{"id":9178,"date":"2025-11-10T08:00:00","date_gmt":"2025-11-10T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9178"},"modified":"2025-11-25T10:59:44","modified_gmt":"2025-11-25T10:59:44","slug":"crise-climatica-e-cop30-ciencia-politica-e-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9178","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica e COP30: ci\u00eancia, pol\u00edtica e a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"com-a-conferencia-em-belem-o-brasil-entra-no-centro-do-debate-global-sobre-a-crise-climatica-um-momento-decisivo-para-unir-ciencia-politicas-publicas-e-transformacao-economica\"><span style=\"color: #808080;\">Com a confer\u00eancia em Bel\u00e9m, o Brasil entra no centro do debate global sobre a crise clim\u00e1tica \u2014 um momento decisivo para unir ci\u00eancia, pol\u00edticas p\u00fablicas e transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com a COP30, sendo realizada em novembro, em Bel\u00e9m, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas entraram com for\u00e7a na pauta da sociedade brasileira. Observamos uma mobiliza\u00e7\u00e3o importante em v\u00e1rios setores econ\u00f4micos e na sociedade em geral.<\/p>\n<p>Atualmente, o principal desafio enfrentado pela humanidade \u00e9, sem d\u00favida, o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. De acordo com o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, cinco dos dez maiores riscos para a economia global est\u00e3o associados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Ou seja, a urg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais um debate distante, mas um chamado direto \u00e0 a\u00e7\u00e3o em \u00e1reas estrat\u00e9gicas. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 chegou com toda a sua for\u00e7a, especialmente por meio do aumento da frequ\u00eancia e da intensidade dos eventos clim\u00e1ticos extremos. E os impactos econ\u00f4micos e sociais s\u00e3o significativos em muitas \u00e1reas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-urgencia-climatica-nao-e-mais-um-debate-distante-mas-um-chamado-direto-a-acao-em-areas-estrategicas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201c<em>A urg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais um debate distante, mas um chamado direto \u00e0 a\u00e7\u00e3o em \u00e1reas estrat\u00e9gicas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A COP-30 representa um momento crucial para o enfrentamento da crise clim\u00e1tica. Nesse contexto, a converg\u00eancia entre a ci\u00eancia clim\u00e1tica e as transforma\u00e7\u00f5es das sociedades e economias ganha destaque como eixo estrat\u00e9gico para avan\u00e7ar nas solu\u00e7\u00f5es de que o planeta urgentemente necessita. J\u00e1 aquecemos o planeta em 1,55 graus Celsius. O aumento da frequ\u00eancia e da intensidade dos eventos clim\u00e1ticos extremos pode ser facilmente observado em todo o planeta.<\/p>\n<p>O Brasil, com sua vasta biodiversidade e uma economia fortemente dependente do clima, tem vulnerabilidades importantes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Os impactos clim\u00e1ticos afetam intensamente a produtividade da agropecu\u00e1ria e a produ\u00e7\u00e3o de hidroeletricidade, aumentando o pre\u00e7o de alimentos e energia e penalizando especialmente a popula\u00e7\u00e3o mais pobre do pa\u00eds. A infraestrutura brasileira, incluindo sistemas de suporte \u00e0 sa\u00fade, cidades e transporte, \u00e9 bastante vulner\u00e1vel a eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-brasil-com-sua-vasta-biodiversidade-e-uma-economia-fortemente-dependente-do-clima-tem-vulnerabilidades-importantes-as-mudancas-climaticas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO Brasil, com sua vasta biodiversidade e uma economia fortemente dependente do clima, tem vulnerabilidades importantes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2024, as atividades econ\u00f4micas em nosso planeta foram respons\u00e1veis pela emiss\u00e3o de 57 bilh\u00f5es de toneladas de gases de efeito estufa (GEE<sub>e<\/sub>). Os dados s\u00e3o claros: mesmo com os 15 anos do Acordo de Paris e as 29 COPs realizadas at\u00e9 o momento, as emiss\u00f5es continuam aumentando significativamente a cada ano. Os principais gases de efeito estufa s\u00e3o o di\u00f3xido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o \u00f3xido nitroso (N2O). Al\u00e9m disso, h\u00e1 contribui\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas significativas do oz\u00f4nio (O3) e do material particulado na forma de aeross\u00f3is. Estes \u00faltimos s\u00e3o tamb\u00e9m poluentes atmosf\u00e9ricos que impactam a sa\u00fade de bilh\u00f5es de pessoas, e cuja redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es traz co-benef\u00edcios importantes na redu\u00e7\u00e3o da mortalidade pela redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n<p>Os dois maiores setores respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es de GEE s\u00e3o a extra\u00e7\u00e3o e o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural) e o desmatamento de florestas. Atualmente, cerca de 92% das emiss\u00f5es est\u00e3o associadas aos combust\u00edveis f\u00f3sseis e 8% ao desmatamento. Os setores econ\u00f4micos que se destacam s\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o de energia, o setor de transportes e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-inegavel-que-o-aquecimento-exacerbado-tera-efeitos-profundos-sobre-o-clima-o-meio-ambiente-as-economias-e-a-populacao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u00c9 ineg\u00e1vel que o aquecimento exacerbado ter\u00e1 efeitos profundos sobre o clima, o meio ambiente, as economias e a popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A temperatura m\u00e9dia do planeta j\u00e1 aumentou cerca de 1,55 \u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Em \u00e1reas continentais, o aumento m\u00e9dio da temperatura j\u00e1 alcan\u00e7ou cerca de 2,1 \u00b0C, com algumas regi\u00f5es brasileiras registrando um aumento de 2,4 \u00b0C, como o Vale do Rio S\u00e3o Francisco e a regi\u00e3o leste da Amaz\u00f4nia. Portanto, a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento m\u00e9dio global em 1,5 \u00b0C est\u00e1 certamente sob risco.<\/p>\n<p>E quanto aos cen\u00e1rios futuros? Com os compromissos atuais do Acordo de Paris, as simula\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do IPCC apontam para um aumento da temperatura m\u00e9dia do planeta em cerca de 2,8 \u00b0C em rela\u00e7\u00e3o aos valores pr\u00e9-industriais ao longo deste s\u00e9culo. No caso do Brasil, as temperaturas aumentar\u00e3o cerca de 4 \u00b0C. \u00c9 ineg\u00e1vel que o aquecimento exacerbado ter\u00e1 efeitos profundos sobre o clima, o meio ambiente, as economias e a popula\u00e7\u00e3o. A vida e as atividades econ\u00f4micas em cidades como Palmas, Cuiab\u00e1, Manaus, Teresina ou Bras\u00edlia, com temperaturas m\u00e9dias 4 graus mais altas, v\u00e3o ser muito dif\u00edceis. Em todo o planeta, o aumento das temperaturas est\u00e1 associado a uma maior frequ\u00eancia e intensidade de eventos clim\u00e1ticos extremos, como ondas de calor, secas duradouras, tempestades e inunda\u00e7\u00f5es. Esses eventos extremos se tornar\u00e3o 39 vezes mais frequentes e aumentar\u00e3o sua intensidade em um fator de 5. N\u00e3o resta d\u00favida de que tais cen\u00e1rios ter\u00e3o impactos significativos sobre a agricultura, a gera\u00e7\u00e3o de hidroeletricidade, a infraestrutura, a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es e a vida cotidiana no Brasil e em todo o planeta.<\/p>\n<p>A COP-30 tem uma miss\u00e3o nobre: contribuir para a humanidade enfrentar um dos principais desafios do nosso tempo: a mudan\u00e7a do clima e seus efeitos. Entre os muitos temas em pauta est\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o das florestas, das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as do clima, e o financiamento clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c9 importante salientar que, sem enfrentar a principal causa da crise clim\u00e1tica, que \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, qualquer avan\u00e7o nas demais \u00e1reas torna-se insuficiente. A chamada transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa busca descarbonizar a economia e promover o uso de fontes renov\u00e1veis de energia, como a solar, a e\u00f3lica e a hidrel\u00e9trica, de forma equilibrada, inclusiva, justa e sustent\u00e1vel. Certamente tamb\u00e9m precisamos zerar o desmatamento de florestas tropicais at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>A sobreviv\u00eancia da Amaz\u00f4nia \u2014 e de seus ecossistemas associados \u2014 depende diretamente da conten\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a do clima, o que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o comprometimento real com a descarboniza\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. \u00c9 urgente repensar o modelo de desenvolvimento da Amaz\u00f4nia, substituindo pr\u00e1ticas predat\u00f3rias por uma economia de base florestal, que valorize a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, gere renda local e beneficie as comunidades que vivem na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A COP-30 constitui uma oportunidade crucial para reorientar o curso da crise clim\u00e1tica, mediante a estrutura\u00e7\u00e3o de uma agenda de a\u00e7\u00e3o global de descarboniza\u00e7\u00e3o que abranja todos os setores das economias. A COP30 traz uma oportunidade \u00fanica para o Brasil liderar essa agenda, com a possibilidade de articular ci\u00eancia, pol\u00edtica e economia em prol de uma transforma\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. Esta transforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 condicionada a uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, fundamentada na gera\u00e7\u00e3o de energia de baixo carbono e na substitui\u00e7\u00e3o gradual, contudo urgente, dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. A elimina\u00e7\u00e3o progressiva do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 fundamental para garantir um futuro sustent\u00e1vel, com clima est\u00e1vel e condi\u00e7\u00f5es para o mundo atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), construindo uma sociedade mais justa e resiliente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O sucesso da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e resiliente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas depender\u00e1 da capacidade dos atores globais de superar discursos vazios e avan\u00e7ar em compromissos firmes, monitor\u00e1veis e baseados em coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e financeira internacional. Temos que fazer a COP30 ser realmente a COP da virada, da implementa\u00e7\u00e3o de medidas que levem o planeta \u00e0 sustentabilidade e \u00e0 maior resili\u00eancia. Ci\u00eancia \u00e9 crucial neste caminho. Que Bel\u00e9m seja n\u00e3o somente palco de negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, mas s\u00edmbolo de um novo come\u00e7o, em que ci\u00eancia, respeito \u00e0s sociedades tradicionais, coragem pol\u00edtica e a\u00e7\u00e3o coletiva se unam para construir um futuro poss\u00edvel para todas as formas de vida na Terra. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) tem um papel importante fomentando ci\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-a-cop-30-tem-a-missao-de-contribuir-para-que-a-humanidade-enfrente-um-dos-maiores-desafios-do-nosso-tempo-a-mudanca-do-clima-e-seus-efeitos-foto-agencia-para-reproducao\"><strong>Capa. A COP-30 tem a miss\u00e3o de contribuir para que a humanidade enfrente um dos maiores desafios do nosso tempo: a mudan\u00e7a do clima e seus efeitos.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ag\u00eancia Par\u00e1. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com a confer\u00eancia em Bel\u00e9m, o Brasil entra no centro do debate&hellip;\n","protected":false},"author":79,"featured_media":9179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52,21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9178"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9178"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9393,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9178\/revisions\/9393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}