{"id":9204,"date":"2025-11-10T07:55:21","date_gmt":"2025-11-10T07:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9204"},"modified":"2025-11-25T11:00:03","modified_gmt":"2025-11-25T11:00:03","slug":"entre-dados-e-afetos-o-papel-da-arte-na-era-das-emergencias-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9204","title":{"rendered":"Entre dados e afetos: o papel da arte na era das emerg\u00eancias clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"as-vesperas-da-cop30-artistas-cientistas-e-comunidades-amazonicas-constroem-novas-linguagens-para-pensar-a-crise-ambiental\"><span style=\"color: #808080;\">\u00c0s v\u00e9speras da COP30, artistas, cientistas e comunidades amaz\u00f4nicas constroem novas linguagens para pensar a crise ambiental.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio a negocia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e relat\u00f3rios extensos, express\u00f5es art\u00edsticas ganham protagonismo no caminho para a COP30, revelando dimens\u00f5es sens\u00edveis da crise clim\u00e1tica e abrindo novos espa\u00e7os de di\u00e1logo entre ci\u00eancia e arte. Em meio a negocia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, relat\u00f3rios extensos e gr\u00e1ficos projetados em tel\u00f5es, um outro tipo de discurso come\u00e7a a ocupar espa\u00e7o no caminho at\u00e9 a COP30, marcada para acontecer em Bel\u00e9m, a partir de 10 de novembro de 2025. S\u00e3o vozes que n\u00e3o ecoam nas plen\u00e1rias oficiais, mas em palcos improvisados, nas ruas, nas aldeias e nos centros culturais. Performances, instala\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es urbanas d\u00e3o corpo a emo\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es de mundo que dificilmente cabem em tabelas de emiss\u00f5es ou metas de descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA arte possui o poder de revelar o que a ci\u00eancia, por mais precisa que seja, n\u00e3o alcan\u00e7a: a dimens\u00e3o afetiva, simb\u00f3lica e \u00e9tica da crise clim\u00e1tica\u201d, afirma Suzete Venturelli, artista e professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Design da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.anhembi.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Universidade Anhembi Morumbi<\/strong><\/a><\/span>. Para ela, a arte \u00e9 uma pr\u00e1tica est\u00e9tica comprometida com a transforma\u00e7\u00e3o social e ambiental, capaz de propor novas formas de habitar o mundo e criar zonas de di\u00e1logo entre humanos e n\u00e3o humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-arte-possui-o-poder-de-revelar-o-que-a-ciencia-por-mais-precisa-que-seja-nao-alcanca-a-dimensao-afetiva-simbolica-e-etica-da-crise-climatica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA arte possui o poder de revelar o que a ci\u00eancia, por mais precisa que seja, n\u00e3o alcan\u00e7a: a dimens\u00e3o afetiva, simb\u00f3lica e \u00e9tica da crise clim\u00e1tica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto cientistas apresentam dados sobre o aumento da temperatura global ou a perda da biodiversidade amaz\u00f4nica, coletivos art\u00edsticos encenam a resist\u00eancia em performances que misturam rituais ind\u00edgenas, dan\u00e7a contempor\u00e2nea e sons da floresta. O gesto art\u00edstico transforma o dado cient\u00edfico em cor, som e movimento. \u201cNesse territ\u00f3rio da viv\u00eancia, as emo\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es se tornam linguagem. \u00c9 um ativismo sens\u00edvel, que convoca o p\u00fablico \u00e0 participa\u00e7\u00e3o\u201d, explica Suzete Venturelli. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-na-cop30-coletivos-artisticos-encenam-a-resistencia-em-performances-que-misturam-rituais-indigenas-danca-contemporanea-e-sons-da-floresta-enquanto-cientistas-debatem-mudancas-climaticas\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9208\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-225x300.jpg 225w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-800x1067.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1-1160x1546.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura1.jpg 1750w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Na COP30, coletivos art\u00edsticos encenam a resist\u00eancia em performances que misturam rituais ind\u00edgenas, dan\u00e7a contempor\u00e2nea e sons da floresta enquanto cientistas debatem mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/strong><br \/>\n(Foto: Suzete Venturelli. Reprodu\u00e7\u00e3o).<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o costumam aparecer nas atas oficiais, mas marcam profundamente quem as presencia. Se em confer\u00eancias anteriores as imagens ic\u00f4nicas foram as marchas de jovens com cartazes ou o discurso de Greta Thunberg, em Bel\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que a mem\u00f3ria mais duradoura venha das express\u00f5es amaz\u00f4nicas. \u201cAs manifesta\u00e7\u00f5es mais significativas da COP30 n\u00e3o constar\u00e3o nos relat\u00f3rios, mas nos encontros ef\u00eameros entre humanos e n\u00e3o humanos, \u00e0 beira dos rios, nas florestas e nas margens da cidade\u201d, diz a pesquisadora. Mesmo invis\u00edveis aos documentos, essas a\u00e7\u00f5es se tornam rituais de reconex\u00e3o, lembrando que o planeta tamb\u00e9m cria, responde e grita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"arte-floresta-povos-vida\"><strong>Arte, floresta, povos, vida<\/strong><\/h4>\n<p>A arte amaz\u00f4nica carrega uma for\u00e7a singular. Nascida de territ\u00f3rios onde vida, corpo, floresta e esp\u00edrito n\u00e3o se separam, ela resiste \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o em linguagens institucionais. \u201cH\u00e1 algo de intraduz\u00edvel nessa arte\u201d, afirma Suzete Venturelli. \u201cA arte dos povos origin\u00e1rios da Amaz\u00f4nia n\u00e3o fala sobre o mundo; fala com o mundo. Sua presen\u00e7a na COP30 pode lembrar-nos de que o verdadeiro di\u00e1logo clim\u00e1tico come\u00e7a quando aprendemos a ouvir as vozes da floresta.\u201d<\/p>\n<p>Nas ruas e aldeias, em rituais e grafites, pulsa uma intelig\u00eancia coletiva que desafia as fronteiras entre arte, ci\u00eancia e pol\u00edtica. \u201c\u00c9 nesses espa\u00e7os n\u00e3o oficiais que se tecem novas formas de imaginar o futuro \u2014 n\u00e3o como promessa tecnol\u00f3gica, mas como continuidade da vida em comum\u201d, observa. Citando Ailton Krenak, ela lembra que \u201cadiar o fim do mundo\u201d exige reencantar nossa rela\u00e7\u00e3o com a Terra e romper com a ideia de que o humano est\u00e1 separado do planeta. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-em-vias-publicas-e-comunidades-em-cerimonias-e-grafites-vibra-uma-inteligencia-coletiva-que-questiona-os-limites-entre-arte-ciencia-e-politica-foto-suzete-venturelli-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9209\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura2.jpg 1750w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Em vias p\u00fablicas e comunidades, em cerim\u00f4nias e grafites, vibra uma intelig\u00eancia coletiva que questiona os limites entre arte, ci\u00eancia e pol\u00edtica.<\/strong><br \/>\n(Foto: Suzete Venturelli. Reprodu\u00e7\u00e3o).<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, esse reencantamento vem ganhando for\u00e7a por meio de colabora\u00e7\u00f5es entre artistas e cientistas. Para o di\u00e1logo ser aut\u00eantico, no entanto, \u00e9 preciso que nenhuma linguagem se sobreponha \u00e0 outra. \u201cConcordo com Bruno Latour: a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 somente produ\u00e7\u00e3o de fatos, mas uma pr\u00e1tica que negocia mundos e atores, humanos e n\u00e3o humanos. O mesmo se aplica \u00e0 arte, que projeta mundos poss\u00edveis\u201d, explica. O desafio \u00e9 criar zonas de co-presen\u00e7a e co-experimento, onde arte e ci\u00eancia se cruzem como iguais, preservando suas complexidades.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-arte-como-tecnologia-do-afeto\"><strong>A arte como tecnologia do afeto<\/strong><\/h4>\n<p>A arte tem uma peculiaridade: promove uma sensibiliza\u00e7\u00e3o, uma conex\u00e3o. Ela \u00e9 uma tecnologia \u2014 uma tecnologia do afeto \u2014 que gera identifica\u00e7\u00e3o e convida \u00e0 empatia, \u00e9 o que defende Naomi Silman, integrante do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.lumeteatro.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LUME (N\u00facleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp)<\/strong><\/a><\/span>. \u201cA arte pode ser vista como uma forma de repensar as pr\u00f3prias atitudes. Em um mundo saturado de informa\u00e7\u00f5es, a arte se torna o espa\u00e7o onde processamos e ressignificamos tudo o que recebemos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para a artista, \u00e9 urgente criar mais espa\u00e7os de trocas entre diferentes \u00e1reas do conhecimento; e ir al\u00e9m: \u201c\u00e9 preciso que artistas n\u00e3o falem somente para artistas e que cientistas n\u00e3o conversem apenas entre si\u201d, defende Naomi Silman. A pesquisadora acredita que a arte deve ser reconhecida como necess\u00e1ria n\u00e3o apenas para informar, mas tamb\u00e9m para sensibilizar. \u201cEla\u00a0precisa estar nas escolas, nas universidades e nos espa\u00e7os p\u00fablicos \u2014 s\u00f3 assim a arte ganhar\u00e1 for\u00e7a e ser\u00e1 vista como um caminho poss\u00edvel de comunica\u00e7\u00e3o de um tema t\u00e3o enraizado na ci\u00eancia e na pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-arte-dos-povos-originarios-da-amazonia-nao-fala-sobre-o-mundo-ela-fala-com-o-mundo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA arte dos povos origin\u00e1rios da Amaz\u00f4nia n\u00e3o fala sobre o mundo; ela fala com o mundo\u201d.<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas perspectivas refor\u00e7am a ideia de que, diante da crise clim\u00e1tica, arte e ci\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o campos separados, mas linguagens complementares. \u201cLogo, ambas buscam compreender e transformar o mundo \u2014 uma pela raz\u00e3o e a outra pela sensibilidade e juntas, podem inspirar modos de exist\u00eancia mais \u00e9ticos, po\u00e9ticos e sustent\u00e1veis\u201d, conclui Naomi Silman.<\/p>\n<p>Um exemplo dessa converg\u00eancia \u00e9 a obra <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/nano.eba.ufrj.br\/cyber-marinum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>Cyber Marinum<\/em><\/strong><\/a><\/span>, instala\u00e7\u00e3o coletiva que integra arte generativa, ci\u00eancia e ativismo ambiental. Nela, um tanque de \u00e1gua com plantas aqu\u00e1ticas reais \u00e9 monitorado por sensores que captam dados ambientais, como varia\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s e velocidade dos ventos. Essas informa\u00e7\u00f5es controlam a ilumina\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o em tempo real, criando uma experi\u00eancia imersiva. \u201cAo observar as mudan\u00e7as visuais, o p\u00fablico se torna parte ativa do sistema, refletindo sobre seu papel na preserva\u00e7\u00e3o dos oceanos\u201d, comenta a professora Suzete Venturelli. A obra demonstra como tecnologias criativas podem sensibilizar o p\u00fablico e aproximar a ci\u00eancia da experi\u00eancia sens\u00edvel. (<strong>Figura 3<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-exposicao-decada-dos-oceanos-2023-2024-ccbbfoto-suzete-venturelli-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9210\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Entre-dados-e-afetos-figura3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Exposi\u00e7\u00e3o d\u00e9cada dos oceanos, 2023-2024, CCBB<\/strong><br \/>\n(Foto: Suzete Venturelli. Reprodu\u00e7\u00e3o).<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a professora, enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica tamb\u00e9m passa pela forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de artistas. Inspirada em Paulo Freire, ela defende uma pedagogia cr\u00edtica, dial\u00f3gica e situada. \u201cA forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica deve ir al\u00e9m do dom\u00ednio t\u00e9cnico. \u00c9 preciso cultivar a capacidade de problematizar o mundo, compreender as interdepend\u00eancias e atuar de modo \u00e9tico e transformador. E isso implica em estimular estudantes a dialogar com saberes tradicionais e cient\u00edficos, al\u00e9m de experimentar linguagens que conectem arte, tecnologia e natureza\u201d, explica.<\/p>\n<p>Em um mundo saturado de imagens, dados e informa\u00e7\u00f5es, a arte surge como for\u00e7a de desacelera\u00e7\u00e3o e reconex\u00e3o. \u201cVivemos em uma sociedade de excesso, em que o olhar se dispersa e o contato com a experi\u00eancia sens\u00edvel se esgota, a arte desacelera, concentra e reencanta o olhar, convidando \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o, \u00e0 presen\u00e7a e \u00e0 escuta\u201d, observa Venturelli, evocando Byung-Chul Han.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"vivemos-numa-sociedade-de-excesso-onde-o-olhar-e-continuamente-disperso-e-o-contato-com-a-experiencia-sensivel-se-esgota\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cVivemos numa sociedade de excesso, onde o olhar \u00e9 continuamente disperso e o contato com a experi\u00eancia sens\u00edvel se esgota.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras da COP30, talvez a for\u00e7a da arte esteja justamente no que n\u00e3o se pode medir. Relat\u00f3rios e negocia\u00e7\u00f5es continuar\u00e3o indispens\u00e1veis, mas \u00e9 nas ruas, nos rios e nas vozes amaz\u00f4nicas que poder\u00e3o surgir as mem\u00f3rias mais duradouras do encontro. A hist\u00f3ria das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o se escrever\u00e1 apenas com gr\u00e1ficos e metas \u2014 mas tamb\u00e9m com as imagens, sons e corpos que falaram ao cora\u00e7\u00e3o quando a ci\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o bastava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-intervencoes-artisticas-tomam-fachadas-do-museu-paraense-emilio-goeldi-e-dialogam-com-a-cop-30-foto-agencia-gov-via-museu-goeldi-reproducao\"><strong>Capa. Interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas tomam fachadas do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi e <\/strong><strong>dialogam com a COP 30.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ag\u00eancia Gov.\/ Via Museu Goeldi. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c0s v\u00e9speras da COP30, artistas, cientistas e comunidades amaz\u00f4nicas constroem novas linguagens&hellip;\n","protected":false},"author":311,"featured_media":9207,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9204"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/311"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9204"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9204\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9394,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9204\/revisions\/9394"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}