{"id":9448,"date":"2025-12-15T08:00:47","date_gmt":"2025-12-15T08:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9448"},"modified":"2025-12-15T12:28:51","modified_gmt":"2025-12-15T12:28:51","slug":"belem-no-centro-do-mundo-o-que-a-cop30-revelou-sobre-a-disputa-global-pelo-futuro-do-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9448","title":{"rendered":"Bel\u00e9m no centro do mundo: o que a COP30 revelou sobre a disputa global pelo futuro do clima"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"em-meio-a-avancos-sociais-e-impasses-estruturais-conferencia-expos-tensoes-politicas-fragilidades-financeiras-e-a-urgencia-ignorada-da-transicao-energetica\"><span style=\"color: #808080;\">Em meio a avan\u00e7os sociais e impasses estruturais, confer\u00eancia exp\u00f4s tens\u00f5es pol\u00edticas, fragilidades financeiras e a urg\u00eancia ignorada da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deixaram de ser um alerta distante para se tornarem uma realidade cotidiana, marcada por extremos que j\u00e1 reconfiguram sociedades inteiras. Secas prolongadas, enchentes devastadoras, ondas de calor recordes, dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, crises de abastecimento e perdas aceleradas de biodiversidade mostram que a crise ambiental n\u00e3o \u00e9 somente ambiental \u2014 \u00e9 humanit\u00e1ria, econ\u00f4mica e pol\u00edtica. E, diante desse cen\u00e1rio, o que mais preocupa cientistas e organiza\u00e7\u00f5es internacionais \u00e9 a velocidade insuficiente da resposta global. Por isso, ao fim da COP30 em Bel\u00e9m, a sensa\u00e7\u00e3o predominante foi de urg\u00eancia: a ci\u00eancia avan\u00e7a, os impactos se intensificam, mas as decis\u00f5es pol\u00edticas ainda caminham devagar demais para a dimens\u00e3o da emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia, encerrada no dia 22 de novembro, apresentou um conjunto amplo de acordos, propostas e diverg\u00eancias que revelam, ao mesmo tempo, conquistas e limita\u00e7\u00f5es do processo multilateral. Para a comunidade cient\u00edfica, houve avan\u00e7os importantes \u2014 sobretudo pelo simbolismo de realizar a COP pela primeira vez na Amaz\u00f4nia, colocando a regi\u00e3o no centro das negocia\u00e7\u00f5es. Mas a aus\u00eancia de compromissos estruturais, como um acordo para a elimina\u00e7\u00e3o progressiva dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, gerou frustra\u00e7\u00e3o e refor\u00e7ou a percep\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 um descompasso entre o ritmo da pol\u00edtica e o da crise clim\u00e1tica. \u201cO problema \u00e9 que pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo bloquearam qualquer discuss\u00e3o sobre o necess\u00e1rio fim da explora\u00e7\u00e3o e do uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, afirmou Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica e coordenador do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ceas.usp.br\/apresentacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro de Estudos Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel da USP<\/a><\/strong><\/span>, al\u00e9m de membro do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC). Ainda assim, ele reconhece avan\u00e7os: \u201cEntre os pontos altos, podemos citar claramente a discuss\u00e3o sobre adapta\u00e7\u00e3o ao novo clima e o avan\u00e7o significativo no debate sobre financiamento clim\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>A presid\u00eancia brasileira aprovou 29 documentos por unanimidade entre os 195 pa\u00edses, consolidando o chamado \u201c<strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cop30.br\/pt-br\/noticias-da-cop30\/cop30-aprova-o-pacote-belem\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pacote de Bel\u00e9m<\/a><\/span>\u201d<\/strong>. Mesmo assim, temas centrais \u2014 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, combate ao desmatamento e financiamento clim\u00e1tico \u2014 n\u00e3o avan\u00e7aram com a velocidade necess\u00e1ria. Redes cient\u00edficas e organiza\u00e7\u00f5es socioambientais destacaram que o texto final n\u00e3o incorpora a proposta brasileira de um roteiro gradual para substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, cedendo \u00e0 press\u00e3o de pa\u00edses petroleiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-consenso-amplo-mas-ainda-insuficiente\"><strong>Um consenso amplo, mas ainda insuficiente<\/strong><\/h4>\n<p>Os 29 documentos aprovados refor\u00e7am medidas de adapta\u00e7\u00e3o, transpar\u00eancia, financiamento e coopera\u00e7\u00e3o. Um dos principais resultados foi a apresenta\u00e7\u00e3o de 59 indicadores globais de adapta\u00e7\u00e3o, cobrindo \u00e1gua, alimentos, sa\u00fade, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsist\u00eancia. J\u00e1 o an\u00fancio de US$ 120 bilh\u00f5es at\u00e9 2035 para adapta\u00e7\u00e3o foi visto como um passo importante, embora considerado pouco ambicioso diante do tamanho do desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-interesse-de-algumas-pouquissimas-companhias-se-sobrepos-ao-de-8-bilhoes-de-pessoas-que-ja-sofrem-os-impactos-das-mudancas-climaticas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO interesse de algumas pouqu\u00edssimas companhias se sobrep\u00f4s ao de 8 bilh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 sofrem os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro avan\u00e7o simb\u00f3lico foi a inclus\u00e3o in\u00e9dita do termo \u201cafrodescendentes\u201d em quatro documentos, al\u00e9m do fortalecimento das pautas de g\u00eanero, com maior protagonismo das mulheres. Houve ainda consenso sobre sistemas de monitoramento da vulnerabilidade clim\u00e1tica e sobre a necessidade de m\u00e9tricas mais robustas para medir resili\u00eancia.<\/p>\n<p>A maior controv\u00e9rsia ficou por conta da exclus\u00e3o do Mapa do Caminho para elimina\u00e7\u00e3o gradual dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. A proposta tinha apoio de 80 pa\u00edses, mas n\u00e3o houve unanimidade. O governo brasileiro afirmou que continuar\u00e1 impulsionando o debate. O primeiro bloco do Pacote re\u00fane o \u201cMutir\u00e3o Global\u201d, um texto que articula financiamento, transpar\u00eancia e responsabilidades na implementa\u00e7\u00e3o das Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (<em>Nationally Determined Contributions<\/em> \u2013 NDCs). No total, 122 pa\u00edses apresentaram metas atualizadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-impasse-decisivo\"><strong>Um impasse decisivo<\/strong><\/h4>\n<p>O Mapa do Caminho brasileiro \u2014 voltado \u00e0 transi\u00e7\u00e3o justa dos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2014 acabou bloqueado por grandes produtores de petr\u00f3leo. \u201cInfelizmente, o lobby da ind\u00fastria do petr\u00f3leo prevaleceu. O interesse de algumas pouqu\u00edssimas companhias se sobrep\u00f4s ao de 8 bilh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 sofrem os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, afirmou Paulo Artaxo.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s disputas, o \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cop30.br\/pt-br\/noticias-da-cop30\/cop30-inaugura-o-primeiro-pavilhao-de-ciencias-planetarias-e-coloca-a-ciencia-no-centro-das-decisoes-climaticas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pavilh\u00e3o da Ci\u00eancia Planet\u00e1ria<\/a><\/strong><\/span>\u201d se tornou um dos marcos da COP30. Instalado na Zona Azul, o espa\u00e7o reuniu cientistas para apresentar evid\u00eancias e dialogar diretamente com negociadores. Dali saiu uma carta contundente: \u201cFor\u00e7as contr\u00e1rias bloquearam o acordo. Parece que ignoram que, ao contr\u00e1rio dos pavilh\u00f5es da COP, n\u00e3o podemos evacuar o planeta Terra quando desastres acontecem\u201d. A <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/a> <\/strong><\/span>endossou o documento. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-pavilhao-da-ciencia-planetaria-foi-uma-iniciativa-inedita-na-cop30-criado-para-colocar-a-ciencia-no-centro-das-decisoes-climaticas-foto-amazoniavox-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9450\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-300x173.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-300x173.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-1024x590.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-768x443.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-1536x886.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-800x461.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1-1160x669.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura1.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. O Pavilh\u00e3o da Ci\u00eancia Planet\u00e1ria\u00a0foi uma\u00a0iniciativa in\u00e9dita na COP30 criado para colocar a ci\u00eancia no centro das decis\u00f5es clim\u00e1ticas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: AmazoniaVox. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos impasses, houve tamb\u00e9m avan\u00e7os pol\u00edticos, como a cria\u00e7\u00e3o do Mecanismo de A\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m (BAM), que amplia a participa\u00e7\u00e3o de povos ind\u00edgenas, mulheres, comunidades locais e grupos vulnerabilizados nas decis\u00f5es sobre transi\u00e7\u00e3o justa. O texto final refor\u00e7a direitos humanos, direitos dos trabalhadores e acesso \u00e0 energia limpa \u2014 especialmente para cozinhar, uma das principais fontes de emiss\u00f5es dom\u00e9sticas em pa\u00edses pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"promessas-grandes-compromissos-pequenos\"><strong>Promessas grandes, compromissos pequenos<\/strong><\/h4>\n<p>O financiamento clim\u00e1tico voltou a ser uma das \u00e1reas de maior tens\u00e3o. Mesmo com avan\u00e7os, persistem promessas vagas dos pa\u00edses desenvolvidos, metas imprecisas e aus\u00eancia de responsabiliza\u00e7\u00e3o clara dos maiores emissores hist\u00f3ricos. A discrep\u00e2ncia entre necessidade e oferta continua profunda. Como explica Francisco Assis da Costa, pesquisador e professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Tr\u00f3pico \u00damido do N\u00facleo de Altos Estudos Amaz\u00f4nicos (NAEA) da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufpa.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA)<\/a><\/strong><\/span>: \u201cChegamos a n\u00fameros que deixavam todos atordoados: a necessidade \u00e9 de 3 trilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais. Por outro lado, a disposi\u00e7\u00e3o m\u00e1xima que se conseguiu chegar foi de 300 bilh\u00f5es. Ent\u00e3o fica uma lacuna gigantesca. Isso aponta para uma insufici\u00eancia das a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>A geopol\u00edtica agravou o cen\u00e1rio. Segundo Paulo Artaxo, conflitos e crises regionais travaram compromissos mais ambiciosos: \u201cEste ano tivemos duas grandes guerras e v\u00e1rias crises pol\u00edticas. Os pa\u00edses estavam muito mais reticentes em se comprometer a reduzir emiss\u00f5es, fornecer recursos ou apoiar pa\u00edses em desenvolvimento. A geopol\u00edtica tornou esta COP muito mais dif\u00edcil que as anteriores\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-participacao-da-sociedade-civil-foi-extraordinaria-grupos-indigenas-quilombolas-ongs-todos-perceberam-o-vigor-da-sociedade-civil-brasileira\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil foi extraordin\u00e1ria. Grupos ind\u00edgenas, quilombolas, ONGs. Todos perceberam o vigor da sociedade civil brasileira.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os avan\u00e7os concretos, o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/tfff.earth\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF)<\/a><\/strong><\/span> foi um dos destaques. Com apoio inicial de 63 pa\u00edses e US$ 6,7 bilh\u00f5es mobilizados, o mecanismo promete financiar a preserva\u00e7\u00e3o de florestas tropicais e promover desenvolvimento sustent\u00e1vel. Para Francisco Assis da Costa, o fundo representa um \u201csucesso estrat\u00e9gico\u201d: \u201cForam arrecadados cerca de 6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares j\u00e1 durante a COP30. \u00c9 um mecanismo extremamente importante para preservar florestas que est\u00e3o em p\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"justica-climatica-ainda-distante\"><strong>Justi\u00e7a clim\u00e1tica ainda distante<\/strong><\/h4>\n<p>Os pa\u00edses historicamente respons\u00e1veis pela maior parte das emiss\u00f5es \u2014 e que mais lucram com combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2014 bloquearam medidas estruturais e resistem a financiar pa\u00edses vulner\u00e1veis. Essa postura aprofunda desigualdades j\u00e1 antigas e limita a capacidade global de adapta\u00e7\u00e3o, num momento em que os impactos clim\u00e1ticos se intensificam rapidamente.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a desigualdade social caminham juntas: quem menos contribui para o aquecimento global \u00e9 justamente quem mais sofre seus efeitos. Popula\u00e7\u00f5es pobres, com menor acesso a infraestrutura e prote\u00e7\u00e3o social, enfrentam secas, enchentes e calor extremo de forma desproporcional, enquanto os pa\u00edses ricos \u2014 maiores emissores hist\u00f3ricos \u2014 seguem se beneficiando economicamente dos f\u00f3sseis. Esse desequil\u00edbrio cria um ciclo persistente de injusti\u00e7a clim\u00e1tica que atinge sobretudo mulheres, crian\u00e7as e minorias. Por isso, lutar por justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um imperativo \u00e9tico, social e pol\u00edtico: trata-se de garantir que os custos e benef\u00edcios da transi\u00e7\u00e3o sejam distribu\u00eddos de forma mais equitativa. Mesmo com o tema presente nas discuss\u00f5es da COP30 em Bel\u00e9m, as negocia\u00e7\u00f5es ficaram distantes de medidas concretas e transformadoras.<\/p>\n<p>Como sintetizou Paulo Artaxo: \u201cPa\u00edses desenvolvidos n\u00e3o est\u00e3o dispostos a ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento. Isso agrava desigualdades econ\u00f4micas j\u00e1 vergonhosas e traz mais instabilidade social e pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mobilizacao-historica-fora-dos-saloes-da-onu\"><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica fora dos sal\u00f5es da ONU<\/strong><\/h4>\n<p>Enquanto as negocia\u00e7\u00f5es formais enfrentavam bloqueios, Bel\u00e9m viveu uma COP vibrante fora da Zona Azul. A <strong><a href=\"https:\/\/cupuladospovoscop30.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">C\u00fapula dos Povos<\/span><\/a><\/strong>, realizada na UFPA, reuniu 25 mil pessoas e mais de mil organiza\u00e7\u00f5es, com forte presen\u00e7a ind\u00edgena \u2014 cerca de 3 mil representantes. A Marcha Global pelo Clima levou 70 mil pessoas \u00e0s ruas. \u201cFoi uma COP diferente das \u00faltimas 10\u201d, avaliou Paulo Artaxo. \u201cA participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil foi extraordin\u00e1ria. Grupos ind\u00edgenas, quilombolas, ONGs. Todos perceberam o vigor da sociedade civil brasileira.\u201d (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-cupula-dos-povos-reuniu-cerca-de-13-mil-movimentos-sociais-em-belem-e-criticou-omissao-de-paises-na-tomada-de-decisao-na-cop-30foto-tania-rego-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9451\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-Bele\u0301m-no-centro-do-mundo-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. C\u00fapula dos Povos reuniu cerca de 1,3 mil movimentos sociais em Bel\u00e9m e criticou omiss\u00e3o de pa\u00edses na tomada de decis\u00e3o na COP 30<br \/>\n<\/strong>(Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Francisco Assis da Costa destacou a abertura mais ampla da <em>green zone<\/em>, que intensificou o di\u00e1logo entre sociedade civil, ativistas e diplomatas. \u201cFoi uma coisa muito mais viva e empolgante. Os atores mais organizados da sociedade pol\u00edtica estiveram presentes e a participa\u00e7\u00e3o foi real\u201d.<\/p>\n<p>Para a presidente da SBPC, Francilene Garcia, a ci\u00eancia segue sendo um eixo de orienta\u00e7\u00e3o moral e pol\u00edtica: \u201cEm Bel\u00e9m, os cientistas lembraram ao mundo que n\u00e3o existe rota de fuga para um planeta em colapso. O que emergiu foi um realinhamento moral: pa\u00edses dispostos a liderar, sociedades mobilizadas, juventudes vigilantes e uma Ci\u00eancia que oferece um caminho de coragem e coer\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-continua-avaliando-os-resultados-das-negociacoes-e-entrega-no-proximo-ano-seu-legado-isso-e-muito-novo-e-muito-importante-para-todos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA ci\u00eancia continua avaliando os resultados das negocia\u00e7\u00f5es e entrega no pr\u00f3ximo ano seu legado. Isso \u00e9 muito novo e muito importante para todos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ci\u00eancia tem papel decisivo para orientar pol\u00edticas eficazes, desenvolvendo tecnologias limpas, subsidiando decis\u00f5es p\u00fablicas com dados robustos e apontando caminhos como o combate ao desmatamento, a restaura\u00e7\u00e3o florestal e pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas. A participa\u00e7\u00e3o ativa de pesquisadores \u2014 aliada \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o social \u2014 \u00e9 essencial para o conhecimento ser traduzido em pol\u00edticas concretas. O Pavilh\u00e3o da Ci\u00eancia Planet\u00e1ria foi um avan\u00e7o nesse sentido, mesmo que suas recomenda\u00e7\u00f5es, como o cumprimento da meta de 1,5\u00b0C, n\u00e3o tenham sido incorporadas ao texto final.<\/p>\n<p>Ainda assim, Francisco Assis da Costa lembra que a avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da ci\u00eancia cria um mecanismo in\u00e9dito de responsabilidade: \u201cA ci\u00eancia continua avaliando os resultados das negocia\u00e7\u00f5es e entrega no pr\u00f3ximo ano seu legado. Isso \u00e9 muito novo e muito importante para todos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-cop30-trouxe-avancos-institucionais-importantes-mas-acabou-marcada-pela-falta-de-metas-robustas-para-combustiveis-fosseis-e-desmatamento-foto-antonio-scorza-cop-30-reproducao\"><strong>Capa. COP30 trouxe avan\u00e7os institucionais importantes, mas acabou marcada pela falta de metas robustas para combust\u00edveis f\u00f3sseis e desmatamento.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Ant\u00f4nio Scorza\/COP 30. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em meio a avan\u00e7os sociais e impasses estruturais, confer\u00eancia exp\u00f4s tens\u00f5es pol\u00edticas,&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":9449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9448"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9448"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9448\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9467,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9448\/revisions\/9467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}