitulada <em>\u201cBiofilia e Mata Atl\u00e2ntica: percep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas de professores do ensino fundamental para conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente\u201d<\/em>. O projeto parte da ideia de que \u00e9 preciso criar v\u00ednculos afetivos com o ambiente para que ele seja verdadeiramente valorizado, uma ideia que est\u00e1 no cerne do conceito de biofilia. Quando professores conhecem melhor a biodiversidade ao seu redor e se apropriam de estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas para trabalhar esse conte\u00fado com seus alunos, toda uma cadeia de sensibiliza\u00e7\u00e3o e engajamento se estabelece. Conservar, no fim das contas, \u00e9 mais do que proteger esp\u00e9cies. \u00c9 preservar hist\u00f3rias, rela\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, diferentes culturas e afetos. E \u00e9 por isso que acredito tanto na import\u00e2ncia da ci\u00eancia conectada com a educa\u00e7\u00e3o e com as pol\u00edticas p\u00fablicas: porque s\u00f3 com conhecimento, v\u00ednculo e a\u00e7\u00e3o coletiva a gente consegue transformar realidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-conservacao-da-ictiofauna-brasileira-exige-urgencia-compromisso-e-acao-em-multiplas-frentes\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA conserva\u00e7\u00e3o da ictiofauna brasileira exige urg\u00eancia, compromisso e a\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas frentes.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; O coletivo Ictiomulheres \u00e9 uma iniciativa importante para dar visibilidade \u00e0s mulheres na ictiologia. Na sua trajet\u00f3ria, quais barreiras de g\u00eanero voc\u00ea enfrentou e como v\u00ea a evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o feminina nessa \u00e1rea? Que conselho daria para jovens cientistas que est\u00e3o come\u00e7ando?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PC &#8211; <\/strong>O coletivo Ictiomulheres surgiu em 2015 e tive o privil\u00e9gio de estar envolvida desde o in\u00edcio. O grupo nasceu do desejo de promover visibilidade e apoio m\u00fatuo entre mulheres que atuam na ictiologia, e tem se consolidado tamb\u00e9m como uma frente de produ\u00e7\u00e3o de dados sobre as disparidades de g\u00eanero na nossa \u00e1rea. Percebemos que para discutir as quest\u00f5es em nossa \u00e1rea, n\u00e3o bastava \u201capenas\u201d debater opini\u00f5es e relatar experi\u00eancias, era necess\u00e1rio reunir evid\u00eancias cient\u00edficas que revelem a disparidade que ainda persiste no meio acad\u00eamico, incluindo a ictiologia. E os dados n\u00e3o mentem: eles mostram a sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres em cargos de lideran\u00e7a, em palestras, em autoria s\u00eanior de artigos, em comiss\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o, entre tantos outros espa\u00e7os. A primeira etapa para enfrentar isso \u00e9 reconhecer que o problema existe. Precisamos falar sobre o assunto, levantar o debate, romper sil\u00eancios que, muitas vezes, acabam naturalizando situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o. Tamb\u00e9m precisamos de a\u00e7\u00f5es concretas: pol\u00edticas institucionais, redes de apoio, espa\u00e7os seguros para trocas e, principalmente, oportunidades. \u00c9 essencial que mulheres sejam convidadas a palestrar, coordenar projetos, orientar estudantes, tomar decis\u00f5es. Modelos inspiram. Quanto mais mulheres forem vistas como l\u00edderes e refer\u00eancias, mais meninas e jovens cientistas sentir\u00e3o que esse caminho tamb\u00e9m pode ser o delas. E isso tem se tornado cada vez mais evidente na ictiologia nacional, especialmente quando levantamos essas quest\u00f5es nos Encontros Brasileiros de Ictiologia ou no \u00e2mbito da nossa sociedade, a <strong><a href=\"https:\/\/www.sbi.bio.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI)<\/span>.<\/a><\/strong> Certamente tivemos alguns avan\u00e7os, mas eles ainda s\u00e3o incipientes, especialmente quando adicionamos camadas ao \u201cser mulher\u201d: ser mulher negra, ser mulher ind\u00edgena, ser mulher trans, ser mulher e m\u00e3e, ser mulher com defici\u00eancia&#8230; e tantas outras viv\u00eancias que ainda enfrentam barreiras adicionais de invisibilidade e exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Particularmente, eu tive a sorte de ter sido \u201ceducada\u201d na ci\u00eancia por mulheres incr\u00edveis. Aprendi a fazer ci\u00eancia com mulheres, a ir para campo com mulheres, a liderar com mulheres. Primeiro, a Rosana Souza-Lima, e depois Angela Zanata, que foi quem ensinou quase tudo ao longo de minha forma\u00e7\u00e3o. Elas foram minhas mentoras, minhas guias e tenho certeza de que isso moldou profundamente a cientista que sou hoje. Tamb\u00e9m tive um orientador, Na\u00e9rcio Menezes, que confiou em mim desde o in\u00edcio e isso foi igualmente importante. Mas eu sei que esse n\u00e3o \u00e9 o cen\u00e1rio para todas. Muitas mulheres enfrentam silenciamentos e desest\u00edmulos sutis (ou nem t\u00e3o sutis assim) todos os dias.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tenha sido \u201ct\u00e3o dif\u00edcil para mim\u201d, f\u00e1cil tamb\u00e9m n\u00e3o foi (n\u00e3o \u00e9!). Nunca vou esquecer de quando, ainda como coordenadora do Museu de Hist\u00f3ria Natural da Bahia, fui tirar uma d\u00favida t\u00e9cnica com o mestre de obras sobre o rejunte do ch\u00e3o por conta do peso das cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. A resposta dele foi: \u201cSe eu explicar, a senhora n\u00e3o vai entender, \u00e9 que mulher n\u00e3o entende essas coisas\u201d. Nossa, respondi, com toda a calma poss\u00edvel, que eu era bi\u00f3loga, n\u00e3o pedreira, nem engenheira civil e que, apenas por isso, ele precisava me explicar. Assim como, se ele tivesse alguma d\u00favida sobre peixes ou sobre biologia, eu certamente teria que explicar para ele, pois ele n\u00e3o entenderia. Mas a verdade \u00e9 que nem toda mulher consegue ou quer se impor o tempo inteiro. E esse tipo de coment\u00e1rio, mesmo quando \u201cpequeno\u201d, vai minando a confian\u00e7a, o entusiasmo, a vontade de estar nos espa\u00e7os. \u00c9 duro, \u00e9 complexo! Foi por tudo isso que tamb\u00e9m aceitei o convite para coordenar localmente as edi\u00e7\u00f5es em Salvador da <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/soapboxsciencesalvador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Soapbox Science<\/a><\/em><\/strong><\/span>, uma iniciativa internacional de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica feita exclusivamente por mulheres, pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias ou <em>queers <\/em>nas \u00e1reas STEM. O evento ocupa o espa\u00e7o p\u00fablico para mostrar que estas pessoas fazem ci\u00eancia de excel\u00eancia, acess\u00edvel e inspiradora. Estar envolvida com esse projeto tem sido transformador.<\/p>\n<p>\u00c0s jovens cientistas, especialmente \u00e0s icti\u00f3logas digo: n\u00e3o deixem que digam o que voc\u00eas podem ou n\u00e3o fazer. Se quiserem ir para campo, v\u00e3o! Se preferirem o laborat\u00f3rio, fiquem! Se quiserem os dois, melhor ainda! A sua trajet\u00f3ria n\u00e3o precisa seguir o molde de ningu\u00e9m. O importante \u00e9 que seja sua. A ci\u00eancia precisa da diversidade de pensamentos, experi\u00eancias e sonhos que cada pessoa carrega. E quando bater a d\u00favida, quando vier o cansa\u00e7o, procurem apoio. Sempre haver\u00e1 algu\u00e9m, uma rede, uma colega, uma mentora, com quem voc\u00ea pode contar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Sua pesquisa combina taxonomia cl\u00e1ssica com ferramentas gen\u00e9ticas. Como a integra\u00e7\u00e3o dessas abordagens tem revolucionado o estudo da biodiversidade de peixes no Brasil? E quais s\u00e3o as descobertas mais surpreendentes que j\u00e1 fez em suas expedi\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PC &#8211;<\/strong> A integra\u00e7\u00e3o entre a taxonomia cl\u00e1ssica e as ferramentas gen\u00e9ticas tem sido uma revolu\u00e7\u00e3o muito interessante no estudo da biodiversidade de peixes no Brasil. A morfologia continua sendo indispens\u00e1vel, eu sou desta escola e n\u00e3o abro m\u00e3o. \u00c0s vezes, no entanto, os dados morfol\u00f3gicos que obtemos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para elucidar a complexidade taxon\u00f4mica ou evolutiva dos grupos que estudamos. Quando aliamos esse olhar detalhado a dados moleculares, conseguimos, por exemplo, delimitar esp\u00e9cies de alguns grupos com muito mais precis\u00e3o, identificar linhagens cr\u00edpticas e compreender padr\u00f5es hist\u00f3ricos de diversifica\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 especialmente importante no caso dos peixes de \u00e1gua doce, que vivem em ambientes fragmentados por natureza e frequentemente apresentam limites interespec\u00edficos muito sutis. Em diversos casos, o que parecia ser uma \u00fanica esp\u00e9cie revelou-se um complexo com v\u00e1rias unidades evolutivas distintas, cada uma com sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e necessidade de conserva\u00e7\u00e3o. E o contr\u00e1rio tamb\u00e9m acontece: popula\u00e7\u00f5es morfologicamente distintas que, na verdade, s\u00e3o geneticamente muito semelhantes, o que nos desafia a repensar os limites intra e interespec\u00edficos.<\/p>\n<p>Sou particularmente apaixonada pela Mata Atl\u00e2ntica, e \u00e9 nesse bioma que concentro boa parte das minhas pesquisas. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 trabalhei com peixes da bacia Amaz\u00f4nica, do S\u00e3o Francisco e de outras ecorregi\u00f5es de \u00e1guas neotropicais. Coletar \u00e9 uma das coisas que mais amo fazer em nossa profiss\u00e3o. Eu j\u00e1 perdi a conta de quantas expedi\u00e7\u00f5es participei em minha carreira, mas sei que, gra\u00e7as aos peixes, conhe\u00e7o o Brasil quase inteiro, de Norte a Sul, Leste a Oeste. J\u00e1 viajei para todas as regi\u00f5es brasileiras e coletei em 19 dos 26 estados do nosso pa\u00eds. Em cada expedi\u00e7\u00e3o, o que mais me impressiona \u00e9 perceber que ainda sabemos muito pouco. Mesmo em \u00e1reas consideradas bem conhecidas, continuamos encontrando esp\u00e9cies n\u00e3o descritas, varia\u00e7\u00f5es inesperadas, estrutura\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que contradizem muito do que a gente sabia. Estas descobertas me fascinam! Ao longo da minha trajet\u00f3ria, j\u00e1 descrevi mais de 20 esp\u00e9cies novas de peixes, e n\u00e3o h\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o mais m\u00e1gica do que olhar um bicho na lupa, comparar com tudo que se conhece e perceber que estamos diante de algo \u00fanico, que ningu\u00e9m tinha documentado antes. Cada uma dessas descri\u00e7\u00f5es \u00e9 um passo na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre a nossa biodiversidade. E mais do que publicar nomes novos, o que me move \u00e9 contribuir para que essas esp\u00e9cies tenham a chance de existir no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"acredito-que-ciencia-e-educacao-sao-ferramentas-poderosas-para-transformar-realidades\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAcredito que ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o ferramentas poderosas para transformar realidades.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Olhando para o futuro, quais s\u00e3o as prioridades urgentes para conservar a ictiofauna brasileira, especialmente em regi\u00f5es como a Bahia, onde rios e ecossistemas aqu\u00e1ticos est\u00e3o sob press\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>PC &#8211; <\/strong>A conserva\u00e7\u00e3o da ictiofauna brasileira exige urg\u00eancia, compromisso e a\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas frentes. Para mim, tudo come\u00e7a pelo reconhecimento da import\u00e2ncia desses ambientes e dos organismos que os habitam. Ainda \u00e9 muito comum que os rios sejam vistos apenas como recursos (para abastecimento, para irriga\u00e7\u00e3o, para gera\u00e7\u00e3o de energia), e n\u00e3o como sistemas vivos, din\u00e2micos, que abrigam uma biodiversidade riqu\u00edssima, muitas vezes end\u00eamica e amea\u00e7ada. Na Bahia, por exemplo, muitos dos nossos rios j\u00e1 est\u00e3o fortemente impactados pela introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas (como, por exemplo, a til\u00e1pia e o bagre africano), por desmatamento, polui\u00e7\u00e3o, represamento e capta\u00e7\u00e3o desordenada de \u00e1gua. Isso afeta diretamente a fauna aqu\u00e1tica, especialmente os peixes de riachos, que incluem esp\u00e9cies de menor porte e, muitas vezes, mais suscept\u00edveis \u00e0s amea\u00e7as. Proteger essas esp\u00e9cies requer n\u00e3o apenas unidades de conserva\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes de manejo dos recursos h\u00eddricos, fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e, sobretudo, educa\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o tem um papel transformador. No fundo, acredito que ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o ferramentas poderosas para transformar realidades. Meu maior objetivo sempre foi fazer a diferen\u00e7a na vida das pessoas, e quando descobri que posso fazer isso estudando peixes, escrevendo projetos, formando estudantes, montando exposi\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 escrevendo um livro infantil sobre a Mata Atl\u00e2ntica, tudo passou a fazer sentido. Conservar a ictiofauna \u00e9 tamb\u00e9m garantir que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es conhe\u00e7am, se encantem e se comprometam com a biodiversidade. E isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se conseguirmos fortalecer as pontes entre ci\u00eancia, pol\u00edticas p\u00fablicas e sociedade. Precisamos produzir conhecimento, mas tamb\u00e9m comunicar, engajar, inspirar. A gente tem tentado fazer isso atrav\u00e9s das nossas a\u00e7\u00f5es, muitas das quais divulgamos no Instagram do <strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ictiologia_ufba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Grupo Ictiologia_UFBA<\/span><\/a><\/strong>, que coordeno com Angel Zanata. Porque, no fim das contas, ningu\u00e9m preserva o que n\u00e3o conhece e ningu\u00e9m luta por aquilo com que n\u00e3o se conecta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Priscila Camelier, professora da UFBA e integrante do IctioMulheres&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":8439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8438"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8438"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8438\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8441,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8438\/revisions\/8441"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}