{"id":9189,"date":"2025-11-10T08:00:49","date_gmt":"2025-11-10T08:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9189"},"modified":"2025-11-25T10:58:36","modified_gmt":"2025-11-25T10:58:36","slug":"a-riqueza-das-florestas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9189","title":{"rendered":"A riqueza das florestas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"na-cop30-a-amazonia-ganha-o-centro-do-debate-global-sobre-o-clima-e-os-saberes-tradicionais-mostram-que-preservar-tambem-e-uma-forma-de-prosperar\"><span style=\"color: #808080;\">Na COP30, a Amaz\u00f4nia ganha o centro do debate global sobre o clima \u2014 e os saberes tradicionais mostram que preservar tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de prosperar.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falar da riqueza da floresta \u00e9 falar de m\u00faltiplas dimens\u00f5es: biol\u00f3gica, cultural e econ\u00f4mica. A Amaz\u00f4nia, maior floresta tropical do planeta, abriga cerca de 10% de todas as esp\u00e9cies conhecidas e concentra uma das maiores reservas de \u00e1gua doce do mundo. Estima-se que suas \u00e1rvores armazenem mais de 70 bilh\u00f5es de toneladas de carbono, desempenhando um papel vital na regula\u00e7\u00e3o do clima global. Com mais de 4 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados s\u00f3 no territ\u00f3rio brasileiro, o bioma \u00e9 tamb\u00e9m lar de cerca de 22 milh\u00f5es de pessoas \u2014 entre popula\u00e7\u00f5es urbanas, ribeirinhas, quilombolas e mais de 180 povos ind\u00edgenas que h\u00e1 mil\u00eanios coexistem com a floresta, cuidando de seus ciclos e aprendendo com sua l\u00f3gica de equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Mas a riqueza amaz\u00f4nica n\u00e3o se resume \u00e0 biodiversidade: ela \u00e9 tamb\u00e9m cultural e simb\u00f3lica. Os povos da floresta desenvolveram saberes sofisticados sobre manejo sustent\u00e1vel, plantas medicinais, agricultura de baixo impacto e aproveitamento de recursos sem esgotar a natureza. Essas pr\u00e1ticas, baseadas em reciprocidade e respeito ao territ\u00f3rio, oferecem alternativas concretas a um modelo econ\u00f4mico ainda centrado na extra\u00e7\u00e3o intensiva de madeira, min\u00e9rios e commodities agr\u00edcolas. Em vez de destruir para gerar lucro r\u00e1pido, esses modos de vida ensinam que \u00e9 poss\u00edvel gerar renda, ci\u00eancia e tecnologia com base na conserva\u00e7\u00e3o e na regenera\u00e7\u00e3o. \u201cO grande perigo atualmente, com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o crescimento populacional e o uso desenfreado de recursos \u00e9 que haja um colapso da capacidade de suporte do planeta, ent\u00e3o o planeta vai chegar num limite que n\u00e3o consegue mais sustentar as popula\u00e7\u00f5es que aqui vivem\u201d, alerta Luiz Arag\u00e3o<em>, <\/em>Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Coordenador do Programa Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais da FAPESP.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios recentes refor\u00e7am esse ponto. Segundo o Banco Mundial (2023), preservar a Amaz\u00f4nia vale, pelo menos, US$ 317 bilh\u00f5es por ano \u2014 uma estimativa que considera o valor dos servi\u00e7os ambientais, da biodiversidade e da regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Em outras palavras, desmatar n\u00e3o \u00e9 apenas ambientalmente desastroso: \u00e9 economicamente ineficiente. \u201cN\u00e3o existe economia se n\u00e3o tivermos um meio ambiente equilibrado, um clima equilibrado\u201d, explica Luiz Arag\u00e3o. O Brasil tem investido em programas de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, consolida\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, pagamento por servi\u00e7os ambientais e fortalecimento de cadeias produtivas sustent\u00e1veis, como o a\u00e7a\u00ed, a castanha e o cacau nativo. S\u00e3o caminhos para transformar o potencial amaz\u00f4nico em desenvolvimento justo, inclusivo e duradouro.<\/p>\n<p>A COP30, que ser\u00e1 realizada em Bel\u00e9m, coloca a floresta e seus povos no cora\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Pela primeira vez, a Amaz\u00f4nia ser\u00e1 palco e protagonista de uma confer\u00eancia global da ONU sobre o clima. Espera-se que o encontro reconhe\u00e7a os saberes tradicionais como parte essencial da solu\u00e7\u00e3o e que o Brasil apresente pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que unam conserva\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e justi\u00e7a social. \u201cN\u00f3s temos diversas a\u00e7\u00f5es que foram propostas e acordadas dentro desses documentos. O que \u00e9 necess\u00e1rio agora \u00e9 realmente os pa\u00edses realizarem essas a\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 essencial para que o mundo consiga reverter essa crise clim\u00e1tica\u201d, enfatiza Luiz Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a ao epis\u00f3dio completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: A Riqueza das florestas\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5xJGIkTEp3w6SpFdSt7x1U?si=013414bd46a74b65&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na COP30, a Amaz\u00f4nia ganha o centro do debate global sobre o&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9190,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9189"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9189"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9390,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9189\/revisions\/9390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}