{"id":9764,"date":"2026-03-02T08:00:57","date_gmt":"2026-03-02T08:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9764"},"modified":"2026-03-03T12:50:10","modified_gmt":"2026-03-03T12:50:10","slug":"o-silencio-sob-pressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9764","title":{"rendered":"O sil\u00eancio sob press\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-a-poluicao-sonora-afeta-a-saude-aprofunda-desigualdades-e-desafia-o-planejamento-das-cidades\"><span style=\"color: #808080;\">Como a polui\u00e7\u00e3o sonora afeta a sa\u00fade, aprofunda desigualdades e desafia o planejamento das cidades<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas cidades brasileiras, o sil\u00eancio est\u00e1 sob press\u00e3o. Mais do que uma condi\u00e7\u00e3o sensorial desej\u00e1vel, ele se tornou um recurso raro e profundamente desigual. Em meio ao tr\u00e1fego constante, \u00e0s obras intermin\u00e1veis, \u00e0s buzinas, sirenes e \u00e0 m\u00fasica amplificada que vaza de carros, bares e resid\u00eancias, forma-se um pano de fundo sonoro cont\u00ednuo que molda comportamentos e rela\u00e7\u00f5es sociais. O que durante d\u00e9cadas foi tratado como simples inc\u00f4modo urbano passou a ser reconhecido pela ci\u00eancia como um problema estrutural de sa\u00fade p\u00fablica, com impactos mensur\u00e1veis sobre o bem-estar, a cogni\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o das cidades.<\/p>\n<p>Para compreender essa crise, a ci\u00eancia estabelece a distin\u00e7\u00e3o entre som e ru\u00eddo. O som \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o de press\u00e3o em meio el\u00e1stico. J\u00e1 o ru\u00eddo \u00e9 classificado pela <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.who.int\/pt\/about\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/strong><\/a><\/span> n\u00e3o apenas pela sua natureza f\u00edsica, mas como o &#8220;som indesejado&#8221; que interfere na sa\u00fade. N\u00e3o por acaso. \u201cA polui\u00e7\u00e3o sonora \u00e9 hoje, depois da polui\u00e7\u00e3o do ar por emiss\u00f5es gasosas e da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, o tipo de polui\u00e7\u00e3o que atinge o maior n\u00famero de pessoas no planeta\u201d, apontam <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789289002295\"><strong>documentos t\u00e9cnicos da OMS<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>A ideia amplamente difundida de que a popula\u00e7\u00e3o teria \u201cse acostumado\u201d ao barulho \u00e9, do ponto de vista cient\u00edfico, enganosa. O organismo n\u00e3o se adapta ao ru\u00eddo cr\u00f4nico: ele reage, silenciosamente, todos os dias. A rela\u00e7\u00e3o entre a polui\u00e7\u00e3o sonora e seu impacto cr\u00f4nico na sa\u00fade tamb\u00e9m foi destacada em <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unep.org\/resources\/frontiers-2022-noise-blazes-and-mismatches\"><strong>relat\u00f3rio de 2022 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-corpo-nao-se-acostuma-ao-barulho\">O corpo n\u00e3o se acostuma ao barulho<\/h4>\n<p>Do ponto de vista da neuroci\u00eancia e da medicina, o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia total de som, mas a presen\u00e7a de condi\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas que permitem ao sistema nervoso se recuperar. \u201cPodemos achar que nos acostumamos, mas o corpo n\u00e3o \u2018desliga\u2019\u201d, explica Miguel Hyppolito, m\u00e9dico otorrinolaringologista, doutor em Ci\u00eancias M\u00e9dicas e professor da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fmrp.usp.br\/pb\/\">Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da USP<\/a><\/strong><\/span>. Segundo o pesquisador, d\u00e9cadas de estudos mostram que a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao ru\u00eddo favorece o aumento da press\u00e3o arterial e eleva o risco de hipertens\u00e3o, infarto e acidente vascular cerebral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-poluicao-sonora-e-hoje-depois-da-poluicao-do-ar-por-emissoes-gasosas-e-da-poluicao-da-agua-o-tipo-de-poluicao-que-atinge-o-maior-numero-de-pessoas-no-planeta\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA polui\u00e7\u00e3o sonora \u00e9 hoje, depois da polui\u00e7\u00e3o do ar por emiss\u00f5es gasosas e da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, o tipo de polui\u00e7\u00e3o que atinge o maior n\u00famero de pessoas no planeta.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo durante o sono, o c\u00e9rebro permanece atento ao ambiente sonoro. Sons acima de 30 decib\u00e9is j\u00e1 fragmentam o descanso, ainda que a pessoa n\u00e3o desperte completamente. \u201cO ru\u00eddo gera microdespertares inconscientes e ativa respostas de estresse cr\u00f4nico\u201d, afirma Miguel Hyppolito. Esse estado permanente de alerta est\u00e1 associado a inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, estresse oxidativo, altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e preju\u00edzos cognitivos. O ru\u00eddo, portanto, atua como um agente patog\u00eanico ambiental invis\u00edvel, compar\u00e1vel a outros poluentes amplamente reconhecidos em efeitos biol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"segregacao-sonora-e-injustica-ambiental\">Segrega\u00e7\u00e3o sonora e injusti\u00e7a ambiental<\/h4>\n<p>O impacto do ru\u00eddo, no entanto, n\u00e3o se distribui de forma homog\u00eanea no espa\u00e7o urbano. Estudos <a href=\"https:\/\/bdtd.ibict.br\/vufind\/Record\/USP_43c67d0a6cf625766834cbcad50c6c8d\"><strong><span style=\"color: #800000;\">brasileiros<\/span><\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC5915201\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">internacionais<\/span><\/strong><\/a> indicam que popula\u00e7\u00f5es de menor renda tendem a viver mais pr\u00f3ximas de fontes intensas de polui\u00e7\u00e3o sonora, como vias de tr\u00e1fego pesado, corredores log\u00edsticos, \u00e1reas industriais e grandes obras de infraestrutura. Esse padr\u00e3o vem sendo descrito por pesquisadores como uma forma de injusti\u00e7a ambiental sonora.<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista pol\u00edtico-social e com base t\u00e9cnica, faz sentido falar em algo muito pr\u00f3ximo de uma segrega\u00e7\u00e3o sonora\u201d, afirma Miguel Hyppolito. \u201cMuitos bairros populares convivem com n\u00edveis de ru\u00eddo permanentemente acima do que \u00e9 considerado seguro para o sistema auditivo, cardiovascular, para o sono e para o desenvolvimento infantil. Isso configura uma desigualdade real no acesso ao repouso e \u00e0 sa\u00fade mental.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"se-escolas-e-casas-sao-persistentemente-barulhentas-empurramos-uma-geracao-inteira-para-um-patamar-evitavel-de-estresse-e-dificuldade-de-concentracao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSe escolas e casas s\u00e3o persistentemente barulhentas, empurramos uma gera\u00e7\u00e3o inteira para um patamar evit\u00e1vel de estresse e dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Zannin, doutor em Ac\u00fastica e professor da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufpr.br\/\"><strong>Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR)<\/strong><\/a><\/span>, refor\u00e7a: \u201cInfelizmente, as classes mais baixas habitam setores das cidades mais polu\u00eddos acusticamente e suas moradias n\u00e3o possuem o m\u00ednimo de isolamento sonoro. Quem pode pagar por projetos com tratamento ac\u00fastico certamente ter\u00e1 mais acesso a um ambiente harmonioso e, consequentemente, melhor sa\u00fade mental e repouso.\u201d O sil\u00eancio, nesse contexto, deixa de ser um bem coletivo e passa a funcionar como privil\u00e9gio urbano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"criancas-sob-pressao-sonora\">Crian\u00e7as sob press\u00e3o sonora<\/h4>\n<p>Entre os grupos mais vulner\u00e1veis aos efeitos do ru\u00eddo cr\u00f4nico est\u00e3o as crian\u00e7as. <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.who.int\/europe\/publications\/i\/item\/9789289053563\"><strong>Dados da OMS<\/strong><\/a><\/span> demonstram que a exposi\u00e7\u00e3o prolongada a ambientes ruidosos acarreta preju\u00edzos no desenvolvimento cognitivo, especialmente em leitura, aten\u00e7\u00e3o sustentada, mem\u00f3ria de trabalho e compreens\u00e3o verbal. <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.eea.europa.eu\/en\/analysis\/publications\/the-effect-of-environmental-noise-on-children\"><strong>Dados recentes da Ag\u00eancia Europeia do Meio Ambiente<\/strong><\/a><\/span> estimam que mais de meio milh\u00e3o de crian\u00e7as na Europa apresentam dificuldades de leitura atribu\u00eddas ao ru\u00eddo ambiental proveniente de transporte rodovi\u00e1rio, ferrovi\u00e1rio e a\u00e9reo. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-escolas-e-casas-constantemente-barulhentas-contribuem-para-um-patamar-evitavel-de-estresse-e-dificuldade-de-concentracao-especialmente-em-criancas-foto-proacustica-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1.webp\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9765\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1-300x200.webp\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1-300x200.webp 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1-768x512.webp 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1-18x12.webp 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1-800x533.webp 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura1.webp 1024w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Figura 1. Escolas e casas constantemente barulhentas contribuem para um patamar evit\u00e1vel de estresse e dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o especialmente em crian\u00e7as.<br \/>\n<\/strong>(Foto: ProAc\u00fastica. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2076-3417\/15\/8\/4128\"><strong>Meta-an\u00e1lises recentes<\/strong><\/a> <\/span>mostram que a exposi\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo tem efeito negativo significativo \u2014 de magnitude moderada \u2014 sobre a performance cognitiva de crian\u00e7as e adolescentes. Ambientes escolares ruidosos est\u00e3o associados a maior fadiga, irritabilidade e dificuldades de autorregula\u00e7\u00e3o emocional. \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o pedag\u00f3gica, mas ambiental\u201d, observa Miguel Hyppolito. \u201cSe escolas e casas s\u00e3o persistentemente barulhentas, empurramos uma gera\u00e7\u00e3o inteira para um patamar evit\u00e1vel de estresse e dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para Paulo Zannin, o problema ganha contornos sociais mais amplos: \u201cEstamos criando uma sociedade com d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o induzido pelo ru\u00eddo e pela polui\u00e7\u00e3o sonora.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"acustica-ciencia-ou-luxo\">Ac\u00fastica: ci\u00eancia ou luxo?<\/h4>\n<p>No campo da constru\u00e7\u00e3o civil, a ac\u00fastica avan\u00e7ou como \u00e1rea cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas sua incorpora\u00e7\u00e3o ao mercado ainda ocorre de forma desigual. Dinara Xavier da Paix\u00e3o, professora da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/\"><strong>Universidade Federal de Santa Maria<\/strong><\/a><\/span>, respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Ac\u00fastica no Brasil e ex-presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/acustica.org.br\/\"><strong>Sociedade Brasileira de Ac\u00fastica (SOBRAC)<\/strong><\/a><\/span>, destaca o papel das normas t\u00e9cnicas na qualifica\u00e7\u00e3o dos ambientes constru\u00eddos. \u201cA cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Especial (CEE-196) e, posteriormente, do Comit\u00ea Brasileiro de Ac\u00fastica, na ABNT, bem como a aplica\u00e7\u00e3o da NBR 15.575 trouxeram melhorias no isolamento ac\u00fastico das edifica\u00e7\u00f5es, especialmente nos grandes centros urbanos\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"precisamos-admitir-que-nossas-cidades-sao-acusticamente-poluidas-e-educar-a-populacao-sobre-os-danos-invisiveis-do-ruido\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPrecisamos admitir que nossas cidades s\u00e3o acusticamente polu\u00eddas e educar a popula\u00e7\u00e3o sobre os danos invis\u00edveis do ru\u00eddo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar disso, os padr\u00f5es m\u00ednimos brasileiros permanecem distantes daqueles adotados em outros pa\u00edses, e os benef\u00edcios n\u00e3o chegam a todas as regi\u00f5es. \u201cNa maioria dos casos, a ac\u00fastica n\u00e3o \u00e9 vista como artigo de luxo, mas ainda h\u00e1 desconhecimento sobre a exist\u00eancia de profissionais especializados, que poderiam inclusive reduzir custos se consultados na fase inicial dos projetos\u201d, avalia Dinara Paix\u00e3o. Na pr\u00e1tica, a Norma de Desempenho contribuiu para avan\u00e7os reais, mas acess\u00edveis apenas a determinados grupos sociais, pois ainda n\u00e3o chegou a todos os munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"planejar-o-silencio\">Planejar o sil\u00eancio<\/h4>\n<p>Tratar o sil\u00eancio como infraestrutura b\u00e1sica de sa\u00fade \u2014 assim como \u00e1gua pot\u00e1vel, saneamento ou drenagem urbana \u2014 implica repensar o planejamento das cidades. Para Miguel Hyppolito, a prioridade n\u00e3o est\u00e1 em solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas isoladas, mas em decis\u00f5es estruturais. \u201c\u00c9 fundamental revisar o zoneamento urbano, proteger \u00e1reas residenciais do tr\u00e1fego intenso e criar zonas-tamp\u00e3o verdes entre vias arteriais e bairros\u201d, afirma. <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.eea.europa.eu\/en\/analysis\/publications\/environmental-noise-in-europe-2025\"><strong>Experi\u00eancias internacionais mostram<\/strong><\/a><\/span> que em parques lineares h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o de velocidade e exig\u00eancia de projetos ac\u00fasticos em grandes obras para\u00a0 que reduzam de forma mensur\u00e1vel os n\u00edveis de ru\u00eddo. \u201cDo mesmo jeito que n\u00e3o se pode jogar esgoto sem tratamento sobre a cidade, n\u00e3o dever\u00edamos poder \u2018jogar ru\u00eddo\u2019 sobre bairros inteiros sem mitiga\u00e7\u00e3o\u201d, resume o pesquisador. \u201cCada decibel a menos hoje significa menos estresse, menos infartos, menos ins\u00f4nia e mais aprendizagem amanh\u00e3.\u201d (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-bairros-populares-e-regioes-centrais-convivem-com-niveis-de-ruido-permanentemente-acima-do-que-e-considerado-seguro-para-o-sistema-auditivo-com-diversas-consequencias-para-a-saude-foto-m\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9767\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura2-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura2-300x158.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura2-768x403.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura2-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura2-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-reportagem-O-silencio-sob-pressao-figura2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Bairros populares e regi\u00f5es centrais convivem com n\u00edveis de ru\u00eddo permanentemente acima do que \u00e9 considerado seguro para o sistema auditivo, com diversas consequ\u00eancias para a sa\u00fade.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Marcos Santos\/USP Imagens. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Zannin enfatiza a necessidade de conscientiza\u00e7\u00e3o coletiva: \u201cPrecisamos admitir que nossas cidades s\u00e3o acusticamente polu\u00eddas e educar a popula\u00e7\u00e3o sobre os danos invis\u00edveis do ru\u00eddo. Diferentemente da polui\u00e7\u00e3o do ar ou da \u00e1gua, o som n\u00e3o deixa cheiro nem vest\u00edgios, mas seus efeitos permanecem no corpo.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"silencio-como-bem-comum\">Sil\u00eancio como bem comum<\/h4>\n<p>\u00c0 medida que a ci\u00eancia avan\u00e7a, o sil\u00eancio deixa de ser um luxo subjetivo para se afirmar como determinante social de sa\u00fade. Reconhec\u00ea-lo como bem comum exige pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes, planejamento urbano baseado em evid\u00eancias e o reconhecimento de que o som (assim como a \u00e1gua e o ar) tamb\u00e9m estrutura desigualdades. Em um mundo cada vez mais ruidoso, garantir espa\u00e7os de pausa, escuta e quietude pode ser uma das estrat\u00e9gias mais eficazes e urgentes para promover sa\u00fade, equidade e qualidade de vida nas cidades brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-poluicao-sonora-afeta-saude-fisica-e-emocional-da-populacao-das-grandes-cidades-foto-reproducao\"><strong>Capa. Polui\u00e7\u00e3o sonora afeta sa\u00fade f\u00edsica e emocional da popula\u00e7\u00e3o das grandes cidades.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como a polui\u00e7\u00e3o sonora afeta a sa\u00fade, aprofunda desigualdades e desafia o&hellip;\n","protected":false},"author":42,"featured_media":9766,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9764"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9764"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9842,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9764\/revisions\/9842"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}