{"id":8698,"date":"2025-08-27T07:30:03","date_gmt":"2025-08-27T07:30:03","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8698"},"modified":"2025-08-04T13:52:34","modified_gmt":"2025-08-04T13:52:34","slug":"mapas-da-desigualdade-como-dados-revelam-o-racismo-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8698","title":{"rendered":"Mapas da desigualdade: Como dados revelam o racismo ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"georreferenciamento-big-data-e-sensoriamento-remoto-expoem-como-comunidades-negras-indigenas-e-perifericas-sao-as-mais-afetadas-pelas-mudancas-climaticas-e-o-que-a-ciencia-pode-fazer-para\"><span style=\"color: #808080;\">Georreferenciamento, big data e sensoriamento remoto exp\u00f5em como comunidades negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas s\u00e3o as mais afetadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 e o que a ci\u00eancia pode fazer para mudar esse cen\u00e1rio<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um mundo cada vez mais impactado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, os efeitos n\u00e3o s\u00e3o sentidos de forma igualit\u00e1ria. Enquanto alguns podem se proteger com recursos e infraestrutura, outros\u2014muitas vezes comunidades negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas \u2014 carregam o peso desproporcional da degrada\u00e7\u00e3o ambiental. A ci\u00eancia de dados surge como uma ferramenta crucial para expor essas disparidades, combinando georreferenciamento, sensoriamento remoto e big data para revelar como o racismo ambiental se materializa no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-racismo-ambiental-nao-e-um-fenomeno-acidental-mas-um-legado-de-desigualdades-estruturais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO racismo ambiental n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno acidental, mas um legado de desigualdades estruturais.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vulnerabilidade clim\u00e1tica n\u00e3o se resume apenas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a eventos extremos, mas a uma teia de fatores sociais, econ\u00f4micos e hist\u00f3ricos. No Brasil, quilombos, terras ind\u00edgenas e periferias urbanas s\u00e3o exemplos de territ\u00f3rios racializados que enfrentam amea\u00e7as como garimpo ilegal, contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos e falta de saneamento b\u00e1sico. O projeto\u00a0<strong>VERACIS<\/strong>, por exemplo, cruza dados clim\u00e1ticos com indicadores de sa\u00fade para mostrar como comunidades negras nos seis biomas brasileiros sofrem com doen\u00e7as agravadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. J\u00e1 o\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/sisvuclima.mma.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SisVuClima<\/a><\/strong><\/span><strong>\u00a0<\/strong>e o<strong><a href=\"https:\/\/institutovotorantim.org.br\/ivcm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">\u00cdndice de Vulnerabilidade Clim\u00e1tica dos Munic\u00edpios (IVCM)<\/span>\u00a0<\/a><\/strong>revelam, por meio de modelagens, quais regi\u00f5es t\u00eam menor capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u2014 justamente aquelas onde a pobreza e a exclus\u00e3o se sobrep\u00f5em \u00e0 cor da pele.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-esgoto-a-ceu-aberto-em-rua-da-periferia-no-distrito-federalfoto-valter-campanato-usp-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8700\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo-300x157.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo-300x157.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo-768x403.jpeg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo-18x9.jpeg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo-380x200.jpeg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo-800x420.jpeg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/racismo.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Esgoto a c\u00e9u aberto em rua da periferia no Distrito Federal<br \/>\n<\/strong>(Foto: Valter Campanato\/ USP. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O racismo ambiental n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno acidental, mas um legado de desigualdades estruturais. Bairros pobres abrigam lix\u00f5es, rios polu\u00eddos cortam comunidades ind\u00edgenas, e zonas de sacrif\u00edcio\u2014como a regi\u00e3o de Bhopal, na \u00cdndia, ou Flint, nos EUA \u2014 s\u00e3o quase sempre habitadas por popula\u00e7\u00f5es marginalizadas. Na Amaz\u00f4nia, o avan\u00e7o do garimpo e do agroneg\u00f3cio contamina rios e expulsa povos tradicionais, enquanto mapas gerados por sat\u00e9lites exp\u00f5em o desmatamento que avan\u00e7a sobre terras protegidas. Sensores remotos e algoritmos conseguem, hoje, prever quais \u00e1reas ser\u00e3o mais afetadas por secas ou enchentes, mas tamb\u00e9m revelam um padr\u00e3o: s\u00e3o as mesmas onde o Estado historicamente falhou em garantir direitos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desafios\"><strong>Desafios<\/strong><\/h4>\n<p>Os desafios, por\u00e9m, s\u00e3o grandes. A escassez de dados detalhados sobre algumas regi\u00f5es \u2014 como territ\u00f3rios quilombolas n\u00e3o reconhecidos \u2014 dificulta an\u00e1lises precisas. Al\u00e9m disso, a vulnerabilidade \u00e9 interseccional: ra\u00e7a, g\u00eanero e classe se entrela\u00e7am, exigindo modelos que v\u00e3o al\u00e9m de estat\u00edsticas simplificadas. Mas quando a ci\u00eancia de dados \u00e9 aliada ao conhecimento local, como no engajamento de comunidades no mapeamento de riscos, ela se torna uma arma poderosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-a-ciencia-de-dados-e-aliada-ao-conhecimento-local-ela-se-torna-uma-arma-poderosa\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando a ci\u00eancia de dados \u00e9 aliada ao conhecimento local ela se torna uma arma poderosa.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A justi\u00e7a clim\u00e1tica exige mais do que tecnologia \u2014 requer pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas e repara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Mas sem dados robustos, as injusti\u00e7as permanecem invis\u00edveis. Ao tornar vis\u00edvel o que antes era ignorado, a ci\u00eancia de dados n\u00e3o apenas exp\u00f5e crises, mas aponta caminhos: onde investir, quem proteger e como reparar. Em um planeta em aquecimento, o futuro depende de enxergar \u2014 e agir \u2014 sobre essas desigualdades antes que seja tarde demais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-tomaz-silva-agencia-brasil-reproducao\"><strong>Capa. Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Georreferenciamento, big data e sensoriamento remoto exp\u00f5em como comunidades negras, ind\u00edgenas e&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":8699,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8698"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8698"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8698\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8703,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8698\/revisions\/8703"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8698"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8698"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8698"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}