{"id":8963,"date":"2025-09-22T07:55:26","date_gmt":"2025-09-22T07:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8963"},"modified":"2025-09-24T14:54:06","modified_gmt":"2025-09-24T14:54:06","slug":"cidades-e-sustentabilidade-a-relevancia-do-ambiente-urbano-no-futuro-da-agenda-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=8963","title":{"rendered":"Cidades e Sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-relevancia-do-ambiente-urbano-no-futuro-da-agenda-climatica\"><span style=\"color: #808080;\">A relev\u00e2ncia do ambiente urbano no futuro da agenda clim\u00e1tica<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A agenda de sustentabilidade apresenta-se como uma pe\u00e7a em v\u00e1rios atos. Dentro dessa grande pe\u00e7a, a biodiversidade e o clima seriam as personagens principais dessa produ\u00e7\u00e3o. Cada uma delas, como grandes estrelas do espet\u00e1culo, possui luz pr\u00f3pria para ter suas hist\u00f3rias contadas, mas faz mais sentido quando pensadas juntas. Suas crises existenciais podem ser vistas em separado, mas s\u00e3o todos componentes de uma mesma hist\u00f3ria que se desenvolveu pela hist\u00f3ria humana, uma de explora\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias. Esse cen\u00e1rio, todavia, se imagina como estabelecido nas florestas e nos centros de produ\u00e7\u00e3o: mata e ind\u00fastria como cerne dessa conversa.<\/p>\n<p>O que se imaginaria se a centralidade dessas crises se apresentasse no ambiente urbano, que nas cidades estivessem alguns dos motivos e, necessariamente, o futuro para tratarmos dessas crises?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a proposta da presente reflex\u00e3o: como as cidades se tornaram partes da agenda ambiental, principalmente de suas grandes crises: perda da biodiversidade e a emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Ao fazermos uma digress\u00e3o hist\u00f3rica, \u00e9 relevante entender o quanto o espa\u00e7o das cidades, como espa\u00e7o de implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es internacionais, mudou em pouco tempo. Desde o Tratado de Westfalia, acordo internacional que, ao finalizar um dos mais sangrentos conflitos europeus at\u00e9 ent\u00e3o, assentou as regras do que chamamos de ordem internacional baseada nos Estados-Na\u00e7\u00e3o. Essa ideia de que territ\u00f3rios extensos que tivessem o monop\u00f3lio do uso da for\u00e7a, \u00fanica moeda e leis \u00fanicas sendo aplicadas seriam a regra do ator do espa\u00e7o internacional n\u00e3o era a regra at\u00e9 ent\u00e3o, mas foi a forma mais bem adaptada para a realidade do ambiente de press\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Se as cidades-estados europeias, assim como pequenos principados que tinham sua centralidade em cidades muradas ao longo da Idade M\u00e9dia europeia, perderam seu espa\u00e7o, esse se deu por motivos pr\u00e1ticos claros para a \u00e9poca. Ao consolidar o espa\u00e7o territorial, os novos Estados estariam garantindo maior territ\u00f3rio para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e maior popula\u00e7\u00e3o para produzir e lutar em suas guerras. Isso porque a popula\u00e7\u00e3o global estava, em sua grande maioria, vivendo no campo.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, em especial pelas necessidades de concentra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o industrial, mais f\u00e1cil de ser operada em centros urbanos, essa tend\u00eancia da import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o campo versus cidade come\u00e7a a se inverter no ambiente dom\u00e9stico dos pa\u00edses. Ocorreu o aumento da popula\u00e7\u00e3o nas cidades, assim como a concentra\u00e7\u00e3o de renda dos pa\u00edses nos centros urbanos.<\/p>\n<p>Justamente com o processo de industrializa\u00e7\u00e3o, motor dos movimentos clim\u00e1ticos que hoje nos colocam frente \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica e \u00e0s explora\u00e7\u00f5es que aceleraram a perda global de biodiversidade, as cidades come\u00e7aram seu renascimento como centros pol\u00edticos. Nos pa\u00edses do Norte global, onde a industrializa\u00e7\u00e3o se acelerou em primeiro lugar, a centraliza\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o e capital j\u00e1 inseriu os ambientes urbanos nessa \u00f3rbita de centralidade pol\u00edtica ao longo do s\u00e9culo XX. Essa situa\u00e7\u00e3o foi se expandindo globalmente, com especial men\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina, que alcan\u00e7ou o posto de continente mais urbanizado do mundo ao fim desse mesmo s\u00e9culo.<sup>[1]<\/sup><\/p>\n<p>Entretanto, ao longo de um s\u00e9culo com duas grandes guerras e uma grande instabilidade internacional com a Guerra Fria, assim como no processo de descoloniza\u00e7\u00e3o, a regra foi de um regime internacional focado na securitiza\u00e7\u00e3o. Somente no in\u00edcio dos anos 1990, com um sistema que se afastava desses elementos de instabilidade, diversos temas n\u00e3o securit\u00e1rios puderam se fazer presentes no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-cidades-nao-sao-apenas-vitimas-da-crise-climatica-sao-tambem-parte-da-solucao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs cidades n\u00e3o s\u00e3o apenas v\u00edtimas da crise clim\u00e1tica: s\u00e3o tamb\u00e9m parte da solu\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dessa forma, os anos 1990 se tornaram a \u201cd\u00e9cada das confer\u00eancias\u201d, uma esp\u00e9cie de desbloqueio do sistema internacional para tratar temas relevantes que estavam sendo bloqueados por d\u00e9cadas de pautas focadas na ina\u00e7\u00e3o das duas grandes pot\u00eancias e um sistema internacional que era utilizado para criar uma estabilidade controlada de grandes conflitos armados, mas que n\u00e3o avan\u00e7ava em temas mais que relevantes.<\/p>\n<p>Um desses temas consiste na sustentabilidade e o meio ambiente. A 2\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, foi um marco desse novo ciclo de agendas internacionais. Essa confer\u00eancia apontou o reconhecimento dos governos subnacionais, atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o de governos locais e regionais, como parte dos grupos reconhecidos (<em>constituencies<\/em>, na sua express\u00e3o em ingl\u00eas) que representam atores relevantes como partes do processo de negocia\u00e7\u00e3o continuada das Confer\u00eancias do Rio.<\/p>\n<p>Desse momento em diante, com a sequ\u00eancia de uma lista cada vez maior de entidades para representar esses governos subnacionais na pauta da sustentabilidade (e.g., ICLEI \u2013 Governos Locais pela Sustentabilidade, C40) ou para implementar projetos com governos locais (e.g., WRI), os governos subnacionais, especialmente as cidades, chegaram ao final do s\u00e9culo XX com maior visibilidade como parte do ecossistema internacional que promove o debate e o engajamento com os temas da sustentabilidade (esfera pol\u00edtica) e no espa\u00e7o de testar solu\u00e7\u00f5es (esfera da implementa\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Nesses pouco mais de 30 anos, contudo, da mesma forma com a qual os avan\u00e7os em todas as frentes de promo\u00e7\u00e3o de uma agenda de sustentabilidade mais efetiva tiveram poucos avan\u00e7os, a presen\u00e7a das cidades nesse processo tamb\u00e9m deixou a desejar, tanto na esfera pol\u00edtica quanto na implementa\u00e7\u00e3o. Muito se deve \u00e0s dificuldades da agenda internacional, que, depois de alguns anos de liberalismo internacionalizante, teve suas ordens de prioridade (combate ao terrorismo internacional, crise econ\u00f4mica e recrudescimento de conflitos internacionais) reposicionadas, afastando-se de pautas de integra\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Outro ponto deve-se a uma certa incompreens\u00e3o da centralidade das cidades como espa\u00e7o de solu\u00e7\u00e3o dos problemas das duas grandes crises ambientais. Agora desenvolveremos mais esse t\u00f3pico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-crises-e-suas-conexoes-urbanas\"><strong>As crises e suas conex\u00f5es urbanas<\/strong><\/h4>\n<p>Se a conex\u00e3o entre as crises e o urbano \u00e9 clara, por muito tempo a vis\u00e3o brasileira n\u00e3o promoveu essa conex\u00e3o. No Brasil, existe um espa\u00e7o de reflex\u00e3o que indica que as emiss\u00f5es brasileiras, pesadamente alocadas pelo desmatamento e demais modifica\u00e7\u00f5es do uso do solo (AFOLU, em sua sigla em ingl\u00eas), s\u00e3o centradas no processo de expans\u00e3o da agricultura e pecu\u00e1ria nos \u00faltimos 40 anos no pa\u00eds. De igual forma, a degrada\u00e7\u00e3o do bioma brasileiro mais deteriorado, a Mata Atl\u00e2ntica, tamb\u00e9m aponta para o processo de expans\u00e3o da agricultura e extrativismo na regi\u00e3o costeira brasileira nos primeiros tr\u00eas s\u00e9culos de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-centralidade-urbana-revela-que-biodiversidade-e-clima-nao-podem-mais-ser-pensados-como-questoes-distantes-do-cotidiano\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA centralidade urbana revela que biodiversidade e clima n\u00e3o podem mais ser pensados como quest\u00f5es distantes do cotidiano.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todas as informa\u00e7\u00f5es acima s\u00e3o corretas. Entretanto, o afastamento do espa\u00e7o urbano como central nas quest\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e perda da biodiversidade surge, em nossa avalia\u00e7\u00e3o, como uma limita\u00e7\u00e3o, qui\u00e7\u00e1 um equ\u00edvoco com graves consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Perceber que as cidades n\u00e3o est\u00e3o conectadas com o desmatamento e a extens\u00e3o da fronteira rural improdutiva no Brasil assenta-se no pensamento de que os vetores de produ\u00e7\u00e3o utilizam pessoas que est\u00e3o no ambiente rural para assim implementar seus atos predat\u00f3rios. Contudo, mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, assim como 87% da popula\u00e7\u00e3o brasileira como um todo, vive em cidades. Se alternativas de trabalho e renda, assim como uma rede social que condicione o suporte e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias a pr\u00e1ticas de efetivo manejo sustent\u00e1vel, podem e devem cumprir um papel fundamental para que a\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia dos indiv\u00edduos com a natureza n\u00e3o sejam somente calcadas em fiscaliza\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o. Convivemos no Brasil por per\u00edodos de efetiva fiscaliza\u00e7\u00e3o, campanhas e engajamento do Estado contra as a\u00e7\u00f5es mais respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es brasileiras,<sup>[2]<\/sup> aquelas que colocam o pa\u00eds entre os maiores emissores globais de gases de efeito estufa. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-cidades-brasileiras-ja-sentem-o-impacto-das-mudancas-climaticasfoto-rafa-neddermeyer-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8965\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-300x157.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-1024x537.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-768x403.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-1536x805.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-800x419.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1-1160x608.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura1.jpg 1625w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Cidades brasileiras j\u00e1 sentem o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<br \/>\n<\/strong>(Foto: Rafa Neddermeyer\/Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De igual forma, passamos por per\u00edodos nos quais governos estaduais e federais foram omissos e negligenciaram seu papel de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Quando essa posi\u00e7\u00e3o do Estado falha, ocorre um verdadeiro incentivo para a devasta\u00e7\u00e3o florestal. Esse movimento de estrangulamento espor\u00e1dico do Estado n\u00e3o garante a sustentabilidade de pol\u00edticas t\u00e3o vitais para a realidade da crise que vivemos. As pessoas tornam-se partes desses processos de explora\u00e7\u00e3o pelo simples fato de que n\u00e3o possuem alternativas consequentes de trabalho e renda. Considerando que essas pessoas, mesmo quando engajadas com a\u00e7\u00f5es em territ\u00f3rios florestais, vivem e possuem conex\u00e3o com cidades, as solu\u00e7\u00f5es devem aportar para melhora da condi\u00e7\u00e3o de vida dessas pessoas nas cidades.<\/p>\n<p>E, explorando mais o tema da mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, se o Brasil conseguir realmente abrandar as emiss\u00f5es por AFOLU, as categorias de emiss\u00f5es mais significativas (energia e res\u00edduos) est\u00e3o profundamente conectadas com as cidades e a maneira de gerir e planejar o espa\u00e7o urbano.<\/p>\n<p>A perda da biodiversidade em pa\u00edses como o Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 pesadamente conectada com o espa\u00e7o urbano. A concentra\u00e7\u00e3o populacional nos centros urbanos da costa brasileira ocasionou, ao longo dos quinhentos anos de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro, a devasta\u00e7\u00e3o do bioma da Mata Atl\u00e2ntica, com apenas 10% de sua cobertura original ainda sendo preservada ou recuperada.<sup>[3]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-crises-e-seu-futuro-urbano\"><strong>As crises e seu futuro urbano<\/strong><\/h4>\n<p>Se os temas conectados com a mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e a perda da biodiversidade n\u00e3o fossem suficientes para alocar as cidades como parte da solu\u00e7\u00e3o para os motivos das crises as quais a humanidade est\u00e1 enfrentando, os extremos que a humanidade j\u00e1 est\u00e1 vivendo apontam que cidades possuem um dever de estarem no centro dos processos de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Se falarmos sobre as expectativas que cientistas do IPCC possu\u00edam quando da Rio 92 e seus anos iniciais de implementa\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos pensar que estar\u00edamos enfrentando uma grande agenda internacional de mitiga\u00e7\u00e3o \u00e0s causas de um \u201caquecimento global\u201d que tentar\u00edamos evitar. Esse futuro n\u00e3o teria suas mudan\u00e7as em nossas vidas antes de meados do s\u00e9culo, e nosso trabalho, como civiliza\u00e7\u00e3o, seria impedir seus efeitos mais nefastos. Com esse fracasso j\u00e1 devemos saber conviver, pois os efeitos que n\u00e3o dever\u00edamos ver em nosso tempo de vida j\u00e1 acometem o planeta inteiro.<sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>Modifica\u00e7\u00e3o do regime de chuvas, com estiagens mais longas e chuvas mais intensas; constitui\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos em locais que nunca os haviam registrado; zoonoses at\u00edpicas, devidas \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o h\u00eddrico, das temperaturas e da perda da biodiversidade; ilhas, zonas e ondas de calor&#8230; A lista de riscos clim\u00e1ticos \u00e9 extensa e provida de tons apocal\u00edpticos.<sup>[5]\u00a0<\/sup>(<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-politicas-publicas-ainda-sao-falhas-em-proteger-o-meio-ambiente-e-garantir-cidades-saudaveis-e-resilientes-frente-as-mudancas-climaticasfoto-rede-nossa-sao-paulo-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-8966\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-300x157.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-1024x536.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-768x402.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-1536x803.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-800x418.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2-1160x607.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/CC-3E25-opinia\u0303o-Cidades-e-Sustentabilidade-figura2.jpg 1625w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Pol\u00edticas p\u00fablicas ainda s\u00e3o falhas em proteger o meio ambiente e garantir cidades saud\u00e1veis e resilientes frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<br \/>\n<\/strong>(Foto: Rede Nossa S\u00e3o Paulo. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 esse ponto que refor\u00e7a cada vez mais o argumento da centralidade das cidades na pauta das crises globais: as pessoas sentem esses extremos onde elas vivem, e nosso mundo est\u00e1 cada vez mais urbano. Desde que o mundo passou a ter a maioria da sua popula\u00e7\u00e3o nas cidades, em 1998,<sup>[6]<\/sup> essa tend\u00eancia somente aumenta, com a taxa global sendo atualmente de 55%, com proje\u00e7\u00f5es de que a popula\u00e7\u00e3o urbana deve ser de aproximadamente 70% em 2050.<sup>[7]<\/sup><\/p>\n<p>Em pa\u00edses do Norte global, existe uma cada vez maior necessidade de adaptar as infraestruturas urbanas para fornecerem condi\u00e7\u00f5es mais adaptadas para os extremos que j\u00e1 acometem essas cidades. O ponto mais complexo em cidades do Sul global consiste em que essas j\u00e1 n\u00e3o possu\u00edam uma infraestrutura adequada e s\u00e3o pressionadas a se adaptarem com uma base mais fr\u00e1gil. Cria-se a necessidade de avan\u00e7ar r\u00e1pido e de maneira mais inovadora nesses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Provavelmente, ser\u00e3o as cidades um foco n\u00e3o somente relevante, como necess\u00e1rio nesse momento no qual nos encontramos na implementa\u00e7\u00e3o da agenda internacional das crises clim\u00e1tica e de perda da biodiversidade. Isso porque o sistema internacional com o qual temos convivido nos \u00faltimos 80 anos est\u00e1 em complexa instabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"governar-as-crises-ambientais-exige-transformar-cidades-em-espacos-de-inovacao-adaptacao-e-justica-socioambiental\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cGovernar as crises ambientais exige transformar cidades em espa\u00e7os de inova\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a socioambiental.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia, o massacre em Gaza, diversos conflitos em todo o mundo, todos demonstram uma eros\u00e3o da capacidade internacional de converter princ\u00edpios em a\u00e7\u00e3o. Soma-se a um espa\u00e7o econ\u00f4mico que ainda n\u00e3o se recuperou da pandemia da COVID-19 e a instabilidade que o maior garantidor da atual ordem internacional, os Estados Unidos, est\u00e1 agregando a esse sistema, podemos concluir que vivemos em um momento complexo para enfrentar a crise que estamos vivendo, e viveremos pelas pr\u00f3ximas v\u00e1rias d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Claramente, precisaremos usar o combate a essas crises, globais em efeitos e em escala de extens\u00e3o, para direcionar inst\u00e2ncias internacionais capazes de congregar esfor\u00e7os internacionais. Entretanto, ser\u00e1 fundamental ter em cidades um ponto mais seguro de implementa\u00e7\u00e3o continuada. Onde o pragmatismo dos atores que tratam com a vida do seu concidad\u00e3o de forma mais pr\u00f3xima pode auxiliar um sistema, necessariamente internacional em recursos e esfor\u00e7os, a entregar as a\u00e7\u00f5es que precisam ser realizadas nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-a-interacao-entre-cidades-e-clima-exige-acoes-de-adaptacao-e-mitigacao-para-reduzir-as-emissoes-de-gases-e-aumentar-a-resiliencia-urbana-foto-ibirapuera-arquivo\"><strong>Capa. A intera\u00e7\u00e3o entre cidades e clima exige a\u00e7\u00f5es de\u00a0adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o\u00a0para reduzir as emiss\u00f5es de gases e aumentar a resili\u00eancia urbana.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ibirapuera. Arquivo)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A relev\u00e2ncia do ambiente urbano no futuro da agenda clim\u00e1tica &nbsp; A&hellip;\n","protected":false},"author":310,"featured_media":8964,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8963"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/310"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8963"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9039,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8963\/revisions\/9039"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}