{"id":9417,"date":"2025-12-01T18:45:15","date_gmt":"2025-12-01T18:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9417"},"modified":"2025-12-01T18:45:15","modified_gmt":"2025-12-01T18:45:15","slug":"culinaria-amazonica-e-soberania-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9417","title":{"rendered":"Culin\u00e1ria amaz\u00f4nica e soberania alimentar"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-tradicoes-culinarias-biodiversidade-e-direitos-territoriais-se-entrelacam-na-defesa-de-sistemas-alimentares-justos-e-sustentaveis-na-amazonia\"><span style=\"color: #808080;\">Como tradi\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias, biodiversidade e direitos territoriais se entrela\u00e7am na defesa de sistemas alimentares justos e sustent\u00e1veis na Amaz\u00f4nia.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A culin\u00e1ria amaz\u00f4nica \u00e9 mais do que um repert\u00f3rio de sabores: \u00e9 uma express\u00e3o viva da hist\u00f3ria, do territ\u00f3rio e das identidades dos povos da floresta. Baseada em ingredientes como mandioca, peixes de rio, frutas silvestres e milho, ela traduz modos de vida que atravessam gera\u00e7\u00f5es e conectam alimenta\u00e7\u00e3o, cultura e natureza. Essa mesma base cultural sustenta o conceito de soberania alimentar \u2014 o direito de cada povo decidir como produzir, distribuir e consumir seus alimentos, de forma saud\u00e1vel, sustent\u00e1vel e coerente com seus valores e tradi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o por acaso, preservar receitas, t\u00e9cnicas e saberes \u00e9 tamb\u00e9m preservar a mem\u00f3ria e a autonomia dessas comunidades.<\/p>\n<p>A nova edi\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/span><\/strong><\/a>, dedicada ao tema <strong>\u201cCOP 30: ci\u00eancia, pol\u00edtica e a\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><strong>,<\/strong> destaca justamente essa rela\u00e7\u00e3o profunda entre comida, territ\u00f3rio e direitos. Na Amaz\u00f4nia, soberania alimentar significa fortalecer pr\u00e1ticas que respeitam os ciclos naturais e valorizam o conhecimento ancestral. Agricultura familiar, pesca artesanal, manejo florestal e o uso de ingredientes nativos formam a base de sistemas alimentares que equilibram nutri\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e identidade cultural. S\u00e3o pr\u00e1ticas que n\u00e3o apenas alimentam corpos, mas tamb\u00e9m sustentam modos de exist\u00eancia historicamente amea\u00e7ados. \u201cA culin\u00e1ria ela \u00e9 uma ci\u00eancia ancestral e, ao mesmo tempo, ela est\u00e1 vinculada e alinhada com os princ\u00edpios de soberania e desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, pontua Patr\u00edcia Chaves Gentil, diretora do Departamento de Promo\u00e7\u00e3o da Alimenta\u00e7\u00e3o Adequada e Saud\u00e1vel da Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional.<\/p>\n<p>Essas din\u00e2micas, por\u00e9m, enfrentam tens\u00f5es crescentes. A expans\u00e3o de dietas ultraprocessadas, a inseguran\u00e7a territorial e a press\u00e3o de modelos produtivistas fragilizam tanto a sa\u00fade quanto a autonomia alimentar das comunidades amaz\u00f4nicas. A commoditiza\u00e7\u00e3o de ingredientes locais \u2014 quando produtos da floresta se tornam bens globais \u2014 pode desconectar alimentos de seus contextos culturais, enfraquecer economias tradicionais e acelerar impactos ambientais. Nesse cen\u00e1rio, discutir soberania alimentar \u00e9 discutir tamb\u00e9m pol\u00edtica p\u00fablica, justi\u00e7a social e direitos territoriais. \u201cA comida ela \u00e9\u00a0um instrumento pol\u00edtico n\u00e3o s\u00f3 na COP, ela \u00e9 um instrumento pol\u00edtico na\u00a0vida\u201d, enfatiza Dalva Maria da Mota, pesquisadora da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental.<\/p>\n<p>Fortalecer os sistemas alimentares amaz\u00f4nicos passa por valorizar os saberes dos povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores familiares. Envolve proteger a floresta, apoiar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e garantir que pol\u00edticas p\u00fablicas considerem a diversidade cultural da regi\u00e3o. Durante a COP 30, esse debate se torna ainda mais relevante: a cozinha amaz\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 apenas patrim\u00f4nio, mas tamb\u00e9m resist\u00eancia. \u201c A gente tem que aproveitar esse momento da COP para que a gente possa ter\u00a0um territ\u00f3rio de diplomacia e consiga apresentar para todo mundo que estiver\u00a0aqui que n\u00f3s temos uma culin\u00e1ria sofisticada que merece ser conhecida e reconhecida\u201d, afirma Nadya Helena Alves dos Santos, professora da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) e vice-coordenadora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia (PPGNAM\/UFPA).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Culin\u00e1ria amaz\u00f4nica e soberania alimentar\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d4QdcxRH4uc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como tradi\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias, biodiversidade e direitos territoriais se entrela\u00e7am na defesa de&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9418,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9417"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9417"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9419,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9417\/revisions\/9419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}