{"id":9341,"date":"2025-12-15T08:05:17","date_gmt":"2025-12-15T08:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9341"},"modified":"2026-02-09T11:08:39","modified_gmt":"2026-02-09T11:08:39","slug":"ciencia-na-linha-de-frente-crise-climatica-amazonia-e-cop-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9341","title":{"rendered":"Ci\u00eancia na linha de frente: crise clim\u00e1tica, Amaz\u00f4nia e COP 30"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"cop-na-amazonia-representa-oportunidade-historica-para-evidenciar-que-ciencia-e-gestao-climatica-so-fazem-sentido-quando-estao-alinhadas-a-justica-territorial-e-ao-protagonismo-de-quem-reside-e-realiz\"><span style=\"color: #808080;\">COP na Amaz\u00f4nia representa oportunidade hist\u00f3rica para evidenciar que ci\u00eancia e gest\u00e3o clim\u00e1tica s\u00f3 fazem sentido quando est\u00e3o alinhadas \u00e0 justi\u00e7a territorial e ao protagonismo de quem reside e realiza pesquisas aqui.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Domingo, 12 de outubro de 2025. Enquanto o rel\u00f3gio clim\u00e1tico corre em ritmo acelerado, <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/global-tipping-points.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>um estudo divulgado por cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido<\/strong><\/a><\/span>, revela que o planeta acaba de ultrapassar o primeiro ponto de n\u00e3o-retorno com o colapso dos recifes de corais \u2014 ou seja, mesmo que a\u00e7\u00f5es imediatas sejam tomadas, as mudan\u00e7as j\u00e1 ocorridas nesse sistema s\u00e3o potencialmente irrevers\u00edveis. O aviso deixa um lembrete inc\u00f4modo: embora as transforma\u00e7\u00f5es estejam acontecendo diante dos nossos olhos, a crise clim\u00e1tica est\u00e1 avan\u00e7ando mais depressa do que as medidas para cont\u00ea-la. Nesse contexto, a Confer\u00eancia do Clima da ONU (COP 30) \u2014 realizada em novembro, no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira chega como um chamado para que a ci\u00eancia n\u00e3o somente alerte, mas tamb\u00e9m permeie, com mais for\u00e7a, os discursos pol\u00edticos e as a\u00e7\u00f5es efetivas na prote\u00e7\u00e3o do planeta. Como dito por Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, presidente do Brasil, em evento preparat\u00f3rio para a Confer\u00eancia, \u201c\u00e9 o momento de levar a s\u00e9rio os alertas da ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa da Universidade de Exeter, realizada com a colabora\u00e7\u00e3o de 160 cientistas de 23 pa\u00edses, mostra que o aquecimento sem precedentes dos oceanos intensifica o branqueamento dos corais. De acordo com as conclus\u00f5es de um <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/10insightsclimate.science\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>relat\u00f3rio publicado no final de outubro pela The Earth League<\/strong><\/a><\/span>, cons\u00f3rcio internacional de especialistas em clima, em 2024, a temperatura m\u00e9dia da superf\u00edcie oce\u00e2nica ficou quase 1 grau acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. O estresse causado pelo calor excessivo faz com que os recifes expulsem as algas que lhes fornecem nutrientes e cores vibrantes e fiquem mais vulner\u00e1veis \u00e0 morte por inani\u00e7\u00e3o. A partir de dados coletados por sat\u00e9lites e boias de monitoramento, constatou-se que, desde 2023, 84% dos recifes em mais de 80 pa\u00edses sofreram branqueamento, configurando o pior evento do tipo j\u00e1 registrado.<\/p>\n<p>O colapso dos corais \u00e9 apenas um entre v\u00e1rios pontos de n\u00e3o-retorno \u2014 ou pontos de inflex\u00e3o \u2014 acompanhados h\u00e1 d\u00e9cadas em todo o planeta. Al\u00e9m das \u00e1guas, o aquecimento tamb\u00e9m afeta os ecossistemas terrestres, acentuando o derretimento das camadas de gelo e a destrui\u00e7\u00e3o das florestas tropicais, por exemplo. Em 2024, a m\u00e9dia global de temperatura ficou cerca de 1,55 grau acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, favorecendo eventos extremos, como secas e ondas de calor, e prejudicando o equil\u00edbrio de diversos biomas. \u201cA gente poderia traduzir o momento atual como a tripla crise planet\u00e1ria que a ONU tem destacado bastante: clima, biodiversidade e polui\u00e7\u00e3o\u201d, explica Gabriela Di Giulio, professora do Departamento de Sa\u00fade Ambiental da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.fsp.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-sabe-qual-sera-o-proximo-ponto-de-inflexao\"><strong>A ci\u00eancia sabe qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo ponto de inflex\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n<p>A Floresta Amaz\u00f4nica se v\u00ea no centro dos monitoramentos sobre pontos de inflex\u00e3o clim\u00e1tica. <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/global-tipping-points.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O estudo da Universidade de Exeter<\/a><\/strong><\/span> menciona que a maior floresta tropical do mundo est\u00e1 se aproximando do seu pr\u00f3prio ponto de n\u00e3o-retorno, o que significa que, no ritmo atual, o ecossistema pode perder a capacidade de responder \u00e0s press\u00f5es e se regenerar. \u201cEssas altera\u00e7\u00f5es podem transformar \u00e1reas florestais em ecossistemas modificados, enfraquecendo a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica global, alterando o clima regional e acelerando a perda de biodiversidade\u201d, afirma a pesquisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"na-amazonia-tudo-esta-conectado-as-areas-agropecuarias-a-floresta-os-rios-as-pessoas-o-rural-o-urbano-e-uma-regiao-onde-a-natureza-funciona-em-rede\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cNa Amaz\u00f4nia, tudo est\u00e1 conectado: as \u00e1reas agropecu\u00e1rias, a floresta, os rios, as pessoas, o rural, o urbano&#8230; \u00c9 uma regi\u00e3o onde a natureza funciona em rede.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNa Amaz\u00f4nia, tudo est\u00e1 conectado: as \u00e1reas agropecu\u00e1rias, a floresta, os rios, as pessoas, o rural, o urbano&#8230; \u00c9 uma regi\u00e3o onde a natureza funciona em rede\u201d, diz Ane Alencar, diretora de Ci\u00eancia do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM). Com esse funcionamento integrado, mudan\u00e7as em pontos espec\u00edficos, como a cobertura vegetal ou os n\u00edveis de precipita\u00e7\u00e3o, poderiam causar efeitos em cascata. Segundo uma <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2024GL108304\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>pesquisa da Universidade de Cambridge<\/strong><\/a><\/span>, ainda neste s\u00e9culo, o desmatamento cont\u00ednuo pode desencadear uma transi\u00e7\u00e3o para um estado semelhante \u00e0 savana em toda a Amaz\u00f4nia. Os resultados s\u00e3o correspondentes a proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que simulam uma redu\u00e7\u00e3o da cobertura florestal para 35% ou uma diminui\u00e7\u00e3o de apenas cerca de 6% na precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de colocar em risco a rica biodiversidade desse ecossistema e mais de 23 milh\u00f5es de pessoas que habitam a regi\u00e3o, a ultrapassagem do ponto de inflex\u00e3o amaz\u00f4nico tem o potencial de causar danos em escala planet\u00e1ria. \u201cA Amaz\u00f4nia recicla cerca de 20 bilh\u00f5es de toneladas de umidade por dia, influencia o regime de chuvas em grande parte da Am\u00e9rica do Sul e armazena mais de 150 bilh\u00f5es de toneladas de carbono\u201d, explica Ane Alencar. Ainda que o papel desse ecossistema seja consenso na literatura cient\u00edfica e que os efeitos da crise clim\u00e1tica possam atingir um n\u00edvel global, as medidas para conter os danos no bioma t\u00eam sido insuficientes. \u201cN\u00e3o se trata de uma lacuna de conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico que justifique o atraso ou a neglig\u00eancia nas respostas. J\u00e1 temos o conhecimento necess\u00e1rio e seria esperado que as a\u00e7\u00f5es adequadas fossem acordadas e implementadas nos espa\u00e7os de negocia\u00e7\u00e3o\u201d, defende Gabriela Di Giulio, que ressalta que essa l\u00f3gica pode ser aplicada n\u00e3o apenas \u00e0 Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m aos demais biomas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"das-florestas-as-mesas-de-negociacao\"><strong>Das florestas \u00e0s mesas de negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A fala da pesquisadora aponta que h\u00e1 uma falta de linearidade entre o que a ci\u00eancia j\u00e1 sabe e o que, de fato, orienta a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e pol\u00edticas clim\u00e1ticas. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de mais informa\u00e7\u00f5es em conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico, e mesmo a disponibiliza\u00e7\u00e3o desse conhecimento atrav\u00e9s de uma boa divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para os tomadores de decis\u00e3o, n\u00e3o significa, necessariamente, que esse conhecimento vai ser mobilizado no processo de tomada de decis\u00e3o\u201d, alega Gabriela Di Giulio. Ela enfatiza que a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e pol\u00edtica \u00e9 atravessada por m\u00faltiplos fatores, como interesses econ\u00f4micos e disputas de poder. \u201cSe partirmos do pressuposto de que a falta de a\u00e7\u00e3o para o enfrentamento das crises socioecol\u00f3gicas \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, se dissermos que aqueles que est\u00e3o tomando as decis\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o bem informados, acho que ser\u00edamos ing\u00eanuos\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Em seu discurso na abertura da C\u00fapula dos L\u00edderes, evento que antecede a COP 30, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva endossa o argumento: \u201ca humanidade est\u00e1 ciente dos impactos das mudan\u00e7as do clima h\u00e1 mais de 35 anos, desde a publica\u00e7\u00e3o do primeiro relat\u00f3rio do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong><\/a><\/span>, o IPCC (&#8230;)\u201d. Ane Alencar concorda. \u201cO que falta n\u00e3o \u00e9 conhecimento, \u00e9 espa\u00e7o pol\u00edtico e valoriza\u00e7\u00e3o do olhar local\u201d, diz. Para ela, embora a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica seja robusta, nem sempre est\u00e1 vinculada \u00e0s perspectivas locais. \u201cO Brasil tem um time de pesquisadores de peso que estuda a Amaz\u00f4nia h\u00e1 d\u00e9cadas e sistemas de monitoramento de qualidade, como os do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)<\/strong><\/a><\/span> e do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>MapBiomas<\/strong><\/a><\/span>. Mesmo assim, o debate global ainda \u00e9 dominado pela ci\u00eancia do Norte\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-que-falta-nao-e-conhecimento-e-espaco-politico-e-valorizacao-do-olhar-local\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO que falta n\u00e3o \u00e9 conhecimento, \u00e9 espa\u00e7o pol\u00edtico e valoriza\u00e7\u00e3o do olhar local.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse sentido, Gabriela di Giulio defende que um fator relevante para a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ser mobilizada de forma mais efetiva \u00e9 repensar o modo de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, tornando-o mais coprodutivo. \u201cAssim, quando uma determinada pergunta for formulada, a resposta para ela n\u00e3o vir\u00e1 apenas da comunidade cient\u00edfica, dos pesquisadores ou dos acad\u00eamicos\u201d, afirma. \u201cA\u00ed, a gente pode pensar quem s\u00e3o os outros atores que v\u00e3o participar desse processo de coprodu\u00e7\u00e3o, como representantes da sociedade civil, \u00f3rg\u00e3os governamentais e n\u00e3o governamentais, por exemplo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>As falas das pesquisadoras est\u00e3o alinhadas com as recomenda\u00e7\u00f5es publicadas no estudo da Universidade de Exeter para evitar o ponto de n\u00e3o-retorno amaz\u00f4nico. Os autores do trabalho argumentam que governan\u00e7as inclusivas e descentralizadas, com apoio de sistemas de conhecimento tradicionais, aos Povos Ind\u00edgenas e \u00e0s comunidades em seus territ\u00f3rios e modos de vida, s\u00e3o centrais para reverter o ciclo de degrada\u00e7\u00e3o instaurado na regi\u00e3o. \u201cA COP 30, sendo na Amaz\u00f4nia, \u00e9 uma chance hist\u00f3rica de mostrar que ci\u00eancia e governan\u00e7a clim\u00e1tica s\u00f3 fazem sentido quando v\u00eam com justi\u00e7a territorial e o protagonismo de quem vive e pesquisa aqui\u201d, pontua Ane Alencar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"entre-numeros-e-narrativas\"><strong>Entre n\u00fameros e narrativas<\/strong><\/h4>\n<p>Embora a mitiga\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica seja o enfoque central da Confer\u00eancia do Clima da ONU, e ainda que a ci\u00eancia chegue aos tomadores de decis\u00e3o para atuar na linha de frente, o embate entre as necessidades e os objetivos dos 191 pa\u00edses participantes pode gerar conflitos. \u201cPrecisamos considerar que h\u00e1 narrativas cient\u00edficas em disputa e a tomada de decis\u00e3o, muitas vezes, se alinha \u00e0quela narrativa cient\u00edfica mais coincidente com a decis\u00e3o que est\u00e1 sendo proposta naquele projeto pol\u00edtico\u201d, explica Gabriela di Giulio. Segundo ela, a pr\u00f3pria natureza da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica favorece esse cen\u00e1rio. \u201cA ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea, a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. Trabalhamos com diferentes aproxima\u00e7\u00f5es, perspectivas, entendimentos e at\u00e9 diferentes metodologias\u201d, destaca, ressaltando que esse embate n\u00e3o \u00e9, necessariamente, algo negativo, mas parte essencial do processo democr\u00e1tico de constru\u00e7\u00e3o de consensos e caminhos frente \u00e0 complexidade do cen\u00e1rio atual.<\/p>\n<p>Entre as m\u00faltiplas narrativas e metodologias, a pesquisadora aponta que h\u00e1 dificuldade de rastrear a origem dos dados utilizados na formula\u00e7\u00e3o de cada pol\u00edtica em debate \u2014 ou mesmo daquelas que j\u00e1 est\u00e3o em vigor. \u201cEmbora muitas pol\u00edticas p\u00fablicas, em particular na \u00e1rea ambiental, bebam bastante de evid\u00eancias cient\u00edficas, ou seja, do conhecimento t\u00e9cnico-cient\u00edfico produzido, em geral, n\u00e3o mencionam nas suas elabora\u00e7\u00f5es de onde as informa\u00e7\u00f5es que subsidiam aquilo vieram. N\u00e3o temos essa tradi\u00e7\u00e3o\u201d, explica. Ela comenta que encontrar ferramentas para esse rastreio \u00e9 uma das propostas do projeto <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/biotasintese.iea.usp.br\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biota S\u00edntese<\/a><\/strong><\/span>, do qual participa. \u201cCom isso, tentamos correlacionar e mensurar, de certa forma, os impactos socioambientais do conhecimento que a gente produz\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-cop-em-belem-vai-ser-uma-oportunidade-de-mostrar-que-aqui-existe-conhecimento-ciencia-inovacao-e-tambem-povos-e-territorios-que-ja-vem-enfrentando-a-crise-climatica-na-pratica\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA COP em Bel\u00e9m vai ser uma oportunidade de mostrar que aqui existe conhecimento, ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m povos e territ\u00f3rios que j\u00e1 v\u00eam enfrentando a crise clim\u00e1tica na pr\u00e1tica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somada a essa dificuldade, Ane Alencar pontua que, quando se trata da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira sobre o clima e a Amaz\u00f4nia, h\u00e1 tamb\u00e9m outros desafios. \u201cA ci\u00eancia brasileira sobre esses temas, apesar de estar cada vez mais presente nos artigos cient\u00edficos, ainda n\u00e3o tem o reconhecimento que merece nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais de clima\u201d, ressalta. \u201cPor exemplo, temos pesquisadores medindo os impactos do fogo na degrada\u00e7\u00e3o florestal para a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa pelo ar, com sat\u00e9lites, no ch\u00e3o, e alguns dos achados apontam que, por conta da degrada\u00e7\u00e3o, florestas da Amaz\u00f4nia passaram a emitir mais do que absorver carbono\u201d, afirma. \u201cApesar desses alertas, os inc\u00eandios ainda n\u00e3o t\u00eam sido muito discutidos no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o de Clima, pois, de acordo com as regras do IPCC, n\u00e3o s\u00e3o contabilizados como fontes de emiss\u00e3o de gases do efeito estufa. Isso tem que mudar\u201d, defende. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-incendio-na-amazonia-em-2024foto-jader-souza-al-roraima-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9343\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1: Inc\u00eandio na Amaz\u00f4nia em 2024<br \/>\n<\/strong>(Foto: Jader Souza\/ AL Roraima. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"expectativas-para-a-cop-30-e-para-o-futuro\"><strong>Expectativas para a COP 30 e para o futuro<\/strong><\/h4>\n<p>Para a pesquisadora, sediar a COP 30 pode favorecer o posicionamento da ci\u00eancia brasileira em um local de maior destaque nas discuss\u00f5es sobre clima. \u201cA COP em Bel\u00e9m vai ser uma oportunidade de mostrar que aqui existe conhecimento, ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m povos e territ\u00f3rios que j\u00e1 v\u00eam enfrentando a crise clim\u00e1tica na pr\u00e1tica\u201d, pontua. De acordo com Gabriela di Giulio, as pesquisas nacionais j\u00e1 t\u00eam esse potencial. \u201cVivenciei um ano sab\u00e1tico na Universidade de York, na Inglaterra, e voltei muito convencida de que o que a gente discute e faz aqui \u00e9 <em>mainstream<\/em>\u201d, diz. \u201cA COP 30 \u00e9 a chance de o Brasil mostrar que pode liderar uma agenda clim\u00e1tica baseada em ci\u00eancia e justi\u00e7a pelos mais vulner\u00e1veis. Proteger a Amaz\u00f4nia \u00e9 proteger o clima e fazer isso com equidade \u00e9 o que confere legitimidade \u00e0 lideran\u00e7a brasileira no cen\u00e1rio global\u201d, prev\u00ea Ane Alencar.<\/p>\n<p>A trig\u00e9sima edi\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas acontece um ano ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de seu evento irm\u00e3o, a COP da Biodiversidade \u2014 que passou por sua d\u00e9cima sexta edi\u00e7\u00e3o. Para Gabriela di Giulio, no entanto, essa divis\u00e3o n\u00e3o favorece a cria\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es integradas. \u201cA biodiversidade \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e est\u00e1 sendo diretamente afetada por elas\u201d, refor\u00e7a, advogando a necessidade de que, no futuro, as agendas desses dois eventos sejam integradas. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-biodiversidade-amazonica-e-parte-da-solucao-das-mudancas-climaticas-foto-agencia-senado-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9344\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-300x199.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-768x509.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-1536x1017.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-800x530.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2-1160x768.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CC-4E25-reportagem-Cie\u0302ncia-na-linha-de-frente-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Biodiversidade amaz\u00f4nica \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ag\u00eancia Senado. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto as Confer\u00eancias permanecem separadas, Ane Alencar espera que a edi\u00e7\u00e3o de 2025 traga um novo olhar global para as discuss\u00f5es sobre clima, com uma perspectiva hol\u00edstica e \u00eanfase no papel do bioma em que est\u00e1 sendo realizada. \u201cQuero que essa COP seja o momento em que o mundo reconhece que n\u00e3o existe estabilidade clim\u00e1tica global sem uma Amaz\u00f4nia viva e bem governada. Isso significa olhar para a floresta como um sistema diverso, ecol\u00f3gico, social e econ\u00f4mico e investir em solu\u00e7\u00f5es que nascem dessa diversidade: bioeconomia, restaura\u00e7\u00e3o, manejo do fogo, regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, gest\u00e3o territorial e valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento local\u201d, diz. \u201cSe a COP 30 conseguir traduzir isso em compromissos concretos, com financiamento, governan\u00e7a e voz para quem vive aqui, ela vai marcar o in\u00edcio de uma nova fase da pol\u00edtica clim\u00e1tica mundial, onde a floresta \u00e9 vista tamb\u00e9m como solu\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-amazonia-e-central-para-enfrentar-tripla-crise-planetaria-atual-clima-biodiversidade-e-poluicaofoto-greenpeace-brasil-reproducao\"><strong>Capa. Amaz\u00f4nia \u00e9 central para enfrentar tripla crise planet\u00e1ria atual: clima, biodiversidade e polui\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(Foto: Greenpeace Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"COP na Amaz\u00f4nia representa oportunidade hist\u00f3rica para evidenciar que ci\u00eancia e gest\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":9342,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9341"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9341"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9378,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9341\/revisions\/9378"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}