{"id":8727,"date":"2025-08-11T08:00:17","date_gmt":"2025-08-11T08:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8727"},"modified":"2025-10-15T13:06:44","modified_gmt":"2025-10-15T13:06:44","slug":"a-arte-urbana-como-voz-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8727","title":{"rendered":"A arte urbana como voz do meio ambiente"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"de-muros-a-murais-artistas-urbanos-transformam-as-cidades-em-telas-de-conscientizacao-ecologica-provocando-reflexao-e-mobilizacao-popular\"><span style=\"color: #808080;\">De muros a murais, artistas urbanos transformam as cidades em telas de conscientiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, provocando reflex\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A arte sempre teve o poder de dar visibilidade ao que est\u00e1 escondido e voz ao que n\u00e3o \u00e9 ouvido. Por isso, em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, crise ambiental e desigualdade social exacerbadas, em que o planeta e a sociedade gritam por transforma\u00e7\u00f5es urgentes, a arte urbana tem se mostrado um porta-voz tanto do meio ambiente quanto da periferia. Unir arte e ativismo ambiental tem se revelado uma estrat\u00e9gia poderosa de mobiliza\u00e7\u00e3o social nas cidades. Por meio de grafites, murais, instala\u00e7\u00f5es e performances, artistas urbanos transformam o espa\u00e7o p\u00fablico em plataformas de den\u00fancia, reflex\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Essas interven\u00e7\u00f5es, acess\u00edveis e visualmente impactantes, colocam em pauta temas como polui\u00e7\u00e3o, desmatamento, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sustentabilidade, levando a mensagem ambiental para al\u00e9m das salas de aula e institui\u00e7\u00f5es formais. Ao sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o de forma direta e afetiva, a arte urbana n\u00e3o apenas denuncia os problemas, mas tamb\u00e9m prop\u00f5e imagin\u00e1rios coletivos para futuros mais sustent\u00e1veis, tornando-se uma aliada fundamental na educa\u00e7\u00e3o ambiental contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Para Daniela Mendes Cidade, professora do Departamento de Arquitetura e pesquisadora na \u00e1rea de Arquitetura e Artes Visuais da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/strong><\/a><\/span>, o debate sobre sustentabilidade vem sendo tratado com preocupa\u00e7\u00e3o no campo da arte, assim como na arquitetura e no urbanismo, entre outras \u00e1reas do conhecimento. No entanto, ela ressalta que os desafios continuam imensos: \u201cA vida saud\u00e1vel no planeta \u00e9 incompat\u00edvel com os interesses de governantes e do neoliberalismo\u201d. A arte, nesse contexto, torna-se um canal potente de express\u00e3o, provoca\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o \u2014 mesmo quando esse vi\u00e9s educativo n\u00e3o \u00e9 intencional. \u201cAproximando arte e vida, artistas encontram na cidade um meio de atingir o p\u00fablico em geral de uma maneira mais direta. Arte urbana \u00e9 como um &#8216;trope\u00e7o&#8217; no andar cotidiano. Nos faz parar, olhar, pensar o presente e imaginar um futuro melhor. Se o que ela traz \u00e9 uma abordagem sobre o meio ambiente, ela vai nos fazer refletir sobre isso. E refletindo sobre isso, quem sabe possa nos impactar para ter uma posi\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es cotidianas que possam impactar o meio em que vivemos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Essa capacidade de provocar, inspirar e educar tamb\u00e9m \u00e9 destacada por M\u00e1rcia Mariana Bittencourt Brito, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Artes da <a href=\"https:\/\/ufpa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA)<\/span><\/strong><\/a>, que observa como a crise clim\u00e1tica e a urg\u00eancia da justi\u00e7a ambiental t\u00eam mobilizado artistas, institui\u00e7\u00f5es, coletivos e educadores. A arte urbana, segundo ela, \u00e9 uma forma direta de express\u00e3o democr\u00e1tica: \u201c\u00c9 uma express\u00e3o que impulsiona os artistas a se expressarem livremente e diretamente com as pessoas de forma democr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Diego Ricca, professor do curso de Design da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufc.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC)<\/strong><\/a><\/span>, refor\u00e7a o potencial sens\u00edvel e comunicativo dessas interven\u00e7\u00f5es: \u201cQuando falamos de meio ambiente e sustentabilidade, tratamos de temas que muitas vezes parecem distantes da experi\u00eancia cotidiana. A arte, especialmente aquela que ocupa os espa\u00e7os p\u00fablicos, tem o poder de traduzir essas quest\u00f5es em imagens, gestos e formas que tocam afetivamente as pessoas.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-vida-saudavel-no-planeta-e-incompativel-com-os-interesses-de-governantes-e-do-neoliberalismo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA vida saud\u00e1vel no planeta \u00e9 incompat\u00edvel com os interesses de governantes e do neoliberalismo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse movimento art\u00edstico ganha ainda mais for\u00e7a e relev\u00e2ncia diante dos desafios globais. Com a realiza\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdr\/cop30\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP30)<\/strong><\/a><\/span>, marcada para ocorrer em 2025 na cidade de Bel\u00e9m (PA), ser\u00e1 a primeira vez que a confer\u00eancia ocorrer\u00e1 n\u00e3o apenas no Brasil, mas tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do planeta. \u00c9 um momento simb\u00f3lico e estrat\u00e9gico para reunir governos, cientistas, organiza\u00e7\u00f5es e popula\u00e7\u00f5es tradicionais em torno de a\u00e7\u00f5es concretas para conter o aquecimento global. Nesse cen\u00e1rio, a arte urbana aparece como uma aliada vital na constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio coletivo sobre sustentabilidade e justi\u00e7a clim\u00e1tica \u2014 pintando muros, mas tamb\u00e9m plantando consci\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"arte-urbana-como-ferramenta-para-discutir-o-meio-ambiente\"><strong>Arte urbana como ferramenta para discutir o meio ambiente <\/strong><\/h4>\n<p>A arte urbana tem se consolidado como uma poderosa ferramenta para levar o debate ambiental a diferentes p\u00fablicos \u2014 especialmente \u00e0queles historicamente exclu\u00eddos das grandes decis\u00f5es pol\u00edticas. De norte a sul do Brasil, iniciativas que unem arte, ecologia e cidadania transformam os muros das cidades em espa\u00e7os vivos de reflex\u00e3o, den\u00fancia e pertencimento. \u201cComo designer e artista, acredito que sua pot\u00eancia reside justamente na capacidade de deslocar o olhar, criar estranhamentos e provocar di\u00e1logos onde antes havia indiferen\u00e7a\u201d, afirma Diego Ricca.<\/p>\n<p>Esse deslocamento simb\u00f3lico tamb\u00e9m move o trabalho de Liz Sandoval, arquiteta da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU), pesquisadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da <a href=\"https:\/\/www.unb.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/span><\/strong><\/a>, e curadora e idealizadora da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cinemaurbana.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Mostra Internacional de Cinema de Arquitetura \u2013 Cinema Urbana<\/strong><\/a><\/span>. Iniciada em Bras\u00edlia, em 2018, a mostra rapidamente extrapolou os limites das salas de exibi\u00e7\u00e3o para ocupar ruas, escadarias, fachadas e pra\u00e7as p\u00fablicas. \u201cPercebi que debater a cidade apenas dentro da sala escura do cinema era limitador. A cidade precisa ser vivida, tocada, ocupada\u201d, diz Liz Sandoval.<\/p>\n<p>Esse enraizamento nos territ\u00f3rios tamb\u00e9m \u00e9 enfatizado por M\u00e1rcia Brito. Segundo ela, mesmo com pouca produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre o tema, a arte urbana n\u00e3o est\u00e1 ausente da regi\u00e3o \u2014 apenas pulsa fora das universidades. \u201cA arte revela aquilo que emerge dos desejos e interesses dos artistas. A forma\u00e7\u00e3o vem mudando ao longo do tempo, incluindo temas urgentes como diversidade, racismo e pautas LGBTQIAP+. Tudo isso influencia as linguagens art\u00edsticas que encontramos nas ruas\u201d, pontua.<\/p>\n<p>A diversidade de linguagens \u00e9 imensa: de murais e esculturas feitas com res\u00edduos s\u00f3lidos a performances e instala\u00e7\u00f5es. Daniela Cidade lembra, por exemplo, do mural \u201c<em>Lutz<\/em>\u201d, realizado por Kelvin Koubik em Porto Alegre, em homenagem ao ambientalista Jos\u00e9 Lutzenberger, vis\u00edvel de longe por sua escala e localiza\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m destaca artistas como Bordalo II, que cria esculturas de animais com lixo industrial, e a atriz Gabriela Carneiro da Cunha, cuja performance \u201c<em>Altamira 2042<\/em>\u201d denuncia os impactos da barragem de Belo Monte. \u201cA arte do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/mab.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MAB \u2013 Movimento dos Atingidos por Barragens<\/strong><\/a><\/span> \u2013 tamb\u00e9m merece destaque, sobretudo pelo trabalho do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/mab.org.br\/mulheres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Coletivo de Mulheres Atingidas por Barragens<\/strong><\/a><\/span>, que cria obras inspiradas nas <em>Arpilleras<\/em> chilenas para denunciar viola\u00e7\u00f5es ambientais e sociais\u201d, diz.<\/p>\n<p>No Brasil, muitos artistas se dedicam a esse tipo de produ\u00e7\u00e3o. Diego Ricca lembra do paulistano Mundano, que transformou 250 quilos da lama de Brumadinho em tinta para criar um mural com 22 rostos das v\u00edtimas. Seu projeto <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pimpmycarroca.com\/?srsltid=AfmBOop2qVLACQqan3dRtr_3TXKGPl_mmwARuj_yqyuF7Z8Xk3xOqvlP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Pimp My Carro\u00e7a<\/em><\/strong><\/a><\/span> revitaliza carro\u00e7as de catadores com grafites e itens de seguran\u00e7a, trazendo visibilidade a esses trabalhadores. \u201cLevei meu trabalho para al\u00e9m dos muros e para as carro\u00e7as, como um novo suporte urbano para minha mensagem\u2026 os catadores est\u00e3o saindo da invisibilidade e se tornando cada vez mais respeitados e valorizados\u201d, disse o artista durante o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/mundano_trash_cart_superheroes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>TED Brasil<\/strong><\/a><\/span>. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-projeto-pimp-my-carrocafoto-pimp-my-carroca-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8729\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-300x215.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-300x215.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-1024x735.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-768x551.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-1536x1103.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-800x574.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1-1160x833.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Projeto Pimp My Carro\u00e7a<br \/>\n<\/strong>(Foto: Pimp My Carro\u00e7a. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros nomes e coletivos tamb\u00e9m se destacam. No Cear\u00e1, o artista Narc\u00e9lio Grud combina som, paisagem e intera\u00e7\u00e3o em obras que dialogam com o meio ambiente. Em Fortaleza, o <a href=\"https:\/\/www.festivalconcreto.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em><span style=\"color: #800000;\">Festival Concreto<\/span><\/em><\/strong><\/a>, organizado por ele, convida artistas de diversos pa\u00edses a repensarem o espa\u00e7o urbano. J\u00e1 o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/raizesdogrio\/?locale=ja_JP&amp;hl=en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Coletivo Ra\u00edzes do Gri\u00f4<\/strong><\/a><\/span> atua na cidade com m\u00fasica, arte-educa\u00e7\u00e3o e cultura ancestral, promovendo encontros entre crian\u00e7as, jovens e os saberes ind\u00edgenas e africanos. Rodrigo Cordeiro e o artista Gam\u00e3o, por sua vez, criaram o projeto <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/graffiticontraenchente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Grafite contra enchente<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>,<\/em> em Tabo\u00e3o da Serra (SP), que alerta para a preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua com uma gigantesca pintura em uma ponte \u2014 a primeira da regi\u00e3o totalmente grafitada. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-coletivo-raizes-do-griofoto-mapa-cultural-do-ceara-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8730\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-768x431.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-1536x863.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2-1160x652.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Coletivo Ra\u00edzes do Gri\u00f4<br \/>\n<\/strong>(Foto: Mapa Cultural do Cear\u00e1. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A s\u00e9rie de iniciativas \u00e9 extensa. Em Minas Gerais, o projeto <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.artenasaguasdeminas.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Arte nas \u00c1guas de Minas<\/em><\/strong><\/a><\/span>, viabilizado pela Lei Rouanet, leva murais com a tem\u00e1tica da \u00e1gua a cidades do estado, propondo uma nova forma de pensar o uso sustent\u00e1vel dos recursos h\u00eddricos. Em Picos (PI), o projeto <em>Ser Junco<\/em> transforma lixo em mobili\u00e1rio urbano e arte p\u00fablica, combinando interven\u00e7\u00f5es visuais com a\u00e7\u00f5es de reflorestamento em bairros perif\u00e9ricos. Em Campinas (SP), a artista S. Urbana revitalizou a fachada de uma escola p\u00fablica com um mural que integra arte e natureza, em parceria com a comunidade local.<\/p>\n<p>E em Bel\u00e9m do Par\u00e1, cidade que sediar\u00e1 a COP30, a efervesc\u00eancia art\u00edstica \u00e9 vis\u00edvel nas periferias. M\u00e1rcia Mariana Bittencourt Brito cita os bairros da Terra Firme, Guam\u00e1, Bengu\u00ed, Jurunas e as ilhas do Comb\u00fa como territ\u00f3rios vivos de arte e resist\u00eancia. O <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/maub.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu de Arte Urbana de Bel\u00e9m<\/strong><\/a><\/span> e a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.bienalamazonias.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Bienal das Amaz\u00f4nias<\/em><\/strong><\/a><\/span>, criada por L\u00edvia Condur\u00fa, re\u00fanem obras de artistas como Lenu Art, Daniel Ops, \u00c9der Oliveira, Drika Chagas, entre outros, com forte sensibilidade para as quest\u00f5es ambientais e sociais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/favelagaleria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Favela Galeria<\/em><\/strong><\/a><\/span>, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 outro exemplo marcante: criado pelo grupo OPNI, transforma bairros perif\u00e9ricos em verdadeiras galerias a c\u00e9u aberto, com obras que celebram a cultura local e provocam reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o espa\u00e7o urbano. (<strong>Figura 3<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-favela-galeriafoto-grupo-opni-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8731\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-300x184.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-300x184.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-1024x628.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-768x471.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-1536x942.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-800x491.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3-1160x711.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-arte-urbana-e-meio-ambiente-figura3.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Favela Galeria<br \/>\n<\/strong>(Foto: Grupo OPNI. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como resume Diego Ricca: \u201cO impacto dessas obras reside na fus\u00e3o entre est\u00e9tica e \u00e9tica, entre o sens\u00edvel e o pol\u00edtico.\u201d Ao ocupar as cidades com arte, essas iniciativas constroem caminhos poss\u00edveis para uma educa\u00e7\u00e3o ambiental mais inclusiva, afetiva e transformadora \u2014 uma educa\u00e7\u00e3o que fala por imagens, sons, gestos e cores, mas tamb\u00e9m por e com os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"intervencoes-artisticas-e-transformacao-do-espaco-publico\"><strong>Interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico<\/strong><\/h4>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em espa\u00e7os urbanos t\u00eam o poder de transformar n\u00e3o apenas a paisagem, mas tamb\u00e9m o modo como nos relacionamos com a cidade. Mais do que alterar fachadas ou revitalizar muros, essas a\u00e7\u00f5es provocam deslocamentos simb\u00f3licos, afetivos e pol\u00edticos, despertando novas percep\u00e7\u00f5es sobre o territ\u00f3rio, o meio ambiente e as possibilidades de futuro.<\/p>\n<p>Para Daniela Cidade, a arte urbana confere singularidade ao espa\u00e7o p\u00fablico e o ressignifica para al\u00e9m de sua fun\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria. \u201cA arte p\u00fablica d\u00e1 sentido ao lugar. O espa\u00e7o deixa de ser apenas de passagem, moradia ou trocas de mercadorias, constitu\u00eddo de elementos concretos, e se torna singular, atuando desde a frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica at\u00e9 a possibilidade de despertar para o sens\u00edvel e provocar afetivamente os transeuntes comuns que muitas vezes n\u00e3o frequentam espa\u00e7os de arte institucionais.\u201d Em sua vis\u00e3o, a presen\u00e7a po\u00e9tica de imagens no cotidiano urbano nos transporta para fora da cidade concreta, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza ou a um futuro sustent\u00e1vel. \u201cA imagem po\u00e9tica no cotidiano urbano provoca sim outras narrativas ativadas pela mem\u00f3ria e pelo invis\u00edvel \u2014 o sentimento e a imagina\u00e7\u00e3o \u2014 que se estabelecem entre imagens internas e externas: o contexto urbano e o \u2018fora da cidade\u2019\u201d, afirma.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Diego Ricca, essas interven\u00e7\u00f5es operam como uma reconfigura\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e pol\u00edtica dos territ\u00f3rios urbanos. \u201cQuando uma pra\u00e7a abriga uma instala\u00e7\u00e3o que convida \u00e0 escuta da natureza ou quando um mural revela a hist\u00f3ria de um rio enterrado, temos ali um gesto de desestabiliza\u00e7\u00e3o do uso normativo do espa\u00e7o urbano.\u201d Ele destaca a import\u00e2ncia de permitir que outras vozes \u2014 como as da mem\u00f3ria ancestral ou dos futuros poss\u00edveis \u2014 ocupem a cidade: \u201cCriar novas narrativas n\u00e3o \u00e9 apenas contar novas hist\u00f3rias, mas permitir que outros sujeitos e temporalidades tenham voz. A cidade passa a ser pensada n\u00e3o como m\u00e1quina de produtividade, mas como ecossistema vivo.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-uma-praca-abriga-uma-instalacao-que-convida-a-escuta-da-natureza-ou-quando-um-mural-revela-a-historia-de-um-rio-enterrado-temos-ali-um-gesto-de-desestabilizacao-do-uso-normativo-do-es\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando uma pra\u00e7a abriga uma instala\u00e7\u00e3o que convida \u00e0 escuta da natureza ou quando um mural revela a hist\u00f3ria de um rio enterrado, temos ali um gesto de desestabiliza\u00e7\u00e3o do uso normativo do espa\u00e7o urbano.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Liz Sandoval tamb\u00e9m defende que a arte urbana contribui para deslocar o olhar habitual sobre os espa\u00e7os cotidianos. \u201cQueremos despertar nas pessoas a consci\u00eancia de que os espa\u00e7os urbanos n\u00e3o s\u00e3o neutros \u2014 eles s\u00e3o constru\u00eddos por decis\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais, e carregam marcas de exclus\u00e3o, resist\u00eancia e mem\u00f3ria.\u201d Para ela, ao intervir artisticamente em escadarias, fachadas, pra\u00e7as e vias p\u00fablicas, \u00e9 poss\u00edvel criar momentos de encontro, cuidado e reflex\u00e3o. \u201cA mensagem central \u00e9: a cidade nos pertence, e podemos (re)imagin\u00e1-la coletivamente\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-forca-das-periferias-arte-desigualdade-e-imaginacao-ecologica\"><strong>A for\u00e7a das periferias: arte, desigualdade e imagina\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/strong><\/h4>\n<p>As periferias urbanas concentram algumas das maiores contradi\u00e7\u00f5es socioambientais do pa\u00eds. S\u00e3o territ\u00f3rios onde o racismo ambiental, a aus\u00eancia de infraestrutura e o descaso hist\u00f3rico do poder p\u00fablico se tornam evidentes no cotidiano \u2014 e, ao mesmo tempo, onde emergem potentes formas de resist\u00eancia, cria\u00e7\u00e3o e reexist\u00eancia. \u00c9 nesse contexto que a arte urbana se fortalece n\u00e3o apenas como express\u00e3o est\u00e9tica, mas como pr\u00e1tica pol\u00edtica, educativa e transformadora.<\/p>\n<p>\u201cSim, acreditamos que a arte que nasce nas periferias \u2014 tanto urbanas quanto geopol\u00edticas \u2014 tem um papel fundamental e, muitas vezes, mais potente na mobiliza\u00e7\u00e3o para causas ambientais\u201d, afirma Liz Sandoval. Para ela, \u00e9 justamente por emergir da experi\u00eancia direta de desigualdade ambiental que essa arte mobiliza com tanta for\u00e7a. \u201cA arte perif\u00e9rica tem o poder de traduzir complexidades com linguagem acess\u00edvel, sens\u00edvel e conectada ao territ\u00f3rio, criando v\u00ednculos afetivos e pol\u00edticos com o p\u00fablico.\u201d A partir de viv\u00eancias concretas com a crise clim\u00e1tica, a polui\u00e7\u00e3o, o extrativismo e o abandono, a arte perif\u00e9rica se torna uma forma de den\u00fancia, cuidado e constru\u00e7\u00e3o coletiva de novos imagin\u00e1rios ecol\u00f3gicos. \u201cEla amplia o repert\u00f3rio do que entendemos como crise ambiental e nos faz refletir sobre a diversidade das respostas poss\u00edveis\u201d, completa.<\/p>\n<p>Para Diego Ricca, a pot\u00eancia da arte perif\u00e9rica est\u00e1 ligada \u00e0 sua capacidade de ouvir o territ\u00f3rio e criar com os recursos dispon\u00edveis, o que ele chama de \u201cdesign insurgente\u201d. \u201cMuitas vezes, \u00e9 nas bordas que nascem as pr\u00e1ticas mais potentes de regenera\u00e7\u00e3o urbana e ecol\u00f3gica, pois partem da experi\u00eancia vivida, n\u00e3o de teorias abstratas.\u201d Nessas regi\u00f5es, a arte urbana incorpora fun\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m da est\u00e9tica: torna-se mem\u00f3ria, den\u00fancia, cuidado e resist\u00eancia. \u201cA arte tem papel essencial na mobiliza\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, ela precede e impulsiona a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. A\u00e7\u00f5es coletivas criam v\u00ednculos, redes de cuidado e press\u00e3o social. Como artista e pesquisador, acredito que a arte pode ser ao mesmo tempo poesia e projeto \u2014 um gesto simb\u00f3lico que antecipa futuros poss\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>Essa articula\u00e7\u00e3o entre arte, territ\u00f3rio e viv\u00eancia cotidiana se evidencia tamb\u00e9m no reconhecimento crescente de artistas que nasceram e vivem nas margens das cidades. \u201cH\u00e9lio Oiticica trouxe para a arte a sua experi\u00eancia na favela, aproximando arte e vida e provocando a intera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico diretamente com a sua obra. Mas ele n\u00e3o nasceu na periferia\u201d, lembra Daniela Cidade. Hoje, destaca ela, nomes como Anderson Valentin, oriundo da favela do Borel (RJ), contribuem para desconstruir estigmas e denunciar viol\u00eancias \u2014 n\u00e3o a viol\u00eancia de dentro da favela, mas aquela imposta de fora, pela neglig\u00eancia estrutural. \u201cAcredito que o que impulsionou a arte da periferia foi o Hip Hop, onde o grafite \u00e9 um dos elementos. Em Porto Alegre temos o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museuhiphoprs.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Museu do Hip Hop<\/strong><\/a><\/span>, que reconhece e divulga essa arte com forte papel educativo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apesar de sua pot\u00eancia simb\u00f3lica, afetiva e pedag\u00f3gica, os entrevistados reconhecem os limites da arte frente a estruturas de poder mais amplas. \u201cAs manifesta\u00e7\u00f5es coletivas no campo da arte, isoladamente ou associadas a outras \u00e1reas, podem sim sensibilizar a popula\u00e7\u00e3o e at\u00e9 alguns setores p\u00fablicos. Mas impactar diretamente pol\u00edticas ambientais \u00e9 mais dif\u00edcil. Temos presenciado uma grande omiss\u00e3o do poder p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente\u201d, aponta Daniela Cidade. Incentivos ao setor imobili\u00e1rio, \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis ambientais e \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica ainda s\u00e3o obst\u00e1culos recorrentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-arte-tem-papel-essencial-na-mobilizacao-e-sensibilizacao-em-alguns-casos-ela-precede-e-impulsiona-acoes-publicas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA arte tem papel essencial na mobiliza\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, ela precede e impulsiona a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo assim, a arte segue abrindo caminhos. \u201cEmbora essas mudan\u00e7as muitas vezes n\u00e3o sejam vis\u00edveis de forma imediata ou mensur\u00e1vel, elas acontecem de modo sutil, afetivo e acumulativo\u201d, diz Liz Sandoval. Ela destaca o impacto emocional de imagens, filmes e obras que permanecem na mem\u00f3ria do p\u00fablico. \u201cN\u00e3o acredito que a arte, sozinha, transforme estruturas. Mas ela cria condi\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas e emocionais para que as mudan\u00e7as aconte\u00e7am: abre brechas no cotidiano, tensiona certezas, prop\u00f5e outros modos de ver, de sentir e de estar no mundo. E, para mim, isso j\u00e1 \u00e9 um ato profundamente pol\u00edtico e transformador.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-museu-de-arte-urbana-de-belem-maubfoto-divulgacao\"><strong>Capa. Museu de Arte Urbana de Bel\u00e9m (Maub)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"De muros a murais, artistas urbanos transformam as cidades em telas de&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":8728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8727"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8727"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9121,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8727\/revisions\/9121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}