{"id":8621,"date":"2025-07-17T07:30:28","date_gmt":"2025-07-17T07:30:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8621"},"modified":"2025-11-25T11:38:58","modified_gmt":"2025-11-25T11:38:58","slug":"divulgar-ciencia-nao-e-so-traduzir-conteudo-e-escutar-construir-pontes-e-pensar-com-quem-esta-nos-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8621","title":{"rendered":"\u201cDivulgar ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 traduzir conte\u00fado, \u00e9 escutar, construir pontes e pensar com quem est\u00e1 nos territ\u00f3rios\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-marina-hirota-professora-do-programa-de-pos-graduacao-em-ecologia-da-universidade-federal-de-santa-catarina-ufsc\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Marina Hirota, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Matem\u00e1tica por forma\u00e7\u00e3o, cientista por voca\u00e7\u00e3o e interdisciplinar por natureza, Marina Hirota \u00e9 uma das pesquisadoras brasileiras que mais se destacam no estudo das intera\u00e7\u00f5es entre clima, vegeta\u00e7\u00e3o e din\u00e2mica ecol\u00f3gica. Graduada em Matem\u00e1tica Aplicada pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/unicamp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/a><\/strong><\/span>, ela iniciou sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica com um mestrado em Engenharia El\u00e9trica, mas foi no doutorado em Meteorologia, realizado no <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cptec.inpe.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CPTEC-INPE<\/a><\/strong><\/span>, que come\u00e7ou a aprofundar o olhar sobre os sistemas terrestres. Desde ent\u00e3o, sua carreira tomou rumos cada vez mais conectados com os grandes desafios socioambientais do nosso tempo. Durante o p\u00f3s-doutorado na <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.wur.nl\/en.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade de Wageningen<\/a><\/strong><\/span>, na Holanda, Marina passou a investigar os chamados <\/em>tipping points<em> \u2014 pontos de inflex\u00e3o ecol\u00f3gicos \u2014 em biomas tropicais como a Amaz\u00f4nia e o Cerrado, buscando entender os limites cr\u00edticos de resili\u00eancia desses sistemas. \u201cMesmo que o desmatamento parasse hoje, o sistema amaz\u00f4nico ainda continuaria mudando por in\u00e9rcia\u201d, explica. Hoje, como professora da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufsc.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)<\/a><\/strong><\/span> e integrante <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ipes.ufsc.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do Group for Interdisciplinary Environmental Studies (IpES)<\/a><\/strong><\/span>, ela combina ferramentas da matem\u00e1tica, f\u00edsica, ecologia e antropologia para mapear vulnerabilidades da floresta, desenvolver modelos computacionais e repensar os caminhos da ci\u00eancia diante da complexidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nesta entrevista \u00e0 <strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong>, Marina Hirota fala sobre sua trajet\u00f3ria h\u00edbrida, os sinais de alerta nos ecossistemas tropicais, a urg\u00eancia de compreender os sistemas complexos e a import\u00e2ncia de romper as fronteiras entre disciplinas \u2014 e entre ci\u00eancia e sociedade. \u201cN\u00e3o existem caixas r\u00edgidas entre f\u00edsica e ecologia. Est\u00e1 tudo conectado \u2014 e as membranas entre essas \u00e1reas s\u00e3o muito perme\u00e1veis\u201d, defende. Confira!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura \u2013 Sua carreira une duas \u00e1reas aparentemente distantes: F\u00edsica e Ecologia. Como essa interdisciplinaridade moldou sua vis\u00e3o sobre os estudos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sistemas complexos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marina Hirota<\/strong> \u2013 A primeira coisa importante \u00e9 que sou, na verdade, matem\u00e1tica. Dou aulas de f\u00edsica porque estou no departamento de F\u00edsica, mas atuo principalmente no curso de Meteorologia \u2014 foi a\u00ed que comecei a me aproximar das quest\u00f5es do clima e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A Ecologia veio depois, no doutorado. Naquele momento, eu sentia a necessidade de entender melhor a din\u00e2mica ecol\u00f3gica para interpretar os resultados dos modelos que eu usava na tese. Muitos deles me pareciam pouco confi\u00e1veis, ent\u00e3o resolvi ir a campo, aprender Ecologia com os pr\u00f3prios ecossistemas, observando diretamente.<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria n\u00e3o foi exatamente planejada. As coisas foram acontecendo e fui sendo levada por elas. E, sinceramente, n\u00e3o vejo F\u00edsica e Ecologia como \u00e1reas distantes. Pelo contr\u00e1rio: vejo uma profunda interconex\u00e3o entre elas. Muitas das rela\u00e7\u00f5es que existem na natureza podem ser explicadas pela F\u00edsica, embora nos tr\u00f3picos essas rela\u00e7\u00f5es se tornem mais complexas e heterog\u00eaneas \u2014 as chamadas \u201cleis universais\u201d nem sempre se aplicam. No campo, percebemos isso com clareza.<\/p>\n<p>Para mim, os limites entre disciplinas s\u00e3o muito perme\u00e1veis. N\u00e3o existem \u201ccaixas\u201d r\u00edgidas: o conhecimento circula, se mistura. Acho que essa perspectiva integrada faz parte da minha personalidade. Tenho uma forma\u00e7\u00e3o ampla, conhe\u00e7o um pouco de v\u00e1rias \u00e1reas \u2014 solos, geologia, clima, ecologia \u2014 e estou sempre aprendendo mais, inclusive agora com antrop\u00f3logos e arque\u00f3logos. Essa vis\u00e3o integrada permite estabelecer conex\u00f5es e pontes entre campos que, \u00e0 primeira vista, parecem separados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, essa postura vem com a consci\u00eancia da ignor\u00e2ncia: estar sempre aprendendo, escutando, expandindo. Isso exige humildade, mas tamb\u00e9m permite ver o mundo de forma menos fragmentada e mais sist\u00eamica \u2014 o que, nas discuss\u00f5es cient\u00edficas, pode ser uma enorme vantagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-amazonia-continua-sendo-floresta-mas-ja-e-uma-floresta-com-outra-composicao-que-transpira-troca-calor-e-interage-com-a-atmosfera-de-maneira-diferente\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em> \u201cA Amaz\u00f4nia continua sendo floresta, mas j\u00e1 \u00e9 uma floresta com outra composi\u00e7\u00e3o \u2014 que transpira, troca calor e interage com a atmosfera de maneira diferente.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Voc\u00ea trabalha com ecossistemas cr\u00edticos para o clima global, como florestas tropicais e savanas. Quais s\u00e3o os principais sinais de alerta que sua pesquisa j\u00e1 identificou sobre o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nesses biomas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MH<\/strong> \u2013 Quando falamos em florestas tropicais, especialmente na Amaz\u00f4nia, h\u00e1 sinais muito claros de que o clima est\u00e1 mudando. N\u00e3o se trata mais de exce\u00e7\u00f5es: os extremos clim\u00e1ticos se intensificaram e o \u201cnormal\u201d j\u00e1 mudou. Em diversas regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia, h\u00e1 registros de eventos de mortalidade de \u00e1rvores que n\u00e3o v\u00edamos antes. A esta\u00e7\u00e3o seca est\u00e1 ficando mais prolongada, e o in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa est\u00e1 cada vez mais atrasado \u2014 j\u00e1 h\u00e1 um deslocamento de 15 a 30 dias, e isso continua aumentando.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de chuvas tem diminu\u00eddo em grande parte da bacia, com exce\u00e7\u00e3o do noroeste, e as temperaturas est\u00e3o muito elevadas. Eventos extremos como os El Ni\u00f1os de 2014-2016 e os mais recentes (2023-2025) t\u00eam sido mais prolongados e intensos, com impactos significativos na vegeta\u00e7\u00e3o, inclusive na fenologia das \u00e1rvores (o ciclo de troca de folhas).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em \u00e1reas sem desmatamento, estamos observando mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o da floresta. Esp\u00e9cies mais adaptadas \u00e0 seca est\u00e3o se estabelecendo com mais frequ\u00eancia, enquanto esp\u00e9cies t\u00edpicas de ambientes mais \u00famidos t\u00eam apresentado maiores taxas de mortalidade. Ou seja, a floresta permanece, mas com uma nova composi\u00e7\u00e3o \u2014 o que afeta diretamente as trocas de energia e de \u00e1gua com a atmosfera.<\/p>\n<p>Isso sem contar os impactos das a\u00e7\u00f5es humanas: desmatamento, queimadas, degrada\u00e7\u00e3o. Tudo isso altera a fisionomia da floresta e intensifica os desequil\u00edbrios. Esses s\u00e3o alguns dos sinais mais evidentes que temos observado em campo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Como pesquisadora que estuda pontos de inflex\u00e3o (<em>tipping points<\/em>) ecol\u00f3gicos, como voc\u00ea explica esse conceito para o p\u00fablico leigo? E por que \u00e9 t\u00e3o urgente entender esses limiares no contexto brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MH<\/strong> \u2013 Eu prefiro usar o termo \u201cponto de inflex\u00e3o\u201d mesmo, porque \u201cponto de n\u00e3o retorno\u201d soa muito alarmista. Ainda estamos tentando entender como esses pontos ocorrem, porque envolvem uma combina\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, atividades humanas diretas e indiretas.<\/p>\n<p>A ideia central \u00e9 que os sistemas ecol\u00f3gicos, como a floresta amaz\u00f4nica, s\u00e3o sistemas din\u00e2micos e complexos. Isso significa que sua resposta a perturba\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 linear. Um pequeno desmatamento pode ter um impacto sutil, mas h\u00e1 um ponto a partir do qual a resposta do sistema se acelera \u2014 mesmo que voc\u00ea pare de desmatar, por exemplo.<\/p>\n<p>\u00c9 como jogar pedrinhas num lago: pequenas ondula\u00e7\u00f5es v\u00e3o se formando, mas chega um momento em que o sistema entra em outra configura\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o adianta parar de jogar pedrinhas: ele n\u00e3o volta ao que era antes de forma imediata. A floresta funciona da mesma forma. Mesmo que par\u00e1ssemos o desmatamento hoje, o sistema seguiria mudando por um tempo, por causa da in\u00e9rcia desses processos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 uma floresta \u00fanica \u2014 s\u00e3o v\u00e1rias florestas, com diferentes caracter\u00edsticas. Por isso, os pontos de inflex\u00e3o variam no espa\u00e7o e no tempo. E o grande perigo \u00e9 que, ao cruzar esses limiares, a mudan\u00e7a se torna autossustentada e muito mais dif\u00edcil de reverter, especialmente na escala de tempo da vida humana.<\/p>\n<p>Mas o foco n\u00e3o deveria estar apenas nos <em>tipping points<\/em>. O mais urgente \u00e9 olhar para as mudan\u00e7as que j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo e que j\u00e1 afetam profundamente as popula\u00e7\u00f5es que vivem nesses territ\u00f3rios. A ci\u00eancia deve estar a servi\u00e7o dessas pessoas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-ponto-de-inflexao-e-quando-a-velocidade-da-mudanca-se-acelera-mesmo-que-a-perturbacao-original-cesse\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO ponto de inflex\u00e3o \u00e9 quando a velocidade da mudan\u00e7a se acelera, mesmo que a perturba\u00e7\u00e3o original cesse.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Como mulher atuando na interface entre F\u00edsica e Ci\u00eancias Ambientais \u2014 \u00e1reas tradicionalmente masculinas \u2014 quais desafios voc\u00ea enfrentou em sua trajet\u00f3ria? Que conselho daria para jovens cientistas mulheres que querem seguir caminhos n\u00e3o convencionais na ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MH<\/strong> \u2013 Para mim, sempre foi sobre estar entusiasmada com uma ideia. Isso me movia, me motivava a trabalhar. Talvez por isso eu n\u00e3o tenha sentido, no in\u00edcio, muitos dos desafios que outras colegas me relatavam. Eu estava muito focada no que me interessava.<\/p>\n<p>O maior desafio, talvez, foi encontrar espa\u00e7os institucionais onde fosse poss\u00edvel trabalhar de forma verdadeiramente interdisciplinar. A maioria dos programas acad\u00eamicos \u00e9 muito disciplinar, e eu n\u00e3o me sentia pertencente a esses ambientes. Mesmo querendo usar ferramentas da meteorologia, por exemplo, n\u00e3o precisava de tudo que o programa oferecia \u2014 e isso criava um desencontro.<\/p>\n<p>Aqui no Brasil, esses espa\u00e7os ainda s\u00e3o raros, embora algumas iniciativas estejam surgindo. E mesmo quando consegui um emprego em universidade p\u00fablica, o caminho foi desafiador. Por isso sou muito grata \u00e0 Universidade Federal de Santa Catarina, que me acolheu e permitiu que eu continuasse trabalhando no Brasil, como eu desejava.<\/p>\n<p>Meu conselho para jovens mulheres que querem trilhar caminhos h\u00edbridos e n\u00e3o convencionais \u00e9: n\u00e3o se prendam \u00e0 ideia de ter que dominar tudo de uma \u00e1rea. Estar dispon\u00edvel para aprender e se desapegar da ideia de &#8220;especialista em uma coisa s\u00f3&#8221; \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Quando meu nome come\u00e7ou a ganhar visibilidade, percebi mais claramente os desafios enfrentados pelas mulheres na ci\u00eancia. Quanto mais voc\u00ea aparece, mais obst\u00e1culos surgem. E o desafio atual \u00e9 seguir fazendo meu trabalho com o m\u00ednimo de ru\u00eddo externo poss\u00edvel. Mas sigo motivada, e me inspiro muito em colegas como a professora D\u00e9bora Menezes, do meu departamento, que \u00e9 um exemplo de persist\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o e juventude interna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Al\u00e9m da pesquisa acad\u00eamica, voc\u00ea participa ativamente da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Por que \u00e9 importante levar o debate sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para al\u00e9m dos muros da universidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MH<\/strong> \u2013 Essa \u00e9 a pergunta de um milh\u00e3o, n\u00e9? Eu diria que h\u00e1 dois grandes motivos. O primeiro \u00e9 que precisamos compreender os mecanismos por tr\u00e1s das mudan\u00e7as. Por exemplo: como uma \u00e1rvore morre? Parece simples, mas \u00e9 uma quest\u00e3o cheia de vari\u00e1veis. E quando falamos de ecossistemas tropicais, com tanta biodiversidade, as respostas poss\u00edveis se multiplicam \u2014 porque cada esp\u00e9cie tem sua pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de vida, responde de maneira diferente a eventos como secas.<\/p>\n<p>Essas respostas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 biol\u00f3gicas. A presen\u00e7a humana, a diversidade biocultural, tudo isso interfere. Por isso, \u00e9 essencial sair da \u201ccaixa\u201d disciplinar e conversar com diferentes \u00e1reas \u2014 e n\u00e3o apenas com cientistas. \u00c9 preciso dialogar com agricultores, popula\u00e7\u00f5es locais, gestores p\u00fablicos, comunidades ind\u00edgenas. Entender como as pessoas vivem, por que tomam certas decis\u00f5es, e como isso se relaciona com os ecossistemas.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 fundamental nesse processo. N\u00e3o \u00e9 apenas traduzir a ci\u00eancia: \u00e9 criar espa\u00e7os de escuta e constru\u00e7\u00e3o conjunta de conhecimento. E, claro, promover a\u00e7\u00f5es em escala, que articulem saberes diversos \u2014 acad\u00eamicos, tradicionais, t\u00e9cnicos \u2014 para enfrentar os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de forma justa e eficaz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"meu-maior-desafio-foi-encontrar-espacos-institucionais-onde-eu-pudesse-ser-hibrida-sem-ter-que-caber-em-uma-unica-disciplina\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cMeu maior desafio foi encontrar espa\u00e7os institucionais onde eu pudesse ser h\u00edbrida, sem ter que caber em uma \u00fanica disciplina.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Marina Hirota, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":8622,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8621"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8621"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8624,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8621\/revisions\/8624"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}