{"id":8838,"date":"2025-09-01T08:00:28","date_gmt":"2025-09-01T08:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8838"},"modified":"2025-09-01T12:31:51","modified_gmt":"2025-09-01T12:31:51","slug":"adaptacao-das-cidades-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8838","title":{"rendered":"Adapta\u00e7\u00e3o das cidades \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"acoes-para-lidar-com-mudancas-no-clima-precisam-garantir-que-a-transicao-aconteca-de-maneira-justa-focando-nas-pessoas-que-mais-sofrem-com-desastres-naturais\"><span style=\"color: #808080;\">A\u00e7\u00f5es para lidar com mudan\u00e7as no clima precisam garantir que a transi\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a de maneira justa, focando nas pessoas que mais sofrem com desastres naturais.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reduzir as desigualdades socioterritoriais e enfrentar a crise clim\u00e1tica s\u00e3o dois dos principais desafios que o Brasil precisa enfrentar no s\u00e9culo XXI. Como cerca de 85% da popula\u00e7\u00e3o brasileira vive em cidades, esses desafios somente ser\u00e3o enfrentados, com impacto significativo, se as pol\u00edticas urbanas e ambientais tratarem esses objetivos com prioridade e de forma articulada, pois os eventos extremos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam de maneira mais intensa as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>As cidades brasileiras apresentam forte desigualdade socioterritorial e n\u00e3o est\u00e3o preparadas para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica. O modelo de desenvolvimento urbano estruturado no s\u00e9culo XX produziu cidades insustent\u00e1veis e desiguais, onde os mais exclu\u00eddos vivem em \u00e1reas suscet\u00edveis aos riscos e impr\u00f3prias para a urbaniza\u00e7\u00e3o. Eles sofrem com os desastres decorrentes dos eventos extremos, cada vez mais frequentes, como as tempestades, secas, inseguran\u00e7a h\u00eddrica, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-rio-acre-em-seu-menor-nivel-desde-1970foto-pedro-devani-governo-do-acre-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8840\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-300x146.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-300x146.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-1024x500.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-768x375.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-1536x749.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-800x390.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1-1160x566.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Rio Acre em seu menor n\u00edvel desde 1970<br \/>\n<\/strong>(Foto: Pedro Devani\/ Governo do Acre. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento significativo de eventos clim\u00e1ticos extremos. Entre 2020 e 2023, houve mais de 7.500 registros de desastres relacionados a chuvas intensas, com um aumento de 222,8% em compara\u00e7\u00e3o com a d\u00e9cada de 1990.\u202fO n\u00famero total de eventos extremos registrados no Brasil entre 1991 e 2023 ultrapassa 26 mil, afetando 83% dos munic\u00edpios brasileiros.\u202fO desastre em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, no litoral norte de S\u00e3o Paulo, e a inunda\u00e7\u00e3o por mais de um m\u00eas de Porto Alegre e de grande parte do Rio Grande do Sul, para citar somente dois exemplos recentes, exemplificam o despreparo das cidades brasileiras para enfrentar a crise clim\u00e1tica. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-deslizamentos-apos-fortes-chuvas-em-sao-sebastiao-spfoto-rovena-rosa-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8841\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/CC-3E25-opinia\u0303o-Adaptac\u0327a\u0303o-das-cidades-as-mudanc\u0327as-clima\u0301ticas-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Deslizamentos ap\u00f3s fortes chuvas em S\u00e3o Sebasti\u00e3o (SP)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Rovena Rosa\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas esse \u00e9 apenas um dos aspectos desse padr\u00e3o de urbaniza\u00e7\u00e3o que precisa ser enfrentado e alterado atrav\u00e9s de adapta\u00e7\u00e3o das cidades \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A urbaniza\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 baseada na hiperconcentra\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es metropolitanas, em uma expans\u00e3o urbana horizontal ilimitada, que depredou o cintur\u00e3o verde, mobilidade individual motorizada que priorizou o autom\u00f3vel, na ocupa\u00e7\u00e3o das \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (fundos de vale e \u00e1reas \u00edngremes), no desmatamento nas \u00e1reas verdes urbanas, em um processo de desprezo pelo meio ambiente combinado com uma segrega\u00e7\u00e3o socioterritorial.<\/p>\n<p>Embora o desmatamento e a mudan\u00e7a do solo na \u00e1rea rural ainda liderem a contribui\u00e7\u00e3o brasileira para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, as cidades s\u00e3o grandes emissoras de gases de efeito estufa. Por isso, elas precisam promover uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e energ\u00e9tica, reduzindo as emiss\u00f5es e implementando interven\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para garantir a prote\u00e7\u00e3o da vida frente aos eventos extremos.<\/p>\n<p>Esse esfor\u00e7o precisa estar focado, por um lado, na mobilidade, na constru\u00e7\u00e3o civil e na gest\u00e3o dos res\u00edduos, para reduzir as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> e metano e, por outro, em obras de afastamento do risco, no remanejamento da popula\u00e7\u00e3o que vivem em \u00e1reas afetadas pelos eventos extremos, na recupera\u00e7\u00e3o dos fundos de vales e \u00e1reas \u00edngremes, no aumento da permeabilidade do solo e no acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o social para a baixa renda.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o das cidades \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas requer um novo modelo de desenvolvimento urbano, com um padr\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o do solo, de mobilidade e de gest\u00e3o dos res\u00edduos mais respons\u00e1vel, sustent\u00e1vel e justa. Isso significa alterar radicalmente o modo de vida e de gest\u00e3o das cidades, implicando em mudan\u00e7as em termos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, sociais e ambientais.<\/p>\n<p>Obviamente, a transforma\u00e7\u00e3o radical de um modelo consolidado encontra fortes resist\u00eancias, tanto dos setores econ\u00f4micos que se beneficiam dos padr\u00f5es atuais (ind\u00fastria automobil\u00edstica, ind\u00fastria imobili\u00e1ria, propriet\u00e1rios de terras, etc.) como dos tomadores de decis\u00f5es e dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, em geral, refrat\u00e1rios a mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-cidades-brasileiras-apresentam-forte-desigualdade-socioterritorial-e-nao-estao-preparadas-para-enfrentar-a-emergencia-climatica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs cidades brasileiras apresentam forte desigualdade socioterritorial e n\u00e3o est\u00e3o preparadas para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o falo apenas dos negacionistas clim\u00e1ticos, mas dos que embora reconhe\u00e7am a crise clim\u00e1tica no discurso (frente as evid\u00eancias n\u00e3o apenas cientificas, como tamb\u00e9m da realidade concreta), na pr\u00e1tica, n\u00e3o apoiam ou adotam as medidas necess\u00e1rias para enfrent\u00e1-la, pois isso se chocaria com interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos, ou exigiria mudan\u00e7as de h\u00e1bitos cotidianos. Infelizmente, esses s\u00e3o a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, o planejamento territorial e urbano e seu desdobramento em programas, projetos e interven\u00e7\u00f5es urbanas precisa ser orientado para promover a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, priorizando a quest\u00e3o ambiental e a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, preparando as cidades para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O modelo urbano a ser promovido \u00e9 o da cidade compacta e polic\u00eantrica, onde a moradia esteja pr\u00f3xima aos servi\u00e7os e empregos, reduzindo a necessidade de grandes e frequentes deslocamentos e fluxos urbanos, de modo a gerar menor consumo de combust\u00edveis fosseis e, portanto, de emiss\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>. E que gere uma cidade mais inclusiva, garantindo moradia digna e bem localizada como um direito, elemento fundamental para enfrentar os eventos extremos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"descarbonizar-as-cidades\"><strong>Descarbonizar as cidades\u00a0\u00a0 <\/strong><\/h4>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o das cidades requer uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para descarbonizar os sistemas urbanos e produtivos e reduzir a emiss\u00e3o dos GEE, com forte interven\u00e7\u00e3o na mobilidade, na constru\u00e7\u00e3o civil e na gest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-adaptacao-das-cidades-as-mudancas-climaticas-requer-um-novo-modelo-de-desenvolvimento-urbano\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA adapta\u00e7\u00e3o das cidades \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas requer um novo modelo de desenvolvimento urbano.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a na l\u00f3gica de mobilidade ganha destaque, pois ela contribui com cerca de 60% a 65% das emiss\u00f5es. A emiss\u00e3o de GEE de um mesmo deslocamento de uma pessoa em um carro alcan\u00e7a 1,46 kg de CO<sub>2<\/sub>\/litro\/passageiro, cerca de 19 vezes mais do que o usu\u00e1rio de um \u00f4nibus, que gera apenas 0,08 kg de CO<sub>2<\/sub>\/litro\/passageiro. Assim, para promover uma significativa redu\u00e7\u00e3o no consumo de energia e das emiss\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Um uso mais racional dos ve\u00edculos e est\u00edmulo ao transporte coletivo e \u00e0 mobilidade ativa (deslocamento a p\u00e9 em curtas dist\u00e2ncias e uso de bicicleta) que, ademais, ocupam menos espa\u00e7o no vi\u00e1rio da cidade, reduzindo os congestionamentos. O autom\u00f3vel s\u00f3 deveria ser usado quando \u00e9 realmente indispens\u00e1vel.<\/li>\n<li>Financiamento e subs\u00eddio \u00e0 expans\u00e3o da rede de transporte p\u00fablico (trens, metr\u00f4s e VLTs), priorizando a eletrifica\u00e7\u00e3o da frota de \u00f4nibus;<\/li>\n<li>Est\u00edmulo \u00e0 gradativa ado\u00e7\u00e3o de uma matriz energ\u00e9tica limpa em todos os modais, sobretudo ve\u00edculos urbanos de carga (VUCs) e caminh\u00f5es, com est\u00edmulos fiscais e tribut\u00e1rios;<\/li>\n<li>Est\u00edmulo \u00e0 mobilidade ativa, implantando ciclovias, qualificando as cal\u00e7adas e aumentando a seguran\u00e7a vi\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva da constru\u00e7\u00e3o civil e sua descarboniza\u00e7\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gica. Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Fomentar a pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gico, inovando em materiais, sistemas construtivos e gest\u00e3o dos edif\u00edcios com baixa emiss\u00e3o de CO2 e de baixo consumo energ\u00e9tico. Materiais com o cimento e o a\u00e7o, sempre que poss\u00edvel, devem ser evitados;<\/li>\n<li>Incentivo ao retrofit das edifica\u00e7\u00f5es preexistente, adaptando-as \u00e0s normas de sustentabilidade, evitando demoli\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias e reduzindo a necessidade de novas estruturas;<\/li>\n<li>Adotar tecnologias sustent\u00e1veis nas novas edifica\u00e7\u00f5es e, sobretudo, nos programas habitacionais p\u00fablicos, para garantir a efici\u00eancia energ\u00e9tica e seguran\u00e7a h\u00eddrica, como energia solar, reuso da \u00e1gua, implanta\u00e7\u00e3o de sistemas locais de tratamento prim\u00e1rio de res\u00edduos e esgoto, \u00e1reas perme\u00e1veis, etc.;<\/li>\n<li>Induzir a transi\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia energ\u00e9tica nos servi\u00e7os urbanos sob responsabilidade do poder p\u00fablico, objetivando, com a utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologia, reduzir o consumo e otimizar os recursos necess\u00e1rios \u00e0 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os como ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, semaforiza\u00e7\u00e3o, destina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos, etc.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para uma gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos res\u00edduos, \u00e9 necess\u00e1rio adotar os 5R (recusar, repensar, reduzir, reutilizar e reciclar) na perspectiva de reduzir significativamente as emiss\u00f5es de metano e avan\u00e7ar na meta de Lixo Zero. Embora prevista na Lei e na Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, as iniciativas para reduzir a gera\u00e7\u00e3o e a destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos para os aterros e lix\u00f5es e impulsionar, com escala, a reciclagem e a compostagem, n\u00e3o foram implementadas com efetividade na imensa maioria dos munic\u00edpios. Isso exige uma nova postura do poder p\u00fablico, das empresas de limpeza urbana, do setor produtivo e dos consumidores, na perspectiva de:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Eliminar os lix\u00f5es, garantindo uma destina\u00e7\u00e3o adequada dos res\u00edduos e promovendo a recupera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, por processos biol\u00f3gicos, dos aterros sanit\u00e1rios;<\/li>\n<li>Ampliar a reciclagem dos res\u00edduos s\u00f3lidos, fomentando as cooperativas de catadores e as empresas de reciclagem;<\/li>\n<li>Ampliar a compostagem dos res\u00edduos org\u00e2nicos e a sua reutiliza\u00e7\u00e3o na agricultura urbana e periurbana;<\/li>\n<li>Estimular a cria\u00e7\u00e3o de cons\u00f3rcios intermunicipais para a gest\u00e3o de res\u00edduos, promovendo a sustentabilidade dos servi\u00e7os de manejo, a partir de planos regionais de gest\u00e3o;<\/li>\n<li>Rever e ampliar os acordos setoriais de log\u00edstica reversa para garantir o princ\u00edpio do gerador-pagador e estimular a transi\u00e7\u00e3o dos processos produtivos industriais para considerar a destina\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos;<\/li>\n<li>Promover campanhas educativas e publicit\u00e1rias para difundir os princ\u00edpios dos 5R e da transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"adaptar-as-cidades-para-enfrentar-os-eventos-extremos\"><strong>Adaptar as cidades para enfrentar os eventos extremos <\/strong><\/h4>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o do clima devem garantir que a transi\u00e7\u00e3o seja justa, priorizando as parcelas da popula\u00e7\u00e3o que mais sofrem com os eventos extremos, que vivem em \u00e1reas de risco e impr\u00f3prias para a urbaniza\u00e7\u00e3o. Nesse aspecto, a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica se articula com a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, na perspectiva de garantir o direito \u00e0 cidade. Para aumentar a resili\u00eancia urbana e adaptar as cidades para enfrentar os eventos extremos, \u00e9 necess\u00e1rio:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Financiar interven\u00e7\u00f5es voltadas para a redu\u00e7\u00e3o de riscos e preven\u00e7\u00e3o de desastres, como obras de drenagem, conten\u00e7\u00e3o de encostas, recupera\u00e7\u00e3o vegetal e da permeabilidade do solo;<\/li>\n<li>Integrar os projetos de redu\u00e7\u00e3o do risco aos planos de urbaniza\u00e7\u00e3o dos assentamentos prec\u00e1rios, favelas e comunidades, garantindo moradia definitiva \u00e0s fam\u00edlias remanejadas;<\/li>\n<li>Garantir o atendimento habitacional para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, com subs\u00eddio, localiza\u00e7\u00e3o adequada e constru\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, evitando novas ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco;<\/li>\n<li>Retomar e ampliar o Sistema Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Resposta a Desastres e Eventos Extremos, aprimorando os servi\u00e7os de alertas e preven\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Capacitar os governos estaduais e municipais visando a implementa\u00e7\u00e3o dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o, o monitoramento e a formula\u00e7\u00e3o dos planos locais de preven\u00e7\u00e3o ao risco;<\/li>\n<li>Estruturar as defesas civis municipais, incluindo os N\u00facleos Comunit\u00e1rios de Defesa Civil, estimulando a organiza\u00e7\u00e3o das comunidades visando \u00e0 autodefesa e ao protagonismo nas condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e nos planos de conting\u00eancia;<\/li>\n<li>Fiscalizar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a das barragens de res\u00edduos da minera\u00e7\u00e3o e atuar junto \u00e0s empresas respons\u00e1veis para promoverem as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a preven\u00e7\u00e3o dos riscos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"garantir-a-transversalidade-nas-politicas-urbanas-e-ambientais\"><strong>Garantir a transversalidade nas pol\u00edticas urbanas e ambientais<\/strong><\/h4>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o das cidades precisa ser formulada transversalmente em todas as pol\u00edticas urbanas, com solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza e programas e interven\u00e7\u00f5es que coloquem o meio ambiente no foco do desenvolvimento urbano como meio de melhoria da qualidade urbana. Para tanto, \u00e9 fundamental:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Estimular a prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o dos mananciais, nascentes e APP, e promover a despolui\u00e7\u00e3o dos cursos d\u2019\u00e1gua, rios e represas;<\/li>\n<li>Ampliar as \u00e1reas verdes, livres e protegidas, assim como as \u00e1reas perme\u00e1veis, para oferecer mais espa\u00e7os de lazer e gerar equil\u00edbrio clim\u00e1tico;<\/li>\n<li>Garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica e uso sustent\u00e1vel da \u00e1gua;<\/li>\n<li>Estimular a agricultura urbana e periurbana, familiar e org\u00e2nica, com assist\u00eancia t\u00e9cnica, apoio \u00e0 agroecol\u00f3gica e fomento a circuitos curtos de comercializa\u00e7\u00e3o, aproximando a produ\u00e7\u00e3o do consumo e garantindo mercado atrav\u00e9s das compras p\u00fablicas;<\/li>\n<li>Regulamentar o pagamento de servi\u00e7os ambientais voltado para a\u00e7\u00f5es que promovam a melhoria da qualidade ambiental urbana e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o das cidades \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas exige a capacita\u00e7\u00e3o dos entes federados, o financiamento de projetos e obras e o fortalecimento dos sistemas de planejamento territorial. Os planos diretores precisam incluir solu\u00e7\u00f5es integradas que respeitem o meio ambiente e que promovam a transi\u00e7\u00e3o das cidades em dire\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento urbano sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-acoes-de-adaptacao-e-mitigacao-do-clima-devem-garantir-que-a-transicao-seja-justa-priorizando-as-parcelas-da-populacao-que-mais-sofrem-com-os-eventos-extremos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o do clima devem garantir que a transi\u00e7\u00e3o seja justa, priorizando as parcelas da popula\u00e7\u00e3o que mais sofrem com os eventos extremos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem amplas campanhas de educa\u00e7\u00e3o ambiental e de mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, n\u00e3o se alcan\u00e7ar\u00e3o as metas que o Brasil se comprometeu a atingir no seu NDC. Alterar o modelo de desenvolvimento urbano, a cultura do desperd\u00edcio e o uso irrespons\u00e1vel dos recursos naturais apenas ser\u00e1 alcan\u00e7ado quando a sociedade se convencer de que s\u00f3 altera\u00e7\u00f5es profundas poder\u00e3o gerar resultados capazes de enfrentar a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-eventos-extremos-causados-pelas-mudancas-climaticas-impactam-de-maneira-mais-intensa-as-populacoes-vulneraveis-foto-divulgacao\"><strong>Capa. Eventos extremos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam de maneira mais intensa as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es para lidar com mudan\u00e7as no clima precisam garantir que a transi\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":302,"featured_media":8839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8838"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/302"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8838"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8872,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8838\/revisions\/8872"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}