{"id":9571,"date":"2026-01-22T07:30:13","date_gmt":"2026-01-22T07:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9571"},"modified":"2026-02-06T18:45:31","modified_gmt":"2026-02-06T18:45:31","slug":"quando-o-clima-vira-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9571","title":{"rendered":"Quando o clima vira arte"},"content":{"rendered":"<h3 id=\"da-cultura-pop-as-tradicoes-visuais-e-sonoras-a-arte-popular-traduz-a-crise-climatica-em-emocao-memoria-e-urgencia-coletiva\"><strong><span style=\"color: #808080;\">Da cultura pop \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es visuais e sonoras, a arte popular traduz a crise clim\u00e1tica em emo\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e urg\u00eancia coletiva<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica \u00e9, antes de tudo, uma crise de percep\u00e7\u00e3o. Embora os dados cient\u00edficos sejam abundantes, precisos e cada vez mais alarmantes, eles nem sempre conseguem atravessar a dist\u00e2ncia entre gr\u00e1ficos e experi\u00eancias cotidianas. \u00c9 justamente nesse intervalo \u2014 entre o n\u00famero e o sentimento \u2014 que a arte popular se torna uma ferramenta poderosa. Inspirada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pelo aquecimento global, essa produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica busca tornar o invis\u00edvel palp\u00e1vel, transformar estat\u00edsticas em imagens, sons e narrativas capazes de afetar, inquietar e mobilizar. Mais do que ilustrar dados, a arte clim\u00e1tica procura romper a tend\u00eancia humana de valorizar apenas a experi\u00eancia pessoal imediata, tornando a crise v\u00edvida, acess\u00edvel e imposs\u00edvel de ignorar.<\/p>\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, artistas, cineastas, m\u00fasicos, escritores e coletivos culturais passaram a incorporar as transforma\u00e7\u00f5es ambientais em suas obras, revelando as dimens\u00f5es sociais, pol\u00edticas e afetivas do colapso clim\u00e1tico. Em muitos casos, essas cria\u00e7\u00f5es envolvem comunidades diretamente impactadas por secas, enchentes, inc\u00eandios ou pela destrui\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios, aproximando arte e engajamento ambiental. Em outros, operam no campo da met\u00e1fora, do humor ou da distopia, expondo o absurdo do negacionismo e a fragilidade da ideia de progresso ilimitado. Cientistas e artistas n\u00e3o cientistas se encontram nesse territ\u00f3rio h\u00edbrido, frequentemente sobreposto \u00e0 arte de dados, em que informa\u00e7\u00e3o e sensibilidade caminham juntas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"assistindo-o-clima\">Assistindo o clima<\/h4>\n<p>No cinema, essa aproxima\u00e7\u00e3o se tornou especialmente vis\u00edvel. Grandes produ\u00e7\u00f5es de Hollywood e anima\u00e7\u00f5es populares ajudaram a inserir o tema clim\u00e1tico no imagin\u00e1rio coletivo. \u201c<em>Interestelar\u201d<\/em> (2014), de Christopher Nolan, embora centrado na explora\u00e7\u00e3o espacial, parte de um cen\u00e1rio em que a Terra j\u00e1 n\u00e3o consegue sustentar a vida humana. A degrada\u00e7\u00e3o ambiental, a escassez de alimentos e as tempestades de poeira n\u00e3o s\u00e3o apenas pano de fundo: s\u00e3o o motor narrativo que obriga a humanidade a buscar outro lar no cosmos. A escolha de mostrar um planeta exaurido, silenciosamente abandonado, refor\u00e7a a ideia de que o colapso clim\u00e1tico n\u00e3o acontece de forma s\u00fabita, mas como um desgaste cont\u00ednuo, resultado de decis\u00f5es acumuladas ao longo do tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"entre-graficos-e-experiencias-cotidianas-a-arte-transforma-a-crise-climatica-em-algo-que-se-pode-ver-ouvir-e-sentir\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEntre gr\u00e1ficos e experi\u00eancias cotidianas, a arte transforma a crise clim\u00e1tica em algo que se pode ver, ouvir e sentir.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 \u201c<em>N\u00e3o Olhe para Cima\u201d<\/em> (2021) opta pelo caminho da s\u00e1tira. Lan\u00e7ado em meio \u00e0 pandemia, o filme escancarou, com humor \u00e1cido, os mecanismos de nega\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que tamb\u00e9m atravessam o debate clim\u00e1tico. O cometa prestes a destruir a Terra funciona como uma alegoria transparente da emerg\u00eancia ambiental: mesmo diante de evid\u00eancias irrefut\u00e1veis, interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos e midi\u00e1ticos conseguem transformar a cat\u00e1strofe em ru\u00eddo. A recep\u00e7\u00e3o dividida da cr\u00edtica contrasta com o impacto popular do filme, que rapidamente se tornou um ponto de refer\u00eancia cultural para discutir negacionismo e ina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A anima\u00e7\u00e3o \u201c<em>Wall-E\u201d<\/em> (2008) talvez seja uma das tradu\u00e7\u00f5es mais delicadas \u2014 e devastadoras \u2014 da crise ambiental na cultura pop. Ao retratar um planeta coberto por lixo, abandonado por seus habitantes e habitado apenas por um pequeno rob\u00f4 solit\u00e1rio, o filme da Pixar aborda consumo excessivo, descarte inadequado e aliena\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sem recorrer a discursos expl\u00edcitos. A aus\u00eancia quase total de di\u00e1logos nos primeiros minutos transforma imagens e sons em den\u00fancia, refor\u00e7ando a ideia de que o futuro clim\u00e1tico pode ser silencioso, vazio e profundamente solit\u00e1rio.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-wall-e-pixar-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9575\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WALL-E-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WALL-E-202x300.jpg 202w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WALL-E-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WALL-E.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Wall-E (Pixar. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre humanos e natureza tamb\u00e9m ocupa o centro de obras como \u201c<em>A Princesa Mononoke\u201d<\/em> (1997), de Hayao Miyazaki. A anima\u00e7\u00e3o do Studio Ghibli se recusa a simplificar o conflito ambiental em termos manique\u00edstas. Ao mostrar deuses da floresta, comunidades humanas e for\u00e7as industriais em tens\u00e3o constante, o filme sugere que a crise ecol\u00f3gica \u00e9 insepar\u00e1vel de escolhas sociais, culturais e econ\u00f4micas. N\u00e3o h\u00e1 vil\u00f5es absolutos, apenas consequ\u00eancias de modelos de desenvolvimento que entram em choque com os limites da natureza.<\/p>\n<p>Filmes-cat\u00e1strofe como \u201c<em>O Dia Depois de Amanh\u00e3\u201d<\/em> (2004) apostam na espetaculariza\u00e7\u00e3o, imaginando um congelamento abrupto do planeta. Embora cientificamente exagerado, o longa ecoa um tema recorrente: a dificuldade de governos e institui\u00e7\u00f5es em levar a s\u00e9rio os alertas da ci\u00eancia at\u00e9 que seja tarde demais. J\u00e1 document\u00e1rios como \u201c<em>Uma Verdade Inconveniente\u201d<\/em> (2006) abandonam a fic\u00e7\u00e3o e apostam na pedagogia direta, combinando palestras, dados e imagens impactantes para transformar o aquecimento global em uma quest\u00e3o moral e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No contexto brasileiro, produ\u00e7\u00f5es como o webdocument\u00e1rio \u201c<em>O Amanh\u00e3 \u00e9 Hoje\u201d<\/em> refor\u00e7am que a crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 um problema distante ou futuro. Ao acompanhar pessoas em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds lidando com secas, inc\u00eandios e ressacas, o filme evidencia que os impactos j\u00e1 moldam o cotidiano. Obras como \u201c<em>Xingu\u201d<\/em> e o curta \u201c<em>C\u00e9u Fuma\u00e7a\u201d<\/em> ampliam esse olhar ao conectar a crise clim\u00e1tica \u00e0 luta ind\u00edgena e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, mostrando que as consequ\u00eancias ambientais atravessam gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"escrevendo-o-clima\">Escrevendo o clima<\/h4>\n<p>Na literatura, a arte clim\u00e1tica assume m\u00faltiplas formas, do jornalismo narrativo \u00e0 fic\u00e7\u00e3o, da cosmologia ind\u00edgena \u00e0 cr\u00edtica econ\u00f4mica. Em \u201c<em>A espiral da morte\u201d<\/em>, Claudio Angelo combina reportagem, di\u00e1rio de viagem e ci\u00eancia para mostrar como o derretimento do \u00c1rtico e da Ant\u00e1rtida se conecta diretamente \u00e0 vida em cidades brasileiras. O livro traduz a complexidade da ci\u00eancia do clima sem suavizar seus impactos, construindo uma narrativa envolvente e inquietante.<\/p>\n<p>Outras obras deslocam o centro do debate para epistemologias historicamente marginalizadas. \u201c<em>Umbigo do Mundo\u201d<\/em>, de Francy e Francisco Baniwa, e \u201c<em>O Esp\u00edrito da Floresta\u201d<\/em>, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, apresentam vis\u00f5es ind\u00edgenas em que rios, \u00e1rvores e humanos formam uma rede indissoci\u00e1vel. \u201c<em>A Terra D\u00e1, a Terra Quer\u201d<\/em>, de Ant\u00f4nio Bispo dos Santos, prop\u00f5e uma leitura quilombola baseada na biointera\u00e7\u00e3o, questionando frontalmente o modelo desenvolvimentista dominante. Esses livros n\u00e3o apenas falam sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: eles oferecem outras formas de imaginar o mundo.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-umbigo-do-mundo-dantes-editora-divulgacao\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9574\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-300x240.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-300x240.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-1024x819.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-768x614.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-15x12.jpg 15w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-800x640.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo-1160x928.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/umbigo-do-mundo.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 625px) 100vw, 625px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. \u201cUmbigo do Mundo\u201d (Dantes Editora. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fic\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se mostra um territ\u00f3rio f\u00e9rtil. Em \u201c<em>A \u00c1rvore Mais Sozinha do Mundo\u201d<\/em>, de Mariana Salom\u00e3o Carrara, uma \u00e1rvore narradora observa a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e suas reverbera\u00e7\u00f5es afetivas. Em quadrinhos como \u201c<em>Heran\u00e7as\u201d<\/em>, Raquel Teixeira mistura fantasia e mem\u00f3ria ancestral para falar da Amaz\u00f4nia. Obras ensa\u00edsticas como \u201c<em>Ideias para adiar o fim do mundo\u201d<\/em>, de Ailton Krenak, tensionam a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de humanidade, sugerindo que a crise clim\u00e1tica \u00e9 resultado de uma separa\u00e7\u00e3o artificial entre humanos e natureza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"cantando-o-clima\">Cantando o clima<\/h4>\n<p>Na m\u00fasica, a emerg\u00eancia clim\u00e1tica ganha voz, ritmo e emo\u00e7\u00e3o. Paul McCartney, em \u201c<em>Despite Repeated Warnings\u201d<\/em>, soa como algu\u00e9m cansado de alertar para sinais ignorados, mas ainda disposto a apostar na mudan\u00e7a coletiva. No Brasil, \u201c<em>Para Onde Vamos?\u201d<\/em>, interpretada por Arnaldo Antunes, Z\u00e9lia Duncan e Zeca Baleiro, enumera queimadas, desmatamento e derretimento de geleiras, conectando a crise global ao engajamento local. Cl\u00e1ssicos como \u201c<em>Sobradinho\u201d<\/em>, de S\u00e1 e Guarabyra, mostram que a preocupa\u00e7\u00e3o ambiental j\u00e1 atravessava a m\u00fasica popular d\u00e9cadas antes de o termo \u201cmudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d se popularizar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ao-tornar-dados-emocionais-e-acessiveis-a-arte-popular-ajuda-a-construir-consciencia-onde-a-ciencia-sozinha-nao-alcanca\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAo tornar dados emocionais e acess\u00edveis, a arte popular ajuda a construir consci\u00eancia onde a ci\u00eancia sozinha n\u00e3o alcan\u00e7a.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Can\u00e7\u00f5es internacionais como \u201c<em>\u00bfD\u00f3nde jugar\u00e1n los ni\u00f1os?\u201d<\/em>, do Man\u00e1, e \u201c<em>Feels Like Summer\u201d<\/em>, de Childish Gambino, utilizam a nostalgia e a leveza sonora para abordar perdas profundas: rios polu\u00eddos, ver\u00f5es extremos, animais desaparecendo. Billie Eilish, em \u201c<em>all the good girls go to hell\u201d<\/em>, abandona a sutileza e denuncia diretamente inc\u00eandios, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e a indiferen\u00e7a humana. J\u00e1 \u201c<em>How Far I\u2019ll Go\u201d<\/em>, cantada por Alessia Cara em \u201c<em>Moana\u201d<\/em>, conecta identidade, \u00e1gua e territ\u00f3rio, ressaltando a vulnerabilidade das comunidades ind\u00edgenas e insulares diante da eleva\u00e7\u00e3o dos oceanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"sentindo-o-clima\">Sentindo o clima<\/h4>\n<p>Nas artes pl\u00e1sticas e visuais, a crise clim\u00e1tica se materializa de forma sensorial. Instala\u00e7\u00f5es como \u201c<em>Ice Watch\u201d<\/em>, de Olafur Eliasson, transportam blocos de gelo \u00e1rtico para espa\u00e7os urbanos, permitindo que o p\u00fablico toque e observe o derretimento em tempo real. Esculturas feitas de lixo por Bordalo II transformam res\u00edduos em animais monumentais, enquanto fotografias que comparam geleiras ao longo do tempo exp\u00f5em, sem necessidade de palavras, a velocidade da transforma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Artistas brasileiros t\u00eam ocupado um papel central nesse debate. Denilson Baniwa, em \u201c<em>Natureza Morta 1\u201d<\/em>, utiliza imagens de sat\u00e9lite para formar a silhueta de um paj\u00e9, denunciando o desmatamento e o colonialismo. Jaime Lauriano, ao substituir s\u00edmbolos patri\u00f3ticos por lama de rompimentos de barragens, conecta a ideia de progresso a trag\u00e9dias ambientais concretas. Mari Nagem, em <em>41\u00b0C<\/em>, transforma dados t\u00e9rmicos em alerta visual sobre a seca amaz\u00f4nica. Coletivos como o Instituto Maku-X e o Artivista Mairi levam murais \u00e0s ruas, unindo arte, ativismo e saberes ind\u00edgenas para falar diretamente com quem passa.<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-natureza-morta-1-denilson-baniwa-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9573\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-300x212.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-1024x724.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-768x543.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-800x566.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta-1160x820.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Natureza-morta.jpg 1499w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Natureza Morta 1 (Denilson Baniwa. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao atravessar cinema, literatura, m\u00fasica e artes visuais, a arte popular sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas cumpre um papel fundamental: ela n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, mas constr\u00f3i sentidos. Ao transformar dados em narrativas, n\u00fameros em imagens e alertas em emo\u00e7\u00e3o, essas obras ajudam a criar uma consci\u00eancia ambiental que n\u00e3o depende apenas do entendimento racional, mas do envolvimento afetivo. Em um mundo saturado de informa\u00e7\u00f5es, talvez seja a arte \u2014 em suas formas mais populares e acess\u00edveis \u2014 que consiga, finalmente, fazer com que a crise clim\u00e1tica seja sentida como aquilo que ela j\u00e1 \u00e9: uma experi\u00eancia compartilhada, urgente e profundamente humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-coletivo-artivista-mairi\"><strong>Capa. Coletivo Artivista Mairi.<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Da cultura pop \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es visuais e sonoras, a arte popular traduz&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9572,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9571"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9571"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9702,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9571\/revisions\/9702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}