{"id":9833,"date":"2026-03-03T07:30:56","date_gmt":"2026-03-03T07:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9833"},"modified":"2026-03-03T12:49:46","modified_gmt":"2026-03-03T12:49:46","slug":"brasil-precisa-fortalecer-as-politicas-de-saude-com-base-nos-dados-do-sus-apontam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9833","title":{"rendered":"Brasil precisa fortalecer as pol\u00edticas de sa\u00fade com base nos dados do SUS, apontam especialistas"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"no-sexto-debate-da-serie-vozes-da-ciencia-organizada-pela-sbpc-pesquisadores-apontam-caminhos-de-um-brasil-soberano-na-saude-publica\"><strong><span style=\"color: #808080;\">No sexto debate da s\u00e9rie \u201cVozes da Ci\u00eancia\u201d, organizada pela SBPC, pesquisadores apontam caminhos de um Brasil soberano na sa\u00fade p\u00fablica<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Utilizar as bases de dados que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) produz para aprofundar os diagn\u00f3sticos das necessidades da popula\u00e7\u00e3o brasileira e, consequentemente, propor pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes. Este foi o principal diagn\u00f3stico do sexto debate do ciclo \u201cVozes da Ci\u00eancia \u2013 O Brasil que queremos\u201d, realizado na \u00faltima semana pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p>Com o tema \u201cSa\u00fade P\u00fablica, Sa\u00fade Global e Vigil\u00e2ncia 360\u00ba\u201d, o evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de Esper Kallas, diretor do Instituto Butantan; Rosana Onocko Campos, professora da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-presidente da Abrasco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva); Viviane Boaventura, m\u00e9dica, cientista e pesquisadora da Fiocruz Bahia e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Adele Benzaken, pesquisadora da AIDS Healthcare Foundation; e Arthur Chioro, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), presidente da Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares (EBSERH) e ex-ministro da Sa\u00fade (2014\u20132015). A media\u00e7\u00e3o foi de Samuel Goldenberg, pesquisador da Fiocruz e diretor da SBPC.<\/p>\n<p>\u201cOs debates do ciclo \u2018Vozes da Ci\u00eancia\u2019 subsidiar\u00e3o um documento que a SBPC entregar\u00e1 aos candidatos no pr\u00f3ximo pleito presidencial para que possamos construir o Brasil que queremos, com respeito \u00e0 cidadania, fortalecimento da democracia e em defesa da nossa soberania. Esses tr\u00eas atributos representam o que consideramos o maior patrim\u00f4nio do Brasil\u201d, explicou Goldenberg.<\/p>\n<p>Iniciando as falas, a pesquisadora Viviane Boaventura, da Fiocruz BA, abordou sobre vigil\u00e2ncia baseada em grandes balas de dados, e a import\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o, antecipa\u00e7\u00e3o e evid\u00eancias para a a\u00e7\u00e3o em sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds assim\u00e9trico, com muitas desigualdades intrarregionais, e olhar para essa vis\u00e3o global, utilizando grandes bases de dados, permite, por exemplo, diminuir essas assimetrias. A gente sabe que os locais onde t\u00eam menores recursos s\u00e3o aqueles onde a vigil\u00e2ncia tradicional \u00e9 mais dif\u00edcil de ser executada na pr\u00e1tica. Portanto, olhar para as bases de dados da sa\u00fade p\u00fablica ajuda a dar um diagn\u00f3stico situacional mais r\u00e1pido e, por fim, uma a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Boaventura destacou a dimens\u00e3o do SUS como produtor de informa\u00e7\u00f5es da situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade brasileira, e apontou a necessidade de mais forma\u00e7\u00e3o e profissionais que se debru\u00e7am sob a base de dados. \u201cA gente precisa desenvolver estrategicamente solu\u00e7\u00f5es que s\u00e3o nossas para os nossos problemas e utilizando tecnologia e expertise local, para que eles tenham o melhor desempenho poss\u00edvel\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>A especialista ressaltou que existe globalmente um grande apelo tecnol\u00f3gico, e que isso deve ser usado no Brasil. \u201cPrecisamos caminhar para uma maior governan\u00e7a \u00e9tico-regulat\u00f3ria, garantindo que haja uma prote\u00e7\u00e3o desses dados, mas tamb\u00e9m mantendo uma agilidade operacional que \u00e9 necess\u00e1ria para que esses projetos entreguem resultados. Existe, ainda, a quest\u00e3o de que a gente pode integrar esses dados com dados de vigil\u00e2ncia e com intelig\u00eancia artificial.\u201d<\/p>\n<p>Seguindo as falas, o presidente da Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares (EBSERH), Arthur Chioro, abordou sobre a quest\u00e3o dos hospitais e, principalmente, o papel dos hospitais universit\u00e1rios federais.<\/p>\n<p>Assim como Boaventura, Chioro iniciou ressaltando a import\u00e2ncia do SUS. \u201cPrecisamos reafirmar o SUS como um projeto fundamental para a produ\u00e7\u00e3o da cidadania e, acima de tudo, para a produ\u00e7\u00e3o da soberania nacional. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso reafirmar a Sa\u00fade n\u00e3o como uma mercadoria, mas como um direito universal que precisa ser garantido pelo Estado.\u201d<\/p>\n<p>Chioro ressaltou a import\u00e2ncia da pol\u00edtica de dados da Sa\u00fade acompanhar a LGPD (Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados), mas que ela traga tamb\u00e9m subs\u00eddios para quem trabalha na carreira m\u00e9dica. \u201cPrecisamos de pol\u00edticas com foco na valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais e que promovam uma educa\u00e7\u00e3o permanente, o que \u00e9 decisivo para garantir a resili\u00eancia do SUS e, ao mesmo tempo, produzir ensino e pesquisa.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 Rosana Onocko Campos, professora da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Unicamp, abordou sobre o fortalecimento para as pol\u00edticas de sa\u00fade coletiva, principalmente atreladas \u00e0s pol\u00edticas de sa\u00fade mental. \u201cH\u00e1 sempre uma tens\u00e3o entre o campo da sa\u00fade p\u00fablica, da sa\u00fade coletiva e o campo da sa\u00fade mental\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Campos ressaltou a import\u00e2ncia do fortalecimento das pol\u00edticas de sa\u00fade mental. \u201cNunca foi poss\u00edvel a gente pensar o ser humano fora da sociedade e da cultura, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nenhuma sa\u00fade que n\u00e3o seja sempre tamb\u00e9m mental. N\u00e3o existe essa separa\u00e7\u00e3o. A sa\u00fade coletiva sempre se preocupou e sempre abordou essa quest\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o entre a sa\u00fade mental, a sa\u00fade geral e vari\u00e1veis sociais e demogr\u00e1ficas.\u201d<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Adele Benzaken, da AIDS Healthcare Foundation, outro recorte importante \u00e9 o olhar para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica, que necessita de especificidades no campo da pol\u00edtica p\u00fablica. \u201cA Vigil\u00e2ncia 360\u00ba prop\u00f5e um olhar integrando dados, servi\u00e7os e saberes para antecipar riscos e proteger a sa\u00fade. Como fazer isso num territ\u00f3rio de dif\u00edcil acesso e que corresponde a 60% do Pa\u00eds?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Benzaken ressaltou o desafio de se fazer pol\u00edticas nacionais que sejam flex\u00edveis a demandas locais. \u201cTemos uma popula\u00e7\u00e3o diversa. S\u00f3 na Amaz\u00f4nia existem ribeirinhos, ind\u00edgenas, quilombolas, extrativistas, garimpeiros, al\u00e9m de popula\u00e7\u00f5es das grandes periferias urbanas, de Manaus e de Bel\u00e9m. Esta diversidade exige que a vigil\u00e2ncia saia desse formato padronizado que existe atualmente.\u201d<\/p>\n<p>Encerrando as falas, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallas, destacou os avan\u00e7os da institui\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de vacinas nos \u00faltimos anos, com destaque a parcerias com o Governo Federal que, segundo ele, devem ser expandidas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos celebrar a capacidade que n\u00f3s temos aqui no Pa\u00eds de desenvolver produtos desde a sua ideia essencial at\u00e9 chegar \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, solu\u00e7\u00f5es pensadas para fazer com que a gente resolva os nossos problemas. A gente tem a aud\u00e1cia de querer continuar desenvolvendo produtos para necessidades brasileiras, como solu\u00e7\u00f5es para as doen\u00e7as tropicais e subtropicais. Estamos fazendo muito isso no Butantan, para pavimentar as rotas de desenvolvimento internas e fazer com que o brasileiro encontre novos caminhos atrav\u00e9s do SUS.\u201d<\/p>\n<p>O sexto encontro do ciclo \u201cVozes da Ci\u00eancia \u2013 O Brasil que queremos\u201d, com o tema \u201cSa\u00fade P\u00fablica, Sa\u00fade Global e Vigil\u00e2ncia 360\u00ba\u201d, est\u00e1 dispon\u00edvel no\u00a0<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WUI5HU2Bwi8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">canal da SBPC no YouTube<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Rafael Revadam \u2013 Jornal da Ci\u00eancia<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No sexto debate da s\u00e9rie \u201cVozes da Ci\u00eancia\u201d, organizada pela SBPC, pesquisadores&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9834,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9833"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9833"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9833\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9841,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9833\/revisions\/9841"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9834"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}