{"id":8792,"date":"2025-08-21T07:30:40","date_gmt":"2025-08-21T07:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8792"},"modified":"2025-11-25T11:38:51","modified_gmt":"2025-11-25T11:38:51","slug":"ainda-ha-um-longo-caminho-a-ser-percorrido-mas-hoje-ha-mais-visibilidade-para-as-mulheres-na-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8792","title":{"rendered":"\u201cAinda h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido, mas hoje h\u00e1 mais visibilidade para as mulheres na ci\u00eancia.\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-maria-do-rosario-de-fatima-andrade-professora-da-universidade-federal-rural-de-pernambuco\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Maria do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima Andrade, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ensino, pesquisa e atua\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas com foco em g\u00eanero, desenvolvimento local e ci\u00eancia. Esse \u00e9 o foco da professora do Departamento de Letras e Ci\u00eancias Humanas da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufrpe.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)<\/a><\/strong><\/span>, Maria do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima Andrade. Doutora em Sociologia pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ucm.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidad Complutense de Madrid<\/a><\/em><\/strong><\/span>, possui mestrado em Desenvolvimento Urbano e gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura pela UFRPE, al\u00e9m de p\u00f3s-doutorado em Ci\u00eancias Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina e experi\u00eancia internacional em Portugal. Desde 2002, coordena o <strong><a href=\"https:\/\/gpdeso.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Grupo de Pesquisa Desenvolvimento e Sociedade \u2013 GPDESO (CNPq\/UFRPE)<\/span><\/a><\/strong> e, desde 2014, lidera o N\u00facleo de Pesquisa-A\u00e7\u00e3o Mulher e Ci\u00eancia (NPAMC), conectando estudos acad\u00eamicos a pr\u00e1ticas de transforma\u00e7\u00e3o social. \u201cAs mudan\u00e7as culturais s\u00e3o lentas, por isso \u00e9 fundamental acolher meninas e mulheres nos grupos de pesquisa e oferecer mentorias\u201d, defende a pesquisadora. Entre 2021 e 2023, exerceu o cargo de Secret\u00e1ria Regional da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SBPC<\/a><\/strong><\/span>, contribuindo para a articula\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e educacional no Nordeste. Ao longo de sua carreira, publicou pesquisas nas \u00e1reas de Sociologia e Antropologia, abordando temas como g\u00eanero, mulheres na ci\u00eancia, pol\u00edticas p\u00fablicas e pesca artesanal. \u201cNesta \u00faltima d\u00e9cada, presenciamos a elei\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00e3o de mulheres para cargos de poder, inclusive em organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\u201d, pontua. Reconhecida tamb\u00e9m na \u00e1rea cultural, recebeu o pr\u00eamio HQ-MIX de Melhor Livro Te\u00f3rico em 1999, sobre caricaturas. Nesta entrevista, Maria do Ros\u00e1rio Leit\u00e3o compartilha sua experi\u00eancia em pesquisa, ensino e pol\u00edticas de g\u00eanero, oferecendo uma vis\u00e3o cr\u00edtica sobre ci\u00eancia, sociedade e desenvolvimento local no Brasil.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Voc\u00ea coordena o N\u00facleo de Pesquisa-a\u00e7\u00e3o Mulher e Ci\u00eancia desde 2014. Quais avan\u00e7os mais significativos observou na participa\u00e7\u00e3o feminina na ci\u00eancia brasileira nesse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Maria do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima Andrade Leit\u00e3o<\/strong><strong> &#8211;<\/strong> Atuamos h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, o que nos permitiu realizar os I, II, III e IV Semin\u00e1rios <em>Mulheres em Carreiras Universit\u00e1rias e nos Espa\u00e7os de Poder<\/em>; organizar o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ufpb.br\/evento\/index.php\/18redor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">18\u00ba Encontro da Rede Feminista Norte e Nordeste de Estudos e Pesquisas sobre Mulher e Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero (REDOR<\/a><\/strong>)<\/span>; participar, enquanto Secret\u00e1ria Regional da SBPC-PE, dos <em>16 Dias de Ativismo Contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero<\/em> \u2013 campanha que busca conscientizar e mobilizar a\u00e7\u00f5es para acabar com todas as formas de viol\u00eancia contra mulheres e meninas \u2013 e, neste ano, coordenar a SBPC Mulher dentro da programa\u00e7\u00e3o da <strong><a href=\"https:\/\/ra.sbpcnet.org.br\/77RA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">77\u00aa<\/span> <span style=\"color: #800000;\">Reuni\u00e3o Anual da SBPC<\/span><\/a><\/strong>. Nesta \u00faltima d\u00e9cada, presenciamos a elei\u00e7\u00e3o e indica\u00e7\u00e3o de mulheres para cargos de poder, inclusive em organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Em 2022, por exemplo, Helena Nader assumiu a presid\u00eancia da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/a><\/strong><\/span>, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse lugar de poder desde a sua funda\u00e7\u00e3o, h\u00e1 105 anos. Ainda h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido, mas hoje h\u00e1 mais visibilidade para as mulheres e at\u00e9 mesmo pr\u00eamios dedicados a elas, como o <strong><a href=\"https:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/premio-carolina-bori-cienciamulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Pr\u00eamio Carolina Bori<\/span><\/a><\/strong>, criado pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SBPC<\/a><\/strong> <\/span>em 2019, que homenageia a diversidade e os est\u00e1gios na carreira das cientistas brasileiras ao alternar, anualmente, as categorias <em>Mulheres Cientistas<\/em> e <em>Jovens Cientistas<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-pesquisa-acao-rompe-com-hierarquias-entre-pesquisadora-e-pesquisada-fomentando-a-colaboracao-horizontal-e-um-processo-conjunto-de-transformacao-social\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA pesquisa-a\u00e7\u00e3o rompe com hierarquias entre pesquisadora e pesquisada, fomentando a colabora\u00e7\u00e3o horizontal e um processo conjunto de transforma\u00e7\u00e3o social.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Como a pesquisa-a\u00e7\u00e3o pode contribuir para identificar e superar os desafios enfrentados pelas mulheres na ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MRFAL<\/strong><strong> &#8211;<\/strong> A pesquisa-a\u00e7\u00e3o contribui tanto para a identifica\u00e7\u00e3o dos desafios quanto para a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de supera\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero na ci\u00eancia, ao envolver as mulheres de forma ativa no processo. Esse tipo de intera\u00e7\u00e3o promove autonomia e fortalece as lutas por direitos e igualdade, ao romper com as hierarquias entre pesquisadora e pesquisada, fomentando a colabora\u00e7\u00e3o horizontal e motivando um processo conjunto de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; O grupo que coordena, Desenvolvimento e Sociedade, atua desde 2002. De que forma essa pesquisa dialoga com quest\u00f5es sociais e de g\u00eanero?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MRFAL<\/strong><strong> &#8211;<\/strong> O <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/gpdeso.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">GPDESO<\/a><\/strong><\/span> \u00e9 anterior ao NPAMC e, desde 2004, desenvolve pesquisas com mulheres pescadoras de diversas regi\u00f5es do Brasil e tamb\u00e9m de Portugal.<\/p>\n<p><strong>QUADRO I &#8211; Projetos de Pesquisa, Ensino e Extens\u00e3o 2005-2014<\/strong><\/p>\n<p>N\u00ba PROJETOS CNPq N\u00ba DOC.<\/p>\n<ul>\n<li>1 Edital MCT\/CNPq\/PR-SMP 45\/2005 \u2013 \u201cRela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero, Mulheres e Feminismos\u201d, com o<\/li>\n<\/ul>\n<p>projeto \u201cConflitos de G\u00eanero no Cotidiano da Comunidade Costeira Aver-o-Mar\u201d.<\/p>\n<ul>\n<li>2 MCT\/CNPq 029\/2009 &#8211; Sele\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Propostas de Pesquisa, Desenvolvimento Cient\u00edfico<\/li>\n<\/ul>\n<p>e Extens\u00e3o Tecnol\u00f3gica para Inclus\u00e3o Social. Tema 1: \u201cCatadores de Materiais Recicl\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<ul>\n<li>3 Edital MCT\/MDS-SAGI\/CNPq n\u00ba 36\/2010 &#8211; Sele\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Propostas de Estudos e Avalia\u00e7\u00e3o das A\u00e7\u00f5es do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome. Tema 4: \u201cInclus\u00e3o Produtiva\u201d.<\/li>\n<li>4 Edital MCT\/CNPq\/SPM-PR\/MDA N\u00ba 020\/2010 \u2013 Sele\u00e7\u00e3o p\u00fablica de propostas para pesquisas em temas de \u201cRela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero, Mulheres e Feminismos<\/li>\n<li>5 Chamada MCTI\/CNPq\/SPM-PR\/MDA N\u00ba 32\/2012 &#8211; A categoria 1 .<\/li>\n<li>6 Atualmente fa\u00e7o parte de 2 projetos CNPq do edital 31\/2023, um pela Fiocruz e outro pela UFRPE.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>PROJETOS SPM\/PR<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>7 Apoio a Iniciativas de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Viol\u00eancia contra as Mulheres. Projeto: \u201cG\u00eanero, Ra\u00e7a e Pesca: o trabalho de marisqueiras no litoral sul de Pernambuco\u201d. Conv\u00eanio N\u00ba 0172\/2008\u2013 SPM\/PR. Conv\u00eanio entre a Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e a Funda\u00e7\u00e3o Apol\u00f4nio Salles de Desenvolvimento Educacional.<\/li>\n<li>8 EDITAL n\u00ba 01\/2013 &#8211; Autonomia Econ\u00f4mica e Pol\u00edticas para o Trabalho das Mulheres.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Programa 2016 \u2013 Pol\u00edticas para as Mulheres: Promo\u00e7\u00e3o da Autonomia e Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia. A\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria 210A \u2013 Promo\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas de Igualdade e de Direitos das<\/p>\n<p>Mulheres. Tem\u00e1tica 2 &#8211; Fortalecimento da Participa\u00e7\u00e3o de Mulheres no Espa\u00e7o de Poder e Decis\u00e3o. Projeto N\u00facleo de Pesquisa \u2013 A\u00e7\u00e3o Mulher e Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>PROJETOS PROEXT<\/p>\n<ul>\n<li>9 PROEXT2010 &#8211; Linha tem\u00e1tica 3: \u201cPesca artesanal e aquicultura familiar\u201d. Universidade Federal Rural de Pernambuco9 PROEXT2011 Linha tem\u00e1tica 13: \u201cMulheres e rela\u00e7\u00e3o de g\u00eanero\u201d. Classificado e contemplado com recursos: \u201cA\u00e7\u00f5es para Consolidar a Transversalidade de G\u00eanero nas Pol\u00edticas P\u00fablicas para o Fortalecimento da Rede &#8211; Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Pescadoras de Pernambuco\u201d.<\/li>\n<li>10 PROEXT2011 Linha tem\u00e1tica 13: \u201cMulheres e rela\u00e7\u00e3o de g\u00eanero\u201d. Classificado e contemplado com recursos: \u201cA\u00e7\u00f5es para Consolidar a Transversalidade de G\u00eanero nas Pol\u00edticas P\u00fablicas para o Fortalecimento da Rede &#8211; Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Pescadoras de Pernambuco<\/li>\n<li>11 PROJETO MPA- A\u00e7\u00f5es para consolidar a Transversalidade de G\u00eanero nas Pol\u00edticas P\u00fablicas para a Pesca e aquicultura do MPA &#8211; Conv\u00eanio 078\/2009 entre MPA e FADURPE.<\/li>\n<li>12 PROJETO MDA &#8211; Contrato: 0309.541-78\/2009\/MDA\/CAIXA, \u201cTransfer\u00eancia de recursos<\/li>\n<li>PROJETO DE PESQUISA ICS\/PT 2019: \u201cG\u00eanero e Pesca: uma abordagem comparada de contextos portugueses e brasileiros\u201d. Est\u00e1gio de investigadora visitante, Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa\/Portugal.<\/li>\n<li>Flor das \u00c1guas \u2013 2023 Financiado pelo Fundo Casa Ambiental.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"independentemente-do-genero-todas-as-pessoas-tem-capacidade-para-ocupar-e-decidir-em-espacos-de-poder\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cIndependentemente do g\u00eanero, todas as pessoas t\u00eam capacidade para ocupar e decidir em espa\u00e7os de poder.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Em sua experi\u00eancia, qual \u00e9 o papel das institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, como a SBPC, na promo\u00e7\u00e3o da equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MRFAL<\/strong><strong> &#8211;<\/strong> Como institui\u00e7\u00e3o que defende a democracia, a SBPC tem assumido esse debate, lan\u00e7ando em 2016 o portal <em>Ci\u00eancia &amp; Mulher<\/em>, que reconhece a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres das diversas \u00e1reas do conhecimento. Soma-se a isso o Pr\u00eamio Carolina Bori, criado em 2019, cuja proposta \u00e9 homenagear a diversidade dos est\u00e1gios na carreira das cientistas brasileiras, alternando as categorias <em>Mulheres Cientistas<\/em> e <em>Jovens Cientistas<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quais estrat\u00e9gias a senhora considera mais eficazes para incentivar jovens mulheres a ingressar e permanecer nas carreiras cient\u00edficas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MRFAL<\/strong><strong> &#8211;<\/strong> Meninas e meninos s\u00e3o socializados de forma diferente, o que naturaliza ideias e valores que influenciam as escolhas profissionais. H\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o das atividades de cuidado e reprodu\u00e7\u00e3o social direcionada \u00e0s meninas, ancorada em um conceito pr\u00e1tico de maternidade, enquanto permanece a expectativa de que os homens \u2013 como provedores \u2013 devam se dedicar mais intensamente ao trabalho remunerado. Diante disso, algumas estrat\u00e9gias de supera\u00e7\u00e3o consistem em reconhecer que, independentemente do g\u00eanero, todas as pessoas t\u00eam capacidade para estudar, trabalhar e ocupar espa\u00e7os de poder e decis\u00e3o, atributos essenciais das carreiras cient\u00edficas. Como as mudan\u00e7as culturais s\u00e3o lentas, \u00e9 fundamental acolher as meninas e mulheres em grupos de pesquisa; promover mentorias; estimul\u00e1-las a apresentar dados em congressos e publica\u00e7\u00f5es; e garantir que possam exercer a maternidade com apoio institucional. Um bom exemplo \u00e9 o movimento <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.parentinscience.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parent in Science<\/a><\/em><\/strong><\/span>, que re\u00fane dados sobre o impacto dos filhos na carreira cient\u00edfica e evidencia a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas. Outros programas tamb\u00e9m t\u00eam sido importantes, como o <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\/acesso-a-informacao\/acoes-e-programas\/programas\/mulher-e-ciencia#:~:text=O%20Programa%20Mulher%20e%20Ci%C3%AAncia,das%20ci%C3%AAncias%20e%20carreiras%20acad%C3%AAmicas.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa Mulher e Ci\u00eancia (CNPq, 2005)<\/a><\/em><\/strong><\/span>, <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cetene\/pt-br\/areas-de-atuacao\/futuras-cientistas-1\/futuras-cientistas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Futuras Cientistas (Cetene-PE, 2012)<\/a><\/em><\/strong><\/span>, <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/publicacoes\/ciencia-e-mulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ci\u00eancia &amp; Mulher (SBPC, 2016)<\/a><\/em><\/strong><\/span>, o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/premio-carolina-bori-cienciamulher\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pr\u00eamio Carolina Bori (SBPC, 2019)<\/a><\/strong><\/span> e iniciativas como a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/andorinhas.ufop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rede <em>Andorinhas<\/em> da UFOP<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"so-com-politicas-publicas-e-acoes-articuladas-sera-possivel-superar-os-tetos-de-vidro-e-os-labirintos-de-cristal-que-ainda-persistem-na-ciencia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cS\u00f3 com pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es articuladas ser\u00e1 poss\u00edvel superar os \u2018tetos de vidro\u2019 e os \u2018labirintos de cristal\u2019 que ainda persistem na ci\u00eancia.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; O que precisa mudar no ambiente acad\u00eamico e cient\u00edfico brasileiro para que as mulheres tenham mais visibilidade e reconhecimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MRFAL<\/strong><strong> &#8211;<\/strong> \u00c9 preciso transformar as concep\u00e7\u00f5es j\u00e1 mencionadas, que reproduzem desigualdades de g\u00eanero por meio de processos de socializa\u00e7\u00e3o que influenciam escolhas profissionais e dificultam a perman\u00eancia das mulheres em carreiras historicamente marcadas como masculinas. Enquanto isso n\u00e3o muda, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es articuladas para criar equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia. Assim, poderemos vislumbrar o dia em que \u201cos tetos de vidro\u201d, \u201cos labirintos de cristal\u201d e \u201cos efeitos tesoura\u201d fiquem apenas como lembran\u00e7as de um passado j\u00e1 superado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Maria do Ros\u00e1rio de F\u00e1tima Andrade, professora da Universidade&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":8793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8792"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8795,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8792\/revisions\/8795"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}