{"id":9778,"date":"2026-03-02T08:00:24","date_gmt":"2026-03-02T08:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9778"},"modified":"2026-03-03T12:51:50","modified_gmt":"2026-03-03T12:51:50","slug":"trabalho-mulher-e-dinheiro-na-musica-popular-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9778","title":{"rendered":"Trabalho, Mulher e Dinheiro na M\u00fasica Popular Brasileira"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"a-musica-popular-brasileira-da-primeira-metade-do-seculo-xx-refletiu-profundas-transformacoes-sociais-e-economicas-articulando-de-forma-recorrente-tres-temas-centrais-trabalho-dinheiro-e-mulher\"><strong><span style=\"color: #808080;\">A m\u00fasica popular brasileira da primeira metade do s\u00e9culo XX refletiu profundas transforma\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, articulando de forma recorrente tr\u00eas temas centrais: trabalho, dinheiro e mulher.<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1933, Orestes Barbosa e Ant\u00f4nio N\u00e1ssara gravaram o samba <em>Caixa Econ\u00f4mica<\/em>:<\/p>\n<h6 id=\"voce-quer-comprar-o-seu-sossego\" style=\"text-align: center;\"><em>Voc\u00ea quer comprar o seu sossego<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"me-vendo-morrer-num-emprego\" style=\"text-align: center;\"><em>Me vendo morrer num emprego<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"pra-depois-entao-gozar\" style=\"text-align: center;\"><em>Pra depois ent\u00e3o gozar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"esta-vida-e-muito-comica\" style=\"text-align: center;\"><em>Esta vida \u00e9 muito c\u00f4mica<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"eu-nao-sou-caixa-economica\" style=\"text-align: center;\"><em>Eu n\u00e3o sou Caixa Econ\u00f4mica<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"que-tem-juros-a-ganhar\" style=\"text-align: center;\"><em>Que tem juros a ganhar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-voce-quer-comprar-o-que-hein\" style=\"text-align: center;\"><em>E voc\u00ea quer comprar o qu\u00ea, hein?<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"voce-diz-que-eu-sou-moleque\" style=\"text-align: center;\"><em>Voc\u00ea diz que eu sou moleque<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"porque-nao-vou-trabalhar\" style=\"text-align: center;\"><em>porque n\u00e3o vou trabalhar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"eu-nao-sou-livro-de-cheque\" style=\"text-align: center;\"><em>eu n\u00e3o sou livro de cheque<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"pra-voce-ir-descontar\" style=\"text-align: center;\"><em>Pra voc\u00ea ir descontar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"se-voce-vive-tranquila\" style=\"text-align: center;\"><em>Se voc\u00ea vive tranquila<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"sempre-fazendo-chique\" style=\"text-align: center;\"><em>Sempre fazendo chiqu\u00ea<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"sempre-na-primeira-fila\" style=\"text-align: center;\"><em>Sempre na primeira fila<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"me-fazendo-de-guiche\" style=\"text-align: center;\"><em>Me fazendo de guich\u00ea<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-voce-quer-comprar-o-que-hein-2\" style=\"text-align: center;\"><em>E voc\u00ea quer comprar o qu\u00ea, hein?<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"meu-avo-morreu-na-luta\" style=\"text-align: center;\"><em>Meu av\u00f4 morreu na luta<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-meu-pai-pobre-coitado\" style=\"text-align: center;\"><em>E meu pai, pobre coitado<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"fatigou-se-na-labuta\" style=\"text-align: center;\"><em>Fatigou-se na labuta<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"por-isso-eu-nasci-cansado\" style=\"text-align: center;\"><em>Por isso eu nasci cansado<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-pra-falar-com-justica\" style=\"text-align: center;\"><em>E pra falar com justi\u00e7a<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"eu-declaro-aos-empregados\" style=\"text-align: center;\"><em>Eu declaro aos empregados<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"ter-em-mim-essa-preguica\" style=\"text-align: center;\"><em>Ter em mim essa pregui\u00e7a<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"heranca-de-antepassado\" style=\"text-align: center;\"><em>Heran\u00e7a de antepassado<\/em><\/h6>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Esta can\u00e7\u00e3o condensa, de forma entrela\u00e7ada, tr\u00eas temas centrais da m\u00fasica popular brasileira daquela \u00e9poca: trabalho, dinheiro e mulher. O narrador, ao que tudo sugere, \u00e9 neto de um escravizado e filho de um lavrador ou de um oper\u00e1rio. Ele se refere aos \u201cempregados\u201d \u2014 aqueles que trabalhavam em f\u00e1bricas, num per\u00edodo em que a industrializa\u00e7\u00e3o crescia em algumas cidades brasileiras \u2014 para dizer que sua fam\u00edlia j\u00e1 trabalhou o suficiente, a ponto de ele nascer cansado. Ele se dirige a uma mulher que o acusa de ser vadio e n\u00e3o querer trabalhar. Sua defesa \u00e9 um contra-ataque em que ele a retrata como uma consumista inveterada, interessada apenas no dinheiro dele.<\/p>\n<p>A primeira metade do s\u00e9culo XX foi um per\u00edodo de grandes mudan\u00e7as sociais e econ\u00f4micas no Brasil. A escravid\u00e3o, fundamento da economia e da sociedade do pa\u00eds, tinha sido abolida recentemente. Nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940, a migra\u00e7\u00e3o campo-cidade se intensificou e a industrializa\u00e7\u00e3o ganhou \u00edmpeto, acompanhada do trabalho assalariado.<\/p>\n<p>A vida urbana trouxe novas oportunidades que n\u00e3o existiam no campo. Mas ela tamb\u00e9m significou ter de lidar com a sensa\u00e7\u00e3o de perdas. Ao passo que as cidades eram vistas como arautos do progresso, o campo era considerado um para\u00edso perdido. Viver em contextos urbanos significava enfrentar novos desafios e lidar com quest\u00f5es que n\u00e3o existiam no mundo rural, como conseguir moradia, encontrar emprego, aprender a lidar com novas no\u00e7\u00f5es de tempo, administrar dinheiro e manter a fam\u00edlia unida.<\/p>\n<p>A cidade tinha um ritmo mais acelerado e apresentava novas formas de vida. Para aqueles acostumados a contextos menores e a rela\u00e7\u00f5es face a face, ela significava anonimato e perigo. Junto com as transforma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, pol\u00edticas e demogr\u00e1ficas, vieram tamb\u00e9m mudan\u00e7as culturais. Elas eram sentidas de diferentes maneiras pelos habitantes de cidades: no mundo do trabalho e do dinheiro e nas rela\u00e7\u00f5es familiares e de g\u00eanero. A industrializa\u00e7\u00e3o imp\u00f4s a disciplina fabril a pessoas acostumadas ao trabalho no campo. Ela tamb\u00e9m significou uma crescente monetiza\u00e7\u00e3o da vida social, transforma\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, quando as mulheres passaram a ter trabalho assalariado, e uma mudan\u00e7a de um modelo de fam\u00edlia mais patriarcal para um modelo nuclear.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-contextos-urbanos-as-cancoes-frequentemente-abordam-questoes-que-surgem-durante-periodos-de-mudanca-quando-novos-comportamentos-substituem-formas-tradicionais-de-vida\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm contextos urbanos, as can\u00e7\u00f5es frequentemente abordam quest\u00f5es que surgem durante per\u00edodos de mudan\u00e7a, quando novos comportamentos substituem formas tradicionais de vida.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00fasica popular desse per\u00edodo reflete eloquentemente as r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es por que o Brasil passou, sendo uma das fontes mais importantes para compreender o pa\u00eds. As can\u00e7\u00f5es populares refletem o cotidiano, captando mudan\u00e7as nos valores morais, nos acontecimentos pol\u00edticos, nas normas culturais e nas representa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Em contextos urbanos, as can\u00e7\u00f5es frequentemente abordam quest\u00f5es que surgem durante per\u00edodos de mudan\u00e7a, quando novos comportamentos substituem formas tradicionais de vida. Durante os anos trinta, quarenta e cinquenta, houve uma prolifera\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es que ecoaram o imagin\u00e1rio desse per\u00edodo. V\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es se tornaram cl\u00e1ssicas e integram o imagin\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>O samba floresceu na d\u00e9cada de 1920 e amadureceu nas d\u00e9cadas de 1930 a 1950. Junto com o chorinho e a marcha carnavalesca, ele formou o que ficou conhecido como <em>MPB<\/em> (M\u00fasica Popular Brasileira). A d\u00e9cada de trinta e quarenta testemunhou uma prolifera\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es rejeitando o trabalho e a monotonia do mundo assalariado como algo positivo e exaltando a malandragem. A maioria dos compositores de samba desse per\u00edodo era composta por homens, em geral de origem humilde e frequentemente descendentes de escravizados. Suas composi\u00e7\u00f5es tratavam de temas que repercutiam numa sociedade em mudan\u00e7a, na qual o trabalho, o dinheiro e o g\u00eanero ocupavam um lugar proeminente. Os m\u00fasicos rejeitavam, de forma consciente, o trabalho e a \u00e9tica associados a ele, elogiando, em vez disso, a malandragem. Eles se assumiam pregui\u00e7osos e como tendo coisas mais nobres a fazer do que ocupar-se do dinheiro.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final do s\u00e9culo XIX, o trabalho manual era visto como degradante, a ser realizado por escravizados. O \u201chorror ao batente\u201d n\u00e3o desapareceu com a aboli\u00e7\u00e3o e persistiu no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Mesmo com o advento da ind\u00fastria, o trabalho n\u00e3o proporcionava oportunidades de mobilidade social significativas, pois a ordem social permanecia marcada por r\u00edgidas fronteiras.<\/p>\n<p>Um personagem central nos sambas da \u00e9poca era o malandro, que vivia no Rio de Janeiro. Ele trajava um terno de linho branco, um chap\u00e9u Panam\u00e1 e um len\u00e7o no pesco\u00e7o. Em princ\u00edpio, n\u00e3o trabalhava e, portanto, para sobreviver ele lan\u00e7ava m\u00e3o de expedientes: pedia dinheiro emprestado, jogava, enganava algum ot\u00e1rio ou era sustentando por sua amante. Embora carregasse uma navalha no bolso, ele s\u00f3 a usava como \u00faltimo recurso. Apesar de ser tratado pela pol\u00edcia como um vadio, ele era encarado com simpatia por parte de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mulher ocupava um espa\u00e7o central nos sambas dessa \u00e9poca. Em muitas can\u00e7\u00f5es ela aparece como figura sublime, associada \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o, \u00e0 estabilidade emocional e ao cuidado dom\u00e9stico, como em <em>Em\u00edlia<\/em> (de Wilson Batista e Haroldo Lobo) e <em>Ai que Saudades de Am\u00e9lia<\/em> (de M\u00e1rio Lago e Ataulfo Alves), ambas gravadas em 1941 (<strong>Figura 1<\/strong>):<\/p>\n<h6 id=\"emilia\" style=\"text-align: center;\"><strong>Em\u00edlia<\/strong><\/h6>\n<h6 id=\"\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"eu-quero-uma-mulher\" style=\"text-align: center;\"><em>Eu quero uma mulher<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"que-saiba-lavar-e-cozinhar\" style=\"text-align: center;\"><em>Que saiba lavar e cozinhar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"que-de-manha-cedo\" style=\"text-align: center;\"><em>Que, de manh\u00e3 cedo,<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"me-acorde-na-hora-de-trabalhar\" style=\"text-align: center;\"><em>Me acorde na hora de trabalhar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"-2\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"so-existe-uma\" style=\"text-align: center;\"><em>S\u00f3 existe uma<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-sem-ela-eu-nao-vivo-em-paz\" style=\"text-align: center;\"><em>E sem ela eu n\u00e3o vivo em paz<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"emilia-emilia-emilia\" style=\"text-align: center;\"><em>Em\u00edlia, Em\u00edlia, Em\u00edlia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"eu-nao-posso-mais\" style=\"text-align: center;\"><em>Eu n\u00e3o posso mais<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"-3\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"ninguem-sabe-igual-a-ela\" style=\"text-align: center;\"><em>Ningu\u00e9m sabe igual a ela<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"como-preparar-meu-cafe\" style=\"text-align: center;\"><em>Como preparar meu caf\u00e9<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"nao-desfazendo-das-outras\" style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o desfazendo das outras<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"emilia-e-mulher\" style=\"text-align: center;\"><em>Em\u00edlia \u00e9 mulher<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"papai-do-ceu-e-quem-sabe\" style=\"text-align: center;\"><em>Papai do c\u00e9u \u00e9 quem sabe<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"a-falta-que-ela-me-faz\" style=\"text-align: center;\"><em>A falta que ela me faz<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"emilia-emilia-emilia-2\" style=\"text-align: center;\"><em>Em\u00edlia, Em\u00edlia, Em\u00edlia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"eu-nao-posso-mais-2\" style=\"text-align: center;\"><em>Eu n\u00e3o posso mais<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"-4\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"-5\" style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"ai-que-saudades-da-amelia\" style=\"text-align: center;\"><strong>Ai que Saudades da Am\u00e9lia<\/strong><\/h6>\n<h6 id=\"nunca-vi-fazer-tanta-exigencia\" style=\"text-align: center;\"><em>Nunca vi fazer tanta exig\u00eancia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"nem-fazer-o-que-voce-me-faz\" style=\"text-align: center;\"><em>Nem fazer o que voc\u00ea me faz<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"voce-nao-sabe-o-que-e-ter-consciencia\" style=\"text-align: center;\"><em>Voc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 ter consci\u00eancia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"nao-ve-que-eu-sou-um-pobre-rapaz\" style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o v\u00ea que eu sou um pobre rapaz<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"-6\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"voce-so-pensa-em-luxo-e-riqueza\" style=\"text-align: center;\"><em>Voc\u00ea s\u00f3 pensa em luxo e riqueza<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"tudo-que-voce-ve-voce-quer\" style=\"text-align: center;\"><em>Tudo que voc\u00ea v\u00ea, voc\u00ea quer<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"ai-meu-deus-que-saudades-da-amelia\" style=\"text-align: center;\"><em>Ai, meu Deus, que saudades da Am\u00e9lia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"aquilo-sim-e-que-era-mulher\" style=\"text-align: center;\"><em>Aquilo sim \u00e9 que era mulher<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"-7\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"as-vezes-passava-fome-a-meu-lado\" style=\"text-align: center;\"><em>\u00c0s vezes passava fome a meu lado<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-achava-bonito-nao-ter-o-que-comer\" style=\"text-align: center;\"><em>E achava bonito n\u00e3o ter o que comer<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-quando-me-via-contrariado-dizia\" style=\"text-align: center;\"><em>E quando me via contrariado, dizia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"meu-filho-o-que-se-ha-de-fazer\" style=\"text-align: center;\"><em>\u201cMeu filho, o que se h\u00e1 de fazer?\u201d<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"amelia-nao-tinha-nenhuma-vaidade\" style=\"text-align: center;\"><em>Am\u00e9lia n\u00e3o tinha nenhuma vaidade<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"amelia-e-que-era-mulher-de-verdade\" style=\"text-align: center;\"><em>Am\u00e9lia \u00e9 que era mulher de verdade<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"-8\" style=\"text-align: center;\"><\/h6>\n<h6 id=\"figura-1-wilson-batistafoto-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9780\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura1.jpg\" alt=\"\" width=\"392\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura1.jpg 199w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura1-9x12.jpg 9w\" sizes=\"(max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Wilson Batista<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O aspecto mais destacado desses sambas cl\u00e1ssicos \u00e9, em geral, o car\u00e1ter dom\u00e9stico das personagens, sua submiss\u00e3o e passividade. Nos dois sambas h\u00e1 uma clara proje\u00e7\u00e3o da figura materna. Em\u00edlia executa afazeres bem maternos: acorda seu companheiro e sabe preparar seu caf\u00e9 como ningu\u00e9m. Am\u00e9lia chama o narrador de \u201cmeu filho\u201d, refor\u00e7ando a fus\u00e3o entre companheira e m\u00e3e.<\/p>\n<p>Outro tra\u00e7o, entretanto, \u00e9 igualmente fundamental: o elemento de seguran\u00e7a que elas representam. S\u00e3o mulheres-\u00e2ncora, bem como mulheres-b\u00fassola, que assentam o homem e lhe fornecem um norte. O que caracteriza esse tipo de mulher \u00e9, al\u00e9m de seu despojamento, sua capacidade de oferecer seguran\u00e7a emocional e um sentido de coer\u00eancia identit\u00e1ria num mundo percebido como crescentemente inst\u00e1vel e desorientado. Os homens, por sua vez, se apresentam na MPB como seres carentes, v\u00edtimas de perdas irrepar\u00e1veis e em busca de uma figura m\u00edtica que lhes ofere\u00e7a um amor incondicional. Esta seria a subst\u00e2ncia vital (o leite materno?) que lhes asseguraria a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Tanto Em\u00edlia quanto Am\u00e9lia est\u00e3o ausentes. Devido \u00e0 morte, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 idealiza\u00e7\u00e3o m\u00edtica, seus desaparecimentos assinalam uma profunda perda. Elas representam um tipo de mulher que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel no mundo moderno \u2013 um marco em rela\u00e7\u00e3o ao qual todas as mulheres contempor\u00e2neas s\u00e3o comparadas desfavoravelmente. No caso de Em\u00edlia, isto \u00e9 feito de maneira gen\u00e9rica e n\u00e3o agressiva (<em>\u201cS\u00f3 existe uma \/ e sem ela eu n\u00e3o vivo em paz\u201d<\/em> e <em>\u201cN\u00e3o desfazendo das outras \/ Em\u00edlia \u00e9 mulher\u201d<\/em>). J\u00e1 no caso de Am\u00e9lia, o samba come\u00e7a por acusar outra mulher: <em>\u201cNunca vi fazer tanta exig\u00eancia\u201d<\/em>. Trata-se de uma mulher ego\u00edsta e consumidora que, comparada \u00e0 Am\u00e9lia, mulher de verdade, \u00e9 falsa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-compreender-a-constituicao-do-brasil-moderno-e-fundamental-analisar-seu-cancioneiro-da-primeira-metade-do-seculo-passado\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara compreender a constitui\u00e7\u00e3o do Brasil moderno, \u00e9 fundamental analisar seu cancioneiro da primeira metade do s\u00e9culo passado.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mulher aparece, assim, de modo ambivalente: fonte de estabilidade e prazer, mas tamb\u00e9m de amea\u00e7a, abandono e desordem. Como diz o t\u00edtulo de um samba de Ataulfo Alves e Roberto Martins, de 1940: \u201c<em>A mulher faz o homem\u201d.<\/em> A composi\u00e7\u00e3o e o seu t\u00edtulo atribuem claramente \u00e0 mulher a faculdade de fazer o homem: ela \u00e9 vista como o motor do movimento masculino. Mas se \u00e9 a mulher quem faz o homem, ela tamb\u00e9m det\u00e9m o poder de desfaz\u00ea-lo, e \u00e9 a\u00ed que reside o perigo. Assim, ela \u00e9, de fato, percebida como muito poderosa, capaz tanto de ser a subst\u00e2ncia vital que anima o homem a realizar coisas, a ser corajoso na rua porque \u00e9 amado em casa, quanto de, por sua aus\u00eancia, significar a interrup\u00e7\u00e3o da energia de que o homem necessita para se envolver em suas lutas. Simboliza tanto a rotina e a obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar quanto o prazer. Pode estar associada \u00e0 natureza no que esta tem de mais puro, ou equivalente ao dinheiro, no que este tem de mais vil. Por isto, alguns dos temas centrais dos sambas dessa \u00e9poca s\u00e3o o medo do abandono, a trai\u00e7\u00e3o e a vingan\u00e7a, ligados \u00e0 quest\u00e3o do prazer, do trabalho e do dinheiro.<\/p>\n<p>Essa ambival\u00eancia \u00e9 claramente expressa em <em>Oh! Seu Oscar<\/em> (Wilson Batista e Ataulfo Alves, 1939), que associa o trabalho masculino ao abandono feminino (<strong>Figura 2<\/strong>):<\/p>\n<h6 id=\"cheguei-cansado-do-trabalho\" style=\"text-align: center;\"><em>Cheguei cansado do trabalho<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"logo-a-vizinha-me-falou\" style=\"text-align: center;\"><em>Logo a vizinha me falou:<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"oh-seu-oscar\" style=\"text-align: center;\"><em>&#8211; Oh! Seu Oscar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"ta-fazendo-meia-hora\" style=\"text-align: center;\"><em>T\u00e1 fazendo meia hora<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"que-sua-mulher-foi-se-embora\" style=\"text-align: center;\"><em>Que sua mulher foi se embora<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-um-bilhete-deixou\" style=\"text-align: center;\"><em>E um bilhete deixou<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"o-bilhete-assim-dizia\" style=\"text-align: center;\"><em>O bilhete assim dizia:<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"nao-posso-mais\" style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;N\u00e3o posso mais<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"eu-quero-e-viver-na-orgia\" style=\"text-align: center;\"><em>Eu quero \u00e9 viver na orgia&#8221;<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"fiz-de-tudo-para-ter-seu-bem-estar\" style=\"text-align: center;\"><em>Fiz de tudo para ter seu bem-estar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"ate-no-cais-do-porto-eu-fui-parar\" style=\"text-align: center;\"><em>At\u00e9 no cais do porto eu fui parar<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"martirizando-o-meu-corpo-noite-e-dia\" style=\"text-align: center;\"><em>Martirizando o meu corpo noite e dia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"mas-tudo-em-vao\" style=\"text-align: center;\"><em>Mas tudo em v\u00e3o<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"ela-e-e-da-orgia\" style=\"text-align: center;\"><em>Ela \u00e9, \u00e9 da orgia<\/em><\/h6>\n<h6 id=\"e-parei\" style=\"text-align: center;\"><em>\u00c9 &#8230; parei!<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-ataulfo-alvesfoto-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9781\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura2-218x300.png\" alt=\"\" width=\"364\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura2-218x300.png 218w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura2-9x12.png 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/CC-1E26-opiniao-Trabalho-Mulher-e-Dinheiro-na-Musica-Popular-Brasileira-figura2.png 331w\" sizes=\"(max-width: 364px) 100vw, 364px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Ataulfo Alves<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oscar \u00e9 um personagem que \u201cdemonstra\u201d a inutilidade do trabalho. Ele d\u00e1 duro e n\u00e3o mede esfor\u00e7os para proporcionar um padr\u00e3o de vida \u00e0 sua mulher, sacrificando inclusive o pr\u00f3prio corpo como estivador. Mas todo esse empenho \u00e9 in\u00fatil. pois sua mulher, num exemplo extremo de ingratid\u00e3o, abandona-o \u201cpela orgia\u201d, imobilizando-o (<em>\u201c\u00c9 &#8230; parei!\u201d<\/em>).\u00a0 O narrador se transforma, assim, num aut\u00eantico ot\u00e1rio, \u00e0 medida que, em retribui\u00e7\u00e3o por seu esfor\u00e7o e trabalho, a mulher o troca pelo prazer fora de casa.<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es e queixas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher s\u00e3o recorrentes nas letras da \u00e9poca. Com frequ\u00eancia, elas se centram na quest\u00e3o do trabalho visto como imposi\u00e7\u00e3o feminina ao homem. A mulher representa o polo da ordem, lembrando ao homem a necessidade de se inserir na produ\u00e7\u00e3o e de ganhar dinheiro.<\/p>\n<p>Expectativas, frustra\u00e7\u00f5es e ressentimentos s\u00e3o temas abundantes nas composi\u00e7\u00f5es da \u00e9poca. As can\u00e7\u00f5es mostram tanto o ponto de vista masculino quanto o feminino (por meio da imagina\u00e7\u00e3o masculina). Como as rela\u00e7\u00f5es amorosas s\u00e3o feitas de expectativas, nos deparamos com a tens\u00e3o entre o que se espera ou se solicita do sexo oposto e o que se obt\u00e9m dele. Tamb\u00e9m est\u00e3o sempre presentes o que foi feito para atender \u00e0s expectativas do outro e a gratid\u00e3o ou ingratid\u00e3o gerada pela a\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica popular dessa \u00e9poca reflete esse mundo de queixas num registro que, \u00e0s vezes, \u00e9 humor\u00edstico e, em outras, ressentido.<\/p>\n<p>Desde cedo, o samba registra a tens\u00e3o entre a crescente import\u00e2ncia do dinheiro numa sociedade mercantilizada e a dificuldade de obt\u00ea-lo por meio do trabalho. O dinheiro permeia as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero da m\u00fasica popular brasileira. Em 1918, Sinh\u00f4, o \u201cRei do Samba\u201d, lan\u00e7ou <em>Quem S\u00e3o Eles, <\/em>seu primeiro sucesso de carnaval. Uma das estrofes diz: <em>\u201cN\u00e3o precisa pedir \/ Que eu vou dar \/ Dinheiro n\u00e3o tenho \/ Mas vou roubar\u201d<\/em>. Nessa can\u00e7\u00e3o, o tema do dinheiro aparece de passagem, intercalado entre outros motivos, como se fosse algo menor. O sujeito n\u00e3o tem dinheiro e, para consegui-lo, n\u00e3o vai utilizar o trabalho, considerado indigno, mas o roubo. Ele se apresenta como desligado das preocupa\u00e7\u00f5es materiais, ao mesmo tempo em que deixa impl\u00edcito que \u00e9 uma mulher quem lhe pede dinheiro e que ela n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s quest\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"trabalho-mulher-e-dinheiro-constituem-eixos-fundamentais-desse-repertorio-que-expressa-de-forma-criativa-as-ambiguidades-de-um-pais-em-transformacao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cTrabalho, mulher e dinheiro constituem eixos fundamentais desse repert\u00f3rio, que expressa de forma criativa, as ambiguidades de um pa\u00eds em transforma\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1920, Sinh\u00f4 gravou um de seus maiores sucessos, a marcha carnavalesca <em>O P\u00e9 de Anjo, <\/em>em que diz: \u201c<em>A mulher e a galinha \/ S\u00e3o dois bichos interesseiros: \/ A galinha pelo milho \/ E a mulher pelo dinheiro\u201d<\/em>. A mulher, comparada \u00e0 galinha que est\u00e1 sempre bicando, \u00e9 vista como uma criatura gananciosa. Fica j\u00e1 presente a ideia de que, enquanto o homem est\u00e1 acima dos interesses materiais, a mulher est\u00e1 constantemente trazendo \u00e0 baila o dinheiro, esse tema t\u00e3o desprez\u00edvel.<\/p>\n<p>Na marcha <em>Amor sem Dinheiro, <\/em>grande \u00eaxito do carnaval de 1926, Sinh\u00f4 discute a rela\u00e7\u00e3o entre dinheiro e amor, mostrando a impossibilidade de viver plenamente o \u00faltimo sem condi\u00e7\u00f5es financeiras adequadas, ao afirmar que <em>\u201cAmor, sem dinheiro n\u00e3o tem valor \/ \u00c9 fogo de palha \/ \u00c9 casa sem dono \/ Em que mora a canalha\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo, entretanto, que o mesmo Sinh\u00f4 tenha lan\u00e7ado em 1928 um samba de partido alto, <em>Que Vale a Nota sem o Carinho da Mulher, <\/em>que vai no sentido oposto aos tr\u00eas anteriores, pois, na primeira estrofe, ele proclama a supremacia do amor sobre o dinheiro<em>: \u201cAmor! Amor! \/ N\u00e3o \u00e9 para quem quer \/ De que vale a nota, meu bem \/ Sem o puro carinho da mulher? \/ (quando ela quer)\u201d<\/em>. O t\u00edtulo resume o significado da can\u00e7\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o ressalta que o amor \u00e9 muito mais importante do que o dinheiro e que este nada vale sem o carinho da mulher. Na \u00e9poca, essa \u00e9 uma tens\u00e3o constante nas m\u00fasicas que tratam de dinheiro. Por um lado, todos sabem que numa sociedade cada vez mais mercantilizada, como a brasileira daquele per\u00edodo, \u00e9 preciso dinheiro para conseguir as coisas que se deseja. Por\u00e9m, como \u00e9 dif\u00edcil para o pobre ganhar o suficiente com seu trabalho, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de mentalidade de \u201cdesprezo pelas uvas verdes\u201d, que se traduz em afirmar que o afeto \u00e9 muito mais importante que a riqueza. Essa contradi\u00e7\u00e3o aparece, \u00e0s vezes, em m\u00fasicas de um mesmo compositor, como o de Sinh\u00f4. O que se observa nas composi\u00e7\u00f5es do come\u00e7o do s\u00e9culo passado \u00e9 a simultaneidade entre a no\u00e7\u00e3o da crescente import\u00e2ncia do dinheiro e a proposta de solu\u00e7\u00f5es afetivas e m\u00e1gicas que minimizam sua escassez.<\/p>\n<p>Para compreender a constitui\u00e7\u00e3o do Brasil moderno, \u00e9 fundamental analisar seu cancioneiro da primeira metade do s\u00e9culo passado. Trabalho, mulher e dinheiro constituem eixos fundamentais desse repert\u00f3rio, que expressa de forma criativa, as ambiguidades de um pa\u00eds em transforma\u00e7\u00e3o. Embora a ind\u00fastria cultural ainda estivesse num est\u00e1gio embrion\u00e1rio, essas composi\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram sucesso impressionante, o que indica que tiveram forte repercuss\u00e3o no imagin\u00e1rio popular. Esses sambas permanecem como documentos privilegiados do imagin\u00e1rio social e da constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"foto-divulgacao\"><strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A m\u00fasica popular brasileira da primeira metade do s\u00e9culo XX refletiu profundas&hellip;\n","protected":false},"author":201,"featured_media":9779,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9778"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/201"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9778"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9778\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9845,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9778\/revisions\/9845"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}