{"id":9770,"date":"2026-03-23T08:00:29","date_gmt":"2026-03-23T08:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9770"},"modified":"2026-03-03T12:49:27","modified_gmt":"2026-03-03T12:49:27","slug":"canto-coletivo-potencia-para-reflexoes-e-acoes-contemporaneas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9770","title":{"rendered":"Canto coletivo: pot\u00eancia para reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-inseparabilidade-entre-criacao-analise-e-conhecimento-musical\"><strong><span style=\"color: #808080;\">A inseparabilidade entre cria\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e conhecimento musical<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando as luzes se acendem e o palco do teatro revela o coro que ir\u00e1 performar o repert\u00f3rio, preparado sob crit\u00e9rios est\u00e9ticos espec\u00edficos para aquela ocasi\u00e3o, adentrando, com seus trajes e maquiagens, os pratic\u00e1veis atr\u00e1s da orquestra, nos concertos sinf\u00f4nicos, ou o centro do espa\u00e7o nos concertos <em>a cappella<\/em> ou nos espet\u00e1culos c\u00eanicos, ouviremos, em breve, o canto coletivo de homens e mulheres (\u00e0s vezes crian\u00e7as tamb\u00e9m) igual a quando sob determinada luz da lua, ou do sol, o centro da aldeia \u00e9 ocupado por um grupo de homens e mulheres (\u00e0s vezes crian\u00e7as tamb\u00e9m) que, com seus trajes e maquiagens, performar\u00e3o um repert\u00f3rio tamb\u00e9m preparado sob crit\u00e9rios est\u00e9ticos espec\u00edficos para aquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Muita dist\u00e2ncia separa os exemplos citados, mas talvez nenhuma, exceto o fato de que no primeiro caso, o palco do teatro pressup\u00f5e uma plateia e o centro da aldeia na floresta n\u00e3o requer audi\u00eancia.<\/p>\n<p>O canto coletivo n\u00e3o precisa ser um show. Pode ser absoluto em si, como ato vivido no instante, partilhado e celebrado no tempo presente.<\/p>\n<p>Uso aqui a express\u00e3o canto coletivo como forma de ampliar o conceito conhecido como coro (ou coral) que tem sua origem no teatro grego antigo onde o<em> Khoros, <\/em>formado por um grupo de dan\u00e7arinos e cantores, desempenhava importante papel na narra\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rio das a\u00e7\u00f5es c\u00eanicas da trag\u00e9dia. Posteriormente o coro assume fun\u00e7\u00e3o importante no ritual crist\u00e3o cat\u00f3lico e protestante com missas, orat\u00f3rios e cantatas, estendendo-se tamb\u00e9m ao repert\u00f3rio secular para grupos <em>a cappella<\/em> ou com acompanhamento instrumental com grande relev\u00e2ncia nas \u00f3peras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-canto-coletivo-nao-precisa-ser-um-show\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO canto coletivo n\u00e3o precisa ser um show.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse coro organizou-se como um conjunto musical cujos cantores se dividem em naipes: soprano, contralto, tenor e baixo, de acordo com as caracter\u00edsticas naturais de suas vozes. Entretanto, \u00e9 preciso dizer que essa organiza\u00e7\u00e3o formal do coro se deu nos pa\u00edses europeus onde tamb\u00e9m se desenvolveu o tonalismo (sistema musical tonal caracterizado pela organiza\u00e7\u00e3o de notas e acordes em torno de um centro principal, a \u201ct\u00f4nica\u201d, que juntamente com a \u201csubdominante\u201d e a \u201cdominante\u201d estabelecem hierarquias funcionais que criam tens\u00f5es e relaxamentos, utilizando escalas maiores e menores) e toda essa estrutura da linguagem musical foi levada a tantos outros lugares do planeta pelo processo de domina\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante mencionar, todavia, que outros sistemas de organiza\u00e7\u00e3o dos sons n\u00e3o baseados no tonalismo e sim em outros modos (escalas) musicais, sustentavam a m\u00fasica de milhares de povos nos demais continentes, e os grupos vocais que entoavam esses cantos tamb\u00e9m tinham suas organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Dada a supremacia da coloniza\u00e7\u00e3o, quando m\u00fasicas de povos com estruturas n\u00e3o tonais s\u00e3o executadas atualmente em concertos, muitas vezes s\u00e3o apresentadas como folcl\u00f3ricas, ex\u00f3ticas ou regionais, desqualificando assim sua pot\u00eancia como express\u00e3o e identidade leg\u00edtima de seu povo.<\/p>\n<p>Seja no formato dos corais, como muitos de n\u00f3s conhecemos, ou em outras forma\u00e7\u00f5es vocais, o canto coletivo \u00e9 uma das linguagens art\u00edsticas mais praticadas pela humanidade e sua presen\u00e7a \u00e9 percebida nas salas de concertos, nos palcos de \u00f3peras e espet\u00e1culos musicais, nos cultos religiosos, nas festas populares, nas escolas, nos protestos de rua, nas torcidas de futebol&#8230; e sua pr\u00e1tica, por \u00f3bvio, n\u00e3o se limita aos cantores profissionais e nem tampouco a aqueles que se dedicam a uma rigorosa forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-coralusp-foto-cecilia-bastos-usp-imagens-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9773\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-300x214.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-1024x731.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-768x549.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-1536x1097.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-2048x1463.jpg 2048w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-800x571.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-1160x829.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura1-scaled.jpg 2560w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. O Coralusp.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Cec\u00edlia Bastos\/USP Imagens. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diferentes grupos com diferentes demandas de conhecimentos pr\u00e9vios comp\u00f5em a amplitude dos corpos coletivos que cantam sob uma estrutura formal minimamente organizada (coros de igrejas,\u00a0 de escolas,\u00a0 universidades, empresas, clubes, grupos independentes, entre outros). \u00c9 importante destacar que pouqu\u00edssimos s\u00e3o os grupos profissionais que remuneram seus cantores (corpos art\u00edsticos est\u00e1veis como coros municipais, coros estaduais, coros de teatros, coros que atuam junto a orquestras, etc.), os quais s\u00e3o contratados mediante comprova\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, geralmente com avalia\u00e7\u00f5es em processos seletivos. Faz-se relevante observar que, na maioria dos casos, o prazer musical, o interesse no aprendizado e na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o art\u00edstica, al\u00e9m do conv\u00edvio com o grupo garantem a exist\u00eancia dessa arte que se mant\u00e9m viva apesar de toda sorte de dificuldades financeiras e cujos cantores geralmente assumem as despesas para a manuten\u00e7\u00e3o do grupo e elabora\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos.<\/p>\n<p>Independentemente do tipo de grupo a que se pertence, os efeitos f\u00edsicos e psicossociais da atividade de cantar e, principalmente, cantar junto com outras pessoas, t\u00eam sido estudados por v\u00e1rios campos das ci\u00eancias e os resultados revelam benef\u00edcios em v\u00e1rias \u00e1reas.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade f\u00edsica, o trato cardiorrespirat\u00f3rio \u00e9 amplamente exercitado pois a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 a base da emiss\u00e3o vocal e os cuidados com a condu\u00e7\u00e3o de uma melodia exigem a\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias espec\u00edficas, diferentes das realizadas em outras atividades f\u00edsicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-ai-que-a-musica-toca-o-intangivel\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u00c9 a\u00ed que a m\u00fasica toca o intang\u00edvel.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No ato de cantar, o ritmo da m\u00fasica, a tessitura da melodia, a articula\u00e7\u00e3o do texto e as varia\u00e7\u00f5es das intensidades sonoras requeridas pela din\u00e2mica da composi\u00e7\u00e3o ou do arranjo exp\u00f5em o cantor a um n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o plena para o controle respirat\u00f3rio, envolvendo toda a estrutura muscular abdominal, diafragm\u00e1tica, a amplitude pulmonar, al\u00e9m de todo o aparelho fonador e sua complexa configura\u00e7\u00e3o, afinal, esse ar, quando expirado, vira som, vira voz, vira m\u00fasica, vira arte.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica imprime uma situa\u00e7\u00e3o r\u00edtmica em que as palavras s\u00e3o articuladas de maneira diferente da fala. As s\u00edlabas das palavras (e, \u00e0s vezes, uma \u00fanica s\u00edlaba) s\u00e3o entoadas em diferentes notas com dura\u00e7\u00f5es que s\u00e3o definidas por raz\u00f5es pertinentes \u00e0 arquitetura da composi\u00e7\u00e3o ou do arranjo musical.<\/p>\n<p>Nesse ponto, a mem\u00f3ria se apresenta como um elemento fundamental pois todas estas informa\u00e7\u00f5es precisam acionar movimentos num corpo que agora \u00e9 um instrumento musical.<\/p>\n<p>Tudo isso ocorre no corpo\/instrumento de cada cantor, mas no canto coletivo se torna ainda mais intenso pois tudo precisa ser sincronizado e, numa obra polif\u00f4nica, cada naipe entoa diferentes melodias, ou seja, o cantor precisa estar seguro no que deve cantar pois estar\u00e1 ouvindo simultaneamente outros colegas entoando outras melodias com poss\u00edveis diferen\u00e7as r\u00edtmicas.<\/p>\n<p>E agora o processo da percep\u00e7\u00e3o torna-se a atividade maior, que buscar\u00e1 observar e entender o que est\u00e1 ocorrendo no tempo real da execu\u00e7\u00e3o musical \u2013 a afina\u00e7\u00e3o geral, por exemplo, ou a pulsa\u00e7\u00e3o r\u00edtmica entre todos os cantores. Na performance musical vocal a percep\u00e7\u00e3o se amplia partindo do sujeito-corpo-instrumento, suas aten\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias: fisiol\u00f3gicas (respira\u00e7\u00e3o), musculares, articulat\u00f3rias, mem\u00f3ria; e gerais: ritmo, polifonia, harmonia, afina\u00e7\u00e3o, din\u00e2mica, express\u00e3o, orienta\u00e7\u00f5es da reg\u00eancia (quando houver), etc.<\/p>\n<p>Mas tudo isso \u00e9 permeado por um elemento absolutamente fundamental e indiz\u00edvel: a emo\u00e7\u00e3o. Um territ\u00f3rio subjetivo que ocorre a cada um de maneira particular. \u00c9 a\u00ed que a m\u00fasica toca o intang\u00edvel.<\/p>\n<p>E todo esse movimento se faz em grupo, o que implica a percep\u00e7\u00e3o de si e a percep\u00e7\u00e3o e o reconhecimento do outro. E aqui reside um ponto de relev\u00e2ncia essencial: o outro como extens\u00e3o de si.<\/p>\n<p>Cada naipe emite uma nota. Sem o outro naipe, sem as outras vozes, n\u00e3o se formam acordes (mistura de v\u00e1rios sons), n\u00e3o se estabelece a harmonia.<\/p>\n<p>Por tudo\u00a0 isso, a pr\u00e1tica do canto coletivo tem sido objeto de estudo de v\u00e1rias ci\u00eancias m\u00e9dicas ligadas ao processo f\u00edsico e neurol\u00f3gico de emiss\u00e3o da voz, produ\u00e7\u00e3o da fala e intera\u00e7\u00e3o com a linguagem musical, como tamb\u00e9m nos campos da psicologia, antropologia e sociologia, no que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica afetiva, constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias e organiza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"possiveis-reflexoes\">Poss\u00edveis reflex\u00f5es<\/h4>\n<p>Por instalar o indiv\u00edduo em um grupo cuja atividade requer sua prontid\u00e3o para a intera\u00e7\u00e3o com os outros numa constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica por meio do aprendizado e desenvolvimento da arte musical, o canto coletivo traz em si a oportunidade de reconhecer-se como pot\u00eancia para ativar reflex\u00f5es sobre o seu pr\u00f3prio fazer art\u00edstico e poss\u00edveis desdobramentos e entendimentos que atualizem sua posi\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio art\u00edstico e social contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>O que canta o canto? Pode ser uma primeira pergunta para come\u00e7armos a reflex\u00e3o. Canta o que quer cantar. Pode ser a resposta imediata, justa e acertada. Mas a aus\u00eancia do questionamento pode nos levar, por exemplo, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de um repert\u00f3rio can\u00f4nico e \u00e0 rever\u00eancia e divulga\u00e7\u00e3o de um acervo da heran\u00e7a colonizadora quando executamos a produ\u00e7\u00e3o musical europeia sem contextualizarmos historicamente o que de fato ocorreu para que esta m\u00fasica, este repert\u00f3rio, se preservasse por s\u00e9culos em nosso pa\u00eds como refer\u00eancia \u00fanica de excel\u00eancia art\u00edstica e a m\u00fasica de outros povos, assim como esses pr\u00f3prios povos, fossem colocados numa posi\u00e7\u00e3o inferior. \u00c9 importante destacar que o ensino da disciplina Hist\u00f3ria da M\u00fasica nas universidades brasileiras baseia-se predominantemente na hist\u00f3ria da m\u00fasica produzida no continente europeu.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata aqui de negarmos a beleza e a riqueza da produ\u00e7\u00e3o musical europeia e da import\u00e2ncia e necessidade de mantermos vivos os interesses nos seus estudos e execu\u00e7\u00f5es, afinal, s\u00e3o exemplos bel\u00edssimos da tradi\u00e7\u00e3o que nos constitui. Mas sem o questionamento e a devida contextualiza\u00e7\u00e3o nossa a\u00e7\u00e3o pode tornar-se reprodutora do gesto colonizador. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-coral-da-universidade-federal-de-juiz-de-forafoto-ufjf-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9772\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura2-800x534.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Canto-coletivo-figura2.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2.<\/strong> <strong>Coral da Universidade Federal de Juiz de Fora<br \/>\n<\/strong>(Foto: UFJF. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E se convers\u00e1ssemos mais sobre isso?<\/p>\n<p>Pouco cantamos do repert\u00f3rio dos povos origin\u00e1rios. Pouco sabemos da riqueza da sua m\u00fasica. Mas quando paramos para escut\u00e1-las com aten\u00e7\u00e3o percebemos que nos faltam ferramentas para acessarmos os c\u00f3digos musicais destes cantores que praticam seu canto coletivo desde muito antes da domina\u00e7\u00e3o estrangeira. E o mesmo se d\u00e1 com a m\u00fasica dos povos africanos que aqui chegaram pela escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>E se convers\u00e1ssemos mais sobre isso?<\/p>\n<p>O estudo da t\u00e9cnica vocal \u00e9 fundamental para um bom desempenho art\u00edstico e, principalmente, para a sa\u00fade vocal. Mas \u00e9 frequente nos depararmos, nos cursos oferecidos, com sistemas de ensino que modelam nossas vozes para a est\u00e9tica europeia ou estadunidense, sem nos perguntarmos pelas diferentes possibilidades do cantar, mas isso vem a reboque da aceita\u00e7\u00e3o e da reafirma\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio do <em>mainstream<\/em> comercial da ind\u00fastria cultural estrangeira e que tamb\u00e9m recheia os programas de concerto dos coros no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-grupos-de-canto-coletivo-sao-potenciais-escolas-vivas-de-musica-de-arte-e-tambem-de-historia-filosofia-sociologia-e-cidadania\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cOs grupos de canto coletivo s\u00e3o potenciais escolas vivas de m\u00fasica, de arte, e tamb\u00e9m de hist\u00f3ria, filosofia, sociologia e cidadania.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos aqui propor o estreitamento das aten\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica internacional, ao contr\u00e1rio, a proposta \u00e9 conhecer, pensar e avaliar melhor para que a rela\u00e7\u00e3o est\u00e9tica seja ainda mais valiosa e consciente.<\/p>\n<p>E se convers\u00e1ssemos mais sobre isso?<\/p>\n<p>Os grupos de canto coletivo chegam a seus p\u00fablicos pela emo\u00e7\u00e3o, e \u00e9 pela emo\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m constroem seu dia a dia, e esse cotidiano constitui-se um importante territ\u00f3rio para o envolvimento em reflex\u00f5es e estudos acerca do que se canta. Por exemplo, ao cantar sobre uma rela\u00e7\u00e3o amorosa \u00e9 poss\u00edvel refletir sobre como rela\u00e7\u00f5es afetivas t\u00f3xicas t\u00eam elevado o crescimento do feminic\u00eddio e da viol\u00eancia dom\u00e9stica; ao cantar sobre a f\u00e9 \u00e9 poss\u00edvel refletir sobre pluralidade e toler\u00e2ncia religiosas; ao cantar as belezas naturais ou louvar a Deus pela obra da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel refletir sobre a crise clim\u00e1tica e nossas responsabilidades para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental; ao cantar sobre a virtude da caridade \u00e9 poss\u00edvel refletir sobre o nosso papel na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Os grupos de canto coletivo s\u00e3o potenciais escolas vivas de m\u00fasica, de arte, e tamb\u00e9m de hist\u00f3ria, filosofia, sociologia e cidadania. Trazem na sua forma\u00e7\u00e3o a polifonia social de seus pr\u00f3prios integrantes com suas hist\u00f3rias, seus conte\u00fados, seus sentimentos e seus desejos. Trazem a pot\u00eancia de reflex\u00f5es e a\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-coral-jovem-sescfoto-henrique-chendes-sesc-reproducao\"><strong>Capa. Coral Jovem Sesc<\/strong><br \/>\n(Foto: Henrique Chendes\/ Sesc. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A inseparabilidade entre cria\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e conhecimento musical &nbsp; Quando as luzes&hellip;\n","protected":false},"author":341,"featured_media":9771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9770"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/341"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9770"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9962,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9770\/revisions\/9962"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}