{"id":9721,"date":"2026-02-12T11:27:55","date_gmt":"2026-02-12T11:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9721"},"modified":"2026-02-16T18:41:29","modified_gmt":"2026-02-16T18:41:29","slug":"a-historia-da-divulgacao-cientifica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9721","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-jornais-revistas-cientistas-e-comunicadores-moldaram-ao-longo-de-dois-seculos-a-relacao-entre-ciencia-sociedade-e-democracia-no-pais\"><strong><span style=\"font-size: 18pt; font-family: Calibri, sans-serif; color: #808080;\">Como jornais, revistas, cientistas e comunicadores moldaram, ao longo de dois s\u00e9culos, a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, sociedade e democracia no pa\u00eds<\/span><\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">A ci\u00eancia nem sempre ocupou um lugar central no debate p\u00fablico brasileiro, mas sua presen\u00e7a no cotidiano da sociedade foi sendo constru\u00edda ao longo do tempo, entre iniciativas institucionais, projetos editoriais, disputas de sentido e esfor\u00e7os individuais de media\u00e7\u00e3o entre o conhecimento especializado e o p\u00fablico amplo. A divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil tem uma hist\u00f3ria longa, complexa e marcada por avan\u00e7os descont\u00ednuos, que come\u00e7a ainda antes da independ\u00eancia do pa\u00eds e ajuda a entender como o pa\u00eds passou a produzir, comunicar e atribuir valor ao conhecimento cient\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">O marco inicial costuma ser associado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Imprensa R\u00e9gia, em 1810, quando passam a circular no Brasil textos voltados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, sobretudo manuais de engenharia e medicina, em geral traduzidos do franc\u00eas. Desde ent\u00e3o, ao longo de mais de 200 anos, a comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia se desenvolveu de maneira desigual, frequentemente restrita \u00e0s elites letradas e pouco integrada ao cotidiano da maior parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Desde seus prim\u00f3rdios, a ci\u00eancia esteve presente na imprensa brasileira. Jornais como a <i>Gazeta do Rio de Janeiro<\/i>, <i>O Patriota<\/i> e o <i>Correio Braziliense<\/i> abriram espa\u00e7o para temas cient\u00edficos em um contexto marcado pelo Iluminismo e pela circula\u00e7\u00e3o internacional de ideias. Mesmo editado fora do pa\u00eds, o <i>Correio Braziliense<\/i> desempenhou papel central ao articular ci\u00eancia, pol\u00edtica, economia e educa\u00e7\u00e3o, evidenciando que o conhecimento cient\u00edfico era visto como instrumento de moderniza\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o nacional. (<b>Figura 1<\/b>)<\/span><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-patriotaimagem-arquivo-publico-digital-apesp-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><b><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\"> <img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9722\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/divulgacao1-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/divulgacao1-221x300.jpg 221w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/divulgacao1-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/divulgacao1.jpg 270w\" sizes=\"(max-width: 368px) 100vw, 368px\" \/><br \/>\n<\/span><\/b><b><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Figura 1. O Patriota<br \/>\n<\/span><\/b><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">(Imagem: Arquivo P\u00fablico Digital APESP. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Ao longo do s\u00e9culo XIX, com a expans\u00e3o da imprensa e o fortalecimento da circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es entre o Brasil e a Europa \u2014 especialmente ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o do cabo telegr\u00e1fico submarino, em 1874 \u2014 a ci\u00eancia passou a ocupar um espa\u00e7o cada vez mais vis\u00edvel nos jornais e revistas. Publica\u00e7\u00f5es como a <i>Revista Brazileira \u2013 Jornal de Sciencias, Letras e Artes<\/i>, a <i>Revista do Rio de Janeiro<\/i> e <i>Ci\u00eancia para o Povo<\/i> demonstram que havia interesse social por temas cient\u00edficos, em especial nas \u00e1reas de sa\u00fade, ci\u00eancias naturais, astronomia e comportamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h4 id=\"inovacao\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Inova\u00e7\u00e3o<\/span><\/h4>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Esse per\u00edodo tamb\u00e9m foi marcado por iniciativas inovadoras de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, como as Confer\u00eancias Populares da Gl\u00f3ria, que reuniam ci\u00eancia, cultura e debate social, incluindo temas como o papel da mulher na sociedade. Museus como o <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/\"><b><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Museu Nacional<\/span><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">, no Rio de Janeiro, e o <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museugoeldi\/pt-br\"><b><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi<\/span><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\"> assumiram oficialmente, a partir do final do s\u00e9culo XIX, a miss\u00e3o de promover o estudo, o desenvolvimento e a vulgariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, ampliando o contato do p\u00fablico com o conhecimento cient\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-divulgacao-cientifica-no-brasil-comecou-antes-mesmo-da-independencia-mas-sua-historia-foi-marcada-por-avancos-descontinuos-e-profundas-desigualdades-de-acesso-ao-conhecimento\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><i><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u201cA divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil come\u00e7ou antes mesmo da independ\u00eancia, mas sua hist\u00f3ria foi marcada por avan\u00e7os descont\u00ednuos e profundas desigualdades de acesso ao conhecimento.\u201d<\/span><\/i><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Ci\u00eancias \u2014 mais tarde <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/\"><b><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC)<\/span><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\"> \u2014 e o uso de novas m\u00eddias, como o r\u00e1dio e o cinema educativo, ampliaram as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. A R\u00e1dio Sociedade do Rio de Janeiro e o Instituto Nacional do Cinema Educativo s\u00e3o exemplos de como a ci\u00eancia passou a dialogar com novas linguagens e p\u00fablicos. A visita de cientistas internacionais, como Albert Einstein e Marie Curie, tamb\u00e9m despertou grande interesse popular e refor\u00e7ou a percep\u00e7\u00e3o social da ci\u00eancia como motor do progresso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h4 id=\"nova-fase\"><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Nova fase<\/span><\/h4>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">A partir dos anos 1940, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil entra em uma nova fase, marcada pela institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e pelo fortalecimento do jornalismo cient\u00edfico. Nesse contexto, ganha destaque a atua\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Reis, figura central na consolida\u00e7\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como pr\u00e1tica permanente, articulada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 pol\u00edtica cient\u00edfica e ao jornalismo. Sua atua\u00e7\u00e3o em jornais de grande circula\u00e7\u00e3o, aliada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\"><b><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/span><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\"> e da revista <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\"><b><i><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/span><\/i><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">, ajudou a estabelecer a ci\u00eancia como pauta regular e socialmente relevante. (<b>Figura 2<\/b>)<\/span><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-capas-da-revista-ciencia-culturaimagem-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9723\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-300x125.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"208\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-300x125.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-1024x427.jpeg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-768x320.jpeg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-18x8.jpeg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-800x333.jpeg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas-1160x483.jpeg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/capas.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<\/span><b><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Figura 2. Capas da revista Ci\u00eancia &amp; Cultura<br \/>\n<\/span><\/b><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">(Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/span><\/h6>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">O p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria criaram um ambiente internacional de valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia, com impactos diretos no Brasil. Mesmo sob a ditadura militar, que perseguiu cientistas e comprometeu a liberdade acad\u00eamica, houve investimentos significativos em universidades, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e infraestrutura cient\u00edfica. Esse cen\u00e1rio contradit\u00f3rio contribuiu para a expans\u00e3o da ci\u00eancia institucionalizada e, ao mesmo tempo, imp\u00f4s limites ao debate p\u00fablico e cr\u00edtico sobre ci\u00eancia e tecnologia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">A redemocratiza\u00e7\u00e3o, nos anos 1980, marca outro ponto de inflex\u00e3o. Surgem revistas como <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\/\"><b><i><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Ci\u00eancia Hoje<\/span><\/i><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">, <\/span><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/chc.org.br\/\"><b><i><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Ci\u00eancia Hoje das Crian\u00e7as<\/span><\/i><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">, <\/span><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/\"><b><i><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Superinteressante<\/span><\/i><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\"> e, posteriormente, <\/span><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\"><b><i><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Pesquisa FAPESP<\/span><\/i><\/b><\/a><\/span><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">, al\u00e9m de programas de televis\u00e3o e suplementos jornal\u00edsticos dedicados \u00e0 ci\u00eancia. Ao mesmo tempo, consolidam-se associa\u00e7\u00f5es profissionais, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Cient\u00edfico, e cresce a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre divulga\u00e7\u00e3o e jornalismo cient\u00edfico no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Apesar dessa amplia\u00e7\u00e3o, um desafio estrutural persiste: a dificuldade de alcan\u00e7ar amplos segmentos da popula\u00e7\u00e3o. A fragilidade do ensino de ci\u00eancias na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica compromete o letramento cient\u00edfico e favorece a desinforma\u00e7\u00e3o, tornando parte da sociedade mais vulner\u00e1vel a discursos pseudocient\u00edficos, teorias conspirat\u00f3rias e campanhas anticient\u00edficas. A pandemia evidenciou esse problema, ao mesmo tempo em que mostrou a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a democracia e a tomada de decis\u00f5es informadas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"na-era-das-redes-sociais-e-das-fake-news-fortalecer-a-divulgacao-cientifica-e-tambem-fortalecer-a-democracia-e-a-participacao-cidada-nas-decisoes-sobre-ciencia-e-tecnologia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><i><span style=\"font-size: 18.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u201cNa era das redes sociais e das fake news, fortalecer a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 tamb\u00e9m fortalecer a democracia e a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 nas decis\u00f5es sobre ci\u00eancia e tecnologia.\u201d<\/span><\/i><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">Hoje, com podcasts, redes sociais, plataformas digitais e arquivos hist\u00f3ricos amplamente digitalizados, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica vive um momento paradoxal. Nunca houve tantos meios e conte\u00fados dispon\u00edveis, mas o acesso qualificado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica continua profundamente desigual. Iniciativas de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica da ci\u00eancia, articuladas a pol\u00edticas educacionais, culturais e cient\u00edficas, tornam-se cada vez mais urgentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.0pt; font-family: 'Calibri',sans-serif;\">A digitaliza\u00e7\u00e3o de acervos jornal\u00edsticos e a amplia\u00e7\u00e3o dos estudos hist\u00f3ricos t\u00eam revelado que a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil foi mais cont\u00ednua e diversa do que se supunha. Longe de uma trajet\u00f3ria marcada apenas por \u201condas\u201d espor\u00e1dicas, emerge a imagem de um campo persistente, embora frequentemente estreito e tensionado por desigualdades sociais, pol\u00edticas e educacionais. Compreender essa hist\u00f3ria \u00e9 essencial para pensar o futuro da ci\u00eancia no pa\u00eds \u2014 e o papel da comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais cr\u00edtica, informada e democr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como jornais, revistas, cientistas e comunicadores moldaram, ao longo de dois s\u00e9culos,&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9724,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9721"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9721"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9721\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9752,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9721\/revisions\/9752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}