{"id":8956,"date":"2025-09-22T08:00:56","date_gmt":"2025-09-22T08:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8956"},"modified":"2025-09-24T14:51:53","modified_gmt":"2025-09-24T14:51:53","slug":"biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8956","title":{"rendered":"Biodiversidade e o paradoxo urbano"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-conciliar-cidades-e-biodiversidade-diante-das-mudancas-climaticas\"><span style=\"color: #808080;\">Como conciliar cidades e biodiversidade diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos um paradoxo: embora dependamos de milhares de formas de vida que comp\u00f5em a biodiversidade, as atividades humanas t\u00eam amea\u00e7ado essa riqueza natural suprimindo habitats e levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o milhares de esp\u00e9cies.<sup>[1, 2]<\/sup> A destrui\u00e7\u00e3o de habitats gera desequil\u00edbrios e degrada\u00e7\u00e3o ambientais, prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e invas\u00f5es bi\u00f3ticas, expondo a humanidade a riscos que podem resultar na perda de in\u00fameras vidas. O que se perde por extin\u00e7\u00e3o \u00e9 irrecuper\u00e1vel, mas ainda \u00e9 poss\u00edvel mitigar danos, criando condi\u00e7\u00f5es para a sobreviv\u00eancia dos ecossistemas remanescentes e para a (re)cria\u00e7\u00e3o de habitats.<\/p>\n<p>A prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9, portanto, fundamental. Mas ser\u00e1 poss\u00edvel conciliar esse esfor\u00e7o nas cidades? As cidades podem se tornar ecologicamente vi\u00e1veis para a biodiversidade, criando e protegendo habitats?<\/p>\n<p>De acordo com Wilson,<sup>[3]<\/sup> a biodiversidade corresponde \u00e0 multiplicidade de formas de vida que habitam a Terra \u2014 incluindo organismos microsc\u00f3picos, plantas e animais \u2014 e se expressa em diferentes dimens\u00f5es: gen\u00e9tica, de esp\u00e9cies, de ecossistemas e nas intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que asseguram o equil\u00edbrio dos ambientes. Podemos incluir ainda os arranjos das paisagens e o patrim\u00f4nio natural como express\u00f5es espaciais dessa diversidade.<\/p>\n<p>Esse conceito envolve toda a vida no planeta, inclusive os seres humanos, que ao longo de sua hist\u00f3ria moldaram a natureza, dando origem ao que se denomina sociobiodiversidade e agrobiodiversidade. A sociobiodiversidade \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o entre a diversidade biol\u00f3gica e a diversidade sociocultural. Toda a vida est\u00e1 interligada e interdependente em m\u00faltiplas escalas, o que torna a conserva\u00e7\u00e3o uma estrat\u00e9gia essencial para manter os ecossistemas e suas fun\u00e7\u00f5es vitais: fornecimento de alimentos, \u00e1gua e medicamentos, regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, purifica\u00e7\u00e3o do ar, poliniza\u00e7\u00e3o e controle de pragas, entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-cidades-nao-sao-inimigas-da-natureza-podem-ser-refugios-de-biodiversidade-se-planejadas-de-forma-integrada-e-inclusiva\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs cidades n\u00e3o s\u00e3o inimigas da natureza: podem ser ref\u00fagios de biodiversidade se planejadas de forma integrada e inclusiva.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, as atividades humanas t\u00eam acelerado a degrada\u00e7\u00e3o, especialmente nos s\u00e9culos XX e XXI. Isso exige a\u00e7\u00f5es urgentes de conserva\u00e7\u00e3o para frear a perda de habitats e ampliar a sobreviv\u00eancia dos seres vivos. Alguns conceitos aplicados \u00e0s cidades v\u00eam sendo desenvolvidos no sentido de enfrentar seus desafios.<sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, diferentes abordagens buscaram integrar natureza e urbaniza\u00e7\u00e3o. No campo cient\u00edfico e pol\u00edtico, surgiram met\u00e1foras que ajudaram a traduzir a import\u00e2ncia da natureza nas cidades: florestas urbanas (FU), servi\u00e7os ecossist\u00eamicos (SE), infraestrutura verde (GI) e, mais recentemente, solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza (SBN).<sup>[5] <\/sup>(<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-com-a-expansao-urbana-das-grandes-cidades-os-animais-como-as-capivaras-sao-exemplo-de-sobrevivencia-que-sensibiliza-pessoas-foto-uninter-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8958\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Com a expans\u00e3o urbana das grandes cidades, os animais, como as capivaras, s\u00e3o exemplo de sobreviv\u00eancia que sensibiliza pessoas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Uninter. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses conceitos n\u00e3o s\u00e3o excludentes e representam uma sequ\u00eancia de alternativas que v\u00eam sendo gestadas h\u00e1 muito tempo. A arboriza\u00e7\u00e3o urbana, por exemplo, historicamente articulou saberes de v\u00e1rias disciplinas para maximizar os benef\u00edcios das \u00e1rvores nas cidades a custos n\u00e3o t\u00e3o dispendiosos. Hoje, ela se conecta \u00e0s SBN, \u00e0 infraestrutura verde e aos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, oferecendo ferramentas concretas para enfrentar os desafios urbanos. Mas, apesar de muitos esfor\u00e7os, a urbaniza\u00e7\u00e3o enfrenta desafios que concorrem com a capitaliza\u00e7\u00e3o de todos os espa\u00e7os urbanos, dificultando solu\u00e7\u00f5es ambientais que ajudem a minimizar os efeitos de emerg\u00eancias clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Estimativas recentes da ONU-HABITAT apontam que a popula\u00e7\u00e3o urbana j\u00e1 ultrapassa os 4 bilh\u00f5es de pessoas, ou seja, mais da metade dos habitantes do planeta.<sup>[6]<\/sup> As proje\u00e7\u00f5es indicam que esse percentual deve atingir cerca de 68% at\u00e9 2050, refor\u00e7ando a urg\u00eancia de pensar pol\u00edticas urbanas que conciliem crescimento populacional e conserva\u00e7\u00e3o ambiental. O relat\u00f3rio <strong><em>Cidades Mundiais 2024<\/em><\/strong> trata das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que j\u00e1 estamos vivendo e da urg\u00eancia de medidas para tornar as cidades menos perigosas e desiguais, indicando que as cidades est\u00e3o \u00e0 frente das abordagens inovadoras e coordenadas por comunidades, que demonstram capacidade de criar processos colaborativos e inclusivos para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<sup>[7]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-paradoxo-urbano-revela-que-a-mesma-urbanizacao-que-degrada-tambem-pode-criar-oportunidades-de-regeneracao-ecologica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO paradoxo urbano revela que a mesma urbaniza\u00e7\u00e3o que degrada tamb\u00e9m pode criar oportunidades de regenera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, muitas cidades ainda conservam fragmentos naturais de cobertura vegetal relevantes. S\u00e3o Paulo, por exemplo, abriga em seu territ\u00f3rio 30% de remanescentes de Mata Atl\u00e2ntica, cerrados e campos, embora distribu\u00eddos de forma desigual. Outras solu\u00e7\u00f5es v\u00eam sendo apontadas em estudos urbanos, como quintais residenciais, jardins drenantes, parques e pra\u00e7as que podem funcionar como ref\u00fagios para fauna e flora, desde que planejados com esp\u00e9cies nativas e integrados em corredores ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"estrategias-para-as-cidades-biodiversas\"><strong>Estrat\u00e9gias para as cidades biodiversas <\/strong><\/h4>\n<p>Entre as experi\u00eancias em curso est\u00e3o as microflorestas (como as \u201cflorestas de bolso\u201d), inspiradas no m\u00e9todo Miyawaki,<sup>[8]<\/sup> a renaturaliza\u00e7\u00e3o de rios e \u00e1reas verdes,<sup>[9]<\/sup> a arboriza\u00e7\u00e3o com esp\u00e9cies nativas e o fortalecimento de corredores ecol\u00f3gicos.<sup>[10]<\/sup> Tais estrat\u00e9gias ampliam a biodiversidade, aumentam a resili\u00eancia clim\u00e1tica e reduzem desigualdades socioambientais. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-microflorestas-estao-entre-as-estrategias-para-as-cidades-biodiversas-foto-prefeitura-de-campinas-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8959\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Biodiversidade-e-o-paradoxo-urbano-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Microflorestas est\u00e3o entre as<\/strong> <strong>estrat\u00e9gias para as cidades biodiversas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Prefeitura de Campinas. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas solu\u00e7\u00f5es dependem, no entanto, de dois fatores fundamentais: a integra\u00e7\u00e3o ao planejamento urbano e ambiental com pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes, e a educa\u00e7\u00e3o ambiental com participa\u00e7\u00e3o social, por meio de projetos comunit\u00e1rios e escolares que envolvam as comunidades nos problemas e solu\u00e7\u00f5es locais no espa\u00e7o urbano.<\/p>\n<p>Cidades podem e devem ser planejadas de forma a reconciliar sociedade e natureza, tornando-se ecologicamente sustent\u00e1veis, economicamente produtivas, socialmente justas e culturalmente vibrantes. Pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o essenciais nesse processo.<\/p>\n<p>Por outro lado, ferramentas de planejamento como o <em>\u00cdndice de Biodiversidade das Cidades (IBC)<\/em> permitem avaliar a biodiversidade urbana, considerando indicadores sobre esp\u00e9cies nativas, servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e governan\u00e7a. Algumas cidades do mundo t\u00eam adotado esse \u00edndice como refer\u00eancia para o planejamento de \u00e1reas verdes. Em S\u00e3o Paulo, esse monitoramento \u00e9 feito desde 2019 pelo <em>BioSampa<\/em>, instrumento da Prefeitura Municipal que acompanha 23 indicadores de biodiversidade, servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e governan\u00e7a ambiental.<sup>[11]<\/sup> O <em>BioSampa<\/em> adota o <em>City Biodiversity Index (Singapore Index)<\/em>,<sup>[12]<\/sup> metodologia internacional recomendada pela Conven\u00e7\u00e3o sobre Diversidade Biol\u00f3gica da ONU, que possibilita comparar a realidade paulistana com a de outras cidades globais. Os resultados oferecem subs\u00eddios t\u00e9cnicos para o planejamento de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o ambiental em escala municipal e regional.<\/p>\n<p>Por outro lado, esse modo de produzir pol\u00edtica tamb\u00e9m precisa ser compartilhado com a sociedade. Estudos em cidades brasileiras, como S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP),<sup>[13]<\/sup> revelaram avan\u00e7os em biodiversidade e cobertura vegetal, mas tamb\u00e9m desafios relacionados \u00e0 governan\u00e7a, or\u00e7amento reduzido e car\u00eancia de a\u00e7\u00f5es educativas de longo prazo. Uchiyama e Kohsaka <sup>[14]<\/sup> avaliaram a aplica\u00e7\u00e3o do IBC e concluem que os resultados s\u00e3o positivos para a biodiversidade nativa, mas apresentam defici\u00eancias na prote\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos e na governan\u00e7a de um modo geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"solucoes-baseadas-na-natureza-e-mudancas-climaticas\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es baseadas na Natureza e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/h4>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza (SBN) despontam como alternativas para mitigar efeitos extremos, ao mesmo tempo em que criam habitats. Com a intensifica\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, as cidades ser\u00e3o cada vez mais impactadas. Entre as iniciativas de SBN, destacam-se jardins de chuva, telhados verdes, parques lineares e experi\u00eancias de agricultura urbana. Essas a\u00e7\u00f5es mobilizam processos ecol\u00f3gicos para reduzir riscos, regular temperatura e melhorar a qualidade da \u00e1gua e do ar<sup>.[15, 16]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"reconstruir-o-elo-entre-sociedade-e-natureza-e-condicao-essencial-para-enfrentar-a-crise-climatica-no-espaco-urbano\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cReconstruir o elo entre sociedade e natureza \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para enfrentar a crise clim\u00e1tica no espa\u00e7o urbano.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, iniciativas de renaturaliza\u00e7\u00e3o de rios \u2014 como as desenvolvidas em cidades colombianas \u2014 evidenciam tanto avan\u00e7os em termos de recupera\u00e7\u00e3o ambiental quanto dilemas sociais, j\u00e1 que podem gerar processos de gentrifica\u00e7\u00e3o e acentuar desigualdades territoriais se n\u00e3o forem acompanhadas por pol\u00edticas inclusivas.<sup>[17]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"consideracoes-finais\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h4>\n<p>O Brasil, que abriga entre 15% e 20% da biodiversidade mundial, tem enorme potencial para integrar conserva\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o. A biodiversidade urbana n\u00e3o se restringe a \u00e1reas legalmente protegidas: est\u00e1 presente em pra\u00e7as, jardins, quintais, hortas e fragmentos florestais.<\/p>\n<p>O planejamento ambiental, aliado \u00e0 arboriza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e ao uso de esp\u00e9cies nativas, pode transformar as cidades em espa\u00e7os mais verdes, resilientes e biodiversos. Ferramentas como o <em>\u00cdndice de Biodiversidade das Cidades (IBC)<\/em>, j\u00e1 aplicadas em cidades brasileiras, oferecem par\u00e2metros importantes para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas. Frente \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o crescente e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, reconciliar sociedade e natureza nas cidades n\u00e3o \u00e9 apenas desej\u00e1vel, mas essencial para garantir qualidade de vida e sustentabilidade ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-as-metropoles-podem-ser-ecologicamente-sustentaveis-para-a-biodiversidade-estabelecendo-e-salvaguardando-habitats-naturais-foto-divulgacao\"><strong>Capa. As metr\u00f3poles podem ser ecologicamente sustent\u00e1veis para a biodiversidade, estabelecendo e salvaguardando habitats naturais.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como conciliar cidades e biodiversidade diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas &nbsp; Vivemos um&hellip;\n","protected":false},"author":309,"featured_media":8957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8956"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/309"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8956"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9036,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8956\/revisions\/9036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}