{"id":8511,"date":"2025-07-08T07:55:55","date_gmt":"2025-07-08T07:55:55","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8511"},"modified":"2025-10-15T13:08:27","modified_gmt":"2025-10-15T13:08:27","slug":"as-mulheres-na-ciencia-quantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8511","title":{"rendered":"As mulheres na ci\u00eancia qu\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"as-trajetorias-pouco-contadas-das-cientistas-que-ajudaram-a-desvendar-o-mundo-subatomico-e-mudaram-a-historia-da-fisica-moderna\"><span style=\"color: #808080;\">As trajet\u00f3rias pouco contadas das cientistas que ajudaram a desvendar o mundo subat\u00f4mico e mudaram a hist\u00f3ria da f\u00edsica moderna.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Max Planck, Niels Bohr, Werner Heisenberg, Erwin Schr\u00f6dinger, Louis de Broglie, Paul Dirac&#8230; Esses f\u00edsicos fizeram contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para o desenvolvimento e a compreens\u00e3o da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, e seus nomes s\u00e3o lembrados e celebrados em livros did\u00e1ticos, biografias e nas narrativas sobre como a ci\u00eancia transformou o mundo. Mas ser\u00e1 que, em uma revolu\u00e7\u00e3o intelectual t\u00e3o profunda, nenhuma mulher deixou sua marca? Ser\u00e1 que a teoria qu\u00e2ntica foi constru\u00edda exclusivamente por m\u00e3os masculinas?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 n\u00e3o. Diversas mulheres deram contribui\u00e7\u00f5es essenciais \u00e0 f\u00edsica qu\u00e2ntica e a \u00e1reas relacionadas. Suas trajet\u00f3rias, no entanto, seguem pouco conhecidas pelo p\u00fablico e, muitas vezes, at\u00e9 mesmo pela comunidade cient\u00edfica. \u201cQuando olhamos para a trajet\u00f3ria da teoria qu\u00e2ntica, percebemos contribui\u00e7\u00f5es variadas de muitas cientistas da \u00e9poca, tanto experimentais quanto te\u00f3ricas, que, todas somadas, elucidaram o mundo at\u00f4mico e subat\u00f4mico tal como conhecemos hoje\u201d, explica C\u00e1ssia Alessandra Marquezin, professora do Instituto de F\u00edsica da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufg.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG)<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>O impacto da ci\u00eancia e das tecnologias qu\u00e2nticas \u00e9 imenso, tendo dado origem a diversas \u00e1reas novas: desde a mat\u00e9ria condensada, passando pela f\u00edsica de part\u00edculas, pela teoria qu\u00e2ntica de campos e pela informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. \u201cPraticamente toda a f\u00edsica que fazemos hoje, todas as \u00e1reas que temos hoje, praticamente n\u00e3o existiriam sem a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica\u201d, explica Renata Zukanovich Funchal, professora do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.if.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFUSP)<\/a><\/strong><\/span>. E a contribui\u00e7\u00e3o dessas mulheres n\u00e3o pode ser ignorada.<\/p>\n<p>Desde o final do s\u00e9culo XIX e ao longo do s\u00e9culo XX, muitas cientistas enfrentaram barreiras sociais e institucionais para contribuir, de maneira decisiva, com os fundamentos da ci\u00eancia moderna. Algumas atuaram diretamente na formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da qu\u00e2ntica; outras, nas bases experimentais que a sustentaram; e outras ainda aplicaram os novos conceitos \u00e0 astrof\u00edsica e \u00e0 f\u00edsica nuclear. Muitas vezes, seus nomes foram esquecidos ou minimizados nos relatos hist\u00f3ricos tradicionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-cientistas-esquecidas-da-fisica-quantica\"><strong>As cientistas esquecidas da f\u00edsica qu\u00e2ntica<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de suas contribui\u00e7\u00f5es fundamentais, muitas cientistas foram invisibilizadas nos relatos oficiais da hist\u00f3ria da f\u00edsica qu\u00e2ntica. Seus nomes, frequentemente ausentes dos manuais e cursos tradicionais, demonstram como g\u00eanero e quest\u00f5es pol\u00edticas moldaram a mem\u00f3ria cient\u00edfica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"atualmente-no-brasil-diversas-mulheres-cientistas-tem-se-destacado-tanto-na-fisica-teorica-quanto-na-fisica-experimental\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAtualmente, no Brasil, diversas mulheres cientistas t\u00eam se destacado, tanto na f\u00edsica te\u00f3rica quanto na f\u00edsica experimental.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 Hendrika Johanna van Leeuwen, orientada por Hendrik Lorentz, um dos gigantes da f\u00edsica cl\u00e1ssica. Em sua tese de doutorado defendida em 1919 na Universidade de Leiden, Van Leeuwen abordou uma quest\u00e3o aparentemente cl\u00e1ssica \u2014 o magnetismo \u2014 e demonstrou algo revolucion\u00e1rio: as teorias cl\u00e1ssicas n\u00e3o explicam o magnetismo, sendo necess\u00e1ria uma abordagem qu\u00e2ntica. Esse resultado, conhecido como Teorema de Bohr\u2013van Leeuwen, foi obtido de forma independente por Niels Bohr alguns anos antes, mas acabou sendo mais associado ao f\u00edsico dinamarqu\u00eas. Apesar de seu nome constar no teorema, Van Leeuwen segue pouco reconhecida. Seu trabalho mostrou que, se a mat\u00e9ria fosse regida apenas pelas leis cl\u00e1ssicas, os materiais n\u00e3o apresentariam magnetismo em equil\u00edbrio t\u00e9rmico \u2014 uma das primeiras evid\u00eancias te\u00f3ricas da necessidade da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica para explicar fen\u00f4menos cotidianos. Van Leeuwen seguiu carreira como professora de f\u00edsica te\u00f3rica e aplicada na Technische Hogeschool Delft (atual Universidade T\u00e9cnica de Delft), onde atuou por quase tr\u00eas d\u00e9cadas, embora sua trajet\u00f3ria siga pouco lembrada. \u201cEu conhe\u00e7o esse teorema que mostra que magnetismo n\u00e3o pode ser uma coisa cl\u00e1ssica, tem que ser qu\u00e2ntica. Magnetismo se conhece desde os gregos, mas quem mostrou isso com um teorema foi uma mulher. Eu s\u00f3 descobri que era dela quando pesquisei para uma confer\u00eancia sobre mulheres na qu\u00e2ntica\u201d, declara Renata Zukanovich Funchal.<\/p>\n<p>Outra pioneira esquecida \u00e9 Hertha Sponer, nascida em 1895 na Alemanha. Formada na Universidade de G\u00f6ttingen, um dos centros da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, obteve seu doutorado sob orienta\u00e7\u00e3o de Peter Debye e trabalhou com James Franck. Foi uma das primeiras mulheres habilitadas a lecionar f\u00edsica na Alemanha. Seus experimentos em espectroscopia molecular validaram previs\u00f5es da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica e contribu\u00edram para a f\u00edsica molecular moderna. Com Raymond Birge, desenvolveu o m\u00e9todo de Birge\u2013Sponer, que permite calcular a energia de dissocia\u00e7\u00e3o molecular a partir de espectros vibracionais \u2014 ferramenta essencial na qu\u00edmica e astrof\u00edsica qu\u00e2nticas. At\u00e9 1932, j\u00e1 havia publicado cerca de 20 artigos em revistas como <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nature<\/a><\/strong><\/span> e <strong><a href=\"https:\/\/journals.aps.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Physical Review<\/span><\/a><\/strong>. Sua carreira foi interrompida em 1934 pela ascens\u00e3o do nazismo, que perseguiu mulheres e judeus na academia. Hertha Sponer refugiou-se nos Estados Unidos, onde integrou a Universidade Duke e montou um laborat\u00f3rio de espectroscopia de refer\u00eancia internacional. Continuou ativa at\u00e9 sua aposentadoria e faleceu em 1968. Mesmo com essas realiza\u00e7\u00f5es, permanece ausente nos relatos b\u00e1sicos da hist\u00f3ria da f\u00edsica. \u201cEla validou experimentalmente v\u00e1rias predi\u00e7\u00f5es da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, com contribui\u00e7\u00f5es importantes na aplica\u00e7\u00e3o em f\u00edsica molecular\u201d, explica C\u00e1ssia Marquezin.<\/p>\n<p>A alem\u00e3 Lucy Mensing foi uma das primeiras a aplicar a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica matricial \u2014 proposta por Heisenberg, Born e Jordan \u2014 \u00e0 f\u00edsica molecular. Na Universidade de Hamburgo, sob orienta\u00e7\u00e3o de Wilhelm Lenz, defendeu doutorado em espectroscopia de mol\u00e9culas diat\u00f4micas. Posteriormente, em G\u00f6ttingen, trabalhou com Pascual Jordan. Em 1926, publicou um artigo pioneiro aplicando a mec\u00e2nica matricial aos espectros rotacionais moleculares, demonstrando que o momento angular orbital assume valores inteiros \u2014 um marco na quantiza\u00e7\u00e3o da energia molecular. Mensing colaborou ainda com Wolfgang Pauli em estudos sobre polarizabilidade el\u00e9trica de mol\u00e9culas. Sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, publicada em peri\u00f3dicos como Zeitschrift f\u00fcr Physik, consolidou-a como uma das primeiras mulheres na linha de frente da f\u00edsica te\u00f3rica qu\u00e2ntica. Apesar disso, afastou-se da pesquisa ap\u00f3s 1930, e sua trajet\u00f3ria foi obscurecida pelo machismo estrutural da academia.<\/p>\n<p>Outra figura not\u00e1vel \u00e9 Grete Hermann, matem\u00e1tica, f\u00edsica e fil\u00f3sofa alem\u00e3, aluna de Emmy Noether. Em 1932, publicou uma cr\u00edtica \u00e0 famosa prova de John von Neumann, que afirmava ser imposs\u00edvel construir teorias de vari\u00e1veis ocultas compat\u00edveis com a qu\u00e2ntica. Grete Hermann identificou uma falha crucial: a prova s\u00f3 valia para grandezas mensur\u00e1veis simultaneamente, desconsiderando o princ\u00edpio da incerteza. Sua cr\u00edtica passou despercebida por mais de 30 anos, at\u00e9 ser redescoberta por John Bell nos anos 1960. Al\u00e9m da f\u00edsica, Hermann desenvolveu reflex\u00f5es filos\u00f3ficas sobre causalidade e previsibilidade na qu\u00e2ntica, publicadas em sua obra <em>\u201cOs fundamentos da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica na filosofia da natureza\u201d.<\/em> Seu apagamento hist\u00f3rico deve-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 misoginia, mas tamb\u00e9m \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e filos\u00f3fica frente \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dominante da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, Leona Woods foi a \u00fanica mulher da equipe que construiu o primeiro reator nuclear, o Chicago Pile-1, durante o Projeto Manhattan. Aos 23 anos, j\u00e1 era doutora em f\u00edsica pela Universidade de Chicago. Leona Woods desenvolveu instrumentos essenciais, como contadores Geiger. Ap\u00f3s a guerra, sua carreira incluiu passagens por Princeton, Brookhaven e Nova York, e pesquisas em astrof\u00edsica e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A pesquisadora tamb\u00e9m defendeu a irradia\u00e7\u00e3o de alimentos como m\u00e9todo de seguran\u00e7a alimentar. Apesar de sua relev\u00e2ncia, seu nome permanece pouco citado nos relatos sobre o Projeto Manhattan. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-leona-woodsfoto-dominio-publico\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8513\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-768x461.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-1536x921.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-800x480.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2-1160x696.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Leona Woods<br \/>\n<\/strong>(Foto: Dom\u00ednio P\u00fablico)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHistoricamente, outra mulher invisibilizada, que n\u00e3o contribuiu diretamente para a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, mas estudou efeitos dela decorrentes, \u00e9 Lise Meitner. Trabalhou com Otto Hahn no estudo da radioatividade e da fiss\u00e3o nuclear. Quando fugiu da Alemanha nazista, Hahn ganhou o Nobel sem sequer mencion\u00e1-la, embora ela tenha sido fundamental\u201d, conta Thereza Paiva, professora do Instituto de F\u00edsica da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/a><\/strong> <\/span>e cofundadora e coordenadora do <strong><a href=\"https:\/\/temmeninanocircuito.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Tem Menina no Circuito<\/span><\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Lise Meitner foi uma das primeiras mulheres doutoras em f\u00edsica na Universidade de Viena e professora na Pr\u00fassia. Em parceria com Otto Hahn, descobriu a fiss\u00e3o nuclear. Ali\u00e1s, foi ela quem cunhou o termo \u201cfiss\u00e3o nuclear\u201d e demonstrou a libera\u00e7\u00e3o de energia por rea\u00e7\u00f5es em cadeia. Mesmo assim, o Nobel de 1944 foi dado apenas a Otto Hahn. Lise Meitner tamb\u00e9m realizou trabalhos pioneiros em decaimento beta e espalhamento de part\u00edculas alfa. Descobriu, em 1922, o processo hoje conhecido como Efeito Auger, cujo nome acabou atribu\u00eddo ao f\u00edsico franc\u00eas Pierre Auger, que o descreveu posteriormente. \u201cEla descobriu que, quando um el\u00e9tron interno \u00e9 expulso, outro el\u00e9tron ocupa seu lugar, liberando energia que pode ejetar um terceiro el\u00e9tron. Isso foi em 1922. Por que se chama Efeito Auger? Porque Auger \u2018descobriu\u2019 o mesmo um ano e meio depois\u201d, aponta Renata Zukanovich Funchal.<\/p>\n<p>Chien-Shiung Wu, sino-americana, tamb\u00e9m tem uma hist\u00f3ria not\u00e1vel. Viajou sozinha da China aos EUA para seu doutorado, em um per\u00edodo de grandes restri\u00e7\u00f5es para mulheres e estrangeiros. Em 1956, foi Wu quem realizou o experimento que confirmou a viola\u00e7\u00e3o da paridade no decaimento beta, proposta por Lee e Yang, que receberam o Nobel em 1957 \u2014 deixando Wu de fora. Mais tarde, ela foi uma das primeiras a observar experimentalmente o emaranhamento qu\u00e2ntico e defendeu a inclus\u00e3o de mulheres e minorias na ci\u00eancia. \u201cA hist\u00f3ria da Madame Wu \u00e9 fascinante. Imagine: uma chinesa que vem sozinha para os EUA fazer doutorado naquela \u00e9poca. Voc\u00ea pode imaginar o que era a China naquela \u00e9poca?\u201d, diz Renata Zukanovich Funchal. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-chien-shiung-wufoto-columbia-university-libraries-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8514\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-244x300.jpg\" alt=\"\" width=\"407\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-244x300.jpg 244w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-834x1024.jpg 834w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-768x943.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-1251x1536.jpg 1251w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-1667x2048.jpg 1667w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-10x12.jpg 10w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-800x983.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3-1160x1425.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2.<\/strong> <strong>Chien-Shiung Wu<br \/>\n<\/strong>(Foto: Columbia University Libraries. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros nomes tamb\u00e9m merecem destaque. Maria Sk\u0142odowska Curie, talvez a mais conhecida, foi pioneira nos estudos da radioatividade, fen\u00f4meno que exigiu novas abordagens qu\u00e2nticas. Primeira mulher a receber o Nobel de F\u00edsica (1903) e \u00fanica pessoa a ganhar dois Nobel em \u00e1reas diferentes (F\u00edsica e Qu\u00edmica), formou gera\u00e7\u00f5es de cientistas no Instituto do R\u00e1dio, em Paris. Tamb\u00e9m merece men\u00e7\u00e3o a f\u00edsica te\u00f3rica estadunidense nascida na Alemanha Maria G\u00f6ppert-Mayer, que prop\u00f4s o modelo nuclear de camadas e foi a segunda mulher a ganhar um Pr\u00eamio Nobel em F\u00edsica (1963).<\/p>\n<p>Hedwig Kohn, especialista em espectroscopia, realizou experimentos fundamentais sobre emiss\u00e3o at\u00f4mica e intensidade luminosa. Perseguida pelo nazismo por sua origem judaica, recome\u00e7ou sua carreira nos EUA, onde deu continuidade \u00e0s suas pesquisas. Emmy Noether revolucionou a f\u00edsica com o Teorema de Noether (1918), que relacionou simetrias da natureza a leis de conserva\u00e7\u00e3o \u2014 princ\u00edpios centrais na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica e na teoria qu\u00e2ntica de campos. Expulsa de G\u00f6ttingen pelo nazismo, seguiu carreira nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Na astrof\u00edsica e f\u00edsica nuclear, outras mulheres tamb\u00e9m aplicaram conceitos qu\u00e2nticos emergentes. Cecilia Payne demonstrou que o hidrog\u00eanio \u00e9 o elemento mais abundante do universo, transformando a astrof\u00edsica moderna. Harriet Brooks, no Canad\u00e1, realizou pesquisas pioneiras sobre radioatividade com Rutherford, identificando o rad\u00f4nio. Na Europa Central, Marietta Blau e Hertha Wambacher criaram a emuls\u00e3o nuclear, t\u00e9cnica fundamental para detectar part\u00edculas subat\u00f4micas. Receberam o Pr\u00eamio Lieben em 1937. Erzs\u00e9bet R\u00f3na, h\u00fangara naturalizada americana, aprimorou m\u00e9todos de purifica\u00e7\u00e3o do pol\u00f4nio e separa\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos radioativos, essenciais para a radiometria e a pesquisa em elementos inst\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mulheres-brasileiras-na-fronteira-da-fisica-quantica\"><strong>Mulheres brasileiras na fronteira da f\u00edsica qu\u00e2ntica<\/strong><\/h4>\n<p>No Brasil, mulheres t\u00eam liderado pesquisas em \u00e1reas como informa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, novos materiais e magnetismo, evidenciando a diversidade e a for\u00e7a da ci\u00eancia nacional. Atuando tanto na teoria quanto na experimenta\u00e7\u00e3o, cientistas brasileiras contribuem para campos como \u00f3ptica qu\u00e2ntica, modelagem molecular, spintr\u00f4nica e computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. \u201cAtualmente, no Brasil, diversas mulheres cientistas t\u00eam se destacado, tanto na f\u00edsica te\u00f3rica quanto na f\u00edsica experimental, com aplica\u00e7\u00f5es diretas da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica no desenvolvimento de novos materiais, por exemplo\u201d, diz C\u00e1ssia Marquezin.<\/p>\n<p>Entre os nomes de destaque est\u00e1 Belita Koiller, professora da UFRJ e refer\u00eancia internacional em f\u00edsica da mat\u00e9ria condensada. Pioneira no estudo de s\u00f3lidos desordenados e semicondutores, atualmente pesquisa o controle qu\u00e2ntico do spin e da carga el\u00e9trica em semicondutores \u2014 tema estrat\u00e9gico para o desenvolvimento de computadores qu\u00e2nticos. Foi a primeira f\u00edsica titular da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/a><\/strong><\/span>, integra a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/twas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Academia Mundial de Ci\u00eancias (TWAS)<\/a><\/strong><\/span> e recebeu o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/translate.google.com\/translate?u=https:\/\/www.unesco.org\/en\/prizes\/women-science\/awards&amp;hl=pt&amp;sl=en&amp;tl=pt&amp;client=srp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00eamio L\u2019Or\u00e9al-UNESCO<\/a><\/strong><\/span> em 2005. \u201cPara mim, no Brasil, na mat\u00e9ria condensada, Belita Koiller \u00e9 um grande nome. Ela ganhou recentemente o Pr\u00eamio Joaquim Costa Ribeiro, da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF)<\/a><\/strong><\/span>, em reconhecimento \u00e0s suas contribui\u00e7\u00f5es. Ela realmente formou pessoas e mostrou como pode haver uma lideran\u00e7a feminina nessa \u00e1rea\u201d, aponta Thereza Paiva. (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-belita-koillerfoto-sbf-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8515\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-300x150.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-1024x512.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-768x384.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-1536x768.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-800x400.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4-1160x580.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/CC-2E25-reportagem-mulheres-na-qua\u0302ntica-figura4.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Belita Koiller<br \/>\n<\/strong>(Foto: SBF. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nova gera\u00e7\u00e3o de cientistas qu\u00e2nticas no Brasil inclui nomes como B\u00e1rbara Lopes Amaral, que investiga contextualidade e n\u00e3o localidade qu\u00e2nticas; Fanny B\u00e9ron, especialista em spintr\u00f4nica e materiais magn\u00e9ticos; Kaline Rabelo Coutinho, que aplica a modelagem qu\u00e2ntica a biomol\u00e9culas e materiais funcionais; e Ingrid David Barcelos, premiada em 2024 por seus estudos com materiais bidimensionais e heteroestruturas.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, a presen\u00e7a feminina ainda \u00e9 minorit\u00e1ria, reflexo de desigualdades estruturais que se manifestam desde o ensino b\u00e1sico e se ampliam no meio acad\u00eamico. Iniciativas como pr\u00eamios da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/sbf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sociedade Brasileira de F\u00edsica (SBF)<\/a> <\/strong><\/span>e a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plataforma Lattes<\/a><\/strong><\/span> t\u00eam contribu\u00eddo para dar maior visibilidade a essas trajet\u00f3rias. \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito diverso, muito grande. Ent\u00e3o, h\u00e1 v\u00e1rios grupos de pesquisa: algumas \u00e1reas mais desenvolvidas, outras menos, mas com gente trabalhando em temas de ponta em diferentes regi\u00f5es do Brasil\u201d, enfatiza Renata Zukanovich Funchal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"abrindo-caminhos\"><strong>Abrindo caminhos<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de a hist\u00f3ria estar come\u00e7ando a mudar, ainda h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido. O chamado \u201cefeito tesoura\u201d, identificado por Thereza Paiva a partir de dados do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico\u00a0(CNPq)<\/a><\/strong><\/span>, evidencia que, apesar do aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina, a desigualdade cresce ao longo da trajet\u00f3ria acad\u00eamica. Desde a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica at\u00e9 as bolsas de produtividade, observa-se um funil que estreita as oportunidades. \u201cSe voc\u00ea olha as bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o n\u00famero de partida de mulheres nas \u00e1reas exatas j\u00e1 \u00e9 menor, e no mestrado menos ainda, no doutorado menos, na produtividade menos, e assim vai sempre caindo. Ent\u00e3o, o efeito tesoura ainda est\u00e1 l\u00e1\u201d, pontua a pesquisadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-importante-sensibilizar-os-homens-eles-sao-fundamentais-nessa-luta\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u00c9 importante sensibilizar os homens, eles s\u00e3o fundamentais nessa luta.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para mudar esse cen\u00e1rio, \u00e9 essencial o apoio de professores, colegas e gestores homens, aliado a pol\u00edticas p\u00fablicas, explica Renata Zukanovich Funchal. A amplia\u00e7\u00e3o dos prazos de bolsas em caso de maternidade e a cria\u00e7\u00e3o de creches durante congressos s\u00e3o exemplos concretos de avan\u00e7os. \u201c\u00c9 importante sensibilizar os homens, eles s\u00e3o fundamentais nessa luta\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Essas transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocorrem por acaso: resultam de lutas coletivas e da atua\u00e7\u00e3o de pessoas dispostas a abrir caminhos. Valorizar o papel dessas mulheres \u00e9 fundamental, pois elas se tornam refer\u00eancias para que novas gera\u00e7\u00f5es de meninas visualizem a possibilidade de trilhar percursos semelhantes e ocupar esses espa\u00e7os. Como lembra Thereza Paiva, figuras como Belita Koiller cumprem esse papel inspirador: \u201cAs mulheres que contribuem t\u00eam um papel muito importante para as gera\u00e7\u00f5es mais novas, de serem modelos e de mostrarem que aquilo \u00e9 poss\u00edvel. Para mim, quem exerceu esse papel de modelo e lideran\u00e7a foi a professora Belita Koiller. Ela foi minha professora na gradua\u00e7\u00e3o e eu olhei para ela quando eu era aluna e pensei: \u2018Ah, isso a\u00ed existe, e eu quero ser isso a\u00ed, uma mulher pesquisadora\u2019\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-mulheres-que-contribuem-tem-um-papel-muito-importante-para-as-geracoes-mais-novas-de-serem-modelos-e-de-mostrarem-que-aquilo-e-possivel\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs mulheres que contribuem t\u00eam um papel muito importante para as gera\u00e7\u00f5es mais novas, de serem modelos e de mostrarem que aquilo \u00e9 poss\u00edvel.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A f\u00edsica qu\u00e2ntica n\u00e3o \u00e9 uma narrativa sobre g\u00eanios solit\u00e1rios, mas uma constru\u00e7\u00e3o coletiva, feita de m\u00faltiplas vozes e perspectivas. O desafio contempor\u00e2neo \u00e9 garantir que essas vozes n\u00e3o sejam mais silenciadas e que a ci\u00eancia se torne um espa\u00e7o cada vez mais plural, onde meninas e mulheres possam n\u00e3o apenas sonhar, mas tamb\u00e9m transformar a realidade. Como na pr\u00f3pria qu\u00e2ntica, onde part\u00edculas podem ocupar m\u00faltiplos estados ao mesmo tempo, o futuro da ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 determinado: ele depende das escolhas que fazemos hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-lise-meitnerfoto-cordon-press-reproducao\"><strong>Capa. Lise Meitner<br \/>\n<\/strong>(Foto: Cordon Press. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As trajet\u00f3rias pouco contadas das cientistas que ajudaram a desvendar o mundo&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":8512,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8511"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8511"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9124,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8511\/revisions\/9124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}