{"id":9283,"date":"2025-11-27T07:30:50","date_gmt":"2025-11-27T07:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9283"},"modified":"2025-11-25T10:51:37","modified_gmt":"2025-11-25T10:51:37","slug":"a-diversidade-e-a-vida-enriquece-uma-discussao-amplia-olhares-e-pode-trazer-solucoes-mais-criativas-e-abrangentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9283","title":{"rendered":"\u201cA diversidade \u00e9 a vida: enriquece uma discuss\u00e3o, amplia olhares e pode trazer solu\u00e7\u00f5es mais criativas e abrangentes.\u201d"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"confira-entrevista-com-silvia-regina-batistuzzo-de-medeiros-professora-da-ufrn\"><span style=\"color: #808080;\">Confira entrevista com Silvia Regina Batistuzzo de Medeiros, professora da UFRN<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Silvia Regina Batistuzzo de Medeiros construiu sua trajet\u00f3ria cient\u00edfica abrindo caminhos na gen\u00e9tica e na biologia molecular no Brasil. Professora titular da <\/em><a href=\"https:\/\/www.ufrn.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)<\/span><\/em><\/strong><\/a><em>, ela \u00e9 uma das respons\u00e1veis por estruturar o primeiro laborat\u00f3rio de biologia molecular da institui\u00e7\u00e3o, em meados da d\u00e9cada de 1990, iniciativa que marcou o fortalecimento da pesquisa na \u00e1rea e impulsionou a cria\u00e7\u00e3o de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Ao longo da carreira, atuou em projetos de grande relev\u00e2ncia, como o Genoma Nacional, e consolidou linhas de investiga\u00e7\u00e3o em genotoxicidade ambiental e biomateriais relacionados \u00e0 osteog\u00eanese. Al\u00e9m de seu trabalho acad\u00eamico e da participa\u00e7\u00e3o em redes como o <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.inctregenera.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>INCT-Regenera<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> e a <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/ctnbio.mctic.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>CTNBio<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>, Silvia se destaca pela forma como alia rigor cient\u00edfico e compromisso com a forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadores. \u201cSer pesquisadora \u00e9 ser questionadora: \u00e9 querer conhecer sempre um pouco mais e construir, por meio da ci\u00eancia, um mundo melhor\u201d, afirma. Sua trajet\u00f3ria, que atravessa marcos institucionais e experi\u00eancias pessoais, \u00e9 tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria de perseveran\u00e7a diante dos desafios de ser cientista e m\u00e3e, conciliando a constru\u00e7\u00e3o de uma carreira de impacto com a vida familiar. \u201cConciliar maternidade e pesquisa n\u00e3o \u00e9 simples, mas \u00e9 poss\u00edvel com rede de apoio, gest\u00e3o do tempo, flexibilidade e reconhecimento justo\u201d, diz. Nesta entrevista, ela compartilha suas experi\u00eancias, reflex\u00f5es e os aprendizados de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 ci\u00eancia no Brasil.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Sua trajet\u00f3ria combina pesquisa de ponta em gen\u00e9tica molecular e atua\u00e7\u00e3o em temas de grande impacto social, como genotoxicidade ambiental e biomateriais para regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. O que a motivou a trilhar esse caminho cient\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Silvia Regina Batistuzzo de Medeiros<\/strong> \u2013 Durante os dez anos iniciais, era muito dif\u00edcil fazer pesquisa de qualidade em biologia molecular, pois nossa infraestrutura era bastante limitada. Quando retornei \u00e0 UFRN, acabei voltando \u00e0 \u00e1rea da minha inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: a an\u00e1lise de genotoxicidade. As an\u00e1lises de mutagenicidade com sistemas bacterianos foram trazidas pela colega de departamento, Lucymara Agnez Lima, a partir de seu doutorado. Come\u00e7amos trabalhando com genotoxicidade de produtos naturais e, depois, passamos para a \u00e1gua.<\/p>\n<p>A partir dos anos 2000 seguimos caminhos diferentes: ela com metagen\u00f4mica e vias de reparo de DNA, e eu com a an\u00e1lise de genotoxicidade de material particulado e de biomateriais para regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea. Os in\u00fameros editais dispon\u00edveis na \u00e9poca favoreceram muito as possibilidades, assim como os contatos que t\u00ednhamos. Minha entrada na \u00e1rea de mutag\u00eanese ambiental, com foco em material particulado, veio da participa\u00e7\u00e3o do meu grupo em um trabalho coordenado pela Dra. Sandra Hacon (Fiocruz-RJ), que contava com a participa\u00e7\u00e3o do Dr. Paulo Saldiva (USP). Esse primeiro contato rendeu novas colabora\u00e7\u00f5es, tanto em projetos coordenados por eles quanto por n\u00f3s, ampliando an\u00e1lises e parcerias, como com a Dra. P\u00e9rola Vasconcelos (Instituto de Qu\u00edmica da USP) e o Dr. Paulo Artaxo (Instituto de F\u00edsica da USP).<\/p>\n<p>Somado \u00e0 presen\u00e7a de alunos motivados, independentes e determinados, isso fortaleceu a \u00e1rea com a gera\u00e7\u00e3o de dados relevantes. A participa\u00e7\u00e3o em congressos possibilitou novos contatos internacionais e a ida de alunos para est\u00e1gios sandu\u00edche durante os doutorados. Assim, conseguimos colabora\u00e7\u00f5es com o Karolinska Institute (Su\u00e9cia) e a Universidade de Saskatchewan (Canad\u00e1). Nessa \u00e1rea, come\u00e7amos com a detec\u00e7\u00e3o de poluentes genot\u00f3xicos no ambiente e avan\u00e7amos para compreender os mecanismos de a\u00e7\u00e3o no organismo, buscando respostas tanto para identificar precocemente a toxicidade quanto para pensar em poss\u00edveis tratamentos futuros.<\/p>\n<p>Em 2006, tive aprovado um projeto Universal para analisar a genotoxicidade de biomateriais, na \u00e9poca superf\u00edcies de tit\u00e2nio modificadas por plasma de arg\u00f4nio, em colabora\u00e7\u00e3o com professores do Departamento de F\u00edsica da UFRN. Esse projeto rendeu v\u00e1rios resultados interessantes, que possibilitaram novas aprova\u00e7\u00f5es em editais, a forma\u00e7\u00e3o de uma Rede Nacional em Terapia Celular e, posteriormente, a participa\u00e7\u00e3o como laborat\u00f3rio associado no INCT-REGENERA (2014\u20132024). Tamb\u00e9m abriu portas para colabora\u00e7\u00f5es internacionais, como com o Prof. Miguel Gama (Universidade do Minho) e a Profa. Maria Helena Raposo Tavares (Universidade do Porto).<\/p>\n<p>O sucesso dessas \u00e1reas se deve, sobretudo, a alunos dedicados e motivados, bem como \u00e0 import\u00e2ncia do tema, pois, para que um produto seja liberado no mercado, ele precisa ser seguro \u2014 e \u00e9 isso que analisamos. Al\u00e9m dessas duas \u00e1reas, desenvolvi tamb\u00e9m trabalhos relacionados \u00e0 prote\u00f4mica da <em>Chromobacterium violaceum<\/em>, organismo modelo usado no Genoma Nacional, buscando identificar novos genes de interesse biotecnol\u00f3gico em parcerias internacionais. Resumindo: as possibilidades se apresentaram, as motiva\u00e7\u00f5es surgiram e o caminho foi trilhado. Fomos construindo o caminho ao caminhar, como disse o poeta espanhol Antonio Machado em <em>Cantares<\/em>, imortalizado na voz de Joan Manuel Serrat.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-sucesso-da-pesquisa-se-deve-tanto-a-dedicacao-dos-alunos-quanto-a-importancia-de-garantir-que-novos-produtos-sejam-seguros-para-chegar-ao-mercado\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em> \u201cO sucesso da pesquisa se deve tanto \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o dos alunos quanto \u00e0 import\u00e2ncia de garantir que novos produtos sejam seguros para chegar ao mercado.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>O que \u00e9 ser pesquisadora para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 Ser pesquisadora \u00e9 ser questionadora\u2026 \u00e9 querer saber e conhecer sempre um pouco mais, \u00e9 tentar compreender o que ainda n\u00e3o sabemos, aventurar-se por novas t\u00e9cnicas para trazer respostas, \u00e9 auxiliar o outro a ver e ter um mundo melhor. Na verdade, \u00e9 construir um mundo melhor. S\u00f3 estamos onde estamos, com tantos diagn\u00f3sticos precoces e terapias \u2014 sejam medicamentosas, celulares ou g\u00eanicas \u2014, devido ao conhecimento, \u00e0 ci\u00eancia. Se a longevidade aumentou ao longo dos anos, deve-se \u00fanica e exclusivamente \u00e0 ci\u00eancia, assim como outros avan\u00e7os, como o tecnol\u00f3gico. Sempre me pergunto como seria nossa sociedade se a ci\u00eancia tivesse sido obscurecida pela religi\u00e3o nos tempos passados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Seu trabalho com c\u00e9lulas estromais mesenquimais humanas para estudos de osteog\u00eanese tem implica\u00e7\u00f5es diretas na medicina regenerativa. Quais os avan\u00e7os mais promissores nessa \u00e1rea e como sua pesquisa tem contribu\u00eddo para esse campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 Nossos estudos se enquadram mais na ci\u00eancia b\u00e1sica. Identificamos, por exemplo, que c\u00e9lulas estromais de diferentes fontes t\u00eam comportamentos distintos. Aquelas com alto potencial de prolifera\u00e7\u00e3o apresentam uma alta frequ\u00eancia de pontes nucleoplasm\u00e1ticas, indicando a presen\u00e7a de cromossomos dic\u00eantricos \u2014 onde houve quebra e fus\u00e3o telom\u00e9rica \u2014, mas que n\u00e3o se convertem em danos nucleares, pois o reparo de DNA \u00e9 altamente eficaz. A frequ\u00eancia de micron\u00facleos permanece muito baixa. A import\u00e2ncia disso \u00e9 avaliar o comportamento dessas c\u00e9lulas na presen\u00e7a do biomaterial, pois o objetivo \u00e9 que ele induza osteog\u00eanese sem causar danos que possam, no futuro, originar um c\u00e2ncer, por exemplo. Analisamos sempre o risco-benef\u00edcio do produto. Iniciamos esses estudos com superf\u00edcies e part\u00edculas de tit\u00e2nio e seguimos por v\u00e1rios derivados de nanohidroxiapatitas. Alguns biomateriais mostraram-se mais osteog\u00eanicos que outros, mas a maioria sem risco genot\u00f3xico, tanto em modelos <em>in vitro<\/em>, empregando diversas linhagens celulares, quanto em zebrafish, em ensaios de embriotoxicidade. Esses estudos validam a a\u00e7\u00e3o osteog\u00eanica do biomaterial e atestam sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-renorbio-e-o-inct-regenera-foram-decisivos-para-consolidar-a-biotecnologia-no-nordeste-e-mostrar-a-forca-da-ciencia-feita-fora-dos-grandes-centros\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em> \u201cO RENORBIO e o INCT-REGENERA foram decisivos para consolidar a biotecnologia no Nordeste e mostrar a for\u00e7a da ci\u00eancia feita fora dos grandes centros.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Como membro da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio), voc\u00ea participa de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas sobre biotecnologia no Brasil. Que desafios e responsabilidades envolvem atuar nessa interface entre ci\u00eancia, \u00e9tica e pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 Por raz\u00f5es pessoais, fiquei apenas dois anos na CTNBio, mas foi um per\u00edodo rico em conhecimento e responsabilidade. Cada decis\u00e3o precisa ser tomada com base na legisla\u00e7\u00e3o vigente e em dados cient\u00edficos, o que exige atualiza\u00e7\u00e3o constante. As decis\u00f5es impactam diretamente a forma como o pa\u00eds lida com biotecnologia na sa\u00fade humana e animal, agricultura, ind\u00fastria e meio ambiente. Um dos maiores desafios \u00e9 garantir que as avalia\u00e7\u00f5es sejam rigorosas, transparentes e acess\u00edveis \u00e0 sociedade. Outro ponto essencial \u00e9 equilibrar o avan\u00e7o cient\u00edfico com os princ\u00edpios \u00e9ticos que norteiam a pesquisa e sua aplica\u00e7\u00e3o. Estar nessa interface significa dialogar com diferentes setores, ouvir preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas e contribuir para pol\u00edticas p\u00fablicas mais s\u00f3lidas, sem desviar das atribui\u00e7\u00f5es da biosseguran\u00e7a de organismos geneticamente modificados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m atuou ativamente em a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o e acessibilidade na universidade. Como essas pautas se conectam \u00e0 ci\u00eancia que voc\u00ea faz \u2014 e por que \u00e9 importante que cientistas se engajem nelas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 Elas n\u00e3o se conectam diretamente com a ci\u00eancia que fa\u00e7o. Meu interesse pela inclus\u00e3o nasceu com meu segundo filho, que tem S\u00edndrome de Down, caracterizada pela presen\u00e7a de um cromossomo a mais no organismo. O cari\u00f3tipo padr\u00e3o do ser humano \u00e9 de 46 cromossomos; na S\u00edndrome de Down, s\u00e3o 47. O excesso de informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica pode ocorrer por: i) simples trissomia; ii) transloca\u00e7\u00e3o do cromossomo 14 com 21; iii) mosaicismo (presen\u00e7a dos dois cari\u00f3tipos). Dentre os aspectos cl\u00ednicos da s\u00edndrome, a redu\u00e7\u00e3o da quantidade de neur\u00f4nios, que leva \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da capacidade cognitiva, \u00e9 a mais estigmatizada pela sociedade, gerando exclus\u00e3o. Outras defici\u00eancias tamb\u00e9m sofrem preconceito. A inclus\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o social, n\u00e3o gen\u00e9tica. Por isso, me associei \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o S\u00edndrome de Down do Estado do RN, tendo sido presidente e vice-presidente. Enfrentamos muitas dificuldades, mas a maior parte vem da sociedade, n\u00e3o da gen\u00e9tica. A inclus\u00e3o deve come\u00e7ar na fam\u00edlia, continuar nas escolas e se expandir para toda a sociedade.<\/p>\n<p>Em 2006, nasceu o projeto de extens\u00e3o <em>S\u00edndrome de Down: da gen\u00e9tica \u00e0 inclus\u00e3o, a arte da mobiliza\u00e7\u00e3o<\/em>, que se estendeu a qualquer defici\u00eancia, buscando sensibilizar estudantes sobre a diversidade humana, gerando agentes multiplicadores. Levamos questionamentos \u00e0 comunidade universit\u00e1ria por meio de esquetes teatrais, cord\u00e9is, v\u00eddeos, concursos e exposi\u00e7\u00f5es de fotografia. A UFRN incorporou o tema, criando em 2010 a CAENE (Comiss\u00e3o Permanente de Apoio a Estudantes com Necessidades Especiais), transformada em Secretaria de Inclus\u00e3o e Acessibilidade (SIA) em 2019. Hoje, h\u00e1 avan\u00e7os vis\u00edveis, especialmente na conscientiza\u00e7\u00e3o docente e na quebra de barreiras atitudinais. A diversidade enriquece as discuss\u00f5es, amplia os olhares e gera solu\u00e7\u00f5es mais criativas. Como professora e cientista, acredito que temos o dever de lutar por ambientes equitativos, e n\u00e3o apenas por g\u00eanero ou etnia. O conhecimento n\u00e3o deve ser privil\u00e9gio de poucos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nao-deixem-que-a-geografia-ou-o-genero-ditem-o-tamanho-dos-seus-sonhos-sonhar-e-poderoso-e-perseguir-seus-sonhos-e-realiza-los\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cN\u00e3o deixem que a geografia ou o g\u00eanero ditem o tamanho dos seus sonhos: sonhar \u00e9 poderoso e perseguir seus sonhos \u00e9 realiz\u00e1-los.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Fale um pouco sobre sua rotina de m\u00e3e e pesquisadora. Como foi conciliar estas duas atividades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 \u00c9 uma rotina complexa, mas \u00e9 preciso buscar equil\u00edbrio. N\u00e3o \u00e9 simples ser m\u00e3e e pesquisadora, especialmente com um filho com defici\u00eancia, cuja demanda por terapias \u00e9 maior. Com apenas 20 dias de vida, Edoardo j\u00e1 iniciou fisioterapia, exigindo log\u00edstica intensa desde o in\u00edcio. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a rotina di\u00e1ria: levar e buscar as crian\u00e7as, organizar terapias, consultas m\u00e9dicas e atividades complementares. Por isso, \u00e9 essencial planejar bem os momentos de trabalho e estudo.<\/p>\n<p>Alguns pontos fundamentais para conciliar maternidade e pesquisa:<br \/>\ni) <strong>Rede de apoio<\/strong>: indispens\u00e1vel;<br \/>\nii) <strong>Gest\u00e3o do tempo<\/strong>: usar cada momento com foco e concentra\u00e7\u00e3o;<br \/>\niii) <strong>Flexibilidade no trabalho<\/strong>: essencial, pois um filho n\u00e3o escolhe quando adoecer;<br \/>\niv) <strong>Remunera\u00e7\u00e3o justa<\/strong>: deveria ser significativamente maior para mulheres que acumulam fun\u00e7\u00f5es profissionais e responsabilidades maternas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Na sua opini\u00e3o, como o Nordeste brasileiro pode se fortalecer como polo de pesquisa em biotecnologia e ci\u00eancias biom\u00e9dicas? Que papel iniciativas como o INCT-REGENERA t\u00eam nesse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 Segundo dados da USP (Biotecnologia no Brasil), em 2011 havia poucas empresas de base biotecnol\u00f3gica no Nordeste, concentradas em Pernambuco (10), Cear\u00e1 e Rio Grande do Norte. Hoje, segundo a ONG Brasil-Biotec, a regi\u00e3o conta com 26 empresas em cinco estados. Grande parte desse avan\u00e7o est\u00e1 associada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biotecnologia do Nordeste \u2013 RENORBIO, criado em 2006. O RENORBIO, conceito 6 na CAPES, foi decisivo na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos qualificados, fortalecimento de redes de pesquisa e cria\u00e7\u00e3o de startups, consolidando a biotecnologia no Nordeste.<\/p>\n<p>O INCT-REGENERA possibilitou integra\u00e7\u00e3o com grupos de excel\u00eancia em regenera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, ampliou produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores e visibilidade da ci\u00eancia feita na regi\u00e3o. Nosso grupo atua com an\u00e1lise de toxicidade gen\u00e9tica, garantindo que produtos osteog\u00eanicos sejam eficazes e seguros. Um exemplo concreto: a startup Z-Safe, criada em 2022 por egressos do RENORBIO e apoiados pelo INCT-REGENERA, oferece solu\u00e7\u00f5es inovadoras para avalia\u00e7\u00e3o de toxicidade e seguran\u00e7a de novas mol\u00e9culas, utilizando zebrafish como modelo experimental. Os recursos do INCT s\u00e3o estrat\u00e9gicos, permitindo iniciar projetos, atrair financiamentos e consolidar colabora\u00e7\u00f5es, mas ainda faltam investimentos robustos e cont\u00ednuos, tanto locais quanto federais. Fortalecer programas como RENORBIO e INCT-REGENERA \u00e9 estrat\u00e9gico para o Nordeste e para o desenvolvimento cient\u00edfico do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong> \u2013 <strong>Que conselhos voc\u00ea daria a meninas e jovens mulheres que desejam seguir carreira cient\u00edfica nas \u00e1reas de gen\u00e9tica, biotecnologia ou sa\u00fade, especialmente fora dos grandes centros do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SRBM<\/strong> \u2013 O caminho nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio. N\u00e3o deixem que geografia ou g\u00eanero determinem seus sonhos. Sonhar \u00e9 poderoso e perseguir os sonhos \u00e9 realiz\u00e1-los. Procurem mentores, construam redes de apoio e ocupem os espa\u00e7os que desejam. A ci\u00eancia \u00e9 colaborativa e precisa da vis\u00e3o, sensibilidade e for\u00e7a de mulheres de contextos diversos. Cada conquista feminina abre caminho para outras. Sigam firmes, com curiosidade, coragem e convic\u00e7\u00e3o de que pertencem ao espa\u00e7o escolhido. N\u00e3o h\u00e1 verdadeira democracia sem igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Confira entrevista com Silvia Regina Batistuzzo de Medeiros, professora da UFRN &nbsp;&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9284,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9283"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9283"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9376,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9283\/revisions\/9376"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}