{"id":9150,"date":"2025-11-05T07:30:05","date_gmt":"2025-11-05T07:30:05","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9150"},"modified":"2025-11-03T14:34:14","modified_gmt":"2025-11-03T14:34:14","slug":"raizes-urbanas-hortas-como-laboratorios-vivos-de-ciencia-cidada-educacao-ambiental-e-justica-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9150","title":{"rendered":"Ra\u00edzes urbanas: hortas como laborat\u00f3rios vivos de ci\u00eancia cidad\u00e3, educa\u00e7\u00e3o ambiental e justi\u00e7a social"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"as-hortas-urbanas-florescem-como-espacos-de-producao-de-conhecimento-transformacao-coletiva-e-cidadania-ativa\"><span style=\"color: #808080;\">As hortas urbanas florescem como espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, transforma\u00e7\u00e3o coletiva e cidadania ativa.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas grandes cidades brasileiras, entre o concreto e a desigualdade, germina uma silenciosa revolu\u00e7\u00e3o verde. S\u00e3o iniciativas que, \u00e0 primeira vista, parecem simples: um canteiro ao lado da escola, um telhado cultivado, um quintal compartilhado. Mas esses espa\u00e7os est\u00e3o se tornando muito mais do que locais de plantio. S\u00e3o verdadeiros laborat\u00f3rios a c\u00e9u aberto, onde pr\u00e1ticas de agricultura urbana se entrela\u00e7am com ci\u00eancia cidad\u00e3, sustentabilidade, sa\u00fade p\u00fablica e educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>O movimento das hortas urbanas, impulsionado por comunidades, ONGs, universidades e pol\u00edticas p\u00fablicas, revela um fen\u00f4meno crescente: a transforma\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os ociosos em centros de saberes compartilhados e resist\u00eancia socioambiental.<\/p>\n<h3 id=\"\"><\/h3>\n<h4 id=\"o-caso-heliopolis-ciencia-com-raizes-no-territorio\"><strong>O caso Heli\u00f3polis: ci\u00eancia com ra\u00edzes no territ\u00f3rio<\/strong><\/h4>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, o projeto \u201cPromo\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, soberania e sustentabilidade alimentar em comunidades urbanas\u201d, realizado pelo <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.insper.edu.br\/content\/insper-portal\/pt\/pesquisa\/centro-de-estudos-das-cidades.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Estudos das Cidades \u2013 Laborat\u00f3rio Arq.Futuro do Insper<\/a><\/strong><\/span> em parceria com o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">WWF-Brasil<\/a><\/strong><\/span>, mostra como uma abordagem cient\u00edfica aliada ao envolvimento local pode gerar impacto profundo. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-projeto-promocao-de-seguranca-soberania-e-sustentabilidade-alimentar-em-comunidades-urbanas-realizado-pelo-centro-de-estudos-das-cidades-laboratorio-arq-futuro\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9151\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/horta1-300x222.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/horta1-300x222.png 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/horta1-16x12.png 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/horta1.png 734w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Projeto \u201cPromo\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, soberania e sustentabilidade alimentar em comunidades urbanas\u201d, realizado pelo Centro de Estudos das Cidades \u2013 Laborat\u00f3rio Arq.Futuro do Insper em parceria com o WWF-Brasil<br \/>\n<\/strong>(Foto: Samantha Orui\/ WWF Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de dados do <strong><a href=\"https:\/\/geosampa.prefeitura.sp.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Geosampa<\/span><\/a><\/strong>, literatura cient\u00edfica e escuta ativa das lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, nasceu a horta do CEI Margarida Maria Alves. O projeto foi al\u00e9m do plantio: envolveu engenheiros, nutricionistas, pedagogos e urbanistas, integrando conhecimentos acad\u00eamicos e saberes populares. As crian\u00e7as participaram de todo o ciclo \u2014 do cultivo \u00e0 compostagem \u2014 e com isso aprenderam n\u00e3o apenas sobre alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, mas tamb\u00e9m sobre ecologia, autonomia e pertencimento.<\/p>\n<p>Mais que uma horta, nasceu um ecossistema educativo e replic\u00e1vel. A experi\u00eancia se espalhou para outras escolas e fortaleceu v\u00ednculos com o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/prefeitura.sp.gov.br\/web\/saude\/w\/atencao_basica\/pavs\/17810\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa Ambientes Verdes e Saud\u00e1veis (Pavs)<\/a><\/strong><\/span>, mostrando o potencial de articula\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia cidad\u00e3 e pol\u00edticas p\u00fablicas. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-programa-ambientes-verdes-e-saudaveis-pavsfoto-spdm-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9153\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/hortas2-300x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/hortas2-300x260.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/hortas2-14x12.jpeg 14w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/hortas2.jpeg 750w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Programa Ambientes Verdes e Saud\u00e1veis (Pavs)<br \/>\n<\/strong>(Foto: SPDM. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"infancia-cidadania-e-o-direito-a-cidade\"><strong>Inf\u00e2ncia, cidadania e o direito \u00e0 cidade<\/strong><\/h4>\n<p>Em Recife, a disserta\u00e7\u00e3o da pesquisadora Ana Clara Lira do Nascimento (UFPE) refor\u00e7a outro ponto essencial: a horta como ferramenta de cidadania infantil. No <strong><a href=\"https:\/\/www.pequenosprofetas.com\/telhadoeco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Telhado Eco Produtivo<\/span><\/a><\/strong> da ONG Comunidade dos Pequenos Profetas, as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 plantam e colhem, mas desenvolvem senso cr\u00edtico, interagem com diferentes gera\u00e7\u00f5es e experimentam formas de participa\u00e7\u00e3o urbana que normalmente lhes s\u00e3o negadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"atraves-de-mutiroes-e-acoes-coletivas-participantes-de-hortas-comunitarias-desenvolvem-senso-de-solidariedade-ampliam-sua-potencia-de-agir-e-se-aproximam-de-formas-mais-direta\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAtrav\u00e9s de mutir\u00f5es e a\u00e7\u00f5es coletivas, participantes de hortas comunit\u00e1rias desenvolvem senso de solidariedade, ampliam sua &#8220;pot\u00eancia de agir&#8221; e se aproximam de formas mais diretas de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base em conceitos como \u201c<em>affordance<\/em>\u201d, experi\u00eancia e intergeracionalidade, o estudo mostra como hortas urbanas podem resgatar o direito das crian\u00e7as \u00e0 cidade \u2014 um direito frequentemente sufocado pela l\u00f3gica mercantil do urbanismo e pela escassez de \u00e1reas verdes em periferias urbanas.<\/p>\n<h3 id=\"-2\"><\/h3>\n<h4 id=\"ciencia-politica-e-ativismo-nas-hortas-comunitarias\"><strong>Ci\u00eancia, pol\u00edtica e ativismo nas hortas comunit\u00e1rias<\/strong><\/h4>\n<p>Mas o impacto das hortas urbanas n\u00e3o se restringe \u00e0s escolas ou \u00e0 inf\u00e2ncia. Um estudo da USP (publicado na <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/asoc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ambiente &amp; Sociedade<\/a><\/em><\/strong><\/span>) revela que essas iniciativas tamb\u00e9m funcionam como motores de engajamento pol\u00edtico. Atrav\u00e9s de mutir\u00f5es e a\u00e7\u00f5es coletivas, participantes de hortas comunit\u00e1rias desenvolvem senso de solidariedade, ampliam sua &#8220;pot\u00eancia de agir&#8221; e se aproximam de formas mais diretas de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Apesar de enfrentarem limita\u00e7\u00f5es \u2014 como a falta de reconhecimento institucional e apoio cont\u00ednuo \u2014 as hortas representam uma pedagogia do cotidiano que transforma tanto o espa\u00e7o quanto seus agentes.<\/p>\n<h3 id=\"-3\"><\/h3>\n<h4 id=\"politicas-publicas-e-novos-horizontes\"><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas e novos horizontes<\/strong><\/h4>\n<p>O reconhecimento da agricultura urbana como pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 recente, mas promissor. A cria\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2024\/lei\/l14935.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pol\u00edtica Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana<\/a><\/strong><\/span>, em 2024, representa um avan\u00e7o importante ao institucionalizar o apoio t\u00e9cnico e financeiro a iniciativas espalhadas por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-hortas-urbanas-sao-mais-do-que-solucoes-locais-para-problemas-estruturais-elas-sao-simbolos-vivos-de-resistencia-colaboracao-e-reinvencao-das-cidades\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs hortas urbanas s\u00e3o mais do que solu\u00e7\u00f5es locais para problemas estruturais. Elas s\u00e3o s\u00edmbolos vivos de resist\u00eancia, colabora\u00e7\u00e3o e reinven\u00e7\u00e3o das cidades.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o projeto da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fiocruz.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fiocruz<\/a><\/strong><\/span> em parceria com o MDA e a RUCA no Esp\u00edrito Santo, que fortalece hortas e quintais produtivos em territ\u00f3rios urbanos e periurbanos. Nessas experi\u00eancias, hortas se combinam com pr\u00e1ticas de sa\u00fade, cultura, educa\u00e7\u00e3o ambiental e at\u00e9 mesmo seguran\u00e7a alimentar, mostrando seu car\u00e1ter transversal e estrat\u00e9gico para um desenvolvimento mais justo.<\/p>\n<h3 id=\"-4\"><\/h3>\n<h4 id=\"o-futuro-cultivado-em-comunidade\"><strong>O futuro cultivado em comunidade<\/strong><\/h4>\n<p>As hortas urbanas s\u00e3o mais do que solu\u00e7\u00f5es locais para problemas estruturais. Elas s\u00e3o s\u00edmbolos vivos de resist\u00eancia, colabora\u00e7\u00e3o e reinven\u00e7\u00e3o das cidades. Ao unirem ci\u00eancia acad\u00eamica e ci\u00eancia cidad\u00e3, oferecem respostas concretas a desafios urgentes \u2014 como a inseguran\u00e7a alimentar, a crise clim\u00e1tica e a exclus\u00e3o urbana \u2014 e plantam, literalmente, as sementes de uma sociedade mais solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que antes era visto como hobby ou ativismo de nicho, agora se afirma como campo f\u00e9rtil para pol\u00edticas p\u00fablicas, pesquisas interdisciplinares e pr\u00e1ticas educativas transformadoras. Afinal, uma horta pode n\u00e3o salvar o mundo \u2014 mas pode mudar, profundamente, o mundo de quem planta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-hortas-urbanas-podem-resgatar-o-direito-a-cidade-frequentemente-sufocado-pela-logica-mercantil-do-urbanismo-e-pela-escassez-de-areas-verdes-em-periferias-urbanas-foto-asg-far-reproducao\"><strong>Capa. Hortas urbanas podem resgatar o direito \u00e0 cidade, frequentemente sufocado pela l\u00f3gica mercantil do urbanismo e pela escassez de \u00e1reas verdes em periferias urbanas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: ASG\/Far. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As hortas urbanas florescem como espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, transforma\u00e7\u00e3o coletiva&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9150"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9150"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9150\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9154,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9150\/revisions\/9154"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}