{"id":9558,"date":"2026-01-15T07:30:55","date_gmt":"2026-01-15T07:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9558"},"modified":"2026-02-06T18:46:50","modified_gmt":"2026-02-06T18:46:50","slug":"frankenstein-quando-a-ciencia-cria-seus-monstros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9558","title":{"rendered":"Frankenstein: quando a ci\u00eancia cria seus monstros"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-mito-popular-e-a-ciencia-por-tras-da-criatura\"><span style=\"color: #808080;\">O mito popular e a ci\u00eancia por tr\u00e1s da criatura<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Frankenstein n\u00e3o come\u00e7a como um conto de terror \u2014 come\u00e7a como uma pergunta inc\u00f4moda. O que acontece quando o desejo de conhecer ultrapassa a capacidade de assumir consequ\u00eancias? Ao longo de mais de dois s\u00e9culos, a resposta foi sendo coberta por imagens f\u00e1ceis: um monstro costurado, pinos no pesco\u00e7o, um cientista em del\u00edrio cercado por raios e engrenagens. Essa iconografia \u00e9 t\u00e3o poderosa que sobrevive mesmo entre quem nunca leu uma linha do romance <em>\u201cFrankenstein ou o Prometeu Moderno\u201d<\/em> da escritora brit\u00e2nica Mary Shelley. Mas ela tamb\u00e9m funciona como um v\u00e9u. Ao transformar Frankenstein em espet\u00e1culo, perdemos de vista aquilo que realmente sustenta a obra: uma reflex\u00e3o profunda sobre ci\u00eancia, poder e responsabilidade \u2014 t\u00e3o perturbadora hoje quanto em 1818.<\/p>\n<p>O primeiro equ\u00edvoco \u00e9 elementar, mas revelador: Frankenstein n\u00e3o \u00e9 o nome da criatura, e sim de seu criador, Victor Frankenstein, um jovem estudante de ci\u00eancias naturais. A confus\u00e3o persistente diz muito sobre o destino cultural da obra. Ao longo do tempo, o foco se deslocou da cr\u00edtica \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a figura do \u201cmonstro\u201d, como se o problema estivesse na criatura \u2014 e n\u00e3o na decis\u00e3o de cri\u00e1-la e abandon\u00e1-la. Mary Shelley, no entanto, nunca escreveu uma hist\u00f3ria sobre monstros; escreveu sobre escolhas humanas.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento recente de \u201c<em>Frankenstein \u2013 Only Monsters Play God\u201d<\/em> (2025), dirigido pelo cineasta e roteirista mexicano Guillermo del Toro, reacendeu esse debate. O filme \u00e9 visualmente exuberante e confirma a habilidade do cineasta em construir atmosferas densas e criaturas memor\u00e1veis. Ainda assim, apesar do apuro est\u00e9tico, a narrativa pouco avan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao dilema central j\u00e1 exaustivamente adaptado. \u00c9 justamente a\u00ed que o romance original se imp\u00f5e: Frankenstein n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e1bula sobrenatural, mas uma obra profundamente ancorada na ci\u00eancia, na filosofia natural e nas inquieta\u00e7\u00f5es intelectuais do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX \u2014 muitas das quais seguem abertas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"um-romance-sobre-criacao-culpa-e-poder\"><strong>Um romance sobre cria\u00e7\u00e3o, culpa e poder<\/strong><\/h4>\n<p>Escrito entre 1816 e 1817, Frankenstein \u00e9 frequentemente classificado como terror g\u00f3tico, mas essa etiqueta \u00e9 insuficiente. O livro trata da origem da vida, da figura do criador e dos limites do conhecimento humano, mas o faz por meio de uma arquitetura narrativa sofisticada. A hist\u00f3ria se constr\u00f3i em camadas, com tr\u00eas narradores que oferecem vers\u00f5es distintas da mesma trag\u00e9dia.<\/p>\n<h6 id=\"imagem-divulgacao\" style=\"text-align: center;\">\u00a0\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9561\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-1-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-1-196x300.jpg 196w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-1.jpg 654w\" sizes=\"(max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><br \/>\n(Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O capit\u00e3o Robert Walton abre o romance relatando, em cartas \u00e0 irm\u00e3, seu encontro com Victor Frankenstein durante uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao \u00c1rtico. Em seguida, Victor assume a narrativa, descrevendo sua forma\u00e7\u00e3o intelectual, sua obsess\u00e3o pelo conhecimento e o projeto que culmina na cria\u00e7\u00e3o da criatura. Por fim, a pr\u00f3pria criatura ganha voz \u2014 talvez o gesto mais radical de Shelley \u2014 e apresenta uma perspectiva marcada por lucidez, sensibilidade e consci\u00eancia moral.<\/p>\n<p>Essa multiplicidade de vozes desfaz qualquer leitura simplista. Victor surge n\u00e3o apenas como um cientista brilhante, mas como algu\u00e9m incapaz de lidar com os efeitos de sua ambi\u00e7\u00e3o. A criatura, por sua vez, n\u00e3o nasce violenta: torna-se agressiva ap\u00f3s sucessivas experi\u00eancias de rejei\u00e7\u00e3o e abandono. O romance n\u00e3o oferece vil\u00f5es f\u00e1ceis. Em vez disso, constr\u00f3i um conflito \u00e9tico em que responsabilidade e culpa se deslocam constantemente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"anatomia-e-o-corpo-como-maquina\"><strong>Anatomia e o corpo como m\u00e1quina<\/strong><\/h4>\n<p>A ci\u00eancia que permeia Frankenstein reflete debates reais do seu tempo. A partir do s\u00e9culo XVI, a disseca\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de cad\u00e1veres humanos transformou o corpo em objeto de estudo detalhado. No s\u00e9culo XVII, essa pr\u00e1tica consolidou uma vis\u00e3o mecanicista do organismo: o corpo passou a ser entendido como uma m\u00e1quina complexa, composta por partes interdependentes. William Harvey, ao descrever o cora\u00e7\u00e3o como uma bomba, tornou-se s\u00edmbolo dessa mudan\u00e7a de paradigma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mary-shelley-nao-escreveu-uma-historia-sobre-monstros-mas-sobre-escolhas-humanas-e-suas-consequencias\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cMary Shelley n\u00e3o escreveu uma hist\u00f3ria sobre monstros, mas sobre escolhas humanas \u2014 e suas consequ\u00eancias.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVIII, o interesse pela anatomia se intensificou, especialmente entre estudantes de medicina. Na Inglaterra, a escassez de cad\u00e1veres legalmente dispon\u00edveis levou \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cladr\u00f5es de corpos\u201d, que roubavam cad\u00e1veres de cemit\u00e9rios para abastecer escolas m\u00e9dicas. Esse cen\u00e1rio sombrio n\u00e3o \u00e9 um exagero liter\u00e1rio: ele est\u00e1 diretamente incorporado \u00e0 trajet\u00f3ria de Victor Frankenstein, que coleta fragmentos humanos para montar sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Shelley tamb\u00e9m dialoga com figuras reais da ci\u00eancia, como o cirurgi\u00e3o John Hunter, conhecido por disseca\u00e7\u00f5es, experimentos de ressuscita\u00e7\u00e3o em animais e interven\u00e7\u00f5es ousadas no corpo humano. A ideia de que o organismo poderia ser desmontado, reparado e reconstru\u00eddo \u2014 ainda que os transplantes humanos estivessem longe de se tornar realidade \u2014 alimentava a imagina\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da \u00e9poca. Frankenstein leva essa l\u00f3gica ao limite e exp\u00f5e suas implica\u00e7\u00f5es morais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"eletricidade-galvanismo-e-a-ilusao-do-sopro-da-vida\"><strong>Eletricidade, galvanismo e a ilus\u00e3o do \u201csopro da vida\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>Outro pilar cient\u00edfico do romance \u00e9 o fasc\u00ednio pela eletricidade. Nos s\u00e9culos XVIII e XIX, as fronteiras entre f\u00edsica, qu\u00edmica, biologia e filosofia natural eram porosas. A eletricidade, rec\u00e9m-identificada como fen\u00f4meno mensur\u00e1vel, passou a ser associada \u00e0 pr\u00f3pria ess\u00eancia da vida.<\/p>\n<p>Os experimentos de Luigi Galvani, que demonstraram contra\u00e7\u00f5es musculares em animais mortos submetidos a est\u00edmulos el\u00e9tricos, deram origem ao galvanismo e alimentaram a hip\u00f3tese de uma \u201cfor\u00e7a vital\u201d el\u00e9trica. Essa ideia rapidamente extrapolou os c\u00edrculos acad\u00eamicos. Giovanni Aldini, sobrinho de Galvani, realizou demonstra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em cad\u00e1veres humanos, provocando movimentos vis\u00edveis que fascinavam e aterrorizavam plateias.<\/p>\n<p>Embora o romance nunca descreva explicitamente raios ou tempestades no momento da cria\u00e7\u00e3o \u2014 um detalhe introduzido pelo cinema \u2014, o imagin\u00e1rio el\u00e9trico permeia a obra. Shelley captura com precis\u00e3o o esp\u00edrito de uma \u00e9poca em que a ci\u00eancia parecia \u00e0 beira de decifrar o segredo da vida, sem ainda compreender o peso \u00e9tico dessa descoberta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ambicao-cientifica-e-responsabilidade\"><strong>Ambi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e responsabilidade<\/strong><\/h4>\n<p>Frankenstein \u00e9 frequentemente apontado como uma das primeiras obras de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o por antecipar tecnologias futuristas, mas por integrar descobertas reais \u00e0 narrativa. O terror do livro n\u00e3o nasce do sobrenatural, e sim da plausibilidade. O leitor \u00e9 levado a pensar: isso poderia acontecer.<\/p>\n<h6 id=\"imagem-divulgacao-2\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9562\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-3.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-3.jpg 201w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/frank-3-10x12.jpg 10w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><br \/>\n(Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mary Shelley n\u00e3o condena o conhecimento cient\u00edfico em si. O alvo de sua cr\u00edtica \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o sem responsabilidade. Victor Frankenstein n\u00e3o \u00e9 punido por ousar saber, mas por criar e abandonar. Ao se recusar a assumir qualquer dever moral em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 criatura, ele desencadeia uma cadeia de sofrimento que escapa ao seu controle.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o dialoga diretamente com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quando o progresso t\u00e9cnico avan\u00e7ava mais r\u00e1pido do que a capacidade social de lidar com seus efeitos. Dois s\u00e9culos depois, a pergunta permanece desconfortavelmente atual: quem responde pelas consequ\u00eancias da inova\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"por-que-frankenstein-ainda-importa\"><strong>Por que Frankenstein ainda importa<\/strong><\/h4>\n<p>Frankenstein sobrevive porque se recusa a oferecer respostas f\u00e1ceis. \u00c9 um romance profundamente enraizado na ci\u00eancia de seu tempo, mas voltado para dilemas universais. Anatomia, eletricidade e filosofia vitalista n\u00e3o aparecem como pano de fundo decorativo, e sim como motores da narrativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"frankenstein-sobrevive-porque-se-recusa-a-oferecer-respostas-faceis-para-os-dilemas-do-progresso-cientifico\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cFrankenstein sobrevive porque se recusa a oferecer respostas f\u00e1ceis para os dilemas do progresso cient\u00edfico.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ler Frankenstein hoje \u2014 ou revisitar suas adapta\u00e7\u00f5es com olhar cr\u00edtico \u2014 \u00e9 confrontar um espelho inc\u00f4modo. A criatura n\u00e3o \u00e9 um erro da natureza, mas o resultado direto das escolhas humanas. Talvez seja por isso que a hist\u00f3ria continue retornando. N\u00e3o porque tenha algo novo a dizer, mas porque seguimos insistindo nas mesmas perguntas \u2014 apenas com tecnologias diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>SHELLEY, Mary.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=Frankenstein&amp;oq=como+citar+o+livro+frankestein+de+mary+shelley&amp;aqs=chrome..69i57j33i10i160.10340j0j15&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8&amp;mstk=AUtExfCdaVLpjgdRFZ4CW1geAYXIc-_0VezPGNjtuAmx-mCSuhNuFA7Rqii0Jt1syr0cwLq9SuATgWNcVZ_4w0X2z_htixviWkZ70YhG8bdlcaMPajOXmPkPLYd66QQGBpUKsZDHeFmTFukam5kxq2cVHuDhr9VWEQL-U44qKd1HkdDuDOQ&amp;csui=3&amp;ved=2ahUKEwjq1Ink6_aRAxVTpJUCHd4cOzUQgK4QegQIBBAB\"><em>Frankenstein<\/em><\/a><em>\u00a0ou o Prometeu Moderno<\/em>. 1818.<\/p>\n<p>DEL TORO, Guillermo (dir.).\u00a0<em>Frankenstein<\/em>. Estados Unidos, 2025.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Capa: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O mito popular e a ci\u00eancia por tr\u00e1s da criatura &nbsp; Frankenstein&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":9559,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,865],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9558"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9705,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9558\/revisions\/9705"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}