{"id":9654,"date":"2026-02-09T07:55:21","date_gmt":"2026-02-09T07:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9654"},"modified":"2026-02-10T13:06:32","modified_gmt":"2026-02-10T13:06:32","slug":"musica-um-saber-em-ato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9654","title":{"rendered":"M\u00fasica: um saber em ato"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"uma-reflexao-sobre-a-inseparabilidade-entre-criacao-analise-e-conhecimento-musical-ao-longo-da-historia\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Uma reflex\u00e3o sobre a inseparabilidade entre cria\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e conhecimento musical ao longo da hist\u00f3ria.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"lugar-de-fala-compor-analisar-conhecer\">Lugar de fala: compor, analisar, conhecer<\/h4>\n<p>Meu lugar de fala \u00e9 o compor<sup>i<\/sup>. E assim, a partir dessa perspectiva, pretendo refletir sobre a multifacetada coexist\u00eancia de m\u00fasica e ci\u00eancia. Uma vis\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>De forma objetiva esse tema incide sobre o cerne da minha atividade cotidiana ao longo de d\u00e9cadas: a rela\u00e7\u00e3o entre composi\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise (teoria). O pensar de forma sistem\u00e1tica sobre m\u00fasica.<\/p>\n<p>Trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o bifronte, pois a atividade anal\u00edtica \u00e9 tanto uma parte significativa do pr\u00f3prio\u00a0compor, como uma atividade interpretativa em si mesma.<\/p>\n<p>Dizemos \u201cn\u00e3o\u201d a uma tradicional concep\u00e7\u00e3o que imagina a an\u00e1lise como adjunta pragm\u00e1tica do compor (uma esp\u00e9cie de bengala). \u00c9 bem mais, constitui o objeto.<\/p>\n<p>Como atividade interpretativa p\u00f5e em movimento a musicologia hist\u00f3rica, o ensino de teoria e an\u00e1lise, o embasamento de disserta\u00e7\u00f5es e teses, a elabora\u00e7\u00e3o de notas de programas de concerto, e mesmo os meus posts no Instagram<sup>ii<\/sup>&#8230;<\/p>\n<p>Em 1885, Guido Adler publicou um trabalho referencial: uma tabela abrangente dos saberes musicais,\u00a0<em>System der Musikwissenschaft<\/em>\u00a0(Sistema de uma Ci\u00eancia da M\u00fasica).<sup>iii<\/sup> Ou seja, Musicologia. Um marco.<\/p>\n<p>Com isso, conseguiu instituir, na era recente, uma ci\u00eancia aut\u00f4noma da m\u00fasica, n\u00e3o subordinada \u00e0 filologia cl\u00e1ssica ou \u00e0 est\u00e9tica filos\u00f3fica pura. E espa\u00e7o nas universidades.<\/p>\n<p>Dividiu sua tabela em dois grandes ramos: o hist\u00f3rico e o sistem\u00e1tico, uma solu\u00e7\u00e3o engenhosa, evitando que a teoria e mesmo a psicologia fossem apenas auxiliares da hist\u00f3ria. Antecipou a interdisciplinaridade.<\/p>\n<p>No primeiro ramo: A hist\u00f3ria da m\u00fasica, dos estilos, das escolas, as biografias, a paleografia, a cr\u00edtica das fontes. Ou seja: como a m\u00fasica se transformou no tempo?<\/p>\n<p>No segundo: a teoria, a est\u00e9tica, a psicologia, a fisiologia, a ac\u00fastica e a pedagogia. Ou seja: Quais as leis e estruturas da m\u00fasica?<\/p>\n<p>E, para al\u00e9m dessas duas categorias fundamentais, cria uma esp\u00e9cie de campo transversal, a Musicologia Comparada, que vai revolucionar o s\u00e9culo seguinte: a investiga\u00e7\u00e3o comparativa das formas e modos de pensamento musical dos povos. A etnomusicologia<sup>iv<\/sup>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"adler-e-o-ponto-cego-da-musicologia\">Adler e o ponto cego da musicologia<\/h4>\n<p>Ora, nossa revisita a Adler n\u00e3o \u00e9 sem segundas inten\u00e7\u00f5es. Queremos apontar algo bastante surpreendente: n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia alguma \u00e0 cria\u00e7\u00e3o musical, que assim desaparece como problema epistemol\u00f3gico. N\u00e3o seria um dos saberes musicais?<\/p>\n<p>Essa lacuna n\u00e3o \u00e9 acidental: ela \u00e9 constitutiva do projeto positivista e historicista do final do S\u00e9culo XIX. Adler precisava garantir a cientificidade por exclus\u00e3o, pois esse exclu\u00eddo seria o objeto de estudo. O compor sendo visto como algo \u201csubjetivo demais\u201d.<\/p>\n<p>Ao assumir o compor como lugar de fala,\u00a0sinalizo\u00a0a necessidade de uma perspectiva cr\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o a essa arruma\u00e7\u00e3o das coisas, o que inclui a cr\u00edtica ao modelo de Adler e todos os seus herdeiros, que deixam de reconhecer a cria\u00e7\u00e3o como um saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-musica-passa-a-ser-compreendida-nao-apenas-como-organizacao-sonora-mas-como-campo-de-projecoes-subjetivas-e-construcoes-de-sentido\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA m\u00fasica passa a ser compreendida n\u00e3o apenas como organiza\u00e7\u00e3o sonora, mas como campo de proje\u00e7\u00f5es subjetivas e constru\u00e7\u00f5es de sentido.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o esquecer: a teoria da m\u00fasica tem hist\u00f3ria milenar. Aristoxeno de Tarento escreveu um tratado sobre Ritmo h\u00e1 mais de dois mil\u00eanios e o que disse reverbera ainda hoje<sup>v<\/sup>.<\/p>\n<p>Ele entendeu que altura, intensidade e timbre s\u00e3o fenom\u00eanicos e ritmo \u00e9 relacional. Ora, isso \u00e9 algo que a neuroci\u00eancia recupera hoje a partir do estudo da rela\u00e7\u00e3o entre o c\u00f3rtex e o cerebelo.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o faz sentido acreditar que a capacidade de investigar a m\u00fasica tenha surgido apenas a partir da ci\u00eancia moderna, e apenas no Ocidente.<\/p>\n<p>Esse efeito de cr\u00edtica tamb\u00e9m surge da pr\u00f3pria experi\u00eancia\u00a0m\u00fasica. Imposs\u00edvel negar a coer\u00eancia e sistematicidade presentes na m\u00fasica medieval de um Guillaume de Machaut, cerca de 1300, com sua Missa de Notre Dame. Ou nos ritmos do candombl\u00e9 da Bahia.<\/p>\n<p>A coer\u00eancia sonora, a captura de um sentido de espa\u00e7o nas estruturas, a catedral sonora, digamos assim \u2014 a grande met\u00e1fora da episteme medieval. H\u00e1 um pesquisador atuando, alguns s\u00e9culos antes de surgir o conceito de pesquisa tal como o entendemos hoje.<\/p>\n<p>Olhando por esse \u00e2ngulo, parece dif\u00edcil negar uma grande contribui\u00e7\u00e3o da m\u00fasica, e das artes, para a maturidade cognitiva que vai dar suporte \u00e0 ruptura epistemol\u00f3gica de um Galileu ou Descartes. A quest\u00e3o se inverte. Mas ningu\u00e9m criou uma \u201ccienciologia\u201d para investigar as ci\u00eancias a partir das artes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"horizontes-analiticos-uma-ciencia-plural-da-musica\">Horizontes anal\u00edticos: uma ci\u00eancia plural da m\u00fasica<\/h4>\n<p>Voltando ao percurso iniciado por Adler, vemos que foi aberto um campo que, ao longo do S\u00e9culo XX e XXI, precisou se reorganizar tanto para aprofundar suas propostas iniciais como para enfrentar suas omiss\u00f5es. Vejamos uma breve s\u00edntese dos horizontes tem\u00e1ticos (ou janelas) assim desenvolvidos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>i) <strong><em>Estrutura ampliada<\/em><\/strong>: o n\u00facleo mais diretamente herdeiro do ramo sistem\u00e1tico re\u00fane abordagens empenhadas em modelar a organiza\u00e7\u00e3o interna da m\u00fasica. A\u00a0<strong>teoria tradicional<\/strong>(an\u00e1lise harm\u00f4nica, contraponto<sup>vi<\/sup> e forma, ensinados hoje nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em m\u00fasica, al\u00e9m da tradicional musicologia)<sup>vii<\/sup>; a\u00a0<strong>an\u00e1lise schenkeriana<\/strong>, que articula atrav\u00e9s da ferramenta da redu\u00e7\u00e3o eventos da contiguidade (vizinhan\u00e7as de superf\u00edcie) com eventos de longa dura\u00e7\u00e3o (estrutura, <em>Ursatz<\/em>)<sup>viii<\/sup>; os\u00a0<strong>estudos mot\u00edvicos<\/strong>(a\u00ed inclu\u00edda a Grundgestalt schoenberguiana), que trabalham com a perman\u00eancia de ideias germinais que nunca se repetem, mas nunca se perdem, e levam \u00e0 no\u00e7\u00e3o de <em>developing variation<\/em><sup>ix<\/sup><em>; a<\/em>\u00a0<strong>teoria p\u00f3s-tonal<\/strong>, quando a coer\u00eancia sobrevive sem centro atrav\u00e9s da l\u00f3gica matem\u00e1tica dos conjuntos \u2014 de forma mais recente gerando a <strong>teoria dos contornos<\/strong><sup>xi<\/sup>; a\u00a0<strong>an\u00e1lise neo-riemanniana<\/strong>,<sup>xii<\/sup> que envolve l\u00f3gicas tri\u00e1dicas para al\u00e9m tanto da tonalidade tradicional como da concep\u00e7\u00e3o serial do espa\u00e7o. Esse vasto horizonte j\u00e1 foi denominado de paradigma estrutural-organicista, em sua valoriza\u00e7\u00e3o pela busca de princ\u00edpios que\u00a0expliquem\u00a0coer\u00eancia, continuidade e transforma\u00e7\u00e3o musical. Ao longo do s\u00e9culo XX, esse impulso formalista se expande para novos par\u00e2metros:\u00a0<strong>an\u00e1lise da textura<\/strong><sup>xiii<\/sup><strong>\u00a0<\/strong>(e da orquestra\u00e7\u00e3o<sup>xiv<\/sup>),\u00a0<strong>an\u00e1lise do timbre<\/strong>\u00a0(e espectro)<sup>xv<\/sup> e, mais recentemente,\u00a0<strong>modelos computacionais<\/strong><sup>xvi<\/sup>. Ainda que cada uma dessas abordagens\u00a0refine\u00a0de modo not\u00e1vel a descri\u00e7\u00e3o estrutural do fen\u00f4meno musical, o compor permanece majoritariamente como pressuposto t\u00e1cito, n\u00e3o como problema epistemol\u00f3gico expl\u00edcito.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong>ii) Tempo, gesto, energia e experi\u00eancia: <\/strong>Um segundo conjunto de abordagens desloca o foco da estrutura entendida como organiza\u00e7\u00e3o espacial para a m\u00fasica como experi\u00eancia temporal em a\u00e7\u00e3o. <strong>Teorias do ritmo<\/strong><sup>xvii<\/sup> <strong>e da temporalidade<\/strong><sup>xviii<\/sup>, desde meados do s\u00e9culo XX, passam a compreender o tempo musical n\u00e3o como simples sucess\u00e3o de eventos, mas como campo de expectativas, tens\u00f5es, acentua\u00e7\u00f5es e direcionalidades. Nesse horizonte, categorias como hipermetria, agrupamento, acento e propor\u00e7\u00e3o tornam-se centrais para a compreens\u00e3o da forma como processo vivido. A esse eixo somam-se <strong>perspectivas energ\u00e9ticas<\/strong><sup>xix<\/sup> <strong>e gestuais<\/strong>,<sup>xx<\/sup> que enfatizam a m\u00fasica como manifesta\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, movimentos e resist\u00eancias, articulando som e corporeidade<sup>xxi<\/sup>. A an\u00e1lise deixa ent\u00e3o de tratar apenas de rela\u00e7\u00f5es abstratas entre alturas ou dura\u00e7\u00f5es e passa a considerar o gesto musical como forma de pensamento incorporado. <strong>As abordagens fenomenol\u00f3gicas<\/strong>, por sua vez, oferecem o fundamento experiencial dessas investiga\u00e7\u00f5es, ao privilegiar a escuta, a percep\u00e7\u00e3o do tempo, o sentimento de fluxo e a presen\u00e7a do corpo na constitui\u00e7\u00e3o do sentido musical<sup>xxii<\/sup>. Nesse conjunto, a forma j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 concebida como arranjo est\u00e1tico, mas como experi\u00eancia temporal vivida, continuamente atualizada na escuta e na performance. Ainda assim, mesmo quando a m\u00fasica \u00e9 compreendida como a\u00e7\u00e3o, movimento ou energia, a an\u00e1lise tende frequentemente a operar de modo retrospectivo, descrevendo processos j\u00e1 realizados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">iii) <strong><em>Sentido, interpreta\u00e7\u00e3o e subjetividade<\/em><\/strong>: outras janelas deslocam o foco da estrutura para o sentido. A\u00a0<strong>an\u00e1lise semiol\u00f3gica<\/strong><sup>xxiii<\/sup>,\u00a0<strong>narrativa<\/strong><sup>xxiv<\/sup><strong>, significa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logos com a literatura,<\/strong>\u00a0os estudos da\u00a0<strong>interpreta\u00e7\u00e3o<\/strong><sup>xxv<\/sup>\u00a0(o int\u00e9rprete como analista), os di\u00e1logos com a\u00a0<strong>psican\u00e1lise<\/strong><sup>xxvi<\/sup>\u00a0e com a\u00a0<strong>filosofia<\/strong><sup>xxvii<\/sup>\u00a0tratam a m\u00fasica como pr\u00e1tica simb\u00f3lica, produtora de significados e afetos<sup>xxviii<\/sup>. Aqui, a an\u00e1lise assume car\u00e1ter hermen\u00eautico, articulando som, escuta e interpreta\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica passa a ser compreendida n\u00e3o apenas como organiza\u00e7\u00e3o sonora, mas como campo de proje\u00e7\u00f5es subjetivas e constru\u00e7\u00f5es de sentido. Ainda assim, a cria\u00e7\u00e3o musical tende a figurar como objeto interpretado, e n\u00e3o como lugar onde o pr\u00f3prio pensamento anal\u00edtico se constitui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">iv) <strong><em>Contextos, culturas e media\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong>: Um quarto conjunto reinscreve a m\u00fasica em seus contextos hist\u00f3ricos, sociais, culturais e midi\u00e1ticos. A\u00a0<strong>sociologia da m\u00fasica<\/strong><sup>xxix<\/sup>, os\u00a0<strong>enfoques comparativos<\/strong><sup>xxx<\/sup>, os estudos sobre tradi\u00e7\u00f5es populares, bem como as perspectivas cr\u00edticas associadas \u00e0 chamada\u00a0<strong>new musicology<\/strong><sup>xxxi<\/sup> questionam c\u00e2nones, universalismos e hierarquias. A\u00a0<strong>an\u00e1lise de<\/strong><strong>m\u00fasica para cinema e audiovisual<\/strong><sup>xxxii<\/sup>amplia ainda mais esse quadro, ao evidenciar a intera\u00e7\u00e3o entre som, imagem e narrativa. Essas abordagens tornam claro que nenhuma ci\u00eancia da m\u00fasica \u00e9 neutra ou descontextualizada. No entanto, mesmo ao situar a m\u00fasica no mundo, o compor raramente \u00e9 tratado como forma de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento em si.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>v) Mente, reflexividade e o compor: <\/strong>Um outro conjunto de abordagens concentra-se na reflex\u00e3o sobre a mente musical e sobre os pr\u00f3prios fundamentos da atividade anal\u00edtica e composicional. Enraizadas em perspectivas fenomenol\u00f3gicas \u2014 que investigam o tempo vivido, a percep\u00e7\u00e3o, a expectativa e a experi\u00eancia musical \u2014 essas abordagens desdobram-se, ao longo da segunda metade do s\u00e9culo XX, em modelos cognitivos que procuram formalizar os modos pelos quais ouvintes, int\u00e9rpretes e compositores organizam e antecipam o som. A <strong>cogni\u00e7\u00e3o musical<\/strong><sup>xxxiii<\/sup>, longe de constituir um campo \u201crecente\u201d, articula-se a esse legado, dialogando tanto com a psicologia quanto com a teoria musical. De forma mais recente, consolida-se a \u00e1rea da <strong>neuromusicologia<\/strong>, voltada para estudos em profundidade da estrutura e funcionamento do c\u00e9rebro e sistema nervoso<sup>xxxiv<\/sup>. Nesse horizonte, a mente n\u00e3o \u00e9 pensada apenas como receptora de estruturas, mas como inst\u00e2ncia ativa de constru\u00e7\u00e3o, categoriza\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. O processo de diversifica\u00e7\u00e3o de enfoques em teoria da m\u00fasica vai estimular o surgimento de <strong>abordagens h\u00edbridas<\/strong><sup>xxxv<\/sup>, reunindo v\u00e1rias perspectivas distintas<sup>xxxvi<\/sup>, e, tamb\u00e9m, faz crescer o esfor\u00e7o de categoriza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ato anal\u00edtico<sup>xxxvii<\/sup>, ou seja, <strong>abordagens meta-anal\u00edticas<\/strong><sup>xxxviii<\/sup>. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas vai se consolidando o que denominamos de <strong>teorias do compor<\/strong>, contrapondo-se \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de descri\u00e7\u00e3o externa e buscando reconhecimento como pr\u00e1tica reflexiva na qual pensar, decidir e criar se implicam mutuamente. Essa inflex\u00e3o desloca o foco da an\u00e1lise como explica\u00e7\u00e3o posterior para a an\u00e1lise como dimens\u00e3o constitutiva do fazer musical.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"breve-visao-da-germinacao-de-enfoques-teoricos-no-brasil\">Breve Vis\u00e3o da Germina\u00e7\u00e3o de Enfoques Te\u00f3ricos no Brasil<\/h4>\n<p>Ora, todo esse processo de diversifica\u00e7\u00e3o de abordagens em teoria da m\u00fasica teve grande impacto no Brasil, cujo sistema de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em m\u00fasica consolidou-se justamente a partir dos anos 90 \u2014 per\u00edodo de intensa expans\u00e3o dessas perspectivas. Apresentamos abaixo um mapeamento de marcos pioneiros e pesquisas referenciais conduzidas no Brasil que reverberam os horizontes elencados. Vale observar que se trata de uma cartografia seletiva, que prioriza refer\u00eancias hist\u00f3ricas para evidenciar o tempo de germina\u00e7\u00e3o e a solidez dessas ideias entre n\u00f3s. Diante da vasta produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, elencamos exemplos que permitem ao leitor visualizar a for\u00e7a e a autonomia da ci\u00eancia da m\u00fasica em solo brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ao-compor-nao-se-organizam-apenas-sons-mas-se-instituem-universos-sonoros-dotados-de-regras-expectativas-e-coerencias-proprias\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAo compor, n\u00e3o se organizam apenas sons, mas se instituem universos sonoros dotados de regras, expectativas e coer\u00eancias pr\u00f3prias.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>I. <\/strong><strong>Estrutura Ampliada<\/strong><\/p>\n<p>1. Musicologia<\/p>\n<ul>\n<li>LAGO, Manoel. <em>O c\u00edrculo Veloso-Guerra e Darius Milhaud no Brasil<\/em>, 2010.<\/li>\n<\/ul>\n<p>2. An\u00e1lise e Forma<\/p>\n<ul>\n<li>SCLIAR, Esther. <em>Elementos de an\u00e1lise musical<\/em>, 1985.<\/li>\n<\/ul>\n<p>3. An\u00e1lise Schenkeriana<\/p>\n<ul>\n<li>GERLING, Cristina. <em>A contribui\u00e7\u00e3o de H. Schenker para a interpreta\u00e7\u00e3o musical<\/em>, 1989.<\/li>\n<\/ul>\n<p>4. Estudos Mot\u00edvicos<\/p>\n<ul>\n<li>LIMA, Paulo Costa. <em>An\u00e1lise de transforma\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas na op. 11 n. 1 de Arnold Schoenberg<\/em>, 1993.<\/li>\n<li>DUDEQUE, Norton. <em>Music Theory and Analysis in the Writings of Arnold Schoenberg<\/em>, 2005.<\/li>\n<\/ul>\n<p>5. Teoria P\u00f3s-Tonal<\/p>\n<ul>\n<li>OLIVEIRA, Jamary. <em>&#8220;Reflets dans l\u2019eau&#8221; \u2013 Images I para piano de Claude Debussy<\/em>, Revista ART n. 001, 1981.<\/li>\n<\/ul>\n<p>6. Teoria dos Contornos<\/p>\n<ul>\n<li>SAMPAIO, Marcos da Silva. <em>Em torno da rom\u00e3: aplica\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es com contornos na composi\u00e7\u00e3o<\/em>, 2008.<\/li>\n<\/ul>\n<p>7. An\u00e1lise Neo-Riemanniana<\/p>\n<ul>\n<li>ALMADA, Carlos. <em>Uma proposta te\u00f3rica visando \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios neorriemanianos em m\u00fasica popular<\/em>, 2017.<\/li>\n<\/ul>\n<p>8. An\u00e1lise da Textura<\/p>\n<ul>\n<li>ALVES, Danilo A. C. <em>Textura musical e escuta: uma proposta de unidade de an\u00e1lise<\/em>, 2010.<\/li>\n<\/ul>\n<p>9. An\u00e1lise do Timbre<\/p>\n<ul>\n<li>ANTUNES, Jorge.\u00a0 <em>A correspond\u00eancia entre os sons e as cores: bases te\u00f3ricas para uma &#8220;m\u00fasica cromof\u00f4nica<\/em>&#8220;. 1982.<\/li>\n<li>FERRAZ, Silvio. <em>O timbre como elemento estrutural<\/em>, 2004.<\/li>\n<\/ul>\n<p>10. Modelos Computacionais<\/p>\n<ul>\n<li>OLIVEIRA, Jamary. <em>&#8220;S\u00e9rie: um programa auxiliar para an\u00e1lise de m\u00fasica dodecaf\u00f4nica&#8221;<\/em>, Revista ART n. 002, 1981.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>II. Tempo, Gesto, Energia e Experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>11. Teoria do Ritmo e Temporalidade<\/p>\n<ul>\n<li>FREITAS, S\u00e9rgio. &#8220;<i>Que som \u00e9 esse?&#8221;: uma an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es entre m\u00fasica popular e teoria musical<\/i><\/li>\n<\/ul>\n<p>12. Perspectivas Energ\u00e9ticas<\/p>\n<ul>\n<li>ALMADA, Carlos.\u00a0<i>Harmonia funcional<\/i>. (direcionalidade e harmonia) 2009.<\/li>\n<\/ul>\n<p>13. Perspectivas Gestuais<\/p>\n<ul>\n<li>GOMES, L. S. <em>Gesto e performance musical: por uma abordagem fenomenol\u00f3gica<\/em>, 2018.<\/li>\n<\/ul>\n<p>14. Abordagem Fenomenol\u00f3gica<\/p>\n<ul>\n<li>FERRAZ, Silvio. <em>M\u00fasica e repeti\u00e7\u00e3o: a escuta fenomenol\u00f3gica de repeti\u00e7\u00f5es na m\u00fasica do s\u00e9culo XX<\/em>, 1998<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>III. Sentido, Interpreta\u00e7\u00e3o e Subjetividade<\/strong><\/p>\n<p>15. Semiologia, Narrativa, Significa\u00e7\u00e3o e Literatura<\/p>\n<ul>\n<li>TATIT, Luiz. <em>O cancionista: composi\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es no Brasil<\/em>, 1996.<\/li>\n<li>WISNIK, Jos\u00e9 Miguel. <em>O som e o sentido: uma outra hist\u00f3ria das m\u00fasicas<\/em>, 1989.<\/li>\n<\/ul>\n<p>16. Estudos da Interpreta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<ul>\n<li>MARTINS, Jos\u00e9 Eduardo. <em>Encontros sob m\u00fasica<\/em>, 1990.<\/li>\n<\/ul>\n<p>17. Di\u00e1logos com a Psican\u00e1lise<\/p>\n<ul>\n<li>LIMA, Paulo Costa. <em>M\u00fasica e psican\u00e1lise: uma poss\u00edvel interface<\/em>, Atravez n. 8\/9, 1995.<\/li>\n<\/ul>\n<p>18. M\u00fasica e Filosofia<\/p>\n<ul>\n<li>TOM\u00c1S, Lia. <em>Ouvir o l\u00f3gos: m\u00fasica e filosofia<\/em>, 2002.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>IV. Contextos, Culturas e Media\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>19. Sociologia da M\u00fasica<\/p>\n<ul>\n<li>NAVES, Santuza Cambraia. <em>Da Bossa Nova \u00e0 Tropic\u00e1lia<\/em>, 2001.<\/li>\n<li>VIANNA, Hermano. <em>O mist\u00e9rio do samba<\/em>, 1995.<\/li>\n<\/ul>\n<p>20. Estudos Comparativos<\/p>\n<ul>\n<li>LUCAS, Maria Elizabeth.<em> M\u00fasica e patrim\u00f4nio cultural: diversidade e fluxos transnacionais,<\/em> 2005.<\/li>\n<\/ul>\n<p>21. An\u00e1lise de M\u00fasica Brasileira<\/p>\n<ul>\n<li>ANDRADE, M\u00e1rio de. <em>Ensaio sobre a m\u00fasica brasileira<\/em>, 1928.<\/li>\n<li>ULH\u00d4A, Martha. <em>M\u00fasica popular no Brasil: caminhos para a an\u00e1lise<\/em>, 2000.<\/li>\n<li>NOGUEIRA, Ilza. <em>An\u00e1lise musical: uma atividade interpretativa<\/em>, 1997.<\/li>\n<li>PIEDADE, Ac\u00e1cio Tadeu de Camargo.<em> Villa-Lobos e a ret\u00f3rica musical: um estudo das t\u00f3picas<\/em>, 2011<\/li>\n<\/ul>\n<p>22. New Musicology (Perspectivas Cr\u00edticas)<\/p>\n<ul>\n<li>DUDEQUE, Norton. M. <em>Teoria e an\u00e1lise: a Nova Musicologia em quest\u00e3o<\/em>, 2001<\/li>\n<\/ul>\n<p>23. An\u00e1lise de M\u00fasica para Cinema e Audiovisual<\/p>\n<ul>\n<li>CARRASCO Ney.\u00a0<i>Sygkhronos: a forma\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica musical do cinema, 2003<\/i><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>V. Mente, Reflexividade e o Compor<\/strong><\/p>\n<p>24. Cogni\u00e7\u00e3o Musical<\/p>\n<ul>\n<li>ILARI, Beatriz. <em>M\u00fasica, cogni\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o<\/em>, 2002.<\/li>\n<li>\n<div>NOGUEIRA, Marcos. <em>A sem\u00e2ntica do entendimento musical,<\/em> 2009.<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>25. Neuromusicologia<\/p>\n<ul>\n<li>MUSZKAT, Mauro. <em>M\u00fasica e neuroci\u00eancia<\/em>, 2008<\/li>\n<\/ul>\n<p>26. Abordagens Meta-anal\u00edticas<\/p>\n<ul>\n<li>LIMA, Paulo Costa. <em>Superf\u00edcie e estrutura na m\u00fasica octat\u00f4nica de Ernst Widmer<\/em>, 2000.<\/li>\n<li>DUDEQUE, Norton. <em>Teoria e an\u00e1lise musical: retrospectiva e perspectivas<\/em>, 2014.<\/li>\n<li>NOGUEIRA, Ilza. <em>teoria e analise misical em perspectiva did\u00e1tica<\/em>, 2017.<\/li>\n<\/ul>\n<p>27. Abordagens H\u00edbridas<\/p>\n<ul>\n<li>GENTIL-NUNES, Pauxy.\u00a0<i>An\u00e1lise Particional: uma media\u00e7\u00e3o entre composi\u00e7\u00e3o musical e an\u00e1lise de texturas<\/i>. 2009.<\/li>\n<\/ul>\n<p>28. Teorias do Compor (Composicionalidade)<\/p>\n<ul>\n<li>WIDMER, Ernst. <em>Entroncamentos sonoros: ensaio a uma did\u00e1tica da m\u00fasica contempor\u00e2nea<\/em>, 1972.<\/li>\n<li>LIMA, Paulo Costa. <em>Teoria e Pr\u00e1tica do Compor<\/em> (S\u00e9rie Vol. 1 a 6), 2012-2025.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O panorama acima delineado, longe de se esgotar em uma listagem bibliogr\u00e1fica, revela a pujan\u00e7a de um processo de germina\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que conferiu \u00e0 teoria brasileira uma fisionomia pr\u00f3pria. Essa cartografia demonstra que a diversifica\u00e7\u00e3o de horizontes n\u00e3o ocorreu por simples mimesis acad\u00eamica, mas por uma necessidade intr\u00ednseca de dar conta da complexidade dos nossos fen\u00f4menos sonoros \u2014 da sofistica\u00e7\u00e3o estrutural de um Villa-Lobos \u00e0 po\u00e9tica microssist\u00eamica da can\u00e7\u00e3o popular. \u00c9 importante notar que este mapeamento \u00e9 apenas a superf\u00edcie de um oceano de caminhos que ainda demandam sistematiza\u00e7\u00e3o, como as emergentes investiga\u00e7\u00f5es sobre saberes tradicionais e decoloniza\u00e7\u00e3o, as novas fronteiras da ecologia ac\u00fastica e as transforma\u00e7\u00f5es da escuta em ambientes de hipermedia\u00e7\u00e3o digital. O que emerge dessa rede de saberes \u00e9 a imagem de uma ci\u00eancia da m\u00fasica que, ao reconhecer suas m\u00faltiplas janelas, assume-se como uma pr\u00e1tica reflexiva \u2014 um verdadeiro saber em ato que n\u00e3o apenas descreve a m\u00fasica, mas participa ativamente da sua inven\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no cen\u00e1rio contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"composicionalidade-e-fabulacao-teorico-constitutiva\">Composicionalidade e fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva<\/h4>\n<p>Destacamos a \u00faltima janela elencada, a teoria do compor, \u00e0 qual nos dedicamos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como uma rebeldia especial com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia hist\u00f3rica de separa\u00e7\u00e3o entre pr\u00e1tica e teoria \u2014 a pr\u00e1tica compositiva assumindo o lugar de objeto das teorias.<\/p>\n<p>Para enfrentar esse ponto cego historicamente produzido pela musicologia \u2014 a exclus\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o como forma de saber \u2014 desenvolvi a no\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>composicionalidade<\/strong>\u00a0entendendo o compor n\u00e3o como aplica\u00e7\u00e3o de conceitos pr\u00e9vios, mas como um processo no qual pensar e fazer m\u00fasica se implicam mutuamente. Compor \u00e9, nesse sentido, um\u00a0<strong>tornar-se composi\u00e7\u00e3o<\/strong>: um campo em permanente atualiza\u00e7\u00e3o, no qual decis\u00f5es sonoras produzem simultaneamente objetos musicais e modos de pens\u00e1-los.<\/p>\n<p>A composicionalidade assim, n\u00e3o prop\u00f5e um m\u00e9todo \u00fanico, mas um modo de compreender o compor como produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica e de conhecimento, muitas vezes funcionando como uma ferramenta para a gest\u00e3o de discursos e m\u00e9todos os mais diversos<sup>xxxix<\/sup>.<\/p>\n<p>Opera por meio de inst\u00e2ncias que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e9cnicas no sentido estrito, mas epistemol\u00f3gicas: a primeira \u00e9 a\u00a0<strong>inven\u00e7\u00e3o de mundos<\/strong>: ao compor, n\u00e3o se organizam apenas sons, mas se instituem universos sonoros dotados de regras, expectativas e coer\u00eancias pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 a\u00a0<strong>criticidade<\/strong>: ao inventar um mundo, instaura-se tamb\u00e9m um ponto de observa\u00e7\u00e3o a partir do qual outros mundos musicais passam a ser interpretados, mostrando que o compor, j\u00e1 \u00e9, desde o in\u00edcio, um gesto interpretativo.<\/p>\n<p>A terceira \u00e9 a\u00a0<strong>reciprocidade<\/strong>\u00a0ou plasma\u00e7\u00e3o de identidades: a obra n\u00e3o expressa um sujeito previamente dado: ao contr\u00e1rio, no ato de escrever, algo tamb\u00e9m se inscreve no compositor, de modo que a obra participa da inven\u00e7\u00e3o de seu criador.<\/p>\n<p>Essas inst\u00e2ncias \u201csoft\u201d se articulam a outras duas mais \u201chard\u201d, mais b\u00e1sicas: a\u00a0<strong>inseparabilidade de teoria e pr\u00e1tica<\/strong>, que j\u00e1 mencionamos, e o\u00a0<strong>campo de escolhas<\/strong>, onde crit\u00e9rios s\u00e3o definidos, alternativas avaliadas e decis\u00f5es efetivamente tomadas. \u00c9 a partir desse espa\u00e7o que a an\u00e1lise opera como algo que denominei de\u00a0<strong>fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva,\u00a0<\/strong>e n\u00e3o como bengala externa, mas como parte ativa do gesto criador<sup>xl<\/sup>.<\/p>\n<p>Trata-se de fabula\u00e7\u00e3o porque envolve imagina\u00e7\u00e3o: no compor, a an\u00e1lise opera como constru\u00e7\u00e3o de caminhos poss\u00edveis, por exemplo quando a escolha de determinados intervalos ou gestos sonoros passa a organizar todo um mundo musical. \u00c9 te\u00f3rica porque cada escolha significante \u2014 uma nota, um intervalo, um timbre \u2014 carrega consigo contextos: sistemas de afina\u00e7\u00e3o, escalas, conven\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. E \u00e9 constitutiva porque, seguindo a perspectiva de Cornelius Castoriadis, a arte n\u00e3o descobre o novo: ela o institui. Decidir, aqui, \u00e9 criar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ao-inventar-um-mundo-instaura-se-tambem-um-ponto-de-observacao-a-partir-do-qual-outros-mundos-musicais-passam-a-ser-interpretados-mostrando-que-o-compor-ja-e-desde-o-inicio-um-gesto-inte\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAo inventar um mundo, instaura-se tamb\u00e9m um ponto de observa\u00e7\u00e3o a partir do qual outros mundos musicais passam a ser interpretados, mostrando que o compor, j\u00e1 \u00e9, desde o in\u00edcio, um gesto interpretativo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a an\u00e1lise se dirige a obras j\u00e1 constitu\u00eddas, com o intuito de compreend\u00ea-las, ela assume outra fei\u00e7\u00e3o: uma fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-interpretativa. J\u00e1 n\u00e3o constitui a obra, mas prop\u00f5e percursos de sentido, ou seja, a reconstitui. Em ambos os casos, a an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 exterior \u00e0 m\u00fasica: ela participa de sua produ\u00e7\u00e3o ou de sua reinven\u00e7\u00e3o interpretativa.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Momentos de An\u00e1lise<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os conceitos desenhados acima reverberam em diversos momentos do fazer anal\u00edtico:<\/p>\n<p>Imagine uma obra sendo constru\u00edda a partir de elementos trazidos da cultura dos caboclos, com sua natureza h\u00edbrida afro-brasileira. O Caboclo Sete Flechas \u00e9 uma entidade espiritual do contexto afro-brasileiro. Sua marca distintiva \u00e9 uma cantiga que marca sua apari\u00e7\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es espirituais<sup>xli<\/sup>. H\u00e1 de se perguntar pelo conhecimento musical assim produzido.\u00a0 Ora, o Caboclo Sete Flechas demonstra conhecimento de teoria da m\u00fasica, na medida em que sua cantiga traz em si o pr\u00f3prio ato de atirar uma flecha, tanto em termos de impulso r\u00edtmico como em termos de disposi\u00e7\u00e3o espacial. No in\u00edcio da melodia temos um evento que representa o lan\u00e7amento da flecha, e logo ap\u00f3s flutuamos junto com a melodia numa esp\u00e9cie de plat\u00f4 que bem poderia ser o voo da flecha. No final do arco mel\u00f3dico, a sensa\u00e7\u00e3o de chegada, portanto, miss\u00e3o cumprida, a flecha atingiu seu objetivo. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9659\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura1.jpg 712w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais curioso ainda \u00e9 que a melodia pode ser discutida em termos de um ciclo decrescente de intervalos: quarta justa (5), ter\u00e7a maior (4), ter\u00e7a menor (3), segunda maior (2). No processo de planejamento (ou seja, fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva)\u00a0da obra \u201c<em>7 Flechas: Um batuque Concertante\u201d (2015),\u00a0<\/em>trabalhei com a ideia de expans\u00e3o desse motivo da flecha, agora ampliado de (5,4,3,2) para (10,9,8,7,6,5,4,3,2). Essa flechona mot\u00edvica, que decresce de uma 7\u00aa menor at\u00e9 uma 2\u00aa maior, d\u00e1 origem a um mundo sonoro que respeita e reverbera a flecha original, mas expande drasticamente seu \u00e2mbito, gerando outros mundos sonoros, outras hibrida\u00e7\u00f5es. Sendo assim, \u00e9 a l\u00f3gica interna do material oriundo do contexto cultural que vai estabelecer uma dist\u00e2ncia constitutiva \u2014 a qual nomeei de <strong>dist\u00e2ncia ressignificadora<\/strong>. Ao construir um novo material de refer\u00eancia a partir dessa l\u00f3gica interna o meu compor passou a investir na dire\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de distanciamento, no sentido brechtiano do termo.<\/p>\n<p>Em <em>\u201cAsa Branca\u201d<\/em>, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, a can\u00e7\u00e3o pode ser ouvida como uma narrativa estrutural constru\u00edda pela oposi\u00e7\u00e3o entre grau conjunto e salto mel\u00f3dico. Os trechos em grau conjunto estabelecem um ch\u00e3o est\u00e1vel, associado \u00e0 perman\u00eancia e \u00e0 vida ordin\u00e1ria no sert\u00e3o; os saltos, por sua vez, introduzem ruptura e deslocamento, figurando o voo da ave que foge da seca. N\u00e3o se trata de ilustrar o texto por meios musicais, mas de reconhecer uma sistematiza\u00e7\u00e3o imaginada que opera no pr\u00f3prio gesto composicional, dentro de um horizonte modal. Essa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas sustenta a coer\u00eancia da can\u00e7\u00e3o, como constitui a experi\u00eancia musical como um todo. A an\u00e1lise, aqui, n\u00e3o vem depois: ela j\u00e1 estava em a\u00e7\u00e3o no compor, como fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva que articula sons, sentidos e decis\u00f5es. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9658\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura2-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura2-300x219.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura2.jpg 674w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O exemplo mapeia os gestos constitu\u00eddos por altern\u00e2ncia de graus conjuntos e saltos, ilustrando a din\u00e2mica descrita acima. As letras \u2018A\u2019 e \u2018B\u2019 apresentam o gesto com a prepara\u00e7\u00e3o de grau conjunto, o salto, e a finaliza\u00e7\u00e3o em grau conjunto. Na letra \u2018C\u2019 percebemos como esses gestos s\u00e3o encadeados gerando um processo. Na letra \u2018D\u2019 uma esp\u00e9cie de apoteose dos saltos, finalizando a can\u00e7\u00e3o. Portanto, no conflito estabelecido entre perman\u00eancia e\u00a0 ruptura\/deslocamento, vence a segunda alternativa, aquela que abre a possibilidade de sobreviv\u00eancia e retorno: \u201ceu voltarei&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Em <em>\u201cS\u00f3 Louco\u201d<\/em>, de Dorival Caymmi, a coer\u00eancia da can\u00e7\u00e3o deriva da insist\u00eancia de uma c\u00e9lula mel\u00f3dica recorrente \u2014 sol, d\u00f3, r\u00e9 \u2014 associada ao desespero e \u00e0 obsess\u00e3o amorosa enunciada no texto (\u201cs\u00f3 louco amou como eu amei\u201d). Essa c\u00e9lula pode ser entendida como motivo, e, em n\u00edvel mais abstrato, como o conjunto (027), cuja sonoridade impregna o campo mel\u00f3dico e harm\u00f4nico da obra. N\u00e3o se trata de aplicar retrospectivamente a\u00a0<em>set theory<\/em>\u00a0a Caymmi, mas de reconhecer uma organiza\u00e7\u00e3o sonora intuitiva que j\u00e1 operava no gesto composicional. A can\u00e7\u00e3o soa, do in\u00edcio ao fim, como varia\u00e7\u00e3o de uma mesma sonoridade afetiva: a loucura do amor. A an\u00e1lise, aqui, torna expl\u00edcita uma fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva que estabelece o mundo sonoro da obra<sup>xlii<\/sup>. (<strong>Figura 3<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9657\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura3-300x277.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"554\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura3-300x277.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura3-13x12.jpg 13w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura3.jpg 710w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Brahms, a an\u00e1lise revela com clareza como a coes\u00e3o pode operar sob o disfarce da diversidade. Na Sinfonia n. 3, temas aparentemente distintos \u2014 entre movimentos e dentro de um mesmo movimento \u2014 mostram-se, sob exame mais atento, intimamente aparentados. Diferen\u00e7as de car\u00e1ter, ritmo e superf\u00edcie mascaram uma identidade estrutural profunda, constru\u00edda a partir de transforma\u00e7\u00f5es sutis de um mesmo n\u00facleo intervalar. Essa proximidade escondida sustenta a unidade da obra sem recorrer \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o literal, produzindo uma coer\u00eancia intensa justamente pela via da varia\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada. A an\u00e1lise n\u00e3o imp\u00f5e essa unidade de fora; ela a faz emergir, reconhecendo um pensamento composicional que opera na gest\u00e3o das diferen\u00e7as. Um di\u00e1logo intenso entre \u2018inven\u00e7\u00e3o de mundos\u2019 e \u2018criticidade\u2019. Aqui, mais uma vez, a m\u00fasica se constitui como sons e an\u00e1lises em a\u00e7\u00e3o. O exemplo ilustra como o tema do segundo movimento \u00e9 diretamente derivado do tema inicial da Sinfonia. (<strong>Figura 4<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9656\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura4-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura4-300x214.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura4-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura4.jpg 708w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Arnold Sch\u00f6nberg, a an\u00e1lise torna vis\u00edvel a heran\u00e7a transformada do pensamento brahmsiano. No Drei Klavierst\u00fccke Op. 11 n. 1 \u00e9 poss\u00edvel identificar uma Grundgestalt r\u00edtmica que acompanha, orienta e articula as transforma\u00e7\u00f5es mot\u00edvicas e pr\u00e9-seriais das alturas. Antes de qualquer sistematiza\u00e7\u00e3o serial, h\u00e1 j\u00e1 uma l\u00f3gica de varia\u00e7\u00f5es que se transformam, operando no tempo, conferindo coes\u00e3o a um discurso que, na superf\u00edcie, parece inst\u00e1vel e at\u00e9 fragmentado. O interesse de Sch\u00f6nberg pelas an\u00e1lises da m\u00fasica de Brahms n\u00e3o \u00e9 casual; delas emergem conceitos como Grundgestalt e developing variation, que ser\u00e3o decisivos para a inven\u00e7\u00e3o de sistemas no s\u00e9culo XX, e para a plasma\u00e7\u00e3o de uma identidade do compositor como revolucion\u00e1rio inventor de sistemas. Portanto, um caso exemplar de reciprocidade: ao criar m\u00e9todos de serializa\u00e7\u00e3o o compositor \u00e9 tamb\u00e9m inventado por eles, transformando-se em identidade paradigma para o campo do compor no s\u00e9culo XX e mais. No exemplo, um pequeno trecho inicial da pe\u00e7a, com apresenta\u00e7\u00e3o da Grundgestalt r\u00edtmica, e a seguir o mapa das deriva\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas que atravessam todo o tecido da obra. (<strong>Figura 5<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9655\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura5-203x300.jpg\" alt=\"\" width=\"473\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura5-203x300.jpg 203w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura5-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-musica-saber-em-ato-figura5.jpg 601w\" sizes=\"(max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao revisitar o projeto fundador de Guido Adler, n\u00e3o se trata de negar sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, mas de tornar vis\u00edvel um ponto cego que atravessou grande parte da musicologia: a exclus\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o como forma de saber. O percurso tra\u00e7ado aqui \u2014 da hist\u00f3ria longa da teoria musical \u00e0s m\u00faltiplas janelas anal\u00edticas, passando pela no\u00e7\u00e3o de composicionalidade, pela no\u00e7\u00e3o de fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva, e pelos momentos de an\u00e1lise \u2014 sugere uma inflex\u00e3o necess\u00e1ria. A m\u00fasica n\u00e3o se constitui apenas como objeto de descri\u00e7\u00e3o posterior, mas como campo no qual decis\u00f5es sonoras e opera\u00e7\u00f5es anal\u00edticas se entrela\u00e7am desde o in\u00edcio. Compor \u00e9 j\u00e1 interpretar, sistematizar, criticar, analisar \u00e9 participar da constitui\u00e7\u00e3o ou da reinven\u00e7\u00e3o da obra. Nesse sentido, a ci\u00eancia da m\u00fasica n\u00e3o pode ser pensada como sistema \u00fanico e fechado, mas como pr\u00e1tica m\u00faltipla, situada e plural, na qual diferentes fabula\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-constitutivas produzem mundos sonoros e modos de conhec\u00ea-los. A m\u00fasica, assim, n\u00e3o \u00e9 feita apenas de sons, nem de teorias e an\u00e1lises, mas da coexist\u00eancia ativa entre tudo isso<sup>xliii<\/sup> \u2014 um saber em ato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 id=\"notas\" data-pm-slice=\"0 0 []\"><strong><span style=\"color: #808080;\">NOTAS<\/span><\/strong><\/h5>\n<h5 id=\"i-esta-posicao-ja-havia-sido-formulada-pelo-autor-em-seu-discurso-de-posse-na-academia-brasileira-de-musica-canta-discurso-canta-e-nao-te-acomodes-aos-trilhos-do-pensamento-linear-discurs\"><span style=\"color: #808080;\">i. Esta posi\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia sido formulada pelo autor em seu discurso de posse na Academia Brasileira de M\u00fasica, \u201cCanta discurso, canta! E n\u00e3o te acomodes aos trilhos do pensamento linear discursivo\u201d (LIMA, 2016), no qual se prop\u00f5e uma cr\u00edtica ao pensamento linear-discursivo na reflex\u00e3o musical.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"ii-o-autor-mantem-no-perfil-paulo-costalima-um-conjunto-de-video-analises-dedicadas-a-mais-de-cem-cancoes-da-musica-brasileira\"><span style=\"color: #808080;\">ii. O autor mant\u00e9m no perfil @paulo.costalima um conjunto de v\u00eddeo-an\u00e1lises dedicadas a mais de cem can\u00e7\u00f5es da m\u00fasica brasileira.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"iii-a-proposta-de-guido-adler-foi-decisiva-para-a-institucionalizacao-da-musicologia-moderna-e-para-os-desdobramentos-teoricos-que-marcaram-o-seculo-xx-adler-1885\"><span style=\"color: #808080;\">iii. A proposta de Guido Adler foi decisiva para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da musicologia moderna e para os desdobramentos te\u00f3ricos que marcaram o s\u00e9culo XX (ADLER, 1885).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"iv-para-uma-visao-abrangente-da-formacao-e-dos-impasses-historicos-da-etnomusicologia-ver-nettl-2005\"><span style=\"color: #808080;\">iv. Para uma vis\u00e3o abrangente da forma\u00e7\u00e3o e dos impasses hist\u00f3ricos da etnomusicologia, ver NETTL (2005).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"v-a-concepcao-de-ritmo-em-aristoxeno-entendida-como-relacao-e-nao-como-fenomeno-isolado-articula-musica-danca-e-poesia-antecipando-debates-que-permanecem-atuais-aristoxenus-1990\"><span style=\"color: #808080;\">v. A concep\u00e7\u00e3o de ritmo em Aristoxeno, entendida como rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como fen\u00f4meno isolado, articula m\u00fasica, dan\u00e7a e poesia, antecipando debates que permanecem atuais (ARISTOXENUS, 1990).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"vi-referencia-classica-da-pedagogia-contrapontistica-e-da-tradicao-especulativa-pre-moderna-fux-1965\"><span style=\"color: #808080;\">vi. Refer\u00eancia cl\u00e1ssica da pedagogia contrapont\u00edstica e da tradi\u00e7\u00e3o especulativa pr\u00e9-moderna (FUX, 1965).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"obra-historiografica-fundamental-para-a-consolidacao-da-musicologia-no-seculo-xx-grout-palisca-2001\"><span style=\"color: #808080;\">Obra historiogr\u00e1fica fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o da musicologia no s\u00e9culo XX (GROUT; PALISCA, 2001).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"vii-formulacao-central-da-analise-estrutural-da-musica-tonal-schenker-1979\"><span style=\"color: #808080;\">vii. Formula\u00e7\u00e3o central da an\u00e1lise estrutural da m\u00fasica tonal (SCHENKER, 1979).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"viii-a-tradicao-da-analise-motivica-especialmente-a-partir-da-grundgestalt-teve-impacto-decisivo-sobre-minha-formacao-como-analista-e-compositor-schoenberg-1995\"><span style=\"color: #808080;\">viii. A tradi\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise mot\u00edvica, especialmente a partir da Grundgestalt, teve impacto decisivo sobre minha forma\u00e7\u00e3o como analista e compositor (SCHOENBERG, 1995).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"ix-obra-seminal-da-teoria-dos-conjuntos-aplicada-a-musica-pos-tonal-forte-1973\"><span style=\"color: #808080;\">ix. Obra seminal da teoria dos conjuntos aplicada \u00e0 m\u00fasica p\u00f3s-tonal (FORTE, 1973).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"x-texto-fundador-da-contour-theory-com-ampla-repercussao-analitica-friedmann-1985-ressignificando-o-papel-da-superficie-na-construcao-de-sentido-musical\"><span style=\"color: #808080;\">x. Texto fundador da contour theory, com ampla repercuss\u00e3o anal\u00edtica (FRIEDMANN, 1985), ressignificando o papel da superf\u00edcie na constru\u00e7\u00e3o de sentido musical.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xi-referencia-central-da-analise-neo-riemanniana-e-da-nocao-de-parcimonia-cohn-1997\"><span style=\"color: #808080;\">xi. Refer\u00eancia central da an\u00e1lise neo-riemanniana e da no\u00e7\u00e3o de parcim\u00f4nia (COHN, 1997).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xii-tratamento-sistematico-das-funcoes-estruturais-da-textura-musical-berry-1987\"><span style=\"color: #808080;\">xii. Tratamento sistem\u00e1tico das fun\u00e7\u00f5es estruturais da textura musical (BERRY, 1987).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xiii-referencia-canonica-para-o-estudo-analitico-da-orquestracao-adler-2002\"><span style=\"color: #808080;\">xiii. Refer\u00eancia can\u00f4nica para o estudo anal\u00edtico da orquestra\u00e7\u00e3o (ADLER, 2002).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xiv-base-analitica-e-acustica-para-o-estudo-do-timbre-musical-beauchamp-2007\"><span style=\"color: #808080;\">xiv. Base anal\u00edtica e ac\u00fastica para o estudo do timbre musical (BEAUCHAMP, 2007).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xv-modelagem-computacional-aplicada-a-analise-de-estilo-musical-cope-1991\"><span style=\"color: #808080;\">xv. Modelagem computacional aplicada \u00e0 an\u00e1lise de estilo musical (COPE, 1991).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xvi-formulacao-pioneira-das-relacoes-entre-expectativa-forma-e-temporalidade-evento-inaugural-para-a-teoria-do-ritmo-no-seculo-xx-meyer-1960\"><span style=\"color: #808080;\">xvi. Formula\u00e7\u00e3o pioneira das rela\u00e7\u00f5es entre expectativa, forma e temporalidade, evento inaugural para a teoria do ritmo no s\u00e9culo XX (MEYER, 1960)<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xvii-obra-fundamental-sobre-temporalidade-musical-e-escuta-introduz-a-importante-nocao-de-tipos-de-temporalidade-kramer-1988\"><span style=\"color: #808080;\">xvii. Obra fundamental sobre temporalidade musical e escuta, introduz a importante no\u00e7\u00e3o de tipos de temporalidade (KRAMER, 1988).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xviii-abordagem-energetica-da-musica-como-campo-de-forcas-provoca-desenvolvimentos-ate-os-dias-de-hoje-kurth-1931\"><span style=\"color: #808080;\">xviii. Abordagem energ\u00e9tica da m\u00fasica como campo de for\u00e7as, provoca desenvolvimentos at\u00e9 os dias de hoje (KURTH, 1931).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xix-referencia-central-para-a-analise-do-gesto-musical-e-da-corporeidade-hatten-2004\"><span style=\"color: #808080;\">xix. Refer\u00eancia central para a an\u00e1lise do gesto musical e da corporeidade (HATTEN, 2004).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xx-coletanea-fundamental-sobre-musica-e-gesto-gritten-king-2006\"><span style=\"color: #808080;\">xx. Colet\u00e2nea fundamental sobre m\u00fasica e gesto (GRITTEN; KING, 2006).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxi-discussao-filosofica-ampla-sobre-musica-educacao-e-valor-com-um-capitulo-bastante-rico-sobre-o-surgimento-da-abordagem-fenomenologica-em-teoria-da-musica-bowman-1998\"><span style=\"color: #808080;\">xxi. Discuss\u00e3o filos\u00f3fica ampla sobre m\u00fasica, educa\u00e7\u00e3o e valor, com um cap\u00edtulo bastante rico sobre o surgimento da abordagem fenomenol\u00f3gica em teoria da m\u00fasica (BOWMAN, 1998).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxii-marco-da-semiologia-musical-de-tradicao-francofona-com-repercussao-mundial-nattiez-1990\"><span style=\"color: #808080;\">xxii. Marco da semiologia musical de tradi\u00e7\u00e3o franc\u00f3fona, com repercuss\u00e3o mundial (NATTIEZ, 1990).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxiii-formulacao-sistematica-da-narratividade-musical-com-resultados-promissores-no-campo-da-analise-tratando-de-uma-estrutura-de-tragedia-em-schubert-almen-2008\"><span style=\"color: #808080;\">xxiii. Formula\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da narratividade musical, com resultados promissores no campo da an\u00e1lise, tratando de uma estrutura de trag\u00e9dia em Schubert (ALM\u00c9N, 2008).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxiv-discussao-sobre-analise-escuta-e-interpretacao-musical-formalizacao-de-metodos-para-a-analise-na-interpretacao-narmour-1999\"><span style=\"color: #808080;\">xxiv. Discuss\u00e3o sobre an\u00e1lise, escuta e interpreta\u00e7\u00e3o musical. Formaliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos para a an\u00e1lise na interpreta\u00e7\u00e3o (NARMOUR, 1999).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxv-contribuicao-psicanalitica-relevante-para-a-reflexao-sobre-musica-e-subjetividade-didier-weill-1997\"><span style=\"color: #808080;\">xxv. Contribui\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica relevante para a reflex\u00e3o sobre m\u00fasica e subjetividade (DIDIER-WEILL, 1997).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxvi-referencia-central-da-filosofia-da-obra-musical-e-do-conceito-de-obra-goehr-1992\"><span style=\"color: #808080;\">xxvi. Refer\u00eancia central da filosofia da obra musical e do conceito de \u201cobra\u201d (GOEHR, 1992).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxvii-aplicacao-da-semiotica-a-musica-classica-ocidental-agawu-1991\"><span style=\"color: #808080;\">xxvii. Aplica\u00e7\u00e3o da semi\u00f3tica \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica ocidental (AGAWU, 1991).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxviii-fundacao-critica-da-sociologia-da-musica-adorno-1976\"><span style=\"color: #808080;\">xxviii. Funda\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da sociologia da m\u00fasica (ADORNO, 1976).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxix-referencia-classica-da-analise-comparativa-e-do-metodo-cantometrico-lomax-1968\"><span style=\"color: #808080;\">xxix. Refer\u00eancia cl\u00e1ssica da an\u00e1lise comparativa e do m\u00e9todo cantom\u00e9trico (LOMAX, 1968).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxx-marco-da-new-musicology-e-da-critica-feminista-em-musica-uma-inimiga-de-ideologias-cristalizadas-no-campo-da-teoria-musical-mcclary-1991\"><span style=\"color: #808080;\">xxx. Marco da new musicology e da cr\u00edtica feminista em m\u00fasica, uma inimiga de ideologias cristalizadas no campo da teoria musical (McCLARY, 1991).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxi-referencia-canonica-da-analise-da-musica-para-cinema-burt-1994\"><span style=\"color: #808080;\">xxxi. Refer\u00eancia can\u00f4nica da an\u00e1lise da m\u00fasica para cinema (BURT, 1994).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxii-abordagem-cognitiva-baseada-em-metaforas-e-esquemas-mentais-brower-2000\"><span style=\"color: #808080;\">xxxii. Abordagem cognitiva baseada em met\u00e1foras e esquemas mentais (BROWER, 2000).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxiii-sintese-de-referencia-da-neurociencia-cognitiva-da-musica-peretz-zatorre-2003\"><span style=\"color: #808080;\">xxxiii. S\u00edntese de refer\u00eancia da neuroci\u00eancia cognitiva da m\u00fasica (PERETZ; ZATORRE, 2003).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxiv-formulacao-da-analise-ecletica-como-estrategia-interpretativa-ferrara-1991\"><span style=\"color: #808080;\">xxxiv. Formula\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise ecl\u00e9tica como estrat\u00e9gia interpretativa (FERRARA, 1991).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxv-obra-fundadora-da-teoria-generativa-da-musica-tonal-e-assim-da-virada-da-teoria-da-musica-na-direcao-da-cognicao-mas-faz-isso-entrelacando-abordagens-da-teoria-do-ritmo-da-analise-schenkeri\"><span style=\"color: #808080;\">xxxv. Obra fundadora da teoria generativa da m\u00fasica tonal, e assim da virada da teoria da m\u00fasica na dire\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o; mas, faz isso, entrela\u00e7ando abordagens da teoria do ritmo, da an\u00e1lise schenkeriana e da ling\u00fc\u00edstica, portanto h\u00edbrida (LERDAHL; JACKENDOFF, 1983).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxvi-introducao-clara-e-influente-a-analise-musical-cook-1987\"><span style=\"color: #808080;\">xxxvi. Introdu\u00e7\u00e3o clara e influente \u00e0 an\u00e1lise musical (COOK, 1987).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxvii-discussao-enciclopedica-sobre-metodos-de-analise-musical-bent-pople-2001\"><span style=\"color: #808080;\">xxxvii. Discuss\u00e3o enciclop\u00e9dica sobre m\u00e9todos de an\u00e1lise musical (BENT; POPLE, 2001).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxviii-a-nocao-de-composicionalidade-foi-proposta-em-2011-e-desenvolvida-como-ferramenta-teorica-para-pensar-a-inseparabilidade-entre-criacao-e-reflexao-musical-lima-2024\"><span style=\"color: #808080;\">xxxviii. A no\u00e7\u00e3o de composicionalidade foi proposta em 2011 e desenvolvida como ferramenta te\u00f3rica para pensar a inseparabilidade entre cria\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o musical (LIMA, 2024).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xxxix-desenvolvimento-da-fabulacao-teorico-constitutiva-aplicada-a-brahms-schonberg-e-widmer-lima-2021\"><span style=\"color: #808080;\">xxxix. Desenvolvimento da fabula\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-constitutiva aplicada a Brahms, Sch\u00f6nberg e Widmer (LIMA, 2021).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xl-estudo-de-referencia-sobre-praticas-musicais-afro-brasileiras-nos-candombles-baianos-chada-2006\"><span style=\"color: #808080;\">xl. Estudo de refer\u00eancia sobre pr\u00e1ticas musicais afro-brasileiras nos candombl\u00e9s baianos (CHADA, 2006).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xli-reflexoes-sobre-musica-popular-e-seus-campos-adjacentes-lima-2010\"><span style=\"color: #808080;\">xli. Reflex\u00f5es sobre m\u00fasica popular e seus campos adjacentes (LIMA, 2010).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"xlii-abordagem-contemporanea-da-segmentacao-e-da-organizacao-associativa-na-analise-musical-hanninen-2012\"><span style=\"color: #808080;\">xlii. Abordagem contempor\u00e2nea da segmenta\u00e7\u00e3o e da organiza\u00e7\u00e3o associativa na an\u00e1lise musical (HANNINEN, 2012).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"\"><\/h5>\n<h5 id=\"referencias\"><strong><span style=\"color: #808080;\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/strong><\/h5>\n<h5 id=\"1-adorno-theodor-w-introduction-to-the-sociology-of-music-new-york-seabury-press-1976\"><span style=\"color: #808080;\">[1] ADORNO, Theodor W. Introduction to the sociology of music. New York: Seabury Press, 1976.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"2-agawu-kofi-playing-with-signs-a-semiotic-interpretation-of-classic-music-princeton-princeton-university-press-1991\"><span style=\"color: #808080;\">[2] AGAWU, Kofi. Playing with signs: a semiotic interpretation of classic music. Princeton: Princeton University Press, 1991.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"3-almada-carlos-harmonia-funcional-campinas-sp-editora-da-unicamp-2009-isbn-978-85-268-0852-2\"><span style=\"color: #808080;\">[3] ALMADA, Carlos.\u00a0<i>Harmonia funcional<\/i>. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2009.\u00a0<b>ISBN:<\/b>\u00a0978-85-268-0852-2<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"4-almada-carlos-uma-proposta-teorica-visando-a-aplicacao-de-principios-neorriemanianos-em-musica-popular-in-congresso-da-associacao-nacional-de-teoria-e-analise-musical-2-2017-florianopolis\"><span style=\"color: #808080;\">[4] ALMADA, Carlos. Uma proposta te\u00f3rica visando \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios neorriemanianos em m\u00fasica popular. In: CONGRESSO DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O NACIONAL DE TEORIA E AN\u00c1LISE MUSICAL, 2., 2017, Florian\u00f3polis. Anais [&#8230;]. Florian\u00f3polis: UDESC, 2017. p. 20-30.\u00a0\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"5-almen-byron-a-theory-of-musical-narrative-bloomington-indiana-university-press-2008\"><span style=\"color: #808080;\">[5] ALM\u00c9N, Byron. A theory of musical narrative. Bloomington: Indiana University Press, 2008.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"6-alves-danilo-a-c-textura-musical-e-escuta-uma-proposta-de-unidade-de-analise-per-musi-belo-horizonte-n-22-p-121-135-2010\"><span style=\"color: #808080;\">[6] ALVES, Danilo A. C. Textura musical e escuta: uma proposta de unidade de an\u00e1lise. Per Musi, Belo Horizonte, n. 22, p. 121-135, 2010.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"7-andrade-mario-de-ensaio-sobre-a-musica-brasileira-sao-paulo-chiarato-cia-1928\"><span style=\"color: #808080;\">[7] ANDRADE, M\u00e1rio de. Ensaio sobre a m\u00fasica brasileira. S\u00e3o Paulo: Chiarato &amp; Cia, 1928.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"8-antunes-jorge-a-correspondencia-entre-os-sons-e-as-cores-bases-teoricas-para-uma-musica-cromofonica-brasilia-ed-thesaurus-1982\"><span style=\"color: #808080;\">[8] ANTUNES, Jorge. A correspond\u00eancia entre os sons e as cores: bases te\u00f3ricas para uma &#8220;m\u00fasica cromof\u00f4nica&#8221;. Bras\u00edlia, Ed. Thesaurus, 1982.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"9-aristoxenus-the-elements-of-rhythm-traducao-de-lionel-pearson-oxford-clarendon-press-1990\"><span style=\"color: #808080;\">[9] ARISTOXENUS. The elements of rhythm. Tradu\u00e7\u00e3o de Lionel Pearson. Oxford: Clarendon Press, 1990.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"10-beauchamp-james-w-analysis-synthesis-and-perception-of-musical-sounds-new-york-springer-2007\"><span style=\"color: #808080;\">[10] BEAUCHAMP, James W. Analysis, synthesis, and perception of musical sounds. New York: Springer, 2007.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"11-bent-ian-pople-anthony-analysis-in-sadie-stanley-ed-the-new-grove-dictionary-of-music-and-musicians-new-york-w-w-norton-2001\"><span style=\"color: #808080;\">[11] BENT, Ian; POPLE, Anthony. Analysis. In: SADIE, Stanley (ed.). The New Grove Dictionary of Music and Musicians. New York: W. W. Norton, 2001.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"12-berry-wallace-structural-functions-in-music-new-york-dover-publications-1987\"><span style=\"color: #808080;\">[12] BERRY, Wallace. Structural functions in music. New York: Dover Publications, 1987.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"13-bowman-wayne-d-philosophical-perspectives-on-music-new-york-oxford-university-press-1998\"><span style=\"color: #808080;\">[13] BOWMAN, Wayne D. Philosophical perspectives on music. New York: Oxford University Press, 1998.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"14-brower-candace-metaphors-for-music-cognitive-models-in-music-theory-new-york-oxford-university-press-2000\"><span style=\"color: #808080;\">[14] BROWER, Candace. Metaphors for music: cognitive models in music theory. New York: Oxford University Press, 2000.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"15-burt-george-the-art-of-film-music-boston-northeastern-university-press-1994\"><span style=\"color: #808080;\">[15] BURT, George. The art of film music. Boston: Northeastern University Press, 1994.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"16-carrasco-ney-sygkhronos-a-formacao-da-poetica-musical-do-cinema-sao-paulo-via-lettera-2003\"><span style=\"color: #808080;\">[16] CARRASCO, Ney. Sygkhronos: a forma\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica musical do cinema. S\u00e3o Paulo: Via Lettera, 2003. <\/span><\/h5>\n<h5 id=\"17-chada-sonia-a-musica-dos-caboclos-nos-candombles-baianos-salvador-edufba-2006\"><span style=\"color: #808080;\">[17] CHADA, Sonia. A m\u00fasica dos caboclos nos candombl\u00e9s baianos. Salvador: EDUFBA, 2006.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"18-cohn-richard-neo-riemannian-operations-parsimonious-trichords-and-their-tonnetz-representations-journal-of-music-theory-new-haven-v-41-n-1-p-1-66-1997\"><span style=\"color: #808080;\">[18] COHN, Richard. Neo-Riemannian operations, parsimonious trichords, and their \u201cTonnetz\u201d representations. Journal of Music Theory, New Haven, v. 41, n. 1, p. 1\u201366, 1997.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"19-cook-nicholas-a-guide-to-musical-analysis-oxford-oxford-university-press-1987\"><span style=\"color: #808080;\">[19] COOK, Nicholas. A guide to musical analysis. Oxford: Oxford University Press, 1987.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"20-cope-david-computers-and-musical-style-oxford-oxford-university-press-1991\"><span style=\"color: #808080;\">[20] COPE, David. Computers and musical style. Oxford: Oxford University Press, 1991.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"21-didier-weill-alain-os-tres-tempos-da-lei-rio-de-janeiro-zahar-1997\"><span style=\"color: #808080;\">[21] DIDIER-WEILL, Alain. Os tr\u00eas tempos da lei. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"22-dudeque-norton-music-theory-and-analysis-in-the-writings-of-arnold-schoenberg-aldershot-ashgate-2005\"><span style=\"color: #808080;\">[22] DUDEQUE, Norton. Music Theory and Analysis in the Writings of Arnold Schoenberg. Aldershot: Ashgate, 2005.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"23-dudeque-norton-teoria-e-analise-a-nova-musicologia-em-questao-per-musi-belo-horizonte-n-3-p-5-13-2001\"><span style=\"color: #808080;\">[23] DUDEQUE, Norton. Teoria e an\u00e1lise: a nova musicologia em quest\u00e3o. Per Musi, Belo Horizonte, n. 3, p. 5-13, 2001.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"24-dudeque-norton-teoria-e-analise-musical-retrospectiva-e-perspectivas-revista-de-musica-academica-v-1-n-1-2014\"><span style=\"color: #808080;\">[24] DUDEQUE, Norton. Teoria e an\u00e1lise musical: retrospectiva e perspectivas. Revista de M\u00fasica Acad\u00eamica, v. 1, n. 1, 2014.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"25-ferraz-silvio-musica-e-repeticao-a-escuta-fenomenologica-de-repeticoes-na-musica-do-seculo-xx-sao-paulo-educ-fapesp-1998\"><span style=\"color: #808080;\">[25] FERRAZ, Silvio. M\u00fasica e repeti\u00e7\u00e3o: a escuta fenomenol\u00f3gica de repeti\u00e7\u00f5es na m\u00fasica do s\u00e9culo XX. S\u00e3o Paulo: Educ\/Fapesp, 1998.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"26-ferraz-silvio-o-timbre-como-elemento-estrutural-opus-porto-alegre-v-10-n-10-p-145-154-dez-2004\"><span style=\"color: #808080;\">[26] FERRAZ, Silvio. O timbre como elemento estrutural. <i>Opus<\/i>, Porto Alegre, v. 10, n. 10, p. 145-154, dez. 2004.\u00a0\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"27-ferrara-anthony-philosophy-and-the-analysis-of-music-bridges-to-musical-sound-form-and-reference-new-york-greenwood-press-1991\"><span style=\"color: #808080;\">[27] FERRARA, Anthony. Philosophy and the analysis of music: bridges to musical sound, form, and reference. New York: Greenwood Press, 1991.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"28-forte-allen-the-structure-of-atonal-music-new-haven-yale-university-press-1973\"><span style=\"color: #808080;\">[28] FORTE, Allen. The structure of atonal music. New Haven: Yale University Press, 1973.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"29-freitas-sergio-paulo-ribeiro-de-que-som-e-esse-uma-analise-das-relacoes-entre-musica-popular-e-teoria-musical-2004-tese-doutorado-em-musica-instituto-de-artes-uni\"><span style=\"color: #808080;\">[29] FREITAS, S\u00e9rgio Paulo Ribeiro de. <i><b>&#8220;<\/b>Que som \u00e9 esse?&#8221;: uma an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es entre m\u00fasica popular e teoria musical<\/i>. 2004. Tese (Doutorado em M\u00fasica) \u2013 Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"30-friedmann-michael-l-a-methodology-for-the-discussion-of-contour-its-application-to-schoenbergs-music-journal-of-music-theory-new-haven-v-29-n-2-p-223-248-1985\"><span style=\"color: #808080;\">[30] FRIEDMANN, Michael L. A methodology for the discussion of contour: its application to Schoenberg\u2019s music. Journal of Music Theory, New Haven, v. 29, n. 2, p. 223\u2013248, 1985.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"31-fux-johann-joseph-gradus-ad-parnassum-traducao-de-alfred-mann-new-york-w-w-norton-1965\"><span style=\"color: #808080;\">[31] FUX, Johann Joseph. Gradus ad Parnassum. Tradu\u00e7\u00e3o de Alfred Mann. New York: W. W. Norton, 1965.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"32-gentil-nunes-pauxy-analise-particional-uma-proposta-de-modelagem-da-textura-musical-2009-tese-doutorado-em-musica-universidade-federal-do-rio-de-janeiro-rio-de-janeiro-2009\"><span style=\"color: #808080;\">[32] GENTIL-NUNES, Pauxy. An\u00e1lise Particional: uma proposta de modelagem da textura musical. 2009. Tese (Doutorado em M\u00fasica) \u2013 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"33-gerling-cristina-a-contribuicao-de-h-schenker-para-a-interpretacao-musical-opus-porto-alegre-n-1-p-14-31-1989\"><span style=\"color: #808080;\">[33] GERLING, Cristina. A contribui\u00e7\u00e3o de H. Schenker para a interpreta\u00e7\u00e3o musical. Opus, Porto Alegre, n. 1, p. 14-31, 1989.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"34-goehr-lydia-the-imaginary-museum-of-musical-works-an-essay-in-the-philosophy-of-music-oxford-oxford-university-press-1992\"><span style=\"color: #808080;\">[34] GOEHR, Lydia. The imaginary museum of musical works: an essay in the philosophy of music. Oxford: Oxford University Press, 1992.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"35-gomes-luiz-senna-gesto-e-performance-musical-por-uma-abordagem-fenomenologica-in-simposio-brasileiro-de-pos-graduandos-em-musica-4-2018-rio-de-janeiro-anais-rio-de-janeiro-u\"><span style=\"color: #808080;\">[35] GOMES, Luiz Senna. Gesto e performance musical: por uma abordagem fenomenol\u00f3gica. In: SIMP\u00d3SIO BRASILEIRO DE P\u00d3S-GRADUANDOS EM M\u00daSICA, 4., 2018, Rio de Janeiro. Anais [&#8230;]. Rio de Janeiro: UNIRIO, 2018. p. 345-354.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"36-gritten-anthony-king-elaine-ed-music-and-gesture-aldershot-ashgate-2006\"><span style=\"color: #808080;\">[36] GRITTEN, Anthony; KING, Elaine (ed.). Music and gesture. Aldershot: Ashgate, 2006.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"37-grout-donald-jay-palisca-claude-v-a-history-of-western-music-6-ed-new-york-w-w-norton-2001\"><span style=\"color: #808080;\">[37] GROUT, Donald Jay; PALISCA, Claude V. A history of Western music. 6. ed. New York: W. W. Norton, 2001.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"38-hanninen-dora-a-a-theory-of-musical-analysis-on-segmentation-and-associative-organization-oxford-oxford-university-press-2012\"><span style=\"color: #808080;\">[38] HANNINEN, Dora A. A theory of musical analysis: on segmentation and associative organization. Oxford: Oxford University Press, 2012.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"39-hatten-robert-s-interpreting-musical-gestures-topics-and-tropes-mozart-beethoven-schubert-bloomington-indiana-university-press-2004\"><span style=\"color: #808080;\">[39] HATTEN, Robert S. Interpreting musical gestures, topics, and tropes: Mozart, Beethoven, Schubert. Bloomington: Indiana University Press, 2004.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"40-ilari-beatriz-musica-cognicao-e-educacao-opus-porto-alegre-v-8-n-8-p-69-80-2002\"><span style=\"color: #808080;\">[40] ILARI, Beatriz. M\u00fasica, cogni\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Opus, Porto Alegre, v. 8, n. 8, p. 69-80, 2002.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"41-kramer-jonathan-d-the-time-of-music-new-meanings-new-temporalities-new-listening-strategies-new-york-schirmer-books-1988\"><span style=\"color: #808080;\">[41] KRAMER, Jonathan D. The time of music: new meanings, new temporalities, new listening strategies. New York: Schirmer Books, 1988.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"42-kurth-ernst-musikpsychologie-bern-a-francke-1931\"><span style=\"color: #808080;\">[42] KURTH, Ernst. Musikpsychologie. Bern: A. Francke, 1931.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"43-lago-manoel-o-circulo-veloso-guerra-e-darius-milhaud-no-brasil-modernismo-musical-em-intercambio-rio-de-janeiro-editora-ufrj-2010\"><span style=\"color: #808080;\">[43] LAGO, Manoel. O c\u00edrculo Veloso-Guerra e Darius Milhaud no Brasil: modernismo musical em interc\u00e2mbio. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2010.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"44-lerdahl-fred-jackendoff-ray-a-generative-theory-of-tonal-music-cambridge-ma-mit-press-1983\"><span style=\"color: #808080;\">[44] LERDAHL, Fred; JACKENDOFF, Ray. A generative theory of tonal music. Cambridge, MA: MIT Press, 1983.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"45-lima-paulo-costa-analise-de-transformacoes-tematicas-na-op-11-n-1-de-arnold-schoenberg-revista-musica-v-4-n-2-p-157-173-1993\"><span style=\"color: #808080;\">[45] LIMA, Paulo Costa. An\u00e1lise de transforma\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas na op. 11 n. 1 de Arnold Schoenberg. Revista M\u00fasica, v. 4 n. 2, p. 157-173, 1993.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"46-lima-paulo-costa-composition-and-analysis-constitutive-theoretical-fabulation-in-the-music-of-brahms-schoenberg-and-ernst-widmer-in-gentil-nunes-p-coelho-de-souza-r-navia-g-org\"><span style=\"color: #808080;\">[46] LIMA, Paulo Costa. Composition and analysis: constitutive-theoretical fabulation in the music of Brahms, Schoenberg and Ernst Widmer. In: GENTIL-NUNES, P.; COELHO DE SOUZA, R.; NAVIA, G. (org.). Teoria musical no Brasil: di\u00e1logos intercontinentais. Rio de Janeiro: UFRJ, 2021. p. 45-62.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"47-lima-paulo-costa-musica-e-psicanalise-uma-possivel-interface-atravez-sao-paulo-n-8-9-p-115-124-1995\"><span style=\"color: #808080;\">[47] LIMA, Paulo Costa. M\u00fasica e psican\u00e1lise: uma poss\u00edvel interface. Atravez, S\u00e3o Paulo, n. 8\/9, p. 115-124, 1995.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"48-lima-paulo-costa-musica-popular-e-adjacencias-salvador-edufba-2010\"><span style=\"color: #808080;\">[48] LIMA, Paulo Costa. M\u00fasica popular e adjac\u00eancias. Salvador: EDUFBA, 2010.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"49-lima-paulo-costa-musica-popular-no-brasil-e-outras-adjacencias-salvador-edufba-2012\"><span style=\"color: #808080;\">[49] LIMA, Paulo Costa. M\u00fasica popular no Brasil e outras adjac\u00eancias. Salvador: EDUFBA, 2012.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"50-lima-paulo-costa-superficie-e-estrutura-na-musica-octatonica-de-ernst-widmer-2000-tese-doutorado-em-musica-escola-de-comunicacoes-e-artes-universidade-de-sao-paulo-sao-paulo-20\"><span style=\"color: #808080;\">[50] LIMA, Paulo Costa. Superf\u00edcie e estrutura na m\u00fasica octat\u00f4nica de Ernst Widmer. 2000. Tese (Doutorado em M\u00fasica) \u2013 Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2000.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"51-lima-paulo-costa-teoria-e-pratica-do-compor-serie-salvador-edufba-2012-2025-6-v\"><span style=\"color: #808080;\">[51] LIMA, Paulo Costa. Teoria e pr\u00e1tica do compor (s\u00e9rie). Salvador: EDUFBA, 2012-2025. 6 v.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"52-lomax-alan-folk-song-style-and-culture-washington-dc-aaas-1968\"><span style=\"color: #808080;\">[52] LOMAX, Alan. Folk song style and culture. Washington, DC: AAAS, 1968.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"53-lucas-maria-elizabeth-musica-e-patrimonio-cultural-diversidade-e-fluxos-transnacionais-in-bitu-c-org-patrimonio-imaterial-e-diversidade-cultural-brasilia-iphan-2005-p-45-58\"><span style=\"color: #808080;\">[53] LUCAS, Maria Elizabeth. M\u00fasica e patrim\u00f4nio cultural: diversidade e fluxos transnacionais. In: BITU, C. (Org.). Patrim\u00f4nio imaterial e diversidade cultural. Bras\u00edlia: IPHAN, 2005. p. 45-58. <\/span><\/h5>\n<h5 id=\"54-martins-jose-eduardo-encontros-sob-musica-sao-paulo-escrituras-1990\"><span style=\"color: #808080;\">[54] MARTINS, Jos\u00e9 Eduardo. Encontros sob m\u00fasica. S\u00e3o Paulo: Escrituras, 1990. <\/span><\/h5>\n<h5 id=\"55-mcclary-susan-feminine-endings-music-gender-and-sexuality-minneapolis-university-of-minnesota-press-1991\"><span style=\"color: #808080;\">[55] McCLARY, Susan. Feminine endings: music, gender, and sexuality. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1991.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"56-meyer-leonard-b-the-rhythmic-structure-of-music-chicago-university-of-chicago-press-1960\"><span style=\"color: #808080;\">[56] MEYER, Leonard B. The rhythmic structure of music. Chicago: University of Chicago Press, 1960.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"57-muszkat-mauro-musica-e-neurociencia-in-arroyo-margarete-hentschke-liane-org-abordagens-interdisciplinares-em-educacao-musical-porto-alegre-mediacao-2008-p-49-70\"><span style=\"color: #808080;\">[57] MUSZKAT, Mauro. M\u00fasica e neuroci\u00eancia. In: ARROYO, Margarete; HENTSCHKE, Liane (Org.). Abordagens interdisciplinares em educa\u00e7\u00e3o musical. Porto Alegre: Media\u00e7\u00e3o, 2008. p. 49-70. <\/span><\/h5>\n<h5 id=\"58-narmour-eugene-analysis-and-interpretation-in-cook-nicholas-ed-the-cambridge-companion-to-musical-analysis-cambridge-cambridge-university-press-1999-p-120-140\"><span style=\"color: #808080;\">[58] NARMOUR, Eugene. Analysis and interpretation. In: COOK, Nicholas (ed.). The Cambridge companion to musical analysis. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. p. 120\u2013140.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"59-nattiez-jean-jacques-music-and-discourse-toward-a-semiology-of-music-princeton-princeton-university-press-1990\"><span style=\"color: #808080;\">[59] NATTIEZ, Jean-Jacques. Music and discourse: toward a semiology of music. Princeton: Princeton University Press, 1990.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"60-naves-santuza-cambraia-da-bossa-nova-a-tropicalia-rio-de-janeiro-zahar-2001\"><span style=\"color: #808080;\">[60] NAVES, Santuza Cambraia. Da Bossa Nova \u00e0 Tropic\u00e1lia. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"61-nettl-bruno-the-study-of-ethnomusicology-thirty-three-discussions-urbana-university-of-illinois-press-2005\"><span style=\"color: #808080;\">[61] NETTL, Bruno. The study of ethnomusicology: thirty-three discussions. Urbana: University of Illinois Press, 2005.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"62-nogueira-ilza-analise-musical-uma-atividade-interpretativa-opus-porto-alegre-v-4-n-4-p-55-68-1997\"><span style=\"color: #808080;\">[62] NOGUEIRA, Ilza. An\u00e1lise musical: uma atividade interpretativa. Opus, Porto Alegre, v. 4, n. 4, p. 55-68, 1997.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"63-nogueira-ilza-org-teoria-e-analise-musical-em-perspectiva-didatica-serie-congressos-da-tema-vol-2-salvador-ufba-2017\"><span style=\"color: #808080;\">[63] NOGUEIRA, Ilza (org.). <b>Teoria e an\u00e1lise musical em perspectiva did\u00e1tica<\/b>. S\u00e9rie Congressos da TeMA, Vol. 2. Salvador: UFBA, 2017.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"64-nogueira-marcos-2009-a-semantica-do-entendimento-musical-in-b-ilari-r-c-araujo-orgs-mentes-em-musica-pp-37-64-curitiba-deartes-universidade-federal-do-parana\"><span style=\"color: #808080;\">[64] NOGUEIRA, Marcos. (2009). A sem\u00e2ntica do entendimento musical. In B. Ilari &amp; R. C. Ara\u00fajo (Orgs.), Mentes em M\u00fasica (pp. 37\u201364). Curitiba: Deartes\/Universidade Federal do Paran\u00e1 \u2013 UFPR. ISBN: 978-85-9882-622-6..<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"65-oliveira-jamary-reflets-dans-leau-images-i-para-piano-de-claude-debussy-revista-art-salvador-n-1-p-33-48-1981\"><span style=\"color: #808080;\">[65] OLIVEIRA, Jamary. &#8220;Reflets dans l\u2019eau&#8221; \u2013 Images I para piano de Claude Debussy. Revista ART, Salvador, n. 1, p. 33-48, 1981.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"66-oliveira-jamary-serie-um-programa-auxiliar-para-analise-de-musica-dodecafonica-revista-art-salvador-n-2-p-45-56-1981\"><span style=\"color: #808080;\">[66] OLIVEIRA, Jamary. &#8220;S\u00e9rie: um programa auxiliar para an\u00e1lise de m\u00fasica dodecaf\u00f4nica&#8221;. Revista ART, Salvador, n. 2, p. 45-56, 1981.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"67-peretz-isabelle-zatorre-robert-j-the-cognitive-neuroscience-of-music-in-peretz-i-zatorre-r-j-ed-the-cognitive-neuroscience-of-music-oxford-oxford-university-press-2003-p-1\"><span style=\"color: #808080;\">[67] PERETZ, Isabelle; ZATORRE, Robert J. The cognitive neuroscience of music. In: PERETZ, I.; ZATORRE, R. J. (ed.). The cognitive neuroscience of music. Oxford: Oxford University Press, 2003. p. 1\u201344.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"68-piedade-acacio-tadeu-de-camargo-villa-lobos-e-a-retorica-musical-um-estudo-das-topicas-revista-do-instituto-de-estudos-brasileiros-ieb-usp-sao-paulo-n-52-p-55-70-2011\"><span style=\"color: #808080;\">[68] PIEDADE, Ac\u00e1cio Tadeu de Camargo. Villa-Lobos e a ret\u00f3rica musical: um estudo das t\u00f3picas. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB\/USP), S\u00e3o Paulo, n. 52, p. 55-70, 2011.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"69-sampaio-marcos-da-silva-em-torno-da-roma-aplicacoes-de-operacoes-com-contornos-na-composicao-salvador-edufba-2008\"><span style=\"color: #808080;\">[69] SAMPAIO, Marcos da Silva. Em torno da rom\u00e3: aplica\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00f5es com contornos na composi\u00e7\u00e3o. Salvador: EDUFBA, 2008.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"70-schenker-heinrich-free-composition-der-freie-satz-traducao-e-edicao-de-ernst-oster-new-york-longman-1979\"><span style=\"color: #808080;\">[70] SCHENKER, Heinrich. Free composition (Der freie Satz). Tradu\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de Ernst Oster. New York: Longman, 1979.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"71-schonberg-arnold-the-musical-idea-and-the-logic-technique-and-art-of-its-presentation-new-york-columbia-university-press-1995\"><span style=\"color: #808080;\">[71] SCH\u00d6NBERG, Arnold. The musical idea and the logic, technique, and art of its presentation. New York: Columbia University Press, 1995.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"72-scliar-esther-elementos-de-analise-musical-porto-alegre-movimento-1985\"><span style=\"color: #808080;\">[72] SCLIAR, Esther. Elementos de an\u00e1lise musical. Porto Alegre: Movimento, 1985.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"73-tatit-luiz-o-cancionista-composicao-de-cancoes-no-brasil-sao-paulo-edusp-1996\"><span style=\"color: #808080;\">[73] TATIT, Luiz. O cancionista: composi\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es no Brasil. S\u00e3o Paulo: Edusp, 1996.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"74-tomas-lia-ouvir-o-logos-musica-e-filosofia-sao-paulo-unesp-2002\"><span style=\"color: #808080;\">[74] TOM\u00c1S, Lia. Ouvir o l\u00f3gos: m\u00fasica e filosofia. S\u00e3o Paulo: UNESP, 2002.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"75-ulhoa-martha-tupinamba-de-musica-popular-no-brasil-caminhos-para-a-analise-per-musi-belo-horizonte-n-1-p-14-25-2000\"><span style=\"color: #808080;\">[75] ULH\u00d4A, Martha Tupinamb\u00e1 de. M\u00fasica popular no Brasil: caminhos para a an\u00e1lise. Per Musi, Belo Horizonte, n. 1, p. 14-25, 2000.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"76-vianna-hermano-o-misterio-do-samba-rio-de-janeiro-zahar-1995\"><span style=\"color: #808080;\">[76] VIANNA, Hermano. O mist\u00e9rio do samba. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"77-widmer-ernst-entroncamentos-sonoros-ensaio-a-uma-didatica-da-musica-contemporanea-salvador-edicao-do-autor-1972\"><span style=\"color: #808080;\">[77] WIDMER, Ernst. Entroncamentos sonoros: ensaio a uma did\u00e1tica da m\u00fasica contempor\u00e2nea. Salvador: Edi\u00e7\u00e3o do Autor, 1972.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"78-wisnik-jose-miguel-o-som-e-o-sentido-uma-outra-historia-das-musicas-sao-paulo-companhia-das-letras-1989\"><span style=\"color: #808080;\">[78] WISNIK, Jos\u00e9 Miguel. O som e o sentido: uma outra hist\u00f3ria das m\u00fasicas. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1989.<\/span><\/h5>\n<h6 id=\"foto-unsplash-reproducao\">(Foto: Unsplash. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma reflex\u00e3o sobre a inseparabilidade entre cria\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e conhecimento musical ao&hellip;\n","protected":false},"author":344,"featured_media":9660,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9654"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/344"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9654"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9720,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9654\/revisions\/9720"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}