{"id":9182,"date":"2025-11-10T08:00:10","date_gmt":"2025-11-10T08:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9182"},"modified":"2025-11-25T10:59:24","modified_gmt":"2025-11-25T10:59:24","slug":"amazonia-coracao-politico-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9182","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia, cora\u00e7\u00e3o pol\u00edtico do planeta"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"enquanto-a-cop-30-mobiliza-o-mundo-em-torno-da-amazonia-como-solucao-climatica-a-regiao-enfrenta-desafios-internos-urgentes-da-defesa-dos-povos-tradicionais-ao-combate-ao-crime-ambiental\"><span style=\"color: #808080;\">Enquanto a COP-30 mobiliza o mundo em torno da Amaz\u00f4nia como solu\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a regi\u00e3o enfrenta desafios internos urgentes \u2014 da defesa dos povos tradicionais ao combate ao crime ambiental.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A floresta amaz\u00f4nica e seus servi\u00e7os ambientais motivam, em larga medida, a realiza\u00e7\u00e3o da COP-30 em Bel\u00e9m do Par\u00e1. Em meio a debates intensos e \u00e1speros sobre o aquecimento global, o esgotamento de recursos naturais e o financiamento da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, h\u00e1 o interesse em garantir que o desmatamento na Amaz\u00f4nia cesse, que as \u00e1reas degradadas sejam recompostas, que o bioma siga capturando carbono da atmosfera e contribuindo para a regula\u00e7\u00e3o do clima no planeta, e que os \u201crios voadores\u201d continuem levando para o sul do continente a \u00e1gua necess\u00e1ria ao seu equil\u00edbrio h\u00eddrico. Chamemos a isso de <strong>agenda global para a Amaz\u00f4nia<\/strong> \u2014 inegavelmente desej\u00e1vel e poss\u00edvel. Mas viabiliz\u00e1-la requer, preliminarmente, solu\u00e7\u00f5es para uma <strong>agenda emergencial<\/strong>, possivelmente diferente e adicional \u00e0 que prevalecer\u00e1 nos debates e pactua\u00e7\u00f5es entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa agenda emergencial inclui a prote\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e das comunidades amaz\u00f4nicas tradicionais (quilombolas, ribeirinhos e extrativistas); a conten\u00e7\u00e3o da fronteira agr\u00edcola na regi\u00e3o (e da expans\u00e3o rodovi\u00e1ria por ela estimulada); o combate ao crime organizado \u2014 respons\u00e1vel pela minera\u00e7\u00e3o ilegal, tr\u00e1fico de drogas, explora\u00e7\u00e3o irregular de madeira e biopirataria \u2014; o enfrentamento consequente dos crimes e danos ambientais produzidos pela minera\u00e7\u00e3o e outros empreendimentos legalizados; a reavalia\u00e7\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o social, dos projetos energ\u00e9ticos baseados no represamento dos rios amaz\u00f4nicos; a solu\u00e7\u00e3o de conflitos fundi\u00e1rios desencadeados pela grilagem; e o fim das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e territoriais, entre muitos outros desafios. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-fronteira-agricola-avanca-sobre-a-floresta-levando-consigo-desmatamento-grilagem-e-conflitos-fundiarios-foto-dnit-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9184\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. A fronteira agr\u00edcola avan\u00e7a sobre a floresta, levando consigo desmatamento, grilagem e conflitos fundi\u00e1rios.<br \/>\n<\/strong>(Foto: DNIT. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os temas da agenda emergencial s\u00e3o numerosos e as realidades correspondentes, muito complexas. Mas renunciar ao esfor\u00e7o para equacion\u00e1-los resultar\u00e1 no fracasso antecipado de qualquer pretens\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da floresta e \u00e0 garantia de seus servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. E o tempo para agir \u00e9 cada vez mais curto. A estimativa de que, em duas d\u00e9cadas e meia, poderemos ter chegado ao <strong>ponto de n\u00e3o retorno<\/strong> para a floresta amaz\u00f4nica \u00e9 grave e, pior, talvez otimista, dada a velocidade das transforma\u00e7\u00f5es em curso. \u00c9 preciso ter em conta que o cen\u00e1rio hoje encontrado na Amaz\u00f4nia \u2014 de reiteradas viol\u00eancias, crimes e degrada\u00e7\u00e3o socioambiental \u2014 n\u00e3o se formou ao acaso: ele \u00e9 fruto da a\u00e7\u00e3o planejada de grupos econ\u00f4micos poderosos, que continuam atuando com desenvoltura na regi\u00e3o, inclusive estimulados pela presen\u00e7a limitada das institui\u00e7\u00f5es do Estado no extenso territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 elementos favor\u00e1veis \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de uma agenda alinhada com a expectativa de desenvolvimento sustent\u00e1vel, inclusivo e participativo na Amaz\u00f4nia, que concorrem com for\u00e7as que, at\u00e9 aqui, acumularam muito mais poder na regi\u00e3o. H\u00e1, atualmente, uma organiza\u00e7\u00e3o e uma atua\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7adas das comunidades tradicionais e de entes sociais comprometidos com a promo\u00e7\u00e3o de direitos e a conserva\u00e7\u00e3o do bioma \u2014 incluindo grupos que conhecem h\u00e1 s\u00e9culos a floresta e sabem como manej\u00e1-la sem compromet\u00ea-la. Tais coletivos podem compartilhar com os formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas informa\u00e7\u00f5es de enorme valor acerca dos potenciais impactos dos projetos pensados para o territ\u00f3rio amaz\u00f4nico. Esses sujeitos de direitos precisam ser ouvidos de forma efetivamente interessada e consequente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"sem-enfrentar-a-agenda-emergencial-a-amazonia-corre-o-risco-de-nao-existir-para-cumprir-a-agenda-global\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSem enfrentar a agenda emergencial, a Amaz\u00f4nia corre o risco de n\u00e3o existir para cumprir a agenda global.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1, na Amaz\u00f4nia, uma rede de universidades p\u00fablicas multicampi, com expressiva capilaridade e extraordin\u00e1ria capacidade de aliar a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento ao desenvolvimento de projetos em parceria com governos e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade. Muitas coopera\u00e7\u00f5es desse tipo j\u00e1 se encontram em andamento \u2014 no enfrentamento de quest\u00f5es sociais, ambientais, econ\u00f4micas, fundi\u00e1rias etc. \u2014 e h\u00e1 estrutura para muito mais. Essas universidades podem ser grandes plataformas para pol\u00edticas p\u00fablicas na regi\u00e3o. No interior dessas institui\u00e7\u00f5es encontram-se os respons\u00e1veis pela maior parte da ci\u00eancia produzida sobre a Amaz\u00f4nia no mundo. H\u00e1 pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios continentes pesquisando na regi\u00e3o, mas as universidades amaz\u00f4nicas lideram essa produ\u00e7\u00e3o, ao lado dos institutos de pesquisa tamb\u00e9m sediados na Amaz\u00f4nia. Os grupos de pesquisa amaz\u00f4nicos vivem o cotidiano das popula\u00e7\u00f5es locais e est\u00e3o aptos a entregar informa\u00e7\u00e3o qualificada sobre essa realidade. Tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por experi\u00eancias ricas de integra\u00e7\u00e3o do fazer cient\u00edfico com o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es para os problemas das comunidades, ao mesmo tempo em que contribuem para uma consci\u00eancia ambiental mais ampla.<\/p>\n<p>As alternativas econ\u00f4micas para os povos tradicionais passam principalmente pela <strong>bioeconomia<\/strong>, desde sempre presente na vida dessas comunidades (n\u00e3o se trata, portanto, de uma novidade). Arranjos produtivos locais podem ser fortalecidos de modo consistente com a perspectiva de conserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da floresta e das comunidades, integrando conhecimentos tradicionais com a pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica. Isso significa trabalhar com a l\u00f3gica da <strong>sociobioeconomia<\/strong>, evitando as press\u00f5es para transformar em commodities internacionais os produtos da sociobiodiversidade amaz\u00f4nica e em fornecedoras de mat\u00e9ria-prima para a grande ind\u00fastria as comunidades locais \u2014 transforma\u00e7\u00f5es que geram perda de biodiversidade e desorganiza\u00e7\u00e3o de sistemas de vida tradicionais. H\u00e1 muitas boas experi\u00eancias de est\u00edmulo \u00e0 sociobioeconomia em curso, que podem servir de refer\u00eancia para programas de maior alcance. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-os-saberes-ancestrais-dos-povos-amazonicos-mostram-que-e-possivel-viver-da-floresta-sem-destrui-la-foto-christian-braga-wwf-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9185\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-opinia\u0303o-Amazo\u0302nia-Corac\u0327a\u0303o-Poli\u0301tico-do-Planeta-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Os saberes ancestrais dos povos amaz\u00f4nicos mostram que \u00e9 poss\u00edvel viver da floresta sem destru\u00ed-la.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Christian Braga \/ WWF-Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre os povos tradicionais, \u00e9 preciso acrescentar que a sua perman\u00eancia nos territ\u00f3rios que ocupam h\u00e1 s\u00e9culos \u00e9 um requisito para a manuten\u00e7\u00e3o da floresta. Nas \u00e1reas da Amaz\u00f4nia onde foram alvo de deslocamentos compuls\u00f3rios, a floresta deu lugar a uma paisagem de desmatamento, pastagens, monoculturas e perda de biodiversidade. As atividades econ\u00f4micas que ocuparam esses espa\u00e7os \u2014 em geral ligadas direta ou indiretamente \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, ao agroneg\u00f3cio e ao com\u00e9rcio de madeira \u2014 n\u00e3o apenas devastaram territ\u00f3rios como tamb\u00e9m resultaram em riquezas apropriadas por poucos, ao custo do agravamento de problemas sociais e ambientais. Em alguns casos, como o abastecimento energ\u00e9tico de outras regi\u00f5es com as barragens nos rios amaz\u00f4nicos e a gera\u00e7\u00e3o de divisas internacionais com a exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e gr\u00e3os, esses ganhos s\u00e3o tratados como de interesse para o Estado brasileiro. Trata-se, no entanto, de resultados incomparavelmente menos importantes do que a conserva\u00e7\u00e3o da floresta \u2014 incompat\u00edveis com os processos fr\u00e1geis e complexos dos ecossistemas amaz\u00f4nicos, sem os quais ter\u00e3o vida curta.<\/p>\n<p>Encontram-se, na estrutura do Estado brasileiro, institui\u00e7\u00f5es cujo corpo t\u00e9cnico inclui profissionais familiarizados com a realidade amaz\u00f4nica, com capacidade de reconhecer a intelig\u00eancia instalada na regi\u00e3o e com valiosa capacidade de di\u00e1logo com atores regionais. Esses recursos humanos s\u00e3o respons\u00e1veis por a\u00e7\u00f5es importantes \u2014 ainda que insuficientes \u2014 do Estado brasileiro voltadas \u00e0 agenda emergencial amaz\u00f4nica. Integrar essas a\u00e7\u00f5es e associ\u00e1-las ao trabalho dos atores regionais pode resultar em um salto de qualidade no esfor\u00e7o nacional para vencer o desafio amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-sociobioeconomia-tradicional-oferece-caminhos-sustentaveis-que-alguns-setores-dos-governos-e-da-sociedade-ainda-insistem-em-ignorar\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA sociobioeconomia\u00a0tradicional oferece caminhos sustent\u00e1veis que alguns setores dos governos e da sociedade ainda insistem em ignorar.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como cora\u00e7\u00e3o pol\u00edtico do planeta na temporada da COP-30, a Amaz\u00f4nia necessita \u2014 e merece \u2014 ser ouvida na complexidade de seus desafios, n\u00e3o apenas no valor de suas potenciais contribui\u00e7\u00f5es para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico. Inclusive porque tais contribui\u00e7\u00f5es inexistir\u00e3o em um futuro muito pr\u00f3ximo, caso sua agenda emergencial permane\u00e7a sem a aten\u00e7\u00e3o devida. As solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias s\u00e3o t\u00e3o desafiadoras quanto o est\u00e1gio de esfarelamento do territ\u00f3rio e do tecido social nas comunidades amaz\u00f4nicas. O contraste entre as exuber\u00e2ncias naturais e os desastres socioambientais produzidos por interven\u00e7\u00f5es que alteram a paisagem, a biodiversidade e os sistemas culturais tradicionais tende a desaparecer por esgotamento dos primeiros, se continuarem tolerados \u2014 quando n\u00e3o estimulados \u2014 os processos de transforma\u00e7\u00e3o em curso.<\/p>\n<p>At\u00e9 certo ponto, os problemas da agenda amaz\u00f4nica emergencial s\u00e3o produto da convers\u00e3o da Amaz\u00f4nia em nova fronteira do capitalismo nacional e internacional. Da\u00ed as press\u00f5es para instituir novas ocupa\u00e7\u00f5es do solo, substituir a tradicional sociobioeconomia por uma bioeconomia de commodities e utilizar o potencial h\u00eddrico como fonte de energia para polos industriais de outras regi\u00f5es. H\u00e1, adicionalmente, condi\u00e7\u00f5es que se originaram de uma vis\u00e3o fragmentada de uma realidade que \u00e9 muito complexa \u2014 como nas pol\u00edticas que estimularam a migra\u00e7\u00e3o para o territ\u00f3rio amaz\u00f4nico em d\u00e9cadas passadas. A Amaz\u00f4nia, no entanto, oferece ao mundo li\u00e7\u00f5es muito concretas acerca da ilus\u00e3o que representa a aspira\u00e7\u00e3o de salvar o planeta ignorando as circunst\u00e2ncias em que interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos de poucos operam para suprimir as condi\u00e7\u00f5es de vida de muitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ouvir-a-amazonia-e-ouvir-os-povos-que-nela-vivem-e-deles-depende-o-futuro-da-floresta-e-do-planeta\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOuvir a Amaz\u00f4nia \u00e9 ouvir os povos que nela vivem \u2014 e deles depende o futuro da floresta e do planeta.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a agenda global para a Amaz\u00f4nia n\u00e3o d\u00e1 conta de todos os complexos problemas da agenda emergencial, ela, no entanto, institui uma oportunidade \u00fanica para que se inaugure um olhar mais atento \u00e0 regi\u00e3o. O que move a agenda global \u00e9 uma in\u00e9dita e importante consci\u00eancia ecol\u00f3gica e clim\u00e1tica, que coloca a Amaz\u00f4nia em primeiro plano nos debates sobre o futuro do planeta \u2014 ainda que com uma vis\u00e3o parcial da realidade deste territ\u00f3rio. Expandir essa vis\u00e3o, compreendendo a interconex\u00e3o das duas agendas, ser\u00e1 positivo para todas as pessoas efetivamente interessadas em construir um novo horizonte de vida sustent\u00e1vel, com inclus\u00e3o e justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Agradecimentos<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>A prepara\u00e7\u00e3o deste artigo foi apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico, CNPq.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-amazonia-em-duas-agendas-entre-o-futuro-do-planeta-e-a-urgencia-do-presentefoto-wwf-brasil-adriano-gambarini-reproducao\"><strong>Capa. Amaz\u00f4nia em duas agendas: entre o futuro do planeta e a urg\u00eancia do presente<br \/>\n<\/strong>(Foto: <em>WWF-Brasil \/ Adriano Gambarini<\/em>. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Enquanto a COP-30 mobiliza o mundo em torno da Amaz\u00f4nia como solu\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":316,"featured_media":9183,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9182"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/316"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9182"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9392,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9182\/revisions\/9392"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}