{"id":9198,"date":"2025-11-10T08:00:58","date_gmt":"2025-11-10T08:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9198"},"modified":"2025-11-25T10:58:13","modified_gmt":"2025-11-25T10:58:13","slug":"cop-30-e-o-real-protagonismo-das-liderancas-femininas-na-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9198","title":{"rendered":"COP 30 e o real protagonismo das lideran\u00e7as femininas na floresta"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"mulheres-da-amazonia-lideram-a-resistencia-contra-a-crise-climatica-e-a-exploracao-unindo-a-defesa-da-floresta-a-luta-por-direitos-e-visibilidade\"><span style=\"color: #808080;\">Mulheres da Amaz\u00f4nia lideram a resist\u00eancia contra a crise clim\u00e1tica e a explora\u00e7\u00e3o, unindo a defesa da floresta \u00e0 luta por direitos e visibilidade<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A COP 30, marcada para novembro de 2025 em Bel\u00e9m (PA), ser\u00e1 a primeira Confer\u00eancia do Clima sediada na Amaz\u00f4nia e simboliza a centralidade dos ecossistemas tropicais na agenda clim\u00e1tica. Como uma confer\u00eancia de povos e cidades, ela representa uma oportunidade para o Brasil mostrar lideran\u00e7a ambiental e propor pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, trazendo \u00e0 tona as vozes de quem a habita e protege a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Debates sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica, conserva\u00e7\u00e3o das florestas, direitos dos povos ind\u00edgenas e desenvolvimento sustent\u00e1vel nunca foram t\u00e3o urgentes. \u201cAo abordar a crise ecol\u00f3gica planet\u00e1ria, a perspectiva hist\u00f3rica possibilita destacar que um dos problemas fundamentais consiste no questionamento das formas jur\u00eddicas, pol\u00edticas, socioecon\u00f4micas e culturais de apropria\u00e7\u00e3o e uso de seus componentes ao longo da hist\u00f3ria, refletida em a\u00e7\u00f5es naturais e humanas. Nesse sentido, os povos tradicionais continuaram a ser interpretados e tratados como \u2018exce\u00e7\u00f5es\u2019 e em processo de extin\u00e7\u00e3o\u201d, explica Leila Mour\u00e3o Miranda, professora do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufpa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>\u00c2ngela Amanakwa Kaxuyana, lideran\u00e7a ind\u00edgena do povo Kaxuyana, residente na Terra Ind\u00edgena Kaxuyana-Tunayana, pontua: \u201cPara as mulheres ind\u00edgenas, a luta \u00e9 moldada pela necessidade de resist\u00eancia como povos ind\u00edgenas, enfrentando exclus\u00e3o, preconceito e racismo. O fato de nascerem como povos ind\u00edgenas j\u00e1 \u00e9 um processo que molda a luta. Al\u00e9m disso, a luta pelo territ\u00f3rio \u00e9 fundamental, pois est\u00e1 interligada \u00e0 necessidade de reafirmar o direito territorial e o reconhecimento do estado para acessar direitos b\u00e1sicos\u201d. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-angela-amanakwa-kaxuyana-lideranca-indigena-do-povo-kaxuyanafoto-gfbv-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9200\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-800x532.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1-1160x772.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/strong><strong>Figura 1. <\/strong><strong>\u00c2ngela Amanakwa Kaxuyana, lideran\u00e7a ind\u00edgena do povo Kaxuyana<br \/>\n<\/strong>(Foto: GFBV. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"violencia-e-vulnerabilidade\"><strong>Viol\u00eancia e vulnerabilidade<\/strong><\/h4>\n<p>Esse contexto torna a Amaz\u00f4nia um espa\u00e7o estrat\u00e9gico para alertar sobre os m\u00faltiplos riscos (f\u00edsicos e institucionais) enfrentados por lideran\u00e7as femininas que vivem e protegem a floresta, principalmente os decorrentes de viol\u00eancias de g\u00eanero e dos conflitos socioambientais ligados \u00e0 defesa territorial. Segundo o<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/igarape.org.br\/en\/research-reveals-the-violent-daily-life-that-has-already-victimized-765-defenders-of-the-brazilian-amazon-in-the-last-10-years\/?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <strong>Instituto Igarap\u00e9<\/strong><\/a><\/span>, entre 2012 e 2022, foram registrados 765 ataques contra mulheres defensoras da Amaz\u00f4nia no Brasil \u2014 incluindo amea\u00e7as, pris\u00e3o e tentativas de assassinato \u2014 dos quais 36 casos resultaram em morte.<\/p>\n<p>Esses riscos s\u00e3o especialmente elevados na Amaz\u00f4nia: somente em 2022, foram 12.211 casos de viol\u00eancia f\u00edsica contra mulheres, o equivalente a 33 por dia, segundo dados da Amaz\u00f4nia Legal. As taxas de viol\u00eancia sexual cresceram 34% em cinco anos, e o feminic\u00eddio na regi\u00e3o \u00e9 30% superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/igarape.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/SC_PT_Violencia-Contra-Mulheres-na-Amazonia-5anos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>segundo o Instituto Igarap\u00e9 e a Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (REPAM)<\/strong><\/a><\/span><strong>.<\/strong> \u201cA experi\u00eancia de ser mulher nesse territ\u00f3rio me atravessa m\u00faltiplas quest\u00f5es\u201d, diz Jacqueline Gir\u00e3o, pesquisadora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/strong><\/a><\/span> e ativista. \u201cVivemos a vulnerabilidade diante da presen\u00e7a da minera\u00e7\u00e3o, que avan\u00e7a sobre os rios e os corpos das mulheres. S\u00e3o incont\u00e1veis os casos de estupro e de prostitui\u00e7\u00e3o de jovens, muitas menores de idade. Al\u00e9m disso, o garimpo coopta seus filhos e companheiros, envenena os rios e destr\u00f3i suas ro\u00e7as, al\u00e9m das secas, doen\u00e7as, a fome e a aus\u00eancia do Estado. Nesse cen\u00e1rio, as principais lideran\u00e7as s\u00e3o mulheres, j\u00e1 que a luta pela floresta \u00e9, sobretudo, uma luta contra o patriarcado capitalista\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-as-mulheres-indigenas-a-luta-e-moldada-pela-necessidade-de-resistencia-como-povos-indigenas-enfrentando-exclusao-preconceito-e-racismo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara as mulheres ind\u00edgenas, a luta \u00e9 moldada pela necessidade de resist\u00eancia como povos ind\u00edgenas, enfrentando exclus\u00e3o, preconceito e racismo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fatores estruturais como isolamento geogr\u00e1fico (comunidades distantes com pouco acesso a delegacias e redes de apoio) e a falta de infraestrutura estatal dificultam a prote\u00e7\u00e3o ou o acompanhamento dos casos e ampliam a vulnerabilidade das mulheres defensoras da floresta. Ao denunciar danos ambientais ou invas\u00f5es, as mulheres se tornam alvos vis\u00edveis de grupos que dependem do avan\u00e7o ilegal. Somados ao patriarcado e discrimina\u00e7\u00e3o, o fato de serem mulheres j\u00e1 as posiciona em desvantagem frente \u00e0s estruturas locais de poder, somados \u00e0 impunidade hist\u00f3rica, em que poucos casos s\u00e3o investigados ou punidos. \u201cPara uma mulher ind\u00edgena da Amaz\u00f4nia, do Par\u00e1, que tem um hist\u00f3rico de nega\u00e7\u00e3o de direitos e onde o estado mais contesta territ\u00f3rios ind\u00edgenas, a luta \u00e9 ainda mais intensa, vindo de um processo de retomada de territ\u00f3rio origin\u00e1rio ap\u00f3s viol\u00eancia\u201d, enfatiza \u00c2ngela Amanakwa Kaxuyana. \u201cA necessidade de lutar pela demarca\u00e7\u00e3o e reafirmar a exist\u00eancia a partir do reconhecimento territorial \u00e9 o principal motivador para estar \u00e0 frente das organiza\u00e7\u00f5es e furar as bolhas colonialistas que as submetem. Nos territ\u00f3rios e aldeias, as mulheres s\u00e3o quem decidem, mandam e lideram, segurando toda a parte de resist\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"resistencia-que-vem-das-margens\"><strong>Resist\u00eancia que vem das margens<\/strong><\/h4>\n<p>A luta das mulheres ind\u00edgenas, ribeirinhas e quilombolas da Amaz\u00f4nia \u00e9, antes de tudo, uma luta pela vida \u2014 a delas, de seus povos e da floresta. Durante as d\u00e9cadas de 1980 e 1990 e como coordenadora do Projeto e Programa de Interioriza\u00e7\u00e3o do Ensino Superior da Universidade Federal do Par\u00e1, Leila Mour\u00e3o Miranda acompanhou a expans\u00e3o de grupos femininos reivindicat\u00f3rios de diferentes segmentos sociais. \u201cEm Serra Pelada, por exemplo, havia uma proibi\u00e7\u00e3o de entrada de mulheres imposta pelo famigerado \u2018major Curi\u00f3\u2019. A mobiliza\u00e7\u00e3o e a divulga\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia repercutiram nacionalmente e elas obtiveram direitos para entrar e trabalhar naquela e em outras minera\u00e7\u00f5es. Em todo interior da Amaz\u00f4nia, conheci e vivenciei m\u00faltiplas realidades urbanas, rurais e florestais, onde as mulheres atuavam em diversas frentes, consolidando experi\u00eancias, sugerindo mudan\u00e7as, adequando-se aos ambientes e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es sazonais, incorporando ideias e comportamentos relacionados ao processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o vivido no pa\u00eds\u201d, relata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-necessidade-de-lutar-pela-demarcacao-e-reafirmar-a-existencia-a-partir-do-reconhecimento-territorial-e-o-principal-motivador-para-estar-a-frente-das-organizacoes-e-furar-as-bolhas-coloniali\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA necessidade de lutar pela demarca\u00e7\u00e3o e reafirmar a exist\u00eancia a partir do reconhecimento territorial \u00e9 o principal motivador para estar \u00e0 frente das organiza\u00e7\u00f5es e furar as bolhas colonialistas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A resist\u00eancia continua. Exemplos como o de Patricia Gualinga, lideran\u00e7a Kichwa de Sarayaku, no Equador, tornaram-se s\u00edmbolo internacional ao expulsar uma petroleira do territ\u00f3rio de seu povo e \u00e9 uma das vozes origin\u00e1rias mais respeitadas no mundo. Juma Xipaia, cacica do povo Xipaya, no M\u00e9dio Xingu, sobreviveu a seis tentativas de assassinato e protagoniza o document\u00e1rio \u201cYanuni\u201d, produzido por Leonardo DiCaprio, sobre a urg\u00eancia clim\u00e1tica na Amaz\u00f4nia. \u201cTenho acompanhado de perto a luta de quilombolas e ribeirinhos da regi\u00e3o do baixo Tocantins (PA) contra a hidrovia Tocantins-Araguaia, que visa escoar min\u00e9rios e gr\u00e3os pelos portos do Par\u00e1 e, surpreendentemente, acaba de ser aprovada pelo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ibama.gov.br\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA)<\/strong><\/a>.<\/span> Essa hidrovia vai causar graves problemas ambientais e sociais: os ribeirinhos ficar\u00e3o sem seu meio de sobreviv\u00eancia (o rio) devido \u00e0 dinamita\u00e7\u00e3o do pedral do Louren\u00e7o \u2014 onde muitas esp\u00e9cies desovam \u2014 e as secas ser\u00e3o mais severas. \u00c0 frente dessa luta est\u00e3o mulheres do quilombo do Tamba\u00ed-A\u00e7u (Camet\u00e1, PA), dentre as quais se destaca a professora Ellen Miranda, minha amiga\u201d, declara Jacqueline Gir\u00e3o. \u201cImposs\u00edvel n\u00e3o mencionar, tamb\u00e9m, Alessandra Korap Munduruku, ativista ind\u00edgena e coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Pariri, que denunciou a precariedade das escolas destinadas aos povos tradicionais no Par\u00e1 e criticou as tentativas do governo estadual, por meio da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, de substituir professores por televisores na rede p\u00fablica de ensino. Sua defesa do territ\u00f3rio e do ambiente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 resist\u00eancia: \u00e9 uma forma de vida\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"ecofeminismo-o-corpo-e-o-territorio\"><strong>Ecofeminismo: o corpo e o territ\u00f3rio<\/strong><\/h4>\n<p>A luta ambiental das mulheres ind\u00edgenas, ribeirinhas e quilombolas da Amaz\u00f4nia \u00e9, ao mesmo tempo, uma luta feminista e anticolonial. Esse protagonismo expressa o que muitas chamam de ecofeminismo: um movimento social, pol\u00edtico e filos\u00f3fico cuja perspectiva une corpo e territ\u00f3rio, denunciando que a viol\u00eancia contra as mulheres e a natureza s\u00e3o duas faces do mesmo sistema de explora\u00e7\u00e3o patriarcal. \u201cO ecofeminismo parte da compreens\u00e3o de que, no capitalismo, g\u00eanero, ra\u00e7a, classe e ambiente s\u00e3o consequ\u00eancia dessa forma de pensar e organizar a sociedade que explora, expropria, oprime e reduz a natureza a lucros e mercadorias\u201d, explica Jacqueline Gir\u00e3o. \u201cSomos n\u00f3s, mulheres \u2014 sobretudo negras, ind\u00edgenas e perif\u00e9ricas \u2014 as mais atingidas pelas cat\u00e1strofes ambientais e clim\u00e1ticas, pois acumulamos jornadas duplas ou triplas e cuidados com crian\u00e7as, idosos, pessoas com defici\u00eancia, alimenta\u00e7\u00e3o e outras tarefas que o patriarcado naturalizou como nossas obriga\u00e7\u00f5es\u201d, refor\u00e7a.\u00a0 (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-marcha-das-mulheres-indigenas-luta-pela-demarcacao-de-terra-e-contra-a-violencia-de-genero-foto-antonio-cruz-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9201\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-COP-30-e-o-real-protagonismo-das-lideranc\u0327as-femininas-na-floresta-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas luta pela demarca\u00e7\u00e3o de terra e contra a viol\u00eancia de g\u00eanero.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Antonio Cruz\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este feminismo das florestas nasce do cotidiano da sobreviv\u00eancia: de quem cultiva, pesca, cuida da \u00e1gua e das sementes. Nesses contextos, as mulheres s\u00e3o guardi\u00e3s da biodiversidade e da mem\u00f3ria cultural, transformando pr\u00e1ticas ancestrais em resist\u00eancia pol\u00edtica. Elas compreendem que a destrui\u00e7\u00e3o da floresta \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da mesma l\u00f3gica patriarcal e capitalista que oprime seus corpos e comunidades. Assim, a defesa do territ\u00f3rio \u00e9 insepar\u00e1vel da defesa da vida, do cuidado, da autonomia e da dignidade feminina. \u201cA luta das mulheres, a luta feminina, sempre foi invisibilizada na perspectiva do colonialismo. Criou-se um cacicado exclusivamente masculino, pois os homens sempre foram suscet\u00edveis \u00e0 vulnerabilidade e procurados, o que acabou moldando e invisibilizando a participa\u00e7\u00e3o das mulheres. As mulheres sempre participaram e estiveram no processo de tomada de decis\u00e3o, mas essa participa\u00e7\u00e3o e empoderamento foram invisibilizados, e elas foram marginalizadas, colocadas na margem. Muitos espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o onde participavam as colocavam como secret\u00e1rias ou em segundo plano, nunca reconhecidas como espa\u00e7os de poder, decis\u00e3o, voz ativa e opini\u00e3o. Essa invisibilidade reflete na perman\u00eancia e exist\u00eancia dos territ\u00f3rios e na resist\u00eancia das mulheres\u201d, declara \u00c2ngela Amanakwa Kaxuyana.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"desafios-e-visibilidade-na-cop-30\"><strong>Desafios e visibilidade na COP 30<\/strong><\/h4>\n<p>Na prepara\u00e7\u00e3o para a COP 30, diversas iniciativas buscam traduzir o ecofeminismo em pol\u00edticas p\u00fablicas e pr\u00e1ticas concretas. O Minist\u00e9rio das Mulheres lan\u00e7ou recentemente (2025) <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/2025\/setembro\/ministerio-das-mulheres-lanca-plano-de-acoes-integradas-mulheres-e-clima-para-fortalecer-agenda-de-genero-na-cop30?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>o Plano de A\u00e7\u00f5es Integradas Mulheres e Clima<\/strong><\/a><\/span>, com dez medidas estrat\u00e9gicas para integrar g\u00eanero e justi\u00e7a clim\u00e1tica. Entre elas, est\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de um <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/2025\/agosto\/cop30-brasil-quer-integrar-genero-cuidado-e-clima-no-centro-da-acao-global-diz-marcia-lopes?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>protocolo de aten\u00e7\u00e3o a mulheres em emerg\u00eancias clim\u00e1ticas<\/strong><\/a><\/span>, a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero e apoio social e econ\u00f4mico durante desastres ambientais. O plano tamb\u00e9m prop\u00f5e indicadores globais de g\u00eanero e clima, incluindo ra\u00e7a, idade e defici\u00eancia, e a vincula\u00e7\u00e3o de financiamento clim\u00e1tico a metas de cuidado e equidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-luta-das-mulheres-a-luta-feminina-sempre-foi-invisibilizada-na-perspectiva-do-colonialismo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA luta das mulheres, a luta feminina, sempre foi invisibilizada na perspectiva do colonialismo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi criado o curso \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/agenciagov.ebc.com.br\/noticias\/202507\/formacao-inedita-em-genero-clima-e-territorios-prepara-liderancas-para-atuacao-estrategica-rumo-a-cop-30?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Diplomacia Popular: Emerg\u00eancia Clim\u00e1tica, Territ\u00f3rios e G\u00eanero<\/strong><\/a><\/span>\u201d, promovido pelos minist\u00e9rios das Mulheres e do Meio Ambiente, em parceria com a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unb.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/strong><\/a><\/span>. O objetivo \u00e9 fortalecer o protagonismo das mulheres e de povos e comunidades tradicionais nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, valorizando seus saberes locais, uma maneira de promover que mais mulheres amaz\u00f4nicas atuem como interlocutoras e negociadoras no espa\u00e7o clim\u00e1tico global.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-futuro-tem-raizes\"><strong>O futuro tem ra\u00edzes<\/strong><\/h4>\n<p>Equilibrar o peso da tradi\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria com as press\u00f5es contempor\u00e2neas da crise clim\u00e1tica e da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9, hoje, um dos principais desafios da Amaz\u00f4nia. As pr\u00e1ticas ancestrais das mulheres ind\u00edgenas, ribeirinhas e quilombolas n\u00e3o s\u00e3o vest\u00edgios de um passado imut\u00e1vel, mas tecnologias vivas de resist\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, essas comunidades vivem sob uma dupla press\u00e3o: de um lado, o colapso ambiental global, que altera os regimes de chuva, as secas e as colheitas; de outro, as for\u00e7as econ\u00f4micas que tentam transformar a floresta em mercadoria.<\/p>\n<p>Diante disso, o equil\u00edbrio poss\u00edvel n\u00e3o est\u00e1 em escolher entre tradi\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, mas em redefinir o pr\u00f3prio conceito de progresso: um progresso que respeite territ\u00f3rios, culturas e o direito de existir em harmonia com a natureza. \u201cA necessidade de equilibrar todo o sistema de conhecimento dos povos ind\u00edgenas com as novas tecnologias e informa\u00e7\u00f5es de luta \u00e9 um desafio. Nem sempre essa concilia\u00e7\u00e3o \u00e9 inclu\u00edda como parte fundamental do processo\u201d, refor\u00e7a \u00c2ngela Kaxuyana. Ao transformar o cuidado, o plantio e o conv\u00edvio em atos pol\u00edticos, elas provam que tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o podem caminhar juntas. A floresta, quando deixada nas m\u00e3os de quem a conhece, ensina que preservar \u00e9 tamb\u00e9m resistir, e resistir \u00e9 reinventar o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-mulheres-da-amazonia-lutam-pela-defesa-da-floretas-e-pelos-seus-proprios-direitosfoto-coiab-reproducao\"><strong>Capa: Mulheres da Amaz\u00f4nia lutam pela defesa da floretas &#8211; e pelos seus pr\u00f3prios direitos<br \/>\n<\/strong>(Foto: COIAB. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mulheres da Amaz\u00f4nia lideram a resist\u00eancia contra a crise clim\u00e1tica e a&hellip;\n","protected":false},"author":42,"featured_media":9199,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9198"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9198"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9389,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9198\/revisions\/9389"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}