{"id":9455,"date":"2025-12-15T07:55:09","date_gmt":"2025-12-15T07:55:09","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9455"},"modified":"2025-12-13T19:34:54","modified_gmt":"2025-12-13T19:34:54","slug":"cidades-sob-pressao-politicas-ambientais-devem-estar-na-linha-de-frente-do-desenvolvimento-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9455","title":{"rendered":"Cidades sob press\u00e3o: pol\u00edticas ambientais devem estar na linha de frente do desenvolvimento urbano"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"com-a-cop30-em-belem-nacoes-vivenciaram-impactos-da-emergencia-climatica-em-suas-rotinas-numa-tentativa-de-aprofundar-debates-sobre-territorio-e-adaptacao-do-clima\"><span style=\"color: #808080;\">Com a COP30 em Bel\u00e9m, na\u00e7\u00f5es vivenciaram impactos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica em suas rotinas, numa tentativa de aprofundar debates sobre territ\u00f3rio e adapta\u00e7\u00e3o do clima.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais de 2.800 munic\u00edpios brasileiros \u2014 o equivalente a metade do pa\u00eds \u2014 j\u00e1 vivem em situa\u00e7\u00e3o de alta ou muito alta vulnerabilidade clim\u00e1tica, segundo a plataforma <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/adaptabrasil.mcti.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adapta Brasil<\/a><\/strong><\/span>. O dado integra o relat\u00f3rio <span style=\"color: #800000;\"><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.iis-rio.org\/publicacoes\/cidades-verdes-azuis-resilientes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Cidades Verdes-Azuis Resilientes<\/strong><\/a><\/em><\/span>, lan\u00e7ado pelo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/simaclim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Centro de S\u00edntese em Mudan\u00e7as Ambientais e Clim\u00e1ticas (Simaclim)<\/strong><\/a><\/span>, que re\u00fane evid\u00eancias cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas para apoiar governos, empresas e a sociedade na constru\u00e7\u00e3o de centros urbanos mais preparados diante da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>As cidades est\u00e3o hoje no epicentro das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 simultaneamente como parte do problema e da solu\u00e7\u00e3o. Embora ocupem menos de 2% da superf\u00edcie terrestre, concentram mais de 70% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa (GEE), impulsionadas sobretudo pela gera\u00e7\u00e3o de energia, pelo transporte motorizado e pela constru\u00e7\u00e3o civil. A queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis nesses espa\u00e7os libera n\u00e3o apenas di\u00f3xido de carbono (CO\u2082), mas tamb\u00e9m poluentes como mon\u00f3xido de carbono (CO), \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NOx) e compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (COVs), que agravam o aquecimento global e afetam diretamente a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Com cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial concentrado nos centros urbanos, a press\u00e3o sobre ecossistemas urbanos e periurbanos \u00e9 intensa \u2014 e tende a crescer, aprofundando riscos sociais, ambientais e sanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da 30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, a COP30, em Bel\u00e9m, colocou representantes de mais de 190 pa\u00edses em contato direto com o territ\u00f3rio amaz\u00f4nico. Ao longo do evento, delega\u00e7\u00f5es vivenciaram no cotidiano os efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica, como calor extremo, chuvas intensas e desigualdades estruturais. A escolha da cidade trouxe um significado adicional \u00e0 Confer\u00eancia: o que a experi\u00eancia concreta de viver com enchentes, ondas de calor e vulnerabilidade urbana pode ensinar ao mundo sobre adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-experiencia-brasileira-sobretudo-nas-cidades-altamente-vulneraveis-e-expostas-que-convivem-recorrentemente-com-enchentes-secas-e-ondas-de-calor-mostra-que-adaptacao-nao-e-apenas-uma-ques\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA experi\u00eancia brasileira, sobretudo nas cidades altamente vulner\u00e1veis e expostas que convivem recorrentemente com enchentes, secas e ondas de calor, mostra que adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica: \u00e9 uma quest\u00e3o socioecon\u00f4mica.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lincoln Alves, pesquisador do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)<\/a><\/strong><\/span>, que atua no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) coordenando agendas relacionadas \u00e0 resili\u00eancia e \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o, afirma que a COP30 evidenciou realidades que o Brasil pode compartilhar com a comunidade internacional. \u201cA experi\u00eancia brasileira, sobretudo nas cidades altamente vulner\u00e1veis e expostas que convivem recorrentemente com enchentes, secas e ondas de calor, mostra que adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o t\u00e9cnica: \u00e9 uma quest\u00e3o socioecon\u00f4mica\u201d, afirma. Segundo ele, pa\u00edses como o Brasil t\u00eam demonstrado, especialmente ao Norte Global, que a vulnerabilidade clim\u00e1tica \u00e9 distribu\u00edda de forma desigual e que respostas eficazes exigem a integra\u00e7\u00e3o entre planejamento urbano, pol\u00edticas habitacionais, sa\u00fade p\u00fablica e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. \u201cEm outras palavras, adaptar cidades n\u00e3o significa apenas construir infraestrutura; significa reduzir risco onde ele \u00e9 produzido: nas periferias, nos assentamentos informais e nos territ\u00f3rios historicamente invisibilizados pelo planejamento urbano tradicional.\u201d (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-as-cidades-estao-hoje-no-epicentro-das-mudancas-climaticas-foto-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9457\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-300x168.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-768x431.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-800x449.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1-1160x651.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura1.jpg 1477w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. As cidades est\u00e3o hoje no epicentro das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Lincoln Alves, pol\u00edticas p\u00fablicas de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica precisam reconhecer que os territ\u00f3rios n\u00e3o se resumem a infraestruturas f\u00edsicas, mas s\u00e3o tamb\u00e9m espa\u00e7os de identidade, mem\u00f3ria e modos de vida. \u201cNo Brasil, essa dimens\u00e3o \u00e9 ainda mais relevante porque a rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio \u00e9 profundamente marcada por saberes tradicionais, v\u00ednculos culturais e desigualdades hist\u00f3ricas, como se observa na Amaz\u00f4nia e no Semi\u00e1rido nordestino.\u201d Ele defende uma mudan\u00e7a de paradigma: sair de modelos tecnocr\u00e1ticos e lineares e avan\u00e7ar para uma governan\u00e7a multin\u00edvel, multissetorial e participativa, que incorpore diferentes formas de conhecimento e coloque ci\u00eancia, evid\u00eancias e justi\u00e7a social no centro das decis\u00f5es.<\/p>\n<h4 id=\"\"><\/h4>\n<h4 id=\"-2\"><\/h4>\n<h4 id=\"desigualdade-e-prevencao\"><strong>Desigualdade e preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cO que n\u00f3s temos que olhar cada vez mais \u00e9 para a antecipa\u00e7\u00e3o, para evitar que esses problemas aconte\u00e7am, para prevenir \u2014 porque a palavra mais certa \u00e9 prevenir\u201d, afirma Pedro Jacobi, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Ambiental da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador do Grupo de Estudos do Meio Ambiente e Sociedade no <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.iea.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA-USP)<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>Segundo Pedro Jacobi, h\u00e1 dois atores centrais nesse processo. De um lado, o poder p\u00fablico, respons\u00e1vel por pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o, como desassoreamento de rios e manuten\u00e7\u00e3o da drenagem urbana. De outro, no p\u00f3s-desastre, a Defesa Civil, frequentemente sobrecarregada diante da magnitude dos impactos. \u201cBoa parte das cidades do planeta n\u00e3o est\u00e1 preparada para a transforma\u00e7\u00e3o em curso relacionada aos eventos extremos. Quando chove 200 ou 300 mil\u00edmetros, como tem ocorrido em v\u00e1rias cidades brasileiras, entramos no pior cen\u00e1rio poss\u00edvel, porque os sistemas de drenagem simplesmente n\u00e3o d\u00e3o conta\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"adaptar-nao-e-apenas-construir-obras-e-reduzir-desigualdades-historicas-e-proteger-modos-de-vida\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAdaptar n\u00e3o \u00e9 apenas construir obras: \u00e9 reduzir desigualdades hist\u00f3ricas e proteger modos de vida.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar em pol\u00edticas adequadas, Lincoln Alves destaca a centralidade da justi\u00e7a clim\u00e1tica, conceito que assume contornos distintos conforme o territ\u00f3rio. \u201cEm uma cidade amaz\u00f4nica, justi\u00e7a clim\u00e1tica significa garantir que quem menos contribuiu para a crise clim\u00e1tica \u2014 povos ind\u00edgenas, ribeirinhos, quilombolas e popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas \u2014 n\u00e3o seja quem mais sofre seus impactos. Isso envolve acesso equitativo \u00e0 infraestrutura, prote\u00e7\u00e3o de direitos territoriais, participa\u00e7\u00e3o real nas decis\u00f5es e valoriza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos locais. Adaptar, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 apenas construir obras: \u00e9 reduzir desigualdades hist\u00f3ricas e proteger modos de vida\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apesar dos desafios, experi\u00eancias comunit\u00e1rias e iniciativas locais j\u00e1 oferecem caminhos poss\u00edveis. \u201cEm algumas cidades amaz\u00f4nicas, observamos uma combina\u00e7\u00e3o de iniciativas formais e pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias que v\u00eam se consolidando como refer\u00eancias em adapta\u00e7\u00e3o urbana\u201d, explica Lincoln Alves. Entre elas est\u00e3o parques de inunda\u00e7\u00e3o, solu\u00e7\u00f5es de drenagem urbana baseadas na natureza e a restaura\u00e7\u00e3o de manguezais para lidar com os ciclos hidrol\u00f3gicos, especialmente em cidades como Bel\u00e9m, Manaus e Santar\u00e9m. Ele destaca ainda o papel da Iniciativa <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/composicao\/smc\/adaptacidades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AdaptaCidades<\/a><\/strong><\/span>, que busca fortalecer capacidades locais, apoiar diagn\u00f3sticos de risco, desenvolver ferramentas de planejamento e promover governan\u00e7a multin\u00edvel para integrar a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas municipais e estaduais.<\/p>\n<p>Pedro Jacobi refor\u00e7a que o problema urbano brasileiro est\u00e1 profundamente ligado \u00e0 desigualdade. \u201c\u00c9 uma ocupa\u00e7\u00e3o desigual e desordenada, muitas vezes em \u00e1reas onde n\u00e3o deveria ocorrer. Por omiss\u00e3o ou populismo, o poder p\u00fablico deixa de investir adequadamente em moradia, empurrando a popula\u00e7\u00e3o para condi\u00e7\u00f5es extremamente prec\u00e1rias e vulner\u00e1veis \u00e0s intemp\u00e9ries.\u201d Para ele, a ci\u00eancia tem cumprido seu papel, com pesquisas p\u00fablicas, projetos de extens\u00e3o universit\u00e1ria e di\u00e1logo com gestores. \u201cO que observamos, no entanto, \u00e9 que muitas propostas consolidadas pela ci\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o incorporadas \u00e0 gest\u00e3o p\u00fablica.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"da-floresta-as-chuvas\"><strong>Da floresta \u00e0s chuvas<\/strong><\/h4>\n<p>Os debates sobre pol\u00edticas urbanas e ambientais n\u00e3o se restringem \u00e0 Amaz\u00f4nia. Em Porto Alegre, ap\u00f3s a grande inunda\u00e7\u00e3o de 2024, a prefeitura anunciou a revis\u00e3o do Plano Diretor do munic\u00edpio. Especialistas apontam problemas na proposta, como a redu\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os democr\u00e1ticos de participa\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es nos limites urban\u00edsticos sem considerar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Entre os exemplos mais controversos est\u00e1 a autoriza\u00e7\u00e3o para edif\u00edcios de at\u00e9 130 metros em \u00e1reas inund\u00e1veis \u2014 hoje, o limite \u00e9 de 52 metros.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos ser proativos, pois a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um processo de acelera\u00e7\u00e3o e agravamento, com muitas novidades pela frente. No caso de Porto Alegre, por\u00e9m, vejo quase nenhuma resposta proativa. Edifica\u00e7\u00f5es, bairros e equipamentos urbanos precisam ser repensados, n\u00e3o apenas recuperados. N\u00e3o vejo isso acontecendo\u201d, avalia Demetrio Luis Guadagnin, professor do Departamento de Ecologia da <strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/span><\/a><\/strong>. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-enchente-em-porto-alegre-em-2024foto-rafa-neddemeyer-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9458\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-768x460.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-1536x919.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-800x479.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2-1160x694.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CC-4E25-reportagem-cidades-e-clima-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Enchente em Porto Alegre em 2024<br \/>\n<\/strong>(Foto: Rafa Neddemeyer\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Demetrio Guadagnin destaca que o conceito de resili\u00eancia \u00e9 frequentemente usado de forma vaga. \u201cEm geral, as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais de resist\u00eancia do que de resili\u00eancia.\u201d Segundo ele, resist\u00eancia significa tentar evitar danos \u2014 como refor\u00e7ar sistemas de prote\u00e7\u00e3o contra cheias. J\u00e1 a resili\u00eancia envolve imaginar solu\u00e7\u00f5es para que a cidade se recupere rapidamente de novos eventos extremos, reposicionando ou reconfigurando equipamentos, infraestrutura, mobili\u00e1rio e servi\u00e7os. \u201cIsso \u00e9 raro de ver. Adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo al\u00e9m da resist\u00eancia e da resili\u00eancia, e \u00e9 ainda menos considerada na experi\u00eancia de Porto Alegre. Precisamos adaptar nossas cidades para um cen\u00e1rio clim\u00e1tico que continuar\u00e1 se agravando, mesmo que os esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o avancem\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-a-cop\"><strong>E a COP?<\/strong><\/h4>\n<p>A COP30 deixou um balan\u00e7o marcado por contrastes. Houve avan\u00e7os relevantes em temas como justi\u00e7a racial e de g\u00eanero, amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o social e institucionaliza\u00e7\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o justa. Ao mesmo tempo, os resultados ficaram aqu\u00e9m da urg\u00eancia imposta pela crise clim\u00e1tica, especialmente no que diz respeito \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, ao combate ao desmatamento e ao financiamento clim\u00e1tico. As divis\u00f5es geopol\u00edticas tornaram-se expl\u00edcitas, limitando consensos e travando decis\u00f5es mais ambiciosas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-cop30-mobilizou-um-debate-importante-sobre-adaptacao-pela-primeira-vez-especialmente-em-contextos-urbanos-a-adaptacao-ganhou-centralidade-politica-e-visibilidade-internacional\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA COP30 mobilizou um debate importante sobre adapta\u00e7\u00e3o. Pela primeira vez, especialmente em contextos urbanos, a adapta\u00e7\u00e3o ganhou centralidade pol\u00edtica e visibilidade internacional.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA COP30 mobilizou um debate importante sobre adapta\u00e7\u00e3o. Pela primeira vez, especialmente em contextos urbanos, a adapta\u00e7\u00e3o ganhou centralidade pol\u00edtica e visibilidade internacional\u201d, avalia Lincoln Alves. Segundo ele, al\u00e9m de decis\u00f5es formais \u2014 como os indicadores globais do Objetivo Global de Adapta\u00e7\u00e3o (GGA, na sigla em ingl\u00eas) e os avan\u00e7os nos Planos Nacionais de Adapta\u00e7\u00e3o (NAPs) \u2014 houve uma mobiliza\u00e7\u00e3o social, cient\u00edfica e institucional que consolidou a compreens\u00e3o de que adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma agenda futura, mas uma urg\u00eancia do presente. \u201cA COP30 n\u00e3o resolveu todos os desafios, especialmente no financiamento, mas elevou o tema, conectou atores e acelerou uma mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o: adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais um cap\u00edtulo secund\u00e1rio, \u00e9 um pilar essencial da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica global, ao lado da mitiga\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Pedro Jacobi destaca que, sob a perspectiva da adapta\u00e7\u00e3o, os acordos da COP30 refor\u00e7am um ponto central: o financiamento clim\u00e1tico. \u201c\u00c9 fundamental pensar o financiamento numa l\u00f3gica de antecipa\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o.\u201d Para ele, outro desafio \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o efetiva das respostas, com prazos mais claros e compromissos concretos, inclusive no \u00e2mbito das Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDCs). \u201cO clima n\u00e3o \u00e9 um problema restrito aos territ\u00f3rios impactados. Ele precisa ser interpretado de forma global. Todos os atores internacionais devem convergir para uma agenda comum: controlar as emiss\u00f5es\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-entre-enchentes-secas-e-desigualdades-o-desafio-de-adaptar-as-cidades-brasileiras-ao-clima-extremofoto-marcello-casal-jr-agencia-brasil-reproducao\"><strong>Capa. <\/strong><strong>Entre enchentes, secas e desigualdades: o desafio de adaptar as cidades brasileiras ao clima extremo<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcello Casal Jr.\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com a COP30 em Bel\u00e9m, na\u00e7\u00f5es vivenciaram impactos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica em&hellip;\n","protected":false},"author":12,"featured_media":9456,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9455"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9455"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9462,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9455\/revisions\/9462"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}