{"id":8820,"date":"2025-09-01T08:00:55","date_gmt":"2025-09-01T08:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8820"},"modified":"2025-10-15T13:05:51","modified_gmt":"2025-10-15T13:05:51","slug":"sustentabilidade-no-prato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8820","title":{"rendered":"Sustentabilidade no prato"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"entre-a-fome-e-a-abundancia-cresce-a-busca-por-sistemas-alimentares-mais-sustentaveis-justos-e-saudaveis-nas-metropoles-brasileiras\"><span style=\"color: #808080;\">Entre a fome e a abund\u00e2ncia, cresce a busca por sistemas alimentares mais sustent\u00e1veis, justos e saud\u00e1veis nas metr\u00f3poles brasileiras.<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, a urbaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade consolidada: segundo o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/sociais\/saude\/22827-censo-demografico-2022.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Censo de 2022<\/strong><\/a><\/span> do IBGE, 177,5 milh\u00f5es de pessoas \u2014 87,4% da popula\u00e7\u00e3o \u2014 vivem em \u00e1reas urbanas, enquanto apenas 25,6 milh\u00f5es permanecem em zonas rurais. Esse dado acompanha uma tend\u00eancia global. A <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU)<\/strong><\/a><\/span> estima que mais de quatro bilh\u00f5es de pessoas residam hoje em cidades, marca que ultrapassou metade da popula\u00e7\u00e3o mundial em 2007. Essa concentra\u00e7\u00e3o urbana pressiona os sistemas alimentares e evidencia a necessidade de pensar em modelos mais justos e sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o desafio da fome continua central. O relat\u00f3rio <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.fao.org\/publications\/fao-flagship-publications\/the-state-of-food-security-and-nutrition-in-the-world\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo (SOFI) 2025<\/strong><\/a><\/span>, lan\u00e7ado em julho por cinco ag\u00eancias da ONU, estima que 8,2% da popula\u00e7\u00e3o mundial \u2014 cerca de 673 milh\u00f5es de pessoas \u2014 enfrentaram a fome em 2024. No Brasil, o mesmo relat\u00f3rio trouxe uma conquista simb\u00f3lica: o pa\u00eds saiu do \u201cMapa da Fome\u201d ap\u00f3s reduzir a subnutri\u00e7\u00e3o para menos de 2,5% entre 2022 e 2024, limite estabelecido pela <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.fao.org\/brasil\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO)<\/strong><\/a><\/span>. Ainda assim, 28,5 milh\u00f5es de brasileiros permaneciam em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar nesse per\u00edodo, dos quais 7,1 milh\u00f5es em estado grave e 21,4 milh\u00f5es em moderado. Al\u00e9m disso, cerca de 50 milh\u00f5es n\u00e3o tinham acesso a alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros refletem as contradi\u00e7\u00f5es de um sistema alimentar que, apesar de ter ampliado a produ\u00e7\u00e3o de alimentos desde a segunda metade do s\u00e9culo XX, segue marcado por desigualdades sociais e ambientais. De um lado, houve diversifica\u00e7\u00e3o da oferta e avan\u00e7os no combate \u00e0 fome; de outro, aumentou a press\u00e3o sobre os recursos naturais e a dissemina\u00e7\u00e3o de dietas baseadas em ultraprocessados ricos em a\u00e7\u00facar, s\u00f3dio e gorduras prejudiciais \u00e0 sa\u00fade. A <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Carga_Global_de_Morbidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Carga Global de Morbidade<\/strong><\/a><\/span> aponta a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o como um dos principais fatores de risco para mortalidade e doen\u00e7as cr\u00f4nicas, resultado direto de escolhas alimentares moldadas pelo sistema.<\/p>\n<p>Do ponto de vista ambiental, os impactos mais cr\u00edticos est\u00e3o associados ao desperd\u00edcio, ao uso intensivo de \u00e1gua e solo, \u00e0 energia consumida no transporte e processamento e \u00e0s emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, sobretudo da produ\u00e7\u00e3o de carnes e latic\u00ednios. \u00c9 nesse contexto que ganha for\u00e7a o conceito de alimenta\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, que une sa\u00fade humana, justi\u00e7a social e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Como define Nathalia Sernizon Guimar\u00e3es, professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufmg.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/strong><\/a><\/span>, trata-se de \u201cuma alimenta\u00e7\u00e3o que faz bem tanto para a sa\u00fade das pessoas quanto para o planeta\u201d. No Brasil, experi\u00eancias como restaurantes populares, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/fnde\/pt-br\/acesso-a-informacao\/acoes-e-programas\/programas\/pnae\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE)<\/strong><\/a><\/span> e iniciativas de bancos de alimentos, como o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.sesc.com.br\/atuacoes\/assistencia\/sesc-mesa-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Mesa Brasil (SESC)<\/strong><\/a><\/span>, mostram como pol\u00edticas p\u00fablicas e sociedade civil podem avan\u00e7ar na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso a refei\u00e7\u00f5es nutritivas e de baixo impacto ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"na-medida-em-que-voce-tem-sustentabilidade-consegue-ter-maior-justica-social-e-justica-alimentar-tambem\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cNa medida em que voc\u00ea tem sustentabilidade, consegue ter maior justi\u00e7a social e justi\u00e7a alimentar tamb\u00e9m.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sistema alimentar sustent\u00e1vel impacta positivamente as dimens\u00f5es econ\u00f4mica, social e ambiental. Na dimens\u00e3o econ\u00f4mica, deve beneficiar ou agregar valor \u00e0 renda dos trabalhadores, gerar lucros para empresas e melhorar a cadeia de fornecimento para os consumidores. No \u00e2mbito social, precisa garantir equidade na distribui\u00e7\u00e3o do valor econ\u00f4mico agregado, contribuindo para a sa\u00fade e nutri\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es culturais, boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e bem-estar animal. Quanto ao aspecto ambiental, o sistema deve assegurar que os impactos de suas atividades sejam neutros ou positivos, considerando a biodiversidade, a sa\u00fade da \u00e1gua e do solo, a fauna e a flora, a pegada de carbono, a pegada h\u00eddrica, o desperd\u00edcio de alimentos e a toxicidade.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que voc\u00ea tem sustentabilidade, consegue ter maior justi\u00e7a social e justi\u00e7a alimentar tamb\u00e9m. Mas \u00e9 importante salientar que \u00e9 uma quest\u00e3o de acesso\u201d, explica Cl\u00e1udia Maria B\u00f3gus, professora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica e membro do Grupo de Pesquisa Nutri\u00e7\u00e3o e Pobreza do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA), ambos da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span>. A pesquisadora destaca que o acesso n\u00e3o se limita ao alimento, mas inclui informa\u00e7\u00e3o, para que as pessoas possam fazer escolhas adequadas. \u201cAcredito que a horta em diferentes espa\u00e7os p\u00fablicos aproxima a popula\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, despertando aten\u00e7\u00e3o sobre como se alimentar, o que escolher e o que privilegiar. De alguma forma, isso gera seguran\u00e7a alimentar, ao colocar a quest\u00e3o na pauta\u201d, afirma Cl\u00e1udia Maria B\u00f3gus.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"cidades-que-plantam-comunidades-que-cozinham\"><strong>Cidades que plantam, comunidades que cozinham<\/strong><\/h4>\n<p>O avan\u00e7o da urbaniza\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a redu\u00e7\u00e3o das terras ar\u00e1veis imp\u00f5em enormes desafios \u00e0 agricultura. Nesse cen\u00e1rio, valorizar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis \u00e9 essencial para garantir a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o e manter o equil\u00edbrio ambiental. A agricultura urbana surge como uma estrat\u00e9gia cada vez mais relevante para ampliar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e contribuir para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>As hortas urbanas, assim como outros modelos de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, como os sistemas agroflorestais (SAFs), s\u00e3o estrat\u00e9gicas para a promo\u00e7\u00e3o da soberania e da seguran\u00e7a alimentar e nutricional (SSAN) nos centros urbanos. Esses espa\u00e7os de cultivo dentro das cidades reduzem a dist\u00e2ncia entre produtor e consumidor, diminuem desperd\u00edcios e emiss\u00f5es de carbono associadas ao transporte, al\u00e9m de oferecer acesso a alimentos frescos e saud\u00e1veis. Para a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Embrapa<\/strong><\/a><\/span>, a agricultura urbana envolve n\u00e3o apenas o cultivo de alimentos, mas tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o de recursos naturais em \u00e1reas centrais e perif\u00e9ricas das cidades, estimulando emprego, renda e seguran\u00e7a alimentar. Segundo Nathalia Guimar\u00e3es, essas hortas \u201cfuncionam como uma forma de dar vida a lugares esquecidos da cidade, aproximando as comunidades da natureza e da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de alimentos\u201d.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios v\u00e3o al\u00e9m do prato: hortas comunit\u00e1rias contribuem para a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o escoamento da \u00e1gua das chuvas, a melhoria do microclima e a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os ociosos, muitas vezes localizados em \u00e1reas vulnerabilizadas. Tamb\u00e9m ajudam a reduzir desigualdades no acesso a alimentos frescos, enfrentando o racismo ambiental e outros fatores estruturais ligados a renda, g\u00eanero ou territ\u00f3rio. Al\u00e9m de cultivar verduras, frutas e ervas, esses espa\u00e7os funcionam como plataformas de integra\u00e7\u00e3o social, educa\u00e7\u00e3o alimentar e engajamento pol\u00edtico, envolvendo mutir\u00f5es, assembleias comunit\u00e1rias e di\u00e1logos com o poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cEssa transforma\u00e7\u00e3o acontece por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e da atua\u00e7\u00e3o de movimentos sociais, que organizam e fortalecem iniciativas coletivas. O cuidado cotidiano com a terra e o manejo dos espa\u00e7os ociosos convertem \u00e1reas antes abandonadas em territ\u00f3rios de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, encontros, afetos e sa\u00fade\u201d, afirma Adriana Adell, mestra em Sa\u00fade P\u00fablica pela Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span> e coordenadora do Grupo de Trabalho de Sa\u00fade da <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cgu\/pt-br\/governo-aberto\/iniciativas-de-governo-aberto\/organizacoes-da-sociedade-civil\/de-a-a-z\/associacao-brasileira-de-agroecologia-aba\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia<\/span><\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>De forma complementar, cozinhas comunit\u00e1rias e solid\u00e1rias garantem o acesso a refei\u00e7\u00f5es nutritivas em territ\u00f3rios vulner\u00e1veis, fortalecendo a dignidade e a inclus\u00e3o social. Essas iniciativas incentivam o aproveitamento integral dos alimentos, o uso de ingredientes locais e sazonais, a redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio e a efici\u00eancia energ\u00e9tica. Hoje, mais de duas mil cozinhas solid\u00e1rias funcionam no Brasil, apoiadas pelo <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/acesso-a-alimentos-e-a-agua\/programa-cozinha-solidaria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Programa Cozinha Solid\u00e1ria<\/span><\/strong><\/a>, institu\u00eddo pela Lei n\u00ba 14.628\/2023. \u201cAtualmente, essa proposta foi incorporada como pol\u00edtica p\u00fablica federal, denominada Cozinhas Solid\u00e1rias. Elas s\u00e3o consideradas tecnologias sociais, com o objetivo de produzir e ofertar refei\u00e7\u00f5es gratuitas para grupos em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e inseguran\u00e7a alimentar e nutricional. Para seu funcionamento, \u00e9 fundamental a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil organizada, uma vez que essas cozinhas s\u00e3o operadas por volunt\u00e1rios\u201d, explica Adriana Adell. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-as-cozinhas-coletivas-e-solidarias-asseguram-a-disponibilidade-de-refeicoes-nutritivas-em-areas-vulneraveis-reforcando-a-dignidade-e-a-inclusao-social-foto-rafa-neddermeyer-agencia-bras\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8822\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. As cozinhas coletivas e solid\u00e1rias asseguram a disponibilidade de refei\u00e7\u00f5es nutritivas em \u00e1reas vulner\u00e1veis, refor\u00e7ando a dignidade e a inclus\u00e3o social.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Rafa Neddermeyer\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O abastecimento das cozinhas ocorre principalmente por meio do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/secom\/pt-br\/acesso-a-informacao\/comunicabr\/lista-de-acoes-e-programas\/programa-de-aquisicao-de-alimentos-paa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos<\/strong><\/a><\/span> (PAA). O aproveitamento integral dos alimentos atua como estrat\u00e9gia complementar, refor\u00e7ando a sustentabilidade do programa. Al\u00e9m disso, a inclus\u00e3o de Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais (PANCs), que contribuem para a biodiversidade e n\u00e3o est\u00e3o presentes nas rotas tradicionais de com\u00e9rcio e consumo, pode potencializar ainda mais os benef\u00edcios socioambientais.<\/p>\n<p>Organizadas por movimentos sociais e pelo poder p\u00fablico, essas cozinhas n\u00e3o apenas oferecem refei\u00e7\u00f5es gratuitas, mas tamb\u00e9m promovem oficinas de forma\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o alimentar e a\u00e7\u00f5es coletivas. Como lembra Cl\u00e1udia Maria B\u00f3gus, cozinhas e hortas \u201ct\u00eam um papel de socializa\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o, gerando empoderamento e valoriza\u00e7\u00e3o do contato humano, algo essencial para a sa\u00fade e para a vida em comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, hortas e sistemas agroflorestais urbanos contribuem para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica, para a cria\u00e7\u00e3o de cidades mais resilientes, a preven\u00e7\u00e3o de enchentes e a recupera\u00e7\u00e3o ambiental. Tamb\u00e9m favorecem a gera\u00e7\u00e3o de renda e a oferta de alimentos sazonais, saud\u00e1veis e culturalmente adequados. Todo esse conjunto de benef\u00edcios torna essas iniciativas um poderoso instrumento de promo\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar e nutricional.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-paradoxo-do-desperdicio-fome-e-abundancia-lado-a-lado\"><strong>O paradoxo do desperd\u00edcio: fome e abund\u00e2ncia lado a lado<\/strong><\/h4>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel prop\u00f5e equilibrar produ\u00e7\u00e3o, consumo e meio ambiente. A ideia \u00e9 simples: reduzir o desperd\u00edcio e adotar pr\u00e1ticas conscientes \u2014 do planejamento das refei\u00e7\u00f5es ao reaproveitamento de sobras, passando pela doa\u00e7\u00e3o de excedentes. Mas seu impacto vai muito al\u00e9m da cozinha: envolve seguran\u00e7a alimentar, economia de recursos e diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>No Brasil, os n\u00fameros exp\u00f5em um paradoxo dif\u00edcil de ignorar. Segundo o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>IBGE<\/strong><\/a><\/span>, mais de 64 milh\u00f5es de pessoas convivem com restri\u00e7\u00f5es no acesso \u00e0 comida. Ao mesmo tempo, o pa\u00eds desperdi\u00e7a mais de 55 milh\u00f5es de toneladas de alimentos por ano ao longo de toda a cadeia produtiva. Ou seja, um dos maiores produtores de comida do mundo tamb\u00e9m est\u00e1 entre os dez pa\u00edses que mais desperdi\u00e7am, segundo a FAO. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-brasil-desperdica-mais-de-55-milhoes-de-toneladas-de-alimentos-por-ano-ao-longo-de-toda-a-cadeia-produtiva-foto-tv-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8823\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-800x450.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2-1160x653.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-reportagem-Sustentabilidade-no-prato-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Brasil desperdi\u00e7a mais de 55 milh\u00f5es de toneladas de alimentos por ano ao longo de toda a cadeia produtiva.<br \/>\n<\/strong>(Foto: TV Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio brasileiro, pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e nutricional t\u00eam demonstrado resultados concretos. Em 2025, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome da ONU. Entre as iniciativas recentes, destaca-se o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mds\/pt-br\/acoes-e-programas\/promocao-da-alimentacao-adequada-e-saudavel\/alimenta-cidades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Programa Alimenta Cidades<\/strong><\/a><\/span> (2023), que amplia a produ\u00e7\u00e3o, a disponibilidade e o acesso a alimentos saud\u00e1veis, priorizando territ\u00f3rios perif\u00e9ricos urbanos e popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Essa pol\u00edtica fortalece sistemas alimentares locais e sustent\u00e1veis, contribui para reduzir desigualdades e reafirma o direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada, alinhando as pol\u00edticas nacionais aos princ\u00edpios de seguran\u00e7a, justi\u00e7a alimentar e justi\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cA justi\u00e7a alimentar, por sua vez, refere-se ao direito de todas as pessoas de se alimentarem adequadamente. A fome e a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o afetam de maneira desproporcional mulheres, popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Essa desigualdade se apoia em estruturas hist\u00f3ricas de racismo, patriarcado e desigualdade de classe, sendo necess\u00e1rio enfrentar essas quest\u00f5es em sua raiz para garantir a justi\u00e7a alimentar\u201d, afirma Adriana Adell.<\/p>\n<p>O problema, no entanto, n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Brasil. Em escala global, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unep.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)<\/strong><\/a><\/span> estima que 1,05 bilh\u00e3o de toneladas de alimentos foram descartados em 2022 \u2014 perda equivalente a quase um quinto de toda a produ\u00e7\u00e3o mundial. Quando um alimento vai para o lixo, n\u00e3o \u00e9 apenas ele que se perde: toda a \u00e1gua, energia e insumos utilizados em sua produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o desperdi\u00e7ados. Segundo a PNUMA, o custo econ\u00f4mico global da perda e do desperd\u00edcio chega a US$ 1 trilh\u00e3o por ano. As consequ\u00eancias ambientais tamb\u00e9m s\u00e3o expressivas. O desperd\u00edcio de alimentos responde por 8% a 10% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa, al\u00e9m de contribuir para a degrada\u00e7\u00e3o do solo, o consumo excessivo de \u00e1gua e a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-cuidado-cotidiano-com-a-terra-e-o-manejo-dos-espacos-ociosos-convertem-areas-antes-abandonadas-em-territorios-de-producao-de-alimentos-encontros-afetos-e-saude\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO cuidado cotidiano com a terra e o manejo dos espa\u00e7os ociosos convertem \u00e1reas antes abandonadas em territ\u00f3rios de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, encontros, afetos e sa\u00fade.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Nathalia Guimar\u00e3es, enfrentar o problema \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social e ambiental: \u201cO enfrentamento do desperd\u00edcio de alimentos torna-se uma estrat\u00e9gia decisiva para a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a alimentar, ao transformar o que seria descartado em fonte de nutri\u00e7\u00e3o para quem mais precisa, ao mesmo tempo em que diminui os impactos ambientais associados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao descarte de res\u00edduos org\u00e2nicos\u201d.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 prev\u00ea medidas para reduzir o desperd\u00edcio. A Lei n\u00ba 14.016\/2020 regulamenta a doa\u00e7\u00e3o de excedentes de supermercados e restaurantes. Al\u00e9m disso, iniciativas como bancos de alimentos, cozinhas comunit\u00e1rias e programas de redistribui\u00e7\u00e3o regulada t\u00eam ampliado o acesso de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis a refei\u00e7\u00f5es de qualidade. Segundo Cl\u00e1udia Maria B\u00f3gus, \u00e9 preciso ir al\u00e9m: \u201cA pol\u00edtica tamb\u00e9m deve induzir a\u00e7\u00f5es e programas importantes, mas sem deixar de fortalecer iniciativas j\u00e1 existentes nas comunidades, garantindo recursos e continuidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOrganismos internacionais, como a FAO, apontam as pol\u00edticas p\u00fablicas como a principal for\u00e7a motriz para a transforma\u00e7\u00e3o dos sistemas alimentares\u201d, afirma Adriana Adell. Isso inclui incentivos \u00e0 compostagem, campanhas de educa\u00e7\u00e3o alimentar e capacita\u00e7\u00e3o para trabalhadores de restaurantes e servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que podem transformar h\u00e1bitos e reduzir perdas desde a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 o consumo final.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 aliada no combate ao desperd\u00edcio. Tecnologias como embalagens que prolongam a vida \u00fatil, sensores de monitoramento de qualidade, sistemas de rastreamento (<em>blockchain<\/em>) e aplicativos para doa\u00e7\u00e3o de excedentes j\u00e1 est\u00e3o em pr\u00e1tica em diferentes pa\u00edses. Al\u00e9m disso, o aproveitamento de res\u00edduos para compostagem e produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s abre caminhos para sistemas alimentares mais circulares e sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-enfrentamento-do-desperdicio-de-alimentos-torna-se-uma-estrategia-decisiva-para-a-promocao-da-justica-alimentar\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO enfrentamento do desperd\u00edcio de alimentos torna-se uma estrat\u00e9gia decisiva para a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a alimentar.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No campo social, cozinhas comunit\u00e1rias desempenham papel fundamental. Elas reaproveitam alimentos que seriam descartados, oferecem refei\u00e7\u00f5es acess\u00edveis ou gratuitas e criam espa\u00e7os de aprendizado e conviv\u00eancia. Para Nathalia Guimar\u00e3es, esses equipamentos p\u00fablicos cumprem dupla fun\u00e7\u00e3o: \u201cEles reduzem o impacto ambiental do lixo org\u00e2nico e, ao mesmo tempo, fortalecem a inclus\u00e3o social, garantindo que pessoas de diferentes condi\u00e7\u00f5es financeiras possam se alimentar bem\u201d.<\/p>\n<p>Evitar o desperd\u00edcio dentro de casa \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o suficiente. O relat\u00f3rio do Pacto contra o Desperd\u00edcio estima que o Brasil tem potencial de aproveitar 38,6 milh\u00f5es de toneladas de alimentos \u2014 mais do que o necess\u00e1rio para acabar com a fome no pa\u00eds. Para isso, ser\u00e1 preciso combinar pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, ci\u00eancia, iniciativas comunit\u00e1rias e mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de consumo. Como resume Cl\u00e1udia Maria B\u00f3gus: \u201cA ci\u00eancia produz conhecimento, mas precisa dialogar com a comunidade. Muitas vezes, s\u00e3o as experi\u00eancias locais que apontam caminhos para solu\u00e7\u00f5es mais duradouras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-horta-da-ong-cidades-sem-fome-na-zona-leste-de-sao-paulo-foto-fellipe-abreu-mongabay-reproducao\"><strong>Capa. Horta da ONG Cidades sem Fome na Zona Leste de S\u00e3o Paulo.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Fellipe Abreu\/Mongabay. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre a fome e a abund\u00e2ncia, cresce a busca por sistemas alimentares&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":8821,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8820"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8820"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9119,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8820\/revisions\/9119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8821"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}