{"id":8773,"date":"2025-08-11T08:00:36","date_gmt":"2025-08-11T08:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8773"},"modified":"2025-08-08T19:13:32","modified_gmt":"2025-08-08T19:13:32","slug":"cidades-e-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8773","title":{"rendered":"Cidades e meio ambiente"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"desigualdades-clima-extremo-e-justica-socioambiental-uma-reflexao-urgente-sobre-os-desafios-urbanos-no-brasil-contemporaneo\"><span style=\"color: #808080;\">Desigualdades, clima extremo e justi\u00e7a socioambiental: uma reflex\u00e3o urgente sobre os desafios urbanos no Brasil contempor\u00e2neo<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A principal motiva\u00e7\u00e3o que orientou a escolha dos autores para este volume sobre <strong>Cidades e Meio Ambiente<\/strong>, em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es territoriais, socioecon\u00f4micas e socioambientais, \u00e9 a necessidade de incorporar a diversidade e especificidade dos biomas brasileiros diante dos riscos que se apresentam no ambiente urbano. No contexto metropolitano brasileiro, os problemas ambientais t\u00eam se avolumado em virtude da concentra\u00e7\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o combinada com a desigualdade social e seus impactos no cotidiano da popula\u00e7\u00e3o. A \u201cinsustentabilidade\u201d do padr\u00e3o de urbaniza\u00e7\u00e3o metropolitano se caracteriza pela preval\u00eancia de um processo de expans\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os intraurbanos que, na maioria dos casos, configura uma realidade dram\u00e1tica: baixa qualidade de vida para parcelas significativas da popula\u00e7\u00e3o. A dualidade das cidades \u00e9 acentuada pelo crescimento da ilegalidade urbana, que, ao estrutur\u00e1-las, exacerba os problemas socioambientais, sobretudo nos territ\u00f3rios marcados por urbaniza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e acesso desigual aos investimentos p\u00fablicos \u2014 o que torna urgente garantir mudan\u00e7as sociopol\u00edticas que n\u00e3o comprometam os sistemas ecol\u00f3gicos e sociais nos quais se sustentam as comunidades.<\/p>\n<p>Este volume inclui artigos, textos de opini\u00e3o, reportagens, podcasts e v\u00eddeos, formato original da revista <em><strong><a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/strong><\/em>, que visa apresentar a diversidade de formas de comunica\u00e7\u00e3o para abordar uma mesma tem\u00e1tica. Os artigos discutem a problem\u00e1tica das cidades no Nordeste, na Amaz\u00f4nia, no Rio Grande do Sul e em zonas costeiras, al\u00e9m de temas relacionados \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, \u00e0 inclus\u00e3o socioprodutiva de catadores, aos impactos das ondas de calor, e a quest\u00f5es de inclus\u00e3o social e racismo ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-emergencia-climatica-nao-e-mais-uma-previsao-distante-mas-uma-realidade-que-transforma-radicalmente-a-vida-nas-cidades-brasileiras\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA emerg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais uma previs\u00e3o distante, mas uma realidade que transforma radicalmente a vida nas cidades brasileiras.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os textos de opini\u00e3o abordam temas como adapta\u00e7\u00e3o urbana, redes de cidades globais, biodiversidade e o papel das cidades no sert\u00e3o. As reportagens, por sua vez, retratam a diversidade das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais, da arte urbana, dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, al\u00e9m dos impactos na sa\u00fade mental e ambiental, e do papel da educa\u00e7\u00e3o ambiental e da alimenta\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. Os podcasts e v\u00eddeos complementam este volume, contribuindo para ampliar a reflex\u00e3o frente aos desafios das inova\u00e7\u00f5es e da transi\u00e7\u00e3o socioecol\u00f3gica nas cidades.<\/p>\n<p>O volume aborda tem\u00e1ticas fundamentais em um momento pr\u00e9vio \u00e0 COP 30, considerando que os problemas socioambientais s\u00e3o parte do cotidiano das cidades brasileiras. Os eventos clim\u00e1ticos extremos \u2014 cada vez mais frequentes \u2014 afetam transversalmente a vida dos habitantes em todos os biomas e territ\u00f3rios. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais uma previs\u00e3o distante, mas uma realidade global: as cidades tornaram-se extremamente suscet\u00edveis a chuvas intensas, secas severas e ondas de calor. O aumento e a crescente intensidade desses eventos ampliam os custos sociais, econ\u00f4micos e ambientais, desafiando a capacidade de resposta dos munic\u00edpios. A vulnerabilidade urbana \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 pobreza e \u00e0 falta de acesso a recursos essenciais, o que dificulta a adapta\u00e7\u00e3o e a resposta adequada da popula\u00e7\u00e3o aos desafios. Nos \u00faltimos anos, assistimos a eventos clim\u00e1ticos com grandes perdas humanas, materiais e ambientais \u2014 como as enchentes no Rio Grande do Sul, a seca na regi\u00e3o Norte e no Centro-Oeste e os inc\u00eandios e secas no Pantanal, com danos severos \u00e0 biodiversidade.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio demanda a implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es focadas na adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, com o objetivo de reduzir os impactos negativos sobre a sa\u00fade, as condi\u00e7\u00f5es de vida e as infraestruturas urbanas. \u00c9 importante destacar que esses impactos n\u00e3o s\u00e3o distribu\u00eddos igualmente: os mais pobres e os grupos historicamente exclu\u00eddos s\u00e3o os mais afetados, dada sua menor capacidade de recupera\u00e7\u00e3o. A adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nas cidades exige enfrentar, de forma integrada, desafios relacionados ao acesso \u00e0 terra e \u00e0 moradia, \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o da infraestrutura urbana e ao uso da natureza como aliada. No entanto, a falta de capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos munic\u00edpios, a aus\u00eancia de dados e informa\u00e7\u00f5es, a escassez de projetos e a baixa sensibiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e3o barreiras importantes. Essas limita\u00e7\u00f5es exigem pol\u00edticas que tamb\u00e9m contribuam para reduzir as desigualdades, conservar o meio ambiente e mitigar os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-periferias-e-favelas-historicamente-marginalizadas-tem-precaria-capacidade-adaptativa-para-lidar-com-os-desastres-climaticos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs periferias e favelas, historicamente marginalizadas, t\u00eam prec\u00e1ria capacidade adaptativa para lidar com os desastres clim\u00e1ticos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A realidade urbana brasileira, diante dos desafios clim\u00e1ticos, exige uma abordagem sist\u00eamica e flex\u00edvel, que envolva o fortalecimento institucional, capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, planejamento financeiro e avalia\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos riscos. O planejamento urbano baseado em riscos torna-se essencial para a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas resilientes. Tradicionalmente, a adapta\u00e7\u00e3o tem se apoiado em solu\u00e7\u00f5es de engenharia convencionais, que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis ou economicamente vi\u00e1veis. Isso torna necess\u00e1rio integrar solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, fortalecer os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, aprimorar a governan\u00e7a, os sistemas de gest\u00e3o de emerg\u00eancias e incentivar a corresponsabiliza\u00e7\u00e3o da sociedade por meio de uma maior percep\u00e7\u00e3o dos riscos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre fundamental destacar que periferias e favelas s\u00e3o territ\u00f3rios historicamente marginalizados, com prec\u00e1ria capacidade adaptativa para enfrentar ou se recuperar de desastres clim\u00e1ticos. Essa condi\u00e7\u00e3o perpetua a pobreza e a exclus\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es. Os grupos mais vulner\u00e1veis \u2014 mulheres, crian\u00e7as, minorias \u00e9tnicas, comunidades pobres, migrantes, refugiados, idosos e pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas \u2014 s\u00e3o desproporcionalmente afetados, o que agrava as desigualdades sociais preexistentes. Povos ind\u00edgenas, comunidades tradicionais e trabalhadores de setores em transi\u00e7\u00e3o continuam exclu\u00eddos dos processos de decis\u00e3o, assim como as mulheres, que, apesar de estarem na linha de frente das a\u00e7\u00f5es durante crises, seguem sub-representadas nos espa\u00e7os de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a justi\u00e7a clim\u00e1tica precisa deixar de ser apenas um princ\u00edpio e se tornar uma diretriz real, que oriente governos, empresas e sociedade civil. \u00c9 necess\u00e1rio garantir participa\u00e7\u00e3o efetiva e o reconhecimento do papel fundamental dessas popula\u00e7\u00f5es na prote\u00e7\u00e3o do clima e na promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida, em dire\u00e7\u00e3o a um desenvolvimento justo e sustent\u00e1vel \u2014 que n\u00e3o repita pr\u00e1ticas que perpetuam injusti\u00e7as ou aprofundam vulnerabilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"justica-climatica-precisa-ser-mais-do-que-um-conceito-deve-orientar-politicas-publicas-decisoes-economicas-e-acoes-sociais-em-direcao-a-um-futuro-mais-justo-e-resiliente\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cJusti\u00e7a clim\u00e1tica precisa ser mais do que um conceito: deve orientar pol\u00edticas p\u00fablicas, decis\u00f5es econ\u00f4micas e a\u00e7\u00f5es sociais em dire\u00e7\u00e3o a um futuro mais justo e resiliente.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 um grande desafio em promover processos cooperativos e incentivar pr\u00e1ticas de aprendizagem social. A transpar\u00eancia na gest\u00e3o p\u00fablica ser\u00e1 um elemento essencial para ampliar a confian\u00e7a dos cidad\u00e3os, fortalecendo a corresponsabiliza\u00e7\u00e3o. Isso exige uma forte a\u00e7\u00e3o comunicativa: \u00e9 preciso promover di\u00e1logos abertos sobre riscos, multiplicar o conhecimento e investir em processos comunicativos que fortale\u00e7am a capacidade adaptativa da sociedade. O di\u00e1logo entre saberes diversos e a a\u00e7\u00e3o social articulada ampliam a compreens\u00e3o da realidade e estimulam o enfrentamento coletivo dos riscos, promovendo o desenvolvimento de capacidades para lidar com os impactos clim\u00e1ticos nos territ\u00f3rios mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Desejamos a todos uma excelente leitura e estimulamos a multiplica\u00e7\u00e3o da diversidade de temas aqui apresentados, numa perspectiva de amplia\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre ci\u00eancia, governan\u00e7a e sociedade, incorporando diferentes formas de conhecimento para fortalecer uma agenda de capacidade adaptativa e redu\u00e7\u00e3o de riscos frente \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-meio-ambiente-e-fundamental-para-a-saude-das-cidadesfoto-daniel-castellano-smcs-reproducao\"><strong>Capa. Meio ambiente \u00e9 fundamental para a sa\u00fade das cidades<br \/>\n<\/strong>(Foto: Daniel Castellano \/ SMCS. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desigualdades, clima extremo e justi\u00e7a socioambiental: uma reflex\u00e3o urgente sobre os desafios&hellip;\n","protected":false},"author":300,"featured_media":8774,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52,21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8773"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/300"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8773"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8773\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8775,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8773\/revisions\/8775"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}